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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Periquito cara-suja, espécie nativa do Ceará e ameaçada de extinção, se reproduz no Planalto da Ibiapaba após 114 anos

Ceará, por Kleber Patricio

Espécie foi reintroduzida no local em dezembro de 2024 por meio de ação do projeto Refaunar Arvorar, iniciativa do Parque Arvorar, em parceria com as ONGs Aquasis e Associação Caatinga. Foto: Divulgação.

Após mais de um século sem registros na região do Planalto da Ibiapaba, 18 indivíduos de cara-suja (Pyrrhura griseipectus) foram reintroduzidos na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), no Ceará, em dezembro de 2024. A ação, que faz parte do projeto Refaunar Arvorar, visa restaurar a biodiversidade local e dar uma nova chance à espécie, que havia desaparecido da região. A iniciativa é uma parceria do Parque Arvorar com as ONGs Associação Caatinga e Aquasis. A região abrigou os últimos espécimes confirmados no Planalto da Ibiapaba há 114 anos.

Na ocasião, além de 18 aves que já haviam passado por período de aclimatação e foram soltas na Reserva, outros três animais da mesma espécie que haviam sido apreendidos pelo Ibama e enviados para o Arvorar como fiel depositário foram encaminhados para o mesmo local, onde passam pela aclimatação para posteriormente serem soltos. Dentre eles estava a fêmea que colocou seis ovos férteis, dos quais três filhotes já nasceram. O momento é amplamente comemorado pela equipe do projeto, que acompanha de perto o desenvolvimento dos embriões para assegurar que os filhotes cresçam de forma saudável.

Nativa do Ceará, o periquito cara-suja havia sido completamente extinto em algumas regiões do Nordeste nos últimos 50 anos e, até 2017, estava classificado como ‘criticamente em perigo’ (CR) na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Atualmente, boa parte das áreas onde o cara-suja já ocorreu não apresenta mais ambiente adequado para o seu desenvolvimento. Por meio das ações de conservação, o periquito cara-suja passou da classificação de ‘criticamente em perigo’ (CR) para ‘em perigo’ (EN) na lista vermelha. Agora, mais reintroduções, como as que estão ocorrendo na Reserva Natural Serra das Almas, promovidas pelo Arvorar e as ONGs, poderão, em um futuro próximo, diminuir ainda mais o risco de desaparecimento dessa espécie que esteve à beira da extinção no início desse século.

“Estamos diante de um momento histórico, o nascimento dos primeiros periquitos cara-suja na Reserva Natural Serra das Almas após um século sem a presença confirmada da espécie no Planalto da Ibiapaba. Celebramos essa conquista, fruto de uma parceria bem sucedida com o Parque Arvorar, Associação Caatinga e órgãos ambientais. Ainda é só o início: reintroduzir animais na natureza exige monitoramento constante e enfrentar desafios complexos. Mas o nascimento dos filhotes já é um sinal positivo de que essa espécie está se adaptando ao ambiente e pode repovoar a região com sucesso. Seguimos comprometidos para garantir que esse recomeço prospere.

Três filhotes de periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus) nasceram na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), localizada no Planalto da Ibiapaba, entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI) nesta semana. O que parece um fato corriqueiro é, na verdade, uma grande conquista para a preservação da espécie ameaçada de extinção e para as pesquisas em conservação. A fêmea que colocou os ovos é uma das três aves recebidas pelo Parque Arvorar como fiel depositário em setembro de 2024, por meio de uma ação coordenada com o Ibama. O Arvorar, novo parque temático do Beach Park, voltado à educação e conservação ambiental, tem como um dos seus pontos de atuação o cuidado de animais silvestres vindos de apreensões ou resgates realizados pelos órgãos ambientais, e teve papel central nesse processo.

Após o resgate realizado pelo órgão responsável, os animais passaram por um cuidadoso trabalho de avaliação e recuperação pela equipe do Arvorar até que o próprio órgão definisse a destinação dos animais e os encaminhasse para o local indicado. “Esse é exatamente o caso da fêmea que hoje protagoniza esse marco: ela foi acolhida, passou por todos os protocolos veterinários, realizando os exames necessários no Parque Arvorar. Após a avaliação comportamental e clínica da nossa equipe técnica mostrar que o animal estava saudável, informamos prontamente aos órgãos envolvidos para que eles definissem a destinação do animal. A fêmea, juntamente com as duas outras aves recebidas, foi então integrada ao projeto Refaunar – que tem como objetivo o repovoamento de espécies nativas em áreas onde haviam desaparecido. Com o aval dos órgãos, o animal foi encaminhado pelos técnicos para a RNSA, onde se reproduziu ainda no processo de aclimatação”, enfatiza Leanne Soares, gerente do parque Arvorar. “O nascimento simboliza o início de um novo ciclo de vida para a espécie no seu habitat original”, complementa Leanne.

Já para Gilson Miranda, gestor da Reserva Natural Serra das Almas, esses pássaros simbolizam perfeitamente a beleza e a diversidade da Caatinga, evidenciando o impacto das ações de conservação para a manutenção da fauna e flora do bioma. “Esse nascimento comprova que os esforços de conservação têm gerado resultados positivos e é ainda mais significativo por ocorrer no mês da Caatinga, reforçando a importância das ações de preservação desse bioma único e 100% brasileiro”, destaca o profissional. Há 25 anos, a Associação Caatinga é responsável pela gestão da Reserva Natural Serra das Almas — a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará — protegendo a Caatinga e sua rica biodiversidade.

Reintegração na natureza | Num esforço conjunto para reverter o declínio populacional da ave e levar os animais da espécie de volta para seu hábitat, o Arvorar, através do projeto Refaunar, em parceria com as ONGs Associação Caatinga e Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), realizou, em nfatiza Fábio Nunes, gerente do Projeto Cara-suja, da Aquasis.

(Com Elisa Melo/Index Assessoria)

Preconceito velado e falta de apoio financeiro e psicossocial são barreiras para retorno ao trabalho após acidente

São João del-Rei, por Kleber Patricio

Maior parte dos acidentes de trabalho ocorre com pessoas do sexo masculino. Foto: Nicholas Lim/Pexels.

Todos os anos, mais de 600 mil trabalhadores brasileiros sofrem acidentes de trabalho, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho. Mas não é apenas a gravidade de possíveis deficiências resultantes que define se conseguirão ou não voltar ao mercado de trabalho após um acidente laboral. Pesquisa realizada pela UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) revela que suporte financeiro, apoio psicossocial, minimização do preconceito e adaptações no ambiente de trabalho são decisivos para a reinserção. O estudo foi publicado no último dia 2 na revista Psicologia: Ciência e Profissão.

A pesquisa entrevistou 20 trabalhadores de Minas Gerais que sofreram sequelas graves após acidentes de trabalho, como paraplegia, tetraplegia e amputações. A maioria dos participantes era do sexo masculino, o que está em linha com dados nacionais que apontam maior incidência de acidentes de trabalho entre homens. Do total, apenas dez voltaram às atividades, enquanto quatro se aposentaram e seis permaneciam afastados pelo INSS.

Segundo o estudo, a deficiência, por si só, não foi o principal obstáculo para os que retornaram: “Aspectos organizacionais, como a qualidade do suporte financeiro e psicossocial ofertado pelas empresas e o modo de condução do processo de retorno, podem ser fatores tão ou mais influentes”, afirmam as autoras Joelma Cristina dos Santos e Maria Nivalda de Carvalho-Freitas.

As pesquisadoras apontam que o apoio emocional e material dado durante a reabilitação impacta diretamente o comprometimento do trabalhador com a empresa. Onde houve acolhimento e adaptação de funções, a volta ao trabalho foi mais comum. Já a ausência de suporte, a falta de condições acessíveis e o preconceito sutil no ambiente laboral contribuíram para a desistência ou a aposentadoria precoce. “O foco da reinserção após um acidente de trabalho deve ser, principalmente, o suporte financeiro e psicossocial ao trabalhador e as possíveis adequações a serem realizadas nos ambientes físico e social da organização, ou seja, modificações arquitetônicas, em mobiliários e maquinários, bem como práticas de sensibilização sobre o preconceito em relação a pessoas com deficiência e reabilitadas”, diz.

Para Santos, diante do resultado da pesquisa e de relatos de entrevistados que se sentiram excluídos e até mesmo abandonados, são necessárias regras mais rígidas para que as empresas garantam condições de reabilitação e inclusão dos profissionais.

(Fonte: Agência Bori)

Encontro nacional reúne caçadores de aurora e histórias que atravessam o mundo

Curitiba, por Kleber Patricio

Por 10 anos, Nayla Takahashi Aoki guardou um sonho no peito. O tipo de sonho que não se desfaz com o tempo, ao contrário, cresce, amadurece, resiste até a uma pandemia. Fotos: Nayla Takahashi Aoki.

Por 10 anos, Nayla Takahashi Aoki guardou um sonho no peito. O tipo de sonho que não se desfaz com o tempo – ao contrário, cresce, amadurece e resiste até a uma pandemia. E quando finalmente se realizou, veio acompanhado de lágrimas, silêncio e o tipo de beleza que é impossível explicar com palavras.

Aos 34 anos, Nayla é gerente executiva de planejamento em São Paulo. Mas por alguns dias em fevereiro deste ano, ela foi muito mais do que isso. Foi uma caçadora de aurora boreal – e encontrou o que procurava no céu congelado da Lapônia. “Faz uns 10 anos que eu comecei a procurar mais sobre a aurora. Eu já conhecia o fenômeno, claro, mas era distante, quase impossível. Financeiramente era difícil. Mas era o sonho da minha vida”.

Tudo foi adiado pela pandemia, mas não esquecido. Depois, cada nova viagem que cogitava fazer era adiada por um pensamento insistente: “Se eu juntar mais um pouquinho, eu vejo a aurora”. Foi nesse meio tempo que Nayla conheceu Marco Brotto, o curitibano conhecido como O Caçador de Aurora Boreal. “Comecei a seguir ele nas redes, acompanhar os posts e os stories… Ficava deslumbrada. Era muita paixão pelo que ele fazia. Eu até pensei em ir sozinha, mas falei pra mim mesma: a chance de não ver é grande. Então, que eu vá com alguém que vai fazer de tudo pra me mostrar”.

Foi a decisão certa

Na tela da memória, as luzes dançantes do céu da Lapônia ainda brilham. Tão fortes quanto naquela noite congelante.

A primeira noite da expedição trouxe uma aurora tímida. A segunda, um pouco mais intensa. E então veio a terceira… “Teve uma hora que eu me afastei do grupo, fui pra um cantinho, sentei e chorei. Chorava de emoção. Vieram perguntar se estava tudo bem. E eu disse: tá tudo bem. É que eu não tô acreditando que tô aqui vendo tudo isso”.

Na tela da memória, as luzes dançantes do céu da Lapônia ainda brilham. Tão fortes quanto naquela noite congelante. “Eu não superei. Encontrei o pessoal hoje no encontro aqui em Curitiba e falei: já quero a próxima. Já tô pensando em como me organizar de novo. Vale muito a pena”.

E ali, no 5º Encontro Nacional de Caçadores de Aurora Boreal, rodeado de gente que viveu algo parecido, Marco Brotto confirma o que todo viajante sente: a verdadeira luz da aurora não está só no céu. Está dentro da gente.

Nayla é uma das mais de 300 pessoas que participaram do evento organizado pelo curitibano, referência quando o assunto é caçar as luzes do norte, com mais de 170 expedições bem-sucedidas.

(Fonte: Agência Souk)

Livros: ‘Bastidores da Ciência’ desmitifica estereótipos que envolvem o mundo científico

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro.

Como você imagina um cientista? Provavelmente em um laboratório, com jalecos brancos, livros espalhados, óculos de proteção ou com ‘fundo de garrafa’ e alguns equipamentos sofisticados. Um cenário bastante comum em filmes na TV. E as grandes descobertas são sempre do tipo ‘momento Eureka’. Tudo isso acaba negligenciando o fato de que este profissional trabalha incansavelmente horas a fio, durante muito tempo, até conseguir chegar a um resultado mais diferenciado. Para desmitificar esse e outros estereótipos, Leandro Lobo lança, pela editora ICH, o livro ‘Bastidores da Ciência’, no dia 8/4, às 19h, na Livraria Janela do Shopping da Gávea.

Com uma linguagem clara e acessível, para divertir além de instruir, a obra dá luz a esses bastidores para mostrar a vida mais cotidiana e real de cientistas e pesquisadores. Além disso, apresenta pesquisas e resultados que impactam tanto a ciência mundial como no dia a dia de todos.

O autor é o microbiologista e imunologista Leandro Lobo, professor no Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da UFRJ e pesquisador na área de bacteriologia médica. “É comum recebermos a notícia de algum grande feito da ciência seja um produto tecnológico ou uma nova equação que nos ajuda a entender o universo, mas muitos não sabem que, para cada descoberta, houve centenas, talvez milhares, de tentativas fracassadas. Cientistas também cometem erros, mas esses erros nos ajudam a aprender e o bom cientista sabe valorizar esses erros. Esse livro conta histórias de erros, acasos e situações inesperadas na ciência. São histórias incomuns, às vezes bizarras e muitas vezes engraçadas, que vão fazer o leitor enxergar o trabalho do cientista de uma maneira completamente diferente, muito mais mundana e divertida”, explica.

Dividido em seis partes, a obra traz capítulos sobre Histórias e curiosidades que não nos contam, como um método inusitado de produzir a vacina contra o tifo serviu para libertar judeus na Segunda Guerra; Pequenas e grandes invenções que mudaram nosso dia a dia, como a insulina e o inventor da lâmpada Thomas Edison e, O acaso nas descobertas, como a toxina botulínica, de veneno a tratamento estético. Também traz Personagens curiosos e admiráveis, como Vital Brazil e Bertha Lutz, além de uma parte dedicada aos equívocos em Cientistas também erram, como, por exemplo, a de um químico, duas vezes prêmio Nobel que errou ao propor uma estrutura tridimensional do DNA. Por fim, Em busca de seu merecido lugar traz um espaço dedicado a histórias de cientistas que deixaram de receber crédito por suas descobertas.

Uma pesquisa de percepção da ciência brasileira feita pelo Datafolha de 2015 apontou que 63% dos entrevistados afirmaram ter interesse por ciência e tecnologia, mas 77% não souberam nomear um instituto de pesquisa ou até mesmo uma universidade no Brasil, ainda que quase todos os entrevistados (99%) acreditassem que a ciência é fundamental para o desenvolvimento do país. “Se as pessoas têm tanto interesse em ciência, por que os materiais de divulgação científica são pouco consumidos? É claro que grande parte do problema tem origem na dificuldade dos cientistas em adaptar a linguagem acadêmica para uma mais compreensível, com analogias e metáforas, que prendam a atenção e favoreçam o entendimento do assunto para que pessoas não especializadas possam participar do debate”, afirma Lobo.

Serviço:

Bastidores da Ciência

Lançamento: dia 8/4, às 19h, com sessão de autógrafos

Local: Livraria Janela do Shopping da Gávea Rio de Janeiro – RJ.

(Com Kadygia Ferreira/Danthi Comunicação)

Teatro contra misoginia e violência de gênero

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Aloysio Araripe.

O que leva um jovem a transformar frustração pessoal em ódio mortal? Este é o tema do espetáculo ‘O Anorak’, que chega aos palcos do Teatro Ziembinski, no Rio de Janeiro, no próximo dia 2 de maio. Escrito pelo canadense Adam Kelly Morton, o texto narra os acontecimentos que antecederam o ataque que chocou o mundo: o assassinato em massa de 14 mulheres na Escola Politécnica da Universidade de Montreal, em 1989.

Protagonizado pelo ator Daniel Chagas e dirigido por Sueli Guerra, a montagem vai além da reconstituição do crime: investiga as origens do ódio e expõe as fissuras da masculinidade moldada pela rejeição, solidão e um sentimento de inadequação que culmina na violência. “Quando encontrei esse texto, percebi que tocava em uma ferida que o mundo insiste em ignorar. Infelizmente, o discurso de ódio contra as mulheres não é uma página virada da história; ele persiste, e com força, também no Brasil. O espetáculo é um convite para refletirmos sobre como a misoginia é construída e perpetuada socialmente”, afirma Chagas.

Para a diretora, conhecida por trabalhos que exploram a relação entre corpo, emoção e cena, encarar esta montagem foi um processo delicado e, acima de tudo, necessário. “Tem sido muito difícil encarar esse texto, principalmente para mim e para toda equipe, que é composta por mulheres. Eu sou mãe de menino, então isso pesa ainda mais. É fundamental refletir sobre como e o quanto nós, como sociedade, somos responsáveis por essa construção: homens misóginos, inseguros, frágeis diante dos seus próprios sentimentos e incapazes de lidar com frustração. Eles se tornam alvos fáceis para pensamentos e atitudes extremas, como os que a peça expõe”, ressalta Sueli.

Além da profundidade do tema, o processo de construção da montagem exigiu de Daniel um mergulho intenso e um cuidado ético redobrado. “Desde o início, eu sabia que essa montagem só poderia ter mulheres conduzindo a criação. A misoginia é um tema que diz respeito a todos, mas são as mulheres que sentem na pele. Ter a Sueli Guerra na direção foi fundamental, porque ela trouxe generosidade e firmeza para atravessar esse território tão delicado.”

O trabalho de encenação apostou no equilíbrio entre texto e fisicalidade, num jogo sutil de presença e ausência. “Digamos que o movimento aqui circula entre o interno e o externo, nas sutilezas da suspensão e do tônus. Não queríamos reforçar estereótipos, mas provocar o público a sentir e refletir profundamente”, completa a diretora.

A arte como provocação social

Além de expor as raízes da misoginia, O Anorak também convida à autocrítica social: como os discursos de ódio se formam, se alimentam e ganham espaço seja em salas de aula, fóruns virtuais ou ambientes de convívio. A montagem não tem como objetivo apontar culpados específicos, mas ampliar a compreensão sobre um fenômeno que atravessa classes sociais, culturas e fronteiras. Ressalta Sueli: “A arte, para mim, tem o papel de iluminar o que preferimos manter na sombra. O fato de o tema ser mais do que atual foi o que me motivou a dirigir essa peça.” 

Para Daniel, o desejo é que o espetáculo percorra diferentes públicos e territórios. “Eu sonho com esse texto viajando o país, indo não só para os grandes centros, mas chegando também às periferias, às cidades pequenas. A arte precisa alcançar quem mais precisa dela, porque é no encontro com essas histórias que a gente, talvez, consiga mudar alguma coisa.”

Com 90 minutos de duração, O Anorak se propõe a ser mais do que teatro: um convite incômodo e necessário para refletir sobre as bases da nossa convivência social.

Serviço:

Espetáculo Anorak

Texto: Adam Kelly Morton

Atuação: Daniel Chagas

Direção: Sueli Guerra

Estreia: 2 de maio

Sextas e sábados: 20h

Domingos: 19h

Duração: 90 minutos

Teatro Municipal Ziembienski – rua Urbano Duarte, Tijuca (em frente ao metrô São Francisco Xavier).

(Fonte: Mis Comunicação)