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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Janeiro traz música, teatro e história ao Theatro Municipal de São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Daniel Cabrera/divulgação/Theatro Municipal de São Paulo.

Em janeiro, o Theatro Municipal de São Paulo traz a seu público a oportunidade de explorar espaços e temas especiais. Exposições, visitas guiadas, concertos e uma peça de teatro imersiva proporcionam aos visitantes experiências que trazem a vivência do Complexo Theatro Municipal por meio de bastidores e histórias pouco conhecidas da música e das artes nacionais.

Uma dessas visões pode ser conferida na Praça das Artes. Durante todo o mês segue em cartaz a exposição “Presente! – Presenças Negras no Theatro Municipal”. A mostra busca lançar luz a uma história fragmentada da participação negra na história do Theatro por meio de mais de 280 registros, documentos e itens do acervo, como figurinos, e audiovisuais que mostram artistas – músicos, dramaturgos, dançarinos –, entre outros profissionais que fizeram e seguem fazendo a história da casa. A exposição tem entrada gratuita e segue em cartaz até o dia 29 de março, entre terça e sábado, das 10h às 18h.

A Orquestra Experimental de Repertório. Foto: Clarissa Lambert/divulgação/Theatro Municipal.

Primeiro evento da Orquestra Sinfônica Municipal do ano, o Concerto de Verão, que acontece entre os dias 25, 27 e 28 de janeiro (quarta e sábado, às 17h e sexta, às 20h) traz uma homenagem a importantes compositores brasileiros, entre os quais estão Alberto Nepomuceno, Alexandre Levy, Oscar Lorenzo Fernández, Francisco Mignone e o recentemente falecido maestro Edino Krieger. A regência é do maestro Roberto Minczuk e, no violino, Guido Sant’Anna, que também executará o concerto para violino de Tchaikovsky (a apresentação “Maracatu e Burana”, que aconteceria em janeiro, conforme a divulgação da programação de 2023, foi reagendada para o final do ano). O espetáculo dura 60 minutos e os ingressos custam entre R$12 e R$64. A classificação indicativa é livre. A apresentação do dia 25 também celebra o Aniversário da cidade de São Paulo.

Mais um espetáculo que irá possibilitar um olhar novo para a edificação, “Personagens em Busca de um Autor”, trabalho do Núcleo Teatro de Imersão Tragicomédia, irá fazer uma adaptação do texto do italiano Luigi Pirandello para o público por meio de uma montagem imersiva, itinerante e interativa. Na obra, os espectadores são convidados a opinar sobre um espetáculo em construção quando o ensaio é interrompido pela chegada de três personagens cujo drama ainda não terminou de ser escrito. Ao contar tal drama, personagens, elenco e espectadores circulam por diversos ambientes do Theatro Municipal, incluindo coxias e áreas pouco visitadas pelo público comumente.

A Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Foto: Larissa Paz/divulgação/Theatro Municipal.

O espetáculo terá apresentações nos dias 28/1 (11h) e segue durante o mês de fevereiro, aos sábados (4/2, 11/2 e 26/2) e domingos (12 e 26/2), com sessões às 11h e 15h (exceto nos dias 28/1 e 4/2 – somente 11h). A duração do espetáculo é de 120 minutos, a classificação indicativa é de 18 anos e a lotação, 30 lugares. Os ingressos são gratuitos e as reservas podem ser feitas pelo site.

A Orquestra Experimental de Repertório também se apresenta no dia 29 de janeiro, domingo, às 11h, sua estreia em 2023. O concerto, sob a regência de Jamil Maluf e como solista o ao violino Claudio Micheletti, traz obras de Camille Saint-Säens, Rimsky-Korsakov e Tchaikovsky. Os ingressos vão de R$12 a R$32 (inteira) e o concerto dura aproximadamente 40 minutos sem intervalo.

Durante o mês, a programação também conta com ações do projeto De Onde Si Vê, que são ateliês itinerantes de artes e plantio de flores e ervas, que acontecem nas ruas próximas à Praça das Artes, preferencialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. Os ateliês, conduzidos por educadores sociais, contam com equipe técnica de psicólogo e assistente social, que oferecem oportunidade de escuta e acolhimento à população do entorno da Praça. Eles acontecem das terças e quintas, das 14h30 às 16h30.

Visitas guiadas e educativas

Gizelle Menon e Leticia Alves em cena de “Personagens em busca de um autor”. Foto: Hernani Rocha.

Quem estiver de férias ou de passagem pela cidade de São Paulo a partir do dia 11 de janeiro também poderá realizar uma das visitas guiadas, lúdicas e educativas oferecidas pela casa. Além das tradicionais visitas em português e em inglês que apresentam a história cultural e arquitetônica da casa, que podem ser agendadas com um dia de antecedência pelo site, há diferentes tipos de visitas educativas, que podem ser realizadas com as crianças também.

Esse é o caso de “Pausa para o Café”, por exemplo, na qual o Theatro se transforma em uma máquina do tempo que estimula a criatividade das crianças por meio conversas e brincadeiras. Ela acontece aos sábados, quinzenalmente, às 14h30 e tem duração de 90 minutos. A reserva de ingressos gratuitos acontece sempre no dia anterior à visita, a partir das 10h, pelo site do Theatro.

Em “Linha, Forma e Cor”, é possível realizar um passeio lúdico com as crianças e seus familiares pelos espaços do Theatro, com diversas brincadeiras e descobertas sobre os seus elementos artísticos a partir de pinturas modernistas. Os encontros acontecem aos sábados (quinzenalmente), às 14h30 e duram ao todo 90 minutos. Os ingressos são gratuitos e devem ser reservados antecipadamente no site oficial do TMSP.

Leticia Alves e Pat Albuquerque em cena da peça “Personagens em busca de um autor”. Foto: Hernani Rocha.

Por fim, os “Encontros para Desenhar” convidam os participantes a ilustrarem de várias formas o Theatro Municipal e a Praça das Artes, experimentando diversas técnicas, a partir da observação da arquitetura e de elementos artísticos. Unindo desenho, movimento, música e caminhadas, os encontros contam com materiais básicos para realizar os trabalhos, mas também deixa livre para que os participantes tragam seus próprios instrumentos para desenho e colagem. A participação é livre para todos os públicos e acontece no último sábado do mês (28/1), às 10h, com duração de 120 minutos aproximadamente. Os ingressos devem ser reservados antecipadamente pelo site do TMSP.

Para mais informações sobre os espetáculos confira a programação completa abaixo ou acesse este link.

Serviço:

Theatro Municipal

Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Sé – São Paulo, SP

Capacidade Sala de Espetáculos – 1530 pessoas

Praça das Artes

Avenida São João, 281 – Sé – São Paulo, SP

Capacidade Sala do Conservatório – 200 pessoas.

(Fonte: Theatro Municipal)

Arte132 apresenta em 2023 “Tridimensional: Entre o sagrado e o estético”, um recorte da coleção de Vera e Miguel Chaia

São Paulo, por Kleber Patricio

Miguel Chaia, obras da coleção – 19, Arte 132, 11.2022. Foto: ©evertonball.

A Arte 132 Galeria inaugura, no dia 14 de janeiro de 2023, a exposição “Tridimensional: Entre o sagrado e o estético” – um recorte da coleção particular de Vera e Miguel Chaia, que reúne um conjunto de 46 obras. Entre telas, objetos e esculturas de 35 diferentes artistas brasileiros, a mostra apresenta desde nomes consagrados a jovens talentos do cenário artístico brasileiro. A curadoria é assinada por Miguel Chaia, Laura Rago e Gustavo Herz.

Dividida em dois pilares, o sagrado e o estético, ‘Tridimensional’ mescla de forma não linear os temas centrais – supõe-se que cada artista ou obra se aproxima ora mais ora menos do sagrado ou do estético; em algumas obras, o sagrado pode ser mais explícito e, em outras, menos.

O conceito de sagrado é aqui entendido no seu significado amplo de religioso, venerável, ritualístico, mítico, alquímico e metafísico — centrado nas questões do corpo e da sociabilidade, e aparece representado por cinco elementos: sangue, vinho, água, fogo e alimento. O estético é compreendido como a linguagem que, no desenvolvimento histórico da arte, em um processo autônomo e profano, opera revoluções nas formas de expressão, rompendo claramente vínculos com áreas externas à própria arte. O tridimensional aparece em restrito relacionado à forma das telas, objetos e esculturas – todas as obras apresentam três dimensões e/ou perspectivas de relevo.

Para o artista plástico Donald Judd, a tridimensionalidade não está próxima de ser uma esfera tão sedimentada quanto a pintura, mas a força das três dimensões, “simula e aumenta o objeto real, para equipará-lo a uma forma emocional. A metade, ou mais, dos melhores novos trabalhos que se têm produzido nos últimos anos não tem sido nem pintura nem escultura. Frequentemente, eles têm se relacionado, de maneira próxima ou distante, a uma ou a outra. Os trabalhos são variados e, dentre eles, muito do que não é nem pintura nem escultura também é variado”, explica Judd. Para ele, esses novos trabalhos tridimensionais não constituem um movimento, escola ou estilo, mas, sim, um avanço da linguagem a partir das especificidades e potencialidades dos suportes e materiais.

Sobre o processo curatorial

Três questões nortearam as reflexões abordadas pelo conjunto de obras expostas: Será possível perceber na arte contemporânea vestígios do sagrado? O que pode haver em comum entre a arte e o sagrado? E, ainda, a arte contemporânea, ao ganhar autonomia, fortalecendo seu significado estritamente estético, abandona o mítico, a religiosidade e a religião na busca da revolução da linguagem?

Miguel Chaia, obras da coleção – 29, Arte 132, 11/2022. Foto: ©evertonball.

Entre os destaques da exposição, aparecem Artur Lescher, Carmela Gross, José Resende, José Leonilson, Leda Catunda, Marcelo Cidade e Tunga. A exposição traz à tona a discussão do que é arte e suas conjugações e interlocuções entre o sagrado e o estético dentro de uma mesma obra. O resultado é uma mostra site specific, que surge a partir da proposta curatorial na qual concepção, temática e suporte contemplam a vocação e as particularidades da galeria Arte132, e que desdobra-se em um belo jardim de esculturas.

Para o curador e colecionador Miguel Chaia, a arte e o tridimensional são conceitos polissêmicos: abrem-se para múltiplas formulações ou definições. “A arte está aberta a qualquer pesquisa que assuma a perspectiva da política ou da filosofia, da religião, da economia, da semiótica e da estética. E, com frequência, essas perspectivas estão interligadas, uma vez que a arte é relacional enquanto produto da práxis humana, atravessada pelas múltiplas esferas da sociedade”, explica ele.

A história da coleção de Vera e Miguel Chaia se confunde com a própria história da arte contemporânea brasileira. O casal começou a colecionar há 45 anos e, durante esse período, reuniu um acervo ímpar. Eles se conheceram em 1969, quando cursavam a faculdade de ciências sociais da PUC-SP, e logo descobriram o amor em comum pelas artes, passando a visitar, juntos, exposições. Começaram adquirindo gravuras e nunca mais pararam – assim surgia uma das mais importantes coleções de arte contemporânea brasileira. “Tridimensional – Entre o sagrado e o estético” será uma oportunidade para que os espectadores conheçam um recorte desse acervo.

Sobre os curadores:

Miguel Chaia (São Paulo, 1947) é graduado em Ciências Sociais pela PUC-SP, mestrado e doutorado em Sociologia pela USP. É professor da Pós-graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e do Curso “Arte: História, Crítica e Curadoria”, da PUC-SP, e coordenador e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (Neamp).

Laura Rago (São Paulo, 1984) é curadora independente e jornalista de arte graduada em história e pós-graduada em Jornalismo Cultural e em Arte: Crítica e Curadoria, ambos os cursos realizados na PUC-SP. Pesquisadora na área de Arte e Política, História das Exposições, Arte e Tecnologia e Arte Pública.

Gustavo Herz (São Paulo, 1998) é graduado em Arte: História, Crítica e Curadoria pela PUC-SP. Ator e curador. Pesquisador na área de religiosidade. Promove eventos culturais independentes.

Miguel Chaia, obras da coleção – 18, Arte 132, 11/2022. Foto: ©everball.

Sobre a Arte132 Galeria | A Arte132 acredita que a arte de um país e de um período não é constituída apenas por alguns nomes definidos pelo mercado, mas por todos os artistas que desenvolveram um entendimento do mundo e do homem em determinado momento; artistas estes que abriram e alargaram os caminhos da arte brasileira. Dessa forma, expõe e dá suporte a mostras com o compromisso de apresentar arte relevante e de qualidade ao maior número de pessoas possível, colecionadores ou não. A casa (concebida pelo arquiteto Fernando Malheiros de Miranda, em 1972), para além de uma galeria de arte, é um lugar de encontros, diálogos e descobertas.

Serviço:

Exposição “Tridimensional: Entre o sagrado e o estético”

Curadores: Miguel Chaia, Laura Rago e Gustavo Herz

Local: Arte132 Galeria – Av. Juriti, 132, Moema, São Paulo – SP

Evento de abertura: 14 de janeiro de 2023, sábado, das 11h às 17h

Período expositivo: 14 de janeiro a 11 de março de 2023

Evento de encerramento: Recital de piano, em 11 de março, sábado, às 11h30

Horários de visitação: segunda a sexta, das 14h às 19h; sábados, das 11h às 17h

Entrada gratuita

https://arte132.com.br.

(Fonte: A4&Holofote comunicação)

José Lins do Rego reproduz suas lembranças em “Meus Verdes Anos”, lançado pela Global Editora

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

Como um bom romancista, José Lins do Rego expressa seus sentimentos de diversas formas ao reproduzir suas próprias memórias em livros. Seja por meio dos fragmentos da sua vida que são impressos na jornada de Carlinhos, protagonista de três livros do Ciclo da cana-de-açúcar, ou até mesmo na forma em que ele aborda o movimento do cangaço em “Pedra Bonita” e “Cangaceiros”, ambos lançados pela Global Editora em 2022.

Em “Meus verdes anos”, o autor continua com o contexto social e político ainda muito presente, mas contando um pouco das suas experiências na infância: a forma como chegou ao engenho do avô, como observava a relação do senhor do engenho com seus empregados e a forma como se sentia solitário na vida, abandonado por todos ao seu redor. Ao mesmo tempo, contextualiza o espaço ao seu redor mostrando situações como a disparidade de poder, a fome, febres e outros problemas do engenho – tudo isso sem perder a qualidade ingênua e doce do olhar de uma criança.

Assim como nas demais obras do autor, o lançamento da Global Editora conta com ilustrações de Mauricio Negro para a capa. A obra, publicada pela primeira vez em 1956, um ano antes de seu falecimento, é uma calorosa recordação dos momentos vividos durante sua trajetória, que foram essenciais para o desenvolvimento de suas narrativas sobre infância, amadurecimento e uma época que não volta mais. Zé Lins é reconhecido como um dos maiores escritores da literatura brasileira pela sua capacidade de envolver o leitor com sinceridade e sensibilidade ao retratar suas raízes.

Ficha Técnica:

Título: Meus verdes anos

Autor: José Lins do Rego

Apresentação: Iranilson Buriti de Oliveira

Páginas: 224

Preço de capa: R$49,00

ISBN: 978-65-5612-343-1

Formato: 14 X 21 cm.

Sobre José Lins do Rego | José Lins do Rego nasceu em três de junho de 1901, em Pilar, na Paraíba, e faleceu em 12 de setembro de 1957, na cidade do Rio de Janeiro. Publicou em 1932 seu primeiro livro, “Menino de engenho”, romance que foi seu passaporte de entrada para a história do moderno romance brasileiro. Viveu grande parte de sua vida no Recife e no Rio de Janeiro. O dia a dia e os costumes dessas cidades servem como panos de fundo para as suas obras. Em 1943, publicou “Fogo Morto”, livro considerado a sua obra-prima. Além de romancista, o escritor paraibano foi também contista, cronista, tradutor e jornalista, contribuiu ao longo de sua vida para vários periódicos brasileiros. Teve livros traduzidos para o inglês, francês, espanhol, alemão e italiano, dentre outras línguas. Em 1956, ano anterior ao de seu falecimento, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras.

(Fonte: Jô Ribes Comunicação)

Instituto capacita voluntários a estimular doação de órgãos e tecidos no Brasil

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

O ano vai terminando e 2023 se aproxima. Com a chegada do Ano Novo, muitas pessoas estabelecem planos, objetivos e metas para serem executados ou alcançados nos próximos meses. O desejo de se envolver em projetos voluntários e atividades cujos benefícios se direcionam ao outro também é uma tendência que chega com o novo ano.

A pesquisa Voluntariado no Brasil 2021, divulgada em agosto de 2022, mês do voluntariado, indicou que o Brasil contava, em 2021, com 57 milhões de voluntários ativos. Segundo o levantamento, ainda, o tempo dedicado para ajudar vem aumentando. Enquanto em 2011, a quantidade média de dedicação por pessoa era de cinco horas mensais, em 2021 essa média cresceu para 18 horas/mês. O índice é três vezes maior do que há uma década. De acordo com a análise, 56% da população adulta diz fazer ou já ter feito alguma atividade voluntária na vida. Em 2011, esse número representava apenas 25% da população e, em 2001, 18%.

Outro estudo, este feito pela Atados, uma plataforma que conecta pessoas e organizações para atividades voluntárias, revelou que o número de brasileiros interessados em se tornar voluntário em 2021 cresceu 31% em relação a 2020. O fato foi percebido pela própria organização, que notou um aumento de 15% nas inscrições para atividades voluntárias em 2021 em relação ao ano anterior. A expectativa é de que os resultados cresçam ainda mais em 2022 e se mantenham ascendentes nos próximos anos.

Embaixadores da Chama

O projeto Embaixadores da Chama, por exemplo, realizado desde 2020 pelo Instituto GABRIEL para incentivar a doação de órgãos, busca voluntários interessados em receber capacitações para falar com o entorno de pessoas com as quais se relacionam sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

O programa atende 12 estados do Brasil e intenciona, em breve, contar com representantes em todas as regiões do país. “São pessoas comuns falando a pessoas comuns também, com uma linguagem acessível e correta, sobre a importância da prática da doação de órgãos”, explica Maria Inês Carvalho, presidente do Instituto GABRIEL.

Inês conta que o projeto surgiu por iniciativa do marido dela, Valdir Carvalho, que teve a ideia de criar uma “pirâmide do bem”, na qual cada pessoa que fosse capacitada a falar sobre doação de órgãos trouxesse mais duas pessoas para construir uma base sólida dessa pirâmide. “Com o falecimento do Valdir, em 2019, coloquei esse projeto como prioridade no Instituto e, em 2020, ele foi ganhador do prêmio Movimento Bem Maior”, recorda. O Movimento é uma organização social apartidária sem fins lucrativos, que tem como objetivo fortalecer o ecossistema filantrópico do Brasil. “Com isso, recebemos financiamento para construção de uma plataforma virtual para programa de estímulo à capacitação dos voluntários”.

Ela ainda explica que o curso ofertado às pessoas interessadas é totalmente gratuito e contempla os principais pontos do processo de doação e transplante de órgãos no Brasil. “São 12 aulas e 12 missões que o aluno precisa cumprir para receber a certificação de ‘Embaixador da Chama’. O programa é totalmente on-line, mas oferece monitoramento constante da equipe do projeto para ajudar nas dúvidas que surgem ao longo do processo”, conta.

O Instituto já está na quarta turma e, com as três primeiras, capacitou até hoje 59 pessoas em 12 estados brasileiros, que já impactaram mais de 83 mil com as informações apreendidas no curso. “Em 2023, temos a meta de formar mais três turmas de 30 alunos, o que impactaria milhares de novas pessoas. Também estamos programando um upgrade para as turmas já formadas, além de ampliar o programa já existente”, diz Maria Inês.

Como se inscrever | As pessoas interessadas podem fazer uma pré-inscrição neste link (https://gabriel.org.br/embaixadoresdachama/login – via QR Code) e aguardar a chamada do Instituto GABRIEL. Atualmente, existe uma fila de espera. “Na medida em que formos conseguindo mais aporte financeiro para custear a ampliação do programa no Brasil, ampliaremos as turmas e, com isso, vamos capacitando mais e mais pessoas para o tema”, destaca a presidente do Instituto.

Embaixadores

Vane Lopes é uma das embaixadoras já certificadas. Ela conhece o Instituto GABRIEL desde 2011, por conta de uma doença renal crônica que teve. “Hoje, transplantada, pude participar da turma 3 do programa. É um excelente programa, com vídeos bem didáticos feitos com linguagem simples e de fácil entendimento. As atividades são divertidas e causam um grande impacto do ponto de vista informativo”, diz. Para Vane, que também atua como coordenadora de projetos de comunicação do Instituto GABRIEL, falar sobre doação de órgãos vai além de suas tarefas profissionais. “Não é apenas meu trabalho, mas um propósito de vida”.

A pedagoga Suelen Freire também é embaixadora e conheceu o Instituto Gabriel e o programa de voluntariado, quando recebeu um transplante duplo (de pâncreas e rim) e se viu impulsionada a contribuir com a disseminação de informações sobre o assunto. “Felizmente, eu fiquei pouco tempo em fila à espera dos órgãos e não dominava o assunto o suficiente para responder todas as dúvidas que chegavam até mim. Então, surgiu a oportunidade para participar da primeira turma de embaixadores e me inscrevi. A experiência foi uma das melhores formações que fiz na vida. O curso me direcionou para que eu pudesse usar o meu potencial em prol do ativismo”.

Suelen é professora e a habilidade que revela em escrever textos e se comunicar a levou ao trabalho como editora voluntária da ONG Sou Doador. “Hoje, escrevo e edito textos para as publicações do blog e redes sociais, além de tirar dúvidas e direcionar pessoas em fila ou recém-transplantadas que me procuram”, conta. Suelen também criou uma marca de camisetas e outros produtos com a temática da doação aliada ao humor: a Doação Estampada. Este ano, a marca patrocinou o Salão de Humor Sobre Doação de Órgãos, promovido pelo Instituto GABRIEL.

A embaixadora conclui dizendo que a maior expectativa que ela mantém em relação ao Embaixadores da Chama é que ele chegue a todas as pessoas que, assim como ela, entendem e vivem a importância da doação de órgãos. “Sem a informação necessária, a família do Dô, que é como eu chamo meu doador falecido, poderia ter se recusado a doar e eu não estaria aqui para contar essa história. Eu precisei de apenas um ‘sim’ para que minha vida fosse salva, e esse ‘sim’ modificou a visão sobre doação de absolutamente todas as pessoas que me conhecem. Imagine um país todo munido de informações corretas e com pessoas dispostas a doar?”, complementa Suelen.

Hoje, mais de 50 mil pessoas ainda estão na fila e esperam por um transplante de órgão no Brasil. A desinformação ainda é a principal responsável para este cenário, já que 43% das famílias se recusam a doar os órgãos de seus entes falecidos.  “A doação é um ato de solidariedade que salva vidas, portanto, não há transplantes se não houver doador. A principal missão do Instituto GABRIEL é sensibilizar mais pessoas para isso”, conclui Inês, presidente do Instituto GABRIEL.

Sobre o Instituto GABRIEL

O Instituto GABRIEL é uma organização social sem fins lucrativos. Seu nome é uma homenagem a Gabrielle de Azevedo Carvalho, que nasceu com anencefalia (ausência de cérebro), no dia 24 de maio de 1998. Gabrielle foi o segundo bebê do casal Maria Inês Toledo de Azevedo Carvalho e Valdir de Carvalho a apresentar a má formação congênita. Dez anos antes, eles já haviam perdido outra filha em decorrência do mesmo problema.

Maria Inês e Valdir optaram por manter a gestação de Gabrielle até o final para, após o nascimento do bebê e seu inevitável falecimento, efetuar a doação de seus órgãos na tentativa de ajudar crianças que aguardavam por um transplante. Entretanto, a doação não pôde acontecer em virtude de uma omissão na lei brasileira em vigor naquela época, que não previa a doação de órgãos de bebês portadores de anencefalia.

O Instituto GABRIEL iniciou, então, um trabalho para que a normatização das doações acontecesse. Isto só se concretizou parcialmente em 02 de março de 2007, com a portaria do Ministério da Saúde, mas que ainda não atende por completo às necessidades desse tipo de doação.

No decorrer dos anos, o Instituto GABRIEL se especializou em desenvolver projetos para o incentivo à doação de órgãos e tecidos, como, também, de prevenção das malformações congênitas e das principais causas de doenças que levam ao transplante. Mais informações: www.gabriel.org.br.

(Fonte: DePropósito Comunicação de Causas)

Cartilha oferece dicas para aumentar inserção profissional de pessoas com deficiência

Curitiba, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

No dia 21 de novembro, Maria Gabriela Gimenez realizou um feito histórico para a inclusão: aos 27 anos, foi a primeira pessoa com deficiência intelectual contratada pelo setor administrativo do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT9ª), órgão público de máxima representação institucional da Justiça do Trabalho. Com apoio da mãe, Regiane Gimenez, ela participou do curso de auxiliar administrativo do Ensina Itinerante Pronas/PcD, projeto executado pela Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID Brasil) em parceria com o Ministério da Saúde, em Curitiba e região metropolitana (PR).

O curso, que oferece formação profissional para pessoas com autismo e pessoas com deficiência intelectual, auxiliou na sua contratação pelo TRT9ª e deu início não apenas a uma jornada de desenvolvimento pessoal e profissional, mas também à quebra de paradigmas sobre pessoas com deficiência.

No entanto, os números mostram que a história de Maria Gabriela é uma exceção. Segundo a pesquisa “Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2019, a inserção no mercado de trabalho é um desafio para quem tem deficiência devido a fatores como capacitismo e falta de acessibilidade. Em 2019, a taxa de participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho era de 28,3%, ou seja, sete em cada 10 pessoas do grupo estavam fora do mercado de trabalho. A porcentagem é muito menor do que a participação de pessoas sem deficiência, 66,3%. O descompasso ocorre também na formalização, enquanto a taxa de pessoas com deficiência era de 34,3%, as pessoas sem deficiência tiveram uma formalização de 50,9%.

O IBGE revelou também uma diferença salarial significativa entre os dois grupos. As pessoas com deficiência tinham um salário de R$1.639, o que corresponde a dois terços do valor recebido pelas pessoas sem deficiência, que era de R$2.619. “Em uma escala de 0 a 10, minha avaliação do mercado de trabalho para quem tem deficiência é 2, porque mesmo os que estão trabalhando não conseguem ter os mesmos salários ou reconhecimento. No caso da Gabi, não é o acontece, mas infelizmente, a grande maioria não é recebida com o devido respeito. Pessoas com deficiência sempre vão sofrer preconceito, acontece de maneira velada. Talvez não seja nem por mal, mas principalmente devido ao capacitismo”, avalia Regiane.

Cartilha aborda diferentes momentos da entrevista

Em um mercado extremamente competitivo e desigual, destacar-se é uma tarefa ainda mais árdua para pessoas com deficiência. Para facilitar a inserção profissional do grupo, a ASID desenvolveu o “Guia de Boas Práticas para Entrevista de Emprego”, que disponibiliza dicas valiosas para o momento que antecede uma possível contratação. Com uma linguagem clara e sucinta, a cartilha aborda cinco aspectos relevantes para a ocasião: apresentação, hábitos e interesses pessoais, como o candidato soube da vaga, pontos fortes e conquistas do candidato. A cartilha ressalta que os candidatos devem levar consigo o RG, além do currículo e do laudo médico com a classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde (CID) atualizados.

O documento recomenda uma apresentação objetiva, com nome, idade, região de residência, ramo de atuação e escolaridade. Ao abordar os hábitos e interesses pessoais, é interessante que as pessoas com deficiência citem atividades que auxiliaram no desenvolvimento de alguma habilidade útil para o emprego almejado. Por exemplo: o hábito de cozinhar pode desenvolver o foco e a paciência. O momento é ideal também para mencionar as qualificações e cursos realizados. O candidato pode relatar como soube sobre a oportunidade e destacar porque a vaga despertou sua atenção.

Em seguida, o candidato deve identificar e comentar alguns pontos fortes que podem contribuir com o cargo. É possível citar exemplos que mostram como essas características aprimoram a rotina de trabalho. Relatar as conquistas profissionais é um complemento a essa etapa. Caso a pessoa não tenha nenhuma experiência profissional e queira ingressar no mercado, pode contar sobre conquistas alcançadas em projetos pessoais, como voluntariado, estudos, atividades cotidianas ou amparo de familiares.

“A cartilha é sucinta e passa a mensagem de que a entrevista de emprego é algo muito simples. É um momento muito tenso e precisamos nos preparar para levá-lo a sério, mas não é um monstro de sete cabeças. É um passo a passo e, se nos organizarmos para isso, facilita, principalmente, para alguns tipos de deficiência que precisam muito dessa organização e do passo a passo para quebrar as situações em pequenos momentos. Isso ajuda todas as pessoas com deficiência, especialmente aquelas que se beneficiam de um conteúdo assertivo como esse”, afirma Edilayne Ribeiro, líder de projetos da ASID.

Barreiras começam antes da entrevista

Formada em Psicologia, Edilayne realizou vários estágios na área durante a graduação. Mas, por ser uma pessoa com deficiência física, encontrou barreiras antes do momento das entrevistas: “Esses estágios eram em grupo e o meu tinha que priorizar a acessibilidade e minhas necessidades. Não podíamos ir a qualquer escola, essa sempre foi uma questão pra mim. Acho que isso interferiu muito nas minhas escolhas de trabalho e no meu percurso de estágio durante faculdade, tanto na pós-graduação como no mestrado. Sempre tive que selecionar locais acessíveis para depois pensar em outros critérios, como a distância da minha casa e o lugar mais legal. Isso impacta diretamente nas nossas escolhas profissionais. Às vezes, existe a empresa dos sonhos, mas ela é completamente inacessível. Nunca vou fazer uma entrevista de emprego lá, o que reforça a importância de as empresas prestarem cada vez mais atenção nas acessibilidades que propõem para pessoas com deficiência”.

Edilayne ressalta que as empresas também devem se preparar para uma inclusão atitudinal, sensibilizando a equipe para receber a pessoa com deficiência. No momento da entrevista, isso significa perguntar sobre as necessidades e preferências de quem tem deficiência para que a pessoa seja respeitada e sinta-se mais acolhida.

“No momento em que eu pontuava que era uma pessoa com deficiência física, era importante perguntar quais eram minhas necessidades, se eu queria escolher o local para a entrevista de emprego, como torná-lo mais confortável e espaçoso e se eu precisava de algum auxílio. Tudo isso começa na acessibilidade atitudinal de perguntar, ouvir e respeitar a pessoa com deficiência nas respostas que oferece para ocorrerem as outras acessibilidades. Isso foi determinante pra mim, já que eu precisava de outros itens. Por isso é muito importante as empresas saberem cada vez mais como ter essa acessibilidade, desde o momento de mapear e recrutar pessoas com deficiência até todo o processo de entrevista, relacionamento e levar essa pessoa para dentro da empresa, contratá-la e inseri-la na equipe”, conclui.

Para baixar a cartilha, clique aqui.

Sobre a ASID Brasil | A ASID é uma organização social voltada à construção de uma sociedade inclusiva por meio de projetos de responsabilidade social, como voluntariado, inclusão no mercado de trabalho e desenvolvimento de gestão de organizações parceiras. Com mais de dez anos de atividades, tem mais de 100 mil pessoas impactadas e mais de 7 mil voluntários. A ASID também possui reconhecimento a partir de prêmios de empreendedorismo social nacionais e internacionais, como o Melhores ONGs Época, United People Global, e o Prêmio Viva Idea como melhor solução de impacto coletivo da América Latina. Para mais informações, acesse www.asidbrasil.org.br.

(Fonte: DePropósito Comunicação de Causas)