Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

‘Labirinto Ruído – Uma quase jornada de um meio herói’ e ‘Todo Mês Sangra’ do grupo TEAF, estreiam em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Espetáculos que o Grupo TEAF apresenta em São Paulo entre os dias 9 e 17 de maio. Foto: Mequiel Zacarias Ferreira.

Há quase quatro décadas produzindo arte na cidade de Alta Floresta, localizada no extremo norte do estado do Mato Grosso, na área conhecida Território Portal da Amazônia, o TEAFTeatro Experimental de Alta Floresta volta a São Paulo para apresentar dois espetáculos. A peça ‘Labirinto Ruído – Uma quase jornada de um meio herói’ é encenada nos dias 9, 10 e 11 de maio, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 18h no Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca). Já a dança-teatro ‘Todo Mês Sangra’ tem sessões em 16 e 17 de maio, às 19h, no Centro de Referência da Dança (Galeria Formosa – Baixos do Viaduto do Chá s/nº, Praça Ramos de Azevedo – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo).

As ações integram o projeto Mato Adentro, Mato Afora, viabilizado por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso. “Foram pouquíssimas as circulações que conseguimos fazer ao longo da nossa trajetória. Então, quisemos aproveitar a oportunidade para mostrar que o teatro é muito mais do que aquilo que é produzido no eixo Rio-São Paulo”, conta Elenor Junior, um dos produtores do TEAF.

“O TEAF mantém uma pesquisa contínua desde 1988. Somos o grupo mais longevo do Mato Grosso e organizamos outras importantes atividades, como o Festival de Teatro da Amazônia Mato-grossense e o Seminário de Cultura. Queremos contribuir na formação de público para o teatro e na troca de experiências entre os profissionais e os interessados na área”, declara Angélica Müller, presidenta do Grupo.

Para isso, o grupo escolheu apresentar duas obras muito importantes para a sua história. Labirinto Ruído – Uma quase jornada de um meio herói é o último trabalho do Grupo. Já Todo Mês Sangra é um espetáculo que integra o seu repertório desde 2017.

Labirinto Ruído

Com direção de Ronaldo Adriano, dramaturgia de Ana Flávia Garcia e atuação de Cassiane Leite, Fernando Zilio, Matheus Marins e Ronaldo Adriano, Labirinto Ruído foi construído a partir das memórias do elenco. “O processo partiu das lembranças dos integrantes do grupo provocadas por objetos pessoais dos envolvidos na montagem. Quisemos discutir sobre quais memórias e imagens são ativadas em cada um de nós ao nos depararmos com determinados objetos, sejam nossos ou de outras pessoas. Quais recordações são reavivadas quando pegamos um caderno antigo na gaveta, por exemplo?”, comenta Ronaldo Adriano.

Realidade e ficção se entrecruzam na narrativa, gerando reflexões sobre sexualidade, medos, traumas, relações de gênero e legados. Nessas histórias, também é possível identificar críticas a respeito da ocupação da Amazônia. “Cidades como Alta Floresta surgiram com uma proposta bem desenvolvimentista. Muitas famílias se mudaram para lá com a promessa de ganhar muito dinheiro”, afirma Junior.

O cenário de Ronaldo Adriano emula um labirinto fluido e móvel que, ao mesmo tempo, aprisiona, mostra saídas e serve de habitat para as figuras que interagem com o personagem central. Para aumentar a imersão do público, também acontecem projeções de paisagens amazônicas e das materializações cênicas das memórias suscitadas no processo de montagem.

Já a trilha sonora original de Bruno Bazílio foi concebida a partir de improvisações sonoras de vários instrumentos, provocando na plateia as mais diversas sensações, como as de calmaria, festejo e turbulência.

Sinopse | O trabalho conta a história de um homem comum que, motivado por uma questão íntima perturbadora, inicia sua trajetória de enfrentamento pessoal com diversos personagens, obstáculos, memórias, objetos e desafios na busca de algum tipo de informação que o possa transformar.

Todo Mês Sangra

O espetáculo Todo Mês Sangra foi a primeira experiência do TEAF com dança e teatro. Por meio do gestual, a companhia quis discutir a violência contra a mulher nas suas mais diversas formas: tanto as agressões físicas quanto as violências psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Uma única bailarina-intérprete está em cena: Cassiane Leite. O ponto de partida da concepção da obra, conforme explica a atriz, são suas próprias vivências e memórias, decupadas no processo de pesquisa e concepção, realizados por Clodoaldo Arruda, que também é diretor do espetáculo. “A partir de elementos cênicos, fatos, comportamentos e conflitos, a bailarina-intérprete leva o público a refletir sobre as tantas dores e julgamentos que as mulheres são submetidas diária e historicamente, com objetivo de ressignificar essa condição e as suas trajetórias, e conquistando sua autonomia e liberdade”, enfatiza Cassiane. Clodoaldo explica então, que “Ao longo da encenação, ela percorre oito momentos: o corpo extensivo associado ao pecado; a busca do novo, o rompimento das regras introjetadas no particular e as forças contrárias a uma possível libertação; o impulso acontece, o próprio corpo a detém; o acionar lembranças, cenicamente voltar para as visualizações de como tudo pode acontecer, o avanço, tirar o laço dos próprios olhos; recomeços; o leve, o próprio corpo e o respeito sobre ele; o corpo agredido precisa de cura; e a convocação para unir forças”.

Conforme descreve a atriz, é um espetáculo que busca conduzir o público, tanto homens quanto mulheres, à uma profunda reflexão sobre a condição das mulheres nos mais diversos espaços, na tentativa de possibilitar a superação de todos os tipos de violência que a estrutura social impõe às mulheres.

Sinopse | Uma protagonista, num momento de recortes, colagens e lembranças, questiona e ressignifica sua vida na contemporaneidade. A poesia está em ser mulher e ser respeitada por isso. Por meio da dança, o trabalho aborda a violência enfrentada por essa população, tanto as agressões físicas quanto as silenciosas.

FICHAS TÉCNICAS

Labirinto Ruído – Uma Quase Jornada de um Meio Herói

Direção e encenação: Ronaldo Adriano. Texto e dramaturgia: Ana Flávia Garcia. Elenco: Cassiane Leite, Matheus Marins, Ronaldo Adriano e Fernando Zilio. Trilha sonora original: Bruno Bazilio. Cenário: Ronaldo Adriano. Marceneiro: Valdecir Marceneiro. Produção e confecção de adereços: Cassiane Leite e Maria Eduarda Marques Lima. Pintura e cenário e elementos de cena: Jane de Paula. Pesquisa e concepção de figurino: Ronaldo Adriano e Angélica Muller. Produção de figurino: Míriam Marques da Paz Lima. Costureira: Terezinha Freitas Maciel. Iluminação: Fernando Zilio. Operação de luz: Fernando Zilio e Cassiane Leite. Operação de som e projeção: João Lucas da Silva. Intérprete de Libras: Fabiano Campos. Produção de material fotográfico e vídeo: Mequiel Zacarias Ferreira e Wyllon de Oliveira. Comunicação: Mequiel Zacarias Ferreira. Produção: Elenor Cecon Júnior.

Todo Mês Sangra

Direção e concepção: Clodoaldo Arruda. Coreografia em Processo colaborativo: Clodoaldo Arruda. Ensaiador: Ronaldo Adriano. Bailarina-intérprete: Cassiane Leite. Pesquisa Musical: Clodoaldo Arruda. Cenografia e figurino: Clodoaldo Arruda. Operação de som e luz: Fernando Zilio. Produção: Elenor Cecon Júnior. Comunicação: Mequiel Zacarias Ferreira.

Serviço:

Labirinto Ruído – uma quase jornada de um meio herói

Data: 9 a 11 de maio, sexta e sábado, às 20h e domingo às 18h

Teatro Arthur Azevedo – Anexo

Endereço: Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca

Ingressos gratuitos: retirados na bilheteria ou através do Sympla (clique aqui)

Telefone: (11) 2604-5558. Duração: 70 minutos Classificação: Livre

Dias 9 e 10/5 as sessões terão interpretação em Libras.

Todo Mês Sangra

Data: 16 e 17 de maio, sexta e sábado, às 19h

Centro de Referência da Dança (CRD)

Endereço: Galeria Formosa – Baixos do Viaduto do Chá s/n, Praça Ramos de Azevedo – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo

Ingressos gratuitos: distribuídos com uma hora de antecedência na bilheteria do CRD

Telefone: (11) 3214-3249 Duração: 40 minutos Classificação: 12 anos.

(Com Daniele Valério/Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Jards Macalé canta álbum de 1972 no Doce Maravilha

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Leo Aversa.

Jards Macalé é um patrimônio para a música brasileira. Esse ano, o artista, de 82 anos, levará para o Doce Maravilha – festival que acontece nos dias 27 e 28 de setembro, no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro – o show comemorativo aos 50 anos do álbum icônico de 1972. O primeiro álbum solo de Jards traz algumas de suas mais emblemáticas canções, como ‘Vapor Barato’, ‘Mal Secreto’, ‘Farinha do Desprezo’ ‘Revendo Amigos’ e ‘Hotel das Estrelas’. É considerado um dos trabalhos mais inusitados da história da música brasileira ao mesclar rock, samba, eruditismo, jazz, bossa-nova e tropicalismo.

Para a comemoração dos 50 anos do álbum, foi montado o show Jards Macalé 72, com repertório especialmente selecionado e com a participação do trio que acompanha o artista. No palco, a guitarra de Gui Held e o baixo de Pedro Dantas se unem à bateria de Thomas Harres para uma homenagem legítima à formação original do disco. No último ano, Macalé fez uma turnê pela Europa com seu trio, viajando por nove países e realizando 15 shows.

Além de Jards, o Doce Maravilha receberá mais de 40 artistas de diferentes regiões do país, com múltiplos ritmos, unindo gerações em uma grande celebração da música brasileira. No Jockey Club Brasileiro, o evento ocupará o Pião do Prado e a Tribuna. Os dois palcos estarão instalados em pontos estratégicos, possibilitando que o público se movimente com facilidade entre ambos a cada show. Com capacidade para receber até 15 mil pessoas por dia, terá ainda projeto de acessibilidade, contemplando áreas adaptadas, rampas, banheiros acessíveis, interpretação em libras e áreas PCD com monitores.

O Doce Maravilha é realizado pela Bonus Track e apresentado por Bradesco e Corona. Tem patrocínio de O Boticário, Deezer e Gol. A Eventim é o canal de vendas oficial do evento.

Doce Maravilha 2025

Dia 27 de setembro – sábado

Ney Matogrosso convida Marisa Monte

Baianasystem apresenta O Mundo dá Voltas

Adriana Partimpim apresenta O Quarto

Baile do Simonal convida Ícaro Silva e Acadêmicos do Baixo Augusta

Erasmo Imperial: Orquestra Imperial, Gaby Amarantos e Jotapê

Dora Morelenbaum convida Jadsa

Lamparina convida Mariana Aydar

Mari Jasca convida Duda Brack & Marcos Sacramento

DJ Patife. DJ Mam. Tatá Ogan. Lys Ventura

Rock das Aranhas Live: 80 anos de Raul Seixas

DJ Sophia. DJ Nath Grilo. Zedoroque. Let Gabs.

Mango DJ Set B2B Juntos com Certeza

Dia 28 de setembro – domingo

Liniker celebra 1 ano de CAJU com Pabllo Vittar, Amaro Freitas, Priscila Senna e mais

Zeca Pagodinho convida Martinho da Vila e Alcione

Nando Reis e Samuel Rosa

Melly convida Rashid

Pretinho da Serrinha convida João Bosco e Paulinho Moska

Delacruz celebra MC Marcinho com Marcelly Garcia e Nova Orquestra

Jards Macalé canta O Álbum de 1972

Biltre – 10 anos de Bananobikenologia

Deekapz. DJ Janot. DJ Corello. Thiago Xá. DANDAN (Discopedia)

Tales Mulatu. Xepa. Rapha Lima. DJ Yas. DJ Ise.

27 e 28 de setembro – sábado e domingo

Shows a partir das 11 horas

Local: Jockey Club Brasileiro – Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro – RJ

Ingressos: A partir de R$ 230 no Lote 3.

Passaporte Bradesco: dá direito aos dois dias de evento – 27 e 28/9

Classificação etária: Acima de 16 anos desacompanhado. De 5 a 15 anos é obrigatória a presença de um responsável legal.

Capacidade: 15 mil pessoas por dia de evento

Para vendas pela Internet é necessária a comprovação do direito ao benefício da meia-entrada no acesso ao evento. Para bilheteria credenciada é necessária a comprovação do direito ao benefício da meia-entrada no ato da compra e no acesso ao evento.

Cartões de crédito aceitos – MasterCard, American Express, Visa, ELO

Cartões de crédito Bradesco – Bradesco, next, Bradescard e Digio de todas as bandeiras

Limite de 4 ingressos por CPF sendo 2 meias.

Vendas online – Taxa de conveniência de 10% sobre o valor total da compra

Todas as condições acima poderão ser alteradas sem aviso prévio

Bilheteria oficial RJ

Estádio Nilton Santos – Engenhão

Bilheteria Norte – Rua das Oficinas, s/n – Engenho de Dentro

Funcionamento: Terça a sábado das 10h às 17h

Não tem funcionamento em feriados, dias de jogo e dias de eventos realizados por outras empresas

Formas de pagamento:

Cartões de crédito e débito MasterCard, American Express, Visa, ELO

Cartões de crédito e débito Bradesco – Bradesco, next, Bradescard e Digio de todas as bandeiras

Dinheiro;

Sem taxa de conveniência

Na véspera e nos dias de evento (26 a 28 de setembro) a bilheteria funcionará no Jockey Club Brasileiro – Praça Santos Dumont, número 31, Gávea, Rio de Janeiro – RJ

Mais informações. Link

(Com Renata Pacheco Jordão/Ipê Amarelo Comunicação)

Em parceria com artistas, Instituto Tomie Ohtake lança programa Tomie Imprime

São Paulo, por Kleber Patricio

Josi – Tomie Imprime. Fotos: Ricardo Miyada.

O Instituto Tomie Ohtake anuncia o lançamento do Tomie Imprime, uma série de múltiplos criada em parceria com artistas e com a Risotropical — uma opção de presente especial para o Dia das Mães. Em formato seriado, os múltiplos são impressos em risografia, com tiragem limitada de 400 unidades por edição, em tamanho A3 (297×420 mm). Cada impressão é acompanhada por um envelope especial e selo de autenticidade. Os artistas que inauguram a primeira fase, com duas obras cada, são Tomie Ohtake, Carmela Gross, Gustavo Caboco e Josi.

Segundo Paulo Miyada, diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, as risografias são “uma forma de aproximar obras de arte de públicos variados, que queiram viver com obras de artistas que têm contribuído fortemente para a renovação da arte brasileira e o pensamento contemporâneo”. Os múltiplos estão disponíveis na Loja Tomie, localizada no mezanino do Instituto e no site www.lojatomie.org.br.

Para além da série Tomie Imprime, a Loja Tomie reúne uma seleção especial de itens como catálogos e livros editados pela instituição, bem como uma linha própria de produtos que inclui bolsas, cartazes, garrafas térmicas e cadernos, entre outros. Com uma interface intuitiva e de fácil navegação, a loja virtual permite que os visitantes explorem as diferentes categorias de produtos, conheçam detalhes sobre cada item e realizem suas compras de forma segura e prática. A Loja Tomie oferece opções de entrega para todo o Brasil, garantindo que públicos de diversas regiões possam acessar e adquirir os produtos disponíveis. A iniciativa reforça o compromisso do Instituto Tomie Ohtake de propagar a arte e a cultura, ampliando o acesso ao universo das artes com a comercialização de seus produtos.

Amigos Tomie

O Programa de Amigos do Instituto Tomie Ohtake quer aproximar o público de um dos espaços de arte mais emblemáticos da cidade de São Paulo. Além de apoiar, o Amigo Tomie fará parte de uma comunidade conectada à arte, contará com benefícios especiais, como os 20% de desconto em todas as risografias do Tomie Imprime, e experiências únicas. São três categorias de apoio, contribuindo com novas exposições, programas educativos, orçamento anual e manutenção do Instituto.

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros, SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela

Fone: (11) 2245-1900

Site: institutotomieohtake.org.br

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake

Loja: www.lojatomie.org.br.

(Com Martim Pelisson/Instituto Tomie Ohtake)

Ciência cidadã amplia informações sobre poluição no mar, mas padronização e uso dos dados ainda são desafios

São Paulo, por Kleber Patricio

48% dos entrevistados citaram dificuldade em engajar as pessoas de forma contínua na prática da ciência cidadã. Foto: Brian Yurasits/Unsplash.

A ciência cidadã é uma prática em que pessoas não acadêmicas colaboram com cientistas em atividades de pesquisa. Cientistas, gestores e outros profissionais que aplicam ciência cidadã em projetos sobre poluição marinha relatam que a abordagem tem impacto positivo na educação da população, contribuindo para o aumento de dados coletados e para a efetiva redução dos resíduos nos ecossistemas costeiros. Por outro lado, a dificuldade em manter o engajamento contínuo dos voluntários, a falta de recursos financeiros para as atividades e falta de reconhecimento da validade científica por parte de tomadores de decisão são barreiras para que a prática atinja seu potencial.

É o que indica um artigo publicado nesta quarta (30) na revista científica Marine Pollution Bulletin, assinado por pesquisadores das universidades brasileiras Federal do ABC (UFABC) e de São Paulo (USP) com cientistas das universidades de Surrey e Plymouth, do Reino Unido.

O estudo ouviu 56 profissionais com experiência em projetos sobre lixo marinho distribuídos em 13 países, incluindo o Brasil. As respostas, coletadas por formulário online, abordaram a atuação do profissional e suas percepções sobre a ciência cidadã. Os relatos foram organizados em 19 categorias, nove relacionadas às vantagens e dez aos desafios identificados.

Os principais benefícios mencionados envolvem três frentes: ganhos para a ciência, como redução de custos na coleta de dados e ampliação da abrangência geográfica das informações; para o meio ambiente, como a diminuição de resíduos; e para os cidadãos, como o aprendizado – citados quase duas vezes mais que os ganhos científicos e quase quatro vezes mais que os ambientais.

Embora a participação seja vantajosa para os cidadãos, envolvê-los de forma mais permanente nesses projetos foi a dificuldade mais citada pelos entrevistados, presente em 48% das respostas. “Seria muito importante que estratégias de avaliação desses impactos fossem pensadas pelos coordenadores de projetos e cientistas”, explica Natália Ghilardi-Lopes, pesquisadora da UFABC e autora do estudo. A pesquisadora ressalta que a maior inclusão da ciência cidadã em documentos, como políticas públicas, editais de fomento à pesquisa e relatórios, também pode ajudar a enfrentar essas barreiras.

O artigo ainda apresenta cinco recomendações para melhorar a eficácia dos projetos de ciência cidadã voltados à poluição marinha: reconhecer os limites e os pontos fortes da prática; promover colaboração entre projetos; aumentar o reconhecimento e valorização da ciência cidadã; ouvir e apoiar de forma mais efetiva os voluntários e garantir financiamento sustentável. “Se as recomendações forem seguidas, nos próximos cinco anos já teremos várias iniciativas adotando protocolos padronizados e formando cientistas cidadãos comprometidos com a geração de dados de boa qualidade”, prevê Ghilardi-Lopes.

Segundo Alexander Turra, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coautor do estudo, o momento é estratégico para colocar o tema em pauta. “A segunda reunião da última rodada de negociações do tratado global sobre poluição plástica vai terminar em agosto de 2025”, lembra. Ele afirma que a ciência cidadã será essencial para gerar indicadores sobre lixo marinho e alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 14, até 2030. “É uma estratégia importante tanto para o levantamento de informações como para o envolvimento da população no processo de produção de conhecimentos”, conclui.

(Fonte: Agência Bori)

Iniciativa usa teatro e experiências lúdicas para ensinar sustentabilidade em escolas públicas

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Com passagem por Indaiatuba, projeto cultural tem ações práticas com alunos e professores. Fotos: Divulgação.

De 6 a 9 de maio, o projeto Conhecendo os ODS desembarca em Indaiatuba (SP), após percorrer dezenas de cidades brasileiras, para engajar alunos e professores da rede pública em ações práticas e artísticas em prol da sustentabilidade. Realizado pelo Ministério da Cultura e pela Oliveira Produções via Lei de Incentivo à Cultura, a iniciativa usa o teatro como ferramenta principal para debater os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, aliando, arte, aprendizado e criatividade. A ação tem patrocínio da Aksell Química.

A programação inclui um espetáculo teatral montado pelos alunos, oficinas de teatro e um circuito de atividades que permite aos participantes percorrerem diversos temas socioculturais e ambientais. Ao todo, 1,5 mil estudantes serão impactados. Para os organizadores, o teatro não só amplia a conscientização sobre questões como meio ambiente e diversidade cultural, mas também fortalece habilidades sociais.

“O teatro é uma linguagem poderosa para estimular reflexões críticas e a socialização. Ao criar juntos, os alunos exercitam o trabalho em grupo, a troca de ideias e descobrem novas formas de expressão”, destaca Luiz Felipe Deffune de Oliveira, diretor da Oliveira Produções. Além das apresentações, professores participam da palestra virtual ‘Como a arte pode ser ensinada nas escolas’, a fim de  integrar o uso das ferramentas artísticas ao cotidiano escolar, reforçando o papel da arte na transformação de comunidades.

Circuito educativo combina reciclagem, jogos e realidade virtual em jornada pela sustentabilidade

O projeto, que ocupa a quadra das escolas, inicia com uma palestra introdutória que utiliza recursos multimídia para apresentar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), exemplificando como ações cotidianas impactam a sustentabilidade global. Em seguida, na Oficina Ressignificar, os participantes aprendem a transformar materiais recicláveis em objetos úteis, como jogos e brinquedos. A próxima etapa engloba três atividades simultâneas: um jogo de tabuleiro humano sobre os ODS, onde as crianças avançam como ‘pinos’ enquanto aprendem; uma exposição colaborativa que forma um quadro feito com tampinhas recicladas e um circuito de bem-estar com competições físicas lúdicas para promover trabalho em equipe. Na sequência, a imersão na vida marinha simula o fundo do mar, ensinando sobre biodiversidade e pesca sustentável, complementada por uma experiência de realidade virtual com óculos 3D que exibe ecossistemas marinhos. Por fim, outra atividade prática demonstra, através de experimentos visuais, como o desmatamento e a erosão impactam o solo, ilustrando a relação entre preservação ambiental e equilíbrio ecológico.

“Acreditamos que despertar a consciência sustentável desde a infância é uma semente poderosa para o futuro. Quando unimos aprendizado e brincadeira, criamos experiências marcantes capazes de incentivar as crianças a se responsabilizarem pelo planeta. Mais do que nunca, é essencial que a sociedade civil assuma seu papel na construção de um mundo mais justo e sustentável — e isso começa com a educação e o engajamento das novas gerações”, afirma Márcia Regina Luiz, coordenadora de RH da Aksell.

Projeto impulsiona os ODS da ONU

Os ODS, estabelecidos pela ONU em 2015, são 17 metas globais para erradicar a pobreza, proteger o planeta e promover prosperidade até 2030. O projeto Conhecendo os ODS relaciona-se a cinco desses objetivos por meio de teatro, oficinas e atividades interativas. Ele impulsiona o ODS 4 (Educação de Qualidade) ao integrar arte e aprendizado, promove o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) com atividades lúdicas, reforça o ODS 11 (Cidades Sustentáveis) ao estimular o uso cultural dos espaços escolares, trabalha o ODS 12 (Consumo Responsável) com reciclagem e jogos e conscientiza sobre o ODS 14 (Vida na Água) com realidade virtual. A iniciativa mostra como a cultura pode impulsionar ações alinhadas aos ODS.

Em suas atividades, o projeto promove a inclusão em todas as etapas, oferecendo intérpretes de Libras, audiodescrição em palestras em vídeo e monitores capacitados para assistência personalizada. O espaço é adaptado com rampas, corrimãos, piso tátil e sinalização, garantindo um acesso seguro e inclusivo.

Cronograma | Indaiatuba – SP

6/5 – EMEB Maria Cecília Ifanger

7/5 – EMEB João Marinho Filho

8/5 – EMEB Yolanda Steffen

9/5 – EMEB Leonel José Vitorino Ribeiro.

(Com Angelo Miguel Oliveira Lima/Bacuri Comunicação)