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CineSESC estreia novos títulos e passa a exibir filmes de cineastas indígenas

São Paulo, por Kleber Patricio

‘A Origem da Alma – Tekowe Nhepyrun’ apresenta depoimentos dos mais velhos da aldeia Yhowy, Guaíra-PR, compartilhando conhecimentos sobre a origem do modo de ser Guarani. Foto: divulgação.

Completando três meses no ar e com mais de 250 mil visualizações, a série Cinema Em Casa Com SESC, realizada pelo SESC São Paulo, traz a cada quinta-feira uma programação de filmes em streaming na plataforma SESC Digital, com curadoria do CineSESC. E neste mês, a partir do dia 6, dá início a um novo ciclo exclusivamente dedicado à autoria indígena. Basta acessar o Cinema Em Casa para conferir longas e curtas-metragens, ficcionais e documentais, sempre a partir de quinta-feira, com acesso gratuito a qualquer hora do dia para ver e rever quando e onde quiser e sem necessidade de cadastro.

Nesta semana, o #EmCasaComSESC exibe o longa de ficção A Caça, de Thomas Vintenberg. O drama sueco-dinamarquês de 2012 narra a história de Lucas, homem de meia idade que após seu divórcio tem uma nova namorada, um novo trabalho e reconstrói sua relação com Marcus, seu filho adolescente. Porém, quando a neve começa a cair e as luzes de Natal se iluminam, uma mentira espalha-se como um vírus invisível. O estupor e a desconfiança propagam-se e a pequena comunidade mergulha na histeria coletiva, obrigando Lucas a lutar para salvar sua vida e dignidade.

Outra estreia da semana é O Reino da Beleza, que traz roteiro e direção do canadense Denys Arcand. No filme, o personagem Luc, um jovem arquiteto talentoso, vive uma vida tranquila com a esposa, Stéphanie, na área de Charlevoix. Um dia, ele aceita ser o membro de um júri de arquitetura em Toronto. Lá, ele encontra Lindsay, uma mulher misteriosa que vai virar sua vida de cabeça para baixo.

‘Cabra Cega’, de Toni Venturi, narra a história de Tiago e Rosa, dois jovens militantes da luta armada, que sonham com uma revolução social no Brasil. Foto: divulgação.

A partir desta quinta, 6 de agosto, o público também poderá conferir o longa nacional Cabra Cega, de Toni Venturi, que narra a história de Tiago e Rosa, dois jovens militantes da luta armada que sonham com uma revolução social no Brasil. Após ser ferido por um tiro em uma emboscada feita pela polícia, Tiago precisa se esconder na casa de Pedro, um arquiteto simpatizante da causa. Com o passar do tempo, Tiago passa a ficar preocupado com sua segurança, adotando um comportamento estranho e colocando em dúvida se Pedro seria um traidor.

Outra estreia da semana é a animação francesa Kiriku – Os homens e as mulheres, de Michel Ocelot. No último filme da trilogia, o herói Kiriku é chamado para salvar sua aldeia de perigos sobrenaturais e humanos, o que ele faz com muita astúcia e humor, além de certa ingenuidade sobre o mundo. Contado pelo seu avô, o Homem Sábio que vive na Montanha Proibida, o filme entrelaça uma coleção de fábulas misturando narrativa tradicional e mitologia com pedaços de humor e sagacidade.

E inaugurando um novo eixo temático com a exibição de filmes de autoria indígena, entre obras clássicas e contemporâneas realizadas por coletivos e diretores de diversas etnias e regiões do Brasil, a série Cinema #EmCasaComSESC traz dois documentários de Alberto Alvares: A Origem da Alma – Tekowe Nhepyrun, que apresenta depoimentos dos mais velhos da aldeia Yhowy, Guaíra-PR, compartilhando conhecimentos sobre a origem do modo de ser Guarani e O Último Sonho, que homenageia o grande líder espiritual Guarani Wera Mirim – João da Silva, da aldeia Sapukai, de Angra dos Reis-RJ.

‘O Último Sonho’ homenageia o grande líder espiritual Guarani Wera Mirim – João da Silva, da aldeia Sapukai, de Angra dos Reis-RJ. Foto: divulgação.

A programação do Cinema #EmCasaComSESC contempla quatro eixos principais, além do novo ciclo de autoria indígena. Uma curadoria de clássicos do cinema, em sua maioria cópias restauradas e exclusivas na plataforma; uma seleção contemporânea internacional, com filmes que tiveram uma trajetória relevante em festivais no mundo todo e que merecem uma nova oportunidade de exibição ao público; uma janela dedicada ao cinema nacional, com produções de grande alcance de público e filmes independentes que merecem maior espaço de exibição – haverá também destaque aos documentários, ponto forte na produção cinematográfica brasileira e, por fim, uma seleção de filmes infanto-juvenis, visando a formação de público, desde os primeiros anos de vida, para a diversidade do cinema e ampliação do lastro de narrativas.

Pelo ciclo de autoria indígena, a cada mês, um filme ou seleção de filmes entra em cartaz na plataforma do SESC Digital – Cinema #EmCasaComSESC e fica disponível ao público pelo período de 30 dias. São produções que ampliam olhares sobre a diversidade cultural, por meio de um cinema que se realiza nas e com as florestas, os cerrados, a natureza, o território, a cosmologia. Os filmes resultam de um intenso processo de apropriação tecnológica contemporânea a partir de matrizes culturais tradicionais que fazem do cinema um potente caminho para o fortalecimento cultural, fonte de expressão de diversas formas de ser e estar no mundo e de transmissão de saberes.

Para a curadoria desse primeiro ciclo especial, o CineSESC convidou a documentarista e antropóloga Júnia Torres, organizadora e curadora do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. Segundo Júnia, o intuito dessa programação é “compartilhar títulos exemplares de um fenômeno em curso: a consolidação de novos protagonismos na cena autoral audiovisual recente, resultado da revolução tecnológica promovida pelo cinema digital e suas apropriações estéticas por diferentes grupos”. Este ciclo de filmes confere visibilidade a partir dessa produção, abrindo um canal potente para um cinema pulsante, realizado por novas e novos realizadores e realizadoras de diferentes povos. “São filmes que, ao incluir sujeitos historicamente apartados da perspectiva autoral cinematográfica, demarcam novos territórios, provocam um deslocamento e uma descolonização do olhar e uma ampliação conceitual e política que importa potencializar e que não podemos, hoje, desconhecer”, completa a curadora.

ESTREIAS Cinema #EmCasaComSESC 6 DE AGOSTO

A Caça

(Dir.: Thomas Vintenberg, Dinamarca – Suécia , 2013, 111 min, Ficção, 14 anos)

Após um complicado divórcio, Lucas, quarenta anos, tem uma nova namorada, um novo trabalho e reconstrói sua relação com Marcus, seu filho adolescente. Mas há algo errado. Uma observação passageira. Uma mentira aleatória. E quando a neve começa a cair e as luzes de Natal se iluminam, a mentira espalha-se como um vírus invisível. O estupor e a desconfiança propagam-se e a pequena comunidade mergulha na histeria coletiva, obrigando Lucas a lutar para salvar sua vida e dignidade.

O Reino da Beleza

(Dir.: Denys Arcand, Canadá, 2017, 102 min, Ficção, 16 anos)

Luc, um jovem arquiteto talentoso, vive uma vida tranquila com a esposa, Stéphanie, na área de Charlevoix. Linda casa, esposa bonita, jantar com amigos, golfe, tênis, caça… uma vida perfeita, por assim dizer. Um dia, ele aceita ser o membro de um júri de arquitetura em Toronto. Lá, ele encontra Lindsay, uma mulher misteriosa que vai virar sua vida de cabeça para baixo.

Cabra Cega

(Dir.: Toni Venturi, Brasil, 2005, 105 min, Ficção, Livre)

Tiago e Rosa são dois jovens militantes da luta armada, que sonham com uma revolução social no Brasil. Após ser ferido por um tiro, em uma emboscada feita pela polícia, Tiago precisa se esconder na casa de Pedro, um arquiteto simpatizante da causa. Tiago é o comandante de um “grupo de ação” de uma organização de esquerda, que está no momento debilitada e estuda um retorno à luta política. Rosa é o contato de Tiago com o mundo, sendo agora ainda mais importante por estar ferido. Com o passar do tempo, Tiago passa a ficar preocupado com a segurança deles, adotando um comportamento estranho e colocando dúvidas em Pedro se ele não seria um traidor.

Kiriku – Os Homens e as Mulheres

(Dir.: Michel Ocelot, França, 2015, 88 min, Ficção, Livre)

No último filme da trilogia, Kiriku é chamado para salvar sua aldeia de perigos sobrenaturais e humanos, o que ele faz com muita astúcia e humor, além de certa ingenuidade sobre o mundo. Contado pelo seu avô, o Homem Sábio que vive na Montanha Proibida, o filme entrelaça uma coleção de fábulas misturando narrativa tradicional e mitologia com pedaços de humor e sagacidade.

A Origem da Alma – Tekowe Nhepyrun

(Dir.: Alberto Alvares, Brasil, 2015, 36 min, Documentário, Livre)

Para nós Guarani, a alma é a conexão entre o corpo e o espírito. O documentário A Origem da Alma apresenta o depoimento dos mais velhos da aldeia Yhowy, Guaíra, Paraná, compartilhando conhecimentos sobre a origem do modo de ser Guarani.

O Último Sonho

(Dir.: Alberto Alvares, Brasil, 2019, 60 min, Documentário, Livre)

O documentário homenageia o grande líder espiritual Guarani Wera Mirim – João da Silva, da aldeia Sapukai, em Angra dos Reis – RJ, que teve o seu passamento em 2016. Ele sempre ouvia e seguia a orientação de Nhanderu para guiar o seu povo na caminhada no território através da sabedoria e do seu sonho e de suas belas palavras.

+ FILMES EM CARTAZ

Quem navega pela plataforma SESC Digital encontra outras que permanecem disponíveis para acesso gratuito e irrestrito do público. Em Cinema Em Casa , há o clássico De Crápula a Herói, de Roberto Rossellini, o alemão Manifesto, do cineasta e multiartista Julian Rosefeldt, o terror surrealista A Hora do Lobo, do sueco Ingmar Bergman, e a cópia restaurada de Mamma Roma, de Pier Paolo Pasolini.

Também permanecem no serviço de streaming do SESC São Paulo, o belo A Carruagem de Ouro, do francês Jean Renoir, Os Palhaços, de Federico Fellini, Academia das Musas, de José Luis Guerín, Violência e Paixão, de Luchino Visconti e Paterson, de Jim Jarmusch, que teve sua exibição prorrogada devido à grande procura do público.

A produção do cinema nacional tem um espaço de destaque no SESC Digital, com 12 títulos, entre filmes, documentários a animações. A lista conta com Corpo Elétrico, do diretor Marcelo Caetano, Todos os Paulos do Mundo, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, e Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira. Completam a lista os infantis Garoto Cósmico e O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

Ainda estão em cartaz Francofonia – Louvre sob Ocupação, de Alexander Sokurov, o documentário franco-alemão Visages, Villages, da cineasta belga Agnès Varda e do fotógrafo e artista urbano francês JR, pseudônimo de Jean Réné, A Sociedade Secreta de Souptown, do diretor Margus Paju, Cinco Graças, da diretora turco-francesa Deniz Gamze Ergüven, Entrelaços, da japonesa Naoko Ogigami e os documentários brasileiros Partido Alto e Encantado – O Brasil em Desencanto.

Continuam em cartaz também a ficção Kapò – Uma História do Holocausto, do diretor italiano Gillo Pontecorvo, além do longa E Então Nós Dançamos, e da ficção Quase Samba, além da animação nacional infantil Peixonauta – Agende Secreto da O.S.T.R.A.

CINESESC

Um dos cinemas de rua mais queridos da cidade, o CineSESC iniciou seu funcionamento em 21 de setembro de 1979, no número 2075 da rua Augusta, na cidade de São Paulo, e se dedica à missão de fomentar a difusão do cinema de qualidade, exibindo obras que muitas vezes ficam fora do circuito comercial nas salas de cinema e plataformas online. Sua programação inclui grandes e pequenas produções do mundo todo.

Além de integrar o corpo de curadores em mostras especiais, o CineSESC também recebe festivais importantes do calendário cinematográfico paulistano, como a Mostra Internacional em São Paulo, Festival Mix Brasil e o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, entre outros. O cuidado com a programação tem reconhecimento do público e da crítica, que o elegeu, por diversas vezes, a melhor sala especial de cinema na cidade de São Paulo.

Serviço:

Cinema #EmCasaComSESC

Toda semana, sempre a partir de quinta-feira, tem quatro novos filmes para streaming: SESCsp.org.br/cinemaemcasa.

Para delírio dos chocólatras, uma receita de hambúrguer de chocolate

Ribeirão Preto, por Kleber Patricio

O hambúrguer de chocolate da chef Rachel Camacho. Foto: divulgação.

“Chocolate, chocolate, chocolate – eu só quero chocolate”, já dizia a música do saudoso Tim Maia. E, para os chocólatras de plantão, a chef Rachel Camacho ensina uma receita saborosíssima – Hambúrguer de Chocolate – fácil, fácil.

Vamos aos ingredientes:

400 g de chocolate

100g de creme de leite

Chocolate em pó 50% cacau (até dar a textura)

Modo de preparo:

Derreta o chocolate (de preferência o meio amargo) e acrescente o creme de leite (até ficar homogêneo e liso). Depois, acrescente o cacau em pó gradualmente até que se crie uma massinha de modelar. Após formar-se a massinha, você pode moldá-la em formato de “carne” de hambúrguer. O pão pode ser amanhecido, pão de brioche ou o próprio pão do sonho (aquele vendido em padaria). Para o recheio, podem ser usadas frutas grelhadas e flambadas ou então a clássica geleia. Se escolher as grelhadas, você pode usar uma churrasqueira e grelhar um abacaxi com açúcar. O pão também pode ser grelhado na churrasqueira.

Como montar:

Primeiro o pão, depois o creme de confeiteiro, uma hortelã, depois a fruta ou a geleia de sua escolha e o hambúrguer de chocolate e, no final, o pão novamente. Você pode levar ao fogo para aquecer e logo saborear essa sobremesa gostosa e muito refrescante.

Sobre a chef Rachel Camacho – @kelcamacho.

Dança #EmCasaComSESC apresenta Frank Ejara & Discípulos do Ritmo e Lu Favoreto dias 4 e 6 de agosto

São Paulo, por Kleber Patricio

‘(Com)Fluência – Pocket‘ é um espetáculo que mostra a música e a dança numa relação interdependente. Montagem: Frank Ejara.

Há um mês no ar, a programação da série Dança Em Casa Com SESC traz na próxima semana duas novas apresentações para o público: (Com)Fluência – Pocket, de Frank Ejara & Discípulos do Ritmo, que acontece na terça, 4, e o espetáculo Lá, onde a gente dançava sobre espelhos, de Lu Favoreto, na quinta, dia 6. A série mostra novos trabalhos todas as terças e quintas, sempre às 21h30, através do canal no YouTube do SESC São Paulo e do perfil do SESC Ao Vivo no Instagram , sempre com um espetáculo ao vivo de dança apresentado direto da casa do artista.

Na terça-feira, 4 de agosto, o público poderá assistir (Com)Fluência – Pocket, espetáculo que mostra a música e a dança numa relação interdependente; uma comunhão de artes que convergem em uma criação espontânea, com a improvisação como ferramenta da ação. O DJ e beat maker Frank Ejara usa do improviso para criar seus sons e ritmos e personalizar sua música no momento exato em que os dançarinos Darlita Albino e Vini Azevedo improvisam nos passos.

Os Discípulos do Ritmo são uma companhia de danças urbanas criada em 1999 pelo diretor Franco Pereira, mais conhecido com Frank Ejara. Trata-se do primeiro grupo a trabalhar as danças urbanas nas artes cênicas de forma híbrida e profissional.

Lu Favoreto atua como bailarina, coreógrafa, preparadora corporal para as artes cênicas e professora de dança. Crédito da foto: Mariana Rotili.

Na quinta-feira, dia 6, o espetáculo Lá, onde a gente dançava sobre espelhos, de Lu Favoreto, apresenta uma criação livremente inspirada no contato da Cia. Oito Nova Dança com o universo ameríndio e suas concepções de corporalidade. Pela perspectiva do movimento, a performance é fundamentada na pesquisa de um corpo ancestral e na integração entre voz, palavra, canto e dança, provocando um diálogo improvisacional entre dança, música, imagem/projeção e luz. Lá, onde a gente dançava sobre espelhos é composto por três núcleos: prólogo (Desfazer da Fuça| Desfazer da Face), Ato (Nó Na garganta|Ninho da palavra) e Epílogo – Retro Visão|Retro Visor. O espetáculo conta com a colaboração da diretora e iluminadora teatral Cibele Forjaz, que fará o desenho de luz e a movimentação ao vivo da câmera.

Lu Favoreto atua como bailarina, coreógrafa, preparadora corporal para as artes cênicas e professora de dança. Tem como elemento primordial de investigação a relação entre estrutura corporal, movimento vivenciado e a comunicação na cena. Fundamenta seu trabalho didático e artístico na Técnica do Movimento Consciente (Klauss Vianna/Brasil) e na Coordenação Motora (M. M. Béziers e S. Piret/França).

Sempre às terças e quintas-feiras, às 21h30, acontece uma apresentação diferente no formato de solos, duplas ou com mais integrantes – desde que estes já estejam dividindo o mesmo espaço neste período de quarentena –, podendo ser coreografias inéditas, criadas para este espaço digital, trechos de obras ou adaptações de trabalhos existentes, de acordo com o espaço e proposta de cada obra. As apresentações têm duração de até 40 minutos. Dentro desta linguagem, a experiência das diversas edições da Bienal SESC de Dança, que teve sua 11ª edição realizada em setembro de 2019, possibilita a expansão da atuação digital da instituição. A programação terá como foco abranger o maior número de vertentes e movimentos da dança, em suas expressões, diversidades e poéticas de corpos, dentro das muitas áreas de pesquisa, como a clássica, urbana, contemporânea, performática e experimental.

A iniciativa faz parte das diversas ações digitais que expandem a atuação da instituição no campo virtual, como a plataforma do SESC Digital e a programação de transmissões de música e teatro da série SESC Ao Vivo. “As artes, em todas as suas linguagens, têm sido altamente impactadas pelas restrições de convívio social e pela suspensão das contratações dos artistas e de toda a cadeia de criação e produção. O desenvolvimento da Plataforma SESC Digital expressa nossa preocupação com a expansão da atuação social do SESC para o ambiente digital”, comenta Danilo Santos de Miranda, diretor do SESC São Paulo. “Acreditamos ser possível, ainda que desafiadora, a experimentação de uma prática cênica performativa em novos formatos, gramáticas e suportes. Pretendemos contemplar outras linguagens artísticas em nossas transmissões ao vivo nos próximos dias”, conclui.

Até aqui, a Dança #EmCasaComSesc exibiu onze apresentações com audiência que ultrapassa 25 mil visualizações. Já passaram pela série os bailarinos e coreógrafos Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, em espetáculo com fragmentos da pesquisa Outras Formas; Diogo Granato apresentou Toda Vez que me Despeço; a dupla Key Sawao e Ricardo Iazzetta trouxe a dança do dia; Rubens Oliveira fez sua estreia em espetáculo solo com Makahla; Morena Nascimento foi atração com a dança-improviso Madeira, uma dança para meu pai; Márcio Greyk apresentou Solos de Laje; Cristian Duarte mostrou Home100; Jussara Miller trouxe o solo Proximidade, um olhar para o avesso; Denise Stutz esteve com o espetáculo 3 Solos em 1 Tempo; Celly IDD e DG Fabulloso apresentaram Passinho, Dança e Tela e, com uma dança pensada e criada a partir do cenário atual de afastamento social, Cesar Dias apresentou Ser.

Dança na TV

Além das lives, o público interessado em dança poderá conferir também a série Dança Contemporânea, exibida desde 2009 pelo SescTV e que acaba de ganhar nova temporada no canal e na internet. Os 13 novos episódios propõem um olhar plural para a cena da dança contemporânea no país a partir das poéticas do corpo negro. Integrados ao projeto #Do13ao20 – (Re)Existência do Povo Negro (sescsp.org.br/do13ao20), que propõe diálogos sobre a condição social da população negra e objetiva reiterar os valores institucionais, bem como o reconhecimento das lutas, conquistas, manifestações e realidades do povo negro, a curadoria desta temporada é assinada pela artista e pensadora em dança, gestora cultural e cientista social Gal Martins. Sua proposta evidencia as corporalidades plurais nas danças contemporâneas com o intuito de fazer presente, com dignidade, a multiplicidade de vozes que compõem o universo dança em todo o país, contemplando os corpos negros, femininos, periféricos, gordos, LGBTQI+ e tantos outros.

Além de Encruzilhada, do Grupo Fragmento Urbano, fazem parte da temporada Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos – Cia Pé no Mundo; Noite de Solos, composto pelas apresentações Depoimentos para Fissurar a Pele – Núcleo Djalma Moura e Corredeira – Nave Gris Cia Cênica; Filhxs -da- P°##@ – T O D A – Coletivo Calcâneos; Herança Sagrada – A Corte de Oxalá, com o Balé Folclórico da Bahia; Cria – Cia. Suave; Eles Fazem Dança Contemporânea – interpretado por Leandro Souza; Anonimato – Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos – Cia Treme Terra; Subterrâneo – Gumboot Dance Brasil; 5 Passos para não Cair no Abismo – Cia Urbana de Dança; Mulheres do Àse. – com Edileusa Santos ; Sons D’Oeste -Trupe Benkady e Mensagens de Moçambique – Taanteatro Companhia.

Assista: youtube.com/sescsp instagram.com/sescaovivo.

Curaçao receberá Proteus, a maior estação de pesquisas subaquática do mundo

Bahamas, por Kleber Patricio

Visão externa do projeto Proteus. Crédito da imagem: Ives Béhar e Fuseproject.

O renomado aquanauta, explorador de oceanos e ambientalista Fabien Cousteau anunciou em 22 de julho sua visão para o projeto Proteus, a estação de pesquisa científica subaquática mais avançada do mundo. Desenvolvido para atender às preocupações mais críticas da humanidade, como as descobertas medicinais, a sustentabilidade dos alimentos e os impactos das mudanças climáticas, o projeto do Fabien Cousteau Ocean Learning Center (FCOLC), foi concebido como uma versão da Estação Espacial Internacional. Será uma plataforma para colaboração global entre pesquisadores, acadêmicos, agências governamentais e grandes corporações ao redor do mundo para o avanço da ciência. “Como nosso sistema de suporte à vida, o oceano é indispensável para solucionar os maiores problemas do planeta. Os desafios criados pelas mudanças climáticas, o aumento do nível do mar e as tempestades extremas representam um risco de vários trilhões de dólares para a economia global”, afirmou Fabien Cousteau. Surpreendentemente, apesar de o oceano representar mais de 99% da vida na Terra, apenas 5% já foi explorado para pesquisas. “Proteus, considerado o primeiro de uma rede de habitats subaquáticos, será essencial para conduzir soluções significativas que protejam nosso futuro. O conhecimento que será descoberto debaixo d’água mudará para sempre a maneira como gerações de seres humanos vivem lá na superfície”, completa Cousteau.

Proteus estará localizado na ilha de Curaçao e a uma profundidade de 18 metros (60 pés), em uma região rica em biodiversidade e protegida do mar do Caribe. “Estamos muito satisfeitos por estar em casa para receber Proteus. Nosso incrível Mar do Caribe possui imensas riquezas ainda a serem totalmente descobertas. O potencial econômico de ter a primeira estação espacial subaquática localizada nas águas de Curaçao é enorme, da criação de novos empregos ao desenvolvimento do turismo”, manifestou Steven Martina, ministro do Desenvolvimento Econômico de Curaçao.

Destaque para a cor do mar do Caribe em Curaçao. Foto: divulgação.

Proteus será quatro vezes maior do que qualquer estação subaquática existente e contará com modernos laboratórios, dormitórios e um tanque acoplado. Incluirá a primeira estufa submarina, permitindo o crescimento de alguns vegetais e marcará uma abordagem única para enfrentar alguns desafios que acompanham a vida subaquática, como não poder cozinhar com fogo. A plataforma será alimentada de forma sustentável por fontes híbridas, incluindo as energias eólica, solar e oceânica e terá uma instalação de produção de vídeo em grande escala para fornecer streaming ao vivo para programas educativos e a entrega de realidade aumentada e virtual para colaboradores ao redor do mundo.

Como a maior e mais avançada estação subaquática tecnologicamente já construída, Proteus concederá aos cientistas e aquanautas tempo suficiente para realizar mergulhos contínuos noturnos e diurnos para a coleta de dados. A plataforma possibilitará a descoberta de novas espécies de vida marinha, além de criar uma melhor compreensão de como as mudanças climáticas afetam o oceano, permitindo o teste de tecnologias avançadas para energia, aquicultura e exploração robótica. Proteus também permitirá que mergulhadores de saturação passem o dia inteiro realizando pesquisas no fundo do mar – a saturação permite ao homem viver, trabalhar e explorar grandes profundidades.

Os laboratórios de última geração facilitarão o processamento de amostras orgânicas que podem ser estudadas em tempo real, em vez de se degradarem rapidamente ou morrerem durante a árdua jornada até os laboratórios terrestres de superfície. A experimentação no local resultará em uma tubulação aprimorada para apoiar o desenvolvimento de novos tratamentos para câncer, antibióticos, vacinas e muito mais.

Visão externa do projeto Proteus. Imagem: Ives Béhar e Fuseproject.

O design de Proteus foi co-concebido pelo renomado designer industrial Yves Béhar e sua empresa Fuseproject, que trabalhou com grandes empresas como Samsung, General Electric, Herman Miller e Prada. “O objetivo do projeto de Proteus é oferecer um serviço eficaz, confortável e com uma instalação atraente para pesquisadores, além de uma estrutura subaquática emocionante que acumule a mesma paixão pela exploração oceânica como a exploração espacial. A arquitetura espiral em Proteus abriga espaços sociais e de trabalho, bem como um estúdio de comunicação e um tanque submersível. Proteus é prático e um ícone que mudará a maneira como experimentamos a pesquisa oceânica”, salientou Béhar.

Proteus parte do sucesso monumental da Missão 31 (de 2014), quando Fabien Cousteau liderou cinco aquanautas na estação Aquarius, localizada a 15 quilômetros da costa de Florida Keys e a 100 metros de profundidade. Ele bateu o recorde que pertencia ao avô Jacques Cousteau (30 dias) e ficou 31 dias vivendo lá embaixo. Assim, realizou três anos de pesquisa em apenas um mês, resultando em 12 estudos científicos e 9.800 artigos acadêmicos publicados.

Os parceiros estratégicos do projeto Proteus são Northeastern University, Rutgers University e a Caribbean Research and Management of Biodiversity (CARMABI), além da Escola de Oceanografia da Rhode Island University.

Neurofilósofo mostra como ‘alimentar’ o cérebro para aprender e produzir mais

Portugal, por Kleber Patricio

O neurofilósofo e jornalista Fabiano de Abreu. Crédito da foto: Vagner Souza.

Concluir cursos e se preparar para concursos em meio ao estresse diário é possível, desde que a mente esteja ‘alimentada’ – com esta premissa, o neurofilósofo e jornalista Fabiano de Abreu mostra como utilizar o cérebro de forma eficaz. Em entrevista à revista de saúde Go Where, o neurofilósofo – ou seja, neurocientista, neuropsicanalista, neuropsicólogo e filósofo – conta como ele conseguiu concluir dez cursos em apenas doze meses. “Os circuitos neuronais são plásticos: eles são capazes de mudar em resposta a vários estímulos internos e externos. Em outras palavras, eles são moldados pela experiência”. Isso é o que ele chama de ‘plasticidade neuronal’ ou ‘neuroplasticidade.

Mais do que isso, ele encoraja as pessoas de todas as idades a tentarem: “Durante muito tempo se pensava que o cérebro era um circuito fechado incapaz de sofrer alterações; porém, estudos comprovaram que o cérebro tem notável capacidade de se expandir, de se regenerar, mesmo na idade adulta”, afirma Fabiano.

Alimentar o cérebro

Fabiano integra a Mensa, a mais antiga sociedade de alto QI do mundo, com sede na Inglaterra. Ele afirma, no entanto, que qualquer pessoa pode exercitar o cérebro; não precisa ter um QI acima da média. Uma das técnicas é experimentar o novo constantemente e repeti-lo – um exemplo é desempenhar de uma nova maneira uma tarefa cotidiana constantemente. Dessa forma, Fabiano explica que evitar a rotina e tarefas mecânicas, que não exijam raciocínio, é fundamental.

Em entrevista à revista de saúde ‘Go Where’, neurofilósofo conta como conseguiu concluir dez cursos em apenas doze meses.

“Quando experimentamos algo novo, em minutos ou horas se forma uma nova espinha dendrítica em busca da extremidade de um axônio próximo. Na semana seguinte, se forma uma sinapse funcional que estabiliza a informação, mas o contrário também pode acontecer: as espinhas dendríticas encolhem, eliminam as sinapses e a memória se perde; ou seja, quando experimentamos algo novo, criam-se novas conexões, reforçamos e aumentamos o cérebro. Já quando estamos e vivemos no automático, o encolhemos”, explica.

Para quem pensa que isso é distante de sua realidade, Fabiano conta que ler e aprender é importante, aprender algo novo constantemente é excelente. “Não tem nada melhor do que a plasticidade através do conhecimento, da leitura. Somado a isso, é preciso fazer exercícios físicos e ter uma alimentação balanceada para o equilíbrio da microbiota intestinal para uma melhor liberação de hormônios e de neurotransmissores sem a necessidade de suplementos ou medicamentos que possam criar dependência”, finaliza.