Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Banda Sinfônica da Unicamp se apresenta dia 22 no Teatro do Sesi Campinas Amoreiras

Campinas, por Kleber Patricio

No dia 22 de agosto, quinta-feira, às 20h, o Teatro do SESI Campinas Amoreiras será palco de uma apresentação imperdível da Banda Sinfônica da Unicamp. Este concerto é parte do projeto Parcerias/Projetos Locais – Música e promete oferecer ao público uma experiência musical única e diversificada.

A Banda Sinfônica da Unicamp é um projeto de extensão universitária desenvolvido pela Escola Livre de Música da Unicamp e vinculado ao Ciddic – Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural. Desde sua criação, em 2022, a banda tem proporcionado a mais de 60 alunos da Região Metropolitana de Campinas a oportunidade de desenvolver suas habilidades musicais através da prática coletiva. Este projeto é essencial para reintegrar a estrutura musical ao conjunto de grupos permanentes da Unicamp, retomando a tradição da universidade na formação musical para instrumentos de sopro e percussão após um hiato de 13 anos.

O concerto apresentará um repertório eclético alicerçado em três pilares fundamentais: música sinfônica, música brasileira e música popular. O público poderá desfrutar de composições sinfônicas e adaptações de obras orquestrais, além de peças brasileiras que abrangem uma vasta gama de gêneros e ritmos. O repertório incluirá obras como ‘1812 ‘Abertura Solene’, de Piotr Ilitch Tchaikovski; ‘Danzon’ de Arturo Marquez; ‘Ross Roy’ de Jacob de Haan; ‘Suíte Nordestina’, de José Ursicino da Silva (‘DUDA’) e medleys de musicais e filmes como ‘O Rei Leão’ e ‘Bohemian Rhapsody’.

Em 2024, a Banda Sinfônica da Unicamp foi agraciada com a prestigiada Medalha do Mérito Cultural Carlos Gomes, a maior honraria cultural concedida pela Prefeitura Municipal de Campinas. Esta medalha reconhece cidadãos e entidades que se destacam em atividades artísticas na cidade e que contribuem significativamente para enaltecer a figura e obra do maestro Carlos Gomes. Segundo Fernando Hehl, coordenador da Escola Livre de Música, esse reconhecimento é de grande importância, resgatando o prestígio e orgulho da universidade no cenário cultural.

Além do desenvolvimento técnico-musical, o projeto da Banda Sinfônica da Unicamp visa criar um ambiente humanizador para seus integrantes, estimulando-os a crescer como sujeitos ativos e transformadores da sociedade. Alunos da ELM participam de aulas específicas de seus instrumentos, tanto individualmente quanto em grupos, e a prática em conjunto é estimulada por alunos bolsistas graduandos em música pela Unicamp, que colaboram na organização e instrução durante os ensaios.

O concerto é gratuito e aberto ao público e as reservas podem ser feitas a partir de 19 de agosto de 2024, às 9h.

Serviço:

Banda Sinfônica da Unicamp no Sesi Amoreiras

22 de agosto às 20h

Teatro do Sesi Campinas Amoreiras – Av. das Amoreiras, 450

Entrada gratuita.

(Fonte: Com Ton Torres/Ciddic-Unicamp)

Johnny Hooker traz show de 20 anos ao Brasuca em 23 de agosto, com after da Festa Nervosa!

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O cantor e compositor Johnny Hooker está completando 20 anos de carreira. Nesse tempo, entre shows esgotados, títulos, prêmios e consagrações midiáticas, JH emplacou diversas faixas de seus três discos (Macumba, Coração e ØRGIA) em novelas, séries e filmes e ainda colaborou com algumas regravações de sucessos nacionais que, na sua voz, se eternizaram em novos públicos.

O show de 20 anos chega ao Brasuca Multicultural, em Campinas, no dia 23 de agosto e promete fazer a alegria dos fãs, que ainda podem aproveitar a dobradinha com a Festa Nervosa!, que rola após o show sob o comando do DJ Barata, com ingressos à venda a partir de R$60 (pista, meia entrada + taxas).

Durante a apresentação, Hooker pretende levar o público a uma viagem no tempo, revisitando suas canções mais conhecidas e episódios pessoais e profissionais que definiram sua trajetória. “Estou num momento mais maduro de uma maneira geral. Já enfrentei muitas coisas na vida, dificuldades, polêmicas e sucessos”, conta Johnny. O show é visto pelo cantor como uma representação de sua evolução artística e pessoal.

Por fim, o artista demonstra felicidade em ter confiado e seguido seus sonhos. “O sentimento é de gratidão pela vida e de amor por aquela criança que lá atrás ousou sonhar alto e nunca desistiu. Eu falava ‘vocês vão me ver/ouvir cantar na televisão’ e as pessoas me olhavam com desconfiança por meu visual e atitude punk, mas no fim eu estava certo”, relembrou.

Viral

A versão de ‘Beija-Flor’ (hit do Timbalada) que foi gravada pelo artista especialmente para novela Segundo Sol, em 2018, viralizou em uma corrente do TikTok ficando em primeiro lugar dos maiores virais do Instagram, em 2024, dando a Johnny o quinto single de platina da carreira. Atualmente, a 11ª faixa do álbum Ørgia, Eu Te Desafio A Me Amar, é tema da personagem da atriz Nanda Costa na série global Justiça 2.

Em celebração às duas décadas de trajetória, o artista vem rodando o país com sua turnê. Além disso, JH deu origem a um projeto de remix onde resgata grandes sucessos de sua carreira. O primeiro lançamento foi de seu single de platina, Caetano Veloso, e, logo depois, de Cuba, uma das músicas que mais crescem organicamente no Spotify, estando em 6 lugar entre as suas faixas mais ouvidas. A nova versão é uma parceria com Pabllo Vittar.

Serviço:

Johnny Hooker + Festa Nervosa!

Quando: 23 de agosto, sexta-feira, a partir das 22h

Ingressos: https://brasucamulticultural.com.br/johnny-hooker-festa-nervosa-palco/

O Brasuca Multicultural fica na Avenida Santa Isabel, 800, Barão Geraldo, Campinas/SP.

Realização: Multi Produtora.

(Fonte: Com Silvânia Silva)

MAM São Paulo realiza 38º Panorama da Arte Brasileira no MAC-USP

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra de Maria Lira Marques. Foto: Ding Musa.

A 38ª edição do Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo será realizada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, entre 5 de outubro de 2024 e 26 de janeiro de 2025, com entrada gratuita. A mudança de local e de data se deve à reforma da marquise do Parque Ibirapuera, onde o MAM está sediado. Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e tombada pelo Patrimônio Histórico, a marquise do Parque está passando por uma reforma em toda sua estrutur, e o trecho do MAM deve reabrir ao público no início de 2025.

Segundo Cauê Alves, curador-chefe do MAM, “Embora a reforma da marquise do Parque Ibirapuera afete a programação do museu, ela será muito positiva para a cidade. Faz alguns anos que o MAM tem estabelecido parcerias com as instituições do eixo cultural do Parque Ibirapuera, mas realizar o 38º Panorama da Arte Brasileira do MAM no MAC, além de uma aproximação histórica entre as duas instituições, é um momento de integração e soma de esforços em benefício da arte e da cultura de modo geral”.

Obra de Lucas Arruda (2020). Foto: Everton Ballardin.

MAM São Paulo e MAC-USP compartilham de uma mesma origem, apesar de trilharem trajetórias bem distintas. O MAM é estruturado como uma sociedade civil de interesse público sem fins lucrativos e o MAC é um museu universitário, gerido pela Universidade de São Paulo. A história que conecta as duas instituições, bem como os projetos realizados em conjunto em diversos momentos, será apresentada ao visitante em uma linha do tempo que abre o espaço expositivo do 38º Panorama.

“É com enorme satisfação que o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo acolhe o 38º Panorama da Arte Contemporânea Brasileira, tradicionalmente realizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. A qualidade do salão fez dele um espaço importantíssimo de fruição, reconhecimento e problematização dos rumos da arte no Brasil nas últimas décadas. Neste momento de interdição temporária da sede do MAM em função das obras de restauro da Marquise do Ibirapuera, o MAC USP não poderia deixar de apoiar a instituição coirmã, parceira de tantos projetos museológicos, formativos e curatoriais conjuntos. Esta história de colaborações inspirou, aliás, os dois museus a incluírem na edição 2024 do Panorama uma pequena linha do tempo de seus múltiplos cruzamentos e reciprocidades”, comenta José Tavares Correia de Lira, diretor do MAC-USP.

38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus

Com uma expografia adaptada à arquitetura do MAC, o 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus irá ocupar o térreo e o terceiro andar do museu. Com curadoria de Germano Dushá e Thiago de Paula Souza e curadoria-adjunta de Ariana Nuala, esta edição apresentará obras de 34 artistas de 16 estados brasileiros. A lista é composta por Adriano Amaral (SP), Advânio Lessa (MG), Ana Clara Tito (RJ), Antonio Tarsis (BA), Davi Pontes (RJ), Dona Romana (TO), Frederico Filippi (SP), Gabriel Massan (RJ), Ivan Campos (AC), Jayme Fygura (BA), Jonas Van & Juno B. (CE), José Adário dos Santos (BA), Joseca Mokahesi Yanomami (RR), Labō (PA) & Rafaela Kennedy (AM), Laís Amaral (RJ), Lucas Arruda (SP), Marcus Deusdedit (MG), Maria Lira Marques (MG), Marina Woisky (SP), Marlene Costa de Almeida (PB), Melissa de Oliveira (RJ), Mestre Nado (PE), MEXA (SP), Noara Quintana (SC), Paulo Nimer Pjota (SP), Paulo Pires (MT), Rafael RG (SP), Rebeca Carapiá (BA), Rop Cateh – Alma pintada em Terra de Encantaria dos Akroá Gamella (MA) – em colaboração com Gê Viana (MA) e Thiago Martins de Melo (MA) –, Sallisa Rosa (GO), Solange Pessoa (MG), Tropa do Gurilouko (RJ), Zahy Tentehar (MA) e Zimar (MA).

Adriano Amaral, Untitled, 2018. Foto: Lewis Ronald.

O título da exposição parte de uma expressão coloquial que pode assumir múltiplos significados a depender do contexto, mas que invariavelmente funciona como índice de elevada intensidade. Em texto de apresentação sobre o projeto, a curadoria conta que “a mostra se orienta pelo interesse por formulações ligadas à experimentação, ao risco intenso, às situações radicais, às condições extremas marcadas pelo calor — metafísico, metafórico e climático —, e aos estados — da alma e da matéria — que nos põem diante da transmutação como destino inevitável e imediato”. Mais informações sobre a proposta curatorial e a escolha dos artistas da 38ª edição da mostra estão disponíveis no site do MAM.

O Panorama da Arte Brasileira é um projeto bienal e fundamental na história do Museu de Arte Moderna de São Paulo. A série de exposições foi iniciada em 1969 e coincidiu com a instalação do MAM São Paulo em sua sede na marquise do Parque do Ibirapuera. As primeiras edições do Panorama marcaram a história do museu por terem contribuído direta e efetivamente na formação de seu acervo de arte contemporânea. Ao longo das 37 mostras já realizadas, o Panorama do MAM buscou estabelecer diálogos produtivos com diferentes noções sobre a produção artística brasileira, nossa história, cultura e sociedade. Realizado a cada dois anos, sempre produz novas reflexões acerca dos debates mais urgentes da contemporaneidade brasileira.

Serviço:

38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus

Curadoria: Germano Dushá, Thiago de Paula Souza e Ariana Nuala

Período expositivo: 5 de outubro de 2024 a 26 de janeiro de 2025

Realização: Museu de Arte Moderna de São Paulo

Exibição no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC-USP

Locais: térreo e terceiro andar

Funcionamento: terça a domingo, das 10h às 21h

Gratuito

Mais informações em mam.org.br/38panorama.

(Fonte: Com Victoria Louise/A4&Holofote Comunicação)

Panamenho Cisco Merel apresenta mostra solo na Zielinsky, em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Cisco Studio.

A Zielinsky exibe a mostra Ancoras Atemporais do artista panamenho Cisco Merel das 14h às 18h, na Travessa Dona Paula, em Higienópolis, em São Paulo. É a segunda mostra da galeria, que abriu sua filial paulistana em junho passado. Com texto crítico do curador adjunto da 14ª Bienal do Mercosul Tiago Sant’Ana, Merel põe em intercâmbio trabalhos em pintura conectados com uma experimentação abstrata e cromática com obras em que o barro e toda complexidade intrínseca a esse material são lançadas em cena. O barro utilizado na mostra foi coletado de forma local, discutindo assim a temática do território.

Fabulando sobre elementos formais que surgem a partir da prática da ‘mola’ – um fazer têxtil que utiliza diferentes pedaços de tecido para construção de formas geométricas por meio de um intricado e complexo jogo de costura – o artista nos aproxima de um universo ligado à natureza e sua espiritualidade.

O artista representa o Pavilhão do Panamá na 60ª Bienal de Veneza – Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere (Estrangeiros em todo lugar), curada pelo brasileiro Adriano Pedrosa, juntamente com os artistas Brooke Alfaro, Isabel De Obaldía e Giana De Dier. A curadora do Pavilhão Panamenho é a professora de História da Arte e da Arquitetura Itzela Quirós e o comitê curatorial é formado por Mónica Kupfer, Ana Elizabeth González e Luz Bonadies. É a primeira vez que o país tem um pavilhão na mais longeva bienal de arte do mundo.

Sobre o artista

Cisco Merel nasceu em 1981 na Cidade do Panamá/Panamá, onde vive e trabalha. Utiliza a abstração como meio para abordar diversos temas em sua obra, como a arquitetura, os contrastes sociais e a arte popular. Em sua obra, busca resgatar as origens dos sistemas construtivos e socioculturais que nos cercam em nosso tempo atual. Merel utiliza a fotografia, a pintura, a escultura e as instalações como ponto de partida para criar um mapa visual e investigativo em cada projeto que desenvolve. Seu trabalho se destaca pela capacidade de transformar experiências cotidianas em algo excepcional e pela capacidade de gerar reflexões sobre a cultura e a sociedade.

Durante mais de 10 anos colaborou estreitamente com o ateliê do artista Carlos Cruz Díez. Atualmente o artista apresenta a exposição individual ‘La Puerta del Sol’, com curadoria de Juan Canela, no Museo de Arte Contemporáneo de Panamá. Também participou das exposições coletivas ‘Detrás del muro’ – Bienal de la Habana, Cuba; ‘Trampolín’ – Centro Cultural de España, Panamá; ‘Circles & Circuits – Pacific Standard Time’ – Chinese American Museum, Los Angeles, EUA; ‘Bienal del Istmo Centroamericano’ – Tegucigalpa, Honduras; ‘The State Of L3 Collective’ – Museum of Contemporary Art, Antuérpia, Bélgica. Este ano, Merel representará o Pavilhão do Panamá na 60ª Bienal de Veneza (https://ciscomerel.com/).

Sobre a Zielinsky | Ricardo Zielinsky e Carla Zerbes – proprietários da Zielinsky, são um casal de gaúchos que vive há muitos anos entre a Espanha e o Brasil. Há 9 anos, fundaram a galeria Zielinsky em Barcelona, onde representam artistas Ibero Americanos; entre os quais, também brasileiros, como Shirley Paes Leme, Marina Camargo, Leonardo Finotti, Vera Chaves Barcellos, Dedé Lins, Romy Pocztaruk e Almandrade. A relação com o Brasil, além de suas nacionalidades, se dá também com um escritório de arte que tiveram, desde 2015, em Porto Alegre, além da realização de feiras de arte latino-americanas, muitas delas brasileiras.

Serviço:

Exposição Ancoras Atemporais do artista visual Cisco Merel

Pinturas e esculturas

Texto crítico: Tiago Sant’Ana

Visitação: até 5 de outubro de 2024 | terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 17h

Entrada gratuita

local: Zielinsky – Travessa Dona Paula, 33 – Higienópolis, São Paulo, SP

info@zielinskyart.com | https://www.zielinskyart.com

Redes sociais: Zielinsky  | Cisco Merel | Tiago Sant’Ana.

(Fonte: Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Plantações de eucalipto reduzem em quase 30% a riqueza de insetos aquáticos de nascentes de rios, mostra pesquisa

Juiz de Fora, por Kleber Patricio

Florestas de eucalipto ocupam áreas extensas de Minas Gerais, que detém 29% da área cultivada de florestas plantadas. Fonte: Amanda Lelis/Banco de Imagens UFMG.

Prática comum no território brasileiro, a substituição de vegetação nativa por monoculturas como o eucalipto provoca mudanças na estrutura do solo, que podem afetar o ambiente e a fauna de nascentes de rios próximas. Um estudo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) mostra que plantações de eucalipto reduziram em quase 30% o número de espécies de organismos aquáticos, entre eles insetos, encontrados em nascentes da Mata Atlântica. Os resultados da análise, publicados no último dia 2 na revista ‘Acta Limnologica Brasiliensia’, reforçam a qualidade ambiental de nascentes em áreas de mata preservada.

Os pesquisadores analisaram dez nascentes da bacia do rio Paraíba do Sul, em Minas Gerais, durante a estação seca de 2017 — metade em áreas com plantações de eucaliptos e a outra, com vegetação nativa. Eles coletaram amostras da água e sedimento em pontos diferentes das nascentes e analisaram a presença de macroinvertebrados aquáticos, incluindo insetos e vermes.

A pesquisa encontrou 8.474 macroinvertebrados aquáticos em áreas de florestas nativas e 5.261 em áreas de plantações de eucalipto, de 58 grupos. Embora a abundância total de macroinvertebrados não tenha diferido significativamente entre os dois tipos de vegetação, a riqueza de espécies foi significativamente menor nas áreas com plantações de eucalipto. Organismos aquáticos de seis grupos, como os trichoptera (friganídeos), psychodidae (família das moscas-de-banheiro) e tipulidae (pernilongos-gigantes), foram encontrados exclusivamente em nascentes de florestas nativas.

A presença desses grupos, especialmente sensíveis a alterações ambientais, indica que as nascentes com vegetação nativa possuem condições ecológicas mais favoráveis. Além dos macroinvertebrados, outros indicadores como cobertura vegetal, presença de matéria orgânica, pH, oxigênio dissolvido e condutividade elétrica foram analisados para avaliar a qualidade da água.

As florestas plantadas ocupam 9,5 milhões de hectares do país, sendo que 77,3% dessa área é de eucalipto, segundo dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Brasil é o principal exportador de celulose, e Minas Gerais se destaca como o estado com maior área de plantação de eucalipto, de 29%. Em 2022, a produção florestal foi responsável por 1,3% do PIB do país, segundo o Ministério de Agricultura e Pecuária. Embora reconheça a importância do setor, a pesquisadora Sheila Peixoto, da UFJF, autora do estudo, aponta que os impactos negativos do eucalipto são bem conhecidos pela ciência. “Além dos impactos terrestres, com esse trabalho, percebemos que esse tipo de plantação afeta também as nascentes”, analisa.

Para Peixoto, a pesquisa pode incentivar as tomadas de decisão sobre a autorização, regulamentação e licenciamento de plantações de eucalipto, principalmente em áreas com nascentes. Além disso, os dados podem ser usados em futuros estudos sobre bioindicadores ambientais, que medem a qualidade da água desses ambientes.

Agora, os cientistas da UFJF pretendem focar em grupos biológicos mais sensíveis aos impactos ambientais, por meio de uma abordagem voltada para o biomonitoramento da qualidade das águas. “Vamos aumentar a coleta de dados para conseguirmos comparar a biodiversidade em nascentes com diferentes condições ecológicas”, antecipa a pesquisadora.

(Fonte: Agência Bori)