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MASP apresenta primeira exposição individual de Lia D Castro em um museu

São Paulo, por Kleber Patricio

Lia D Castro, Davi, da série Axs nossxs filhxs, 2019. Foto: Daniel Cabrel.

É impossível refletir sobre a obra da artista e intelectual Lia D Castro (Martinópolis, São Paulo, 1978) sem falar de encontros, contrastes, fricções e transformações. A partir de 5 de julho, o público pode encontrar a exposição ‘Lia D Castro: em todo e nenhum lugar’ no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. A primeira mostra individual da artista em um museu reúne 36 trabalhos, sendo a maioria pinturas de caráter figurativo. As obras selecionadas exploram cenários onde o afeto, o diálogo e a imaginação se tornam importantes ferramentas de transformação social.

O título da exposição parte da constatação da ausência histórica de grupos minorizados em posições de poder e decisão — em nenhum lugar —, enquanto sua presença e força de trabalho compõem as bases que sustentam a sociedade — em todo lugar. Com curadoria de Isabella Rjeille, curadora, MASP, e Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, a mostra apresenta trabalhos que abrangem toda a produção da artista.

Lia D Castro utiliza a prostituição como ferramenta de pesquisa e desenvolve sua produção a partir de encontros com seus clientes – homens cisgêneros, em sua maioria brancos, heterossexuais, de classe média e alta – para subverter relações de poder ou violência que possam surgir entre eles, aliando história de vida e história social. Temas como masculinidade e branquitude, mas também afeto, cuidado e responsabilidade, são abordados nessas ocasiões e resultam em pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e instalações criadas de modo colaborativo.

Nesses momentos, ela conversa com esses homens e os convida a refletir: quando você se percebeu branco? E quando se descobriu cisgênero, heterossexual? “Perguntas sobre as quais a artista não busca uma resposta definitiva, mas sim provocar um posicionamento dentro do debate racial, sobre gênero e sexualidade”, afirma a curadora Isabella Rjeille.

As conversas de Lia D Castro com esses homens são permeadas por referências a importantes intelectuais negros como Frantz Fanon, Toni Morrison, Conceição Evaristo e bell hooks. Frases retiradas dos livros desses autores, lidas pela artista na companhia de seus colaboradores, são inseridas nas telas e misturam-se aos gestos, cenas, cores e personagens. O trabalho de Lia D Castro torna-se um lugar de encontro, embate e fricção, no qual ações, imagens e imaginários são debatidos, revistos e transformados. Com frequência, a artista insere referências a outros trabalhos por ela realizados, incluindo-os em outro contexto e, consequentemente, atribuindo novos significados e leituras a essas imagens. “Partindo da visão de Frantz Fanon de que o racismo é uma repetição, eu proponho combatê-lo com a repetição de imagens. Como a imagem constrói cultura e memória, ao colocar uma obra dentro da outra, busco criar novas referências estéticas”, comenta a artista.

PINTURAS E METODOLOGIA ARTÍSTICA

A produção de Lia D Castro é organizada em séries, sendo a maior delas ‘Axs Nossxs Filhxs’, presente nesta exposição. Desenvolvida na sala de estar e ateliê de Lia D Castro, um lugar de encontro e trocas, comerciais, intelectuais e afetivas, a série apresenta um processo criativo marcado por escolhas coletivas, da paleta de cores à assinatura das obras. A repetição é uma característica central: por meio desse recurso é possível reconhecer gestos, personagens e situações, assim como outras obras da artista que aparecem representadas nas telas, acumulando significados. A utilização do ‘x’ no título da série se refere à diversidade de formações familiares e vínculos afetivos para além do parentesco consanguíneo ou da família heterossexual monogâmica. O uso do ‘x’ também é utilizado para abarcar diferentes gêneros.

Lia D Castro também se retrata em pinturas dessa série. Enquanto os homens estão nus, ela encontra-se vestida. Seu corpo é coberto por esparadrapos colados sobre a tela formando um longo vestido branco, na contramão da tradição histórica da pintura ocidental, em que a grande maioria dos nus são femininos.

A artista subverte também pintando esses personagens em momentos de pausa, descanso, lazer, leitura e contemplação. “O caráter político da obra de Lia D Castro questiona o imaginário social que vincula violência e subalternidade a corpos não hegemônicos na arte ocidental”, afirma a cocuradora Glaucea Helena de Britto.

‘Lia D Castro: em todo e nenhum lugar’ integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da diversidade LGBTQIA+. Este ano a programação também inclui mostras de Gran Fury, Francis Bacon, Mário de Andrade, MASP Renner, Catherine Opie, Leonilson, Serigrafistas Queer e a grande coletiva Histórias da diversidade LGBTQIA+.

Sobre Lia D Castro

Artista e intelectual, Lia D Castro nasceu em 1978, em Martinópolis, São Paulo, atualmente, vive e trabalha na capital paulista. A artista realizou exposições individuais no Instituto Çarê (2022), em São Paulo, e na Galeria Martins&Montero (2023), em São Paulo e na Bélgica. Dentre as exposições coletivas, destacam-se a 10ª Mostra 3M de arte – Lugar Comum: travessias e coletividades na cidade, no Parque Ibirapuera, em São Paulo (2020); ‘A verdade está no corpo’, no Paço das Artes, São Paulo (2023); ‘Middle Gate III’, no De Werft, na Bélgica (2023); ‘Hors de l’énorme ennui’, no Palais de Tokyo, na França (2023); e ‘Dos Brasis: arte e pensamento negro’, no Sesc Belenzinho, em São Paulo (2023). Sua obra integra o acervo da Galeria Martins&Montero (São Paulo e Bélgica) e S.M.A.K., Stedelijk Museum voor Actuele Kunst (Bélgica).

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil, com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados. Os conteúdos ficam disponíveis no site e canal do Youtube do museu.

CATÁLOGO

Na ocasião da mostra, será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, composto por imagens e ensaios comissionados de autores fundamentais para o estudo da obra de Lia D Castro. A publicação é organizada por Adriano Pedrosa, Isabella Rjeille e Glaucea Helena de Britto, e inclui textos de Ana Raylander Mártis dos Anjos, Denise Ferreira da Silva, Glaucea Helena de Britto, Isabella Rjeille e Tie Jojima. Com design do PS2 – Flávia Nalon e Fábio Prata, a publicação tem edição em capa dura.

MASP LOJA

Em diálogo com a exposição, o MASP Loja apresenta produtos especiais de Lia D Castro, que incluem uma bolsa, postais e marca página, além do catálogo oficial da mostra.

Serviço:

Lia de Castro: em todo e nenhum lugar

Curadoria de Isabella Rjeille, curadora, MASP e Glaucea Britto, curadora assistente, MASP

1º subsolo

Visitação: 5/7/2024 – 17/11/2024

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis e primeira quinta-feira do mês grátis; terças, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$70 (entrada); R$35 (meia-entrada)

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

Espetáculo ‘Casal 20’ aborda as relações afetivas a partir da linguagem circense

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Rafa Teixeira.

A união estável de um casal é encenada com a comicidade circense e a dramaticidade teatral pela dupla Lu Menin e Pablo Nordio no espetáculo ‘Casal 20 União Instável’, em cartaz de 28 a 30 de junho no Sesc Santana. Sob direção de Tato Villanueva, o casal Lucila e Lupércio vão, de maneira animada, jogar luz sobre a cumplicidade de uma parceria, apontar os imprevistos do dia a dia e as dificuldades inerentes à relação. O espetáculo se reconhece no mundo contemporâneo em meio a tantas formas de amar e em como podemos falar sobre relações afetivas a partir da linguagem circense.

Venda online por meio do aplicativo Credencial Sesc SP na central de relacionamento digital. Venda presencial nas bilheterias das unidades do Sesc.

Sinopse

Uma chamada inesperada leva o casal Lucila e Lupércio a uma grande missão e os 20 anos juntos vêm à tona. Às vezes a vida parece uma missão impossível que requer todo tipo de habilidade para desfrutá-la. Através de códigos de comédia física e com ritmo de filme de ação, ‘Casal 20’ é uma peça única que une teatro e circo de forma original e inovadora para a cena latino-americana.

Cia Barnabô é uma nova companhia de uma antiga dupla. Lu Menin e Pablo Nordio são parceiros de vida e de cena há 20 anos. Sempre em trabalhos coletivos, com Circo Amarillo (Brasil/Argentina) desde 2003 e Circo Zanni (SP) desde 2004. Em novembro de 2018 consolidam o trabalho da dupla/casal com a criação do espetáculo ‘Rústico’, por meio da terceira edição do Edital de Apoio à Criação Artística (Secretaria Municipal de Cultura de SP), e ‘Altissonante’, solo de Lu Menin com direção de Lu Lopes. Em 2020 criam o espetáculo ‘Allegro Andante’, com direção da própria dupla.

Ficha técnica

Elenco: Lu Menin e Pablo Nordio

Direção Artística e dramaturgia: Tato Villanueva

Direção e produção musical: Marcelo Pellegrini

Olhar de movimento: Keila Bueno

Cenografia e iluminação: Dôdô Giovanetti

Figurinos: Lu Araújo e Cris Galvan

Preparação técnica dos aéreos: Adelly Constantini

Concepção e produção do projeto: Cia Barnabô e Eu Circ Produções

Confecção dos abajures: Arte na Serra 2 Marias

Costureiras: Goreti Santos, D. Wanda Vieira e Maria José da Silva

Produção: Margarida Agência de Cultura.

Serviço:

De 28 a 30/6 –  sexta e sábado, às 20h; domingo, às 18h

Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo – São Paulo (SP)

Local: Teatro | 320 lugares | Livre | Duração: 60 minutos

Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (meia) R$12,00 (credencial plena)

Acesso para pessoas com deficiência

Estacionamento: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 a hora adicional – desconto para credenciados

Paraciclo: gratuito (obs.: é necessária a utilização travas de segurança) – 19 vagas

Para informações sobre outras programações, acesse o portal Sesc SP.

(Fonte: Sesc Santana)

Festival VIVA! Japão acontece no Museu da Imigração com atrações culturais e gastronômicas que celebram a presença da comunidade nipônica no país

São Paulo, por Kleber Patricio

Crepe Japonês do Hachi Crepe. Foto: Tofu Fotos/Divulgação/Museu da Imigração.

O Museu da Imigração (MI) realiza nos dias 29 e 30 de junho (sábado e domingo) a segunda edição do festival VIVA! Japão. O evento tem o apoio da Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo, apoio institucional da Fundação Japão e curadoria cultural da Tasa Eventos.

A primeira edição nipônica do VIVA! – festival que a cada edição celebra a cultura de um país ou região no MI – aconteceu em 2023. Com grande sucesso entre a comunidade japonesa e o público do Museu, o evento reuniu um público de cerca de 4.500 pessoas para 16 horas de programação cultural e gastronômica que reverenciaram a cultura do Japão no ano em que se comemorou 115 da imigração japonesa no Brasil.

Para este ano, o evento promete ser ainda maior e terá atrações de dança, música, gastronomia, audiovisual, além de oficinas de técnicas artísticas e artesanato. A variada gama de atrações contempla aspectos tradicionais e contemporâneos da cultura japonesa.

O jardim do MI recebe o palco que sediará apresentações de dança, música e performance. Entre os destaques estão a renomada cantora japonesa Karen Ito; apresentações de Taikô – tradicionais tambores japoneses – e do grupo Shyudaiko; concurso de Cosplay e show com o mágico Luciano Takeda, amplamente conhecido na comunidade japonesa como o Mago dos Balões.

Quem quiser mergulhar na manualidade japonesa terá acesso a oficinas diversas, como Chawan (recipiente utilizado na secular cerimônia do Chá Japonês), Mangá, Oshibana, Pixel Art e Origami. Aqui vale destacar que a oficina ‘A chawan do Japão e o universo multicultural de cada um’, será ministrada por ceramistas do Ateliê da renomada Hideko Honma. Os participantes serão conduzidos na aplicação da técnica de modelagem manual do barro para criar a sua chawan pessoal. As oficinas são gratuitas e têm vagas limitadas e por ordem de chegada. Ainda na área das artes manuais, haverá exposição de Bonsai e Ikebana.

Um dos grandes destaques da edição será a presença da conceituada diretora de cinema, a nissei Tizuka Yamasaki. No auditório do MI, no dia 29 (sábado), às 14h, acontece a exibição do documentário ‘Tomie’, que sob a ótica de Yamasaki, mergulha na vida e obra da renomada artista plástica Tomie Ohtake, que traduziu o encontro entre a cultura japonesa e brasileira. Após o filme, Tizuka recebe Tatiane Takiyama (ativista de ascendência japonesa e multiartista que atua na causa antirracista interseccional) para um debate sobre o documentário, em que o público poderá participar. Outra atividade que integra a programação de audiovisual será a exibição de Animes, com os títulos ‘O Duende do Rio e o Sampei’ e ‘Crayon Shinchan’.

Na área gastronômica do festival, o público poderá saborear comidas típicas do Japão, desde as mais tradicionais como algumas contemporâneas ou na linha fusion. Estarão presentes expositores como Yu Yatai (takoyaki e okonomiyaki); COA (lamen, udon, temaki, tempura, kare); Chen’s (yakisoba, guioza, bolinha de kani, hot roll, poke); Nakamise (bento tonkatsu, chicken katsu, karaague e espetinho); Dogkebi (stick dog); Revan (bubble waffle e bubble tea); Hachi Crepe (Crepe Japonês, Taiyaki) e Nanaya (doces japoneses), entre outros.

Serviço:

VIVA! Japão

Datas: 29 e 30 de junho | Horário: das 10h às 18h

Entrada gratuita

Ingressos: retirada exclusiva pessoalmente na bilheteria do Museu, nas datas do evento (evento com capacidade limitada e sujeito à lotação)

Programação de Palco | Sábado, 29 de junho

12h00 Cerimônia de abertura

12h30 Wadan Taiko Ensemble (Taikô)

13h00 Show musical – Serginho Tanigawa (J-Pop)

14h00 Grupo Shyudaiko (Dança, Shamisen e Taikô)

14h30 Show musical – Akatsuki Band (Anime songs)

15h30 Desfile e Concurso Cosplay

16h30 Wadan Taiko Ensemble (Taikô)

17h00 Show musical – Fabia e Norton Miasake (J-Pop)

Programação de Palco | Domingo, 30 de junho

12h00 Ryukyu Koku Matsuri Daiko (Taikô Okinawa)

13h00 Show musical – Karen Ito (Enka)

14h00 Grupo Shinkyo (Taikô)

14h30 Mago dos balões – Luciano Takeda (Mágica)

15h00 Desfile e Concurso Cosplay

16h00 Show musical – Diogo Miyahara (Tokusatsu Music Show)

17h00 Ryukyu Koku Matsuri Daiko (Taikô Okinawa)

17h30 Show musical – Serginho Tanigawa (J-Pop)

Oficinas* | sábado e domingo, 29 e 30 de junho

*vagas limitadas e por ordem de chegada

Oficina de Chawan (cerâmica) – com Ateliê Hideko Honma | 30 de junho | 3 turmas com 15 minutos de introdução e 60 minutos de oficina)

Oficinas (ao longo da programação): Mangá, Oshibana, Pixel Art e Origami

Exposições: Bonsai e Ikebana

Audiovisual:

29 de junho

14h – Debate com Tizuka Yamasaki e Tatiane Takiyama + Exibição do documentário ‘Tomie’

16h – Exibição do anime ‘KAPPA: o duende do rio e o Sampei’

30 de junho

14h – Exibição do anime ‘Crayon Shinchan Bravo! Grande batalha de samurais’

16h – Exibição do anime ‘KAPPA: o duende do rio e o Sampei’

A programação está sujeita a alterações sem aviso prévio.

Museu da Imigração

Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP

Tel.: (11) 2692-1866

Funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 17h e, aos domingos, das 10h às 17h

Acessibilidade no local – Bicicletário na calçada da instituição | Metrô Bresser-Mooca

(Fonte: Locomotiva Cultural)

Insegurança alimentar e nutricional afetou um em cada quatro adolescentes brasileiros na pandemia

Brasil, por Kleber Patricio

Mais de um terço dos adolescentes pretos relataram insegurança alimentar e nutricional em pesquisa realizada na pandemia. Foto: Freepik.

A falta de acesso regular e permanente a alimentos saudáveis em quantidade adequadas, chamada de insegurança alimentar e nutricional, atingiu cerca de 26% dos adolescentes brasileiros segundo estudo realizado durante a pandemia de Covid-19. Deste grupo, os mais afetados foram adolescentes pretos e pardos, assim como estudantes de escolas públicas. As conclusões são de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e estão em artigo publicado na revista científica ‘Saúde em Debate’ na última sexta (21).

Mais de um terço dos adolescentes pretos que responderam à pesquisa relataram insegurança alimentar e nutricional em 2020 (cerca de 38%), enquanto quase 30% dos pardos foram afetados. Assim, a condição foi quase duas vezes mais prevalente entre adolescentes pretos do que entre brancos – destes, cerca de 19% relataram insegurança alimentar e nutricional. Cerca de 28% dos estudantes de escolas públicas reportaram o problema, quase três vezes mais do que estudantes de escolas privadas – grupo em que a prevalência de insegurança alimentar foi de cerca de 10%.

Os cientistas avaliaram dados de 9.470 adolescentes de diferentes regiões do país com idades entre 12 e 17 anos, coletados entre junho e outubro de 2020 por meio de questionário online. Seu objetivo foi avaliar a falta de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade entre os adolescentes, além de averiguar se a insegurança alimentar e nutricional esteve associada à presença de comportamentos de risco para a saúde nesta faixa etária — considerando que muitas das escolhas autônomas relativas à saúde são formadas na adolescência, frequentemente continuando pela vida adulta.

O estudo aponta que a insegurança alimentar e nutricional esteve associada a comportamentos de risco para a saúde, como o menor consumo regular de hortaliças e frutas, o maior uso de cigarros e bebidas alcoólicas e a prática reduzida de atividades físicas. O tabagismo, por exemplo, foi constatado cerca de duas vezes mais entre esses adolescentes com insegurança alimentar do que entre aqueles que não relataram essa condição.

Em 2020, 116,8 milhões de brasileiros não tinham acesso pleno e regular a alimentos, segundo relatório da Rede Penssan divulgado em 2021. Desses, 43,5 milhões, ou seja, 20% da população brasileira, estavam em situação de insegurança alimentar grave ou moderada, pois não contavam com alimentos em quantidade suficiente. Os dados que registraram o avanço da fome no período da pandemia também revelam um recorte racial: em 2022, 65% dos lares comandados por pessoas pretas ou pardas conviviam com algum tipo de restrição alimentar. “As dificuldades enfrentadas durante o período de emergência sanitária podem comprometer a saúde atual e a longo prazo desses jovens”, explica Crizian Saar Gomes, pesquisadora da UFMG e uma das autoras do estudo. “Isso aponta para a importância de uma assistência adequada junto da integração de políticas públicas intersetoriais para a redução de desigualdades socioeconômicas, que se agravaram ainda mais com a pandemia de Covid-19”, avalia.

A pesquisadora destaca que os adolescentes são um grupo negligenciado quando se fala de insegurança alimentar e nutricional, visto que a maioria dos programas e esforços de pesquisa é voltada a adultos e crianças. Futuros estudos devem contemplar todas essas faixas etárias, aponta Gomes.

(Fonte: Agência Bori)

Principal referência do Marketing, Philip Kotler realiza debate e lança livro na ESPM

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: PKotler.Org.

O marketing e o mundo estão em evolução constante. Com a revolução tecnológica e as novas formas de comercializar produtos e serviços, é preciso refletir sobre como acompanhar essas transformações e como atuar para que muitas das práticas atuais não desumanizem as relações entre empresas e consumidores. Atenta aos movimentos da área, a ESPM, escola referência em Marketing e Inovação voltada para negócios, promove no dia 3 de julho, a partir das 19h, o debate ‘Caminho para o futuro do Marketing’, com a participação de Philip Kotler (on-line e ao vivo), um dos maiores pensadores mundiais sobre o tema, Waldemar Pfoertsch (on-line e ao vivo), e Marcos Bedendo (ao vivo), professor de Branding da ESPM, no Teatro ESPM, na Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, em São Paulo, em formato híbrido.

Durante o evento, também acontecerá o lançamento do livro ‘Marketing H2H: A Jornada do Marketing Human to Human’, uma coautoria de Philip Kotler, Waldemar Pfoertsch, Uwe Sponholz e Marcos Bedendo.

O debate propõe uma nova abordagem centrada no ser humano. Este movimento defende a construção de conexões genuínas, práticas éticas e a perenidade dos relacionamentos, essenciais para a relevância das empresas e para a saúde do planeta.

A participação de Philip Kotler no livro também destaca a importância e a credibilidade do assunto que será debatido. “Kotler trouxe o consumidor para o centro das estratégias de marketing e agora lidera o movimento de humanização das práticas, reafirmando seu compromisso com a evolução ética e sustentável da área”, ressalta Bedendo.

A obra chama a atenção para a necessidade de uma visão mais ampla e holística do marketing: mais estratégica e comunitária, focada na cocriação de valor, que pode evoluir com a tecnologia ao mesmo tempo que mantém o contato humano, sendo flexível sem perder o senso de direção. “A nova organização apresentada no Marketing H2H tem tamanha clareza na sua essência e papel na comunidade que pode se adaptar continuamente às necessidades do seu ecossistema, mantendo a coerência estratégica e de decisões. Essa é a nova forma de se fazer estratégia e a nova forma de se trabalhar o marketing”, destaca Kotler.

Sobre o livro

‘Marketing H2H: A Jornada do Marketing Human to Human’ não apenas provoca um novo modo de pensar, mas também de trazer caminhos de implementação. Ele se apoia em teorias e práticas testadas e comprovadas para indicar como gerenciar e criar novos processos de marketing. A obra é uma provocação, mas também um guia, um mapa de como transformar a sua empresa em uma organização humanizada. No centro do pensamento do Marketing H2H estão três teorias bem sucedidas individualmente: a lógica dominante de serviços, que indica que todo valor é cocriado entre a empresa, seus consumidores e outros stakeholders, transformando o consumidor num participante do processo de valor; a digitalização, que engloba o uso das novas tecnologias de conectividade e a IA para individualizar demandas, contatos e humanizar o atendimento; além do Design Thinking, com sua perspectiva de flexibilidade, inovações constantes e interação.

Com esse tripé de fundamentação, o livro explora todo um processo de visão e ação do marketing, que o transforma, novamente, em uma área mais estratégica do que operacional. Esses conceitos guiarão o debate na ESPM, “será um renascer para a área de marketing e para as empresas, que passam a se enxergar e agir de forma mais humana”, explica Bedendo.

Serviço:

Debate ‘Caminho para o futuro do Marketing’

Lançamento ‘Marketing H2H: A Jornada do Marketing Human to Human’

Data: 3/7, das 19h às 21h15

Local: Teatro ESPM

Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana – São Paulo, SP

Evento híbrido: presencial e on-line

Inscrições gratuitas pelo link: https://www.espm.br/evento/?eventoId=wX76otmLWnM

Vagas presenciais são limitadas

Programação

19h – Início do evento – apresentação

19h15 – Painel ‘Princípios do H2H’, com Waldemar Pfoertsch (on-line e ao vivo)

19h45 – Painel ‘H2H no Brasil’, com Marcos Bedendo (ao vivo)

20h – Painel ‘Marketing Humanista’, com Philip Kotler (on-line e ao vivo)

20h30 – Debate H2H com Waldemar Pfoertsch, Marcos Bedendo e Philip Kotler

21h – Comentários finais e encerramento

21h15 – Sessão de autógrafos.

Sobre a ESPM | A ESPM é uma escola de negócios inovadora, referência brasileira no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração, Economia Criativa e Tecnologia. Seus 12600 alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação e mais de 1100 funcionários estão distribuídos em cinco campi – dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um em Porto Alegre e um em Florianópolis. O lifelong learning, aprendizagem ao longo da vida profissional, o ensino de excelência e o foco no mercado são as bases da ESPM.

(Fonte: Nova PR)