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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Parque Ibirapuera comemora Mês das Crianças com programação repleta de diversão e contato profundo com a natureza

São Paulo, por Kleber Patricio

Cronograma será oferecido em outubro e contará com uma série de atividades gratuitas para toda a família.
Foto: Divulgação/Urbia Parques.

O Dia das Crianças está chegando e o Parque Ibirapuera é o espaço ideal para celebrar a data, já que é considerado um dos principais ambientes de lazer da cidade de São Paulo. Com um cronograma que se estenderá durante todo o mês de outubro, as famílias estão convidadas a participar de atividades que proporcionam muita diversão, aprendizado e uma potente conexão com a natureza, além de momentos únicos que ficarão registrados para sempre na memória dos pequenos. Veja abaixo a programação completa:

Estação Biodiversidade: Bicho-pau

Data: 12 e 13 de outubro

Horário: das 14h às 17h

Nesta atividade, que colabora para democratização da ciência, as crianças conhecerão mais sobre os curiosos bichos-pau. Enquanto observam, desenham, colorem e produzem trabalhos manuais, os pequenos também aprenderão sobre temas relacionados à biodiversidade de plantas e animais nativos do Brasil presentes no parque e à importância da conservação de espécies vulneráveis e em perigo de extinção no país e na cidade de São Paulo. Vale ressaltar que, apenas no dia 12 de outubro, das 12h às 17h, o espaço contará com a exposição ‘O Incrível Universo do Bicho-Pau’, conduzida em parceria com grupo de pesquisa e divulgação científica Projeto Phasma.

Local: parquinho em frente às quadras esportivas

Atividade gratuita.

Circuito Temático Ambiental: A Biodiversidade no Coração de São Paulo

Data: 20 de outubro

Horário: 10h30

A caminhada é guiada pela equipe ambiental da Urbia e passará pelas ruas, alamedas e jardins do espaço, além de ter como foco a biodiversidade presente no parque, sua história e principais curiosidades. Ao longo do trajeto, haverá paradas estratégicas nas quais as famílias conhecerão algumas aves, espécies botânicas e ecossistemas que pairam pelas paisagens.

Local: ponto de encontro no Centro de Visitantes, próximo ao Planetário Ibirapuera

Atividade gratuita.

Sextou no Ibira: Dia da Kokedama

Data: 11 e 18 de outubro

Horário: das 14h às 17h

A equipe educativa da Urbia oferecerá às crianças atividade manual com elementos da natureza a partir da técnica japonesa conhecida como kokedama, que significa ‘bola de musgo’. É uma forma criativa e inspiracional de cultivar plantas em casa e em apartamentos sem a necessidade de vasos ou outros recipientes. Os visitantes são convidados a construírem suas próprias ‘bolinhas vivas’ e levarão suas kokedamas para casa.

Local: área de piquenique

Atividade gratuita.

Sessão especial ao vivo no Planetário Ibirapuera: Nosso Teto Estrelado

Datas e horários: 12 de outubro, às 17h e 13 de outubro, às 15h

O Planetário Ibirapuera apresentará uma sessão especial ao vivo em que os pequenos poderão embarcar em uma fascinante viagem pelo céu noturno. Com uma linguagem adequada e um visual encantador, as crianças descobrirão as estrelas e as constelações que enfeitam o céu, como um verdadeiro ‘teto estrelado’. Durante a apresentação, as famílias investigarão as estrelas e os cometas e entenderão o que são constelações, identificando figuras famosas como o Cruzeiro do Sul, Órion e Escorpião. As crianças também aprenderão sobre os planetas do Sistema Solar e suas luas. A sessão é recomendada para famílias com crianças de 5 a 11 anos.

Local: Planetário Ibirapuera

Ingressos: Urbiapass.

Sessões fixas do Planetário Ibirapuera

Dias e horários: sextas-feiras, às 12h (sessão gratuita), sábados, às 13h, 15h, 17h e 19h, e domingos, às 11h, 13h, 15h e 17h.

Três sessões fixas são oferecidas às famílias aos finais de semana: O show da Luna, Olhar o céu de São Paulo outra vez e Planetas do Universo, sendo ao menos uma sessão gratuita por semana. Vale ressaltar que ‘O Show da Luna’ é uma sessão infantil destinada ao público de 4 a 11 anos que conta a história da personagem em uma viagem interativa e musical pelo espaço, investigando questões científicas como o brilho das estrelas, a possibilidade de caminhar nos anéis de Saturno, a existência de vida em Marte e o motivo de Plutão não ser mais considerado um planeta. As demais sessões são recomendadas para crianças a partir de 11 anos.

Local: Planetário Ibirapuera

Ingressos: Urbiapass

Para mais informações, acesse Site | Instagram | Facebook | Linkedin.

(Fonte: Com Mylena Zintl Bernardes/Máquina Cohn & Wolfe)

Sambistas paulistas são imortalizados na Academia Brasileira de Artes Carnavalescas

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

O Carnavalesco e Presidente da ABAC – Milton Cunha ao lado da vice Célia Domingues. Foto: Ricardo Almeida/Divulgação.

Uma noite de muito samba e emoção marcou, no dia 1º de outubro, a inauguração da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), na Travessa do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro. O evento, idealizado pelo carnavalesco Milton Cunha e pela empreendedora social Celia Domingues, presidente e vice-presidente da ABAC, respectivamente, celebrou a criação de uma galeria de ‘notórios eternos’, reunindo personalidades icônicas do samba e do carnaval brasileiro.

Inspirada no modelo da Academia Brasileira de Letras, a ABAC oferecerá assentos vitalícios para 200 notáveis de todas as regiões do Brasil com o objetivo de valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro e suas expressões em diferentes cantos do país. Mais de 100 fotos de figuras ilustres já decoram as paredes da academia, incluindo nomes de peso, como Mestre Dionísio, Maria Augusta, Carlinhos de Jesus, Leonardo Bruno, e Kellymar de Jesus Ferreira. De São Paulo, quatro sambistas foram imortalizados na galeria: a jornalista e pesquisadora Claudia Alexandre, o jornalista e pesquisador Odirley Isidoro, o embaixador do samba Fernando Penteado e Solange Bichara, presidente da Escola de Samba Mocidade Alegre.

Durante a cerimônia, Milton Cunha, com sua característica energia, ressaltou o papel da academia de reunir os maiores representantes do carnaval em um espaço de respeito e memória. “Já convidamos 120 notórios saberes; eles estão na parede, estão aqui. E vamos chegar a duzentos. Todos os carnavais do Brasil – blocos, coretos, bailes, escolas de samba, tudo junto. É o saber carnavalesco de todo o Brasil”, afirmou o carnavalesco.

Foto: Divulgação.

A importância da diversidade dos saberes também foi destacada por Maria Augusta, uma das maiores especialistas em carnaval do Brasil. “A origem das escolas de samba vem das comunidades negras. Uma academia que reconhece isso, que traz esse saber popular, é fundamental. Estou vendo compositores e carnavalescos que não têm formação acadêmica, mas que são a essência do nosso carnaval. Isso é o respeito ao saber popular”, afirmou emocionada.

A ABAC promete se consolidar como um espaço de preservação e promoção da arte carnavalesca reunindo notáveis do carnaval de todo o Brasil com o compromisso de perpetuar o legado cultural de suas comunidades. A noite de inauguração foi só o início de uma trajetória que promete eternizar a história e os saberes de um dos maiores símbolos culturais do país.

(Fonte: Com Diney Isidoro/Prefeitura de São Paulo)

MIS inaugura 5ª exposição do programa Nova Fotografia e lança convocatória para 2025

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem da mostra Eu sei que existo porque você me imagina. Foto: Gui Marcondes.

Em outubro, o Museu da Imagem e do Som (MIS) traz novidades para os entusiastas do mundo da fotografia. Nesta terça-feira, dia 8, o Museu inaugurou a quinta exposição do programa Nova Fotografia 2024: Eu sei que existo porque você me imagina, do fotógrafo Gui Marcondes. Na mesma data, iniciaram-se as inscrições para a convocatória 2025, que irá selecionar seis novos talentos de todo o Estado de São Paulo para integrar o já consagrado programa anual do MIS.

Eu sei que existo porque você me imagina

Transitando de forma inconstante entre sua cidade natal de São Paulo e Nova York, o fotógrafo Gui Marcondes mapeia suas explorações pelo desconhecido pessoal. Ele investiga diretamente as miragens criadas por fotos que se apresentam oníricas, desprendidas, fora de controle. Estas imagens geram inquietação, refletem sobre si mesmas até entrar em ebulição e se esquivam de qualquer estabilidade.  Ao observador, cabe especular sobre o lugar, o significado e as intenções do autor. A exposição, uma das seis selecionadas pelo programa Nova Fotografia 2024, foi inaugurada na terça-feira na sala Maureen Bisilliat (térreo do MIS). O público pode conferir a série inédita de Gui Marcondes até o dia 17 de novembro com entrada gratuita.

Sobre o artista

Gui Marcondes é um artista multidisciplinar com 20 anos de experiência. Formado em Arquitetura pela USP, trabalhou como ilustrador e designer gráfico no começo da carreira, antes de enveredar para o audiovisual através da animação. Seus curtas-metragens foram selecionados para inúmeros festivais internacionais e o principal deles, ‘Tyger’, foi escolhido pela ABCA como uma das 100 animações mais importantes da história do Brasil. O filme ganhou mais de 30 prêmios ao redor do mundo e até hoje participa regularmente de exibições especiais. Desde 2016, Marcondes vem publicando sua série de zines ‘Gira’, que faz parte do acervo do Instituto Moreira Salles SP. Seu projeto em andamento ‘O Mármore e a Murta’ sobre os caminhos pré-coloniais foi selecionado para um workshop de desenvolvimento da Magnum Photos com Moises Saman e Paul Moakley. Seu último livro ‘I know I exist because you imagine me’ acaba de ser publicado pelo selo Nearest Truth Editions, do crítico e fotógrafo Brad Feuerhelm, fundador do site American Suburb X. Gui Marcondes foi Artista Convidado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde passou duas semanas orientando um workshop sobre Espaços Narrativos em Cinema e Games. Desde 2013 é membro permanente do júri do MIT Creative Arts Competition para startups que unem Tecnologia e Arte.

Convocatória 2025

O Nova Fotografia é um projeto anual do MIS que seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, seis novos fotógrafos para uma exposição individual no museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas até seis séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS. Os interessados em participar da seleção para o ano de 2025 podem conferir a convocatória completa e efetuar a inscrição, gratuitamente, no site do MIS, entre 8 de outubro e 17 de novembro: www.mis-sp.org.br.

Público confere uma das mostras do programa Nova Fotografia 2024. Crédito: Lucas Mello/MIS.

O projeto Nova Fotografia tem o apoio da CANSON e do Gin Elixir13. A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O MIS tem patrocínio institucional das empresas Livelo, B3, John Deere, NTT Data, TozziniFreire Advogados, Grupo Comolatti e Sabesp e apoio institucional das empresas Vivo, Grupo Travelex Confidence, PWC, Colégio Albert Sabin, Unipar e Telium. O apoio operacional é Kaspersky, Pestana Hotel Group, Quality Faria Lima, Hilton Garden Inn São Paulo Rebouças, Renaissance São Paulo Hotel, Pipo Restaurante, illycaffè, Sorvetes Los Los e Água Mineral São Lourenço.

Serviço:

Eu Sei Que Existo Porque Você Me Imagina, de Gui Marcondes | Nova Fotografia 2024

Local: Sala Maureen Bisilliat – Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo, SP

Data: até dia 17/11

Horários: terças a sextas, 10h às 19h; sábados, 10h às 20h; domingos e feriados, 10h às 18h

Ingresso: gratuito

Classificação indicativa: livre.

(Fonte: Com Diego Andrade de Santana/Museu da Imagem e do Som)

Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá marca novo capítulo com inclusão de mulheres na liderança

Amazonas, por Kleber Patricio

Pela primeira vez, mulheres foram eleitas como lideranças das comunidades, papel compartilhado com os homens. Fotos: Cristabell López.

A Aldeia São João, localizada na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Amazonas, sediou um encontro marcante e histórico para o povo Kanamari do Xeruã. Em junho deste ano, durante a XIV Assembleia Ordinária da Associação do Povo Tâkuna do rio Xeruã (Aspotax), foram alcançados importantes avanços na gestão coletiva da organização e na inclusão de mulheres em cargos de liderança pela primeira vez.

O evento reuniu 50 pessoas, entre moradores das três aldeias Kanamari, representantes do povo Deni, vizinhos do território Kanamari e indigenistas da Operação Amazônia Nativa (OPAN). Durante três dias, foram debatidos temas como saúde, educação e vigilância territorial. Além disso, a assembleia realizou a primeira eleição de lideranças mulheres, a prestação de contas e a apresentação do plano de trabalho da diretoria da associação.

Pela primeira vez, mulheres foram eleitas como lideranças das comunidades, papel compartilhado com os homens.

“Em 2023, nós assumimos a diretoria da Aspotax e a primeira assembleia [da nova diretoria] não foi fácil, porque a maioria das pessoas não estavam confiantes em nós, porque estávamos começando. Mas agora estamos tendo algumas respostas para as demandas da comunidade, estamos trabalhando em equipe e o pessoal está mais confiante”, relatou José Welga Kanamari, vice-presidente da Aspotax.

Mulheres Kanamari na liderança pela primeira vez

Até recentemente, a representação política nas três aldeias da Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá era composta exclusivamente por homens. No entanto, a XIV assembleia da Aspotax trouxe uma mudança histórica: seis mulheres foram eleitas para representar politicamente os Kanamari, marcando um novo capítulo na trajetória da associação e do povo. A partir de agora, homens e mulheres compartilham a liderança, articulando demandas e representando suas comunidades nas assembleias anuais.

“A intenção é que elas participem mais do dia a dia da associação. Não pode ser só os homens liderando, as mulheres também têm que participar”, afirmou o vice-presidente. Além das novas lideranças comunitárias, Waomah Érica Kanamari, de apenas 16 anos, foi eleita para liderar a juventude. A jovem compartilhou os desafios e as expectativas de assumir essa responsabilidade. “Foi difícil ocupar esse lugar. No início eu não entendia bem, mas fui aprendendo e agora me sinto feliz pelo que sou e pelo que represento. Fui escolhida para esse papel e vou ajudar os jovens fazendo reuniões nas aldeias, dando força e incentivando-os a ocupar outros espaços.”

Assembleias são também um espaço de articulação para a incidência em diferentes esferas da sociedade civil e dos governos.

Este marco histórico aconteceu pouco tempo após a primeira participação de uma delegação de mulheres do Médio Juruá, que incluiu representantes dos povos Kanamari, Deni e Madija, na Marcha das Mulheres Indígenas realizada em 2023, em Brasília. O evento reuniu mais de 8 mil mulheres de 247 povos indígenas do Brasil, e as três mulheres Kanamari que estiveram na marcha compartilharam a experiência e os temas discutidos com as demais mulheres que não puderam participar.

Capacitação fortalece gestão da Aspotax

Em 2023, por meio do projeto Raízes do Purus, realizado pela OPAN com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, foi realizada uma formação em associativismo para aprimorar a capacidade de gestão da Aspotax. Atendendo a uma demanda do povo Kanamari, a capacitação abordou as funções dos membros da associação, além da elaboração de projetos e demais documentos. Na época, 40 pessoas participaram da formação, incluindo os membros da atual diretoria da Aspotax, professores, lideranças e moradores das três aldeias.

José Welga, vice-presidente da associação, destacou que a oficina foi crucial para o entendimento das funções de cada membro da diretoria, fortalecendo o trabalho em equipe. “A formação em associativismo teve teoria, prática e nos deu uma visão de como trabalhar juntos em equipe. Estamos nos esforçando para ser transparentes e a comunidade está sempre informada sobre tudo que acontece na associação”, explicou.

(Fonte: Com Jéssica Amaral/DePropósito Comunicação de Causas)

Após queimadas, recuperação das áreas verdes poderá levar o dobro do tempo sem intervenção humana

Brasil, por Kleber Patricio

Sem a ação humana, a regeneração das áreas afetadas pode levar o dobro do tempo. Foto: Juliano Santos.

O ano de 2024 já é considerado um dos mais afetados por queimadas da última década. Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostram que foram registrados 80 mil focos no mês de setembro, 30% acima da média histórica, compilada desde 1998. As queimadas têm causado danos severos aos biomas brasileiros, ameaçando não apenas a biodiversidade, mas também o equilíbrio ambiental, a saúde humana e a economia. A Amazônia, o Cerrado e o Pantanal são os mais afetados por esse fenômeno, que se intensifica durante os períodos de seca e se torna mais exacerbado com as mudanças climáticas. De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os incêndios criminosos ocorrem no País com mais intensidade nos últimos 30 anos.

Diante desse cenário, é preciso tomar ações urgentes nas áreas consumidas pelas queimadas. O biólogo e pesquisador do Lactec, Marcelo Alejandro Villegas Vallejos, explica que, sem a ação humana, a regeneração pode levar o dobro do tempo. “A recuperação depende de fatores diversos, mas podemos considerar o mínimo de 5 anos para a vegetação nativa começar a se regenerar e crescer naturalmente. Isso é, o crescimento ocorre, mas aqueles ambientes vão começar a ter funções ecossistêmicas mais similares à vegetação original somente após esse tempo de regeneração. Isso é o que chamamos de sucessão ecológica, ou seja, o processo natural de crescimento dos organismos em um ecossistema, que dão origem às diferentes interações entre eles”, explica. Outro fator fundamental a se considerar quando falamos em recuperação de áreas naturais é a condição do banco de sementes, completa o pesquisador: “Se estiver destruído, vai demorar muito mais tempo”.

A primeira estratégia para mitigar os prejuízos das queimadas é fazer o diagnóstico e o acompanhamento das áreas queimadas para entender qual procedimento é o mais eficiente. Métodos de monitoramento remoto com o uso de VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) e regeneração assistida, por exemplo, são técnicas que podem ajudar no processo de restauração.

Indicadores de biodiversidade

Analisar os aspectos físicos e geográficos de cada região e criar indicadores de biodiversidade são pontos fundamentais no processo de restauração florestal. “Com isso, conseguimos coletar informações sobre a diversidade biológica de uma área específica e medir o impacto das queimadas para tomar as medidas necessárias”, explica Vallejos.

O monitoramento é realizado por meio de análises de campo, como censos de espécies de animais ou levantamento de vegetação, e ajuda a monitorar as áreas e os prejuízos das queimadas em cada bioma. Como forma de complementar esses estudos, amostragens de campo, imagens de satélite e o uso de tecnologias de sensoriamento remoto são algumas das ferramentas utilizadas para gerar informações e alimentar os indicadores.

Na Mata Atlântica, uma área de 100 hectares está sendo recuperada por meio de técnicas como essas desde 2022. O Parque Nacional de Guaricana, na Serra do Mar paranaense, já recebeu mais de 14 mil mudas de 22 espécies nativas e conta com a atuação da comunidade indígena Tupã Nhe´é Kretã por meio da Associação Indígena Guakaxe. O projeto foi coordenado pelo Lactec em parceria com o Fundo Brasileiro para Diversidade (Funbio) e tem apoio do NGI Curitiba ICMBio, Funai, IAT, Copel e Sociedade Chauá. No Brasil, esses indicadores já são utilizados para avaliar biomas como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, fortemente atingidos pelas queimadas.

Biomas mais afetados

O maior aumento das queimadas em território brasileiro se deu no Cerrado, com 4.267 focos de fogo em setembro, o que corresponde a 50,1% do total registrado no país. Os dados são do Monitor do Fogo do MapBiomas Brasil. Entre janeiro e agosto de 2024, o bioma já teve 4 milhões de hectares atingidos por queimadas, sendo 79% (ou 3,2 milhões de hectares) em áreas de vegetação nativa. O número representa um aumento de 85% em relação ao mesmo período de 2023, quando 2,2 milhões de hectares foram atingidos.

Outro bioma fortemente afetado pelo fogo é o Pantanal. De janeiro até setembro, 338.675 hectares já foram queimados, uma área duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os dados são do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec). A região devastada aumentou 19 vezes em 2024, quando comparada com o mesmo período do ano passado, quando foram afetados 17.050 hectares.

Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia registrou o pior mês da história em áreas afetadas pelo fogo. Em agosto, o bioma registrou mais de 61 mil focos de incêndio, com 3.505.300 hectares consumidos pelas chamas, de acordo com dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da UFRJ. Essa é a maior área queimada da região desde 2012, quando iniciou o mapeamento do bioma.

Sobre o Lactec | O Lactec é um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. Atua fortemente nos mercados de Energia, saneamento, meio ambiente, indústria e infraestrutura em todo o ciclo de inovação, desde P&D, ensaios e análises até a execução de processos complexos para o setor de infraestrutura. Há 65 anos, suas soluções e serviços atendem às demandas atuais dos diversos setores produtivos da economia brasileira, como empresas, indústrias e concessionárias de energia. Ao longo da sua história, consolidou-se com a conclusão de mais de 500 projetos. Possui mais de 300 profissionais, entre mestres e doutores, com sólida experiência de mercado. Sua sede administrativa fica em Curitiba, onde estão instaladas outras quatro unidades tecnológicas com ampla infraestrutura de laboratórios para atendimento a diversos segmentos industriais, além da unidade localizada em Salvador-BA. O Lactec é Unidade Embrapii de Eletrônica embarcada e em 2023 tornou-se Future Grid, o Centro de Competência em Plataformas de Hardware Inteligentes e Conectadas da Embrapii. Saiba mais em lactec.com.br.

(Fonte: Com Paula Melech/PG1 Comunicação)