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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Galerias Marilia Razuk e Almeida & Dale apresentam esculturas de Amilcar de Castro no Programa Público de Art Basel Paris 2024

Paris, por Kleber Patricio

Obras de Almicar de Castro nos jardins do Domaine National du Palais-Royal, em Paris. Foto: Divulgação.

As galerias Marilia Razuk e Almeida & Dale se unem para apresentar esculturas do artista mineiro Amilcar de Castro (1920–2002) nos jardins do Domaine National du Palais-Royal, em Paris, como parte do Programa Público de Art Basel Paris 2024. As esculturas, da série ‘Corte e dobra’ (1980-1990), estarão expostas de 15 a 26 de outubro de 2024. A feira, em si, acontece entre 18 e 20 de outubro de 2024, no Grand Palais.

A estética de Amilcar de Castro revela uma busca constante pela essência das formas e pela interação orgânica entre o material e o espaço. Seu processo criativo parte do princípio da economia de meios, privilegiando a simplicidade estrutural e a clareza na composição. As esculturas de Castro exploram a tensão entre o peso e a leveza, o cheio e o vazio, o permanente e o efêmero. A ausência de soldas em suas obras enfatiza a integridade do material e a habilidade do artista de extrair a dinâmica espacial a partir de uma única peça de metal.

Amilcar de Castro trabalhou com a resistência e a maleabilidade do ferro, criando obras que, apesar da aparente simplicidade, revelam uma complexa interação com a luz, a sombra e o ambiente. Sua paleta material se estende para incluir o aço inoxidável e o cobre, explorando suas propriedades reflexivas e texturais. Os cortes e dobras em suas esculturas não são apenas métodos de construção, mas também gestos artísticos que conferem ritmo e movimento às peças estáticas.

Feiras

Em 2024, a Galeria Marilia Razuk já participou das feiras ArtRio – Setor Solo; Rotas Brasileiras, no Espaço ARCA, e da SP-Arte, no Pavilhão Bienal, ambas em São Paulo. A última do ano será em Art Basel Miami (4-8 de dezembro) – Setor Nova.

Em 2023, a Galeria Marilia Razuk participou de seis feiras, sendo três no exterior, dando sequência ao projeto de internacionalização dos seus artistas. Foram elas, Art Basel Miami Beach, no setor Survey, com obras do artista brasileiro José Leonilson (1957–1993); Artissima, em Torino, foi apresentado o solo project Liuba (1923–2005) no setor BackTo The Future, curado pelo italiano Francesco Manacorda e alemã Defne Ayas; ArtRio foi apresentada uma seleção de obras que mostra a diversidade poética dos artistas representados pela galeria; The Armory Show foi apresentado com obras de Zé Carlos Garcia em parceria com o Instituto de Visión, que apresentou obras de Abel Rodriguez, e, na ArPa, foi revelado projeto solo do artista José Bechara e também na SPArte.

Sobre a Galeria

A Galeria Marilia Razuk, inaugurada em 1992, tem o objetivo principal de divulgar, promover e difundir a produção contemporânea de artistas consagrados e emergentes. Dirigida por Marilia Razuk, a galeria busca uma diversidade criativa de qualidade apresentando um programa de aproximadamente dez exposições anuais, coletivas e individuais, de artistas brasileiros e internacionais, assim como mostras idealizadas por curadores convidados.

Com a participação frequente em feiras nacionais e internacionais como SP-Arte, Artissima, Art Basel, Art Basel Miami Beach, Frieze NY, Frieze London, ARCO e Zona Maco, a galeria promove um intercâmbio cultural que permite que seus artistas estejam continuamente divulgando o seu trabalho e, também, presentes em importantes coleções e mostras no Brasil e no exterior.

Serviço:

Galeria Marilia Razuk e Galeria Almeida & Dale

Esculturas de Amilcar de Castro (1920–2002)

Art Basel Paris (15 a 26 de outubro de 2024) – Programa Público

https://www.artbasel.com/

https://www.galeriamariliarazuk.com.br

www.instagram.com/galeriamariliarazuk/.

(Fonte: Com Erico Marmiroli/Marmiroli Comunicação)

Café da Chapada Diamantina (BA) é a mais nova Indicação Geográfica brasileira

Chapada Diamantina, por Kleber Patricio

Foto: JSB Co./Unsplash+.

O primeiro reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) por Denominação de Origem do estado da Bahia foi anunciado na terça-feira (15). O selo foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ao café produzido na região da Chapada Diamantina, que é composta por 24 municípios. De acordo com a instituição, fatores humanos e ambientais do local fazem a bebida ter um sabor e propriedades únicas – encorpada, adocicada, com acidez cítrica, notas de nozes e chocolate, além de final prolongado. A partir de agora, os produtores locais se juntam a outras 15 IGs do produto no país.

Atualmente, a Bahia possui cinco Indicações Geográficas, todas elas de Procedência (IP): Sul da Bahia (amêndoas de cacau), Região Oeste da Bahia (café), Microrregião Abaíra (cachaça), Vale Submédio São Francisco (uvas e mangas) e Vale do São Francisco (vinhos e espumantes). Com registro do café da Chapada Diamantina, já são 130 IGs reconhecidas no Brasil, sendo 91 de Indicação de Procedência e 39 por Denominação de Origem (29 nacionais e 10 estrangeiras).

“Assim como as IG já vêm fortalecendo a reputação e a abertura de novos mercados, essa Denominação de Origem será um marco para a região da Chapada Diamantina. Os produtores serão protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento local, com base nos diferenciais da bebida”, destaca a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, Hulda Giesbrecht. “Eles beberão da mesma fonte que já temos trilhado com outras 14 regiões que já estão consolidadas, inclusive algumas acessando o mercado internacional”, completou.

As Indicações Geográficas citadas pela Hulda se reuniram por meio do Instituto das Regiões Produtoras de Café do Brasil com Indicação Geográfica (IGs). A iniciativa é resultado do encontro dessas associações no projeto Digitalização das IGs de Café, plataforma que está sendo desenvolvida com o apoio do Sebrae, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Instituto CNA.

Especificações

Tadeane Pires Matos, presidente da Aliança de Cafeicultores da Chapada Diamantina. Foto: divulgação.

O estudo Café da Chapada Diamantina, Bahia: qualidade da bebida e relações com o meio ambiente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) foi a base para o reconhecimento da Indicação Geográfica. O texto aponta que o manejo pós-colheita e o saber-fazer local são as variáveis humanas relacionadas com a qualidade do café. Isto porque quase toda a colheita é realizada de forma manual. Além disso, a altitude, a temperatura e a orientação da encosta em que o cafezal se desenvolve são variáveis ambientais que imprimem um sabor diferenciado ao produto.

Por sua vez, em estudo conduzido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a análise química demonstrou maiores teores de ácidos orgânicos e clorogênicos e, principalmente, de lipídeos, nos cafés da Chapada Diamantina, demonstrando um perfil químico característico, que os distingue de amostras provenientes de outras regiões da Bahia e do Brasil.

Território privilegiado

Tadeane Pires Matos é agrônoma e trabalha na Fazenda que leva o nome de sua família, em Mucugê (BA). Ela também desempenha a função de presidente da Aliança de Cafeicultores da Chapada Diamantina. A produtora ressalta o potencial que a certificação pode proporcionar para a região. “Esse selo garante para o nosso café produzido aqui, nesse pedacinho do paraíso que é a Chapada Diamantina, um grande reconhecimento. Além de ser um lugar exuberante de natureza, a Chapada é exuberante também em produção agrícola e nós, pequenos agricultores, podemos dizer que produzimos um dos melhores cafés do mundo”, destacou.

Ela conta que o Sebrae vem atuando junto à associação há seis anos até que a Indicação Geográfica fosse concretizada. “Foi um trabalho de incentivo, de fomento junto com as prefeituras dos municípios produtores de café. Creio que se inicia agora um tempo de muitas coisas positivas, de muito progresso, de muita valorização do nosso produto”, comentou.

Plataforma Digitalização das IGs

Em breve, a ferramenta vai reunir as informações sobre os sabores e as características singulares dos cafés especiais com origem controlada: procedência, aroma, cultura, terroir, qualidade, região de produção, se o produtor tem preocupações sociais e ambientais, além de possibilitar a rastreabilidade dos produtos. A empresa Agtrace foi a empresa selecionada para desenvolver o sistema da plataforma de rastreabilidade das IGs de café.

Indicações Geográficas

As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.

O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível. Essa herança abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.

(Fonte: Com Marcia Lopes/Máquina Cohn & Wolfe)

Exposição ‘Brasis – Arte e Pensamento Negro’ lança luz sobre atividades dos agentes de limpeza que atuam no Centro Cultural Sesc Quintandinha

Petrópolis, por Kleber Patricio

Obra processual site specific da artista Charlene Bicalho lança luz as atividades dos agentes de limpeza que atuam no Centro Cultural Sesc Quintandinha, em Petrópolis (RJ), durante a exposição Brasis – Arte e Pensamento Negro. Fotos: Divulgação.

Uma equipe é a responsável pela limpeza de um icônico ponto turístico da cidade serrana de Petrópolis (RJ). Com fachada em estilo normando-francês, e o interior decorado com base em cenários da Hollywood antiga, o recém-inaugurado Centro Cultural Sesc Quitandinha ocupa as instalações de um edifício construído na década de 1940 para ser um hotel-cassino.

Cada detalhe do ‘palácio’ projetado por Luis Fossati e Alfredo Baeta Neves, foi pensado para impressionar os visitantes – entre eles Walt Disney e Carmen Miranda – e expressar luxo e suntuosidade. Somente a cúpula do Salão Azul, que possui 30 m de altura e 50 m de diâmetro, é a segunda maior do mundo, atrás apenas da cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Muitos lustres e um piso extremamente brilhante, em formato de losangos nas cores preto e branco, foram escolhidos pela famosa cenógrafa Dorothy Draper, que elegeu elementos exuberantes na decoração, como espelhos e muitas referências ao mar, animais e florestas brasileiras. “Cada detalhe deste, hoje, espaço cultural é cuidado e higienizado por funcionários terceirizados que atuam diariamente para garantir o bem-estar de quem trabalha e/ou visita o ponto turístico”, explica a artista mineira Charlene Bicalho, participante da exposição Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, que ocupa, até o dia 27 de outubro, o Sesc Quitandinha. A exposição é a mais abrangente mostra dedicada exclusivamente à produção de artistas negros já realizada no país e dá visibilidade (por intermédio da obra processual de Bicalho) à equipe, que ao realizar a limpeza do local, torna possível o funcionamento pleno da instituição.

“Em uma cidade que costuma ser lembrada por seu passado imperial e imigração europeia, poder ‘reposicionar’, mesmo que temporariamente, o papel de atuação destas pessoas dentro de um espaço turístico e cultural é de grande importância”, comenta a artista, que entrevistou todos os funcionários da limpeza para entender o tipo de relacionamento que estes mantêm com a programação cultural que eles apoiam e com a instituição em que atuam. “Os agentes de limpeza em instituições culturais estão por toda parte, principalmente os terceirizados. São eles os primeiros a chegar e os últimos a irem embora. São eles que possuem as chaves e têm todos os acessos de um equipamento como este, mas raras vezes são convidados para uma abertura de exposição, por exemplo, ou para um jantar que celebre o trabalho que realizam. Quando estão em uma situação de abertura ou comemoração, estão sempre trabalhando”, explica.

“É um sonho que a gente tem aqui dentro, todas as pessoas têm, de querer aparecer, de querer ter um lugarzinho a mais, uma visibilidade a mais”, comenta Guilherme Motta, de 18 anos, entrevistado por Charlene. “Minha prática site specific oscila entre a busca do material e o imaterial; o primeiro, geralmente encontro na estrutura de poder alicerçada na arquitetura e, o segundo, na água do hálito das ditas minorias brasileiras, nos saberes e movimentos subalternizados”, comenta Charlene, uniformizada com a mesma cor das vestimentas dos funcionários responsáveis pela limpeza no Centro Cultural Sesc Quitandinha enquanto realiza os diálogos.

“Eu penso hoje que esse trabalho tensiona um ponto fundamental numa cena institucional brasileira, nas discussões raciais. Sabemos que nós, pessoas negras, sempre ocupamos lugares, digamos, subalternizados numa instituição e exercendo profissões dignas, que por anos a fio nós exercemos, nossas famílias exerceram, nossos ancestrais também exerceram. O Brasil, ele é, obviamente, desigual em relação a esse assunto, que é o trabalho”, explica um dos curadores da mostra, Marcelo Campos.

“É importante ressaltar que estas pessoas estão aqui, ocupam este espaço e sem o trabalho que realizam, seria impossível manter este piso tão reluzente e o brilho da estrela do salão principal deste palácio não existiria”, completa Charlene, ressaltando que os funcionários terceirizados que cuidam de manutenção, como os da limpeza, não são um grupo minoritário no Brasil; ao contrário, são a maioria da população. “Aqui em Petrópolis temos homens e mulheres afrodescendentes. Profissionais, alguns jovens e outros mais velhos, que fazem parte deste cenário do mundo das artes em nosso país”, finaliza a artista, que também pode ser vista no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) até junho realizando uma vídeo-performance na exposição Amefricana, da premiada Rosana Paulino.

Durante a exposição Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, o trabalho comissionado de Charlene Bicalho ocupa todo o Sesc Quitandinha, como uma grande constelação.  São intervenções artísticas que vão desde 80 cavaletes de sinalização de ‘limpeza em andamento’ (com frases de autoria dos trabalhadores que os manejam impressas em sua estrutura), um tríptico de fotografias, vídeos que serão exibidos nos televisores responsáveis pela divulgação da programação e em instalações espalhadas por toda parte.

Segundo dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) a terceirização é motivo para aumento da precarização das condições de trabalho, ocasionando acidentes, desenvolvimento de doenças laborais, redução de salários e enfraquecimento sindical. Ainda segundo o relatório, em pesquisa do ano de 2013, setores tipicamente terceirizados remuneram com salários em média 24,7% menores que setores tipicamente contratantes e ainda apresentam uma carga horária média de trabalho 7,5% maior, com taxa de rotatividade igual ao dobro. O setor de limpeza e conservação é um dos mais vulneráveis à terceirização.

Serviço:

Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro

Centro Cultural Sesc Quitandinha

Até 27 de outubro

Endereço: Av. Joaquim Rolla, nº 2, Petrópolis – RJ
Horário de funcionamento: terça a domingo e feriados, das 10h às 17h

Para saber mais sobre Charlene Bicalho: https://www.premiopipa.com/charlene-bicalho/

Sobre a exposição | A centralidade do pensamento negro no campo das artes visuais brasileiras, em diferentes tempos e lugares. Essa é uma das principais premissas que norteiam o processo curatorial da mostra Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, a mais abrangente exposição dedicada exclusivamente à produção de artistas negros já realizada no país. A exposição apresentará ao público trabalhos em diversas linguagens artísticas como pintura, fotografia, escultura, instalações e videoinstalações produzidos entre o fim do século XVIII até o século XXI por 240 artistas pretos de todo o Brasil, trazendo ao público uma produção artística diversa e potente, porém, historicamente invisibilizada.

Sobre os curadores:

Igor Simões

É doutor em Artes Visuais-História, Teoria e Crítica da Arte-PPGAV-UFRGS e Professor Adjunto de História, Teoria e Crítica da arte e Metodologia e Prática do ensino da arte (UERGS). Foi Curador adjunto da Bienal 12 (Bienal do Mercosul – Curadoria do educativo). É membro do comitê de curadoria da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap), do Núcleo Educativo UERGS-MARGS e do comitê de acervo do Museu de Arte do RS-MARGS. Trabalha com as articulações entre exposição, montagem fílmica, histórias da arte e racialização na arte brasileira e visibilidade de sujeitos negros nas artes visuais. É autor da Tese Montagem Fílmica e exposição: Vozes Negras no Cubo Branco da Arte Brasileira e Membro do Flume – Grupo de Pesquisa em Educação e Artes Visuais. Tem mantido atividades na área de formação e debate sobre arte brasileira e racialização em instituições como MASP, Instituto Itaú Cultural, Instituto Moreira Salles e MAC/USP. Atualmente é curador do projeto Dos Brasis- Arte e Pensamento Negro do Sesc.

Lorraine Mendes

Lorraine Mendes é graduada em Artes e Design pela UFJF, mestra em História pela mesma instituição e atualmente é doutoranda em História e Crítica da Arte no PPGAV-UFRJ, onde desenvolve sua pesquisa sobre as representações do negro e da negritude na história da arte branco-brasileira e os projetos de Nação, realizando uma revisão do arquivo de imagens que formam a ideia de Brasil a partir da agência poética negra contemporânea. Inicia-se na docência no ano de 2017, tendo sido professora substituta do Departamento de Teoria e História da Arte da EBA-UFRJ entre 2019 e 2021. Tem realizado curadorias em feiras, galerias e instituições de arte nacionais e internacionais como desdobramentos de sua pesquisa.

Marcelo Campos

Marcelo Campos nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Professor Associado do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ. Curador Chefe do Museu de Arte do Rio. Foi diretor da Casa França-Brasil, entre 2016 e 2017. Foi professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Membro dos conselhos dos Museus Paço Imperial (RJ) e Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea (RJ). Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da Escola de Belas Artes/ UFRJ. Possui textos publicados sobre arte brasileira em periódicos, livros e catálogos nacionais e internacionais. Em 2016, lança Escultura Contemporânea no Brasil: reflexões em dez percursos. Salvador: Editora Caramurê, incluindo parte significativa da produção moderna e contemporânea brasileira, em um levantamento de mais de 90 artistas. Realiza curadoria de exposições, desde 2004, em diversas instituições no Brasil, com mais de cem curadorias até o momento, dentre as quais, destacam-se Sertão Contemporâneo, na Caixa Cultural, em 2008, Rio de Janeiro e Salvador; Efrain Almeida: Uma pausa em pleno vôo, no MAM/BA, em 2016 e Bispo do Rosário, um canto, dois sertões, no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, em 2015. Além da produção citada, as matrizes africanas e afro-brasileiras são pesquisadas em exposições, como, Orixás, Casa França Brasil, 2016; O Rio do Samba: resistência e reinvenção, Museu de Arte do Rio (MAR), 2018, Casa Carioca, MAR, 2020, Crônicas Cariocas, Museu de Arte do Rio (MAR), 2021 e Um defeito de Cor, MAR, 2022. Além das citadas, curou as exposições individuais de Aline Motta, Mulambö, Bqueer, Ayrson Heráclito no Museu de Arte do Rio (MAR). Em 2018, uma grande exposição atualizou o mapeamento da região Nordeste, incluindo pesquisa e trabalho de campo em todos os estados da região, junto com os curadores Clarissa Diniz e Bitú Cassundé, resultando numa mostra de grande porte no Sesc 24 de Maio, em São Paulo. Atualmente, coordena pesquisas sobre artistas afrodescendentes no Projeto de extensão, Arte e Afrobrasilidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

(Fonte: Com Larissa Gallep)

Cápsulas de papelão com sementes de árvores nativas podem auxiliar na restauração ecológica do Cerrado

Cerrado, por Kleber Patricio

Taxa de germinação do baru com a cápsula se aproximou de 100%, enquanto na semeadura direta foi de apenas 15%. Foto: Mauricio Mercadante/Flickr.

O uso de cápsulas biodegradáveis feitas a partir de papelão aumenta as chances de germinação das sementes de três espécies de árvores típicas do Cerrado: baru, angico-branco e tamboril. Esse resultado, publicado em artigo da revista Ciência Rural nesta sexta (18) por pesquisadores das universidades federais de Jataí (UFJ), em Goiás, e de Rondonópolis (UFR), no Mato Grosso, pode trazer avanços para programas de restauração de áreas degradadas.

As espécies têm importância cultural, alimentar e ecológica no Cerrado. O baru produz a oleaginosa conhecida como castanha de baru, rica em nutrientes, e o angico-branco e o tamboril têm partes utilizadas em preparos terapêuticos, como infusões.

Os experimentos foram conduzidos ao longo de quatro meses em uma estufa do Centro Universitário de Mineiros, em Goiânia, com o objetivo de verificar as diferenças entre o uso de cápsulas e a semeadura direta. Em cada amostra, a equipe depositou duas sementes de cada espécie. No caso do baru, por exemplo, a taxa de germinação com a cápsula se aproximou de 100%, enquanto na semeadura direta foi de apenas 15%. O mesmo ocorreu com o angico-branco, cuja taxa com a proteção foi de 42% em comparação aos 21% da semeadura direta, e com o tamboril, que registrou taxa de 12% versus 8%.

O artigo explica que a cápsula, desenvolvida a partir de papelão utilizado como embalagem de ovos, garante proteção das sementes no solo contra animais herbívoros. A cápsula também aumenta a retenção de umidade, garantindo conforto térmico às sementes. A semeadura direta só pode ser bem-sucedida quando diferentes fatores, como o uso de tecnologias e práticas agrícolas adequadas, melhoram a germinação das sementes, explica Karine Lopes, doutora em Geografia pela UFJ e uma das autoras do artigo. Segundo a autora, a tecnologia descrita pelo artigo é de baixo custo e sustentável, com potencial impactar significativamente os esforços para a restauração de áreas degradadas. “Essa inovação pode influenciar políticas públicas de conservação e contribuir para a produção de conhecimento científico”, conta Lopes.

A pesquisa também traz novidade ao integrar o uso de cápsulas biodegradáveis com a tecnologia de drones para monitoramento da recuperação ambiental, de acordo com Lopes. “Atualmente, não existe nenhum material equivalente disponível, o que coloca essa pesquisa na vanguarda das soluções sustentáveis para restauração ecológica”, aponta a pesquisadora.

Como próximos passos, os pesquisadores pretendem avaliar o crescimento e a sobrevivência das plantas recém-germinadas em campo, além de realizar uma análise detalhada dos custos financeiros envolvidos. Eles também pretendem implementar a metodologia em áreas de difícil acesso para monitorar o crescimento das plantas e avaliar a eficácia do processo em outras condições ambientais. De acordo com Lopes, isso será essencial para ajustar e aprimorar a aplicação da tecnologia em diferentes cenários.

(Fonte: Agência Bori)

Unicamp: estudo comprova eficácia de teste de DNA do HPV

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Médico e pesquisador Julio Teixeira ao lado de equipamento usado no teste: processo automatizado elimina etapas e variáveis. Fotos: Unicamp/Divulgação.

Um estudo pioneiro no Brasil está revolucionando a detecção precoce do câncer de colo do útero no sistema público de saúde de Indaiatuba, interior do Estado de São Paulo. Liderada por médicos do Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism) da Unicamp, a pesquisa usa um teste de DNA para a detecção do HPV aliado ao monitoramento ativo do público-alvo a fim de antecipar o diagnóstico da doença em dez anos. Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, e estão sendo utilizados como base para uma mudança nas políticas públicas do Ministério da Saúde voltadas à prevenção de câncer de colo do útero.

O projeto demonstrou que a substituição do tradicional exame de Papanicolaou pelo teste de DNA para detectar a presença do HPV não apenas é mais eficiente na identificação de lesões pré-cancerosas como também pode ser mais econômica para o sistema de saúde se implementada junto com um plano de monitoramento eficaz. No caso do teste de DNA, as mulheres fazem acompanhamento em ciclos de cinco anos e não mais de três. Outro ponto vantajoso do teste se deve, em grande parte, à sua precisão e reprodutibilidade. Enquanto o exame de Papanicolaou depende da interpretação humana em diferentes etapas, o teste de DNA do HPV é um processo automatizado, eliminando muitas das variáveis que podem levar a falsos negativos ou positivos.

Segundo um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador e médico do Caism Júlio Teixeira, com a mudança houve um aumento expressivo na detecção de lesões pré-cancerosas e um incremento de 60% na identificação de casos de câncer em estágios iniciais, quando comparado ao método de detecção tradicional. “Nós aumentamos em quatro vezes a detecção de lesões pré-câncer em relação aos cinco anos anteriores”, explica Teixeira. “Quando analisamos os casos de câncer detectados, dois terços eram microscópicos, em vez de avançados, como ocorria anteriormente.”

O pesquisador estima que, se o projeto desenvolvido em Indaiatuba for implementado em escala nacional, o novo método poderia evitar cerca de 350 mortes por mês no Brasil, das mais de 468 que ocorrem mensalmente devido ao câncer de colo do útero. O impacto potencial é significativo, de acordo com o médico. Além de evitar mortes, a detecção em estágio inicial das lesões precursoras e do câncer abre caminho para um tratamento mais simples, dispensando equipamentos ou infraestrutura sofisticados. Quando um câncer passa do estágio 1, deixa de ser operável e, na maioria das vezes, será tratado com radioterapia ou quimioterapia, procedimentos que exigem estrutura e equipamentos nem sempre disponíveis em todos os lugares do país. Ainda que os testes de DNA sejam mais custosos em comparação com o Papanicolau, a médio e longo prazo os governos gastariam menos. “Custa menos por ano de vida ganho”, afirma o pesquisador.

Política pública

O êxito do projeto em Indaiatuba não passou despercebido pelo Ministério da Saúde, que, desde 2022, vinha acompanhando os resultados preliminares do estudo. Em março de 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou o uso do teste de HPV no SUS. A previsão é que, dentro de poucos meses, o teste estará disponibilizado no sistema de atendimento médico.

Teixeira argumenta, no entanto, que não há necessidade de esperar por mais estudos ou implementações-piloto. “Por que você vai esperar mais alguns anos?”, questiona. “Pesa na consciência continuar fazendo o que estamos fazendo, em frente a todas essas evidências”. O pesquisador defende uma implementação gradual do novo método, começando pelos Estados e municípios já preparados para isso. São Paulo seria um exemplo de Estado com condições adequadas para essa transição. “Quando você coloca esses números para um governador, um prefeito, um secretário, ele vai ver isso, ele sabe como é o problema na cidade dele ou na região dele. Ele vai querer fazer isso”, argumenta o médico.

Um aspecto crucial para o êxito do projeto de Indaiatuba foi a implementação de um sistema informatizado a fim de gerenciar o programa de rastreamento. Esse sistema permite um controle eficiente da população-alvo, convocando e desconvocando pacientes conforme necessário. Teixeira ressalta que o aplicativo do SUS, criado durante a pandemia de Covid-19, poderia ser aproveitado em nível nacional. Há cerca de um ano, o Ministério da Saúde implementou um projeto em Recife (Pernambuco) com base no estudo realizado em Indaiatuba, buscando replicar e expandir o modelo para uma cidade mais populosa e com alto índice de mulheres com esse tipo de câncer.

Estudo-sentinela

Amostras no Caism: aumento da detecção de lesões pré-cancerosas.

O estudo em Indaiatuba não terminou com a publicação dos resultados de cinco anos. Na verdade, a pesquisa, que já completou sete anos e meio, continua. Teixeira explica que os resultados positivos transformaram o projeto em um ‘estudo-sentinela’, fornecendo informações valiosas sobre o que acontece nas rodadas subsequentes de testes. “Nesta segunda rodada, vamos repetir os testes nas mesmas mulheres que já os realizaram há cinco anos e, dessas que fizeram, retiramos aquelas que tinham a doença e que geraram exames e tratamentos”, explica o pesquisador.

As informações coletadas daqui por diante revelam-se importantes para o planejamento de longo prazo do programa, pois permitirá que os gestores de saúde responsáveis por implementar o método possam antecipar as mudanças nas demandas por diferentes tipos de serviços ao longo do tempo, otimizando a alocação de recursos. Embora não se consiga prever exatamente quando o câncer de colo do útero será erradicado do Brasil, Teixeira explica que podemos olhar para exemplos internacionais. A Austrália, que começou seu programa de vacinação contra o HPV em 2006 e que já utiliza o teste de DNA para o rastreamento do HPV, projeta que o câncer de colo do útero se transformará em uma doença rara antes de 2038.

Com a aprovação do uso do teste de DNA do HPV no SUS, o próximo passo é a publicação das novas diretrizes nacionais para o programa de rastreamento. Teixeira e outros pesquisadores da Unicamp continuam trabalhando e atuam como consultores nesse processo, garantindo que as lições aprendidas em Indaiatuba façam parte do programa nacional.

(Fonte: Unicamp/Secretaria Executiva de Comunicação)