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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Carta náutica do século 19 revela perda de até 49% dos recifes em região da Bahia

Abrolhos, por Kleber Patricio

Foto: João Paulo Krajewski.

A região de Abrolhos, na Bahia, perdeu 28% dos recifes desde 1861. Entre os recifes mais próximos à costa, a perda é ainda maior: 49%. É o que diz uma pesquisa inédita no Brasil, que utilizou uma carta náutica histórica para comparar as condições ambientais daquela época com os dados atuais. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade de São Paulo e Universidade de Victoria – no Canadá – mergulharam nessa história, que resultou em artigo publicado na sexta (24) na revista “Perspectives in Ecology and Conservation”.

A carta náutica mostra como eram os recifes da região de Abrolhos, no Sul da Bahia, antes dos grandes impactos ambientais causados pelo ser humano. “O navegador francês documentou detalhes sobre o fundo dessa parte da costa brasileira: os tipos de organismos, conchas, recifes, etc. Então, fizemos comparações das informações de 160 anos atrás com os dados modernos obtidos por satélites. Assim, detectamos perdas na extensão dos recifes”, contextualiza a bióloga Mariana Bender, docente da UFSM e coautora da pesquisa.

Essa é a região de recifes mais complexa da parte sul do Oceano Atlântico. Sobre o que causou a degradação dos recifes, os autores apontam os motivos. “Durante muitos anos, os recifes de Abrolhos foram utilizados para a extração de corais. Blocos inteiros eram removidos para uso na construção civil – substituindo tijolos – e a fim de queimar para obter calcário. Essa extração durou séculos. Há relatos desde o século XVII”, explica Mariana.

Atualmente, a região também lida com estressores que comprometem a biodiversidade, tais como a poluição, o turismo desenfreado e o aquecimento global. Por conta disso, a autora da pesquisa Carine Fogliarini, da UFSM, utilizou diversas ferramentas da Ecologia Histórica durante o doutorado para avaliar as mudanças: “Visitei museus e bibliotecas à procura de documentos que fornecessem uma perspectiva de como eram os nossos recifes no passado. A carta náutica foi um desses documentos históricos achados”, relata.

O biólogo Guilherme Longo, da UFRN, também coautor do estudo, conclui explicando a importância de olhar para a natureza do passado para compreender como ela mudou durante os séculos: “Frequentemente, perdemos a referência do que é um ecossistema saudável ou a própria extensão dessas áreas. Por isso, este estudo é um marco importante, porque recupera uma referência do quanto já foi perdido”, explica. O pesquisador também afirma que a pesquisa permite definir objetivos mais realistas sobre como conservar os recifes. O projeto teve apoio do Instituto Serrapilheira.

(Fonte: Agência Bori)

Espetáculo “Um Estudo sobre Dora” estreia em curta temporada no Theatro Municipal

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Alessandra Nohvais.

De 25 a 27 de junho, entra em cartaz a peça “Um Estudo sobre Dora” no Theatro Municipal. O projeto, dirigido e atuado por Sara Antunes, foi indicado ao Prêmio APCA 2021 de melhor espetáculo, além da indicação ao Prêmio APTR de Teatro em quatro categorias, incluindo melhor atriz e espetáculo. Trata-se da abertura do processo de pesquisa para a estreia do espetáculo presencial, com novas cenas e participações especiais. A apresentação faz parte do projeto Teatro no Theatro, que traz espetáculos teatrais para o Theatro Municipal.

A peça conta a história de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, uma estudante mineira de medicina que, aos 23 anos, entrou para a luta armada contra a ditadura militar. Ela foi presa, torturada e exilada para a Alemanha, onde suicidou-se em 1976, aos 31 anos.

A montagem é estruturada como um caleidoscópio fragmentado mesclando trechos de cartas, imagens de arquivos e relatos autobiográficos da atriz Sara Antunes. Angela Bicalho, mãe da atriz, faz uma participação especial traçando um paralelo da vida de Dora com a trajetória familiar de Sara. Dora, mineira como os pais de Sara, nasceu no mesmo ano que a mãe de Sara que também se envolveu na resistência à ditadura, assim também aconteceu com o pai da Sara, Inácio Bueno, que foi preso e exilado. “Ao reconstruirmos a subjetividade de períodos traumáticos que deixaram marcas profundas na história deste país, confrontamos a política da amnésia com que se pretende, reiteradamente, apagar um passado incômodo para criar campos de ignorância histórica que, novamente, convocam abertamente forças repressoras. Dora é um projeto importante de reparação histórica, de pretensão multidisciplinar em que as lutas femininas do Brasil estão em foco”, explica Sara Antunes.

Utilizando poucos elementos cênicos, a direção de arte se apoia na escrita a partir das cartas enviadas da prisão e do exílio trocadas entre Dora e sua mãe, Clélia Lara Barcelos. A direção tece uma metáfora através de fios vermelhos que viram vestidos e que viram cartas utilizando plataformas de escrita como retroprojetor, paredes, projeções.

Vestidos vermelhos, baldes e água são elementos que partiram de indicações nas cartas. A peça cobre o período de 1965 a 1976, e a trilha sonora inclui Tropicália, Violeta Parra e Torquato Neto, canções que marcaram a época e que Dora ouvia e até recomendava. Imagens de arquivo pessoais e documentos oficiais, como áudios de rádio, vídeos, fotos, recortes de jornais e revistas, são usados em cena, mesclando momentos de objetividade com experimentação, apoiados por elementos audiovisuais.

Para mais informações, acesse o site do Theatro Municipal de São Paulo.

Teatro no Theatro – Um Estudo sobre Dora

Theatro Municipal

25/6/2022 – 19h

26/6/2022 – 19H

27/6/2022 – 19H

[Theatro Municipal — Cúpula]

Ficha técnica

Sara Antunes, direção, texto, atuação e figurino

Henrique Landulfo, assistente de direção e direção audiovisual

Henrique Landulfo e Sara Antunes, concepção de imagem

Luiza Magalhães, pesquisa de dança

Camila Landulfo e Sara Antunes, direção de arte

Wagner Antônio, luz

Edson Secco, desenho sonoro

André Grynwask, projeção

Angela Bicalho, participação

Corpo Rastreado, produção

Classificação 14 anos

Duração 60 minutos

Ingressos R$30,00.

(Fonte: Approach Comunicação)

MAM SP exibe “Rubens Gerchman: O Rei do Mau Gosto” em comemoração aos 80 anos de nascimento do artista

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

No dia 25 de junho, sábado, às 16h, o Museu de Arte Moderna de São Paulo exibe o filme “Rubens Gerchman: O Rei do Mau Gosto”, no auditório Lina Bo Bardi, pela primeira vez de forma livre e gratuita na capital paulista. Com direção de Pedro Rossi e consultoria de Clara Gerchman, a produção destaca um período entre os anos de 1963 e 1978. A exibição do documentário faz parte de uma iniciativa do Instituto Rubens Gerchman, que também apresentou o filme no MAM do Rio de Janeiro no mês de maio.

O documentário retrata a criação artística e atuação política de Rubens Gerchman, artista plástico brasileiro ligado a tendências vanguardistas como o psicodelismo, movimento de contracultura que enfatiza o alcance de outros aspectos do subconsciente no desenvolvimento da arte, e ligado também à pop art. “Um país é também feito de símbolos que são permanentemente atualizados. Rubens Gerchman e seus companheiros de geração entenderam isso desde muito cedo. Neste bom combate buscaram mostrar que, como diria o crítico Frederico Morais, é possível fazer da nossa precariedade um valor”, comenta o diretor Pedro Rossi.

A exibição homenageia o artista, que completaria 80 anos em 2022, trazendo à tona a importância de sua obra no contexto nacional. “O Gerchman está entre os protagonistas da arte brasileira nos anos 70. O filme mostra não apenas a atuação dele, mas também conta a história da arte experimental e sua relação com o contexto político e social”, comenta Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo.

Os ingressos são gratuitos. Para assistir a exibição do documentário é necessário realizar a inscrição pelo link.

Sinopse

Um país não é construído apenas com indústrias, ferrovias e um plano econômico. Um país se constrói também com imagens. O artista plástico Rubens Gerchman entendeu isso muito bem e criou uma série de ícones e cenas que falam da realidade brasileira, fazendo da nossa precariedade um valor. Compreendido entre os anos de 1963 e 1978, o documentário “Rubens Gerchman: O Rei do Mau Gosto” retrata a criação artística e a atuação política de uma geração que soube criar imagens daquele Brasil que se tornava urbano e experimentava os mais duros anos da sua vida política.

Equipe

Direção: Pedro Rossi

Produção: Isabel Joffily

Roteiro: Bianca Oliveira, Isabel Joffily e Pedro Rossi

Montagem: Bianca Oliveira e Pedro Rossi

Fotografia: Bernardo Pinheiro e Pedro Rossi

Edição de som: Guilherme Farkas

Finalização de imagem: Bernardo Neder

Consultoria: Clara Gerchman.

Sobre Rubens Gerchman

Rubens Gerchman realizou, ao longo de 50 anos de trajetória, diversos projetos entre os mais vastos segmentos culturais. Teve seu trabalho reconhecido como pintor, escultor, fotógrafo, desenhista, gravador, cineasta, cenógrafo e escritor. Utilizou ícones do futebol, do carnaval e da política em suas obras. O artista teve grande importância para a cultura nacional e a projeção de seus trabalhos no exterior, elevando e ratificando o nome do país e de seus artistas internacionalmente, fortalecendo a cultura brasileira pelo mundo.

Em 2020, o Instituto Rubens Gerchman (IRG) comemorou 10 anos de atividades desenvolvendo projetos de preservação e difusão do acervo arquivístico e museológico do artista. O Arquivo do IRG é de valor informativo e cultural conferindo a esse Acervo um alto grau de interesse social e de memória mundial, tendo recebido o selo de Memória do Mundo da Unesco 2015.

Em 2022 são comemorados os 80 anos do nascimento do artista. A efeméride traz à tona a importância de um projeto dedicado à recuperação histórica de sua obra, que é de relevância nacional. O projeto justifica-se por realizar a preservação, conservação e difusão de um patrimônio artístico cultural e histórico brasileiro.

Serviço:

Exibição do filme “Rubens Gerchman: O Rei do Mau Gosto”

Data: 25 de junho, sábado, às 16 horas

Local: MAM São Paulo | Auditório Lina Bo Bardi

Capacidade: 200 pessoas

Endereço: Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portões 1 e 3)

Telefone: (11) 5085-1300

Ingresso: gratuito – é necessário se inscrever aqui

www.mam.org.br/MAMoficial

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www.youtube.com/MAMoficial.

(Fonte: a4&holofote comunicação)

CCBB RJ apresenta mostra ‘Portinari Raros’

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Portinari – “Fauna e Flora Brasileiras”, 1934 – painel a óleo sobre madeira. Crédito: Projeto Portinari.

No dia 29 de junho, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro inaugura a exposição “Portinari Raros”, com cerca de 50 obras pouco vistas ou nunca antes expostas de Candido Portinari (1903-1962), um dos mais importantes artistas brasileiros de todos os tempos. Com curadoria de Marcello Dantas, a mostra apresenta a enorme diversidade da obra deste grande artista múltiplo, que explorou diversas linguagens, revelando uma faceta pouco conhecida de um dos nossos mais reconhecidos artistas.

Obras originais, raras, como a única cerâmica produzida pelo artista ao longo de toda a sua vida, estudos de dois cenários produzidos para o “Balé Iara”, da companhia Original Ballet Russe, e um dos estudos para o painel “Guerra”, da ONU, estarão na exposição, assim como pinturas e desenhos em diversas técnicas, e figurinos, mostrando um artista eclético, que se aventurou em diversas manifestações artísticas muito além de sua zona de conforto.

“Portinari é o maior pintor da brasilidade; tem um papel chave no modernismo brasileiro e foi um artista bastante multidisciplinar no seu tempo, encontrou caminhos e linguagens, diversidade de estilos e possibilidades. Apesar de ser uma figura muito conhecida no Brasil, muita gente não tem noção da enorme diversidade de linguagens que ele explorou e é isso que a exposição mostrará”, afirma o curador Marcello Dantas.

Portinari – “A Morte Cavalgando”, 1955. Crédito: Projeto Portinari.

Ocupando o primeiro andar do CCBB RJ, a mostra será dividida em seis núcleos temáticos: “Fauna”, “Paisagens acidentais”, “Desenhos”, “Infância”, “Carajá”, “Balé” e “Flora”, que darão um amplo panorama das diversas facetas e linguagens exploradas por Portinari, revelando um artista eclético, pesquisador, capaz de se arriscar em outras formas de criatividade, como figurino, cenários, ilustrações e novas linguagens, trazendo à tona um Portinari invisível, ousado e pouco conhecido. “As obras vieram principalmente de coleções privadas, o que significa que várias nunca foram expostas ou estão há muitas décadas em casas de pessoas sem serem vistas pelo público. São trabalhos que circularam relativamente pouco e que vão surpreender muita gente”, ressalta o curador.

Completa a mostra a instalação digital “Carroussel Raisonnée”, que levará o público a uma viagem por todas as 4.932 obras catalogadas de Portinari. Os trabalhos serão apresentados em sequência cronológica, em uma projeção com mais de oito horas de duração, mostrando um panorama da enorme diversidade de estilos que é a produção do artista.

Obras em destaque

Portinari – “Meninos com balões”, 1951 – óleo sobre tela. Crédito: Projeto Portinari.

Entre os destaques da exposição estão as pinturas em óleo sobre tela “Meninos com Balões” (1951) e “Jangada e Carcaça” (1940), assim como o painel em óleo sobre madeira “Flora e Fauna Brasileiras” (1934), que tem 1,60m de comprimento, e “Menino Soltando Pipa” (1958), a única cerâmica feita por Portinari ao longo de sua vida.

Também se destacam “Paisagem com Urubus” (1944), projeto para cenário do “Balé Iara”, o primeiro balé brasileiro a entrar no circuito internacional. Com a Segunda Guerra Mundial, o Original Ballet Russe passou a excursionar pelas Américas e procurou enriquecer seu repertório incorporando concepções arrojadas e modernistas de importantes artistas locais. Desta forma, o argumento foi encomendado ao poeta Guilherme de Almeida; a música, ao maestro Francisco Mignone e os cenários e figurinos, a Portinari. Além do projeto para cenário em óleo sobre cartão, os figurinos criados por Portinari também estarão na mostra em uma animação digital.

A obra “A Morte Cavalgando” (1955) também ganha destaque por ser o estudo realizado para o painel “Guerra”, instalado na entrada da Assembleia Geral da ONU, em 1956.

Portinari – “Marinha”, 1953 – óleo sobre tela. Crédito: Projeto Portinari.

A obra “O Cemitério” (1955), em óleo sobre papel, presente na mostra, é a nona ilustração do livro “A selva”, de Ferreira de Castro, publicação comemorativa dos 25 anos da primeira edição da obra, ilustrada com doze gravuras de Portinari, executadas na Casa Bertrand.

A pintura “Marinha” (1953), em óleo sobre tela, se destaca por suas cores e luminosidade. Como afirmou Luís Carlos Prestes, “As cores do Portinari impressionam, são especificamente brasileiras. No Brasil, a luminosidade é muito diferente de qualquer outro lugar. E ele sabia dar essa luminosidade. E a vegetação verde, o mar azul e aquela listra branca, de areia branca. Não conheço outros pintores latino-americanos que tenham feito coisa parecida”.

A pintura “Tempestade” (1943), em óleo sobre tela, que foi uma encomenda de Assis Chateaubriand, também estará na exposição. Ao ver a obra, Chateaubriand quis adquiri-la, mas Portinari explicou que ela já estava reservada para um amigo, prometendo-lhe fazer outra semelhante.

Ambientação

Mais do que trazer obras raras, a ideia da exposição é mostrar um Portinari que o público não conhece. Para isso, toda a ambientação da exposição foi cuidadosamente pensada para que as pessoas sejam imersas no universo de Portinari e entendam de forma ampla quem foi este grande artista.

Portinari – “Menino Soltando Pipa”, 1958 – óleo sobre cerâmica. Crédito: Projeto Portinari.

As paredes de duas salas da exposição serão compostas por desenhos do próprio Portinari, que deram origens às obras que estarão expostas naquele ambiente. “Com isso, será possível entender o seu processo de trabalho. As paredes estarão todas marcadas com os desenhos que depois vão se transformar em pinturas”, conta o curador Marcello Dantas.

No núcleo “Flora”, que mostra a série de pinturas que ele fez sobre flores, arranjos de verdade de flores secas, de espécies que inspiraram Portinari a pintar as obras, irão compor as paredes.

Sobre o curador

Marcello Dantas é um premiado curador interdisciplinar com ampla atividade no Brasil e no exterior. Trabalha na fronteira entre a arte e a tecnologia, produzindo exposições, museus e múltiplos projetos que buscam proporcionar experiências de imersão por meio dos sentidos e da percepção. Nos últimos anos esteve por trás da concepção de diversos museus, como o Museu da Língua Portuguesa e a Japan House, em São Paulo; Museu da Natureza, na Serra da Capivara, Piauí; Museu da Cidade de Manaus; Museu da Gente Sergipana, em Aracaju; Museu do Caribe e o Museu do Carnaval, em Barranquilla, Colômbia. Realizou exposições individuais de alguns dos mais importantes e influentes nomes da arte contemporânea como Ai Weiwei, Anish Kapoor, Bill Viola, Christian Boltanski, Jenny Holzer, Laurie Anderson, Michelangelo Pistoletto, Rebecca Horn e Tunga. Foi também diretor artístico do Pavilhão do Brasil na Expo Shanghai 2010, do Pavilhão do Brasil na Rio+20, da Estação Pelé, em Berlim, na Copa do Mundo de 2006. Atualmente, é responsável pela curadoria da próxima edição da Bienal do Mercosul que ocorre em 2022, em Porto Alegre, e é curador do SFER IK Museo em Tulum, México. Formado pela New York University, Marcello Dantas é membro do conselho de várias instituições internacionais e mentor de artes visuais do Art Institute of Chicago.

Sobre o Projeto Portinari

Fundado dentro da área científica da PUC- Rio, o Projeto Portinari tem como objetivos, além do resgate abrangente e minucioso da vida e da obra de Candido Portinari, gravar a obra do artista na busca da nossa identidade cultural e consolidação da nossa memória nacional. Não menos importante, mobilizar a grande mensagem pictórica, ética e humanista de Portinari na promoção de valores mais atuais do que nunca, como a não violência, a justiça social, fraternidade entre os povos e o respeito à dignidade da vida. O projeto tem, ainda, uma ampla e importante contribuição sociocultural, buscando uma melhor compreensão do processo histórico-cultural brasileiro.

Portinari – “Tempestade”, 1943 – óleo sobre tela. Crédito: Projeto Portinari.

Por meio de um intenso trabalho de pesquisa, organização e digitalização de imagens, o projeto já catalogou mais de 5.300 pinturas, desenhos e gravuras; mais de 25 mil documentos sobre sua obra e vida; mais de 6 mil cartas, além de fotografias, filmes, recortes; mais de 10 mil publicações; mais de 70 depoimentos, totalizando 130 horas gravadas, de artistas, intelectuais e personalidades de seu tempo, realizou pesquisa de autenticidade das obras (Projeto Pincelada), além da publicação do Catálogo Raisonné “Candido Portinari – Obra Completa”, primeira publicação dessa natureza na América Latina.

Sobre o CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro ocupa o histórico nº 66 da Rua Primeiro de Março, no centro da cidade, prédio de linhas neoclássicas que, no passado, esteve ligado às finanças e aos negócios.

No final da década de 1980, resgatando o valor simbólico e arquitetônico do prédio, o Banco do Brasil decidiu pela sua preservação ao transformá-lo em um centro cultural. O projeto de adaptação preservou o requinte das colunas, dos ornamentos, do mármore que sobe do foyer pelas escadarias e retrabalhou a cúpula sobre a rotunda.

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil conta com mais de 30 anos de história e celebra mais de 50 milhões de visitas ao longo de sua jornada. O CCBB é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro e mantém uma programação plural, regular, acessível e de qualidade. Agente fomentador da arte e da cultura brasileira segue em compromisso permanente com a formação de plateias, incentivando o público a prestigiar o novo e promovendo, também, nomes da arte mundial.

Serviço:

Portinari Raros

Abertura: 29 de junho de 2022, às 9h

Exposição: até 12 de setembro de 2022

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro 

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

Rio de Janeiro – RJ

Telefone: (21) 3808-2020

Funcionamento: segunda, quarta e sábado, das 9h às 21h. Domingo, das 9h às 20h;

fechado às terças-feiras

Classificação indicativa: livre

Entrada franca, com ingressos disponibilizados na bilheteria do CCBB RJ ou pelo site Eventim: bit.ly/ccbbrjeventim.

(Fonte: Midiarte Comunicação)

Cinemateca Brasileira apresenta mostra “Espetáculo Polêmica Cultura”

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Caio Brito | João Pedro Albuquerque.

A Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) foi fundada em 1962 com o objetivo de articular apoio dos poderes públicos e da iniciativa privada para obter os recursos materiais necessários ao desenvolvimento dos trabalhos da Cinemateca Brasileira. No núcleo desta empreitada estavam Dante Ancona Lopez, publicitário e distribuidor de filmes, Florentino Llorente e Paulo Sá Pinto, exibidores, e Rudá de Andrade, conservador-adjunto da Cinemateca.

A ideia havia sido lançada em 1957 por Paulo Emílio após o primeiro incêndio na Cinemateca. Ao constatar a fragilidade da instituição e analisar as relações dela com as esferas políticas e sociais e o impacto da tragédia na opinião pública, concluiu: “Se todos se agruparem numa Sociedade de Amigos da Cinemateca Brasileira será evitado um colapso cuja consequência impediria por tempo indeterminado que o nosso país continue participando do mais importante fenômeno de aprofundamento da cultura democratizada no mundo moderno: a aproximação cultural do cinema”. (Paulo Emílio Sales Gomes – “A Cinemateca e os poderes”, 1957).

Frame de “A Paixão de Joana D’Arc”.
Foto: Sobol.

A SAC foi constituída oficialmente em 2 de julho de 1962. Seu primeiro presidente foi Dante Ancona Lopez, que também exerceu o cargo de diretor, juntamente com Florentino Llorente, João Guilherme de Oliveira Costa e Rui Nogueira Martins. Rudá de Andrade era responsável pela orientação técnica e Jean-Claude Bernardet coordenava as publicações, enquanto Alexandre Wollner orientava a identidade gráfica. A proposta de Dante Ancona Lopez era oferecer filmes de arte “que geram polêmica, que possuem um valor estético e apresentam um testemunho político-social”. Daí o slogan ‘Espetáculo Polêmica Cultura’, que reforçava o perfil da sala como um espaço de estímulo mais amplo à cultura cinematográfica. A partir da inauguração do Cine Coral, Dante criou o conceito de cinema de arte em São Paulo.

Para celebrar os 60 anos da fundação da SAC, a Cinemateca Brasileira organizou uma mostra dividida em três blocos, reproduzindo a prática de programação da época. Ao longo do evento, os familiares de Dante Ancona Lopez farão a doação do acervo do empresário à instituição.

Programação 1: Grandes Estreias Nacionais | Muitos dos grandes nomes do cinema brasileiro exibiram seus filmes pela primeira vez em uma das salas administradas pela SAC. A Mostra SAC vai apresentar clássicos do nosso cinema, entre os quais, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, “Garrincha, Alegria do Povo”, de Joaquim Pedro de Andrade, e “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos.

Programação 2: Grandes Estreias Internacionais | Dante Ancona Lopez trouxe filmes raríssimos de diversos países para as salas da SAC, ajudando a formar o público cinéfilo de São Paulo. A mostra contará com sessões dos espetaculares “Faraó”, de Jerzy Kawalerowicz, “O Momento da Verdade”, de Francesco Rosi, dos polêmicos “A Passageira”, de Andrzej Munk e Witold Lesiewicz, “Os Subversivos”, dos irmãos Taviani e do raro “O Crime da Aldeia Velha”, de Manuel Guimarães, além de “Um Cão Andaluz” e “O Anjo Exterminador”, de Luis Buñuel, “Mickey One”, de Arthur Penn, e “Cinzas e Diamantes”, de Andrzej Wajda, entre outros.

Programação 3: Filmes exibidos nas inaugurações das salas | Os cinemas e auditórios programados pela SAC desde 1962 sempre foram reconhecidos como singulares centros de formação cultural. Gerações de artistas, intelectuais e cinéfilos frequentaram esses espaços e puderam conhecer e ‘tomar gosto” pelos filmes de arte e, ao mesmo tempo, reconhecer a importância da Cinemateca Brasileira e de seu acervo-repertório na formação de uma sólida cultura cinematográfica. A Mostra SAC traz todos os filmes que foram exibidos na abertura de cada uma das salas programadas pela organização.

Frame de “Cão Andaluz”. (Divulgação)

Cine Coral – Projetado pelo arquiteto Túlio Ficarelli, o cinema foi inaugurado em 1958, na Rua Sete de Abril 381, com a exibição do filme “Esses Maridos”, de Luigi Comencini.

Cine Picolino – Inaugurado em 1955, a sala localizada na Rua Augusta 1513 (ao lado do prédio ocupado hoje pelo Espaço Itaú de Cinema), era propriedade da empresa Rilo de Cinemas e Hoteis S.A. e também integrava o circuito da Cia. Serrador. A partir de março de 1965, a Serrador e a SAC passaram a programar as atividades do Picolino. Para a inauguração dessa nova fase, foi lançado o filme italiano “Os Amantes de Florença”, de Carlo Lizzani, com Marcelo Mastroianni no elenco. O evento mereceu um elogioso artigo de Glauber Rocha no Diário Carioca.

Cine Scala – O Scala, localizado na Rua Aurora 720, Santa Ifigênia, foi inaugurado em 1962 com uma sessão de “Ópera dos Pobres”, de George W. Pabst. No ano seguinte, um incêndio destruiu suas instalações. A partir de 1965, já recuperado, passou a integrar o circuito de cinemas de arte da Cia. Serrador, acolhendo as programações da SAC, em paralelo às atividades do Cine Picolino.

Frame de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. (Divulgação)

Auditório do Museu de Arte de São Paulo – No final de 1962, a SAC passou a promover atividades no auditório do MASP. No início de 1963, foram feitas reformas nas instalações e adequação das cabines de projeção. Em março, na solenidade que marcou o início das atividades da SAC no Museu, foi apresentado o filme “Harakiri”, de Masaki Kobayashi, que um mês depois seria exibido em Cannes como representante oficial do Japão.

Belas Artes – Em 14 de julho de 1967, foi inaugurado o Cine Belas Artes, com a exibição da comédia “Os russos estão chegando! Os russos estão chegando!”, dirigido por Norman Jewison, indicado a quatro categorias do Oscar e ganhador do Globo de Ouro de melhor comédia. A pretensão inicial era exibir um filme de autor, mas a Serrador preferiu obra mais comercial para a inauguração. Além de programações comerciais e das sessões especiais transferidas do Picolino, o Belas Artes acolheu outras manifestações artísticas (apresentações musicais, peças teatrais e exposições), buscando se tornar um “verdadeiro centro de cultura”. O lema ‘Espetáculo Polêmica Cultura’ foi incorporado à marca do novo cinema.

Sala Cinemateca – Por oito anos, a Sala Cinemateca ocupou o espaço do antigo Cine Fiametta, na Rua Fradique Coutinho (atual Cinesala). Em sua inauguração, foi exibida a versão restaurada de “A paixão de Joana D’Arc”, de Carl Theodor Dreyer, mesma obra projetada à época da inauguração da Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo (embrião da Cinemateca Brasileira). O filme integrava o ciclo inaugural da sala, intitulado ‘Cinemateca 40 anos’, composto por obras expressivas do acervo da instituição.

Mostra “Espetáculo Polêmica Cultura”

Cinemateca Brasileira | Sala Grande Otelo (210 lugares + 4 assentos para cadeirantes)

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana – São Paulo (SP)

Ingressos gratuitos e distribuídos uma hora antes de cada sessão.

Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962 e que recentemente foi qualificada como Organização Social.

O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 40 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

Site

Instagram: @cinemateca.brasileira

Facebook: cinematecabr

Twitter: cinematecabr

Spotify: acesse aqui.

(Fonte: Trombone Comunica)