Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Theatro Municipal do Rio de Janeiro realiza concerto de abertura da Temporada 2024

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

O maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres, com o spalla Ricardo Amado. Foto: Daniel Ebendinger.

A temporada oficial de 2024 do Theatro Municipal do Rio de Janeiro inicia no dia 8 de março, às 19h, com a Série Celebrações ressaltando as obras dos compositores alemães Ludwig van Beethoven e Johannes Brahms, além do austríaco Anton Bruckner, que completa 200 anos de nascimento. Com o Patrocínio Oficial Petrobras, o concerto de abertura contará com a participação do Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, sob a regência do maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres. Os solistas serão o premiado violinista Guido Sant’Anna e os cantores Michele Menezes (soprano), Lara Cavalcanti (Mezzo-soprano), Guilherme Moreira (tenor) e Leonardo Thieze (baixo).

“Mais uma temporada iniciando no Theatro Municipal e estamos muito felizes com esse momento tão marcante para nós. É sempre uma grande alegria ofertar programação cultural para a cidade do Rio de Janeiro e seus visitantes. No Concerto de Abertura, com a Série Celebrações homenageando Beethoven, Brahms e Bruckner, contamos com a participação especial do artista Guido Sant’Anna, que vem sendo destaque no cenário mundial; isto, somado ao grande trabalho do nosso Coro e Orquestra Sinfônica, nos traz um concerto espetacular. Esperamos vocês de braços abertos no Municipal”, comemora a presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino.

Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal. Foto: Daniel Ebendinger.

“É uma enorme honra desenhar a temporada artística oficial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro pelo terceiro ano consecutivo. Em 2024 reafirmamos uma vez mais o compromisso com o artista nacional e a estreia de novos nomes da cena lírica brasileira, além dos consagrados nomes que se apresentam nas principais casas do Brasil e exterior. Uma temporada recheada de atrações de alta qualidade em total alinhamento com o DNA de nosso Theatro, que se prepara para completar 115 anos. Ballet, ópera e música de concerto revezando-se no maior palco lírico do país. Esperamos por vocês. O Theatro Municipal é de todos”, destaca Eric Herrero, diretor artístico da Fundação Teatro Municipal.

“Nossa abertura da temporada 2024 está recheada de grandes atrações, começando com o mais revolucionário dos compositores, Beethoven, na abertura Coriolano, seguido de Brahms no seu magistral concerto para violino, onde receberemos o mais importante violinista brasileiro da atualidade, vencedor do concurso Fritz Kreisler, Guido Sant’anna, e finalizando com a grande efeméride do ano com o ‘Te Deum’ de Anton Bruckner abrindo as comemorações do seu bicentenário. Um ‘BBB’ imperdível para o nosso querido público frequentador do Theatro Municipal do Rio de Janeiro”, finaliza o maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres.

Série Celebrações – Beethoven, Brahms e Bruckner

Programa dia 8 de março

Ludwig van Beethoven (1770–1827)

Abertura “Coriolano”

Johannes Brahms (1833–1897)

“Concerto para Violino em Ré Maior Op. 77”

Anton Bruckner (1824–1896)

“Te Deum”.

O solista Guido Sant’Anna, que vem da Alemanha para o Concerto do Municipal. Foto: Cauê Diniz.

Sobre Guido Sant’Anna | Nascido em 2005 em São Paulo e considerado um dos maiores violinistas das Américas da atualidade, Guido Sant’Anna alcançou reconhecimento internacional em 2022 ao se tornar o primeiro violinista sul-americano a vencer o prestigiado Concurso Internacional Fritz Kreisler. Seu triunfo em Viena foi precedido por outra conquista histórica em 2018, quando se tornou o primeiro violinista brasileiro convidado para o Concurso Internacional Yehudi Menuhin, em Genebra, ganhando o Prêmio do Público e o Prêmio de Música de Câmara. Fez recitais no Reino Unido, Alemanha, Áustria, Suíça, Chipre, Brasil e Paraguai. Em junho de 2023, Sant’Anna fez sua estreia no Rheingau Musik Festival com a Sinfonieorchester Frankfurt, sob a batuta de seu diretor musical Alain Altinoglu, interpretando a “Symphonie Espagnole” de Édouard Lalo. Fez sua estreia na Ásia, com uma turnê de recitais pela Coreia do Sul. Aos oito anos, Guido foi finalista do Concurso Prelúdio, promovido pela TV Cultura de São Paulo. Foi bolsista de Cultura Artística desde 2012, sob orientação de sua tutora, Elisa Fukuda. Guido toca um violino feito em 1874 por Jean-Baptiste Vuillaume, generosamente emprestado pelo luthier Marcel Richters. O artista é apoiado pelo KD SCHMID Fellowship Scheme desde maio de 2023, e também é financiado pela ArteMusica Stiftung. Atualmente aluno de Mihaela Martin na Kronberg Academy. Pela primeira vez irá tocar acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal regida por seu atual maestro titular Felipe Prazeres.

Ficha técnica

Solistas

Guido Sant’Anna – Violino

Michele Menezes – Soprano

Lara Cavalcanti – Mezzo-soprano

Guilherme Moreira – Tenor

Leonardo Thieze – Baixo

Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Regência – Felipe Prazeres

Direção Artística do TMRJ – Eric Herrero

Serviço:

Concerto de Abertura da Temporada 2024

Série Celebrações – Beethoven, Brahms e Bruckner

Data: 8 de março – sexta-feira

Horário: 19h

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/n° – Centro

Classificação: Livre

Duração: aproximadamente 1h30 – intervalo de 15 minutos. Antes da apresentação, será realizada uma palestra gratuita no Salão Assyrio, com a presença de um intérprete de Libras.

Ingressos:

Frisas e Camarotes – R$60,00 (ingresso individual) ou R$360,00 (6 lugares)

Plateia e Balcão Nobre – R$40,00

Balcão Superior – R$30,00

Balcão Superior Lateral – R$30,00

Galeria Central – R$15,00

Galeria Lateral – R$15,00

Os ingressos estão à venda através do site www.theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro

Patrocinador Oficial Petrobras

Apoio: Livraria da Travessa, Rádio MEC, Rádio Amil Paradiso, Rádio Roquette Pinto – 94.1 FM

Realização Institucional: Fundação Teatro Municipal, Associação dos Amigos do Teatro Municipal

Lei de Incentivo à Cultura

Realização: Ministério da Cultura e Governo Federal, União e Reconstrução.

(Fonte: Assessoria de Imprensa TMRJ)

‘Fábulas Teatro de Bonecos’ será apresentado no Sesc Belenzinho

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Milena Medeiros.

O Sesc Belenzinho recebe de 9 a 31 de março o espetáculo “Fábulas Teatro de Bonecos” da Cia Mevitevendo. O espetáculo de Teatro de Animação – com máscaras, bonecos e atores – mostra quatro fábulas de diferentes partes do mundo: Brasil (O Velho, O Burro e o Menino), África (A Cobra e o Sapo), Grécia (O Pássaro e o Gato) e França (A Cigarra e a Formiga). Usando a linguagem da animação de forma contemporânea, o espetáculo brinca com elementos do teatro de bonecos e transgride a narrativa tradicional das fábulas, dando novos significados e pontos de vista sobre as histórias.

Num tempo em que os bichos ainda falavam, lá onde as antigas histórias nasceram, ainda existe um mundo fabuloso de seres, sons e imagens. Animais inteligentes e tolos, corajosos e covardes, honestos e trapaceiros aparecem em diferentes fábulas, nos mostrando de maneira engraçada e comovente, como podemos ser tão iguais e tão diferentes deles.

Este é o novo espetáculo da Cia. Mevitevendo, que há 24 anos dedica-se exclusivamente ao Teatro de Figuras (Teatro de Animação). Antigas histórias de diferentes tradições compõem a encenação; aparentemente simples e ingênuas, elas mostram-se sutis e elaboradas – um achado para um trabalho com bonecos, máscaras e manipulação de materiais e um material rico para o teatro de bonecos contemporâneo. Aos pequenos, apresenta um universo mágico e instigante; aos adultos, traz de volta a memória afetiva da infância.

Um pouquinho sobre as fábulas

Elas fazem parte de nosso imaginário coletivo e criar um espetáculo com fábulas não é uma tarefa fácil. Foram inventadas para educar (antigamente eram associadas à famigerada moral da história) e atualmente, no teatro contemporâneo, aparecem para divertir e fazer pensar. Zombando do Rei Sol no século XVII ou protagonistas em espetáculo de Bob Wilson, essas alegorias curtas e cômicas estão cheias de bichos falantes com defeitos e virtudes humanas. As fábulas são atemporais, são sempre compreendidas por todos e há séculos conectam gerações no mundo todo.

A tradição ocidental da fábula começou com o grego Ésopo, que escreveu cerca de 200 contos em 4 a.C., mas depois ela povoou a Idade Média e foi no final do século XII que Marie de France publicou sua incrível coleção de histórias. Em 1668, La Fontaine lançou a famosa coletânea de fábulas satirizando a corte, os burocratas, a igreja e a burguesia – sucesso estrondoso. E, assim, as pequenas histórias críticas e engraçadas espalharam-se pela Europa e influenciaram muitos autores.

No Japão, as Histórias de Kojiki e Nihon Shoki do século VII são fábulas orientais com animais falantes: bichinhos pequeninos e inteligentes e animalões grandes e estúpidos. Já na Índia, a tradição oral das fábulas data do século V a.C., que teve seu apogeu com Panchatantra – uma compilação sânscrita de histórias de animais. Na África, berço de inúmeras fábulas que se espalharam em versões pelo mundo, elas eram transmitidas desde tempos remotos pelos Griôs, tradicionais contadores de histórias que viajavam de vilarejo em vilarejo contando e cantando fábulas que encantavam gente grande e pequena, povoadas de bichos que pareciam gente.

Do século 19 em diante a fábula conquistou um novo público com a ascensão da literatura infantil. Entre os autores mais célebres, estão Lewis Carroll, Beatrix Potter, Andersen, Wilde, Tolkien, Saint-Exupéry e, no Brasil e Monteiro Lobato.

A companhia

Cleber Laguna e Marcia Fernandes criaram a Cia. Mevitevendo (Teatro de Bonecos e Máscaras) em 1998, ano em que mudaram do RS para São Paulo. Em 21 anos, já pesquisaram e encenaram os mais diferentes tipos de espetáculos: curtos, longos, dentro e fora de teatros; uns sem palavras, outros com muito texto, com pequenas figuras articuladas de papel, sombras, bonecos em escala humana e até com um personagem gigante. Seus bonecos estiveram em festivais e programações culturais em 20 estados brasileiros, na Espanha, França e Portugal. Num trabalho que mistura atores, bonecos, máscaras e referências que vão das artes visuais ao cinema de animação, os artistas da Companhia inventam mundos onde personagens “diferentes” habitam lugares estranhos, sempre instigando ideias, pensamentos e criação.

Ficha técnica

Ideia original: Cia. Mevitevendo

Criação e atuação: Cleber Laguna e Marcia Fernandes

Bonecos e máscaras: Cleber Laguna

Figurinos e trilha sonora adaptada: Marcia Fernandes

Cenário e objetos: Cia. Mevitevendo

Operador de som e luz: Adriani Simões

Direção: Cleber Laguna e Marcia Fernandes

Fábulas

De 9 a 31 de março de 2024; sábados e domingos, 12h

Local: Teatro (374 lugares)

Ingressos: R$30,00 (inteira); R$15,00 (meia entrada); R$10,00 (Credencial Plena do Sesc)

Gratuidade para crianças até 12 anos

Recomendação etária: Livre

Duração: 50 minutos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

Estacionamento: de terça a sábado, das 9h às 22h; domingos e feriados, das 9h às 20h

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$5,50 a primeira hora e R$2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$12,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional.

Transporte Público: Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).

(Fonte: Assessoria de Imprensa Sesc Belenzinho)

O corre-corre da artista Gisele Faganello com sua arte

São Paulo, por Kleber Patricio

Rita Constantine, Rosita Cavenaghi (curadora), Ju Barros, Gisele Faganello e Liliane Coelho. Credito da foto: Leda Abuhab.

A artista visual Gisele Faganello está com uma agenda de muita atividade com seus trabalhos.A participação de exposições nacionais e internacionais estão com muita projeção para a artista, que até 21 de fevereiro participou, em Búzios, RJ, da coletiva “Novos Mares, Novas Cores” na Galeria de Arte Nº1; em Porto Alegre, até o dia 3 de abril, suas obras podem serem vistas em “Laços que nos movem”, na galeria Art100. Em São Paulo, celebrando o Dia Internacional da Mulher, está até o dia 24 de março na exposição “Mulheres que transformam”, ao lado de mais 12 artistas por meio da Art A3 Gallery no Shopping Parque da Cidade. Sua agenda se completa em participações internacionais ainda em março, 14 a 17; em Barcelona, Espanha, na Valid World Hall pela Art2 e, em abril, de 5 a 7 no Carrousel du Louvre, I Art Shopping em Paris também por meio da Art100 Gallery. Na região de Campinas, Gisele Faganello é representada pela galerista Ligia Testa, que vem enviando muitos de seus trabalhos em vendas para fora do Brasil.

MASP apresenta exposição de Mário de Andrade a partir de perspectiva queer

São Paulo, por Kleber Patricio

Tarsila do Amaral, Retrato de Mário de Andrade, 1922.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 22 de março a 9 de junho de 2024, a mostra “Mário de Andrade: duas vidas”, que ocupa o mezanino localizado no 1º subsolo do museu. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, e assistência de Daniela Rodrigues, assistente curatorial, MASP, a exposição reúne um conjunto de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e fotografias da coleção pessoal do intelectual brasileiro, ativo na primeira metade do século 20, a partir da perspectiva de uma sensibilidade queer. A mostra tem patrocínio da Lefosse e apoio cultural do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP).

Mário de Andrade (São Paulo, 1893–1945) é um ícone da literatura e do modernismo no Brasil, além de ser um dos escritores mais estudados do país. Em sua faceta pública, foi contista, músico, poeta, professor, romancista, crítico e historiador das artes plásticas, da música e da literatura, além de agente cultural, colecionista e jornalista. Autor de “Pauliceia desvairada” (1922) e “Macunaíma” (1928), participou da Semana de Arte Moderna (1922) e dedicou-se a registrar, estudar, preservar e divulgar as mais diversas manifestações culturais do país, tanto eruditas quanto populares. Esteve à frente do Departamento de Cultura e Recreação da Municipalidade de São Paulo (1935-1938) e criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) (1937), o primeiro órgão do gênero.

“Passados quase 80 anos da sua morte, a produção intelectual de Mário de Andrade sobre música, artes visuais e arquitetura, seus romances, contos e poemas, além dos levantamentos etnográficos realizados pelo artista, foram e continuam sendo centrais para a compreensão do modernismo no Brasil e para a construção de uma ideia de brasilidade”, elucida a curadora coordenadora, Regina Teixeira de Barros.

Flávio de Carvalho (Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brasil, 1899—1973, Valinhos, São Paulo, Brasil) Homem [Man], 1933 Aquarela e tinta de caneta sobre papel [Watercolor and pen ink on paper], 37,5 × 29,7 cm IEB-USP.

Através da perspectiva de uma sensibilidade queer, a exposição “Mário de Andrade: duas vidas” apresenta um recorte de 88 obras – entre pinturas, desenhos, esculturas e fotografias – do acervo do intelectual, hoje sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). A mostra reflete sobre itens da sua coleção de artes plásticas e fotografias com os quais conviveu em sua intimidade, longe dos olhos da censura e dos preconceitos vigentes na época. A “tão falada homossexualidade” de Mário de Andrade, como descrita pelo artista em uma carta enviada a Manuel Bandeira em 1928, tornou-se objeto de estudo somente em 2015, quando todos os seus escritos caíram em domínio público e sua produção literária começou a ser analisada à luz de suas preferências homoafetivas, um assunto considerado tabu até então.

A ideia de “duas vidas”, subtítulo desta exposição, aparece em diversos escritos do autor e exalta a dualidade vivida por Andrade entre a vida profissional e pessoal. “Mário se qualifica ora como um ‘vulcão controlado’, ora tomado por uma ‘feminilidade passiva’; oscila entre ser um pansexual casto (!) e um monstro libidinoso”, ressalta Teixeira de Barros. Em carta para Oneyda Alvarenga, o intelectual afirma: “Eu sou um ser como que dotado de duas vidas simultâneas, como os seres dotados de dois estômagos. O que mais me estranha é que não há consecutividade nessas duas vidas”.  

O artista registrou em fotografias suas viagens ao Norte e Nordeste do Brasil entre 1927 e 1929. Na série ‘Tarrafeando’ (1927), feita no igarapé de Barcarena, nos arredores de Manaus, os homens estão focados no trabalho enquanto Andrade capta imagens de seus corpos de costas. Em outro conjunto de retratos, adota uma estratégia diversa, fixando o olhar franco e direto de trabalhadores, como se observa em ‘Vaqueiro marajoara Tuiuiú’ (1927). Visto que a câmera era o único objeto que impedia Mário e o retratado de se olharem mutuamente, a curadora reflete que “o fotógrafo permanece protegido pelo objeto diante de si, impossibilitado de retribuir o olhar, defendido de si mesmo e do próprio desejo”.

Mário de Andrade (São Paulo, Brasil, 1893—1945) Aposta de ridículo em Tefé [Bet of Ridiculous in Tefé], 12.6.1927 [June 12, 1927] Impressão digital sobre papel [Digital print on paper], 6,1 × 3,7 cm IEB-USP.

A mitologia pessoal de Mário também foi registrada em autorretratos ao longo de sua vida. As imagens de um intelectual que dominava todos os códigos da vida pública heteronormativa contrastam com as fotografias mais espontâneas, como em ‘Aposta do Ridículo’ (1927), captada em um momento descontraído durante a sua viagem ao Amazonas. Essa fotografia revela um homem que podia assumir diversos papéis, já que sabia se divertir e, de fato, performar uma masculinidade queer.

A assistente curatorial Daniela Rodrigues constata que, através de seus escritos e das muitas correspondências, é possível observar o erotismo como um tema que perpassa a vida e o imaginário do autor sobre o Brasil, que se utilizava de inúmeras estratégias literárias para dizer sem explicitar. “Não se trata de ler sua produção como autobiográfica, como se tudo remetesse a ele mesmo, mas em alguns textos veem-se vestígios da sua inquietação sobre a sexualidade enquanto tema e vida”, completa.

Em relação à sua coleção de arte, a pintura ‘O homem amarelo’ (1915-16), de Anita Malfatti, – vista por Mário na famosa exposição de 1917 – inaugurou seu interesse pelas artes visuais. Na ocasião, o poeta profetizou: um dia o quadro seria dele. De fato, comprou a obra na Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, em 1922. No primeiro artigo que escreveu sobre Anita, em outubro de 1921, descreveu ‘O homem amarelo’ como uma figura fatídica, “feminilizada por uns olhos longínquos, cheios de nostalgia”.

Em ‘Retrato de Mário de Andrade’ (1927), Lasar Segall registrou o poeta de frente, captando sua expressão serena em meio aos atributos modernos — como a gravata estampada com losangos e o fundo abstrato-geométrico. Apesar de reconhecê-la inicialmente como “uma das obras mais admiráveis de seu talento de pintor”, em carta ao artista, alguns anos mais tarde o romancista mudou de ideia, pontuando que Segall captou o que havia de perverso nele. “Ambíguo e conflituoso, compreendendo e registrando como poucos o que constituía um país tão contraditório, Mário pouco conhecia a si mesmo”, reitera Daniela.

“Mário de Andrade: duas vidas” integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da diversidade LGBTQIA+. Este ano a programação também inclui mostras de Gran Fury, Francis Bacon, MASP Renner, Lia D Castro, Catherine Opie, Leonilson, Serigrafistas Queer e a grande coletiva Histórias da diversidade LGBTQIA+.

Acessibilidade | Em 2024, todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em libras ou descritivas; textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil, com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados. Os conteúdos ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu.

Catálogo | Acompanhando a exposição, será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, com a reprodução de obras da coleção do escritor. A publicação, organizada por Regina Teixeira de Barros, com assistência de Daniela Rodrigues, inclui textos de Carolina Casarin, Daniela Rodrigues, Ivo Mesquita, Jorge Vergara, Nathaniel Wolfson e Regina Teixeira de Barros. Com design de Bruna Sade, a publicação tem edição em capa dura.

MASP Loja | Em diálogo com a exposição, o MASP Loja apresenta produtos especiais, desenvolvidos a partir da coleção do artista, que incluem uma bolsa, postais e ímãs, além do catálogo oficial da mostra.

Serviço:

Mário de Andrade: duas vidas

Curadoria: Regina Teixeira de Barros, curadora coordenadora, MASP, com assistência de Daniela Rodrigues, assistente curatorial, MASP

1º subsolo (mezanino)

22/3—9/6/2024

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta, quinta, sexta, sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$70 (entrada); R$35 (meia-entrada)

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

Programação do Mundo Circo SP celebra mulheres circenses e traz oficinas de jogos teatrais e espetáculos destinados a toda a família

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação/Mundo Circo SP.

Em março, o Mundo Circo SP celebra o mês da mulher e apresenta uma série de eventos que prometem encantar o público de todas as idades. O destaque fica por conta do “Cabaré Miss Jujuba”, nos dias 9 e 10 de março, às 17h, que faz homenagem à palhaça Miss Jujuba, celebrando a diversidade e a inspiração de Julieta Hernández, imigrante venezuelana assassinada no último mês de dezembro no estado do Amazonas durante uma viagem de bicicleta até seu país de origem, para visitar sua mãe. O espetáculo, repleto de números de circo, palhaçaria, poesia e música, promete momentos de graça e reflexão.

No dia 16 de março, às 14h, acontece a Oficina de Jogos Teatrais, uma proposta envolvente que utiliza dispositivos para a elaboração da presença teatral, especialmente nas proximidades do Carandiru, em São Paulo. A atividade abordará jogos teatrais como ferramentas cênicas para a construção da percepção refinada do jogo de cena, focando na aplicação desses jogos para promover o desenvolvimento da escuta ativa, a percepção do grupo no trabalho de coros e a dinâmica da oratória direcionada para a cena.

Foto: Divulgação/Mundo Circo SP.

O Cabaré Picadeiro Delas, no dia 16 de março, às 17h, é outro destaque: um emocionante espetáculo de variedades que celebra a força, fúria e graça das mulheres circenses. Sob a lona do picadeiro, essas artistas apresentam suas criações únicas, proporcionando momentos inesquecíveis.

Além disso, o espetáculo “Morrer com, Viver com”, dia 17 de março, às 16h30, traz artistas que transformam materiais descartados em uma performance envolvente, utilizando técnicas circenses para dar vida a pedaços de árvores, desafiando a percepção convencional e convidando o público a uma apreciação mais profunda da interseção entre arte e natureza.

Com sessão dupla no dia 19 de março, às 11h e às 17h, o espetáculo do Circo Spadoni traz o circo que todo mundo ama em diversos números tradicionais, para quem ama a arte circense. Confira a programação:

Cabaré Miss Jujuba

Foto: Tariana Zacariotti.

Espetáculo de variedades, estrelado por artistas de corpos dissidentes, que celebra a memória e vida de Julieta Hernández, a saudosa palhaça Miss Jujuba, cuja partida foi prematura.

Com curadoria do grupo Circo di SóLadies | Nem SóLadies, este cabaré apresenta uma diversidade de números, incluindo circo, palhaçaria, poesia e música, proporcionando momentos de graça, diversão e reflexão para toda a família.

Julieta Hernández, imigrante venezuelana, foi uma artista multifacetada, atuando como palhaça, cicloviajante, bonequeira, poeta, música e veterinária, deixando um legado inspirador.

Serviço:

Cabaré Miss Jujuba

Data: 9 e 10 de março – sábado e domingo, às 17h

Classificação etária: Livre

Entrada gratuita

Duração: 55 min.

Oficina de Jogos Teatrais | Atividade que aborda jogos teatrais como ferramentas cênicas para a construção da percepção refinada do jogo de cena, focando na aplicação desses jogos para promover o desenvolvimento da escuta ativa, a percepção do grupo no trabalho de coros e a dinâmica da oratória direcionada para a cena.

Serviço:

Oficina de Jogos Teatrais

Data: 16 de março, sábado, às 14h

Classificação etária: Livre

Entrada gratuita.

Cabaré Picadeiro Delas

O Cabaré Picadeiro Delas emerge do encontro e da colaboração entre mulheres circenses e suas diversas criações. Representa a expressão vibrante da força, fúria e graça dessas artistas, que se reúnem sob a lona do picadeiro para celebrar as diferentes facetas da feminilidade. O público é convidado a vivenciar essa jornada poética, política e afetiva das artistas circenses, explorando suas técnicas e performances cativantes.

Serviço:

Cabaré Picadeiro Delas

Data: 16 de março, sábado, às 17h

Classificação etária: Livre

Entrada gratuita.

Viver com, Morrer com

Neste evento de 45 minutos, artistas reinterpretam materiais naturais, outrora desperdiçados, após explorarem o serviço de poda de árvores de São Paulo, transformando pedaços de árvores em protagonistas, a partir da utilização de técnicas circenses para criar conexões. Aberta a todas as idades, esta experiência desafia a percepção convencional e convida a uma apreciação mais profunda da interseção entre arte e natureza.

Serviço:

Viver com, Morrer com

Data: 17 de março, domingo, 16h30

Classificação etária: Livre

Entrada gratuita

Circo Spadoni

O espetáculo do Circo Spadoni é realizado com números de circo tradicional. O locutor dá as boas-vindas ao público e, assim, começa o show, com duração de 60 minutos.

Serviço:

Circo Spadoni

Data: 19 de março, terça-feira, às 11h e às 17 h

Classificação etária: Livre

Entrada gratuita

Duração: 60 minutos

Local: Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Carandiru, São Paulo (SP)

Sobre O Mundo do Circo SP | O Mundo do Circo SP é uma iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas com gestão e curadoria da Organização Social Amigos da Arte. O programa foi criado a partir do desejo de valorizar a experiência lúdica e afetiva do universo circense.

Dividido em três grandes lonas – Grande Lona, Lona Multiuso e Lona Exposição -, o programa ocupa um espaço de mais de 10 mil m² do Parque da Juventude, na capital paulista. O Mundo do Circo SP tem uma programação variada com artistas nacionais e internacionais que contemplam todo o universo circense, promovendo espetáculos para todos os públicos, além de performances e números de rua, exposições, oficinas, seminários e workshops.

Instagram | Site

(Fonte: Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo/Assessoria de Imprensa)