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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Galeria Arte132 exibe universo das joias dos irmãos Burle Marx

São Paulo, por Kleber Patricio

Desenho de Roberto Burle Marx. Fotos: Suzana Mendes.

O universo das joias dos irmãos Burle Marx, Roberto (1904-1994) e Haroldo (1911-1991), é exibido pela Arte132 em “Jewels by Brazil’s Burle Marx Brothers”. Esta é a primeira vez que aproximadamente 100 desenhos de joalheria de ambos são mostrados, conjuntamente, em uma galeria. A exposição, em cartaz até o dia 30 de julho, tem texto crítico do museólogo Antonio Carlos Suster Abdalla e apresenta verdadeiras relíquias modernistas que o Brasil exportava para o mundo.

Apesar de não terem sido sócios, nem compartilhado ateliê, a mostra os aproxima como duas personalidades independentes, de maneira produtiva para a história da arte. Haroldo Burle Marx foi o joalheiro preferido de colecionadores, estrelas de cinema, alta sociedade, dignitários e famílias reais. Roberto Burle Marx era considerado um multiartista: pintor, artista plástico, criador de painéis de azulejos, arranjos florais e muito mais.

Desta união, criou-se a primeira e verdadeira joia modernista realmente nacional: uma junção das pedras esculpidas por Haroldo Burle Marx, montada sobre uma estrutura de joias seguindo o paisagismo mágico de Roberto Burle Marx. A rica e diversa obra de raiz brasileira presentes nas páginas da historiografia é o denominador comum dos dois.

Desenho de Haroldo Burle Marx.

Ao reunir e confrontar os croquis, instiga-se uma interpretação afetiva e ousada. Segundo Abdalla, a exposição tem cunho apaziguador entre eles, que ficaram afastados por mais de quatro décadas por questões de incompatibilidade e assuntos privados. “Cabe ao espectador ou ao amante de design de joias fruir e fazer a leitura das especificidades de cada artista presentes na mostra. Se deliciar com os traços dos desenhos como desenhos (nada mais) ou as possibilidades das tridimensionalidades das peças ou, ainda, notar aproximações e diferenças óbvias entre ambos. Roberto assina Roberto e Haroldo assina Haroldo.  Burle Marx faz jus a ambos”, declara Antonio Carlos Suster Abdalla.

Sobre os artistas, por Antonio Carlos Suster Abdalla

Haroldo Burle Marx é menos conhecido frente ao irmão, que se tornou uma das referências da modernidade brasileira. Mais velho que Roberto Burle Marx, foi ourives/designer/estudioso de joias até o fim da vida. Nasceu em São Paulo e não custa reavivar a memória. Ele tinha linhagem hereditária com o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) – seu avô era primo do grande teórico. Em 1945, começa a realizar desenhos de joias. Em 1954, toma a decisão de se dedicar em tempo integral à pesquisa de pedras preciosas. Tornou-se hábil no manejo de metais e, por fim, produziu bastante dentro de sua linguagem poética brasileira e universalista. Haroldo, vale frisar, pesquisou e aplicou nas peças, entre outras influências, a artesania inca e egípcia.

O esmero técnico, a pesquisa de materiais e o conhecimento humanista resumem em certa medida o perfil do artista. Haroldo estudou no tradicional Colégio Resende, no Rio de Janeiro, na Pitman’s College, em Londres, e na Hochhandelschule, de Berlim, além de formação em direito não exercido, também no Rio. Tornou-se dedicado especialista em gemologia – ciência que identifica a natureza das gemas das pedras preciosas – e lapidação, após formação por quatro anos pelo instituto Idar-Oberstein, na Alemanha. Dominava igualmente seis línguas.

Em 1981, o artista e a norte-americana Alta Leath, esposa do deputado democrata texano Marvin Leath, se conheceram no Rio de Janeiro e iniciaram parceria para que suas obras fossem expostas e comercializadas nos Estados Unidos. Os dois se tornaram amigos até o fim da vida. Haroldo já circulava, igualmente, entre os amantes de joias únicas na Europa. A Coleção Altomar, criada por Alta em 1982, promoveu o artista e o incentivou a desenvolver joias inclusive com ouro 18 quilates.

As atrizes Natalie Wood (1938-1981) e Cicely Tyson (1924-2021), o cantor lírico Placido Domingo (1941) e a rainha Margarida (1940), da Dinamarca, são algumas das personalidades que adquiriram joias com a assinatura de Haroldo. O Museu de Ciências Naturais de Houston, nos Estados Unidos, manteve uma sessão dedicada ao artista por dois anos. O The New York Times, a Vogue e a Connoisseur Magazine deram espaço editorial à qualidade e genialidade das pulseiras, colares, brincos, braceletes e anéis produzidos por ele.

Como convivi, por meio de pesquisa e contato direto por várias vezes, com o acervo de Roberto, incluindo a curadoria de exposições antológicas do artista, uma delas realizada no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por ocasião dos 100 anos de sua morte, em 2009, reforço que foi homem de vanguarda. Multiartista – conhecido pelas pinturas, desenhos e tapeçarias – é nome internacional incontornável por ter se dedicado à preservação da natureza e dado relevância ao paisagismo brasileiro.

Paulistano, nasceu num dos símbolos da cidade, a Avenida Paulista esquina com a Rua Ministro Rocha Azevedo. No cruzamento, seus pais construíram uma casa em estilo art nouveau batizada de Vila Fortunata, até hoje um pequeno pedaço de área verde (local que faz homenagem a um político e não ao artista, como seria plenamente merecido).  Viveu quase toda vida, entretanto, no Rio de Janeiro, onde estudou com Cândido Portinari (1903-1962). Sempre pretendeu ser conhecido como pintor, mas como um representante do idealizado homem do Renascimento, seguiu por caminhos vários e ficou conhecido como o mais representativo paisagista brasileiro.

Sem excessos nacionalistas e limitadores, Roberto tinha fascínio pela floração tropical. O primeiro projeto paisagístico, em 1932, foi para a residência Schwartz, em Copacabana, Rio. Em Recife, atuou como diretor de parques e jardins, o que propiciou expandir ainda mais o conhecimento da paisagem brasileira. Anos depois, saíram de sua prancheta projetos do Aterro do Flamengo, no Rio, Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o Eixo Monumental, de Brasília, entre outros.

Como pintor, foi do figurativo ao abstrato, quando, em 1950, adere ao Abstracionismo Abstrato. Simultaneamente, produziu grandes tapeçarias como uma das mais representativas que pertencente ao Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, executada pelo paulistano Atelier Douchez-Nicola.

Roberto trabalhou ainda com painéis cerâmicos, gravuras e esculturas, além dos projetos de joias. Seus últimos anos de vida se passaram no exuberante sítio de Guaratiba, no Rio, com sede projetada por Lúcio Costa. A lista de exposições que participou é enorme, passando por sete edições da Bienal de São Paulo e três de Veneza, sem contar individuais e coletivas na Europa, Ásia, Estados Unidos e América Latina.

Sobre Antonio Carlos Suster Abdalla

Antonio Carlos Suster Abdalla é museólogo, curador independente e pesquisador em Artes Visuais. Tem mais de 140 trabalhos concluídos em museus, galerias e centros culturais, entre eles: Caixa Cultural CEF-Rio de Janeiro/RJ e Salvador/BA; Casa da Cultura-Paraty/RJ; Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rio de Janeiro/RJ e Brasília/DF; Escritório de Arte Augusta 664 – São Paulo; Espaço Cultural da BM&F-Bovespa – São Paulo; Espaço Cultural Nossa Caixa – São Paulo; Espaço Cultural Porto Seguro – São Paulo; Estúdio Jacarandá – São Paulo; Galeria Berenice Arvani – São Paulo; Galeria Mapa – São Paulo; Galeria Zilda Fraletti – Curitiba/PR; James Lisboa Escritório de Arte – São Paulo; JB Goldenberg Escritório de Arte – São Paulo; Lordello & Gobbi Escritório de Arte – São Paulo; Museu BANESPA – São Paulo; Museu Brasileiro da Escultura (MUBE) – São Paulo; Museu de Arte Contemporânea (MACC) – Campinas/SP; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAMSP) – São Paulo; Museu de Zoologia-USP – São Paulo; Museu Guido Viaro – Curitiba/PR; Museu Nossa Senhora Aparecida/Santuário Nacional – Aparecida do Norte/SP; Museu Oscar Niemeyer (MON) – Curitiba/PR; Passado Composto Século XX – São Paulo; Pinacoteca Benedicto Calixto – Santos/SP; Pinacoteca do Estado de São Paulo – São Paulo; Santander Cultural – São Paulo; SESC Belenzinho – São Paulo e Araraquara/SP e Universidade do Ceará (UNIFOR) – Fortaleza/CE.

Sobre a Arte132 | A Arte132 expõe, dá suporte e mantém em acervo artistas brasileiros reconhecidos, principalmente as produções autorais menos conhecidas, artistas que desenvolveram um entendimento do mundo e do homem em algum momento. As mostras sempre têm o compromisso de apresentar arte relevante de qualidade ao maior número de pessoas possível, colecionadores ou não. A casa (concebida pelo arquiteto Fernando Malheiros de Miranda, em 1972), para além de uma galeria de arte, é um lugar de encontro e descobertas.

Serviço:

Jewels by Brazil’s Burle Marx brothers

Texto crítico: Antonio Carlos Suster Abdalla

Local: Galeria Arte132 – Av. Juriti, 132, Moema, São Paulo – SP

Período expositivo: 4 de junho até 30 de julho

Horários de visitação: de segunda a sexta, das 14h às 19h. Sábados, das 11h às 17h.

Entrada gratuita

https://arte132.com.br.

(Fonte: a4&holofote comunicação)

Restauração de áreas desmatadas depende de ações que envolvem biodiversidade e clima

Paraná, por Kleber Patricio

Foto: Raquel Portugal/Fiocruz Imagens.

Para recuperar a biodiversidade e os benefícios ecossistêmicos da mata tropical não basta restaurá-la. É necessário investir na conservação das florestas já existentes, inclusive para garantir o sucesso da restauração. A quantidade e a proximidade de mata antiga em relação às áreas de restauração afetam a riqueza de espécies, a biodiversidade e a capacidade de capturar o carbono da atmosfera. As conclusões são de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e estão publicadas na edição de terça (26) do Journal of Applied Ecology.

O estudo foi realizado em uma das regiões de Mata Atlântica remanescentes mais importantes do Brasil, na costa sul do Paraná, em que há um programa de restauração promovido pela SPVS desde 2000. A área envolve os municípios de Antonina e Guaraqueçaba, uma região bem conservada, de 300 mil hectares, com florestas, estuários, baías e ilhas.

Os pesquisadores coletaram amostras e analisaram imagens de 65 áreas, acompanhando, desde 2010, estratégias de restauração utilizadas e outras características ambientais. Com a preocupação acerca da degradação de áreas tropicais por atividades humanas, os esforços têm se voltado à restauração, com foco inclusive na chamada Década das Nações Unidas de Restauração do Ecossistema (2021-2030). Há grandes expectativas de melhorar a subsistência das pessoas, combater as mudanças climáticas e deter o colapso da biodiversidade por meio de restauração de áreas desmatadas.

Segundo os autores, a restauração não pode ser planejada sem estar alinhada às estratégias de conservação, sendo, portanto, necessário fortalecer as ações capazes de inibir o processo de degradação dos ecossistemas. Ainda segundo os autores, para promover a regeneração de matas degradadas e alcançar metas globais de biodiversidade e benefícios do ecossistema ao ser humano é essencial combater as mudanças climáticas.

Os pesquisadores buscaram entender a interação entre os esforços de restauração e conservação, verificando também as diferenças entre as estratégias natural e ativa de restauração. “A primeira é muito mais barata, orgânica, depende de processos naturais para promover a chegada de espécies. A segunda, que é o plantio de mudas, é muito mais onerosa pra quem tem de restaurar”, explica Marcia Marques, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná. O estudo mostra que, com a presença de áreas conservadas, a regeneração natural se torna uma alternativa mais econômica para ter resultado satisfatório: “Se você quiser usar só regeneração natural nessa situação é possível, porque existe um fluxo de sementes pela fauna”, relata.

A autora diz que a restauração é, muitas vezes, superestimada: “De modo geral, há, na sociedade, uma expectativa muito grande em relação à restauração ecológica, inclusive para dar conta de absorver todo o carbono que estamos jogando na atmosfera há séculos, quando não é bem isso”. Para ela, há uma percepção de que o desmatamento poderá facilmente ser compensado pela restauração, que é vista como uma “bala de prata”, quando não é o caso: “Não é o caso de assumirmos que podemos desmatar e depois restaurar. Precisamos manter também as florestas maduras, com todas as suas funcionalidades. Restaurar é também conservar. Precisa ser aliado à conservação”, conclui a pesquisadora.

(Fonte: Agência Bori)

Animação infantil criada por Carlinhos Brown completa 10 anos e estreia espetáculo no Teatro Liberdade

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem: divulgação.

Carlinhos Brown levará para os palcos seu projeto infantil, que apresenta de forma lúdica e educativa personagens da cultura e do folclore brasileiro. O musical “Paxuá e Paramim e o Novo Planeta Azulzinho”, que estreia dia 20 de agosto, no Teatro Liberdade, em São Paulo, conta com direção artística de Gringo Cardia, roteiro de Stella Miranda e direção de André Gress. As músicas são de autoria de Brown e da cantora Milla Franco. O espetáculo comemora os 10 anos de existência do projeto, idealizado em parceria com Andrea Mota, e que é pensado para toda a família. “O musical chega aos palcos em um momento muito especial em que todo o planeta se recupera de grandes perdas e onde nós estamos rediscutindo uma nova relação com o meio ambiente, em especial o mar como pulmão do mundo, as florestas e os rios. A história do espetáculo é feita para valorizar a vida, as pessoas e a natureza como um renascimento educativo”, define o músico.

O diretor do espetáculo, André Gress, destaca o cuidado com que o musical foi pensado: “Quem assistir ao espetáculo vai vivenciar uma atmosfera de cores, sons e efeitos especiais que vão transportar a todos para um mundo onde tudo é possível. Das coreografias às cenas, tudo foi pensado para cativar crianças e adultos”, revela. A realização é da Produtora Pappou, Candyall Entertainment, Beloca Eventos, Lab Cultural e Grupo Infinitus.

Sinopse

Na aventura infantil, o malvado Jururú rouba a Pedra da Sustentação que mantinha a gravidade, deixando o Planeta Azulzinho de pernas para o ar. A Terra fica desprotegida e seus tesouros podem ser saqueados. Por causa desse desequilíbrio, Talísia – a Mamãe Natureza – ficou doentinha, adormeceu.

A Terra adormecida está passando por maus bocados, os humanos esqueceram a própria humanidade. Pajeum a velha Bruxinha do Bem, aquela que conhece todos os segredos desse e de outros mundos, faz um alerta: “Parem! É uma ordem! Por favor, parem agora! Não estamos bem! Não se ouve mais os pássaros cantar, não vemos mais as estrelas brilharem, nossas florestas estão sufocadas!”

Os personagens Paxuá, Paramim e Braúna vão salvar o Planeta Azulzinho, numa jornada pelas estrelas e assim, despertar a Mamãe Natureza. Para isso, precisam aprender lições sobre respeito, amizade, bondade, tolerância, saúde, paz e amor.

Ficha Técnica:

Direção: André Gress

Direção artística: Gringo Cardia

Diretor Musical: Marcelo Castro.

Roteiro: Stella Miranda

Adaptação e Textos Adicionais: Juliano Marceano.

“Paxuá e Paramim” nas Redes: Youtube | Instagram | Spotify | Facebook.

Serviço:

“Paxuá e Paramim e o Novo Planeta Azulzinho”

Teatro Liberdade

R. São Joaquim, 129 – Liberdade, São Paulo – SP

Datas: 20, 21, 27 e 28 de agosto

Sessões às 15h e 17h

Classificação: Livre

Venda de ingressos pelo site da Sympla

Preços:

Plateia Baixa (R$160 Inteira – R$80 Meia)

Plateia Alta (R$140 Inteira – R$70 Meia)

Balcão A (R$120 Inteira – R$60 Meia)

Balcão B (R$100 Inteira – R$50 Meia).

(Fonte: Lupa Comunicação)

Violonista João Camarero lança álbum com duas peças inéditas de Paulinho da Viola

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Gil Inoue.

O título do novo disco solo de João Camarero, “Gentil assombro”, que chega dia 26 de julho às plataformas de streaming, resume bem as dez faixas do álbum. Por um lado, há a delicadeza de temas como “Um choro breve” e “Homenagem a Armando Neves”, duas inéditas de Paulinho da Viola, interpretadas com a mesma rara fina elegância do grande cantor e compositor carioca. Por outro, espalha-se pela espinha do ouvinte o assombro do virtuosismo técnico do violonista, sempre executado de forma cristalina e sem parnasianismos. Mesmo quando o número exige destreza ímpar, a preocupação é prestar um serviço à obra, colocando a música em primeiro lugar.

Um exemplo disso pode ser ouvido em “Dança brasileira” (Radamés Gnattali) e “Articulado” (Sérgio Assad) — composta especialmente para o músico —, nas quais a excelência de Camarero ao violão fica nítida, ressaltando a maturidade artística de um operário da melodia. O erudito apaixonado por canção popular, o músico popular de alma concertista, um violão límpido e poderoso que se sente à vontade tanto no palco de show — ao lado de Maria Bethânia, Leny Andrade e Cristóvão Bastos, entre tantos outros — quanto na roda de choro ou em uma sala de concertos, como provam as autorais “Pequenas valsas sentimentais #3 e #5”, as únicas composições próprias do álbum.

“São quase como miniaturas, músicas curtas. Procuro achar um caminho com esses temas mais sentimentais, é a busca pelo acabamento. Estou preocupado em fazer uma música no sentido mais amplo possível, que toque as pessoas de alguma maneira, seja pela estranheza ou pelo conforto, uma coisa muito ligada à contemplação. São um pouco mais líricas, se inserem no disco de maneira natural, primeiro porque é importante gravar coisa minha, segundo porque elas têm um caráter bem revelador do que eu faço, do estilo que eu toco, mostram onde eu quero estar. São bem brasileiras, mas têm uma estética e harmonia ligadas a outros estilos também, é um retrato do que acredito agora”, afirma Camarero.

O espanto causado pela interpretação do violonista também pode ser ouvido em “Sherzino mexicano”, de Manuel Ponce, e nas três obras de Manuel de Falla que encerram o álbum: “Danza del corregidor”, “Romance del pescador” e “Canción del fuego fatuo”, todas pontuadas por uma clareza estonteante, na qual cada nota tem seu lugar, sem exageros, com uma aparente simplicidade que apenas o domínio do instrumento permite. É este esmero que faz de Camarero uma espécie de carpinteiro do violão contemporâneo brasileiro. Não à toa, a carpintaria é o hobby ao qual Paulinho da Viola se dedica e a doação de duas músicas inéditas suas demostram a admiração do baluarte da MPB pelo jovem paulista de 32 anos.

Impactado após escutar Camarero pela primeira vez, em 2020, o escritor e cronista Antonio Prata resume este “Gentil assombro”: “Apurei o ouvido, ergui a cabeça e ouvi o violão dizendo, ‘amigo, enquanto não chegar o apito ou juízo final, dá pra virar esse jogo’. Não é possível um país que produziu este disco estar fadado ao fracasso… Com talento e apuro, João Camarero assopra a brasa por baixo de toda a cinza do patético Brasil oficialesco, tosco e antimusical, nos aproximando de um outro país: inteligente, criativo, inclusivo, talentoso e livre. Ouvi-lo faz cair o queixo. O meu já caiu: agora, que caia o seu. Por favor, faço questão, eu ouço todo dia, sério mesmo, imagina, vai aí, não há de quê”.

“Gentil assombro” é um lançamento do selo GuitarCoop.

Lista de faixas:

1 – “Um choro breve” (Paulinho da Viola)

2 – “Dança brasileira” (Radamés Gnattali)

3 – “Homenagem a Armando Neves” (Paulinho da Viola)

4 – “Pequenas valsas sentimentais #3” (João Camarero)

5 – “Pequenas valsas sentimentais #5 — Gentil assombro” (João Camarero)

6 – “Articulado” (Sérgio Assad)

7 – “Scherzino mexicano” (Manuel Ponce)

8 – “Danza del corregidor” (Manuel de Falla)

9 – “Romance del pescador” (Manuel de Falla)

10 – “Canción del fuego fatuo” (Manuel de Falla).

Faça aqui o pré-save.

Breve biografia

Natural de Ribeirão Preto, João Camarero nasceu em 1990 e foi criado em Avaré, também no interior de São Paulo. Estudou no Conservatório de Tatuí, em seu estado natal, e na Escola Portátil de Música, no Rio de Janeiro, onde trabalhou como monitor e professor.

Como violonista, acompanhou em palcos ou estúdios artistas como Yamandu Costa, Mônica Salmaso, Leny Andrade, Fágner, Paulinho da Viola e Maria Bethânia, com quem gravou o álbum “Noturno” (2021) e duas participações em homenagens a Aldir Blanc e Hermínio Bello de Carvalho, nas faixas “Palácio de lágrimas” (Aldir Blanc/Moacyr Luz) e “Cobras e lagartos” (Sueli Costa/Hermínio Bello de Carvalho), respectivamente.

No âmbito da composição, já escreveu músicas com Cristóvão Bastos, Moacyr Luz, Roberto Didio e Paulo César Pinheiro, entre outros. É vencedor dos prêmios MIMO Instrumental (2015) e do Concurso Novas – 3 (2016) e integra o grupo Regional Imperial e o Conjunto Época de Ouro, que acompanhava Jacob do Bandolim, no qual assume a posição de Dino 7 Cordas, um de seus ídolos no instrumento.

Em sua carreira solo, publicou os discos “João Camarero” (2014), “Vento brando” (2019) e, agora, prepara o lançamento de “Gentil assombro”. Pela gravadora Biscoito Fino, gravou os singles “Concertante No. 3” e “Balada para Martin Fierro”, ambas em 2020, e “Valsa de cinema” (2021), parceria com Renato Braz e Roberto Didio. Além de diversas cidades Brasil afora, já se apresentou em importantes salas de concerto em países como EUA, Japão, Coreia do Sul, França, Alemanha, Itália, Holanda, Inglaterra, Bélgica e Áustria.

(Fonte: Lupa Comunicação)

Casa NFT realiza exposição imersiva na Funarte

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra de Binho Ribeiro. Fotos: divulgação.

No ano passado um grupo de artistas, muralistas e grafiteiros se encontraram durante três meses para pintar uma mansão abandonada de 2.400 metros quadrados no Morumbi. O projeto, intitulado Casa NFT, transformou o espaço em uma grande galeria de arte com data para ser destruída. A mansão foi demolida, mas antes todas as obras foram digitalizadas e transformadas em arquivos digitais para a geração de criptoartes utilizando NFTs.

A ideia veio dos empresários Alexandre Travassos e Rodrigo Loli, sócios da Muzer, que negociaram a utilização da mansão para o projeto diretamente com o dono da Construtora Gamboa.

Quase um ano depois, cerca de 6,2 terabytes de acervo digital têm um novo endereço e serão expostos a partir do dia 12 de agosto nas galerias da Funarte São Paulo, trazendo obras de nomes importantes da arte de rua, como MIA, Mari Pavanelli, EDMX, Mazola, Laura Reis e Caps, entre outros.

Obra de Paulo Bruno.

A exposição faz valer as inúmeras possibilidades de aplicações dos arquivos digitais, desde impressões fine art em diversos tipos de materiais, exibições em telas digitais variadas e uma sala imersiva de 320 m² de projeções com mapeamento digital que farão contraste com pedaços de demolição das obras originais.

Para os idealizadores, a Casa NFT é um projeto dedicado a promover o debate sobre a utilização de novas tecnologias que possam dar suporte ao processo artístico. “Criar, digitalizar e destruir, abrindo infinitas possibilidades digitais de algo que era estático fisicamente. A Casa NFT surgiu a partir do estudo do impacto dos NFTs em relação ao direito de propriedade de obras artísticas; desde imagens, músicas e fotos. Percebi que estava surgindo uma alta oferta de artes visuais produzidas digitalmente, mas não vi ninguém produzir artes físicas para serem digitalizadas. Pensei então que seria interessante produzir uma arte física para ser destruída e eternizada digitalmente”, explica Alexandre Travassos.

A exposição vai até 18 de setembro e contará com oficinas de arte e painéis sobre o universo blockchain. A segunda edição da Casa NFT já está em negociação e deve ocorrer ainda em 2022.

Obra de Evol.

Artistas da Casa NFT: Ale Fractal, Amazon, André Mogle, Anna Silveira, Anne Galante, Assis, Barbara Goy, Betto Damasceno, Binho Ribeiro, Cards, Carmão, Ceará, Célio, Chico Fonseca, Clara Leff, Curió, Deksuave, Dino, Dom Graffiti, Dudadir, Ectoplasma, EDMX, Eu te vejo, Evol, Fabiano Apce, Feik Frasao, Feione, Fernando RV, Filite, Gota.a, Hannah Nader, Igana, Ignoto, IMAGE, Jah no Controle, Jimmy, Lady Brown, Lari Umeri, Laura Reis, Leandro Cinico, M.I.A, Mariana Pavanelli, Mazola Marcnou, Mes3, Micha, Mura, Nem Viptk, Obrene, Oxil, Pack Toledo, Paulo Bruno, Pestes VN, Quinho, Racil, Renê Muniz, RHAY, Rodrigo Queiroga, Rotka, SneK, Sol1, Suzue, TEF Cobalt, Teia Urbana, Vinicius Caps, Vinicius Meio, Vismoart, Vitones, William Pimentel, xGuix, Bob Fonseca e Diogo Terra. Site: https://casanft.art/.

Sobre a Funarte | Localizado no bairro de Campos Elíseos, o Complexo Cultural Funarte SP é um espaço aberto ao público, com atividades diversas e programação artística intensa. É também um lugar de memória, que guarda fragmentos da história da educação, cultura e artes de São Paulo.

A exposição acontece nas galerias localizadas nos Galpões Lulu Librandi, parte central do Complexo.

Local: Complexo Cultural Funarte SP – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – São Paulo (SP).

(Fonte: Assessoria de Imprensa Casa NFT)