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Realidade virtual leva visitantes a uma viagem imersiva pelo Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Minas Gerais, por Kleber Patricio

Gruta do Janelão – Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG). Foto: Maurício Andrade.

Cerca de 1480 cavernas identificadas, mais de 80 sítios arqueológicos e diversas pinturas rupestres, datadas entre 500 e até 11.000 anos atrás – quem quiser conhecer parte das riquezas e belezas naturais do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG) sem sair do lugar poderá se aventurar por meio da tecnologia imersiva. A página do projeto Vivências 3D:uma imersão em realidade virtual no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu está no ar e passa a permitir que crianças, pessoas com mobilidade reduzida ou aquelas que não têm a oportunidade de visitá-lo presencialmente vivenciem a experiência de forma virtual e interativa. A iniciativa contou com o apoio e financiamento do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav).

“A proposta dessa ação parte da ideia de desenvolver programas socioeducativos permanentes visando estimular a conscientização, implementar sustentabilidade e garantir a conservação dos ambientes cavernícolas e espécies associadas. Partimos do princípio de que as pessoas precisam conhecer para preservar e entender a importância dessas áreas permite que o meio ambiente ganhe mais aliados na luta por sua conservação”, afirmou o coordenador do ICMBio/Cecav, Jocy Cruz.
“O projeto se baseia em duas principais frentes de atuação. A primeira está voltada para a conservação: ao digitalizar áreas sensíveis com a presença de apenas uma pessoa, evita-se que múltiplos visitantes acessem esses locais, reduzindo impactos como pisoteio e a alteração do microclima das cavernas, devido à saturação de CO2, um fator crítico para esses ambientes subterrâneos”, afirmou o espeleólogo e idealizador da iniciativa, Alexandre Lobo.

Segundo Lobo, o segundo pilar do projeto é a acessibilidade. “A tecnologia permite que tanto pessoas com mobilidade reduzida quanto aquelas que não têm condições de visitar o parque possam vivenciar essa experiência imersiva e segura”.

Sobre o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Lapa do Boquete – Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG). Foto: Maurício Andrade.

Criado em 1999, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu compreende os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, na região norte de Minas Gerais. Formado por grandes extensões de matas, cânions e cavernas, o local abrange três biomas brasileiros: a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. O local possui uma enorme relevância científica para diversas áreas da ciência.

A unidade de conservação federal em breve poderá se tornar Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Em dezembro de 2024, uma audiência realizada pelo comitê que está à frente da candidatura apresentou um relatório com os estudos sobre o local. O material foi traduzido para o inglês, ilustrado e protocolado junto à Unesco no dia 1º de fevereiro. Caso seja aprovado, neste ano o pleito será submetido à plenária da agência especializada do Sistema ONU para votação.

Projeto contemplará outras cavernas brasileiras

Gruta do Janelão – Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG). Foto: Jocy Cruz.

Inserido no projeto ‘Vivências 3D’, uma ação do ICMBio/Cecav, em parceria com o Laboratório de Geomorfologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), está conduzindo o trabalho de imageamento em 3D de algumas cavernas do Parque Nacional da Furna Feia (RN) e do seu entorno. A ideia é potencializar ações de pesquisa não-invasivas, de documentação de atributos de espeleotemas sensíveis e promover o turismo virtual.

Uma expedição realizada em setembro de 2024 na região do munícipio de Baraúna percorreu as cavernas Furna Feia e Furna Nova, localizadas dentro na unidade de conservação potiguar, e o Abrigo do Letreiro, uma caverna com pinturas rupestres.

(Com Lorene Lima/ICMBio)

Em 2024, Ligue 180 registra aumento de 29% nos atendimentos em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Curated Lifestyle/Unsplash+.

Dispositivo central na estratégia de enfrentamento da violência contra a mulher no país, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 totalizou, no ano passado, 142.889 ligações registrados em São Paulo – um aumento de 29,13% em relação a 2023, quando 110.651 ligações foram computadas. No ano passado, no estado paulista, houve aumento de 19,98% no número de denúncias, passando de 26.026 em 2023 para 31.227 em 2024. Desse total, 27.460 foram recebidas por telefone e 3.054 por WhatsApp.

Entre as denúncias no ano passado, 19.046 foram apresentadas pela própria vítima, enquanto 12.155 foram por terceiros. A casa da vítima ainda é o cenário onde mais situações de violência são registradas: 12.174 denúncias tinham este contexto. A residência compartilhada por vítima e suspeito também é local de grande parte das denúncias em São Paulo, com 10.608 casos.

Os dados apontam que há mulheres que vivenciam diariamente as situações de violências. No estado, a frequência diária foi relatada em 14.672 atendimentos, enquanto 5.452 disseram que as agressões ocorrem ocasionalmente. São as mulheres brancas as vítimas mais frequentes (14.593 casos), mas pretas e pardas somam 13.383. São 8.419 as vítimas com idades entre 35 e 44 anos.

Para a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, o aumento significativo no número de atendimentos realizados pela central reflete a maior confiança da população brasileira, em especial das mulheres, no Ligue 180, que vem recebendo uma série de melhorias desde 2023, com a reestruturação prevista na retomada do Programa Mulher Viver sem Violência (Decreto nº 11.431/2023). “Temos investido na capacitação das profissionais que realizam o atendimento e o acolhimento das mulheres, tanto para a informação sobre direitos e serviços da rede, como para o correto tratamento e encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes, aumentando a confiança no canal. Além disso, temos intensificado as campanhas para ampliar a divulgação do Ligue 180, inclusive o atendimento no WhatsApp”, explica a ministra.

Serviço:

Para fazer a ligação gratuita (ligue 180) de qualquer lugar do Brasil, 24 horas, todos os dias da semana (inclusive finais de semana e feriados). Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do telefone 190.
Para acionar o canal via chat no Whatsapp, clique aqui: (61) 9610-0180 ou aponte a câmera para o QRCode.

Nacional — Em 2024, a Central Ligue 180 atendeu 691.444 ligações de todo o território nacional, o que representa um aumento de 21,6% em relação a 2023. O número de atendimentos pelo WhatsApp, lançado em abril de 2023, passou de 6.689 em 2023 (743/mês) para 14.572 em 2024 (1214/mês) — salto de 63,4%.

2 mil por dia — No total, contabilizando telefonia, WhatsApp, e-mail, entre outros canais de atendimento, o Ligue 180 realizou 750.687 atendimentos em 2024 — média de 2.051 por dia. O número de denúncias feitas à Central Ligue 180 também aumentou, passando de 114.626 em 2023 para 132.084 em 2024. Desse total, 38.470 foram realizadas pela própria vítima e 86.105 foram anônimas.

Raça/cor da vítima — Dentre os registros em que foi declarada raça/cor da vítima, as mulheres negras representam a maioria (52,8%) das denúncias de 2024, somando 53.431 casos contra mulheres pardas e 16.373 contra mulheres pretas. Além disso, mulheres brancas somam 48.747 denúncias, seguidas por amarelas (779) e indígenas (620). Em 12.134 denúncias, a cor-raça das vítimas não foi identificada.

Idade — Quanto à idade, os dados apontam que as faixas etárias mais atingidas foram mulheres entre 40 e 44 anos (18.583 denúncias), de 35 a 39 anos (17.572 denúncias) e entre 30 a 34 anos (17.382 denúncias).

Tipos de violência — Ao todo, 573.131 violações foram reportadas ao Ligue 180 em 2024, uma redução de 3,9% em relação a 2023, quando 596.600 violações foram registradas. Os tipos mais recorrentes foram a violência psicológica (101.007 denúncias); seguida pela física (78.651); patrimonial (19.095); sexual (10.203), violência moral 9.180) e cárcere privado (3.027). De acordo com a metodologia utilizada pela Central, uma denúncia pode conter mais de um tipo de violação de direitos das mulheres.

Relação suspeito e vítima — Os dados de 2024 revelam a predominância de suspeitos com relação íntima e/ou familiar com a vítima: companheiros(as) atuais, com 17.915 denúncias, ou ex, com 17.083 denúncias.

Cenário das violações — Em relação ao local em que ocorreram as violações, o ambiente doméstico e familiar foi o cenário mais comum. A ‘casa da vítima’ apareceu em 53.019 denúncias, seguida pela ‘casa onde reside a vítima e o suspeito’ (43.097 denúncias) e a ‘casa do suspeito’ (7.006). Já o ambiente virtual (internet) somou 6.920 denúncias.

(Com Ana Freire/FSB Comunicação)

Maria Fumaça de São João del-Rei a Tiradentes fará 12 viagens entre a sexta-feira (28) e o domingo (2) de Carnaval

São João del-Rei, por Kleber Patricio

Foto: VLI/Divulgação.

A Maria Fumaça administrada pela VLI – controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) – ofertará 12 passeios entre a sexta-feira (28) de Carnaval e o domingo (2) da folia. As tradicionais viagens são realizadas entre as cidades de São João del-Rei e Tiradentes e vice-versa, no Campo das Vertentes (Minas Gerais). Apenas entre a segunda (3) e a quarta-feira (5) não haverá circulação do trem turístico, que é o mais antigo em operação no Brasil.

Durante o trajeto às margens da Serra de São José, que têm um percurso de 12 km de extensão, os passageiros contemplam uma rica diversidade ecológica e belíssimas paisagens que ainda preservam a arquitetura do século XIX. Para conferir a agenda com os horários do trem turístico, que foi inaugurado por Dom Pedro II em 28 de agosto de 1881, basta clicar aqui.

Passagens

A tarifa inteira é de R$86 e a meia-entrada é de R$43 em cada trajeto. A venda de passagens é feita por meio de totens de autoatendimento nas estações de São João del-Rei e Tiradentes, bem como pela internet. Pela web, basta clicar no link da Buson, responsável pela venda de passagens do trem turístico. Mais informações podem ser obtidas pelo site, Alô VLI pelo telefone 0800-0221211 ou WhatsApp (31) 98308-5538.

A entrada é gratuita para crianças de 0 a 5 anos (no colo) mediante apresentação de certidão de nascimento ou carteira de identidade. Têm direito à meia-entrada (50%) crianças de 6 a 12 anos, com a apresentação de certidão de nascimento ou carteira de identidade; estudantes a partir de 13 anos com carteirinha válida no período e identidade com foto; pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, portando carteirinha ou laudo médico, e seu acompanhante, quando houver; pessoas a partir de 60 anos, apresentando documento de identidade com foto; professores acompanhados a cada grupo de 10 alunos; doadores de sangue ou medula óssea apresentando documento de identificação pelo Conecte SUS Cidadão ou pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome); moradores da cidade de São João del-Rei e entorno, em até 50 quilômetros, mediante a apresentação de um comprovante de residência (luz, água, telefone, internet) em seu nome, além do documento de identidade, carteira de habilitação ou certidão de nascimento.

Os cônjuges que não têm comprovantes de residência em seu nome podem apresentar certidão de casamento. Aqueles que não têm comprovante de residência em seu nome e não são casados podem levar a carteira de trabalho comprovando o vínculo de trabalho na região ou um contrato de aluguel. As crianças podem mostrar a carteirinha da escola ou declaração escolar com papel timbrado da instituição das cidades.

Estação de Memórias

Os turistas também poderão apreciar as exposições do Programa Estação de Memórias da VLI, inauguradas em São João del-Rei e Tiradentes para preservar a memória ferroviária, que faz parte do patrimônio material e imaterial de diversos municípios, e criar espaços para que as novas gerações conheçam a história da ferrovia. Elas estão instaladas na Estação de São João del-Rei – localizada na Rua Hermílio Alves, 366, Centro da cidade – e na Estação Tiradentes – situada na Rua Capitão Chaves Miranda, 2.

Em São João del-Rei as visitas poderão ser feitas de quarta a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 8h às 12h. Por sua vez, em Tiradentes, o funcionamento do Estação de Memórias é de quinta a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos também das 8h às 12h.

O Programa Estação de Memórias reconta o passado a partir de um processo de cocriação com as comunidades. Encontros e entrevistas identificam casos, lembranças e histórias de quem vivenciou o vai e vem dos trens. Esse conteúdo é transformado em espaços expositivos montados na estação.

Outras atrações

Também será possível visitar o Museu Ferroviário e a Rotunda, localizados na Estação de São João del-Rei. O museu, que é o maior centro de preservação da história ferroviária do Brasil, foi inaugurado em 28 de agosto de 1981 devido ao centenário da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Ele reúne peças que foram utilizadas na EFOM e em outras da mesma época. A visitação é gratuita e pode ser feita de quarta a sábado, das 8h às 17h, exceto aos domingos, dia em que as visitas ocorrerão das 8h às 12h.

Já a Rotunda tem uma arquitetura em forma circular e 25 linhas em seu interior convergindo para o girador manual localizado no centro do prédio. Nos dias de circulação do trem, há visita guiada às 8h30 e às 16h, exceto aos domingos, quando a visita guiada será às 9h. O valor do ingresso é de R$20 por visitante e a meia-entrada custa R$10, mediante apresentação de documento de identidade com foto ou certidão de nascimento para as crianças. Ele pode ser adquirido nas bilheterias de São João del-Rei e Tiradentes.

Sobre a VLI

A VLI tem o compromisso de apoiar a transformação da logística no país, por meio da integração de serviços em portos, ferrovias e terminais. A empresa engloba as ferrovias Norte Sul (FNS) e Centro-Atlântica (FCA), além de terminais intermodais, que unem o carregamento e o descarregamento de produtos ao transporte ferroviário, e terminais portuários situados em eixos estratégicos da costa brasileira, tais como em Santos (SP), São Luís (MA) e Vitória (ES). Ela transporta as riquezas do Brasil por rotas que passam pelas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A companhia está entre as 50 melhores empresas para trabalhar no país, reconhecimento concedido pela consultoria global Great Place to Work (GPTW). E, por cinco anos consecutivos, a VLI está entre as três companhias mais inovadoras do setor de Transporte e Logística no ranking do Valor Inovação.

(Com Daniela Galvão/InPress)

Contos sobre o lado nefasto de uma cidade

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Fotos: Divulgação.

Nas primeiras páginas do livro Meninos Morrem de Medo, a Vila de Flamígera parece apenas mais uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, não muito distante da capital Porto Alegre. Porém, à medida que as narrativas do escritor L. Domingos Dalabilia avançam, traumas do passado, segredos de família, preconceitos e eventos sobrenaturais tomam forma. Aquilo que antes parecia tão próximo do comum cotidiano se torna sombrio e aterrorizante.

Neste livro de estreia do autor, os 33 contos que o compõem exploram personagens de diferentes idades, classes sociais e experiências de vida. A união dessas narrativas se dá em parte pela ambientação, mas principalmente pelo clima soturno e psicológico que irrompe na realidade e abre espaço para um mundo cruel. Em ‘Flamígera’, todos são assombrados por segredos obscuros, demônios internos, um passado sangrento, e ninguém pode escapar do ciclo de violência e terror perpetuado pelos próprios moradores.

Em ‘A Criatura’, os arrependimentos de uma benzedeira de passado nebuloso retornam para atormentá-la assumindo uma forma inusitada. Na história ‘Família Amendoim’, a chegada da colheita revela um segredo sangrento e uma faceta monstruosa do patriarca. Em ‘Demônios’, um homem é atormentado por sua suposta doença mental, as lembranças do avô e de um episódio traumatizante de infância. No conto que dá nome ao livro, a morte do irmão permite que um garoto seja capaz de ver aquilo que os outros ignoram.

Mas foi aí que me dei conta do horror, daquilo que eu fizera!
 Apavorado e sentindo-me culpado, passei esconder-me debaixo de
acolchoados e cobertores, segurava-os com firmeza, já era mês de

julho, o forte do inverno, mantinha a cabeça coberta, não dormia,
suava muito e percebia que o movimento em minha volta aumentava,
 ouvia passos perto da cama, não aguentava, não suportava mais, era
Ele* andando por ali e agora me chamando pra brincar no açude. Eu
 era só um menino morrendo de medo, sentindo culpa, tentando gritar,
a voz não saía. A sala onde ele foi velado era ao lado do meu quarto!
 Não lembro de ninguém vindo me abraçar…
 (Meninos morrem de medo, p. 28)

Mas o verdadeiro horror, em muitos dos contos, está na própria natureza humana. Advogado de formação, L. Domingos Dalabilia conta que usa a escrita como uma forma de trabalhar sentimentos profundos que percebe em si mesmo e nos outros. “Penso que meus textos são, de certo modo, provocativos, podendo até mesmo mudar a perspectiva de alguém sobre um determinado tema”, explica o autor, que iniciou na literatura com a publicação de contos em antologias e revistas, antes de lançar Meninos Morrem de Medo. Inspirado por escritores como Edgar Allan Poe, Mário Arregui e Charles Kiefer, o livro é uma porta aberta para um universo de mistério, imaginação e assombro, onde nada é exatamente o que parece ser.

FICHA TÉCNICA

Título: Meninos morrem de medo: Contos de Flamígera

Autor: L. Domingos Dalabilia

Editora: Editora Albatroz

ISBN: 978-65-5656-313-8

Formato: 116 x 23 cm

Páginas: 148

Preço: R$49,90

Onde comprar: Amazon e Editora Albatroz.

Sobre o autor | L. Domingos Dalabilia é advogado, formado em Direito, História, Filosofia e Pedagogia. Participou da antologia 102 que publicam com o conto “Demônios”, e publicou o conto “No Lami” na revista eletrônica Bestiário. Foi um dos vencedores como revelação literária da Feira do Livro em Porto Alegre de 2007, pelo concurso de contos promovido pela empresa Habitasul. Meninos morrem de medo é seu livro de estreia.

Redes sociais do autor: FacebookInstagram.

(Com Luísa Lacombe/LC Agência de Comunicação)

Mostra Cine São Pedro Brasil-Alemanha apresenta filmes e animação com trilha sonora de orquestra ao vivo

São Paulo, por Kleber Patricio

Cena do filme Nosferatu (1921), de F. W. Murnau.

Uma das principais atrações da temporada 2025 do Theatro São Pedro é a Mostra Cine São Pedro Brasil-Alemanha, cuja estreia ocorre dia 13 de março. A iniciativa acontece em parceria com a Cinemateca Brasileira e o Goethe-Institut, tendo o regente Marcelo Falcão à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, que irá executar ao vivo trilhas sonoras originais para os filmes ‘Nosferatu’ (1921), ‘Ganga Bruta’ (1933), ‘O Tempo e o Vento’ (2013), ‘As Aventuras de Lotte Reiniger e Moustapha Alassane’ (2018) e a animação ‘As Aventuras do Príncipe Achmed’ (1926), no intuito de proporcionar ao público experiências cinematográficas inéditas. Além disso, as sessões serão precedidas por debates com especialistas nas obras.

O projeto inicia com a exibição do clássico do expressionismo alemão Nosferatu, de Friedrich Wilhelm Murnau (1889–1931), que terá récitas em 13 e 20 de março. Com músicas de Hans Erdmann e arranjos de Hans Brandner e Marcelo Falcão, o longa-metragem é um ícone do gênero de terror, sendo a primeira adaptação de Murnau de Drácula, do romancista irlandês Bram Stoker.

A história inicia com a viagem de negócios do desavisado agente imobiliário Hutter da cidade portuária de Wisborg para a Transilvânia. Lá, ele conclui um acordo de compra com o sinistro Conde Orlok para uma propriedade em sua cidade natal. Na manhã seguinte, Hutter acorda com pequenas mordidas em seu pescoço e percebe que Orlok é um vampiro. Ele não consegue impedir que o vampiro viaje para Wisborg e leve a peste e a morte para a pequena cidade. A esposa de Hutter, Ellen, pressente o desastre iminente e vê apenas uma maneira de salvar a cidade.

Cena do filme Ganga Bruta (1933), de Humberto Mauro. Crédito: Acervo Cinemateca.

Já nos dias 14 e 21 de março, o Brasil ganha espaço na Mostra com a apresentação de Ganga Bruta, de Humberto Mauro (1897–1983), um dos pioneiros do cinema nacional. O filme conta com músicas de Radamés Gnatalli e arranjos de Leonardo Bruno e Marcelo Ramos. A trama acompanha a trajetória de Marcos após assassinar sua esposa na noite de núpcias por descobrir que ela não era virgem. Absolvido pela Justiça, ele se muda para Guarahiba, onde trabalha como engenheiro na construção de uma fábrica auxiliado por Décio, que vive com sua mãe paralítica e Sônia, sua irmã de criação. Sônia se apaixona por Marcos, que inicialmente a ignora, mas acaba cedendo ao amor. Enciumado, Décio violenta Sônia e promete vingança.

Na sequência da Mostra, a película em destaque será O Tempo e o Vento, de Jayme Monjardim (1956), com músicas de Alexandre Guerra. As sessões serão realizadas nos dias 15 e 22 de março. Ambientando no Rio Grande do Sul no final do século XIX, o filme traz a história das famílias Amaral e Terra-Cambará, inimigas históricas na cidade de Santa Fé. Quando o sobrado dos Terra-Cambará é cercado pelos Amaral, todos os integrantes da família são obrigados a defender o local com as armas que têm à disposição. Essa vigília dura vários dias, o que faz com que logo a comida escasseie. Entre eles está Bibiana, matriarca da família que recebe a visita de seu falecido esposo, o capitão Rodrigo. Juntos, eles relembram a história não apenas de seu amor, mas de como nasceu a própria família Terra-Cambará.

Para finalizar a atividade, o primeiro longa-metragem de animação da história do cinema, As Aventuras do Príncipe Achmed, de Lotte Reiniger (1899–1981), será exibido nos dias 16 e 23 março. A obra será precedida pelo breve documentário As aventuras de Lotte Reiniger e Moustapha Alassane, de Elizabeth Beech e Carla Patullo, que retrata um pouco da história e dos processos de criação da alemã Lotte Reiniger, referência no universo das animações, especialmente nos filmes de silhuetas – nos quais figuras pretas de contornos muito nítidos contracenam diante de um pano de fundo claro.

Cena da animação As Aventuras do Príncipe Achmed (1926), de Lotte Reiniger.

Com ensaios gerais abertos e gratuitos (nos dias 6, 7, 11 e 12 de março), a Mostra Cine São Pedro objetiva estimular o contato do público com a sétima arte em uma sala de concerto, buscando também resgatar a história centenária do Theatro São Pedro, inaugurado em 1917, e que já foi também cinema. Além disso, as apresentações dos dias 13, 14, 15 e 16 de março serão precedidas por bate-papos com convidados que irão contextualizar as obras, comentando aspectos relevantes de bastidores, produção das trilhas sonoras e muito mais. As conversas iniciam uma hora antes da exibição dos filmes, destacando momentos especiais para o público se conectar com as obras apresentadas.

A Mostra Cine São Pedro Brasil-Alemanha conta com patrocínio da CTG Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e é uma realização da Santa Marcelina Cultura, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo Federal.

THEATRO SÃO PEDRO 

Mostra Cine São Pedro: Brasil – Alemanha

Orquestra do Theatro São Pedro

Cinemateca Brasileira

Instituto Goethe

Marcelo Falcão, direção musical

FRIEDRICH WILHELM MURNAU (1889–1931)

Nosferatu (1921) – 94’

[músicas de Hans Erdmann, com arranjos de Hans Brandner/Marcelo Falcão]

[editora: Ries & Erler]

Ensaio geral aberto e gratuito: 7 de março, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 13 e 20 de março, 20h, Theatro São Pedro

Bate-papo: 13 de março, 19h

Classificação etária: 14 anos

HUMBERTO MAURO (1897–1983)

Ganga Bruta (1933) – 82’

[músicas de Radamés Gnatalli, com arranjos de Leonardo Bruno e Marcelo Ramos]

Ensaio geral aberto e gratuito: 6 de março, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 14 e 21 de março, 20h, Theatro São Pedro

Bate-papo: 14 de março, 19h

Classificação etária: 14 anos

JAYME MONJARDIM (1956)

O Tempo e o Vento (2013) – 127’

[músicas de Alexandre Guerra]

Ensaio geral aberto e gratuito: 12 de março, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 15 e 22 de março, 20h, Theatro São Pedro

Bate-papo: 15 de março, 19h

Classificação etária: 14 anos

ELIZABETH BEECH e CARLA PATULLO

As aventuras de Lotte Reiniger e Moustapha Alassane (2018) – 10’  

LOTTE REINIGER (1899–1981)

As Aventuras do Príncipe Achmed (1926) – 81’

[músicas de Wolfgang Zeller, Freddie Philipps] [editora: Europäische FilmPhilharmonie]

Ensaio geral aberto e gratuito: 11 de março, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 16 e 23 de março, 17h, Theatro São Pedro

Bate-papo: 16 de março, 16h

Classificação etária: Livre

Mostra Cine São Pedro: Brasil – Alemanha

Data: 13 a 23 de março de 2025

Realização: Theatro São Pedro, Cinemateca Brasileira e Instituto Goethe

Local: Theatro São Pedro (R. Barra Funda, 171 – São Paulo/SP)

Ingressos: R$ 36 (meia) a R$ 72 (inteira) aqui.

THEATRO SÃO PEDRO

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.

CINEMATECA BRASILEIRA

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social. O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 40 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

GOETHE-INSTITUT

Como instituto cultural da República Federal da Alemanha, promovemos o intercâmbio cultural, a educação e o discurso social em um contexto internacional e apoiamos o ensino e a aprendizagem da língua alemã. Juntamente com nossos parceiros, nos concentramos nas oportunidades e desafios globais e trazemos diferentes perspectivas para um diálogo de confiança. Vemos a escuta e a reflexão como a chave para a compreensão. Estamos comprometidos com os princípios de abertura, diversidade e sustentabilidade. Temos 151 institutos em 98 países, no Brasil existem quatro: em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Salvador e em Porto Alegre.

MARCELO FALCÃO

Marcelo Falcão é regente de orquestra e arranjador, foi fundador e regente titular da Babylon Orchester Berlin, entre 2019 e 2020, a orquestra residente no lendário cinema Babylon em Berlim. Dirigiu dezenas de apresentações de filme mudo com orquestra, apresentando clássicos como Metropolis, Nosferatu e Encouraçado Potemkin. Marcelo Falcão é também maestro assistente da Orquestra Sinfônica de Santo andré e desde 2023 é regente convidado do Theatro São Pedro, onde já apresentou os clássicos Metropolis e Gabinete do Dr. Caligari. Em 2023 estreou na França com a Magic of Music Orchestra. Regeu orquestras como a Orquestra Nacional da Rússia, Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Orquestra Nacional Filarmônica da Geórgia, Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, Argovia Philharmonic, Orquestra Sinfônica da USP, Berlin Sinfonietta, Orquestra Jovem de São Petersburgo, MÀV Budapest Orchestra e grupos de música contemporânea, como o Divertimento Ensemble na Itália e Ensemble NAMES Salzburg.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)