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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Música Popular Brasileira orquestral ganha espaço no palco do Theatro São Pedro

São Paulo, por Kleber Patricio

Concerto da Orquestra Jovem Tom Jobim no Theatro São Pedro. Foto: Robs Borges.

A Orquestra Jovem Tom Jobim, grupo ligado à Emesp Tom Jobim, irá abrir a temporada de concertos 2025 no Theatro São Pedro nos dias 29 e 30 de março. Sob regência de Nelson Ayres e Tiago Costa, as apresentações terão a participação de Carol Panesi, no violino, e de Morgana Moreno, na flauta transversal. O programa contempla diversas obras relevantes da Música Popular Brasileira, com arranjos originais para o grupo. Serão executadas peças como ‘Canta Brasil’, de David Nasser; ‘Nas quebradas’ e ‘Viajando pelo Brasil’, de Hermeto Pascoal; ‘Receita de Samba’, de Jacob do Bandolim e ‘Um tom para Jobim’, de Sivuca. Completam o repertório composições de Carol Panesi, Garoto, Paulinho da Viola, Tom Jobim e Gilberto Gil.

Bilheteria 

Os ingressos custam de R$ 26 (meia) a R$ 52 (inteira) e podem ser adquiridos aqui.

Transmissão ao vivo

O concerto do dia 30 de março, domingo, às 11h, terá também transmissão ao vivo gratuita pelo canal de YouTube da Emesp Tom Jobim. Acesse em: Link.

Nelson Ayres, regência

Iniciou seus estudos musicais com Paul Urbach entre os anos de 1959 e 1962. Foi aluno ainda de Luís Schiavo (1963-1965) e Conrad Bernhard (1966-1967). Sendo professor e diretor do Centro de Desenvolvimento Artístico, de São Paulo, de 1966 a 1969. No mesmo ano, fez o curso de regência com Diogo Pacheco e viajou para os EUA para estudar na Berklee School of Music (Boston), sendo o primeiro brasileiro a receber bolsa para a renomada escola de música. Ainda nos Estados Unidos, estudou piano com Margareth Chaloff e composição com John Adams. Em 1985, foi correalizador do ‘Projeto Prisma’ (disco e show) com César Camargo Mariano, realizando turnês de dois anos pelo Brasil. Em 1985, a convite de César Camargo Mariano, participou do projeto Prisma. Sete anos depois, o pianista assumiu a regência e a direção artística da Orquestra Jazz Sinfônica, função que ocupou por nove anos.

Tiago Costa, regência

Pianista, compositor e arranjador vêm transitando entre a música instrumental, a canção e a música orquestral. Ganhou destaque como arranjador e teve suas peças gravadas dentro e fora do Brasil com obras registradas pela Osesp e Orquestra Jazz Sinfônica. Trabalhou ao lado de inúmeros artistas de primeira grandeza da música brasileira como Maria Rita, Zizi Possi, Chico Pinheiro, Gilberto Gil, Ivan Lins e Monica Salmaso, tendo já se apresentado nos cinco continentes.

Orquestra Jovem Tom Jobim

Carol Panesi. (Divulgaão)

Dedicada especialmente à música popular brasileira orquestral, a Orquestra Jovem Tom Jobim tem uma sonoridade particular. Ao mesmo tempo em que se insere na tradição das orquestras de rádio e TV, também tem características muito peculiares e recentes. Além do jogo de cintura e polivalência dos grupos de antigamente, a Tom Jobim tem uma face contemporânea, fruto de um repertório formado majoritariamente por arranjos concebidos especialmente para o grupo. No palco, alia-se a potência e expressividade de uma orquestra sinfônica (com naipes de cordas, madeiras e metais), à força e energia da seção rítmica (piano, contrabaixo elétrico, guitarra, bateria e percussão). Dessa união, carregada de vitalidade, resulta um som distinto, uma pronúncia tipicamente brasileira da música de concerto. Criado em 2001, durante o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, o grupo de difusão e formação musical da Emesp Tom Jobim, instituição da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerida pela organização social Santa Marcelina Cultura, possibilita vivência orquestral erudita e popular aos bolsistas, por meio do resgate de obras tradicionais de grandes compositores nacionais, com especial dedicação à obra de Tom Jobim, além de pesquisa e experimentação musical. Toda sua programação, da escolha de repertório à dinâmica de ensaios, é realizada pensando na formação dos bolsistas. Os jovens músicos ensaiam e se apresentam com os solistas convidados, e usufruem de um rico intercâmbio de conhecimentos e vivências. A experiência completa – ensaios de alta intensidade, aulas com convidados que são referência em sua área, e exploração de um repertório versátil e inovador – proporcionam aos jovens músicos não apenas um aprimoramento técnico e estilístico, mas um conhecimento profundo do fazer musical.

Escola de Música do Estado de São Paulo – Emesp Tom Jobim

Morgana Moreno.

Referência no ensino brasileiro de música, a Emesp Tom Jobim é uma escola do Governo do Estado de São Paulo gerida pela Santa Marcelina Cultura, Organização Social parceira da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Atende gratuitamente cerca de 2.000 alunas e alunos em seus cursos e habilitações em música popular e erudita, da teoria à prática musical. Em 2024, a Emesp Tom Jobim comemorou 35 anos de atuação. A Escola tem como objetivo a formação dos futuros profissionais da música erudita e popular. Com um corpo docente altamente qualificado, a Emesp Tom Jobim vem construindo um projeto pedagógico inovador, com foco no ensino de instrumento, no convívio dos alunos com grandes mestres e nas práticas coletivas (música de câmara e prática de conjunto), além de disciplinas teóricas de apoio. Em constante diálogo com as principais instituições de formação musical do Brasil e do mundo, a Emesp Tom Jobim oferece a cada ano centenas de shows, concertos, workshops e master classes. A Emesp Tom Jobim mantém um eixo de difusão artística complementar às atividades de formação com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de seus alunos e criar uma ponte entre o aprendizado e a profissionalização, além de fomentar a formação de público e a difusão da música em todas as modalidades. A Escola mantém os grupos artísticos: Banda Sinfônica Jovem do Estado, Coral Jovem do Estado, Orquestra Jovem do Estado e Orquestra Jovem Tom Jobim que oferecem bolsas para as alunas e os alunos da Escola.

Serviço:

Tom Jobim convida Carol Panesi e Morgana Moreno

Orquestra Jovem Tom Jobim

Nelson Ayres e Tiago Costa, regência

Carol Panesi, violino

Morgana Moreno, flauta transversal

Programa

DAVID NASSER (1917–1980) / ALCYR P. VERMELHO (1906–1994)

Canta Brasil [arr. Tiago Costa]

HERMETO PASCHOAL (1936 -)

Viajando pelo Brasil [arr. Tiago Costa]

HERMETO PASCHOAL (1936 -)

Nas Quebradas [arr. Nelson Ayres]

CAROL PANESI (1985 -)

Brincando na Mata [adapt.arr. Carol Panesi]

DIVERSOS

Suíte Coração Nordeste [arr. e adapt. Carol Panesi]

JACOB DO BANDOLIM (1918–1969)

Receita de Samba [arr. Tiago Costa]

SIVUCA (1930–2006)

Um Tom para Jobim [arr. Nelson Ayres]

GAROTO (1915–1955)

Desvairada [arr. Nelson Ayres]

PAULINHO DA VIOLA (1942 -)

Choro Negro [arr. Nelson Ayres]

JACOB DO BANDOLIM (1918–1969)

Noites Cariocas [arr. Tiago Costa]

ANTONIO CARLOS JOBIM (1927–1994)

Só Danço Samba [arr. Nelson Ayres]

GILBERTO GIL (1942 -)

Suíte Gil [arr. Tiago Costa]

Datas: 29 de março, sábado, 20h; 30 de março, domingo, 11h

Local: Theatro São Pedro

Rua Barra Funda, 171, São Paulo/SP

Ingressos: R$ 52 (inteira) e R$ 26 (meia), aqui

Duração: 100 minutos

Classificação: Livre.

(Com Julian Schumacher/Santa Marcelina Cultura)

Pinacoteca de São Paulo inaugura instalação de Mônica Ventura no Projeto Octógono

São Paulo, por Kleber Patricio

Instalação feita especialmente para o espaço do edifício Pinacoteca Luz, ‘Daqui um lugar’ propõe escalas e materiais que subvertem a arquitetura monumental. Foto: Levi Fanan.

A Pinacoteca de São Paulo apresenta ‘Mônica Ventura: Daqui um lugar’, no Octógono do edifício Pinacoteca Luz. Com curadoria de Lorraine Mendes, a instalação inédita da artista reconfigura o espaço central do edifício atribuindo novos significados a materiais como cabaças, juta e cobre.

Mônica Ventura articula o repertório mítico e ancestral presente em uma arquitetura vernacular para confrontar algumas características do prédio: a verticalidade, a circularidade e os tijolos mantidos aparentes desde a inauguração como Liceu de Artes e Ofícios em 1905 e assim perpetuados, mesmo depois de a Pinacoteca ter se tornado museu e passar por sucessivas alterações até culminar na grande reforma do início dos anos 2000.

No espaço expositivo, um conjunto de cabaças pende sobre uma estrutura em formato circular. Cada cabaça, ainda que represente uma unidade de sentido, conflui em coletivo pendente do céu para seguir, pelo reflexo de um espalho d’água, em um avesso do chão de terra onde o público é convidado a pisar. A cobertura, em formato circular, instaura uma horizontalidade outra ao espaço, criando uma atmosfera de intimidade, proteção e abrigo, evocando ainda a construção de um campo magnético. A experimentação entre o espaço criado e o público é potencializada por meio do cobre, material com alta capacidade de condução de energia que reveste as estruturas que sustentam o céu criado pela artista.

Ventura propõe ao visitante um lugar em que as conexões humanas possam confluir, receber e irradiar energia a partir da relação entre corpo e arquitetura. Essa exposição tem o patrocínio da Verde Asset Management na cota Bronze.

Sobre a artista

Mônica Ventura (1985) é artista visual que tem como interesse de pesquisa as cosmogonias africanas, ameríndias e filosofia védica. Sua produção é atravessada principalmente pela maneira como esses conhecimentos e visões de mundo são traduzidos na relação com o espaço a partir da arquitetura. O cruzamento dessas referências pode ser percebido em suas instalações, construções e esculturas.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

Serviço:

Pinacoteca de São Paulo

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3.

(Com Mariana Martins/Assessoria de imprensa Pinacoteca de São Paulo)

‘Ana Marginal – Um navio ancorado no espaço’ faz circulação gratuita por teatros públicos de SP

São Paulo, por Kleber Patricio

Com texto de Michelle Ferreira, direção de Nelson Baskerville e idealização de Nataly Cavalcanti, espetáculo performativo explora diferentes facetas da poeta Ana Cristina Cesar. Fotos: Jennifer Glass.

Após uma temporada de sucesso de crítica e de público, o espetáculo ‘Ana Marginal – Um navio ancorado no espaço’, com texto de Michelle Ferreira e direção de Nelson Baskerville, volta em cartaz para 24 apresentações gratuitas em vários espaços públicos de São Paulo. As primeiras sessões acontecem entre os dias 28 de março e 6 de abril, às sextas e sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h no Complexo Cultural Funarte São Paulo. Três teatros municipais ainda a definir também recebem o trabalho. Cada um deles exibe seis vezes a peça. Quando estreou, em 2023, a montagem foi eleita pelo jornal Folha de São Paulo como uma das melhores do ano.

Com a proposta de democratizar o acesso a informações sobre a vida e a obra de Ana Cristina Cesar (1952–1983), o projeto idealizado por Nataly Cavalcanti ainda envolve outras ações importantes. Os artistas envolvidos no processo organizaram um podcast com discussões relacionadas a essa poeta marginal, um sarau, a publicação de um zine formado por cartas trocadas entre as poetas Anna Zêpa e Josiane Cavalcanti e uma oficina de produção de zines. “Criamos atividades que estão muito relacionadas à personalidade da Ana Cristina. Ela costumava escrever cartas e tenho certeza que teria um podcast se essa linguagem existisse na sua época”, conta Nataly.

Chamado de ‘Ana Marginal – Como desancorar um navio no espaço’, este projeto foi contemplado na 19ª Edição do Prêmio Zé Renato – ID 13 080.

Sobre a encenação

Considerada um dos grandes nomes da literatura marginal da década de 1970, a poeta carioca defendia que vida e literatura eram inseparáveis. Por esse motivo, ‘Ana Marginal – Um navio ancorado no espaço’ se inspira nesses dois elementos.

A dramaturgia de Michelle Ferreira traz para a cena três personas para representar a escritora: Ana – a poeta, Cristina – a performática, e Cesar – a acadêmica, representadas pelas atrizes Nataly Cavalcanti, Carol Gierwiatowski e Bruna Brignol, respectivamente.

Realizado em parceria entre as atrizes, a dramaturga, o diretor Nelson Baskerville e a diretora assistente Anna Zêpa, o trabalho mergulhou na obra da escritora para desvendar o corpo-poema de Ana Cristina Cesar, misturando arte e vida pessoal.

A característica forte de seus textos, a um só tempo viscerais e coloquiais – marca comum também entre outros poetas marginais dos anos 1970 –, cria uma aproximação confidencial com seus leitores. Inclusive, no livro Antigos e Soltos – Poemas e Prosas da Pasta Rosa, uma compilação de textos inéditos feita por Armando Freitas Filho, ela faz uma sugestão radical: “despoetizar a escrita feminina. Suprimir o mito do sexto sentido, da doce e inefável poesia feminina. A falsa grávida com gazes. — Estrutura histérica!, grita a fada madrinha. Assinado embaixo: Nós do outro sexo, do sexto sexo.”

“Como Ana Cristina Cesar pregava a quebra dos padrões eruditos e escrevia de uma maneira mais espontânea e contestadora, entendemos que o teatro performativo era a melhor maneira de homenagear essa mulher tão potente. Sempre achei que o Baskerville seria o diretor que conseguiria transpor para a cena o universo que eu imaginava pro espetáculo. E eu não me enganei”, comenta Nataly.

Para dar conta da atmosfera caótica presente na obra da poeta, a equipe optou por usar muitas projeções, tanto de frases de Ana Cristina quanto de cenas complementares à ação. As atrizes também interagem a todo momento com um andaime e haverá até uma escultura de luz feita pelo próprio diretor.

Nesta nova temporada, os artistas precisaram adaptar o cenário. O Espaço Elevador, que recebeu a estreia, tinha um mezanino, então a montagem acontecia em dois andares, e os teatros públicos têm um palco italiano. Mesmo assim, o trabalho mantém uma verticalidade importante, principalmente pela presença do andaime e de uma escada.

Para o encenador, entender a essência da autora é um desafio. “A cada dia chegam novos materiais que são incorporados ao espetáculo. Ela não está em apenas um poema ou um livro. Para desvendá-la, é preciso se debruçar sobre suas fotografias, cartas, cartões postais, entrevistas. Talvez hoje sua angústia fosse muito mais dispersa, porque os tempos mudaram muito, mas gostaríamos de devolver para ela essa sexualidade que lhe foi negada”, defende Baskerville.

A complexidade desse processo de pesquisa também está presente na peça. Além de performático, Ana Marginal – Um navio ancorado no espaço configura-se como um metateatro, já que as atrizes discutem, em cena, temas como: por que sempre que se fala em artistas mulheres, o primeiro assunto é a sua vida pessoal, a histeria feminina, ao invés da importância das suas obras? “Nós estávamos ansiosos para mostrar nosso espetáculo a mais e mais pessoas. Enfrentamos tantos desafios para a construção do trabalho e tivemos uma ótima recepção do público. Queremos circular ainda mais e espalhar a palavra da Ana Cristina Cesar por diversos lugares”, afirma Nataly.

“(…) também é mencionado ao longo de toda a peça, mas quase como um elefante branco na sala. No ato final, as atrizes finalmente discutem a sua encenação e, aos berros, Cesar diz que a grande poeta não deve ser lembrada pela sua morte, e, sim, pela sua escrita, que deixou a literatura cedo demais.” Alessandra Monterastelli, Ilustrada, Folha de S.Paulo.

Atividades paralelas

O podcast Todo mundo acha que é Fernando Pessoa recebeu este nome por ser uma famosa frase de Ana Cristina Cesar. Ele será composto por quatro episódios, cada um sobre um tema e com um convidado diferente. As conversas serão disponibilizadas gratuitamente em várias plataformas digitais.

Também está programado o sarau Serata: entre a cruz e a escada. A atividade acontece no dia 26 de maio, às 19h, no Mercadinho Simples, Rua Rocha nº 416. Durante o encontro, seis poetas recitam seus poemas com a mediação de uma MC. Além disso, um DJ comandará a trilha sonora, resgatando o ar dos saraus da ‘geração marginal’, com seus pianos de bordel e vozes barganhando informações difíceis.

A partir de uma troca de cartas com poemas de Anna Zêpa e Josiane Cavalcanti, será criado um zine artesanal. O projeto prevê a impressão de pelo menos 70 exemplares, que serão distribuídos gratuitamente

Esse material gráfico terá um evento de lançamento dividido em duas partes. Primeiro, Anna e Josiane realizam uma conversa sobre seus processos criativos. Depois, a dupla ministra uma oficina de produção de zine para o público presente.

Sinopse | O espetáculo é um metateatro que transita pela obra e vida da poeta Ana Cristina Cesar, ícone da poesia marginal da década de 70 a partir do conflito de três atrizes envoltas pela complexidade e identificação das angústias de suas personagens, que representam diferentes facetas da poeta: a Ana, a Cristina e a César.

Ficha Técnica

Idealização e produção artística: Nataly Cavalcanti | Dramaturga: Michelle Ferreira | Direção: Nelson Baskerville | Diretora Assistente: Anna Zêpa | Atrizes: Bruna Brignol, Carol Gierwiatowski e Nataly Cavalcanti | Concepção Cenográfica: Bruna Brignol e Nelson Baskerville | Figurino: Marichilene Artisevskis | Iluminação: Lui Seixas | Trilha Sonora: Nelson Baskerville | Criação e montagem dos vídeos: João Paulo Melo | Consultoria em Vídeo: André Grynwask | Vídeo Heloísa Teixeira: Anna Zêpa | Direção de Movimento: Débora Veneziani | Preparação Vocal: Alessandra Lyra (Cor & Voz) | Cenotecnia: Casa Malagueta | Operação de Som: Gabriel Müller | Operação de Luz: Paula Selva | Operação de Vídeo: Tarcila Rigo | Operação de Letreiro: Iza Marie Miceli | Contrarregra: Victoria Aben-Athar | Arte gráfica: Bruna Brignol | Fotos de divulgação: Bruna Castanheira e Jennifer Glass | Registro em fotos e vídeos: João Paulo Melo e Marcos Floriano | Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques | Assistente de Produção: Gabriel Müller | Diretora de Produção: Iza Marie Miceli.

Serviço:

Ana Marginal – Um navio ancorado no espaço

Local: Complexo Cultural Funarte SP | 75 minutos | Classificação indicativa: 12 anos

Data: 28 de março a 6 de abril, às sextas e sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h

Endereço: Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP

Telefone: (11) 3662 5177

Ingresso: Gratuito.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Cientistas levam mais de 20 anos até encontrar macho de besouro da espécie Cryptolestes obesus

São Paulo, por Kleber Patricio

Exemplar macho da espécie Cryptolestes obesus. Foto: Reprodução/Entomobrasilis.

Pela primeira vez, um espécime macho do besouro Cryptolestes obesus foi descrito no Brasil. Pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Manaus, realizaram a descoberta durante uma visita para a identificação de espécies localizadas no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). O relato foi publicado na revista EntomoBrasilis nesta quinta (27).

Leandro Zeballos, autor da pesquisa, relata a satisfação com a descoberta. “É sempre uma expectativa muito grande visitar esse tipo de museu para analisar suas coleções porque encontramos materiais de muitos locais — não só da região, mas do Brasil e fora, provenientes da coleta de muitos pesquisadores famosos que dedicaram suas vidas a trabalhar com isso.”

O espécime descrito é parte da coleção de Fritz Plaumann, imigrante alemão que dedicou décadas ao trabalho em Entomologia. Com apenas 1,4 mm de comprimento e 0,56 mm de largura, o besouro vive embaixo de cascas de árvore — o que dificulta muito sua identificação e coleta.

A espécie Cryptolestes obesus foi inicialmente descrita em 2002 na revista Insecta Mundi pelo pesquisador Michael C. Thomas, com base em um espécime fêmea de Rondônia. Espécies do gênero Cryptolestes costumam ser descritas com base no macho. Thomas, porém, considerou as características do espécime fêmea distintivas o suficiente para classificar a nova espécie, presumindo uma associação relativamente fácil ao macho, quando encontrado. Mais de 20 anos depois, Leandro Zeballos e Matheus Bento, responsáveis pelo ‘casamento’, dão razão a “Thomas estava certo ao hipotetizar uma fácil associação ao macho nesta espécie, já que suas características diagnósticas não se baseiam em traços sexuais primários ou secundários [como genitálias ou chifres, respectivamente]”, relataram no novo artigo.

Tanto o macho quanto a fêmea da espécie apresentam um corpo mais largo, robusto, com a linha secundária bilateral completa no protórax, onde se conecta a cabeça — características distintivas de outras espécies do gênero. Discerni-los é importante para evitar erros taxonômicos: “Esta associação do macho com a fêmea impede que um taxonomista menos experiente com esta família de besouro encontre e descreva o macho como uma espécie nova, o que facilmente acontece nos estudos com besouros”, explica Zeballos.

O autor afirma que os próximos passos envolvem delimitar as características do gênero que ainda não são totalmente conhecidas: “Queremos desvendar o que diferencia o Cryptolestes de gêneros parecidos e reconstruir uma árvore filogenética para entender as relações de parentesco entre os mais de 40 gêneros da família Laemophloeidae.”

(Fonte: Agência Bori)

Cannabis medicinal é opção eficaz de tratamento para epilepsia

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Mohamed Nohassi/Unsplash+.

No dia 26 de março é comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, cujo objetivo é conseguir aumentar a conscientização sobre a doença. Milhares de pessoas ao redor do mundo usam roxo – movimento conhecido como ‘Purple Day’ (Dia do Roxo) – para promover ações que tragam esclarecimento e mais informações sobre a epilepsia.

De acordo com dados Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia acomete 2% da população brasileira e 50 milhões de pessoas ao redor do mundo. Caracterizada como uma condição neurológica crônica, a epilepsia se manifesta por meio da ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas provocados por uma atividade neuronal anormalmente sincrônica e excessiva no cérebro. A hiperatividade elétrica desorganiza o funcionamento normal das redes neurais, resultando em manifestações clínicas como convulsões, alterações motoras, sensoriais, comportamentais e, em alguns casos, perda de consciência.

Pedro Sabaciauskis, fundador e presidente da Santa Cannabis. (Divulgação)

O tratamento da epilepsia é, em geral, realizado com medicamentos anticonvulsivantes que têm como objetivo prevenir a ocorrência das crises. No entanto, em casos de epilepsia refratária – quando o paciente não responde de forma adequada aos tratamentos convencionais – outras abordagens terapêuticas vêm sendo adotadas, como o uso de medicamentos à base de cannabis medicinal. Pedro Sabaciauskis, fundador e presidente da Santa Cannabis – associação sem fins lucrativos dedicada ao estudo e à distribuição legal de CBD e THC para pacientes com indicação médica –, destaca que a epilepsia foi uma das primeiras doenças a despertar interesse para o uso terapêutico da cannabis.

Segundo Pedro, os primeiros registros do uso medicinal da cannabis remontam a civilizações antigas, com menções ao tratamento de distúrbios neurológicos, e hoje em dia, alguns componentes são muito eficazes para tratar a doença. “O canabidiol (CBD) atua como um potente anticonvulsivante, prevenindo crises epilépticas e oferecendo efeito imediato. Já o tetrahidrocanabinol (THC) auxilia no alívio das dores musculares causadas pelos movimentos involuntários das convulsões, além de ser eficaz no tratamento de enxaquecas, cefaleia e enjoos associados”, explica.

Essas propriedades tornam a cannabis uma alternativa terapêutica relevante no manejo da epilepsia, especialmente em casos de sintomas associados. Por essa razão, diante dos resultados positivos que foram apresentados com o tratamento, desde 2014 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta o uso compassivo do canabidiol (CBD) para crianças e adolescentes com epilepsia refratária.

Gabriela Kreffta, técnica farmacêutica da Santa Cannabis. (Divulgação)

No entanto, independentemente do tipo de epilepsia, é fundamental que o uso de medicamentos à base de cannabis medicinal seja feito somente com prescrição médica. Gabriela Kreffta, técnica farmacêutica da Santa Cannabis, ressalta que, por se tratar de uma doença que pode afetar pessoas de todas as idades e em diferentes fases da vida, é necessário cautela. O diagnóstico preciso, aliado à prescrição e à definição correta da dosagem, é essencial para garantir segurança e promover qualidade de vida aos pacientes.

Para Gabriela, o tratamento com canabidiol (CBD), além de ter um histórico de uso milenar, mostra-se promissor devido à sua eficácia e ao perfil de segurança mais favorável em comparação a muitos fármacos tradicionais, que costumam causar efeitos colaterais significativos. “Com o avanço das pesquisas, a aceitação médica tem crescido, permitindo uma abordagem mais integrada e baseada em evidências. No entanto, é fundamental considerar possíveis interações medicamentosas ao introduzir o CBD na rotina terapêutica, garantindo um tratamento seguro e eficaz”, pontua.

Neste sentido, os especialistas da Santa Cannabis destacam ser fundamental ampliar a conscientização sobre como agir diante de uma convulsão. Um dos mitos mais comuns, como segurar a língua da pessoa durante uma crise, pode ser perigoso. Da mesma forma, a ideia de que a cannabis causa danos aos neurônios é equivocada, pois estudos indicam que seus compostos, especialmente o CBD, possuem efeitos neuroprotetores, ajudando a preservar a saúde cerebral e reduzir danos causados por distúrbios neurológicos.

Sobre a Santa Cannabis | A Santa Cannabis é uma associação sem fins lucrativos que busca fomentar os estudos da cannabis medicinal em pacientes com indicação médica para o uso, assim como a distribuição legal de CBD e THC medicinal. Fundada em 2019, a empresa possui uma autorização judicial que possibilita a importação, o plantio e o transporte de sementes para a produção de óleos e pomadas.

(Com Alice Vieira/Seven PR)