Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Arte & Cultura

Rio de Janeiro

Etc e Tal transforma “Dom Quixote” em uma experiência visual arrebatadora e reafirma a força da mímica brasileira no cenário contemporâneo

por Kleber Patrício

Uma das companhias mais importantes do teatro físico brasileiro, a carioca Etc e Tal apresenta Dom Quixote, espetáculo infanto-juvenil sem palavras que reinventa o clássico de Miguel de Cervantes por meio da mímica, da comicidade gestual e de uma sofisticada dramaturgia visual. A estreia acontece no dia 7 de março de 2026 no Teatro Glaucio […]

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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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[LIVROS]: “Complexo de Princesa Isabel e outros ensaios antirracistas” reposiciona o debate sobre racismo no Brasil contemporâneo

São Paulo, por Kleber Patricio

Publicado pela Emó Editora, o livro “Complexo de Princesa Isabel e outros ensaios antirracistas”, do historiador e jornalista Prof. Adriano Viaro, chega ao mercado como um ensaio de leitura acessível sobre o racismo no Brasil e seus desdobramentos no cotidiano, nas relações e na formação da identidade nacional. Sem recorrer ao jargão acadêmico, Viaro articula observação, pesquisa histórica e análise social para produzir um texto que convoca o leitor à escuta e à autocrítica — duas práticas frequentemente ausentes em um país que fala muito sobre racismo, mas raramente o enfrenta.

A obra parte da desconstrução do mito da “Princesa Isabel redentora”, que atribui a abolição da escravidão a um gesto de benevolência branca. Segundo Viaro, essa narrativa ajudou a consolidar uma forma específica de racismo simbólico: ao transformar a abolição em um “presente”, apaga o protagonismo negro, dilui a violência histórica e desloca a responsabilidade coletiva pelo enfrentamento do racismo estrutural. Esse enredo — ensina o autor — ainda reverbera no imaginário, moldando comportamentos, discursos e expectativas sociais.

Mais do que um exame histórico, o livro se dedica ao antirracismo contemporâneo, discutindo como pessoas e instituições reproduzem o racismo mesmo quando se percebem como antirracistas. Viaro identifica mecanismos afetivos e sociais que sustentam práticas excludentes — da “branquitude benevolente” ao silêncio confortável — e desmonta a ideia de que basta repudiar o racismo para deixar de operá-lo. Para o autor, o antirracismo exige revisão de privilégios, coragem diante do conflito e abertura para escutar dores e pautas que não são as próprias.

Com texto fluido e contundente, a obra aproxima a discussão de leitores que desejam compreender o racismo para além do evidente. Não se trata de um manual, nem de um discurso acusatório, mas de um convite à complexidade. A presença de relato pessoal — atravessada pela trajetória do autor, filho da periferia de Alvorada (RS), que retomou os estudos aos 30 anos — adiciona profundidade à análise, conectando vivência e teoria.

Para a Emó Editora, o livro amplia a linha do catálogo dedicada a autores e obras que tensionam a realidade social. “A obra de Viaro propõe reflexão e deslocamento. Ela implica o leitor. Isso tem valor literário e político”, afirma a equipe editorial.

Complexo de Princesa Isabel e outros ensaios antirracistas já está disponível para compra no site da editora e segue em circulação para resenhas, clubes de leitura, podcasts e entrevistas com o autor.

Serviço:

Link de venda: https://loja.emoeditora.com.br/sociologia/complexo-de-princesa-isabel-e-outros-ensaios-antirracistas.

(Com Vivian Roberta Borges Batizelli Koqui/Emó Editora)

Banda Cucamonga une jazz e brasilidade no álbum “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”

São Paulo, por Kleber Patricio

Banda Cucamonga lança álbum unindo jazz com brasilidade. Fotos: José de Holanda.

Uma produção que traduz em música a mistura vibrante entre o jazz tradicional de New Orleans e a brasilidade rítmica e festiva. Assim é “Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim”, primeiro álbum da Banda Cucamonga, de São Paulo, disponível em todas plataformas de streaming pelo link.

Formada há 13 anos por Mesaac Brito (trompete), Marcos Lúcio (clarinete), Fernando Thomé (banjo), José Renato (tuba/souzafone), Ricardo Reis (washboard), a Banda Cucamonga tem a missão de levar ao público música e alegria com improviso e muita criatividade.

E a proposta pode ser conferida no álbum Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim, composto por faixas autorais e inéditas e dois bônus, gravado em 2025 no Estúdio Arsis, com produção musical e direção artística da própria banda, em um processo 100% intuitivo e colaborativo; ou seja, onde cada faixa soa como se estivesse sendo tocada ao vivo, de forma orgânica, no meio da rua, em algum ponto imaginário.

O processo criativo da Banda Cucamonga fundamenta-se na articulação entre os pressupostos estético-musicais do jazz tradicional — em especial o Dixieland — e matrizes rítmicas e expressivas da música brasileira. “Isso ocorre por meio da improvisação coletiva, entendida não apenas como recurso performativo, mas como método composicional estruturante. Nesse contexto, a improvisação assume papel central na geração, desenvolvimento e organização do material musical, operando como dispositivo de interação, escuta ativa e construção colaborativa”, detalha o trompetista Mesaac Brito.

A incorporação de elementos da música brasileira, como samba, choro, baião, maracatu e marchinhas, ocorre de maneira transversal, influenciando aspectos como acentuação rítmica, condução do pulso, articulação fraseológica e organização formal. “O caráter aberto dos arranjos e a centralidade da improvisação conferem às obras da Banda Cucamonga um elevado grau de variabilidade interpretativa. Cada performance atualiza o material composicional, estabelecendo uma relação direta com o espaço, o contexto sociocultural e a interação com o público, reafirmando a música como prática processual, situada e em constante transformação”, afirma Brito.

Para celebrar o lançamento do álbum Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim, a Banda Cucamonga promoveu a partir de setembro de 2025, uma turnê por São Paulo, com apresentações gratuitas na capital, litoral e interior. Ao vivo, o público presenciou o espírito do álbum no palco, com figurinos irreverentes, interações e performances de alta energia, fazendo dos shows uma extensão viva do disco.

A gravação do álbum e os shows das turnês foram viabilizados por editais do Programa de Ação Cultural (ProAC) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Conheça a Banda Cucamonga:

Instagram: @bandacucamonga

Youtube: https://www.youtube.com/@bandacucamongaoficial

As faixas do álbum:

Corjass

Dona Siriema 

Brues com R 

Oito, 4 ou meia 

Melgreen

Chegança  

Gui 

Corda Bamba

Mr. Guga  

Tupiniquim 

Faixas Bônus:

Circus 

St. Inês 

FICHA TÉCNICA 

Álbum: Banda Cucamonga – Jazz Dixieland com Sotaque Tupiniquim

Ano de gravação: 2025

Local de gravação: Estúdio Arsis

Produção viabilizada pelo: PROAC – PNAB

Produção Musical: Banda Cucamonga

Composição e Arranjos: Banda Cucamonga

Direção Artística: Banda Cucamonga

Gravação e Mixagem: Adonias – Estúdio Arsis

Masterização: Adonias – Estúdio Arsis

Coordenação de Produção: João Gomes de Sá e Banda Cucamonga

Design Gráfico/Capa: Raro de Oliveira

Fotografia: José de Holanda

Banda Cucamonga

Trompete – Mesaac Brito

Clarinete – Marcos Lúcio

Banjo – Fernando Thomé

Tuba/ Souzafone – José Renato

Washboard: Ricardo Reis

Letras – João Gomes de Sá

Coro de vozes – Banda Cucamonga.

(Com Ellen Fernandes/EBF Comunicação)

Pedalar entre vinhedos: uma nova forma de viver o enoturismo

Farroupilha, RS, por Kleber Patricio

Bike Tour da Casa Perini une lazer, paisagem e degustação em roteiro inspirado em destinos clássicos do vinho. Foto: Divulgação.

Nem toda viagem precisa começar com pressa ou terminar em linha de chegada. Na Serra Gaúcha, o turismo do vinho ganha um novo ritmo, guiado pelo prazer de pedalar, observar a paisagem e parar quando o cenário convida. É essa a proposta da Bike Tour Experience da Vinícola Casa Perini, em Farroupilha (RS), uma experiência que transforma o ato de andar de bicicleta em uma forma leve e diferente de conhecer os vinhedos.

Localizada no Vale Trentino, região marcada pela imigração italiana e pela Indicação de Procedência da uva Moscato, a Casa Perini está entre as cinco maiores vinícolas do Brasil e amplia seu portfólio de experiências ao apostar em um passeio que conecta natureza, movimento e contemplação. A Bike Tour Experience segue uma tendência internacional já consolidada em destinos como o Vale do Douro, em Portugal, e a Borgonha, na França, onde pedalar entre vinhas se tornou parte do roteiro de lazer e turismo.

O percurso é autoguiado, com cerca de 2,3 quilômetros, e passa por trechos de asfalto e estrada de chão com subidas e descidas suaves. O nível de dificuldade é considerado fácil a intermediário, ideal para quem sabe pedalar e busca uma experiência prazerosa sem caráter esportivo ou competitivo. O trajeto convida a desacelerar e aproveitar o caminho, com liberdade para parar, observar e fotografar.

O ponto alto do passeio é a parada no Belvedere Casa Perini, um dos mirantes naturais mais bonitos da propriedade. Ali, os participantes fazem um piquenique ao ar livre, com tábua de frios e a escolha entre espumante, vinho ou suco de uva da vinícola, em um cenário que valoriza o silêncio, o verde e a vista do Vale Trentino.  “A bike tour nasceu da ideia de oferecer uma experiência espontânea, sem formalidades. É sobre pedalar por prazer, sentir o ambiente e viver o vinho de um jeito mais descontraído, em conexão com a paisagem”, afirma Franco Onzi Perini, presidente do Conselho de Administração da Casa Perini.

As bicicletas são fornecidas pela vinícola e o passeio é voltado exclusivamente ao público adulto. A experiência tem duração média de uma hora e meia. Ao final do tour, os participantes levam como lembrança as taças de acrílico, o cooler e o saca-rolhas utilizados durante o piquenique.

Mais do que um passeio de bicicleta, a Bike Tour Experience consolida a Casa Perini como destino para quem busca turismo ativo, lazer ao ar livre e novas formas de vivenciar o enoturismo. Um convite para quem prefere descobrir lugares no próprio ritmo, pedalada após pedalada. Para mais informações, acesse: https://www.wine-locals.com/passeios/bike-tour-experience-na-vinicola-casa-perini.

Sobre a Casa Perini

Com raízes que remontam a 1929, a Casa Perini é uma das vinícolas mais representativas do Brasil, unindo tradição familiar, inovação e compromisso com a excelência. Localizada no Vale Trentino, em Farroupilha, na Serra Gaúcha, a vinícola mantém vivo o legado iniciado por João Perini e consolidado pelos sócios Benildo Perini e Maria do Carmo Onzi Perini, com o envolvimento direto das novas gerações da família, onde Franco Perini é presidente do Conselho Administrativo e Pablo Perini é diretor de Marcas e P&D.

Oficialmente fundada em 1970, a Casa Perini carrega em seu DNA a valorização do terroir local, o cuidado com cada etapa da produção e a busca constante pela qualidade. A empresa produz anualmente cerca de 10 milhões de litros, entre vinhos, espumantes e sucos. Com aproximadamente 100 produtos no portfólio, capacidade de armazenagem de 16,5 milhões de litros e um sistema completo de rastreabilidade — diferencial que garante a evolução contínua e a confiança do consumidor.

Com mais de 180 medalhas, nacionais e internacionais, a vinícola tem entre seus principais destaques o espumante Casa Perini Moscatel, eleito o 5º melhor vinho do mundo em 2017 pela WAWWJ (World Association of Writers & Journalists of Wine & Spirits). A Casa Perini também é reconhecida por sua forte atuação em responsabilidade social, com projetos ligados à saúde e à valorização da vida, como Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA RS), Federação Brasileira de Hemofilia e o programa Vida Urgente, além da realização de eventos que conectam o público à cultura do vinho, fortalecendo o enoturismo no Brasil.

Com 80 hectares de videiras, parcerias duradouras com produtores locais e uma estrutura moderna de 40 mil m² de área construída, a Casa Perini combina tecnologia de ponta com paixão pelo vinho, traduzindo em cada rótulo a essência de uma história com os olhos voltados para o futuro.

(Fonte: Dinâmica Conteúdo)

Fundado por Mário de Andrade, Coral Paulistano celebra 90 anos de trajetória em 2026

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Stig de Lavor.

Em 2026, o Coral Paulistano, um dos corpos artísticos do Theatro Municipal de São Paulo, celebra 90 anos de trajetória. O Coral foi criado em 1936 a partir da proposta de trazer a música brasileira para a programação do teatro. A iniciativa de Mário de Andrade foi bem recebida e implementada pelo então diretor do Departamento Municipal de Cultura para sensibilizar a elite paulistana com as ideias e os ideais do movimento modernista, que contagiava os compositores brasileiros da época e que eram, até então, desconhecidos pela sociedade.

O surgimento do grupo é considerado um marco da história da música em São Paulo, pois foi um dos muitos desdobramentos do movimento modernista da Semana de Arte Moderna de 1922. Ao longo dos anos, alguns dos maiores destaques a música brasileira estiveram à frente do coral, como Camargo Guarnieri, Fructuoso Vianna, Miguel Arqueróns, Tullio Colacioppo, Abel Rocha, Zwinglio Faustini, Antão Fernandes, Samuel Kerr, Henrique Gregori, Roberto Casemiro, Mara Campos, Tiago Pinheiro, Bruno Greco Facio, Martinho Lutero Galati e Naomi Munakata.

A maestra Maíra Ferreira, que atualmente é regente titular do Coral, afirma que o principal objetivo do grupo é divulgar a música brasileira dedicando-se com êxito a esse propósito. “Falar sobre os 90 anos do Coral Paulistano implica em destacar as qualidades que, a meu ver, o definem hoje. Trata-se de um grupo profundamente diverso em suas escolhas de repertório, estilos e formatos de concerto, sempre respeitando a tradição coral, olhando para o passado, mas afirmando-se como um conjunto essencialmente contemporâneo, tanto nas escolhas artísticas, quanto na maneira como compreendemos e interpretamos a música coral atual”, ressalta. “Para mim, é uma honra, uma alegria e também uma grande responsabilidade celebrar esses noventa anos de um grupo criado por Mário de Andrade, escritor, historiador e figura fundamental para a história da cultura, da arte e da música brasileiras. Em nenhum momento desejamos nos afastar da visão que ele teve enquanto diretor do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, sustentada por uma bagagem intelectual admirável”, celebra a maestra.

90 anos: Memórias

Em celebração aos 90 anos, haverá o concerto Paulistano 90 Anos: Memóriasno dia 12, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório, com um programa que revisita a história do grupo por meio de obras de compositoras e compositores brasileiros que marcaram sua atuação. Sob regência de Maíra Ferreira, o repertório inclui obras de Giovanni Pierluigi da Palestrina, Heitor Villa-Lobos, Dinorá de Carvalho e Antonio Ribeiro.

Figura central da terceira geração do nacionalismo musical brasileiro, Camargo Guarnieri (1907–1993) teve papel fundamental no desenvolvimento da vida musical paulistana. Discípulo de Mário de Andrade, foi professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, regente da Orquestra Sinfônica Municipal e dirigente do próprio Coral Paulistano, período em que promoveu estreias históricas e consolidou a excelência artística do conjunto. Sua produção, com mais de 700 obras, inclui mais de 80 composições para coro.

Escrita em 1981, a obra que ganha estreia mundial nesta celebração é uma composição para narrador, tenor solista, coro misto, trompete e instrumentos de percussão, como chocalho, reco-reco, pandeiro e tamborim. O texto baseia-se na adaptação do poeta Carlos Drummond de Andrade para o Auto da Lusitânia, do dramaturgo português Gil Vicente. Com personagens alegóricos, a peça aborda temas universais como a verdade, a cobiça, a vaidade e a honra, estabelecendo um diálogo entre a tradição dos autos vicentinos e a realidade brasileira contemporânea.

Maíra Ferreira destaca que este primeiro concerto comemorativo ganhou um significado especial. “Levaremos ao palco grande parte do programa apresentado no concerto inaugural do Coral Paulistano, em 1936, incluindo obras que nunca mais haviam sido executadas desde então. Esse reencontro entre passado e presente foi especialmente feliz, pois articula a memória do que foi feito com o gesto contemporâneo de apresentar uma obra inédita de Guarnieri, justamente o primeiro regente do grupo. O programa se constrói como uma costura simbólica entre figuras centrais da nossa história e o desejo pulsante do novo. Trata-se de preservar a memória artística do Coral Paulistano, das pessoas que foram fundamentais para sua fundação, mas também de afirmar aquilo que queremos deixar para o futuro. Que, ao olharem para 2026, possam compreender o que estava sendo criado neste momento: uma instituição que honra sua trajetória sem abrir mão da invenção”, destaca Maíra.

Serviço:

Paulistano 90 Anos: Memórias

Sala do Conservatório, Praça das Artes

CORAL PAULISTANO

Maíra Ferreira, regência

12 de fevereiro, quinta-feira, às 20h

Programa

GIOVANNI PIERLUIGI DA PALESTRINA

Gitene liete rime, ov’ or si siede [2’]

Sicut cervus / Sitivit anima mea [6’]

HEITOR VILLA-LOBOS

Xangô [1’30”]

DINORÁ DE CARVALHO

Ou-lê-lê-lê! [2’]

ANTONIO RIBEIRO

Encomenda

CAMARGO GUARNIERI

Auto de todo mundo e ninguém [30’] – estreia mundial

Ingressos por R$ 50 (inteira)

Duração de 60 minutos

Classificação: Livre para todos os públicos.

(Com Letícia Santos/Assessoria de imprensa do Theatro Municipal)

Produção científica no Brasil retoma crescimento após dois anos de queda; Rússia e Ucrânia têm variação negativa

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Antes da retomada, queda da produtividade refletia período da pandemia de Covid-19. Foto: FreePik.

A produção científica brasileira voltou a crescer em 2024 em relação ao ano de 2023, de acordo com novo relatório Bori-Elsevier publicado no último dia 18 de janeiro. Os dados mostram que a quantidade de artigos científicos produzidos em instituições de pesquisa do Brasil cresceu 4,5% em relação ao ano de 2023 — e chegou a 73.220 documentos.

Apesar disso, a ciência brasileira ainda não recuperou a produção acadêmica de 2021, de 82.440 artigos científicos, quando teve início um período de queda nas publicações assinadas por pesquisadores do país.

Como mostraram dois relatórios Bori-Elsevier anteriores, a quantidade de artigos científicos produzidos no Brasil havia caído de maneira inédita em 2022 em relação ao ano anterior: um decréscimo de 7,4%. No ano seguinte, em 2023, houve uma nova queda de 7,2% na produção em relação a 2022. Agora, em 2024, a tendência se reverte — e isso acontece em boa parte do mundo.

Variação percentual entre 2023 e 2024 no número de publicações do tipo “artigo” para os 54 países com pelo menos 10 mil artigos publicados em 2024.

A maioria dos países analisados agora apresentou algum nível de crescimento na sua produção científica em 2024 em relação a 2023, o que parece indicar uma retomada do ritmo da ciência na maioria dos países após a pandemia de Covid-19. As exceções são Rússia (queda de 6,3%) e Ucrânia (queda de 0,6%).

O documento 2024: retomada no crescimento da produção científica no Brasil e em outros 51 países da Bori-Elsevier analisou a produção científica de 1996 a 2024 de todos os países que, em 2024, publicaram mais de 10 mil artigos científicos. Com isso, 54 países foram avaliados. Juntos, eles produziram um total de 2.915.756 artigos científicos em todas as áreas do conhecimento no último ano.

A retomada da produção científica brasileira, verificada nos dados deste ano, era esperada pela comunidade científica. “O volume de publicação de artigos de um país reflete, entre outros fatores, o volume de investimento feito em pesquisa científica alguns anos atrás”, diz Dante Cid, vice-presidente de Relações Institucionais para a América Latina da Elsevier. “Mediante o melhor nível de investimentos feito estes últimos anos, esperávamos que a produção nacional retomasse o crescimento.”

Para Sabine Righetti, cofundadora da Bori, a melhora dos indicadores no Brasil em 2024 pode ter várias explicações, que se somam. “Entre elas estão o fim dos reflexos mais pesados da Covid-19 sobre a rotina de pesquisa e a recuperação dos financiamentos à ciência, que ajudam a destravar projetos e a manter a produtividade das instituições”.

O levantamento considerou apenas as publicações do tipo “artigo científico”, excluindo outros tipos de publicações editoriais. A coleta de dados foi feita em julho de 2025 com a ferramenta analítica SciVal, da Elsevier, que facilita o acesso aos dados da base de dados Scopus, que cobre mais de 100 milhões de publicações editadas por mais de sete mil editoras científicas no mundo todo.

Também foi analisada, no relatório, a variação da produção das 32 instituições de pesquisa brasileiras que tiveram mais de mil publicações científicas do tipo “artigos” em 2024. Dessas, apenas três — Embrapa, Universidade Federal de Goiás e Universidade Estadual de Maringá — tiveram uma variação negativa. “É uma mudança muito favorável em relação ao panorama em 2023, quando apenas duas instituições tiveram variação positiva”, destaca Cid.

“Conhecer esse panorama com profundidade é de grande valor tanto para acadêmicos quanto para gestores públicos. Não se faz boas políticas públicas a partir apenas de percepções ou com ações pontuais. Levantamentos como os relatórios Bori-Elsevier ajudam a identificar instituições mais resilientes, onde a retomada é mais robusta, e quais regiões e instituições precisam de políticas específicas para recuperar fôlego”, diz Ana Paula Morales, cofundadora da Bori.

O relatório mostra também que o crescimento do número de artigos publicados é impulsionado pelo aumento no número de autores em cada país — efeito da retomada do crescimento no número de doutores e mestres formados no país. Nesse sentido, o Brasil tem crescido: em 2004, havia 205 autores por milhão de habitantes; hoje, esse número quase quintuplicou, para 932 por milhão.

No relatório, um dos termômetros para enxergar tendências de longo prazo é a taxa de crescimento anual composta (TCAC), uma “média anual” que resume como a produção cresce ao longo de vários anos, suavizando oscilações pontuais. Por esse critério, apesar da retomada em 2024, o Brasil aparece com TCAC de 3,4% ao ano entre 2014 e 2024, ocupando a 39ª posição entre os 54 países analisados (todos com mais de 10 mil artigos em 2024) e mostrando perda de fôlego em comparação com períodos anteriores.

O estudo aponta que essa perda de vigor não é só um “problema de artigos”: ela acompanha a desaceleração no crescimento do número de autores (um indicador do contingente de pesquisadores ativos). A TCAC do número de autores no Brasil ficou acima de 13% ao ano até 2013, mas entrou em queda a partir daí, chegando a 4,8% ao ano no decênio encerrado em 2024. O relatório aponta ainda que, embora a pandemia tenha agravado o quadro, quase dois terços da queda ocorreram entre 2014 e 2019, antes da Covid-19, sugerindo um componente estrutural na desaceleração recente da ciência brasileira. (Baixe o artigo em PDF aqui).

(Fonte: Agência Bori)