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Cerrado: quais os impactos causados pelas mudanças climáticas discutidas atualmente?

Cerrado, por Kleber Patricio

Veredas protegidas pela Save Cerrado, em setembro de 2020. Foto: Giovanna Louzi – gilouzi_ph.

As mudanças climáticas em curso representam o maior desafio da humanidade na atualidade. O prolongamento dos períodos de seca e o aumento do volume das chuvas e da ocorrência de tempestades, além de maiores temperaturas médias em várias regiões, têm efeitos diretos sobre a produção de alimentos e matérias-primas. “Com o aquecimento global, teremos a extinção de várias espécies, o aumento do nível do mar – que pode provocar inundações -, e o comprometimento do fornecimento de serviços ambientais. De um modo geral, todos os aspectos citados interferem diretamente na economia atual e na vida em sociedade”, alerta o gestor ambiental Hiuri Metaxas.

Cada vez mais, pessoas parecem ter mais consciência sobre os desastres que tais impactos ambientais causam. Uma pesquisa realizada pela Ipsos em maio comprovou isso, mostrando que a preservação ambiental está intensificando sua relevância, mesmo em um cenário de pandemia. Na opinião de 85% dos brasileiros, a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid-19. O estudo ouviu participantes de 16 países, sendo 1.000 no Brasil.

Natureza destruída | De acordo com o fundador e presidente da ONG Save Cerrado, Paulo Bellonia, quando o homem destrói uma floresta nativa para abrir terras, construir barragens e explorar atividades do agronegócio, está iniciando um ciclo perigoso de perda de biodiversidade e desencadeando problemas que podem afetá-lo diretamente, como a mudança climática. “Essa intensa onda de calor pode favorecer a propagação do fogo por várias regiões do país. O Brasil está em chamas e isso não é uma figura de linguagem. Os principais biomas do país e do mundo estão queimando”.

O fundador da Save Cerrado, Paulo Bellonia. Foto: divulgação/Save Cerrado.

De acordo com levantamento e imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), a quantidade de focos de incêndio tem crescido por todo o território brasileiro. Os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal ocupam os três primeiros lugares do ranking negativo. Os dados são do período de janeiro a setembro de 2020.

Mudança climática | Bellonia explica que as queimadas operam em um ciclo preocupante. “Quanto mais se desmata, mais emissão de gases de efeito estufa, mais calor, mais queimadas, mais ocorrências de incidentes naturais com chuvas intensas em curto espaço de tempo, ventos extremos em locais que jamais ocorreram, como em Santa Catarina no primeiro semestre desse ano. Ao queimar a vegetação, são novamente liberados gases do efeito estufa na atmosfera, potencializando as mudanças climáticas, que, por sua vez, causam aumento de temperatura e clima mais seco em diversas regiões do mundo”.

A Organização Mundial de Meteorologia prevê para o período de 2020/2024 aumento de temperatura, redução de chuvas e, consequentemente, períodos mais secos em algumas regiões, incluindo a América do Sul. Isto pode alterar os ecossistemas de maneira que a biodiversidade, muitas vezes, não consiga se adaptar.

Bellonia esclarece que uma biodiversidade em equilíbrio mantém o meio ambiente saudável, questão fundamental para evitar a ocorrência de doenças, incluindo pandemias, como o coronavírus, um reflexo duro na humanidade mundial neste ano. “Os biomas estão interligados; enquanto o Cerrado é conhecido como a caixa d’água do Brasil por concentrar as nascentes de muitos rios e bacias hidrográficas, a Amazônia produz uma série de serviços ambientais distribuídos pelo país e um deles é levar chuvas para regiões distantes. Os chamados “rios voadores” podem ser enfraquecidos devido ao desmatamento e, consequentemente, levar menos umidade para as outras regiões, incluindo o Pantanal”.

Como podemos ajudar? | Proteger florestas nativas no Cerrado e os demais ambientes naturais é fundamental na luta contra as crises climática e da biodiversidade e cabe a nós resistir a este modelo de destruição.  “Defender o equilíbrio do ecossistema é preservar a saúde e o bem-estar humano. Tudo está inserido dentro de um importante ciclo”, alerta o especialista. Por isso, fundou a Save Cerrado, uma ONG que atua exclusivamente no Cerrado, bioma com uma das maiores riquezas de biodiversidade do planeta. “Nossas ações estão relacionadas com áreas específicas e de altíssima relevância de preservação para a sociedade brasileira e mundial, tanto pela importância das águas quanto pelo fato de se tratar de um Hotspot, tudo com total transparência de onde exatamente os recursos estão sendo aplicados”, informa. Hotspots são áreas com grande biodiversidade e ameaçadas de extinção, se concentram em apenas 2,3% da superfície do planeta e detêm cerca de 60% do patrimônio biológico do mundo.

Bellonia finaliza explicando que, proporcionalmente, o Cerrado é o bioma mais desmatado do Brasil. “De acordo com a lei, 80% das áreas privadas podem ser utilizadas para o agronegócio, favorecendo o desmatamento e impactando na perda de uma da mais rica biodiversidade do planeta, além de acelerar o aquecimento global. Nós da Save Cerrado evitamos o desmatamento em áreas privadas prioritárias para conservação e desenvolvemos ações sustentáveis de recuperação de veredas, educação ambiental e extrativismo sustentável, envolvendo as comunidades e cooperativas locais. Hoje temos o orgulho de trabalhar na proteção de uma área de 180 milhões de m² em um dos 4 principais mais importantes corredores de preservação do cerrado.”

A Save Cerrado é uma Organização sem Fins Lucrativos (ONG), que atua na recuperação e preservação de áreas críticas do Cerrado, localizada dentro ou próxima de UC’s e que, nos termos da legislação tributária brasileira, goza de isenção com relação aos tributos federais devidos sobre suas receitas. Acesse o site da organização e saiba mais sobre o projeto e como você pode ajudar a combater ao desmatamento de áreas privadas em UC’s, “adotando” sua área e ajudando a preservar os 180 milhões de m² no Cerrado.

Livro traz a cozinha e a mesa como territórios de invenção de afetos e prazeres

Brasil, por Kleber Patricio

O jornalista e escritor José Guilherme Rodrigues Ferreira está de volta com O Almofariz de Deméter – Breve geografia de vinhos, afeições, alimentos e apetites. O título, que sai pela editora Tapioca, reúne 48 crônicas que tratam a tarefa de comer – e sobreviver – em diferentes locais e períodos históricos.

Neste trabalho, o autor radicaliza sua “escrita de conexões culturais” iniciada em Vinhos no Mar Azul – viagens enogastronômicas, valendo-se do muito que leu, bebeu e comeu (não necessariamente nessa ordem). Depois de escrever com todas as letras que “a melhor garrafa de vinho é a garrafa de vinho aberta”, José Guilherme parte para crônicas de comida, criando narrativas que ligam experiências e culturas com saltos no tempo e no espaço.

A leitura pode levar da mesa um tanto frugal de Napoleão às listas de ingredientes especiais do grego Archestratus. Dos sabores da hospitalidade dos heróis de Homero à cesta de “comida mexicana amorosa” preparada por Frida Khalo para Diego Rivera. Do claret dos poetas românticos ingleses ao cauim dos tupinambás. Dos lagostins das festas de Uppsala, na Suécia, ao hambúrguer pop de Andy Warhol, nos Estados Unidos.

A obra destaca, especialmente, os momentos onde a cozinha e a mesa são territórios de prazer e de invenção de afetos. A apresentação do livro, escrita por Roberto Taddei, inclusive, tem o título de Um romance à mesa, assinalando uma evidente relação entre os textos, chamados de “cantos gastronômicos”.

Sobre o autor

José Guilherme Rodrigues Ferreira é jornalista e escritor. Integrou equipes em redações de alguns dos principais veículos de comunicação do País. É autor de Vinhos no Mar Azul – viagens enogastronômicas (Editora Terceiro Nome), premiado em 2009 com o Gourmand World Cookbook Awards, instituído na França.

O Almofariz de Deméter

Breve geografia de vinhos, afeições, alimentos e apetites

Autor: José Guilherme Rodrigues Ferreira

Editora: Tapioca

Preço livro impresso: R$69,90

Preço e-book: R$49,90

Informações: contatoeditorial@pioneiraeditorial.com.br.

Casa Vogue celebra a diversidade da street art brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Responsáveis por colocar a capital paulista no mapa-múndi da arte de rua, os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, 46 anos, formam um só artista de quatro mãos chamado OSGEMEOS. Crédito da foto: Deco Cury.

A seção Persona da edição de novembro da Casa Vogue celebra a street art brasileira e traz nomes que utilizam as empenas de prédios, muros e o próprio espaço público como suporte para expressar sua arte. OSGEMEOS, Criola, Speto, Flip, Robinho Santana, Simone Siss e Mundano revelam a multiplicidade da arte urbana brasileira e promovem uma reflexão sobre representatividade e inclusão.

Responsáveis por colocar a capital paulista no mapa-múndi da arte de rua, os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, 46 anos, formam um só artista de quatro mãos chamado OSGEMEOS. Alçados do ateliê no bairro do Cambuci, na região central, a mais de 60 países, com direito a temporadas nas principais instituições dedicadas à produção contemporânea (como o The Institute of Contemporary Art, em Boston e a Galleria Patricia Armocida, em Milão), seus trabalhos contam histórias que transitam entre sonho e questionamento, realidade e fantasia. Após adiamentos em função da pandemia, a dupla está em cartaz na Pinacoteca de SP com OSGEMEOS: Segredos, sua primeira exposição panorâmica.

A designer de moda mineira Tainá Lima, 30, adotou o nome Criola quando encontrou nos sprays uma forma de se expressar pelas ruas de Belo Horizonte. Muito antes de a representatividade entrar para a pauta discutida por boa parte da sociedade, ela já levantava essa questão. “Ia para a faculdade de ônibus e pela janela só via outdoors de pessoas brancas. Estava cansada dessa exclusão de meus ancestrais. Então o grafite surgiu na minha vida como suporte para eu contar a verdade que acredito”, lembra. Com uma vibrante paleta de cores de matriz africana, seus murais – presentes também nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paris e Minsk – retratam a cultura, a história e a condição negras em contraponto à narrativa dominante e incluem o feminismo na temática.

Da mesma geração d’OSGEMEOS, o muralista e artista plástico paulistano Paulo César Silva, 49, mais conhecido como Speto, desenvolveu uma linguagem genuinamente nacional, embasada na xilogravura e na tradição do cordel, assim como no modernismo – referências visíveis em linhas geométricas harmônicas, sinuosas e cheias de ritmo. “Ao idealizar um mural, eu caminho bastante pelo local onde ele será feito para entender o espaço. Sigo um pensamento arquitetônico no sentido de integrá-lo ao entorno”, explica. Nos anos 1990, ajudou a elaborar a identidade visual de bandas como Raimundos, Nação Zumbi e O Rappa. Na década seguinte, com a fama mundial da arte urbana brasileira, Speto espalhou seu trabalho por 15 países (que pretende revisitar em 2021, quando completa 50 anos) e expôs em museus e galerias da Europa e dos Estados Unidos.

Mesmo cegos, olhai por nós, pedia um grafite de Robinho Santana, 34, com a imagem de duas crianças negras, que foi apagado na Rua Major Diogo, no bairro paulistano da Bela Vista. Este é o principal mote do pintor, grafiteiro e designer de Diadema, SP, como mostram um mural no Viaduto Nove de Julho, integrante do projeto Museu Arte de Rua, em São Paulo, e a maior empena já executada no festival Cura, em Belo Horizonte, com quase 2 mil m² (o evento deste ano aconteceu em setembro). Ambos trazem crianças negras no colo de um dos pais. “Busco a construção da negritude através de potências e efeitos positivos de amor e afeto. Na capital mineira, como eu dispunha de uma área enorme, procurei falar sobre um assunto também grandioso, a força de uma mãe negra solteira”, explica o artista, cujas telas são vendidas pelo Instagram.

A arte de rua se utiliza do espaço público como área expositiva aberta e acessível a todos. Com spray e criatividade, os artistas do gênero fazem manifestações democráticas dos anseios do nosso tempo. Confira a íntegra da matéria, que conta ainda com entrevistas de Flip, Simone Siss e Mundano, na edição de novembro da revista Casa Vogue.

‘Concertos de Eva’ apresenta Turíbio Santos no dia 7 de novembro

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Turíbio Santos. Foto: divulgação/CMEK.

Os Concertos de Eva Klabin sempre proporcionaram cultura de qualidade ao público e, mesmo estando neste momento em que as apresentações não estão podendo acontecer na Casa Museu, a programação musical da instituição, que comemora 25 anos de funcionamento, continua encantando o público através da realização das lives. Desta vez, o convidado é Turíbio Santos, um ícone do violão brasileiro. Considerado um dos maiores violonistas clássicos da atualidade, especialista em Heitor Villa-Lobos, o músico possui também profundo conhecimento da cultura popular brasileira. Sua carreira já o fez correr o mundo muitas vezes, com críticas brilhantes nos principais centros musicais. O artista já dividiu o palco com grandes celebridades musicais e foi acompanhado por renomadas orquestras nacionais e internacionais.

A Casa Museu Eva Klabin convida a todos para esta noite mais que especial, no próximo dia 7, às 19h. Nesta apresentação exclusiva, Turíbio Santos faz uma homenagem ao grande maestro Villa-Lobos, de quem recebeu lições memoráveis. No programa, apresenta estudos e prelúdios do mestre, além de composições de artistas como Chiquinha Gonzaga e Gonzagão, que para ele são músicos que possuem em suas melodias inspiração e amor pelo Brasil.

A transmissão será feita pelo canal da Casa Museu no YouTube e, para assistir, basta acessar o link: www.youtube.com/canalevaklabin. O concerto tem produção de Nenem Krieger e organização de Marcio Doctors e tem patrocínio da Klabin S.A. por meio da Lei de Incentivo à Cultura/Ministério do Turismo.

Serviço:

Concertos de Eva – Turibio Santos

Data: 7/11/2020 – 19h

Transmissão: http://www.youtube.com/canalevaklabin.

As lições da história em “Três mil anos de política”

Brasil, por Kleber Patricio

Erros do passado apenas podem ser evitados ao se refletir sobre a história – com este propósito construtivo em relação ao futuro, o escritor José Luiz Alquéres aborda a evolução da prática política ao traçar um panorama dos eventos mais importantes no curso da humanidade. São, mais precisamente, Três mil anos de política. Assim como o título, o livro publicado pela Edições de Janeiro é tão fascinante quanto objetivo. Em 232 páginas, o autor apresenta a história do pensamento político desde a origem, na China e Grécia, passando pelos romanos, a Idade Média, a Idade Moderna e os acontecimentos mais contemporâneos, como o fenômeno do nacionalismo, os modelos totalitários e o neoliberalismo.

“Uma nova classe burguesa emerge nas grandes cidades de então. Gente que privilegia não apenas a arte religiosa, mas também temas mitológicos ou laicos. Gente que participa do governo de suas cidades livres, gente que resiste a pagar taxas para reis e cortes inúteis e dispendiosas. Gente, enfim, que elege o valor liberdade – de agir, pensar, movimentar-se e de comercializar – a um patamar de importância não experimentado anteriormente pela humanidade.” (P. 107, Três mil anos de política)

Empresário, editor e filantropo, José Luiz Alquéres traduz a essência de cada período por meio de personagens que marcaram a evolução do pensamento político. Santo Agostinho, Spinoza, Montaigne, Hobbes e Marx, entre tantos personagens, mostram que a história da política é, também, a história da própria humanidade. “As ideias e movimentos políticos não surgem do azul, sem um propósito específico, mas, antes, de homens, sob circunstâncias que se encontram narradas neste delicioso livro”, pontuou o advogado e escritor José Roberto de Castro Neves, prefaciador da obra.

Depois de sumarizar as principais ideologias que prevaleceram nos regimes políticos, Três mil anos de história conduz o leitor pelos temas que dominam a atual discussão, como a crise da democracia e os efeitos da globalização. Para concluir, Alquéres não poderia ser mais eloquente ao apresentar três “razões para esperança” e os desafios, como a necessidade de garantir maior inclusão e representatividade.

Ficha técnica

Título: Três mil anos de política

Autor: José Luiz Alquéres

Editora: Edições de Janeiro

ISBN: 978-65-87061-01-6

Páginas: 232

Formato: 16 x 23 cm

Preço: R$54,00

Link de venda: https://bit.ly/3jlT64Z.

Sinopse: Três mil anos de política apresenta, de forma leve, como em uma gostosa conversa, a história do pensamento político, desde a sua origem, na China e na Grécia, passando pelos romanos, a Idade Média, a Idade Moderna e os acontecimentos mais contemporâneos, como o fenômeno do nacionalismo, os modelos totalitários e o neoliberalismo, entre outros. Nada fica de fora. Mais que relatar fatos, o livro apresenta de forma objetiva uma inteligente perspectiva do movimento dos pensamentos políticos, com uma corajosa e franca crítica. Garantindo a fluidez da leitura, o texto não se perde em citações ou referências. Faz melhor: conta a história.

Sobre o autor | José Luiz Alquéres é engenheiro, empresário e editor. Com formação complementar em Sociologia e uma longa vivência de trabalho junto a entidades de interesse público e associações empresariais e culturais, sempre esteve em contato direto com o meio político. Contribui regularmente com artigos avulsos e colunas semanais em jornais e é membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Como escritor, publicou Petrópolis (Vianna & Mosley).