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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Osesp toca dose dupla de Villa-Lobos na Sala São Paulo com regente Marcelo Lehninger e soprano Larisa Martínez

São Paulo, por Kleber Patricio

Edifício da Sala São Paulo. Foto: Tuca Vieira.

O ano de 2024 marca as celebrações dos 70 anos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp, além dos 30 anos de atividades do Coro da Osesp e dos 25 anos da Sala São Paulo – a casa da Osesp, dos Coros e de seus Programas Educacionais, inaugurada em 1999 no edifício onde antes funcionava a Estrada de Ferro Sorocabana.

Nesta semana, de quinta-feira (28/nov) a sábado (30/nov), a Osesp volta a se apresentar na Sala São Paulo com um querido amigo: o maestro brasileiro Marcelo Lehninger. A jovem soprano porto-riquenha Larisa Martínez será a solista convidada nestes concertos, cujo programa terá duas obras de Villa-Lobos (o Choros nº 6 e uma seleção da suíte Floresta do Amazonas) e a Quarta Sinfonia de Tchaikovsky. Vale lembrar que a performance de sexta-feira (29/nov), com início às 20h30, será transmitida ao vivo no canal oficial da Orquestra no YouTube, como parte dos Concertos Digitais.

Sobre o programa

Osesp na Sala São Paulo. Foto: Mario Daloia.

O musicólogo Eero Tarasti chamou a atenção para o caráter ‘pastoral’ do sexto Choro de Heitor Villa-Lobos (1887–1959), uma possível referência à Sexta Sinfonia de Beethoven, que também buscava expressar liricamente a grandiosidade sublime da natureza. A aproximação é interessante, mas os primeiros compassos da obra já demonstram a distância entre a natureza representada pelo Romantismo europeu e aquela imaginada pelo Modernismo brasileiro. Em páginas de exótica criatividade, que fascinaram o público parisiense, é a Sagração da primavera, de Stravinsky, que ecoa na atmosfera misteriosa criada pelo diálogo impressionista entre a flauta, o saxofone, as cordas e a percussão. O ritmo se torna cada vez mais insistente, abrindo espaço para a orquestra desfilar uma série de temas inspirados na música popular brasileira, de danças nordestinas a modinhas cariocas. Esse caleidoscópio musical é colorido por uma orquestração exuberante que utiliza diversos instrumentos de percussão: tímpanos, tam-tam, xilofone, sinos, pratos, bumbo, tartaruga, camisão-grande, cuíca, reco-reco, tambu, tambi, pandeiro, roncador, chocalhos e tamborim de samba.

Uma das mais controvertidas composições da fase final de produção de Villa-Lobos é a trilha sonora para o filme Green Mansions, aventura sentimental dirigida por Mel Ferrer e estrelada, em uma Amazônia exótica, por Audrey Hepburn e Anthony Perkins. Irritado com o fracasso do filme e com as adaptações musicais feitas pelo estúdio de Hollywood, Villa-Lobos transformaria a obra em uma longa suíte sinfônica, intitulada Floresta do Amazonas. Renegociando o contrato inicial, obteve a verba necessária para a gravação da peça, tendo como solista a famosa soprano brasileira Bidu Sayão, radicada nos Estados Unidos e estrela do Metropolitan de Nova York. A seleção apresentada pela Osesp reúne oito dos 23 episódios dessa obra monumental louvada por alguns como suma de toda a produção nacionalista do compositor, mas desprezada por outros como um amontoado oportunista de peças desiguais.

Marcelo Lehninger. Foto: Andy Terzes.

A Quarta Sinfonia de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840–1893), finalizada em 1878, é um bom exemplo das contradições estéticas e existenciais deste compositor russo. Seu longo primeiro movimento segue um ‘programa’ pessoal e filosófico, descrito em detalhes por Tchaikovsky na estreia em São Petersburgo e logo depois abandonado. A solene fanfarra inicial representaria ‘o destino’, lembrando os motivos iniciais da Quinta Sinfonia de Beethoven. Surgindo lentamente como um inesperado contraste, uma valsa caracteriza, em seguida, os dois temas principais, mencionados no programa como ‘devaneios fugazes’ e ‘vislumbres da felicidade’. A alternância entre realidade e fantasia organiza todo o movimento, com o retorno constante e variado do motivo do destino, interrompendo o livre desenvolvimento dos temas felizes: “na vida, não existe porto seguro”, lamenta Tchaikovsky.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp
Desde seu primeiro concerto, em 1954, a Osesp tornou-se parte indissociável da cultura paulista e brasileira, promovendo transformações culturais e sociais profundas. A cada ano, a Osesp realiza em média 130 concertos para cerca de 150 mil pessoas. Thierry Fischer tornou-se diretor musical e regente titular em 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, por Marin Alsop. Seus antecessores foram Yan Pascal Tortelier, John Neschling, Eleazar de Carvalho, Bruno Roccella e Souza Lima. Além da Orquestra, há um coro profissional, grupos de câmara, uma editora de partituras e uma vibrante plataforma educacional. Possui quase 100 álbuns gravados (cerca de metade deles por seu próprio selo, com distribuição gratuita) e transmite ao vivo mais de 60 concertos por ano, além de conteúdos especiais sobre a música de concerto. A Osesp já realizou turnês em diversos estados do Brasil e também pela América Latina, Estados Unidos, Europa e China, apresentando-se em alguns dos mais importantes festivais da música clássica, como o BBC Proms, e em salas de concerto como o Concertgebouw de Amsterdam, a Philharmonie de Berlim e o Carnegie Hall. Mantém, desde 2008, o projeto Osesp Itinerante, promovendo concertos, oficinas e cursos de apreciação musical pelo interior do estado de São Paulo. É administrada pela Fundação Osesp desde 2005.

Marcelo Lehninger regente
Diretor Musical da Grand Rapids Symphony (EUA), foi recentemente nomeado Diretor Artístico do Festival de Música de Bellingham. Como Diretor Musical da New West Symphony, em Los Angeles, recebeu o prêmio Helen H. Thompson para Regentes Emergentes, concedido pela Liga das Orquestras Americanas. Atuou ainda como Regente Assistente e depois como Regente Associado da Sinfônica de Boston. Lehninger esteve à frente de algumas das principais orquestras dos Estados Unidos, incluindo as Sinfônicas de Chicago, Pittsburgh, St. Louis, Houston, Detroit, Baltimore e Seattle, além das Filarmônicas de Rochester, Orlando e Novo México. Na Europa, regeu a Sinfônica Alemã de Berlim, as Filarmônicas de Praga e da Rádio França, a Orquestra Nacional da França e a Sinfônica de Lucerna, além de realizar turnê no Konzerthaus de Viena e com a Orquestra Real do Concertgebouw. Na Austrália, regeu as Sinfônicas de Sydney e Melbourne, e no Japão as Sinfônicas Yomiuri Nippon e Kyushu. Foi Conselheiro Musical da Orquestra das Américas na temporada de 2007-2008. Cidadão brasileiro e alemão, retoma sempre a seu país natal como convidado, além de ter sido Regente Assistente da Filarmônica de Minas Gerais.

Larisa Martínez soprano

Larisa Martinez. Foto: Shervin Lainez.

A porto-riquenha Larisa Martínez tem atuado em importantes palcos de ópera e concerto, como Kennedy Center, Carnegie Hall, Madison Square Garden e Hollywood Bowl. Nesta temporada, estreia com as Sinfônicas do Colorado, de Indianópolis e com a própria Osesp, além de participar do Festival de Verbier. Entre suas realizações recentes estão papeis em La Traviata, de Verdi, na Wichita Grand Opera; West Side Story, de Bernstein, no Festival Napa Valley; na Sinfonia nº 2 de Mahler no Carnegie Hall junto à Filarmônica de Atenas, além de sua apresentação junto à Grand Rapids Symphony, com Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos. Em 2016, foi convidada a fazer parte da delegação artística para a visita do Presidente Barack Obama a Cuba, evento que culminou em especial da PBS indicado ao Emmy. Tem realizado turnês nos últimos anos com o tenor Andrea Bocelli pelas América do Norte e do Sul e na Europa. Martínez venceu o Concurso Nacional do Metropolitan Opera de 2016 em Porto Rico. Foi artista convidada pela Metropolitan Opera Guild na homenagem a Anna Netrebko, em 2018. No mesmo ano, o EastWest Sounds Studios escolheu sua voz para o novo software de instrumento virtual Voices of Opera, usado por compositores e engenheiros ao redor do mundo.

PROGRAMA

ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – OSESP
MARCELO LEHNINGER regente
LARISA MARTÍNEZ soprano
Heitor VILLA-LOBOS
Choros nº 6
Floresta do Amazonas: Seleção
Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY | Sinfonia nº 4 em fá menor, Op. 36.

Serviço:

28 de novembro, quinta-feira, 20h30
29 de novembro, sexta-feira, 20h30 — Concerto Digital
30 de novembro, sábado, 16h30
Endereço: Sala São Paulo | Praça Júlio Prestes, 16
Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares
Recomendação etária: 7 anos
Ingressos: Entre R$39,60 e R$271 (valores inteiros)
Bilheteria (INTI): neste link | (11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h.
Estacionamento: R$ 35,00 (noturno e sábado à tarde) | 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.

*Estudantes, pessoas acima dos 60 anos, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade de 15 a 29 anos, pessoas com deficiências e um acompanhante e servidores da educação (servidores do quadro de apoio – funcionários da secretaria e operacionais – e especialistas da Educação – coordenadores pedagógicos, diretores e supervisores – da rede pública, estadual e municipal) têm desconto de 50% nos ingressos para os concertos da Temporada Osesp na Sala São Paulo, mediante comprovação.
A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.
Acompanhe a Osesp: Site | Instagram | YouTube | Facebook | TikTok | LinkedIn.

(Com Fabio Rigobelo/Fundação Osesp)

Museu do Amanhã recebe espetáculo ‘Vozes da Transformação’

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação.

O Instituto Baccarelli, organização sem fins lucrativos que promove transformação e inclusão social por meio da educação, anuncia uma apresentação única do espetáculo ‘Vozes da Transformação’ no Rio de Janeiro no próximo dia 8 de dezembro, às 17h, no Museu do Amanhã. Com entrada franca, o público poderá embarcar em uma jornada sonora e visual do Coral Jovem Heliópolis, que interpretará um repertório rico e diversificado de composições brasileiras.

Sob a regência do maestro Otávio Piola e acompanhamento de piano, baixo e bateria, o grupo vocal é composto por 46 cantores, entre jovens e crianças, que exploram a profundidade e a emoção de cada canção criando uma fusão de música, coreografias e encenações performáticas que dão vida às histórias contadas pelas letras. O resultado é uma experiência imersiva que transcende o ato de ouvir ao convidar o público a sentir, refletir e se conectar de maneira profunda com cada apresentação.

O Instituto Baccarelli, responsável pelo Coral Jovem Heliópolis, ganhou notoriedade ao formar a primeira orquestra sinfônica do mundo em uma favela, a reconhecida Orquestra Sinfônica Heliópolis, dirigida e regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky. Nessa nova iniciativa, a organização reúne o grupo vocal mais avançado das turmas de coro do Instituto, composto por crianças e jovens da comunidade de Heliópolis – localizada em São Paulo (SP) – que se destacam pelo seu talento artístico, além da capacidade de explorar o aspecto cênico das canções. “O repertório foi cuidadosamente selecionado pelo grupo vocal e reflete a realidade vivida na favela de Heliópolis. Isso confere ao espetáculo uma autenticidade e conexão única com a comunidade. É no palco que eles podem mostrar o resultado de todo seu trabalho e dedicação, e tenho certeza de que o público vai ficar impressionado com o talento dos nossos jovens”, destaca Edilson Ventureli, diretor executivo do Instituto Baccarelli. Segundo ele, a iniciativa é uma grande oportunidade de desenvolvimento não apenas artístico, mas também pessoal dos alunos e alunas.

Com duração de 60 minutos, o projeto ‘Vozes da Transformação’ tem patrocínio da Caterpillar e foi viabilizado por meio da Lei Rouanet. O espetáculo acontece no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, no dia 8 de dezembro, às 17h. Para mais informações sobre as iniciativas do Instituto Baccarelli, acesse www.institutobaccarelli.org.br.

Serviço:

Vozes da Transformação no Rio de Janeiro

Local: Museu do Amanhã

Data: 8/12/2024 (domingo) | Horário: 17h

Endereço: Praça Mauá, 1 – Centro – Rio de Janeiro/ RJ

Duração: 60 minutos

Entrada: gratuita

Realização: Investe Cultura e Beato Live Marketing

Mais informações: (https://vozesdatransformacao.com.br/).

(Com Rodolfo Milone/ATDC Group)

Espaço Cultural Maria Monteiro recebe espetáculo ‘Geração Trianon’ da Cia. Peregrinos

Campinas, por Kleber Patricio

A Companhia Peregrinos de Teatro apresenta na quinta-feira, 28 de novembro, às 19h, o espetáculo ‘Geração Trianon’ no Espaço Cultural Maria Monteiro. Os ingressos têm preço único de R$ 20,00 e devem ser adquiridos pelo site  https://byma.com.br/event/6732ae8a59c5ba000c311828.

Escrito por Anamaria Nunes e baseado em fatos reais, Geração Trianon narra a trajetória de uma companhia de teatro carioca entre os anos de 1920 e 30 que está prestes a estrear um novo espetáculo. Com muito humor, a peça vai mostrando tipos e fatos dos bastidores do Teatro Trianon, que foi muito famoso no Rio de Janeiro. Além de dar boas gargalhadas, o público vai entender como conviviam e trabalhavam os artistas que foram os precursores da comédia carioca.

Formada por alunos do curso profissionalizante de Teatro da UP Arts, a Companhia Peregrinos de Teatro busca levar cultura a toda a grande região metropolitana de Campinas. Com espetáculos que misturam arte, emoção e diversão, o grupo promove momentos de risos, reflexão e conexão por meio de histórias cativantes e atuações envolventes.

Serviço:

Espetáculo ‘Geração Trianon’
Data: 28 de novembro (quinta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço Cultural Maria Monteiro – Rua Dom Gilberto Pereira Lopes, s/n – Conjunto Habitacional Padre Anchieta, Campinas, SP
Entrada: R$20,00 (preço único)
Venda de ingressos: https://byma.com.br/event/6732ae8a59c5ba000c311828.

(Com Maria Finetto/Prefeitura de Campinas)

Três terras indígenas que lideram a exploração madeireira na Amazônia estão na área de influência da BR-319

Amazônia, por Kleber Patricio

Foto: Vicente Sampaio.

As terras indígenas onde mais se explorou madeira na Amazônia, entre agosto de 2022 e julho de 2023, ficam na área de influência da BR-319. Juntas, as Terras Indígenas (TI) Jacareúba-Katawixi, Kaxarari e Tenharim-Marmelos somaram 8.170 hectares (ha) de áreas degradadas no período, ficando no topo da lista de regiões mais impactadas pela degradação florestal na região amazônica.

Os dados são do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) e estão na nota técnica ‘Monitoramento da degradação florestal no Interflúvio Madeira-Purus: análise da exploração madeireira’, produzida pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e publicada pelo Observatório BR-319. É importante destacar que o Simex monitora a degradação ambiental por meio da extração madeireira não autorizada e como os locais mapeados têm relação com a rede de estradas, a hidrografia e ramais na Amazônia.

Toda exploração madeireira representa uma degradação ambiental, pois a exploração retira árvores do solo sem necessariamente alterar o uso dele. Algumas dessas retiradas são controladas e planejadas para minimizar os impactos, como no caso dos manejos florestais, que são ações que visam a exploração sustentável. A degradação florestal também ocorre por meio de incêndios e da fragmentação das florestas, quando não ocorre mudança drástica no uso do solo, mas perda de qualidade ambiental e biodiversidade.

De acordo a nota técnica do Observatório BR-319, a TI Tenharim-Marmelos, do povo Tenharim, localizada entre Humaitá e Manicoré, foi a mais afetada, com 4.745 hectares degradados distribuídos em 10 polígonos. Enquanto a TI Kaxarari, do povo de mesmo nome, entre Lábrea e Porto Velho, com 2.996 hectares, também figura como uma das maiores áreas de degradação florestal observadas no estudo. Já a TI Jacareúba-Katawixi, situada entre os municípios de Canutama e Lábrea e que possui uma sobreposição com o Parque Nacional (Parna) Mapinguari, tem uma área degradada de 430 hectares, ficando em terceiro lugar no ranking. Todas estão na área de influência da BR-319.

Foto: Divulgação.

A situação da TI Jacareúba-Katawixi é preocupante, porque se trata do território dos Isolados do Katawixi, povo que provavelmente pertence à família linguística Katukina e cujo processo de homologação se arrasta há 17 anos com sucessivas renovações da Portaria de Restrição de Uso (a última aconteceu em fevereiro de 2023). A TI tem a maior parte da sua área sobreposta a duas UCs, o Parna Mapinguari e a Reserva Extrativista (Resex) Ituxí, que também estão entre os municípios de Lábrea e Canutama. “A degradação florestal não se limita apenas às Florestas Públicas Não Destinadas e às propriedades privadas. Podemos indicar um número alarmante de degradação florestal em Áreas protegidas, principalmente de esfera federal e terras indígenas”, destaca a nota técnica.

Além das TIs, o relatório também identificou exploração madeireira em Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral. Os Parnas Mapinguari e dos Campos Amazônicos foram os mais impactados na área de influência da BR-319, com 277 hectares explorados ilegalmente em cada um. Essas áreas são de proteção integral, onde é permitida apenas a utilização indireta dos recursos naturais, com o objetivo de preservar a biodiversidade e evitar a degradação dos ecossistemas. “Os Parques Nacionais são Unidades de Conservação de proteção integral e nessas áreas é permitido somente o uso indireto dos recursos naturais, como para pesquisas científicas, educação ambiental e turismo ecológico. Sendo assim, a exploração florestal é uma atividade ilegal nessa categoria”, ressalta a publicação.

Segundo os autores da nota técnica, o enfraquecimento de órgãos de fiscalização, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também contribui para a fragilização da proteção dessas áreas. Entre 2010 e 2020, o número de fiscais do Ibama foi reduzido de 1.311 para 694, o que dificulta ainda mais a atuação de comando e controle nas regiões mais remotas da Amazônia, segundo destaca o documento.

Os dados mostram, ainda, a importância de políticas públicas mais eficazes para o controle da exploração madeireira, considerando os impactos ambientais, culturais e sociais sobre os territórios indígenas e as UCs. “A extração madeireira pode ter um impacto significativo na biodiversidade local, especialmente nas UCs, que são designadas para a proteção dos ecossistemas e da fauna nativa”, diz a nota, ressaltando que a identificação de áreas críticas e o monitoramento são essenciais para a conservação dessas regiões.

“Com estes dados o Simex desempenha um papel crucial como ferramenta para monitoramento preciso da atividade de exploração madeireira”, destaca o analista do Idesam e um dos autores da nota, Heitor Pinheiro. “Essas análises muitas vezes não são evidentes em estudos focados apenas no desmatamento total e com a detecção das alterações de biomassa florestal, e da quantificação de áreas impactadas, manejadas ou exploradas ilegalmente, temos dados robustos que fundamentam a análise dos territórios”, acrescenta. “Esperamos com isso, e baseados em evidências cientificas, subsidiar debates, evidenciar os impactos e pressionar por políticas públicas eficazes e transparentes, apoiar as populações locais embasando reinvindicações pelos seus direitos territoriais, além de fortalecer a governança e a responsabilização dos atores envolvidos”, concluiu Pinheiro.

A publicação sugere que a relação entre a degradação florestal e a proximidade das estradas, como a BR-319, reforça a necessidade de ações concretas para mitigar os efeitos da exploração madeireira e garantir a proteção efetiva das TIs e das UCs na Amazônia. Para ler a nota técnica completa, acesse observatoriobr319.org.br.

Formado pela rede de instituições de pesquisa ambiental integrada pelo Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, o Simex se baseia em ferramentas de análise geoespacial e inteligência geográfica, utilizando dados de sensoriamento remoto e da Organização Estadual de Meio Ambiente (Oema), no caso do Amazonas, o Ipaam e o SisCOM. No entanto, a falta de atualização do SisCOM e a ausência de dados do Amazonas podem ter gerado inconsistências nos resultados, que foram obtidos analisando extrações madeireiras ocorridas entre agosto de 2022 e julho de 2023.

Sobre o Observatório BR-319 | O Observatório BR-319 (OBR-319) é uma rede de organizações da sociedade civil que atua na área de influência da rodovia BR-319, formada por 13 municípios, 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas, entre os estados do Amazonas e de Rondônia.

(Com Emanuelle Araujo Melo de Campos/Up Comunicação Inteligente)