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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Projeto Bairro Verde: plantio no Jardim Moryama acontece no sábado (15/4)

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Indaiatuba promove no sábado (15/4) o plantio do Projeto Bairro Verde no Jardim Moryama. O projeto levará para o bairro 68 mudas de árvores que serão plantadas nas calçadas. A ação terá início às 9h e a concentração dos participantes será na área verde, localizada na Avenida Manoel Ruz Peres com a Avenida Domingos Ferrarezzi. O cadastramento dos moradores interessados em ter uma muda de árvore plantada na calçada do imóvel foi feito no sábado (1/4).

O secretário de Serviços Urbanos, Guilherme Magnusson, informa que o Projeto Bairro Verde foi lançado pela Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente em 2021 e segue as diretrizes do Plano de Arborização Urbana do município.

Por meio deste trabalho, a Prefeitura orienta a população sobre os benefícios das árvores nas áreas urbanas e reforça a arborização dos bairros com a ajuda dos próprios munícipes. “O plantio é uma oportunidade de falar diretamente com os moradores dos bairros atendidos e reforçar sobre os benefícios que as árvores trazem às áreas urbanas e a importância do cuidado com o meio ambiente”, reforçou o secretário.

(Fonte: Prefeitura de Indaiatuba)

Anomalias climáticas marcam outono e inverno no Brasil

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: NOAA/Unsplash.

A análise de anomalias climáticas sazonais da Meteum para outono e inverno de 2023 no Brasil, cobrindo períodos de três meses, revela alguns achados interessantes. As previsões sazonais geralmente são mais precisas e confiáveis do que as previsões mensais, embora as anomalias sejam geralmente menos pronunciadas no nível sazonal do que no mensal.

As anomalias foram calculadas com base em reanálise ERA-5 em relação às normas dos dados climáticos dos últimos 30 anos (1993-2022), onde “norma” refere-se a temperatura e precipitação médias para uma determinada estação durante este período.

Temperatura: flutuações suaves em todo o País

O Brasil possui um clima estável, resultando em anomalias de temperatura menos marcantes do que alguns vizinhos. De acordo com as projeções, as temperaturas no País durante as estações de outono e inverno serão cerca de 0,5 a 0,6°C mais altas do que a média dos últimos 30 anos. As regiões mais afetadas serão Rio Grande do Sul, Espírito Santo e a região da capital federal.

O efeito de ilha de calor urbana não é tão grave nas principais cidades brasileiras. Por exemplo, o Rio de Janeiro está situado na costa e seu clima é mais marítimo, ajudando a moderar extremos de temperatura e permitindo que as brisas do mar esfriem a cidade. Portanto, a temperatura não está aumentando tão drasticamente como em algumas outras megalópoles (como a Cidade do México).

Curiosamente, nos estados de Roraima, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco, a temporada de outono deve trazer temperaturas um pouco mais frias. No entanto, essa diminuição é mínima, apenas de 0,1 a 0,2°C.

Aumento na precipitação no Centro-Oeste do Brasil: menos assustador do que parece

As regiões centrais do Brasil enfrentarão significativos desvios na precipitação durante a estação geralmente seca do inverno, com um aumento considerável de chuvas em julho e agosto. Embora isso possa levantar preocupações para agricultores, os temores de enchentes e deslizamentos de terra podem ser amenizados.

A norma climática para a precipitação nessas áreas é muito baixa. Portanto, mesmo um desvio drástico de +100% não faria com que a precipitação fosse catastrófica (por exemplo, 20 mm durante o verão em vez de 10 mm). Para fins de comparação, quando ocorreram as enchentes no litoral paulista em fevereiro, surpreendentes 600 mm de chuva caíram em apenas um dia.

As anomalias climáticas sazonais no Brasil para 2023 destacam os efeitos das mudanças climáticas globais, urbanização e fatores geográficos locais nos padrões de temperatura e precipitação.

Enquanto a Cidade do México e o estado do México experimentam anomalias de temperatura notáveis devido ao efeito da ilha de calor urbano, o Brasil apresenta variações mais suaves. Por outro lado, as anomalias de precipitação em ambos os países mostram variações regionais, com aumento de chuvas em algumas áreas e condições mais secas em outras.

É crucial considerar o contexto e as implicações dessas anomalias para populações, agricultura e esforços de gerenciamento de desastres. Compreender os fatores subjacentes por trás dessas anomalias climáticas permite melhores estratégias de planejamento, adaptação e mitigação para enfrentar os desafios apresentados por um clima em mudança.

(Fonte: Mention Comunicação)

Encontro de Contadores de Histórias de Indaiatuba começa no dia 5 com atividades gratuitas

Indaiatuba, por Kleber Patricio

 

Grupo Manuí comanda Oficina Gratuita de Formação Inicial de Contadores de Histórias. Foto: Fernando Almeida.

Com um total de 25 atividades gratuitas, tem início na quarta-feira, 5 de abril, a primeira edição do Encontro de Contadores de Histórias de Indaiatuba. Sob a curadoria de Marina Costa, pedagoga e contadora de histórias, o evento foi contemplado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, a partir do Edital 25/2022 de Literatura: Produção e Realização de Projeto de Incentivo à Leitura, e conta com apoio da Prefeitura de Indaiatuba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Além de muita contação de histórias, há espaço para rodas de conversas sobre a tradição, aulas com pesquisadores, apresentações de grupos de cultura popular e tradicional, espetáculos artísticos e mediação de leituras, além de oficinas com profissionais de diversas formações e idades.

Juliana Correia vem do Rio de Janeiro para a Oficina Memória da Palavra. Foto: Douglas Dobby.

“Um evento dedicado à narração de histórias tem uma importância fundamental em muitos âmbitos da sociedade contemporânea. As artes narrativas costumam ser consideradas equivocadamente como de menor importância. Um encontro como esse vem alargar o horizonte tão estreito em que em geral essa arte é enquadrada, promovendo novas descobertas que guiem as ações de educadores, narradores, famílias e pessoas que atuam nos mais diversos locais: de hospitais a abrigos, com refugiados a outros segmentos em situações de risco”, destaca a educadora Regina Machado, referência no universo da narração oral.

Autora do livro “Acordais: Fundamentos Teóricos-poéticos da Arte de Contar Histórias”, Regina foi escolhida para abrir a programação do Encontro com a aula magna ‘Narrativas Orais de Histórias: o Poder das Palavras nos Contos Tradicionais’, que acontece quarta-feira, 5 de abril, às 19h, no Auditório da UniMAX, com a presença de intérprete de Libras.

Importância da narração oral

Qual a importância da narração oral para a nossa cultura? Marina Costa esclarece: “Aprendi que a arte de narrar é uma paisagem que pode ser apreciada de diferentes janelas. A janela por meio da qual gosto de olhar para a contação de histórias é a janela da ancestralidade. Contemplo o contar histórias como uma maneira de mantermos viva a transmissão de saberes das diferentes culturas que compõem o nosso país, especialmente as culturas dos povos da floresta, africanas e afro-brasileiras. Assim, quando falamos de contação de histórias, estamos falando de identidade”.

Mafuane Oliveira, finalista do Prêmio Jabuti 2022, é uma das convidadas do evento. Foto: Paulo Oliveira.

Ao longo da extensa programação, passarão pelo Encontro contadores de histórias, artistas, trupes, companhias e pesquisadores de diversas partes do Brasil, inclusive de Indaiatuba e outras cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Destaque para a cantora Mariana Per e o Grupo Manuí, além dos contadores Mafuane Oliveira e Zé Bocca.

Arte-educadora, pesquisadora e contadora de histórias, Mafuane Oliveira, finalista do Prêmio Jabuti 2022 com o livro “Mesma Nova História”, não revela qual história contará durante o Encontro, mas dá dicas. “Tenho um instrumento mágico, o Chaveiroeiro, que é formado por chaves que guardam histórias do mundo inteiro. Não sou eu que escolho as histórias, quem escolhe a história é o momento, é o público que me empresta seus ouvidos generosos. O que posso adiantar é que certamente será uma história afro-brasileira ou de origem africana ligada à tradição ou a países que apresentem elementos culturais de povos Bantu”.

Zé Bocca, ator e contador, estará presente em dois momentos do Encontro. No primeiro, com causos recolhidos da tradição caipira. No segundo, com a história “O Bicho Mais Poderoso do Mundo”, versão autoral de um conto da cultura africana, publicada em livro. As duas apresentações serão acompanhadas pelo músico Marcos Boi.

Magno Farias, de São Paulo, participa da Grande Roda de Histórias do Encontro. Foto: divulgação.

“A história é sempre de quem ouve. Nós, contadores, somos apenas canais de transmissão. Nossa missão é que a narrativa chegue da melhor forma possível a cada pessoa, que a entenderá a partir do seu repertório e da sua cultura. Para que isso aconteça, usamos a palavra, a expressão e o universo lúdico. Acredito nessa troca e nessa força”, pontua Zé Bocca.

PROGRAMAÇÃO

5 de abril, às 19h

Aula Magna com Profª Draª Regina Machado

Tema: Narrativas Orais de Histórias: o Poder das Palavras nos Contos Tradicionais

Local: Auditório da UniMAX

Endereço: Avenida 9 de Dezembro, 460, Jardim Pedroso

6 de abril, às 19h

“Oralidade e Memória”, com Prof. Dr. Antônio Filogênio Júnior e Profª Drª Waldete Tristão

Local: Auditório da UniMAX

14 de abril, às 10h

Roda de História com Cia Valamandana, Marina Costa e Afonso Torres

Local: Centro PcD

Endereço: Rua da Caixa D’Água, 162 – Santa Cruz

16 de abril, às 10h

Mediação de Leitura com Coletivo Baobá (Indaiatuba)

Local: Casarão Pau Preto

Endereço: Rua Pedro Gonçalves, 477, Centro

16 de abril, às 16h

Roda de Histórias com Débora Kikuti, Marina Costa e Ulisses Junior

Local: Tenda no Parque Ecológico (ao lado da Concha Acústica)

16 de abril, às 17h

“Boca Cheia de Histórias”, com Zé Bocca e Marcos Boi

Local: Tenda no Parque Ecológico

17 de abril, às 14h

Contação de História com Marina Costa

Evento fechado para as Escolas Municipais de Indaiatuba

17 de abril, às 19h

Oficina Gratuita de Formação Inicial de Contadores de Histórias com Marina Costa

Local: Centro Cultural Wanderley Peres

Endereço: Praça Dom Pedro II, s/nº, Centro

18 de abril, às 14h

Contação de História com Ulisses Júnior

Evento fechado para as Escolas Municipais de Indaiatuba

18 de abril, às 19h

Oficina Gratuita de Formação Inicial de Contadores de Histórias com Ulisses Júnior

Local: Centro Cultural Wanderley Peres

19 de abril, às 14h

Contação de História com Débora Kikuti

Evento fechado para as Escolas Municipais de Indaiatuba

19 de abril, às 19h

Oficina Gratuita de Formação Inicial de Contadores de Histórias com Débora Kikuti

Local: Centro Cultural Wanderley Peres

20 de abril, às 13h

“A mulher que se casou com Iauarete de Kaká Wera”, com Grupo Manuí

Local: Sala Acrisio de Camargo (CIAEI)

Evento fechado para as Escolas Municipais de Indaiatuba

20 de abril, às 19h

Oficina Gratuita de Formação Inicial de Contadores de Histórias com Grupo Manuí

Local: Centro Cultural Wanderley Peres

21 de abril, às 15h

Contação de História: “Brasileirinho”, com Mabel Zattera e Rafael Meira

Local: Tenda do Parque Ecológico

21 de abril, às 16h

Contação de História: “Tirando São João de Casa”, com Inaiá Araújo

Local: Tenda do Parque Ecológico

21 de abril, às 16h30

Vivência de Xequerê ‘Da Cabaça aos sons do Xequerê’, com Inaiá Araújo

Local: Tenda do Parque Ecológico

22 de abril, às 10h

Mediação de Leitura com Elisandra Camilo

Local: Biblioteca Municipal (Casa da Memória)

Endereço: Rua das Primaveras, 450

22 de abril, às 13h

Oficina “Memória da Palavra”, com Juliana Correia (Rio de Janeiro)

Local: Casarão Pau Preto

22 de abril, às 14h30

Oficina de Dança Afro com Renata Oliveira (Campinas)

Local: Casarão Pau Preto

22 de abril, às 16h

Grande Roda de Histórias com Elisandra Camilo (Campinas), Inaiá Araujo (São Paulo), Juliana Correa (Rio de Janeiro), Mafuane Oliveira (São Paulo), Magno Farias (São Paulo) e Mariana Per (São Paulo)

Local: Casarão Pau Preto

22 de abril, às 18h30

Roda de Jongo com Grupo de Jongo Filhos da Semente

Mestra Jociara Sousa

Local: Casarão Pau Preto

23 de abril, às 15h

Roda de Histórias com Antônio Leitão e Tati Mendes

Local: Tenda do Parque Ecológico

24 de abril, às 13h

“Histórias para Ouvidos Pequenos”, com Zé Bocca e Marcos Boi

Local: Sala Acrisio de Camargo (CIAEI)

Evento fechado para as Escolas Municipais de Indaiatuba

24 de abril, às 19h

“Da Boca pra Fora na Ponta de Língua”, aula espetáculo com Zé Bocca

Local: Centro Cultural Wanderley Peres

(Fonte: Prefeitura de Indaiatuba)

“Não Matarás”: livro revela os bastidores das investigações sobre o caso Flordelis

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

“Não matarás”, um livro-reportagem do jornalista José Messias Xavier sobre o assassinato a tiros do pastor Anderson do Carmo, ocorrido na madrugada de 16 de junho de 2019, em sua residência no Badu, Niterói é o mais novo lançamento da Editora Nitpress (https://www.nitpress.com.br). A obra é fruto de meses de leitura de milhares de páginas do inquérito policial elaborado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo cujas investigações levaram à condenação, em 13 de novembro deste ano, pelo Tribunal do Júri, de sua mulher, a também pastora, cantora gospel de sucesso internacional e ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza como mandante do crime.

O trabalho reúne os principais depoimentos dos envolvidos no homicídio e de testemunhas que não apenas confirmaram, em detalhes, para os detetives e delegados do caso diversas tramas para a morte de Anderson – até a consumada há três anos – mas também viram as relações familiares e políticas do pastor se deteriorarem ao longo dos anos. Elas, inclusive, apontam os reais motivos do assassinato, cuja repercussão ocupou grande parte do noticiário nacional e estrangeiro e virou documentários.

Outros aspectos das investigações são abordados, como a quebra dos sigilos telefônicos dos suspeitos com a transcrição de diálogos entre Flordelis e alguns de seus filhos e entre eles próprios; os laudos da perícia sobre o local do homicídio e a arma usada para matar Anderson; um atentado a bomba sofrido por uma testemunha e as implicações políticas e religiosas que surgiram após o crime, além de detalhes importantes para se compreender como a história de um casal, que, aparentemente, começou com um amor verdadeiro, tornou-se um pesadelo.

“Não matarás” também conta a história do encontro do casal na Favela do Jacarezinho; sua união para criar uma igreja milionária, com unidades em três municípios; a contabilidade da instituição religiosa; como ocorreram as adoções de crianças, por parte da missionária, muitas delas sem registro oficial na Justiça; as relações de uma família de 57 membros sem laços consanguíneos – apenas três pessoas são filhas legítimas de Flordelis –, que viveram sob o mesmo teto; como o casal ascendeu no cenário político brasileiro, unindo forças com os expoentes da extrema direita no País e tendo o apoio de figuras consagradas nos meios artístico, jurídico e intelectual; os “rituais secretos” no núcleo familiar mais íntimo de Anderson e Flordelis e o que é a “língua dos anjos” usada pela missionária para arrebanhar fiéis.

Há também as observações dos investigadores de Polícia e membros do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que, em determinado momento da apuração do assassinato, chegaram à conclusão que estavam diante de um dos mais intrigantes casos da Criminologia do País e cujos desdobramentos envolviam incesto, abuso infantil, prostituição, orgias sexuais, magia negra, tráfico de drogas, contrabando de armas, envenenamentos, intriga política, corrupção, fraudes e o controle de um núcleo familiar poderoso, fundador de uma igreja capaz de reunir milhares de seguidores.

Sobre o autor

José Messias Xavier, jornalista, escritor e poeta, nasceu em 10 de agosto de 1963 no Rio de Janeiro. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do Brasil, como a Folha de São Paulo, TV Globo, jornal Extra, O Globo, Última Hora e revista Visão, entre outros. Sua atuação como jornalista lhe conferiu prêmios; entre eles, um dos mais importantes da Imprensa Internacional, o de Jornalismo em Profundidade, da Inter American Press Association (IAPA), recebido em Chicago, Estados Unidos. Também foi assessor da Reitoria da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio).

Em Niterói, onde vive há 30 anos, trabalhou nos jornais O Fluminense e A Tribuna. Lançou pela Editora Multifoco, em 2014, o thriller “Lótus”, ambientado na cidade. Atualmente, é assessor de Imprensa do Sindicato dos Rodoviários (Sintronac) e colunista do jornal TODA PALAVRA.

(Fonte: Alexandre Aquino Assessoria de Imprensa)

Cia. Arthur-Arnaldo estreia montagem de “Agamemnon” na Oficina Cultural Oswald de Andrade

São Paulo, por Kleber Patricio

Carú Lima, Júlia Novaes e Tuna Serzedello estão em cena no espetáculo “AGAMEMNON Voltei do supermercado e dei uma surra no meu filho”. Fotos: Soledad Yunge.

Existe esperança num mundo onde a abundância se tornou nossa sentença de morte? É essa a reflexão que norteia o provocativo “AGAMEMNON Voltei do supermercado e dei uma surra no meu filho” (2004), do dramaturgo argentino radicado na Espanha Rodrigo García. A peça ganha uma nova montagem brasileira, desta vez idealizada pela Cia Arthur-Arnaldo. A temporada acontece entre os dias 6 e 29 de abril de 2023, às quintas e sextas, às 20h, e, aos sábados, às 18h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, SP). Os ingressos são gratuitos.

Na trama, um homem volta frustrado do supermercado, dá uma surra na sua família e resolve levá-la para jantar fora. No cardápio, asinhas de frango frito dividem espaço com doses de tragédia e esperança. Ele precisa lidar com um problema que parece estranho a uma sociedade com tantas opções de serviços, produtos e marcas: essa abundância, na verdade, gera descarte, miséria, descontrole climático e relações desumanizadas.

“Ele surta porque se vê aprisionado num sistema do qual não consegue sair”, afirma a diretora Soledad Yunge, que também assina a tradução do texto. Esse homem está imerso na permacrisis, termo utilizado para descrever um estado prolongado (ou permanente) de insegurança e instabilidade. Inclusive, esta foi escolhida a palavra do ano de 2022 pelo dicionário Collins. Em cena, o núcleo artístico do grupo: Carú Lima, Júlia Novaes e Tuna Serzedello.

Uma sociedade de excessos

Para a Cia. Arthur-Arnaldo, o excesso de resíduos é a melhor maneira de representar visualmente essa sociedade adoecida, centrada no consumo. Por isso, o cenário concebido por Julia Reis e Lucas Bueno (estúdio lava) é todo composto por material reciclável. Uma das inspirações é o coletivo espanhol Basurama, que se dedica à investigação, criação e produção cultural/ambiental a partir de elementos descartáveis.Esse pensamento também estimulou as criações do figurinista Rogério Romualdo que propõe várias camadas de vestimentas, transmitindo para a plateia a ideia de acúmulo.

“O texto fala sobre um sistema de consumo e acumulação e quisemos focar na questão do descarte como resultado desse sistema. Até porque é um ciclo que não tem fim: quanto mais se consome, mais se descarta, a ponto de vermos absurdos, como as montanhas de roupas jogadas no Deserto do Atacama, o oceano de plástico e as constantes tragédias”, comenta Soledad Yunge.

Em termos de linguagem, a montagem de “AGAMEMNON Voltei do supermercado e dei uma surra no meu filho” da Cia. Arthur-Arnaldo opta por um trabalho a partir da linguagem do bufão e uma diversidade de procedimentos de movimento.

“Rodrigo García é um artista que transita na linguagem da performance, mas esse não é o território de pesquisa da companhia. Para mim, este espetáculo está dividido em três partes: no começo, o elenco é quase como um mesmo corpo. Estamos trabalhando a linguagem do bufão somada a preparação corporal de Ana Paula Lopez. Em um segundo momento, o foco é a cumplicidade da relação dos intérpretes com a plateia. Por fim, a cena ganha outro tom, que joga com estereótipos de maneira mais precisa e coreografada”, detalha a diretora.

Um teatro jovem e combativo

Reconhecida por se dedicar ao teatro jovem, a Cia Arthur-Arnaldo decidiu enfrentar um desafio maior em “AGAMEMNON Voltei do supermercado e dei uma surra no meu filho”: continuar a pesquisa sobre o assunto pensando no que faz do teatro um tema de interesse para jovens.

No começo do processo, o coletivo se reuniu com jovens. “No encontro, disseram que uma peça jovem tem crítica social, sede de mover uma estrutura para transformar o mundo, fala do presente para refletir sobre o futuro, não trabalha com estereótipos da juventude e trata de questões ambientais. E ainda arremataram: as gerações mais velhas nos deixaram um mundo destruído para viver”, conta Tuna Serzedello.

Para o grupo, o texto de Rodrigo García reúne todos esses elementos. De acordo com Soledad, o autor provoca e mobiliza nossa mente e sentidos vertiginosamente, para nos acordar de um estado “corpo-máquina”.

A estreia dessa montagem é uma das ações previstas no projeto “Cia. Arthur-Arnaldo em obras – Jovens Inspirando”, contemplado pela 39ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.

Sinopse | Um homem volta frustrado do supermercado e, após espancar sua família, a leva para jantar fora. No cardápio: asinhas de frango frito, tragédia e esperança. Uma saída cotidiana que revela a tragédia da existência contemporânea no seu modo de produção capitalista e a imensa acumulação de lixo.

FICHA TÉCNICA

Direção do espetáculo: Soledad Yunge

Preparação corporal: Ana Paula Lopez

Elenco: Carú Lima, Júlia Novaes e Tuna Serzedello

Texto: Rodrigo García

Tradução: Soledad Yunge

Iluminação: Junior Docini

Músicas originais: Muepetmo

Cenário: Julia Reis e Lucas Bueno (estúdio lava)

Figurinos: Rogério Romualdo

Programação visual: Tuna Serzedello

Direção de produção: Soledad Yunge

Assistente de produção: Carú Lima

Realização: Cia. Arthur- Arnaldo da Cooperativa Paulista de Teatro

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação | Márcia Marques.

Serviço:

AGAMEMNON Voltei do supermercado e dei uma surra no meu filho

6 a 29 de abril, às quintas e sextas, às 20h, e, aos sábados, às 18h

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Sala 3) | Endereço: Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo (SP)

Ingressos: gratuitos, retirar na bilheteria com 1 hora de antecedência

Duração: 60 minutos | Classificação: 14 anos.

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)