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No Dia das Crianças, Theatro Municipal de São Paulo sedia a 1ª edição do festival internacional Big Bang na AL

São Paulo, por Kleber Patricio

Arte: divulgação.

No dia 12 de outubro, o Theatro Municipal de São Paulo sediará a primeira edição do Big Bang Festival com uma programação que promete proporcionar ao público infanto-juvenil uma experiência festiva com apresentações musicais, instalações sonoras e visitas temáticas em seus diferentes espaços. O festival é uma iniciativa da companhia belga Zonzo Compagnie, que já passou por diversos países europeus e norte-americanos e, em 2023, por meio da parceria com a Sustenidos Organização Social de Cultura, desembarca pela primeira vez no Brasil e na América Latina. “Há vários anos a Sustenidos sonha em realizar o Big Bang no Brasil, e para nós é uma alegria imensa dar este pontapé inicial na parceria com a Zonzo Compagnie, que traz uma perspectiva da música feita para crianças muito inovadora”, ressalta Alessandra Costa, diretora executiva da Sustenidos.

A primeira edição do Big Bang no Brasil tem a curadoria do fundador do festival, o belga Wouter Van Looy, e a co-curadoria do brasileiro Nelson Soares, músico integrante do duo O Grivo. Serão apresentados dois espetáculos belgas: “Thelonious”, uma homenagem a Thelonious Monk, no qual os músicos do aventureiro trio de jazz De Beren Gieren levam o público ao mundo peculiar do nosso herói do jazz nova-iorquino. Um impressionante vídeo-cenário com imagens de Nele Fack envolve a plateia na experimentação de Thelonious, mostrando cada vez mais novas facetas deste fascinante músico. Serão duas apresentações na Sala de Espetáculos, às 11h e às 16h, com duração de 50 minutos. O outro espetáculo será “SP!N”, que leva o público a uma viagem sonora com Junior Akwety e Jochem Baelus. Os vocais acrobáticos de Junior rodam em torno das batidas vibrantes de Jochem. Objetos balançando mecanicamente e molas de tensão criam vibrações. A dupla coloca tudo ao seu redor em movimento até que nada ou ninguém consiga ficar parado. As duas apresentações ocorrem no Salão Nobre, às 14h e às 18h, com duração de 30 minutos.

Em outros espaços do Theatro, as crianças poderão fazer atividades como visitas temáticas e explorarem a instalação “Tom das Cores”, uma criação de Karolien Verlinden e Lynn Cassiers, na qual grupos de 15 crianças a partir de 5 anos colocam fones de ouvidos para embarcarem, por 10 minutos, em um universo de movimento, som, espaço e palavras. As sessões acontecem a cada 30 minutos, de 10h até 17h30.

Ainda sobre o conteúdo do festival, o co-curador Nelson Soares explica que a curadoria do BigBang 2023 se deixou conduzir pelo desejo de provocar uma explosão de sensações e sentidos, de estímulos auditivos, visuais, até mesmo táteis, de possibilidades de conexão entre vários estilos e propostas musicais. “A forte conexão entre som, música e imagem é uma ideia que permeia todas as apresentações. Esperamos que o público saia dali maior, mais atento, mais vivo, permeado por uma transbordante alegria”, pontua.

Com uma dinâmica diferente de festivais tradicionais, o Big Bang insere o público no centro da ação e os envolve como participantes ativos. No evento, são apresentados músicos de alta qualidade, artistas sonoros, compositores e grupos que respeitam a experiência e a criação da música como uma aventura. A programação do festival permite e estimula o público a participar de diferentes atividades e vivenciar uma experiência abrangente, na qual a escuta e a observação alternam-se com a participação em atividades interativas. “A ideia é que as famílias venham para passar uma parte do dia Das Crianças no Theatro, fazendo uma imersão, participando de diferentes atividades”, conclui Alessandra Costa.

Todas as atividades são gratuitas. Os ingressos poderão ser retirados no site do Theatro a partir do dia 10 de outubro. Uma parte dos ingressos será distribuída no próprio dia, a partir de uma hora antes de cada atividade.

Sobre o Festival

O Big Bang é realizado desde 2010 pela companhia belga Zonzo Compagnie, dirigida por Wouter van Looy, com o apoio da União Europeia, que permitiu a cooperação estrutural entre diversas casas culturais de diferentes regiões da Europa. O Big Bang realiza-se anualmente em Bruxelas (Bozar), Lisboa (Centro Cultural de Belém), Stavanger (Stavanger Konserthus) , Lille (Opéra de Lille), Antuérpia (deSingel), Atenas (Centro Cultural Onassis), Hamburgo (KinderKinder), Sevilha (Instituto de la Cultura y las Artes de Sevilla) e Ottawa. Em 2015, o Big Bang Festival recebeu o selo Effe e recebeu o prestigioso prêmio Effe, de melhor festival da Europa.

Para a programação de cada edição do festival, a Zonzo Compagnie trabalha em estreita colaboração com as casas de cultura locais. Após o festival, eles se reúnem para trocar ideias e projetos e montar coproduções. Uma interação inspiradora em função de uma missão comum: tornar as riquezas do mundo da música acessíveis às crianças de uma forma aventureira.

(Fonte: Theatro Municipal de São Paulo)

Dia Mundial Sem Carro: data tem como objetivo, em especial, provocar a reflexão sobre o uso excessivo do automóvel e os impactos do transporte sobre o ambiente e a vida das pessoas

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Luciano Teixeira/Pixabay.

O consumo de energia no transporte rodoviário pelas principais economias emergentes, representadas pelo Brasil, China, Índia, Indonésia, México e África do Sul, quase dobrou em 21 anos, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês), e aumentou de 14% em 2000 para 27% em 2021. O número total de veículos cresceu cinco vezes no mesmo período nesses países, eram cerca de 185 milhões de unidades em

2000 e, no final de 2021, somavam 1 bilhão de automóveis. A descarbonização no setor de transportes rodoviários é tema fundamental no Dia Mundial Sem Carro deste ano, celebrado em 22 de setembro.

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que, em mais de 50% dos cenários analisados, a temperatura média global vai atingir ou ultrapassar 1,5°C entre 2021 e 2040 e, em uma perspectiva mais extremista, poderia aumentar até 5,7°C até 2100, considerando-se o período pré-industrial.

O coordenador pedagógico do Movimento Circular e doutor em Educação e Sustentabilidade Edson Grandisoli lembra que o setor de energia responde por cerca de 75% das emissões globais de gases do efeito estufa (GEE) e apenas o setor de transporte corresponde a cerca de 20% das emissões. Ele reforça que a descarbonização e a mobilidade sustentável são temas urgentes no Dia Mundial Sem Carro.

O Dia Mundial Sem Carro é uma data celebrada em todo o mundo e tem como objetivo, em especial, provocar a reflexão sobre o uso excessivo do automóvel e os impactos do transporte sobre o ambiente e a vida das pessoas. O tema está diretamente relacionado à circularidade e à sustentabilidade. “Olhando para as ideias e preceitos da economia circular, nota-se um ponto fundamental ligado à redução das emissões de GEE: mudança da matriz energética global valorizando formas de energia mais limpas e sustentáveis. Isso vale tanto para o setor produtivo quanto de transporte”, afirma o coordenador do Movimento Circular.

Segundo Grandisoli, em um cenário ideal é preciso implementar caminhos e alternativas para tornar as atividades humanas net zero (estado de emissões líquidas zero de dióxido de carbono). Isso implica reduzir drasticamente o uso de derivados de petróleo como combustível. Embora tornar o setor de transporte net zero não resolva a questão climática de maneira definitiva, é um ponto fundamental de mudança dentro de um conjunto de outras práticas, aponta.

De acordo com o coordenador do Movimento Circular, ações já estão sendo adotadas rumo à descarbonização do setor de transportes, como a valorização dos biocombustíveis, do hidrogênio, o uso de carros elétricos, do transporte coletivo, a redução da distância dos deslocamentos e o uso de transporte não motorizado. “Essas iniciativas, associadas a políticas públicas de incentivo, financiamentos e campanhas de educação, formam um conjunto robusto de ações que estão sendo implementadas em diferentes escalas no Brasil e no mundo, mas ainda de maneira muito tímida”, aponta.

Grandisoli acrescenta que mudanças no desenho urbano também favorecem ações em mobilidade. Segundo ele, para alcançar o objetivo de reduzir as emissões de GEE, essas mudanças são urgentes e inadiáveis. “Já estamos vivendo as consequências da mudança do clima. Isso se reflete, inclusive, no uso do termo emergência ou crise climática”, alega. O mais recente Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indica uma série de consequências do aumento da temperatura média do planeta.

Ameaças

De acordo com o documento, houve um aumento das concentrações de CO2 sem precedentes considerando-se os últimos dois milhões de anos; a última década foi mais quente do que qualquer período nos últimos 125 mil anos, o nível do mar aumentou mais rápido do que em qualquer século nos últimos 3 mil anos e a cobertura de gelo no verão do Ártico é a menor dos últimos mil anos. O relatório afirma que cada fração de grau de aumento das temperaturas intensifica essas ameaças e, mesmo o limite de 1,5°C, não é um cenário seguro para todos.

Com esse nível de aquecimento, mostra o documento, 950 milhões de pessoas no mundo enfrentarão estresse hídrico, estresse térmico e desertificação, e 24% da população estarão expostos a inundações. Grandisoli avalia que as medidas de adaptação e mitigação ainda são lentas frente à urgência das mudanças do clima e aumento na frequência e intensidade de eventos extremos. Mas avalia que o mundo vive um período de transição, com ações pensadas e executadas por diferentes países. “Líderes mundiais, empresas e cidadãos precisam compreender seu papel na mudança e agir pensando no bem-estar coletivo e nos impactos que populações mais vulneráveis já estão sofrendo. Acredito que já temos ótimas opções disponíveis. Elas precisam ganhar adeptos e escala. Para isso, precisamos mudar o paradigma atual focado nas fontes carbônicas para outros não emissores. Para isso, são necessários investimentos, estímulos à indústria e aos consumidores, educação e muita vontade política”, defende o coordenador do Movimento Circular.

Edson Grandisoli, coordenador do Movimento Circular. Foto: divulgação.

Grandisoli avalia que a mudança também precisa partir das pessoas. Todo cidadão pode contribuir para a descarbonização do setor de transportes começando a adotar medidas possíveis como optar por caminhadas e uso da bicicleta, trabalhar em casa, usar o transporte público, dar caronas e escolher combustíveis menos poluentes. “Votar em políticos que possuem compromisso com a descarbonização e comprar de empresas que possuem compromissos sérios com a pauta climática também contribuem”, diz.

O exemplo de Noronha

Fernando de Noronha busca se tornar referência nacional em sustentabilidade e pretende ser a primeira localidade com carbono neutro do país. O Programa Noronha Carbono Zero (NCZ) prevê que, até 2030, será proibida a entrada na ilha de veículos que emitem dióxido de carbono, movidos a gasolina, álcool e diesel e, até 2050, o arquipélago quer neutralizar todas as emissões de gases de efeito estufa.

Segundo o governo estadual de Pernambuco, cerca de 55% das emissões de GEE da ilha são de aeronaves de transporte para o continente, 30% são da usina termelétrica e 10% dos transportes terrestres. Uma das duas empresas aéreas que atendem a ilha já iniciou um projeto de neutralização de carbono. A substituição da termelétrica por usinas solares é outro projeto em andamento em Fernando de Noronha, assim como a proibição do trânsito de veículos poluentes.

Tendências

A mobilidade sustentável e a descarbonização do transporte são temas de debates em toda discussão sobre o desafio das emissões zero. Algumas tendências são apontadas em diferentes estudos sobre o assunto. Uma delas são os serviços de mobilidade ou micromobilidade compartilhada por aplicativos, como carsharing, motosharing e bikesharing, em combinação com o transporte público, o Mobility as a Service (MaaS), para reduzir o uso de veículos particulares.

Outra tendência é a mobilidade conectada, com o uso de tecnologias para o planejamento de rotas e a comunicação entre os elementos de trânsito, de veículos a semáforos e vagas de estacionamento. Planejamento urbano e políticas públicas para controlar o uso de veículos pessoais também entram na cota de novas tendências de descarbonização do transporte, assim como estimular o uso de bicicletas, inclusive para o transportes do e-commerce e o bikesharing.

Sobre o Movimento Circular | Criado em 2020, o Movimento Circular é um ecossistema colaborativo que se empenha em incentivar a transição da economia linear para a circular. A ideia de que todo recurso pode ser reaproveitado e transformado é o mote da Economia Circular, conceito-base do movimento. O Movimento Circular é uma iniciativa aberta que promove espaços colaborativos com o objetivo de informar as pessoas e instituições de que um futuro sem lixo é possível a partir da educação e cultura, da adoção de novos comportamentos, da inclusão e do desenvolvimento de novos processos, produtos e atitudes.

Site: https://movimentocircular.io/ | Instagram: @_movimentocircular.

(Fonte: Betini Comunicação)

Resiliência climática deve orientar desenvolvimento urbano, defende novo relatório

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: Tales Ferretti/Unsplash.

Em novo relatório do Climate Crisis Advisory Group (CCAG) lançado na última quarta-feira (20), especialistas globais em mudança climática argumentam que a resiliência climática deve ser adotada como um princípio orientador em todo desenvolvimento urbano, dada a exposição extrema das cidades ao risco climático.

O estudo veio à tona na semana em que o Brasil enfrenta recordes históricos de temperaturas durante o inverno, com termômetros passando de 40 graus Celsius na maior parte do país — com exceção da região Sul, que sofre com chuvas e enchentes.

O Climate Crisis Advisory Group (CCAG) identifica três vertentes da resiliência climática e as principais áreas de foco da resiliência para ambos governos locais e nacionais: pessoas e meios de subsistência, economia e custos e cadeias de abastecimentos globais. Com relação às pessoas, o foco da resiliência estará nas localizações costeiras das cidades, na migração climática e no aumento da população urbana vulnerável em países mais pobres. Segundo o documento, a grande prioridade das estratégias de resiliência das cidades será proteger pessoas e meios de subsistência com envolvimento da comunidade local.

Neste cenário, o custo econômico será superior a tudo o que foi experimentado até agora, com sobrecarga de estruturas existentes. Aumentar a resiliência e prevenir perdas econômicas deve guiar o planejamento e desenvolvimento urbano em cidades mais ricas. O foco da resiliência, em terceiro lugar, deve estar nas cadeias de abastecimento globais que, no momento, são frágeis. Diante de eventos climáticos extremos múltiplos, em várias regiões do globo, será preciso fortalecer essa cadeia para evitar a escassez de produtos e alimentos em todo o mundo.

O relatório também aponta que, embora as cidades “antigas” e “novas” enfrentem frequentemente riscos climáticos semelhantes, suas preocupações diferem. As cidades antigas, muitas vezes na Europa ou na América do Norte, visam proteger o que já existe de estrutura, com perdas econômicas e danos como sua principal preocupação. Em contraste, em novos centros urbanos, em rápida expansão em países em desenvolvimento da Ásia, como Dhaka, em Bangladesh, muitas infraestruturas necessárias para a resiliência climática ainda precisam ser construídas. Assim, essas cidades enfrentam desafios mais dinâmicos e difíceis de navegar.

Neste contexto, as cidades brasileiras também precisam criar suas próprias estratégias de resiliência. “As mudanças climáticas estão intensificando o risco de inundações, secas e deslizamentos de terra, que terão efeitos devastadores em todo o Brasil. De acordo com o Banco Mundial, estes choques poderão levar até três milhões de pessoas à pobreza extrema já em 2030. No entanto, o processo de reforço da resiliência climática e de preservação do crescimento econômico deve ser equitativo e justo”, comenta o pesquisador Gustavo Alves Luedemann, membro do CCAG.

A maioria da população mundial vive em cidades – e, apesar de ocupar apenas 2% da superfície mundial, os centros urbanos representam mais de dois terços do consumo global de energia. O relatório argumenta que focar na redução de emissões de gases de efeito estufa nas cidades pode mudar a trajetória das emissões globais e evitar o pior cenário de aumento de temperatura. Ele cita três grandes pontos para chegar a uma cidade resiliente, com baixa emissão de carbono: finanças, coordenação e planejamento.

Os especialistas apontam a existência de uma lacuna atual no financiamento climático que se estima ser superior a 630 mil milhões de dólares por ano. O financiamento privado tem um papel claro a desempenhar na condução da mudança nas cidades para emissões líquidas zero à medida que provavelmente proporcionará entre 80 a 90% do investimento total na transição nas próximas décadas. Apesar disso, o documento salienta que a maior parte do investimento privado continua a fluir para ativos com alto teor de carbono. Falhas de regulação e de mercado também fazem com que exista um desalinhamento de interesses entre financiadores, governos e sociedade com relação ao enfrentamento da crise climática. É preciso reverter esse processo e promover o investimento em cidades habitáveis com emissões líquidas zero.

Para isso, será preciso uma forte integração entre as múltiplas partes interessadas com consistência e coerência na formulação de políticas, planos e regulamentos. Essa coordenação, segundo o relatório, está lado a lado com um planejamento de longo prazo, com regulamentos de construção de resiliência climática em cidades e orientações específicas.

O financiamento, o planejamento e a coordenação devem apontar todos na mesma direção: promover o clima resiliência nas cidades, reduzindo as emissões nas construções de prédios e estabelecendo políticas verdes de transporte público e tráfego. “Os governos também devem estabelecer caminhos e códigos obrigatórios para alcançar carbono zero para edifícios novos e antigos o mais rápido possível possível”, orientam os especialistas.

O relatório faz parte de uma série de análises feitas de forma independente pelo CCAG – e divulgadas, em primeira mão, para jornalistas brasileiros pela Agência Bori (veja relatórios anteriores aqui e aqui). O CCAG reúne 15 especialistas do clima de 10 países diferentes, com a missão de impactar na tomada de decisão sobre a crise climática.

(Fonte: Agência Bori)

Festival literário em São Sebastião reúne dezenas de atrações gratuitas

São Sebastião, por Kleber Patricio

Ailton Krenak, escritor e liderança indígena (foto: divulgação), a compositora e cantora Tulipa Ruiz (foto: Nino Andres Biasizzo) e o slammer e poeta Lucas Afonso (foto: Tiggaz) são algumas das atrações do festival literário que movimentará São Sebastião (SP). Fotos: divulgação.

O FLI – Festival Literário que desde 2013 acontece na região do Vale do Ribeira – expande seus horizontes e agora, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Sebastião, realiza edição especial na cidade mais antiga do litoral norte. A edição especial do FLI & São Sebastião Literária acontece no dia 7 de outubro, das 13h às 23h, no Complexo Turístico da Rua da Praia.

Localizado no Centro Histórico de São Sebastião, o espaço será o epicentro do encontro entre diversas vozes, saberes, escritos e memórias. Também acessível em Libras, o Festival irá promover reflexões, debates e diálogos sobre cultura, literatura, território e identidades, shows, manifestações tradicionais, troca e lançamento de livros de livros, atividades de formação para professores de escolas públicas e muito mais.

O FLI é uma ação realizada pelo Programa Oficinas Culturais por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis. Nesta edição, o evento conta com a correalização da Prefeitura Municipal de São Sebastião por meio da Fundass – Fundação Educacional e Cultural de São Sebastião Deodato Sant’Anna, além da parceira do SP Leituras e SisEB.

Fique por dentro da agenda do FLI & São Sebastião Literária – Edição Especial:

7 de outubro

Poesia

Com a participação de artistas renomados e coletivos locais, dentre as atrações literárias terá o momento do FLISARAU, a partir das 18h20, comandado pelo MC, poeta e slammer Lucas Afonso, da periferia da zona leste de São Paulo, campeão do Slam Brasil e representante brasileiro em uma das edições da Copa do Mundo de Poesias na França.

O FLISARAU contará com as participações de coletivos de poesias, de rima e musicais do litoral norte paulista; entre eles, o A ESTTG (A Estratégia), banda sebastianense, Coral da Aldeia Rio Silveira, grupo cultural da reserva indígena localizada entre as cidades de São Sebastião e Bertioga, e Batalha do Verso, roda de rimas mais antiga do litoral norte (Boiçucanga). Para aqueles que desejam participar, haverá um microfone aberto e com inscrições disponíveis 1 hora antes do início da atividade.

Encerrando a noite, a partir das 22h, a cantora e compositora Tulipa Ruiz, aclamada como uma das vozes mais marcantes de sua geração, dividirá o palco com as cantoras e compositoras Juçara Marçal e Assucena. Com direção musical de Gustavo Ruiz, este show inédito promete oferecer uma experiência única formada por sucessos individuais de cada artista, além da cantautora Tulipa revisitar o próprio som de mais de uma década.

Teatro

Durante o dia, apresentações cênicas movimentam o festival literário. É o caso do Circo Navegador com o palhaço Surubim, que encanta a plateia com a ingenuidade no espetáculo circense “Om Co Tô? Quem Co Sô? Prom Co Vô?”, às 13h40. O personagem passa por situações de tensão, emoção e muita graça, se equilibrando entre o deboche e a elegância.

Às 16h terá a contação de histórias Parindo Cabaças, com o núcleo de pesquisa e criação de narrativas pretas Agbalá Conta. A história narra a dupla de guardiãs, pequenas cabaças mágicas levadas em uma caminhada pelo espaço. O público escolhe uma pequena cabaça que é aberta com música e magia.

A última contação de histórias será às 20h20 com a poeta Lavinia de Matos, que apresentará “Ondas do Mar”. Trata-se de uma homenagem ao encontro com Seu Manoel Francisco Ferro, pescador sebastianense com uma linda história de vida.

Autógrafos e conversas com escritores

Com o objetivo de apresentar novos escritores e autores renomados da região, haverá o FLI entrevista, com a autora Janaina de Figueiredo, sebastianense finalista do Prêmio Jabuti 2022 com “Formigável” (Aletria, 2021). O bate-papo será direcionado pelos autores Raquel Matsushita e Junião com mediação de Isabel Galvanese, jornalista e editora, a partir das 14h40. A abordagem será em torno do livro “Formigável” e o universo da literatura infantil, com destaque para a questão da representatividade.

Das 15h às 20h30 será a vez da Sessão de autógrafos: autores do litoral norte. O público terá oportunidade de conhecer a diversidade da escrita dos escritores da região e comprar os livros de diferentes linguagens e gêneros literários. Esta atração também está disponível a escritores que irão lançar ou querem ampliar a divulgação das obras autorais no festival, com inscrição aberta neste link até 28 de setembro, com as regras listadas.

Já a atividade Distorcer Raízes: Histórias de tempo e deslocamento contará com a presença de quatro autoras de diferentes gêneros literários: Eda Nagayama, atriz e escritora, Helena Silvestre, escritora e editora, Isabel Lagedo, poeta e arte-educadora, e Nicia Guerriero, fotógrafa e escritora. A conversa será mediada por Daniela Outi, jornalista e editora, abordando sobre a relação com o tempo, o território e a influência que o deslocamento exerce nas obras e processos das escritoras. O encontro será das 17h às 18h20, com a sessão de autógrafos no final.

O evento proporcionará ao público a oportunidade de participar da Sessão de autógrafos e lançamento do livro “Futuro e memória: escrevivências do Litoral Norte”, fruto das oficinas de escrita criativa que aconteceram nos municípios de São Sebastião, Ilhabela, Bertioga, Ubatuba e Caraguatatuba neste ano. A atriz e escritora Eda Nagayama, a escritora Helena Silvestre, a poeta e artista educadora Isabel Lagedo e autores da coletânea estarão presentes. O evento ocorrerá das 19h20 às 20h30 e exemplares do livro serão distribuídos gratuitamente.

Finalizando as entrevistas, às 20h30, o FLI & São Sebastião Literária – Edição Especial recebe Ailton Krenak, liderança indígena, Doutor Honoris Causa pela UFRJ e autor de livros como “Ideias para adiar o fim do mundo” e “Futuro ancestral”. O escritor e ativista socioambiental vai conversar com o público, com Neide Palumbo, contadora de histórias, e Cristine Takuá, educadora da Aldeia Rio Silveira. A mediação é feita por Viviane Luiz, escritora e professora do Quilombo Ivaporunduva (Vale do Ribeira).

Oficina | O FLI também se atenta às formações para a escrita e oralidades criativas realizando essas atividades nos últimos anos. Na passagem por São Sebastião, a Oficina de caderno de sonhos e intenções, aplicada por artesãs da Papel do Quintal em 7/10, das 17h às 19h, oferecerá recursos de encadernação artesanal e colagens aos participantes que buscam desenvolver o próprio caderno de registro das vontades e planos como ferramentas de bem viver. A inscrição é feita no local a partir das 16h e possui 20 vagas.

Olhar Pedagógico | A formação Para contar histórias, beba poesia, voltada para professores da rede pública municipal e estadual de ensino de São Sebastião, está programada para o dia 6 de outubro, sexta-feira, das 9h às 11h e 15h às 17h. No Teatro Municipal de São Sebastião, Débora Kikuti, arte-educadora com quase 30 anos de trajetória, compartilhará experiências e proposição de jogos lúdicos por meio das práticas de escuta e de narração.

A programação completa do FLI & São Sebastião Literária – Edição Especial está no site do programa Oficinas Culturais, com detalhes dos convidados (as), informações sobre a retirada de ingressos e links para as inscrições – clique aqui.

Serviço:

Local: Complexo Turístico da Rua da Praia (Centro Histórico)

Endereço: Av. Dr. Altino Arantes, 308 – Centro – São Sebastião/SP

FLI & São Sebastião Literária – Edição Especial

7/10 – sábado

Confira a programação completa aqui.

(Fonte: Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo)

Espetáculo “Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery” atualiza clássico de Plínio Marcos com entregadores e universitários periféricos

São Paulo, por Kleber Patricio

Escrita em 1966, a peça “Dois Perdidos numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, aborda a precariedade no mundo do trabalho e as práticas de destituição da vida. Em montagem dirigida por José Fernando Peixoto de Azevedo, essa temática é atualizada a partir de uma perspectiva inter-racial. O espetáculo estreia no Teatro Aliança Francesa em uma temporada que vai até 26 de novembro de 2023, com sessões aos sábados, às 20h30 e, aos domingos, às 18h30. Os ingressos custam R$60 (inteira) e R$30 (meia). Com Michel Pereira e Lucas Rosário, “Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery” mantém o texto de Plínio Marcos na íntegra. Entretanto, os personagens que eram carregadores de caminhão no original se transformaram em entregadores delivery nesta nova proposta.

Além disso, na história dirigida por José Fernando, Tonho é um jovem negro e Paco, um jovem branco. Ambos são da periferia e vivem em uma residência estudantil, pois estão lutando para se manter na universidade. “Queríamos atualizar a peça sem alterar o texto. Foi quando o Michel teve a ideia de transformá-los em entregadores. Essa precarização total da vida acaba se revelando um desdobramento daquilo que já aparece no texto de Plínio”, comenta o encenador.

A mistura desses dois universos, verificável hoje na vida universitária pós-cotas, em que permanência e acolhimento são demandas que emergem num contexto ainda inóspito, dão a ver o tom e a fisionomia de um país em que as promessas de mobilidade social revelam o seu fundo falso no cotidiano. “Durante a pandemia, ficávamos reclusos nas nossas casas enquanto os entregadores trabalhavam pesado. Muitas matérias foram escritas com essa temática e resolvemos explorar isso na montagem. Há diversas referências, como o livro ‘Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0’ (2020), do sociólogo Ricardo Antunes”, conta Michel.

Sobre a encenação

Toda a ação acontece dentro de um quarto, que é o espaço habitado pelos protagonistas. No cenário está presente uma cama, que se converte em um objeto de disputa muito importante. Ao mesmo tempo, existe a presença da câmera como um instrumento complementar à narrativa. Desta vez, o trânsito, entre imagens captadas ao vivo e gravadas, desdobra outros aspectos da linguagem cinematográfica em jogo – marca registrada de Azevedo.

O espetáculo é permeado por uma forte sensação de claustrofobia. Tonho e Paco vivem de maneira miserável e lutam diariamente pela sobrevivência. A convivência deles naquele ambiente minúsculo ganha contornos violentos, potencializados por questões relativas ao convívio inter-racial. “Pode-se dizer que Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery é uma continuidade ao trabalho que desenvolvi em Ensaio sobre o Terror. Isso porque as duas peças discutem a dessolidarização entre brancos pobres e negros pobres. E quando colocamos esses dois jovens periféricos morando juntos em uma situação de igualdade, o que deveria se tornar uma aliança transforma-se em ressentimento e disputa”, detalha o diretor.

A peça de Plínio Marcos foi escrita com inspiração no conto “O Terror de Roma”, de Alberto Moravia. A filiação aponta já para um duplo movimento: um realismo, em chave crítica, depurado em linguagem, de um lado, e a intuição sobre a violência como uma instância de terror, de outro. Esses elementos também dialogam com a pesquisa desenvolvida por Azevedo.

Sinopse | Tonho, um jovem negro, e Paco, um jovem branco, são da periferia e dividem uma residência estudantil. Eles têm um cotidiano ambivalente, entre a chegada na universidade e a dificuldade de permanência. Os dois ganham a vida como entregadores delivery. A mistura insuspeitada desses dois universos, verificável já hoje na vida universitária pós-cotas, dá o tom e a fisionomia de um país no qual as promessas de mobilidade social revelam o seu fundo falso no cotidiano supressivo. Mais sobre.

O diretor | José Fernando Peixoto de Azevedo (São Paulo, SP, 1974), Doutor em filosofia pela USP, é pesquisador, dramaturgo e diretor de teatro e filmes, além de professor da Escola de Arte Dramática (EAD) e do Programa de pós-graduação em artes cênicas, ambos da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde também colaborou no Curso Superior do Audiovisual do departamento de Cinema, Rádio e Televisão. Fundou, em 1997, o Teatro dos Narradores, onde realizou, entre outros espetáculos, “Cidade vodu” (2016) e “Cidade fim, cidade coro, cidade reverso” (2011). Também colabora como diretor e dramaturgo no grupo Os Crespos. Dirigiu recentemente “Um inimigo do povo” (2022), “As mãos sujas” (2019) e “Navalha na carne negra” (2018). Publicou “Eu, um crioulo” (editora n-1, 2018) e organizou “Próximo ato: teatro de grupo” (Itaú Cultural, 2011), com Antônio Araújo e Maria Tendlau. É autor de artigos e peças em revistas e livros no Brasil, EUA, Alemanha e Espanha. Tem desenvolvido trabalhos também em Berlim. É coordenador da coleção Encruzilhada da editora Cobogó. Desde agosto de 2023, é diretor do Teatro da Universidade de São Paulo.

Atores:

Michel Pereira é um ator mineiro residente em São Paulo. Iniciou sua formação em 2013 no Globe-SP, coordenado por Ulysses Cruz. Cursou também, em 2017, o NAC – Núcleo de Artes Cênicas, dirigido por Lee Taylor. Em 2018, integrou o Núcleo de Artes Cênicas do SESI SP sob coordenação de Miriam Rinaldi. Formou-se, em 2023, na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-ECA/USP). É palhaço, com técnica e aprendizado desenvolvidos no estúdio Oito Nova Dança, com Cristiane Paoli Quito. O artista está no elenco das séries “Chuva Negra” e “A Mesa”, ambas do Canal Brasil e disponíveis no Globoplay. Recentemente, gravou o longa-metragem “Passagrana”, com direção de Ravel Cabral, e a série “Sutura”, para o Star Plus.

Lucas Rosário é formado em Artes Cênicas no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, de Tatuí-SP (2011/2013). Em 2014, em Lençóis Paulista, criou o Grupo Tertúlia Teatro, atuando na peça “Quando as Máquinas Param”, de Plínio Marcos. Em 2016, em São Paulo, integrou o espetáculo “O Desconhecido” e iniciou seus estudos no NAC – Núcleo de Artes Cênicas, atuando no espetáculo “Doc.Eremitas” (2016/2017), com direção de Lee Taylor. Atualmente, cursa interpretação na EAD – Escola de Arte Dramática e Letras/Inglês na FFLCH – faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, ambos na USP – Universidade de São Paulo.

Músicos em cena:

Mariê Olops é atriz e performer, além de ser pesquisadora do corpo e de vertentes sonoras na dança cênica, na dança cultural, na arte circense e no teatro. Em 2022, passa a integrar o coletivo Teatro da Matilha, compondo o elenco de dois espetáculos encenados em 2023: “Foda-se eu” e “Insolação”. Em junho desse mesmo ano estreia “Rito qualquer para qualquer coisa”, com direção de Tadzio Veiga, no Sesc Pompeia, uma parceria do eixo Fugaz  com o Teatro da Matilha. Realiza sua pesquisa sonora como DJ e compositora a partir dos estímulos pulsantes no corpo das intérpretes. Usa como base da investigação o funk e a cena eletrônica do techno paulista como pontos de convergência do seu som.

Mateus de Jesus atuou no Teatro do Kaos (2016/2018), em Cubatão. Já participou do coletivo Esquadrilha Marginalia, de teatro de rua, que ocupou o espaço Galpão Cultural (2016/2020). Estudou Humor na SP Escola de Teatro e atualmente cursa a Escola de Arte Dramática (EAD/ECA/USP). Como músico, integrou a banda marcial de Cubatão, o programa BEC e o Conservatório Municipal de Cubatão, transitando entre o canto coral e o trompete.

FICHA TÉCNICA

Espaço cênico, dispositivo de imagem e direção geral: José Fernando Peixoto de Azevedo

Atuação: Michel Pereira e Lucas Rosário

Músicos em cena: Mateus Jesus e Mariê Olops

Operador de câmera: Nycholas Alves

Operador de imagem: Diego Roberto

Assistente de direção: Thaina Muniz

Desenho de Luz: Denilson Marques

Cenotecnia: Zito Rodrigues e Nilton Ruiz

Assessoria de imprensa: Canal Aberto

Produção executiva: Michel Pereira

Produção: Corpo Rastreado – Anderson Vieira.

Serviço:

Dois Perdidos numa Noite Suja – Delivery

Até 26 de novembro aos sábados, às 20h30 e, aos domingos, às 18h30

Teatro Aliança Francesa – Rua Gen. Jardim, 182 – Vila Buarque – São Paulo (SP)

Ingressos: R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$20 (lista amiga)

Classificação indicativa sugerida: 16 anos

Duração: 90 minutos

Lotação: 50 lugares

Acessibilidade: elevador.

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)