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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Exposição artística que explora magia das aventuras de ‘Alice no País das Maravilhas’ inicia venda de ingressos

São Paulo, por Kleber Patricio

Criação de Sala Gato de Cheshire. Foto: Caroline Murta.

De 31 outubro a 2 de fevereiro, o Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo, vai levar o público a viver a mesma experiência de Alice, a protagonista do clássico de Lewis Carroll. Será o primeiro capítulo da mostra interativa Trilogia das Aventuras, que vai explorar por meio de cenários imersivos, imagens e sons o fantástico mundo de três personagens fascinantes da cultura universal: Alice, Peter Pan e Pinóquio.

Trilogia das Aventuras: Alice

Trata-se de uma exposição que transforma o clássico de Carroll numa viagem extraordinária pelo imaginário criativo do autor britânico. Por meio de uma profusão de imagens, sons e cenários envolventes e participativos, os visitantes vão acompanhar Alice numa viagem emocionante ao lado de personagens divertidos, como um coelho apressado, uma lagarta filósofa, um chapeleiro maluco, uma rainha de copas sem coração e um gato sorridente.

Fac-simile do livro.

No espaço de 800 metros quadrados, mais de uma centena de objetos, como obras de arte, ilustrações, filmes, animações, dispositivos ópticos e instalações, combinam novas tecnologias e um rico acervo histórico e artístico – tudo para colocar o público dentro da narrativa vivendo cada detalhe como se fizesse parte da história. Cenários produzidos com design imersivo e efeitos especiais criam ambientes que buscam romper a barreira entre realidade e fantasia – tal qual a experiência que levou Alice a questionar sua compreensão do mundo e a duvidar de tudo o que parecia ‘real’.

Entre a razão e o coração

A exposição é dividida em duas grandes áreas: superfície diz respeito às questões do conhecimento; subterrâneo se refere ao mundo irracional que Alice descobre ao mergulhar na toca do coelho. Esse percurso se multiplica em nove ambientes – Criador e Criatura, Biblioteca, Gabinete de Curiosidades, Vaudeville, Toca do Coelho, Conselho de uma Lagarta, Gato de Cheshire, Um Chá Maluco, O Campo de Croqué da Rainha e Alice Através do Espelho. Cada um deles oferece, além de espaços instagramáveis, uma experiência expandida que dialoga permanentemente com a razão e o coração. Os visitantes são estimulados, por exemplo, a entrar na Toca do Coelho, presenciar o famoso diálogo entre Alice e o Gato de Cheshire e até participar do chá do Chapeleiro Maluco.

Salvador Dalí e Yayoi Kusama

Entre os destaques da curadoria figuram ilustrações e obras de artistas consagrados, como o espanhol Salvador Dalí, as norte-americanas Blanche McManus e Maggie Taylor, a japonesa Yayoi Kusama e os brasileiros Adriana Peliano, Caroline Murta e Vladimir Barros. Dezenas de filmes, animações, fotos, cartazes e até quadrinhos produzidos ao longo de mais de um século mostram como o enredo e a personagem saltaram das páginas do livro para o cinema, a televisão, o teatro e até mesmo a inteligência artificial. Sem dúvida, Alice no País dos Maravilhas é uma das obras literárias mais ilustradas de todos os tempos nos mais variados suportes e mídias – só no cinema foram pelo menos 50 adaptações.

Lyra Al.CE – Foto: Adriana Peliano/Gabinete de Curiosidades.

Trilogia das Aventuras: Alice é uma realização do coletivo Bordas, responsável por exposições artísticas imersivas de sucesso, como A Beleza Sombria dos Monstros: A Arte de Tim Burton e de parcerias com instituições como Centro Cultural Banco do Brasil, Oca SP e Caixa Cultural SP. A curadoria é de Rodrigo Gontijo, artista, pesquisador e doutor em Multimeios pela Unicamp e professor na Universidade Estadual de Maringá. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas é um clássico que permanece atual e que inspira milhares de artistas ao redor do mundo a ilustrá-lo. Entre pela Toca do Coelho e venha conhecer o mundo que Alice evoca para além da garotinha loira de vestido azul que a Disney retratou. Uma jornada para pais e filhos no campo do conhecimento, informação, experiências e descobertas”, afirma Rodrigo Gontijo.

Serviço:

Trilogia das Aventuras: Alice      

De 31/10/2024 a 2/2/2025 | terça-feira a domingo das 10h às 21h – consulte os horários disponíveis para visitação (horário de última entrada Ticket 20h)

Shopping Metrô Tucuruvi – Piso L1 – R. Paulo de Faria, 133 – Tucuruvi, São Paulo – SP

Duração: 60 minutos, aproximadamente

Idade: Livre

Acessibilidade: local acessível para cadeirantes; conteúdos acessíveis para PCD com necessidades especiais de visão, audição e/ou espectros, síndromes ou doenças que gerem limitações

Preço: ingressos a partir de R$25 (limitados e sujeitos a disponibilidade)

Gratuidade: Crianças até 5 anos e 11 meses

Taxa de conveniência: não há

Bolsas e mochilas: permitida a entrada de bolsas e mochilas de mão e costa

Animais: não é permitida a entrada.

(Fonte: Com Cris Landi Imprensa)

Centro Teatral e Etc e Tal comemora 30 anos com temporada popular no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Alvaro Assad e Márcio Moura em ‘Esperando Beltrano’. Foto: Levi Leonardo.

Os 30 anos de sucesso de uma companhia de teatro podem ser projetados pela qualidade do texto e encenação, a grandeza de repertório, pelos prêmios recebidos e, claro, pelo público fiel que a acompanha. O Etc e Tal soma a tudo isso também a arte gestual e mais de três milhões de espectadores pelas mais de 160 cidades por onde levou o seu trabalho, colocando na conta países como Argentina, Paraguai, Alemanha, Dinamarca, França, Portugal. E para celebrar esta longevidade artística, Marcio Moura e Álvaro Assad (mímicos, atores, diretores) voltam ao Rio de Janeiro, cidade onde tudo começou, com o projeto de 30 anos, sob as vertentes que consagraram a Cia: espetáculos com a marcante arte da mímica acompanhada da pantomima literária e do humor. ‘Esperando Beltrano’ (último espetáculo adulto) e ‘Victor James – o menino que virou robô de videogame’ (infantil) aterrissam no Teatro Glauce Rocha (Centro) para apresentações especiais de até 20 de outubro. Haverá programação com sessões acessíveis e intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais). O projeto é contemplado pelo Prêmio Funarte Aberta 2024.

Depois de receber o Prêmio do Humor Fábio Porchat em 2023, onde o destaque foi a montagem Esperando Beltrano, indicada em todas as categorias, além do prêmio especial pelos 30 anos, a Cia vem comemorando na estrada esta trajetória com apresentações pelo Brasil e agora no Rio de Janeiro. “É uma comemoração tripla. Dupla temporada de espetáculos adulto e infantil e, claro, o encontro com o público carioca. Viajamos muito e estar no Rio de Janeiro, cidade sede da companhia fundada em 1993, é gratificante. Atravessamos três décadas de trajetória laureada de prêmios nacionais e internacionais e 10 espetáculos em repertório ativo”, comenta Álvaro Assad. “O humor das cenas mesclando as palavras e o vigor das cenas físicas são características do Etc e Tal e de ambos os espetáculos e, claro, os temas são mais que significantes para o atual momento”, explica Márcio Moura. Do espetáculo adulto, que permeia comicidade com cenas que mergulham no olhar sobre o tempo e a ancestralidade dos atores, ao espetáculo infantil, que aborda a crescente relação da tecnologia com presente no cotidiano de todos nós (da infância a qualquer idade), a plateia conhecerá a técnica que se tornou marca registrada do Etc e Tal: a narração simultânea a ação em mímica que denominam de ‘Pantomima Literária’.

Esperando Beltrano – espetáculo adulto

Foto: Levi Leonardo.

Vencedor em 2023 do Prêmio Especial pelos 30 Anos de Humor com Teatro Gestual pelo Prêmio do Humor Fábio Porchat e indicado a todas as categorias (Melhor Performance Alvaro Assad, Melhor Performance Marcio Moura, Melhor Texto, Melhor Direção, Melhor Espetáculo e Prêmio Especial). Escrito pelos atores e mímicos Alvaro Assad e Marcio Moura, o espetáculo coloca o fator ‘tempo’ como norte, revisita de forma ácida o universo do teatro contemporâneo com doses de histrionismo e virtuosismo físico e gestual e apresenta a comicidade na busca das diversas e inusitadas linguagens, da narração histriônica ao silêncio do gesto.

Os personagens atravessam o tempo rasgando literalmente a metalinguagem teatral, cena, figurinos, adereços, luz, música e cenário. O que acontece se atores envelhecem 200 anos? Há quanto tempo o tempo dura? Histórias sobre o tempo e as relações entremeadas dos personagens (artistas) com o tempo fazem parte do enredo – com ambos envelhecendo no palco, ao vivo, ao adotarem o visagismo de Cleber de Oliveira como uma das cenas mais centrais do espetáculo. Caracterizados, resgatam a ancestralidade traçada nas histórias paralelas das memórias e relatos de suas bisavós.

Atores que se encontram em escombros de um tablado de teatro e com ele configuram a troca cênica do surreal. O que fazer, falar e para onde ir? E falar, é necessário? Completando 30 anos em 2023, estas perguntas sugerem como a Companhia trata hoje a questão do tempo, questões que seguram o espetáculo e são trazidas à tona pela pantomima – que é lugar de pesquisa milenar no teatro gestual e marca registrada dos espetáculos do grupo.

Quem é Beltrano que Alvaro Assad e Marcio Moura esperam? Ou o que é? A resposta é uníssona: o absurdo da mímica dialoga com o teatro do absurdo desde sempre.

Esperando Beltrano resume em cinco atos a esfera trabalhada pela companhia ao longo do tempo:

Prólogo (Prólogo é um termo originalmente usado na tragédia grega para a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça. Tornou-se também sinônimo de prefácio, preâmbulo, proémio, prelúdio e prormônio. Tornou-se prática comum nas peças dos séculos XVII e XVIII, geralmente em verso);

Pantomima Literária – a técnica e característica cômica que carimbou o grupo como linguagem cênica nas últimas 3 (três) décadas, com narração simultânea a ação em mímica;

Teatro Narrativo ou Teatro Documentário – com histórias verdadeiras e colocadas no tablado de forma crua e direta;

Pantomima Clássica – histórias clássicas sem palavras, recriada com o humor do grupo e sua virtuose física e

Pantomima com Biombo – cenas pantomímicas em que o público assiste somente parte do corpo dos atores, dando a eles o poder de imaginar aquilo que não está visível. Seja o chão ou sua ausência.

FICHA TÉCNICA

Concepção Cênica e Texto Original: Alvaro Assad e Marcio Moura

Atuação: Alvaro Assad e Marcio Moura

Direção e Preparação Mímica: Alvaro Assad

Música Original: Rodrigo Lima

Figurinos: Fernanda Sabino

Visagismo (maquiagem, cabelos e próteses): Cleber de Oliveira

Desenho de Luz: Aurélio Oliosi

Programação Visual: Hannah23

Adereços: Arise Assad

Prótese dentária: Marcia Laura Fonseca

Montagem e Contra Regragem: Levi Leonardo

Produção Executiva: Lu Altman

Fotografias: Levi Leonardo e Celso Pacheco

Comunicação: Alexandre Aquino e Cláudia Tisato

Agradecimentos ‘sem palavras’ e pelas palavras em ordem: Rodrigo Lima, Claudio Carneiro, Flávia Reis, Cleber de Oliveira, Lúcia Cerrone, Júlio Adrião, Rosiris Garrido e Alê Casali

Duração: 70 min

Classificação etária: 12 anos

Gênero: Humor Lírico e Ácido.

Victor James – O menino que virou robô de videogame

Foto: Mariana Rocha.

Espetáculo infantil adaptado do livro-poema de Paulinho Tapajós Victor James o menino que virou robô de vídeo game, a peça aborda, de forma cada vez mais atual, a temática dos limites da tecnologia e a relação das crianças com o mundo virtual apresentando Victor, um menino que passa seus dias em frente à tela jogando sem limites.

O espetáculo é um verdadeiro jogo teatral com narração, mímica e desenhos projetados, seja na trilha sonora composta em harmonia com a movimentação dos atores, seja nos figurinos ilustrados em seus corpos, seja nos objetos em cena e na iluminação que se desenha no palco. O efeito ilusório da mímica chega ao imaginário do público através de diferentes personagens e formas geométricas que se constroem no espaço.

A comicidade característica do grupo é focada na relação entre o personagem e o narrador que conduz a história, fazendo o pequeno espectador acompanhar os passos de Victor James em sua incursão pelos jogos, quando este se transforma em um de seus personagens virtuais no dia de seu aniversário.

História baseada em um garoto que passa seus dias em frente a um jogo de videogame. Negando café, almoço, jantar, hora de banho e de estudar. Sonhando com as sensações de ter aqueles poderes (mal sabia ele…). Até que finalmente Victor se transforma em um dos seus bonecos/robôs, indo viver experiências nada agradáveis dentro da prisão que é uma tela de computador. Sentindo na própria pele o que seus bonecos virtuais sentem, ele começa finalmente a descobrir limites.

FICHA TÉCNICA

Criação e Produção | Centro Teatral e Etc e Tal

Atuação | Alvaro Assad e Marcio Moura

Direção e Preparação Mímica | Alvaro Assad

Figurinos | Fernanda Sabino

Desenho de Luz | Aurélio Oliosi

Música Original | Joaquim de Paula

Visagismo | Cleber de Oliveira

Fotografias | Mariana Rocha

Ambientação Cênica | Etc e Tal

Montagem Cênica | Levi Leonardo

Comunicação | Alexandre Aquino e Cláudia Tisato

Texto Adaptado por Alvaro Assad do livro de Paulo Tapajós

Classificação | Livre

Duração | 45 minutos.

Sobre Etc e Tal (https://linktr.ee/cia_etcetal)

Companhia carioca de repertório fundada em 1993, desenvolve pesquisa artística calcada na tríade Teatro-Mímica-Humor. Compõem o repertório permanente os espetáculos: Fulano e Sicrano (adulto), Victor James (infantil), Onipotência do Sonho, O Macaco e a Boneca de Piche (infantil), No buraco (adulto), ¿Branca de Neve? (Infanto-juvenil), Draguinho – Diferente de todos parecido com ninguém (infantil), O Maior Menor Espetáculo da Terra (infantil), João o alfaiate – um herói inusitado (Infantil) e o mais recente Esperando Beltrano (adulto).

Além de oficinas, palestras e produções, participou de turnês e mostras de teatro internacionais (Alemanha, Dinamarca, França, Portugal, Argentina e Paraguai) e nacionais. Anualmente o grupo realiza temporadas e digressões pelas mais diferentes cidades do Brasil e tem representado o país em diversos Encontros e Festivais de Teatro Mímica, Novo Circo e Comicidade na América Latina e Europa. “O Etc e Tal foi fundado em 1993 e tem um repertório de 10 espetáculos que são revisitados em cena com esse panorama de espetáculos para todos os públicos. Um encontro com a plateia carioca que tanto esperávamos para comemorar, refletir e gargalhar”, diz Assad, responsável pela direção e a preparação mímica.

Os espetáculos apresentam a comicidade na busca das diversas e inusitadas linguagens do Etc e Tal. Do teatro do absurdo às histórias narradas, da comicidade sem palavra ao inusitado do bufão, do lirismo à reflexão (leia-se as raízes de cada um dos atores/personagens). “Independentemente de quem ou que, o convite é a experiência para onde vamos no teatro e sua experiência ao vivo e efêmera”, define Assad.

Serviço:

Victor James – O menino que virou robô de videogame

Temporada: 28 de setembro a 20 de outubro de 2024 | aábados e domingos às 16h

Espetáculo infantil – Classificação: Livre

Local: Teatro Glauce Rocha – Av. Rio Branco, 179 (em frente metrô Carioca)

Ingresso: R$30 / R$15 meia (na bilheteria e pelo Sympla)

Telefone: (21) 2220-0259

Capacidade: 204 lugares.

Serviço:

Esperando Beltrano

Temporada: 28 de setembro a 20 de outubro de 2024 | sex/sab às 19h e domingo, às 18h

Espetáculo adulto – Classificação 12 anos

Local: Teatro Glauce Rocha – Av. Rio Branco, 179 (em frente metrô Carioca)

Ingressos: R$40 inteira / R$20 meia (na bilheteria e pelo Sympla)

Telefone: (21) 2220-0259

Capacidade: 204 lugares.

(Fonte: Com Alexandre Aquino Assessoria de Imprensa)

Coletivo Legítima Defesa explora as poéticas de Abdias Nascimento e Augusto Boal na peça Exílio: notas de um mal-estar que não passa

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Camila Rios.

Partindo da ideia de que negritude é construir outros futuros, o Coletivo Legítima Defesa estreia o espetáculo Exílio: notas de um mal-estar que não passa’. A temporada acontece entre 18 de outubro e 10 de novembro, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 18h, no Sesc 14 Bis. No dia 27 de outubro não haverá apresentação e, em 8 de novembro, haverá uma sessão às 15h e outra às 20h.
O trabalho é definido pelo grupo como uma ‘transcriação da poética’ do período de exílio vivido por Abdias Nascimento (1914–2011) e a sua relação com Augusto Boal (1931–2009). Por isso, para a construção dramatúrgica, Eugênio Lima e Claudia Schapira se inspiraram livremente nas peças escritas pelos dois autores, além de utilizarem vários materiais de pesquisa do acervo do TEN – Teatro Experimental do Negro.

“A peça é fundamentada na ideia de que existe uma relação entre o Abdias Nascimento e o Augusto Boal que não foi contada. Nosso principal argumento é que o início do Teatro Experimental do Negro se funde com o começo da carreira dramatúrgica do Boal, já que o primeiro texto que ele escreveu foi para o TEN”, comenta Lima, que também assina a direção de Exílio.

Foto: Pérola Dutra.

Segundo as pesquisas do grupo, a dupla defendia que a hybris trágica negra estava no candomblé e, por isso, Boal escreveu quatro textos para o TEN cujo cenário era o terreiro: O Logro (1953), O Cavalo e o Santo (1954), Filha Moça (1956) e Laio se Matou (1958). “Eles lutavam contra um pensamento comum nas primeiras décadas do século 20 de que as atrizes e atores negros só podiam fazer comédias, pois não tinham profundidade para fazer papeis trágicos ou dramáticos”, acrescenta.

Por esse motivo, Abdias também se interessa pela obra do dramaturgo estadunidense Eugene O’Neill (1888–1953). “Com esses autores, seu objeto de investigação é a crença de que a grande tragédia do negro no Brasil é o processo de embranquecimento, porque ou ele deixa de ser negro e morre ou permanece negro e é morto. Assim, as peças encenadas por ele não têm praticamente nenhuma redenção e, apesar da centralidade das personagens negras, elas partem do princípio de que o negro é um ser trágico”, afirma o diretor.

Sobre a encenação

Na narrativa de Exílio: notas de um mal-estar que não passa, um grupo de atores e atrizes investiga todas essas relações enquanto tenta montar trechos de várias dessas peças. O que os bloqueia é um sentimento de impossibilidade, pois o elenco não quer vivenciar essas tragédias. “Nosso espetáculo, então, constitui-se como um sample de textos em que tudo é documento”, define Eugênio.

Foto: Pérola Dutra.

A montagem é composta de samples dramatúrgicos que abordam o Protagonismo Negro, centrada no texto O Imperador Jones (Eugene O’Neill); O Drama focado em Todos os Filhos de Deus Têm Asas (Eugene O’Neill); A Tragédia inspirada em O Logro (Augusto Boal); O Sacrifício, baseado e em Sortilégio – Mistério Negro (Abdias Nascimento) e O Exílio composto samples da peça Murro em Ponta de faca (Augusto Boal).

“Para Abdias, que passou 13 anos exilado nos Estados Unidos e na Nigéria, todo negro fora da África é um autoexilado, já que não tem mais nenhuma possibilidade de retorno ao seu real local de origem e sofre racismo no seu país natal. Dessa forma, o conceito de autoexílio permeia todo o espetáculo”, explica Eugênio Lima.

A estreia do Coletivo Legítima Defesa faz uso de metalinguagem, ou seja, a equipe técnica está em cena devidamente iluminada. Ao mesmo tempo, Eugênio age como se estivesse dirigindo um ensaio.

Foto: Pérola Dutra.

No palco existe um grande ‘tapete da memória’, criado pela projeção,  por onde transitam seis performers negres: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e Thaís Peixoto (atriz convidada). Ainda há a participação da atriz Luaa Gabanini (em vídeo). Por convenção, o grupo estabeleceu que quem não estiver no ‘tapete’ está fora de cena, entretanto, como eles nunca abandonam o espaço, os espectadores sempre os veem.

Ainda compõem o cenário uma série de projeções de documentos históricos, como cartas, filmes, fotos e materiais pesquisados no Ipeafro – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros e Instituto Boal. Bianca Turner assina a videografia e o desenho de Luz é de Matheus Brant.

Do ponto de vista sonoro, Exílio: notas de um mal-estar que não passa utiliza diversos recursos. Existem depoimentos de Léa Garcia (1933–2023), Ruth de Souza (1921–2019) e do próprio Abdias do Nascimento e trechos de obras de autores como Frantz Fanon.

Foto: Pérola Dutra.

Já a parte musical explora diversos ritmos. “Selecionamos muito Hip Hop dos anos 1980 e 1990, mas também canções de Philip Glass, Racionais MC’s, tambores de candomblé, Billie Holiday e Marvin Gaye”, comenta Lima, que assina a direção musical, música e desenho de som.

A ação acontece em um local indefinido, em diversos países, mas perpassa as décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. O figurino de Claudia Schapira, sem traçar uma linha cronológica linear, contorna e situa as personagens trazidas à cena pelos atores e atrizes, utilizando de determinadas peças chaves da indumentária que pautaram décadas. Os atores e atrizes, por sua vez, aparentam estar sempre com ‘roupa de ensaio’. Em termos de cores, a ideia é trabalhar a paleta P&B a partir de um conceito do diretor. “Quisemos voltar para o preto e branco, como na nossa primeira peça, que somado ainda a elementos históricos bem concretos, nos colocam também em cena como documentos”, acrescenta Eugênio.

Sinopse | Exílio: notas de um mal-estar que não passa é uma ‘transcriação da poética’ do período de exílio vivido por Abdias Nascimento e a sua relação com Augusto Boal, criada a partir de uma livre inspiração nos textos de Abdias Nascimento, nas peças escritas por Augusto Boal e diversos materiais de pesquisa do acervo do TEN – Teatro Experimental do Negro.

Foto: Pérola Dutra.

Seis performers negres estão sempre em cena e existe um tapete no chão, o grande tapete da memória. “Por convenção, quando os atores/atrizes estão fora do tapete, estão fora de cena. Porém, não devem sair nunca: devem ser vistos sempre pelos espectadores. A ação passa-se em muitos países, em muitas épocas, em muitas circunstâncias. Quando um ator/atriz representa outro personagem, que não o seu, ele deve fazê-lo tranquilamente, sem muitas explicações”. Citação de Augusto Boal em Murro em Ponta de Faca.

FICHA TÉCNICA

Direção, direção musical, música e desenho de som: Eugênio Lima
Dramaturgia: Eugênio Lima e Claudia Schapira
Intervenção dramatúrgica: Coletivo Legítima Defesa
Com samplers dramatúrgicos de: Frantz Fanon, Racionais MC’s, Augusto Boal, Abdias Nascimento, Maurinete Lima, Eugene O’Neill, Nelson Rodrigues, Agnaldo Camargo, Ruth de Souza, Léa Garcia, Túlio Custódio, Guilherme Diniz, Gianfrancesco Guarnieri, Molefi Kete Asante e Iná Camargo Costa
Elenco do Legítima Defesa: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e  Eugênio Lima
Atrizes convidadas: Thaís Peixoto e Luaa Gabanini (em vídeo)
Produção: Iramaia Gongora Umbabarauma Produções Artísticas
Videografia: Bianca Turner
Iluminação: Matheus Brant
Figurino: Claudia Schapira
Direção de gesto e coreografia: Luaa Gabanini
Assistência de direção: Fernando Lufer
Fotografia: Cristina Maranhão
Design: Sato do Brasil
Consultoria vocal: Roberta Estrela D´Alva
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e  Daniele Valério
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Vídeo: Matheus Brant
Engenharia de som: João Souza Neto e Clevinho Souza
Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa
Parceiros: Casa do Povo, Ipeafro, Instituto Boal, Editora 34 e Editora Perspectiva.

Serviço:
Exílio: notas de um mal-estar que não passa
Data: 18 de outubro a 10 de novembro, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 18h
Atenção: no dia 27 de outubro não haverá espetáculo e, no dia 8 de novembro, haverá uma sessão às 15h e outra às 20h
Local: Sesc 14 Bis – Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista – São Paulo
Ingresso: R$60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e 18 (credencial plena) | Ingressos disponíveis nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo, pelo aplicativo Credencial Sesc ou pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br
Tel: (11) 3016-7700
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos.

(Fonte: Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Orquestra Sinfônica da Unicamp apresenta concerto ‘Clássicos da Despedida’ dia 17 na FCM

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: Ton Torres/Ciddic.

No dia 17 de outubro de 2024, às 19h30, a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) realizará um concerto especial intitulado ‘Clássicos da Despedida’ no Auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM). Sob regência de Cinthia Alireti, maestrina da OSU, o evento promete uma noite emocionante, trazendo ao público algumas das obras mais icônicas da música clássica.

O repertório inclui a famosa Aria da Suite n.3 em ré maior de J. S. Bach, além da Aria da Suite Antiga de Alberto Nepomuceno, com edição de Guilherme Bernstein. O programa segue com a vibrante Sinfonia n. 1 Kv. 16 de W. A. Mozart, composta quando o prodígio tinha apenas 8 anos de idade, e culmina com a célebre Sinfonia n. 45 em fá menor de Joseph Haydn, popularmente conhecida como ‘Adeus’, que encerra o concerto com um emocionante final.

Esta apresentação é uma excelente oportunidade para os amantes da música clássica desfrutarem de um repertório cuidadosamente selecionado, em uma noite de despedidas e celebrações sonoras. A entrada é livre por ordem de chegada.

Serviço:

Concerto especial Clássicos da Despedida

17 de outubro de 2024, às 19h30

Auditório da FCM – R. Albert Sabin (Unicamp)

Entrada: gratuita.

(Fonte: Ciddic/Unicamp)