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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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PANCs: aprenda como diversificar sua alimentação no dia a dia

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Por conta da tendência da dieta plant based e pela alimentação saudável, as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que antes eram pouco consumidas na alimentação por falta de informação, vêm entrando cada vez mais na dieta do brasileiro. Diversas PANC são chamadas de matos e são cultivadas espontaneamente em quintais, vasos e até mesmo em calçadas. As mais comuns na região Sudeste são Azedinha, Bertalha, Cambuquira, Capuchinha, Inhame, Ora-pro-nobis, Peixinho e Taioba. Na gastronomia nacional, chefs de grandes restaurantes passaram a incluir estes ingredientes em suas receitas.

Nas edições do Chef Aprendiz, Gui Cardadeiro, chef e professor, ministra a aula de PANCs e culinária indígena, onde, além de apresentar a importância nutricional desses alimentos, leva os alunos a viajarem pelo país que tem a maior biodiversidade do planeta. Na parte prática, o chef convida os alunos a desbravarem seu entorno e encontrarem plantas para usarem na aula. Entre algumas das receitas ensinadas estão a salada de pancs, tempurá de pancs, arroz de maniçoba e peixe na folha de bananeira.

“Panc é quase tudo o que encontramos em terrenos, praças e canteiros, que é de comer, mas não comemos por simples falta de conhecimento”, comenta o chef Guilherme Cardadeiro.

Salada de PANCs.

Para quem deseja se aprofundar no tema, o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC no Brasil, dos autores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi, dois dos maiores estudiosos do assunto no país, apresentam espécies de plantas cultivadas no país e receitas de como consumi-las.

Uma sugestão de receita é a Salada de PANCs, ideal para aqueles que desejam consumir estes novos alimentos.

Confira a seguir o passo a passo:

Ingredientes:

PANCs diversas

Peixinho da Horta (PANC)

½ xícara de chá de Castanhas do Pará

1 xícara de chá de farinha de rosca

2 ovos

2 limão

½ xícara de chá de azeite

Óleo para fritura

Sal

Modo de preparo:

Em uma vasilha coloque o ovo e bata levemente. Em seguida, passe os peixinhos da horta na mistura, seguido da farinha de rosca, a fim de empaná-los.

Em uma panela coloque o óleo e frite os peixinhos da horta empanados, corrija o sal e reserve.

Em uma vasilha junte todas as PANCs já lavadas, o suco do limão, o azeite e o sal, e misture tudo muito bem.

Coloque as folhas temperadas em um prato e sobre elas polvilhe as castanhas quebradas e o peixinho da horta frito. Sirva imediatamente.

O chef Guilherme Cardadeiro.

Guilherme Cardadeiro | Chef e professor do Projeto Chef Aprendiz, Guilherme Cardadeiro possui mais de 14 anos de experiência em cozinhas profissionais, entre restaurantes, hotéis, consultorias e eventos em todo o país. Formado em Gastronomia pela São Camilo, foi vencedor do concurso Metro Super Chef em 2015 e em 2017 participou do programa Masterchef Profissionais. Gui é apaixonado pela cozinha brasileira e essa paixão é transmitida por meio de suas aulas sobre PANCs para os alunos do projeto.

Chef Aprendiz Comunidades | Trata-se de um projeto de desenvolvimento humano e inserção social que usa a gastronomia como a principal ferramenta e capacita jovens em situação de vulnerabilidade social para conseguirem seu primeiro emprego em cozinhas de parceiros. Ao longo de quase seis meses, os 20 jovens vivenciam aulas teóricas e práticas sobre gastronomia e autodesenvolvimento de modo a prepará-los para o mercado e para a vida. Uma competição final coloca à prova os conhecimentos adquiridos durante as oficinas e encerra o processo com chave de ouro. Os jurados presentes oferecem vagas de empregos para os jovens que querem iniciar uma carreira como auxiliar de cozinha.

Atua em sete comunidades (Paraisópolis, Campo Limpo, Glicério, Jd. Colombo, Valo Velho, Capão Redondo e Chuvisco) e 90% dos alunos receberam oportunidades na área. Alguns iniciaram na gastronomia e seguiram por outros caminhos, como enfermagem, engenharia e psicologia. aproximadamente 80% dos jovens trabalham ou participam de entrevistas, mesmo com o cenário da pandemia. Para saber mais, assista o vídeo e visite o site.

Casa Chef Aprendiz | Já em processo de finalização, a Casa Chef Aprendiz é um espaço que contará com atividades de reciclagem e apoio psicológico aos jovens que já passaram pelo projeto, além de cozinha de pré-produção para eventos. Pensando no mundo digital e nas demandas do mercado, mantém uma cozinha modelo com a possibilidade de produção de conteúdos digitais junto aos parceiros e para desenvolvimento de workshops. A ideia é que esta casa seja ocupada pela equipe, jovens, parceiros e amigos com a finalidade de fortalecer os vínculos e sustentar as ações no longo prazo.

Teatro de bonecos: grupo Giramundo celebra 50 anos de atuação

Belo Horizonte, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Criado em 1970 pelos artistas plásticos Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu, o grupo Giramundo celebra, ao longo de 2021, 50 anos de atuação. Durante este tempo, o grupo montou 36 espetáculos teatrais, construindo um acervo com mais de 1.500 bonecos e objetos de cena. Suas montagens experimentaram a linguagem dos bonecos em múltiplas formas, inserindo o coletivo em um lugar de destaque na história do teatro brasileiro. Além disso, o Giramundo tem contribuição direta e fundamental na formação teatral de importantes nomes da dramaturgia e teatralidade contemporânea do país.

Para celebrar esta trajetória de muito sucesso, o grupo prepara o lançamento de seu primeiro longa-metragem – O Pirotécnico Zacarias. O filme é um desdobramento do projeto que originou um espetáculo homônimo, ambos concebidos a partir de adaptações de alguns contos do mineiro Murilo Rubião, considerado um dos mais significativos escritores da literatura fantástica no Brasil. No longa, que tem roteiro original independente do espetáculo, o grupo investiu na criação de uma obra audiovisual inteiramente inédita, dando continuidade à pesquisa e ao processo criativo que deram origem à montagem. Com linguagem fluida, o filme conta com o hibridismo das técnicas de animação, teatro de bonecos, seres reais e imaginários convivendo em situações surreais e mágicas, materializando, a partir de um olhar poético e encantador, as obras e os personagens criados por Murilo Rubião. O resultado é a criação de um efeito audiovisual potente, instigante e sedutor, diferente de tudo que o grupo já produziu. O filme está em fase de finalização e tem previsão de estrear ao longo de 2021.

Hebe, personagem do longa “O Pirotécnico Zacarias”. Foto: divulgação.

Além do longa, o grupo vem trabalhando no processo de inventário e digitalização de todo o acervo constituído ao longo desses 50 anos de pesquisa, criação e circulação, trazendo à tona uma infinidade de arquivos que serão disponibilizados ao público em diversos formatos. O projeto do cinquentenário será desenvolvido ao longo de todo ano de 2021 e ainda prevê o lançamento de um canal no YouTube, um livro de imagens com a trajetória criativa do grupo e um documentário histórico, além de uma mostra online com os principais espetáculos de repertório. Toda a programação comemorativa aos 50 anos do Giramundo é viabilizada por meio do patrocínio da Cemig.

Sobre o Grupo | O Giramundo é reconhecido como um dos principais grupos de teatro de bonecos do país.  Nos anos 70 e 80, a formação acadêmica e artística de seus fundadores foi responsável por imprimir no grupo o rigor metodológico e estético no planejamento e produção de seus bonecos e espetáculos. Estas características, unidas ao interesse pela cultura brasileira, trouxeram reconhecimento nacional ao Giramundo, garantindo seu lugar na história do teatro brasileiro por sua ação transformadora de incorporação de formas e temas adultos, dialogando com questões formais, plásticas e políticas complexas.

No ano 2000, o Giramundo conquistou sua sede própria, em Belo Horizonte, onde também funcionam o Museu, a Escola e o Estúdio de Animação do grupo. Desde a inauguração da sede integrada, o grupo investe na produção de animações e de conteúdos digitais.

Os fundadores Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu durante entrevista após apresentação. Foto: divulgação.

Hoje, podemos dizer que o Giramundo rompeu com a ideia de ser um grupo de teatro para se transformar em um grande núcleo multimídia, experimentando a vivência de uma cena de animação variada onde convivem bonecos reais e suas versões digitais. Essa mistura do teatro de bonecos, vídeo, animação, cinema, música, dança e artes plásticas parece ser o território do Giramundo do século XXI. “O Giramundo é um perseguidor. Sempre em busca do inatingível: a receita do boneco nunca construído, a montagem improvável, a cena surpresa, a metodologia da máxima performance. Essa inquietude não tem fim, só começo. O grupo nasceu com ela e a sustenta viva, em brasa, no sopro do entusiasmo de seus membros, geração após geração, ativos na faina de tarefas irrealizáveis. Assim, o Giramundo nos deixa marcas, escreve e se inscreve em nós como tatuagem, como palimpsesto, como gravura policrômica. E tanto a peça quanto o filme O Pirotécnico Zacarias reforçam todas essas características que fazem parte do DNA do grupo”, encerra Marcos Malafaia.

Pimp My Carroça realiza oficina para melhoria das carroças dos catadores

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Até o dia 4 de junho está acontecendo a Oficina Pimp My Carroça, evento que irá reformar a carroça de 30 catadores de materiais recicláveis da cidade de São Paulo-SP. A ação, que além das reformas do instrumento de trabalho dos profissionais da reciclagem também prevê a pintura artística nas carroças e o atendimento médico dos catadores, está sendo organizada pelo Pimp My Carroça, ONG que desde 2012 luta pra dar a esses trabalhadores o reconhecimento social e econômico que tanto merecem – basta lembrar que os catadores são responsáveis por coletar 90% de tudo que o Brasil recicla.

O evento acontece na sede da ONG, no bairro da Barra Funda, e obedece todos os protocolos de segurança por conta da pandemia de Covid-19: pra evitar aglomeração, a cada dia da semana, 6 catadores participam da Oficina. Cada um deles é atendido individualmente: começando às 8 horas da manhã e indo até às 18h, cada catador tem uma hora e meia pra que sua carroça seja reformada e pintada por um artista. Ao fim do evento, o profissional da reciclagem recebe um kit de segurança com diversos itens, como camiseta, colete e calça com faixas refletivas, luvas e capa de chuva, entre outros.

Enquanto aguarda a carroça ficar pronta, o catador é consultado por especialistas do Desintoxica SP, projeto social que oferece cuidados humanizados para a população socialmente vulnerável. Entre os métodos aplicados pelo projeto está a acupuntura, técnica chinesa milenar que já ajudou o Desintoxica SP a aumentar a qualidade de vida de muitas pessoas que não costumam ter acesso a esse tipo de procedimento.  “A reforma, pintura, instalação de itens de segurança e a presença da arte ajudam muito na autoestima, valorização e reconhecimento do trabalho fundamental que cada catador de materiais recicláveis exerce na sociedade”, afirma Bea Mansano, especialista em tecnologias sociais do Pimp My Carroça. “Nós estamos com saudade de colocar a mão na massa e é chegada a hora!”.

Além de uma equipe de serralheiros que faz reparos estruturais nas 30 carroças, a Oficina Pimp My Carroça conta com a participação de 15 artistas, responsáveis por deixar o instrumento de trabalho dos catadores mais colorido e literalmente mais visível. Confira o time de artistas que participa do evento:  Enivo | Iskor | Vespa | Ignotto | Lanó | Ronah | Mirage | Vini Melo | Feik | Sacool | Carol Itza | Bianca | Negana | John | Cleo.

Sobre o Pimp My Carroça | É um movimento que atua desde 2012 para tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade e aumentar sua renda por meio da arte, sensibilização, tecnologia e participação coletiva. Desde o seu início, mais de 2.000 catadores/as foram atendidos, mobilizando cerca de 1.200 grafiteiros (as) e aproximadamente 2.500 voluntários (as), além de 25 cooperativas de catadores que receberam mutirões de pintura. As ações do projeto foram replicadas em cerca de 50 cidades de 15 países diferentes, como Colômbia, Argentina, EUA e Marrocos.

Em 2017, o Pimp My Carroça lançou o premiado app Cataki. O aplicativo é gratuito e aproxima o gerador de resíduo ao catador que vai dar a destinação correta a esse material. O objetivo da plataforma é utilizar a tecnologia para aumentar a renda dos catadores e ampliar os índices de reciclagem no Brasil.

Plataforma de ensino gratuita do Instituto PROA inicia nova turma no Estado de São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Guto Garrote.

O Instituto PROA, uma ONG que acredita e tem o compromisso de criar oportunidades reais de desenvolvimento e empregabilidade para jovens de baixa renda, abre nova turma para a Plataforma PROA. Jovens entre 17 e 22 anos de idade que concluíram o Ensino Médio em escolas públicas, que residam no Estado de São Paulo e que buscam seu primeiro emprego terão a oportunidade de se aperfeiçoarem para o mercado de trabalho e se conectarem com vagas de emprego. A Plataforma PROA de formação on-line levará aos jovens 100 horas de aulas por meio de um modelo de aprendizagem ativa e por projetos onde os alunos terão a oportunidade de colocarem a mão na massa e se prepararem para iniciar a carreira profissional, além da possibilidade de seguirem uma trilha técnica com mais 50 horas na carreira de vendas ou análise de dados.

Para formatar o curso, profissionais do Instituto PROA entrevistaram mais de 70 empresas com o objetivo de entender as reais demandas do mercado de trabalho, assim como as competências necessárias para os jovens estarem preparados para o início de carreira. Durante o curso, os alunos contarão com orientação e apoio de tutores em encontros semanais ao vivo. A Plataforma PROA tem como objetivo preparar os jovens para o mercado de trabalho dentro dos seguintes temas: Autoconhecimento (20 horas), Planejamento de Carreira (20 horas), Projeto de Vida (20 horas), Raciocínio Lógico (20 horas), Comunicação (20 horas) e Trilha Técnica (50 horas/opcional). Ao final, os alunos que concluírem estarão aptos para participarem de processos seletivos para vagas de posições de início de carreira e primeiro emprego. Todos receberão certificado de conclusão emitido pelo PROA e terão acesso a vagas de emprego disponíveis no mercado.

A jornada de estudos será de 7h30 de estudos por semana, de segunda a sexta-feira, cerca de 1h30 de dedicação por dia. O jovem poderá estudar e fazer as atividades em qualquer horário do dia, com exceção dos encontros mediados pelos tutores, que acontecerão uma vez por semana, às quartas-feiras, com 1h30 de duração e em diversas opções de horários. Serão oferecidas aos jovens várias opções de horários para os encontros com os tutores. A participação nos encontros e a conclusão de todas as atividades são fundamentais para o jovem seguir para a empregabilidade. “Nossa meta é contribuir para que os jovens tenham oportunidades de trabalho e estejam preparados para iniciarem a carreira profissional. Segundo dados divulgados recentes pelo IBGE, o desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos ficou em 31,4% no 3º trimestre de 2020. É o maior índice já registrado. A falta de experiência e oportunidades de estudo aliada ao cenário da pandemia faz com que os jovens sofram mais com o desemprego. Por isso, todo esforço e dedicação para ajudar esse jovem são válidos. Acreditamos que quanto mais cedo esse jovem tenha contato com habilidades que ainda não foram desenvolvidas ou que precisam ser aprimoradas, mais chances eles terão de serem bem-sucedidos profissionalmente, independentemente do que eles queiram fazer”, afirma Alini Dal’Magro, CEO do Instituto PROA.

Para participar do curso, o jovem passará por uma avaliação de língua portuguesa e matemática. Independentemente de serem aprovados, receberão acesso a uma trilha de língua portuguesa e matemática após a conclusão das avaliações. Desde que estejam dentro dos critérios de idade, escolaridade e geográfico, os jovens poderão participar do processo seletivo quantas vezes quiserem. “O PROA tem se provado, cada vez mais, uma escolha fantástica, pois tanto a Plataforma PROA, quanto as pessoas por trás, nos disponibilizam ajuda e conhecimento que vão desde algo simples a mais complicado. Entrei no PROA com uma base de plano de vida e atualmente, após apenas um mês, já posso dizer que meu projeto de vida está mais estruturado. Com o PROA, sinto que estou mais perto de realizar meus sonhos e entrar no mercado de trabalho”, afirma Júlia da Silva Rocha, de 17 anos, que está cursando a Plataforma PROA.

Outra história de sucesso é da Letícia Vitória Salgado da Silva, de 18 anos. “O curso está agregando muito na minha vida. Estou descobrindo muitas coisas sobre mim e isso está me ajudando a descobrir o meu caminho. Agora tenho mais certeza da carreira que quero seguir, começando por um curso na faculdade. Sinto-me mais segura para o mercado de trabalho, graças à Plataforma PROA. Todos os encontros e atividades têm me amadurecido muito e acredito que todos deveriam ter uma oportunidade assim.”

Ellen Souza Casto, 18 anos, está amando o curso: “Em cada missão eu me descubro mais, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. As missões são muito importantes, pois elas nos estimulam a pensar realmente no que queremos para nosso futuro; às vezes, eles nos indagam com possibilidades que eu jamais pensaria no meu dia a dia e espero me aprofundar mais sobre os meus sonhos a cada missão. Só tenho a agradecer ao PROA por me proporcionar esse autoconhecimento.”

As inscrições já estão abertas e terminam no dia 11 de junho. As aulas da próxima turma começam no dia 14 de junho. As inscrições podem ser feitas pelo site https://plataforma.proa.org.br/.

Precursor do urban jazz, Jonathan Ferr lança álbum “Cura” e websérie afrofuturista

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Capa do álbum. Foto: divulgação.

Se ao ouvir falar em jazz e piano você automaticamente pensa em músicos de figurinos clássicos e cores sóbrias, pode esquecer essa persona. E ninguém melhor para acabar com essa imagem pré-concebida do que o pianista brasileiro – e carioca – Jonathan Ferr. Ferr, aliás, é a personificação da quebra de paradigmas: estética, essencial e musicalmente falando. E é com essa proposta disruptiva que o precursor do gênero urban jazz no Brasil lançou, na sexta-feira (28), seu novo álbum Cura (ouça aqui), o primeiro a ser lançado pelo selo slap, da Som Livre.

O projeto chega ainda com uma websérie no YouTube envelopada em estética afro futurista – outra marcante assinatura do multifacetado artista, que também está sempre à frente da direção das suas produções audiovisuais e nas quais eventualmente atua. Composta por oito music visualizers – um para cada faixa inédita e com o número 8 representando o infinito, simbolizando a cura infinita de cada um –, a série chega ao canal do artista na próxima terça-feira (1/6) e retrata o encontro de um casal que se apaixona e vive um drama da vida cotidiana, em um processo contínuo de busca pela referida cura do título do disco.

Com nove faixas no total, o álbum alcança o feito de simultaneamente ser uma obra essencialmente pessoal do artista, enquanto transmite uma mensagem universal a quem escuta. A universalidade, aliás – para além da experiência sensorial intensificada pelo caráter instrumental do projeto – fica evidente também no título das canções, apresentando elementos comuns à trajetória humana: Nascimento, Choro, Sensível, Chuva, Amor, Felicidade, Caminho e Esperança – sendo essa última o único single já lançado com a participação de Serjão Loroza. A única faixa que foge a essa regra e não à toa é Sino da Igrejinha. Canção de domínio público e familiar aos cultos de matrizes africanas, ela foi a escolhida para ser a primeira da tracklist. “Dentro dos terreiros, essa é uma música cantada para a entidade responsável por abrir os caminhos para todas as coisas”, explica Ferr, evidenciando mais uma faceta de sua personalidade plural.

Jonathan Ferr. Foto: divulgação.

Além da brilhante musicalidade, Cura encanta também pela proposta democrática – sem perder o apuro técnico –, tendo como um de seus objetivos principais a desmistificação da música instrumental como um gênero erudito. O caráter contemporâneo do urban jazz – estilo assumido pelo músico para denominar a mistura de elementos do jazz, hip hop, R&B e outros estilos de música urbana, promovendo um verdadeiro mix pop – contribui para o alcance mais popular que Jonathan almeja. “Busquei um certo minimalismo para a produção de Cura, no sentido de apostar em poucos elementos e muita clareza nas informações musicais. É um disco fácil de ouvir e sentir”, diz Jonathan. O cuidado fica evidente na audição do álbum, que traz sempre o piano no centro de cada composição, acompanhado de um quinteto de cordas e alguns convidados especiais, como o violoncelista Jaques Morelenbaum, a filósofa Viviane Mosé e o cantor Serjão Loroza. “Penso nesse projeto como uma espécie de ‘Jonathan Ferr Unplugged’, porque eu me dispo muito de toda essa essa coisa de banda, cantores etc.”, completa.

Outro importante pilar de Cura é o conceito de música-medicina, com intenção clara desde o título do álbum, uma vez que Jonathan acredita na música como um elemento para acalentar a alma em busca do ‘curamento’. “O conceito (de música-medicina) normalmente está ligado à música espiritualista e eu acho muito bonito pensar nele dentro da proposta instrumental também, porque acredito que a música por si só é medicinal. O que seria de nós na pandemia se não fosse a música, por exemplo? Então eu intencionalmente quis trazer o disco pra esse lugar, onde você pode dar o play, meditar  etc., usando esse disco para um movimento de auto cura mesmo”, declara o artista. “Na última faixa, Caminho, a Vivi Mosé declama um texto lindo e poderoso no qual ela diz ‘o que cura é a vida’, que resume muito bem a proposta do disco. Ela usa ainda um mantra indígena que eu gosto muito, que é ‘a cura está acontecendo agora, nesse momento’. E é isso o que quero dizer: a cura é a vida, a água pura, é estar com quem você ama, é o bom dia para o quem acorda do seu lado, é olhar para o seu filho e se reconhecer nele, é comer uma comida gostosa, é beber uma cerveja com os amigos”, exemplifica Jonathan.

Assim como o próprio artista, Cura é um disco repleto de nuances que conversam de maneira muito orgânica e de fácil absorção ao ouvinte. Ao mesmo tempo em que o álbum apresenta uma essência sentimental, a busca pela espiritualidade e um caráter curativo – evidentes em Sino da Igrejinha e Caminho, respectivamente –, ele não deixa de apresentar também seu viés político-social alinhado com a identidade do seu criador, como na track Esperança, que traz um poema de autoria de Ferr declamado por Serjão Loroza e um clipe repleto de simbolismos. Mas há também espaço para faixas como a love song Amor, um blues sensual para dançar a dois; Choro, que imprime uma conexão com nossos sentimentos mais profundos; Felicidade e sua vibe rock’n roll’ com um solo de guitarra; o resgate a um local seguro da infância em Chuva; uma reflexão sobre a deusa egípcia Maat e a energia do feminino em Sensível, com participação do violoncelista Jaques Morelenbaum e uma homenagem ao ícone da MPB Milton Nascimento em Nascimento.

Tornar sua obra e mensagem acessíveis é tão importante para Jonathan que, segundo o artista – e ao contrário da maioria dos álbuns musicais –, a ordem de consumo das faixas proposta na tracklist não é essencial para a compreensão do disco. “Com esse trabalho, estou buscando conexão com todo mundo – desde uma senhorinha humilde que mora no interior e nem sabe o que é jazz, até um colecionador que tenha milhares de vinis em casa. Quero que todos que deem play nesse álbum sintam e estabeleçam uma conexão, porque vão entender. Não quero mostrar que consigo fazer 30 notas por segundo, porque acho que isso não conecta ninguém. Então esse é um álbum que fiz para alcançar esse lugar e que vai trazer muitas possibilidades”, conclui Jonathan.

Por fim, é possível vivenciar a experiência de um projeto cheio de frescor, ineditismo, beleza e cura.

Álbum Cura – Jonathan Ferr

Lançamento slap/Som Livre

Tracklist:

1 – Sino da Igrejinha

2 – Nascimento

3 – Choro

4 – Esperança (feat. Serjão Loroza)

5 – Felicidade

6 – Chuva

7 – Amor

8 – Sensível (Maat) – feat. Jaques Morelenbaum

9 – Caminho (feat. Vivi Mosé)

Ficha técnica da série Cura:

Criação original de Jonathan Ferr

Direção: Bárbara Fuentes

Roteiro: Jonathan Ferr e Bárbara Fuentes

Direção de produção: Tânia Artur

Elenco: Jonathan Ferr e Juliane Cruz

Assistente de set/platô: Raquel Artur

Direção de Fotografia/ Câmera: Matheus Dafi

Foquista: Renan Herison

Logger: Carlos Alexandre

Gaffer: Toni Oliveira

Assistente gaffer: Jacinto Estevam

Contrarregra: Cabelinho

Preparadora de elenco: Iane de Jesus

Direção de Arte: Giulia Maria Reis

Figurino: Taíssa Rombaldi

Maquiagem: Jessyca Teixeira

Preparação de elenco: Iane de Jesus

Still/Making of: Nathália Pires

Edição de Making of: Carlos Alexandre

Edição/Montagem: Stephany Barros

Colorização: Eric Palma

Apoio de catering: Contemporâneo Lapa

Apoio de Figurino: Acervo Bruneba e Acervo Hugo Nogueira

Comunicação: Listo

Assessoria de imprensa: InPress

Produção Executiva: Sim Produções

Lançamento: slap/Som Livre

Todas as músicas foram compostas, produzidas, arranjadas e performadas por Jonathan Ferr, exceto Sino da Igrejinha (domínio público)

Créditos da capa do álbum e shooting: Jonathan Ferr

Fotografia: Renan Oliveira

Assistente de fotografia: Felippe Costa

Assistente de fotografia: Bia Novaes

Stylist: Lucas Magno

Assistente stylist: Fabiana Pernambuco

Beleza: Laura Peres

Estúdio: Crop

Produção: Tânia Artur/Sim Produções

Look: Leandro Castro

Acervo de roupas/acessórios: Leandro Castro, Durags Brasil, Converse, SãnSe, Gil Haguenauer.

Sobre o slap | O slap faz parte da vida de quem busca novas experiências musicais e orgulha-se de, desde 2007, fomentar a cena indie e abrir as portas do mercado para novos artistas. Sua missão é potencializar e empoderar a cena musical independente do país, incentivando o midstream e fazendo com que novos sons, originais e arrojados, cheguem a cada vez mais pessoas. O slap carrega em sua história grandes lançamentos de nomes como Maria Gadú e Scalene. Seus representantes têm todos a autenticidade como característica e, entre eles, estão Céu, Jonathan Ferr, Luthuly, Marcelo Jeneci, Maria Gadú, Gustavo Bertoni e Scalene. @slapmusica