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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Museus e cultura de Chicago: descubra novos mundos em museus e locais históricos imperdíveis

Chicago, por Kleber Patricio

Unseen Oceans, uma das atrações, está em cartaz no Field Museum. Foto: Divulgação.

Chicago é uma cidade cheia de história, arte e cultura – e você encontrará tudo isso em aclamadas instituições culturais. Neste outono americano, os museus da cidade estão apresentando uma série de exposições de cair o queixo, desde arte contemporânea instigante até artefatos antigos. Aqui está nossa lista de apenas alguns dos museus e exposições de arte de Chicago que merecem uma visita no outono.

Unseen Oceans no Field Museum: Aberto até 5 de janeiro de 2025

Embarque em uma jornada oceânica como nenhuma outra. Unseen Oceans é uma nova exposição imersiva no Field Museum que mergulha no mundo subaquático dos oceanos do planeta desde as costas arenosas até as profundezas mais profundas. Pilote um submersível, observe criaturas oceânicas em tamanho real nadando em telas envolventes e conheça criaturas vivas como peixes marinhos, águas-vivas e muito mais.

Unseen Oceans no Field Museum. Foto: Divulgação.

O Field Museum é uma instituição reverenciada de Chicago e um dos maiores museus de história natural do mundo. As exposições imersivas exploram tudo, desde culturas antigas até as mais recentes descobertas científicas, com base em uma impressionante coleção de mais de 24 milhões de objetos. Explore uma antiga tumba egípcia, conheça a maior criatura do planeta, fique perto dos insetos, descubra civilizações antigas e muito mais.

Georgia O’Keeffe: ‘My New Yorks’ no Art Institute of Chicago: Aberto até 22 de setembro de 2024

Uma das mais famosas pintoras americanas, Georgia O’Keeffe é adorada por suas representações de flores e do sudoeste americano. Mas menos conhecidas são suas obras inspiradas pelo tempo em que viveu em Nova York. Georgia O’Keeffe: ‘My New Yorks’ é a primeira exposição de arte dedicada às pinturas, desenhos e pastéis de paisagens urbanas de O’Keeffe, desde naturezas mortas até arranha-céus imponentes.

Fundado em 1879, o Art Institute of Chicago é um dos maiores museus de arte do mundo, abrigando uma extraordinária coleção de objetos de diferentes lugares, culturas e épocas. O Art Institute foi considerado o destino número 1 em Chicago pelo TripAdvisor e é o único museu do mundo a ser consistentemente classificado como o melhor pelo site de viagens.

Designing for Change no Museu de História de Chicago: Aberto agora

Os ativistas de Chicago nas décadas de 1960 e 1970 usaram o design para criar slogans, símbolos e imagens poderosos para ampliar suas visões de mudança social. Em Designing for Change: Chicago Protest Art of the 1960s-70s, veja mais de 100 pôsteres, panfletos, placas, botões, jornais, revistas e livros da época, expressando ideias muitas vezes radicais sobre raça, guerra, igualdade de gênero e sexualidade que desafiavam a cultura dominante da época.

Como o racismo, a guerra, a desigualdade de gênero e a discriminação LGBTQIA+ continuam a ser questões duradouras moldadas pelo mundo complexo de hoje, veja também as obras de uma nova geração de ativistas que defendem o rico legado da arte de protesto da cidade para lutar por mudanças sociais. Explore a história de Chicago e dos Estados Unidos por meio de exposições permanentes e temporárias extraídas de mais de 20 milhões de itens das coleções do Chicago History Museum.

007 Science: Inventing the World of James Bond no Griffin Museum of Science and Industry: Aberto até 27 de outubro de 2024

Mergulhe no mundo dos seus filmes de ação favoritos durante o 007 Science: Inventing the World of James Bond. Vá para os bastidores para testemunhar a ciência que alimenta os carros icônicos, as engenhocas e os acessórios da icônica franquia de filmes. Projete o veículo espião perfeito, veja um protótipo de jetpack e participe de desafios interativos.

O Museum of Science and Industry é o maior museu de ciências do país. Instalado no único edifício remanescente da Feira Mundial de 1893, o MSI é uma atração imperdível em Chicago. Você terá a oportunidade de conhecer exposições práticas e alucinantes, além de navegar por um labirinto de espelhos, manipular um tornado de 40 pés, subir a bordo de um submarino alemão da Segunda Guerra Mundial, correr em uma roda de hamster de tamanho humano, descer em uma mina de carvão de Illinois, embarcar em um 727 pendurado no teto, transmitir sua pulsação para um coração de 13 pés em 3D e muito mais. É divertido e interativo.

Arte de La Borinqueña no National Puerto Rican Museum Chicago: Aberto até 26 de outubro de 2024

La Borinqueña. Foto: Divulgação.

Essa exposição colaborativa com o escritor Edgardo Miranda-Rodriguez usa a arte dos quadrinhos para explorar a história de Porto Rico, abordar questões sociais e ambientais contemporâneas e celebrar a diversificada diáspora porto-riquenha. Arte de La Borinqueña apresenta a série de ilustrações de super-heróis estrelada por uma super-heroína afro-porto-riquenha.

O único museu nacional do país dedicado às artes e à cultura de Porto Rico está localizado no Humboldt Park, o orgulhoso bairro porto-riquenho de Chicago. Os visitantes entram por um impressionante arco de tijolos e em um magnífico pátio adornado com mosaicos que retratam a ilha e o povo de Porto Rico. O edifício em estilo Queen Anne que o museu ocupa é um deleite arquitetônico, tendo servido como estábulo para cavalos no final do século XIX. Ele oferece belas vistas dos jardins, lagoas e espaços verdes do próprio Humboldt Park.

The Art of Our Storytellers no DuSable Black History Museum and Education Center: Já está aberto

The Art Of Our Storytellers: Selections From The Johnson Publishing Company Collection presta homenagem à Johnson Publishing Company de Chicago, conhecida por revistas negras icônicas como Ebony e Jet. A sede no centro da cidade contava com uma vibrante coleção de arte com mais de 150 obras de artistas africanos e afro-americanos. Esta exposição apresenta uma seleção dessas obras, incluindo esculturas, pinturas, litografias e muito mais.

Selections From The Johnson Publishing Company Collection. Foto: Divulgação.

Fundado em 1961, o acervo do DuSable Black History Museum and Education Center inclui mais de 15.000 objetos, com obras de arte e artefatos históricos que promovem a compreensão e inspiram o apreço pelas experiências e conquistas dos afro-americanos ao longo da história. O nome do museu é uma homenagem a Jean Baptiste Point DuSable, um haitiano de ascendência africana e francesa que, em 1779, estabeleceu um comércio e um assentamento permanente que se tornaria a cidade de Chicago. Não perca a experiência da realidade aumentada do museu (o DuSable é o primeiro museu de Chicago a ter uma), que é iniciada quando artefatos e imagens são digitalizados. A experiência começa com um holograma do ex-prefeito de Chicago, Harold Washington, que o cumprimenta e lhe dá uma visão geral da exposição. Parte do Museum Campus South do Hyde Park, o DuSable Museum está localizado no belo Washington Park, que abriga um santuário de pássaros e borboletas, lagoas e a Fountain of Time, extremamente digna de ser vista no Instagram.

Para obter mais informações, visite www.choosechicago.com.

Choose Chicago | Choose Chicago é a organização oficial de vendas e marketing responsável por promover Chicago como destino internacional, destacando as qualidades inigualáveis da cidade, garantindo sua vitalidade econômica e o vigor de sua comunidade empresarial. Siga ChooseChicago no Instagram @choosechicagobr. Dê like no Facebook e acompanhe a tag #ChicaGOandKNOW. Para mais informações, visite aqui.

(Com Mariana Haddad/Spotlight Marketing)

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo inaugura exposição ‘Singular Plural: Rubem Valentim’

São Paulo, por Kleber Patricio

Singular Plural – Rubem Valentim (Divulgação) – Obra tátil (reprodução) – Rubem Valentim.

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo anuncia a abertura da exposição Singular Plural: Rubem Valentim. A inauguração será no dia 24 de agosto, a partir das 11h, com entrada gratuita. Em linha com as ações de acessibilidade e o compromisso de acolher todos os públicos, o Museu oferece uma experiência estética inclusiva com fotografias, serigrafias e esculturas adaptadas para pessoas com deficiência, garantindo que a exposição promova um encontro sensível entre pessoas e a arte em sua diversidade.

A mostra, baseada em obras do acervo do Museu, abrange elementos com recursos acessíveis instalados no subsolo e obras originais localizadas no primeiro nível do espaço. Os elementos com recursos acessíveis incluem duas reproduções táteis tridimensionais e três reproduções bidimensionais das obras originais que serão apresentadas na exposição instalada no primeiro nível. Além disso, a mostra conta com jogos interativos, um mapa tátil e um retrato tátil do artista homenageado, proporcionando uma experiência rica e sensorial para todos os visitantes.

Esta exposição marca a ampliação do acesso às obras de Valentim e celebra os 13 anos do programa ‘Singular Plural’, que visa implantar, expandir e aperfeiçoar recursos de acessibilidade, tornando o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo um espaço cada vez mais acolhedor para todos os públicos.

Obra tátil (reprodução) – Rubem Valentim.

Ao longo da carreira, Valentim desenvolveu uma ‘riscadura brasileira’ rica em cores vibrantes das festas populares afro-cristãs, celebrações indígenas, candomblé e umbanda. Sua arte foi inspirada em elementos cotidianos, como máscaras, estátuas, altares e ferramentas. Assim, ele ressignificou instrumentos dos orixás, como o Oxé de Xangô, e, com a geometria sagrada, criou uma linguagem ‘plástico-visual-signográfica’ para expressar ideias, valores e tradições culturais. Essa abordagem é ao mesmo tempo estética e simbólica.

O artista destaca a diversidade cultural do Brasil e se estabeleceu como um dos mais importantes artistas baianos no cenário nacional e internacional. Suas obras estão entre as mais procuradas pelo público no Museu e são consideradas contemporâneas, inovadoras, únicas e universais. Além disso, carregam uma mistura de signos que abrangem geometria e religiosidade.

Rubem Valentim. Foto: Marcia Gabriel.

Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo | O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, pelo então governador Geraldo Alckmin, a partir da coleção particular do seu diretor curador, Emanoel Araujo (1940–2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 8 mil obras apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.

Serviço:

Singular Plural: Rubem Valentim

Período em cartaz: 24 de agosto de 2024 a janeiro de 2025

Horário da abertura: a partir das 11 horas

Endereço do Museu: Parque Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 10, São Paulo – SP (acesso via transporte público ou veículo de aplicativo)

Funcionamento: terça a domingo, 10h às 17h (permanência até às 18h)

Ingresso: R$15 (meia entrada, R$7,50)

Entrada gratuita às quartas-feiras e no dia da abertura 24/8

Estacionamento (Parque Ibirapuera)

Horário: das 5h à 0h

Acessos para automóveis: Portões 3 e 7.

(Fonte: Com Bruna Dutra/Si Comunicação)

MASP apresenta exposição com obras do período mais consagrado de Leonilson

São Paulo, por Kleber Patricio

Leonilson, Agora e as oportunidades, 1991. Acervo MASP, doação Fernanda Feitosa e Heitor Martins. Foto: ©Rubens Chiri/Projeto Leonilson.

Os jogos de palavras e as minuciosas imagens em pinturas, desenhos, bordados e instalações de Leonilson (José Leonilson Bezerra Dias, Fortaleza, 1957–1993, São Paulo) traduzem reflexões filosóficas sobre a sua vida e o contexto no qual se insere, conferindo aspectos autobiográficos às suas obras. Mais de 300 trabalhos e documentos que refletem as sutilezas do artista ao expressar perspectivas políticas, públicas e íntimas serão expostos no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, de 23 de agosto a 17 de novembro de 2024, durante a mostra Leonilson: agora e as oportunidades.

A exposição oferece um panorama da produção de Leonilson nos seus últimos cinco anos de vida, entre 1989 e 1993, período mais rico e complexo do artista, que ficou conhecido como Leonilson Tardio. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, e assistência curatorial de Teo Teotonio, a mostra é dividida cronologicamente em cinco salas no 1º andar do museu, cada uma dedicada a um desses últimos anos de trabalho. No mezanino, localizado no 1º subsolo, ganham destaque as suas ilustrações feitas para a coluna de comportamento Talk of the town – o ti-ti-ti da cidade, de Barbara Gancia no jornal Folha de S.Paulo, bem como os vídeos documentais Com o oceano inteiro para nadar (1997), dirigido por Karen Harley, e A paixão de JL (2014), dirigido por Carlos Nader.

“Leonilson é um artista tanto central quanto marginal na história da arte brasileira. Central, porque é autor de uma obra absolutamente incontornável no final do século 20, reconhecido em incontáveis exposições, livros e mesmo em tatuagens. Mas ele é também marginal, pois, com uma obra tão singular, não se encaixa facilmente nos movimentos e gerações da história da arte brasileira. Sobretudo, Leonilson é marginal porque, no final dos anos 1980 no Brasil, é um homem gay e, a partir de meados de 1991, passa a viver com HIV, o que suscitava preconceitos e discriminações na época”, comenta Adriano Pedrosa.

A mostra, que conta com o patrocínio master do Itaú Unibanco, parceiro estratégico do MASP, tem em seu título o nome da obra Agora e as oportunidades (1991). Essa obra, pertencente ao acervo do museu, é uma das mais emblemáticas do artista. Nela é possível ver uma figura que evoca um ser mitológico, solitário e dividido, com quatro pernas e cabeças, caminhando para diversos lados. À direita, na pintura, Leonilson desenhou seis copos, embaixo de cada um deles é possível ler: ‘os negros’, ‘os homossexuais’, ‘os judeus’, ‘as mulheres’, ‘os aleijados’, ‘os comunistas’, designações que se referem às minorias sociais de sua época e evidenciam o aspecto político de sua produção. O trabalho será exibido junto à montagem inédita da instalação As minorias (1991), exposta pela última vez no ano em que foi produzida.

O fazer artístico como um diário

Leonilson, sem título, 1990.

Embora seja identificado com a chamada Geração 80 no Brasil, suas obras mais icônicas foram produzidas no final da década e nos primeiros anos de 1990. Durante esses últimos anos de vida, Leonilson desenvolveu um trabalho mais poético, com economia de cores e traços, trabalhando essencialmente com desenhos, objetos e bordados. Como uma espécie de diário, o artista fazia referências íntimas e cotidianas a temas como o amor, os amantes, a sexualidade, as minorias e a aids – Leonilson descobriu ser HIV positivo em 1991, quando o número de pessoas contaminadas aumentava exponencialmente. “De uns tempos pra cá, meus trabalhos ficaram mais maduros, ao mesmo tempo que eu penso mais sobre a minha sexualidade, a forma de me relacionar com as pessoas, a minha forma de encarar o mundo, de viver o dia a dia. Eu acho que o trabalho não deixa de ser pessoal, não deixa de ser um diário, mesmo esses trabalhos da minoria. […]. Eu percebo a segregação que existe. E eu, é óbvio, faço parte de uma dessas minorias”, declarou Leonilson em entrevista a Adriano Pedrosa em 1991, publicada no catálogo da exposição.

A série Os dedicados (1991) foi desenvolvida para os homens com quem ele se relacionou, sendo que cada pintura parte do imaginário do artista sobre determinado amante, convidando o espectador a complementá-las com as suas ideias. O artista continuou produzindo até sua morte, em 1993, em São Paulo. O seu último trabalho, Instalação sobre duas figuras (1993), um dos mais importantes da sua carreira, ficou conhecido por materializar a ausência, o etéreo e a efemeridade de um corpo em dissolução.

Leonilson: agora e as oportunidades integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da diversidade LGBTQIA+. A programação do ano também inclui mostras de Gran Fury, Francis Bacon, Mário de Andrade, MASP Renner, Catherine Opie, Lia D Castro Serigrafistas Queer e a grande coletiva Histórias da diversidade LGBTQIA+.

Leonilson, Margarida (da série O Perigoso), 1992.

Sobre Leonilson | Leonilson nasceu em 1957, em Fortaleza, Ceará e faleceu em 1993 em São Paulo. Realizou sua primeira exposição individual Cartas a um amigo em 1980, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. No ano seguinte, fez sua estreia internacional com a mostra Cartas al hombre, na Casa do Brasil, em Madri, Espanha. Leonilson participou de uma das exposições brasileiras mais emblemáticas, Como vai você, Geração 80? em 1984, realizada na Escola de Artes Visuais Parque Lage, no Rio de Janeiro. Em 1985, expôs em duas Bienais, a Nouvelle Biennale de Paris e a 18ª Bienal de São Paulo. Em 1990, inaugurou sua exposição individual no Centro Cultural São Paulo – CCSP, considerada abertamente política por exibir trabalhos de teor sexual, romântico e erótico, bem como citações críticas a outros artistas e produções. Entre 1991 e 1993, ilustrou a coluna de comportamento Talk of the town – o ti-ti-ti da cidade, da jornalista Barbara Gancia, para a Folha de S.Paulo. Sua obra integra o acervo de instituições internacionais, como MoMA, Centre Pompidou, Tate Gallery e LACMA e, entre as nacionais, MASP, MAM São Paulo, MAM Rio e MAC USP.

Acessibilidade | Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral. Os conteúdos ficam disponíveis no site e canal do YouTube do museu.

Catálogo | Na ocasião da mostra, serão publicados dois catálogos em português e inglês, com imagens e ensaios comissionados por autores fundamentais para o entendimento da produção do artista. A publicação tem organização de Adriano Pedrosa, com assistência de Teo Teotonio, e textos de Adriano Pedrosa, Julia Bryan-Wilson, Pablo Lafuente, Miguel Lopez, Irene V. Small, Carlos Eduardo Riccioppo, nota biográfica de Teo Teotonio, além de uma entrevista entre Adriano Pedrosa e Leonilson. Com design de Rara Dias e Alexsandro Souza, o catálogo tem edição em capa dura.

MASP Loja | Em diálogo com a exposição, o MASP Loja apresenta produtos especiais de Leonilson, que incluem bolsas, ímãs, postais, marca-páginas, garrafa térmica e camisetas, além do catálogo oficial da mostra.

Serviço:

Leonilson: agora e as oportunidades

Curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, com assistência curatorial de Teo Teotonio

1º andar e mezanino

Visitação: 23/8/2024 – 17/11/2024

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis e primeira quinta-feira do mês grátis; terças, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$70 (entrada); R$35 (meia-entrada).

Site oficial | Facebook | Instagram.

(Fonte: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/Assessoria de Imprensa)

100 anos de Paulo Vanzolini, o cientista boêmio: exposição no Sesc Ipiranga apresenta trajetória multifacetada do zoólogo e compositor

São Paulo, por Kleber Patricio

Garbe na Amazônia, decadas de 1960 e 1970. Fotos: Acervo da Família.

No centenário de nascimento de Paulo Vanzolini (1924–2013), compositor brasileiro responsável por clássicos como Ronda e Volta Por Cima, o Sesc São Paulo apresenta uma imersão na vida do artista, revelando não apenas sua faceta musical, mas também a trajetória do zoólogo de renome internacional. A exposição 100 anos de Paulo Vanzolini, o cientista boêmio ocupa o Sesc Ipiranga a partir de 28 de agosto de 2024 e segue em cartaz até 16 de março de 2025. Idealizada pelos filhos do cientista, o diretor de arte e cineasta Toni Vanzolini e a psicóloga Maria Eugênia Vanzolini, a mostra conta com curadoria de Daniela Thomas, reconhecida cenógrafa, cineasta e diretora teatral. “A data simbólica do centenário de Paulo Emilio Vanzolini, nosso pai, nos motivou a pensar uma exposição que mostrasse um pouco da pluralidade desse brasileiro que ouviu, traduziu, pesquisou, escreveu, cantou e pensou um Brasil bom, diverso e inclusivo. Que sempre valorizou o conhecimento e a arte, fazendo de ambas seu maior legado. O universo desse personagem interessado e interessante, ‘cientista boêmio’, como bem o definiu Antonio Candido, é o que queremos mostrar nessa exposição”, antecipa Toni Vanzolini.

Sem perder de vista o lado boêmio e artístico do homenageado, a exposição revisita as expedições científicas e as contribuições para a ciência empreendidas como herpetólogo, especializado no estudo de répteis e anfíbios. O Sesc Ipiranga como espaço para a exposição possui um simbolismo especial: a proximidade com o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), onde Paulo Vanzolini trabalhou por cinco décadas – três destas, como diretor. “Algumas figuras são incontornáveis na história de uma cidade, de um país. Algumas chegam a ser incontornáveis até no planeta. É o caso do nosso homenageado nessa exposição, Paulo Vanzolini, que completaria 100 anos este ano e que passou a maior parte da sua vida aqui do lado do Sesc Ipiranga, dirigindo o Museu de Zoologia da USP, sua casa – ou uma de suas casas, já que se sentia perfeitamente integrado à paisagem numa picada na floresta, no seu laboratório ou no boteco, entre músicos ou entre os maiores intelectuais da sua época”, destaca Daniela Thomas. “Homem ímpar, de uma inteligência sobrenatural, uma inventividade que produziu versos inesquecíveis como ‘reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima’ e teorias revolucionárias na zoologia, e de uma determinação quase autoritária, características que fizeram dele essa potência realizadora que celebramos agora”.

Em parceria com o Museu de Zoologia da USP, a exposição exibe ao público 51 exemplares conservados de espécies animais identificadas e catalogadas por Vanzolini. Esses espécimes, emprestados pelo Museu ao Sesc, estão em destaque em uma sala que recria um laboratório de zoologia.

Cinco salas temáticas revelam a trajetória multifacetada de Vanzolini, abrangendo mais de meio século de pesquisa. A exposição destaca suas célebres expedições amazônicas e as conexões entre arte e ciência que ele promoveu. Documentos, fotografias e vídeos oferecem um vislumbre dos bastidores das descobertas marcantes do ‘cientista boêmio’, apelido carinhosamente atribuído por Antonio Cândido, sociólogo e crítico literário, no encarte do disco Acerto de Contas de Paulo Vanzolini (2002). Esta compilação apresenta 52 composições do cientista interpretadas por renomados artistas como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Martinho da Vila.

A bordo do GARBE (barco) na Amazônia – Expedição Científica – década 60.

No percurso expositivo, ilustrações de Alice Tassara guiam os visitantes pela trajetória de Vanzolini em uma cronologia biográfica que destaca aspectos de sua formação acadêmica e seu círculo de amizades com intelectuais, artistas e ícones da música popular brasileira. O que encontrar na exposição 100 anos de Paulo Vanzolini, o cientista boêmio: confira a seguir detalhes sobre os espaços que compõem a exposição espalhados pelo Sesc Ipiranga.

Sala Laboratório | O espaço é uma reprodução de um laboratório que retrata o cotidiano do zoólogo, destacando as etapas dos processos de sistematização. Na mesa de trabalho estão dispostos instrumentos como microscópios, além de um painel que elucida aspectos da Teoria dos Refúgios. A sala também reúne as espécies emprestadas pelo Museu de Zoologia da USP, apresentadas em um painel com cubos giratórios que identificam e contextualizam cada uma delas. Ilustrações de Gabriela Dássio complementam o ambiente, enriquecendo a experiência visual dos visitantes.

Sala Expedição Amazônia | Uma instalação sonora e visual imersiva projetada para simular uma caminhada pela floresta amazônica, enriquecida pelas ilustrações de Danilo Zamboni, que capturam a riqueza da biodiversidade do bioma. A experiência busca dimensionar a grandiosidade da fauna e flora amazônicas. Nas paredes do ambiente, o visitante encontra uma variedade de informações detalhadas sobre a biodiversidade da região, dados preocupantes sobre desmatamento e uma reflexão sobre a importância crucial da Amazônia para o equilíbrio do planeta.

Sala A Bordo do Garbe

O espaço convida o público a mergulhar no universo de múltiplos interesses e aventuras de Vanzolini, entrelaçando ciência, arte e cultura. Aqui, o público pode embarcar em uma das viagens de Vanzolini à floresta amazônica a bordo do barco Garbe – parte da Expedição Permanente à Amazônia (EPA), projeto comandado pelo cientista durante duas décadas. Em 1975, esta expedição cruzou o Rio Madeira, de Manaus a Porto Velho. Entre os tripulantes do Garbe, estava o pernambucano José Cláudio da Silva, apresentado a Vanzolini por seu amigo Arnaldo Pedroso d’Horta, artista plástico e jornalista que também o acompanhou em expedições à Amazônia. No decorrer de dois meses de viagem, José Claudio retratou em cem telas a diversidade da fauna e flora amazônicas, bem como a vastidão dos rios e o dia a dia das comunidades ribeirinhas.

Reproduções desses trabalhos, que foram compilados no livro José Claudio da Silva: 100 telas, 60 dias & um diário de viagem – Amazonas, 1975 (Imprensa Oficial, 2009) e hoje integram os acervos do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo, são exibidas na sala. O ambiente também apresenta um extenso painel com o mapa do Rio Madeira, mostrando onde cada uma dessas obras foi criada e oferecendo ao público uma experiência imersiva, que permite ‘reviver’ a expedição.

Sala Boêmia

Afeito à vida noturna, Vanzolini se desenvolveu enquanto compositor em mesas de bares e rodas de samba, criando um método peculiar de escrita musical. Apesar de não dominar nenhum instrumento, ele concebeu a estrutura da maioria de suas mais de 70 canções contando com o apoio dos amigos Adauto Santos e Luiz Carlos Paraná, violonistas e sócios no histórico bar Jogral, para dar forma às suas melodias e letras com harmonia e ritmo. Além dessas colaborações, Vanzolini deixou sua marca na música ao trabalhar com grandes nomes, como Waldir Azevedo, Elton Medeiros, Toquinho, Paulinho Nogueira e Eduardo Gudin.

Essa característica boêmia é reverenciada em uma sala que reproduz a atmosfera da vida noturna. Elementos expositivos incluem rótulos personalizados com nomes de suas composições mais célebres, que podem ser ouvidas pelos visitantes. A cenografia da sala, que conta com balcão, prateleiras e mesas de bar, também destaca os nomes de seus grandes colaboradores em azulejos. Ampliações fotográficas da cidade de São Paulo capturadas por Thomaz Farkas, entre outros, completam o ambiente proporcionando uma imersão visual e sonora na história musical de Vanzolini.

Expedições terrestres | O pesquisador encontrou nas expedições científicas do século XIX inspiração para suas próprias viagens de campo pelo Brasil, onde explorou a fauna e flora dos diversos biomas nacionais. Para ele, esses ambientes naturais eram seu verdadeiro local de trabalho. As viagens eram realizadas a bordo de uma Kombi, percorrendo territórios diversos. Como não dirigia, sua filha Mariana frequentemente assumia a direção ou então Francisca do Val, conhecida como Chica, que além de zoóloga, era ilustradora e documentava os trajetos cotidianos. Para revelar os bastidores dessas expedições, uma Kombi cenográfica será montada no acesso ao Sesc Ipiranga próximo ao Parque Independência e ao Museu do Ipiranga. Esta instalação reúne fotografias e diários, proporcionando aos visitantes uma imersão nas jornadas e descobertas de Vanzolini.

Sala Paulo por Paulo | Devido à sua intensa imersão na cultura e às suas inúmeras experiências, resultado das viagens por todo o Brasil, Vanzolini acumulava uma coleção de histórias e era um exímio contador de causos. Nesta sala, que reúne depoimentos em vídeo, frases emblemáticas e excertos de entrevistas documentadas ao longo de décadas, o público pode se aproximar de Vanzolini explorando seu legado pessoal e intelectual de forma envolvente.

Do Butantan para o mundo: sobre Paulo Vanzolini

Paulo Emílio Vanzolini nasceu em São Paulo em 25 de abril de 1924. Aos 10 anos de idade, em um passeio ao Instituto Butantan, encantado pelas cobras e lagartos, decidiu que dedicaria sua vida ao estudo dos répteis e anfíbios, na especialidade de herpetologia. Após formar-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), em 1947, fez doutorado em Zoologia na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, entre 1949 e 1951.

Expedição terrestre de Paulo Vanzolini – sem identificação de data.

De volta ao Brasil, aplicou suas inovadoras visões no Museu de Zoologia da USP organizando conjuntos de animais conservados para pesquisa a partir de técnicas aprendidas em Harvard, tornando a coleção do museu paulistano uma das mais importantes dentro e fora do Brasil e aumentando o catálogo de Herpetologia da instituição de 1.200 para mais de 220 mil exemplares. Reflexo de sua imprescindível contribuição, 15 espécies animais foram nomeadas em sua homenagem, como o lagarto Vanzosaura savanicola e a serpente Lygophis vanzolini.

Ao papel de gestor, somou-se o de professor de pós-graduação da USP e o de cofundador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Vanzolini ainda obteve reconhecimento internacional ao formular a Teoria dos Refúgios, uma hipótese para explicar a biodiversidade amazônica elaborada em meio a suas diversas expedições científicas e a partir de estudos realizados com o geomorfologista brasileiro Aziz Ab’Saber e em conjunto com o herpetólogo americano Ernest Williams.

Ao longo de mais de 20 anos, durante as décadas de 1960 e 1970, o cientista comandou a Expedição Permanente à Amazônia – EPA, realizada a bordo do barco Garbe e financiada pela Fapesp. Nestas empreitadas, Vanzolini estabeleceu colaborações que resultaram em contribuições significativas não apenas para a ciência, mas também para as artes visuais. Um exemplo é sua parceria com o pintor José Claudio da Silva, com quem compartilhou uma destas expedições, em 1975.

A proximidade com artistas plásticos estimulou colaborações instigantes. Como exemplo, o zoólogo escreveu textos para os livros de Gerda Brentani e convidou Aldemir Martins para ilustrar seu Tempos de Cabo, um relato breve de sua passagem pelo Exército na segunda metade da década de 1940, época em que, aos 21 anos, compôs seu clássico Ronda.

Lançado pelo selo Fermata em 1967, o álbum de estreia de Vanzolini, Onze Sambas e Uma Capoeira, teve a capa assinada por Luís d’Horta. Pai de Luís, Arnaldo Pedroso d’Horta não só foi estopim para a criação da música Capoeira do Arnaldo, como se inspirou no trabalho de Vanzolini para produzir a série de gravuras Esqueletos de Animais. Essas conexões destacam como Vanzolini viveu uma vida profundamente entrelaçada com as artes e a cultura. Seus interesses e curiosidade se estendiam além de seu campo imediato, abrangendo diversas formas de expressão.

Paulo Vanzolini faleceu em 2013, três dias após completar 89 anos.

Serviço:

100 anos de Paulo Vanzolini, o cientista boêmio

Abertura em 28 de agosto, às 19h

Visitação: de 29 de agosto de 2024 a 16 de março de 2025 | terça a sexta, das 9h às 21h30; sábados, das 10h às 20h e, domingos e feriados, das 10h às 18h30

Recursos de acessibilidade: videolibras, audiodescrição, leitura ampliada e em braile, reproduções, mapa e pisos táteis e legendagem

Agendamento de grupos:agendamento.ipiranga@sescsp.org.br

Entrada gratuita e livre a todos os públicos.

SESC IPIRANGA

Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo, SP

Horário de funcionamento da unidade: terça a sexta, das 7h às 21h30; sábados, das 10h às 20h e, domingos e feriados, das 10h às 18h30

Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/ipiranga e acompanhe na rede social instagram.com/sescipiranga.

(Fonte: Com João Jacques/ Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo)

Arte dos Mestres reúne artesãos de oito estados brasileiros para segunda edição da exposição-feira em São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Obra de Carmelia Rodrigues – Família Zé Caboblo (PE). Foto: Ricardo Carotta.

Entre os dias 27 de agosto e 1º de setembro, a ONG Artesol promove a segunda edição da exposição-feira Arte dos Mestres. Para esta edição, a organização, que há mais de 25 anos se dedica à valorização do artesanato cultural brasileiro, convida 15 mestres-artesãos, grupos e coletivos familiares de diferentes Estados, como Alagoas, Pernambuco, Ceará, Bahia, Piauí, Minas Gerais, Acre e Mato Grosso, para exibirem 280 criações feitas especialmente para a mostra no Espaço State, na Vila Leopoldina em São Paulo.

“O grande desafio e missão da Artesol ao realizar mais uma edição de Arte dos Mestres é apresentar e fazer com que sejam devidamente reconhecidos esses atores sociais, que são guardiões de legados de seus antepassados e de suas culturas e referências em suas comunidades. Queremos que ainda mais pessoas possam conhecer seus trabalhos, garantindo para eles um mercado consumidor mais justo e amplo, que reconheça o valor dessas obras não apenas pela estética, mas por sua carga histórica e cultural”, comenta a presidente da Artesol Sonia Quintella.

Com entrada gratuita e uma visitação significativa de mais de 8 mil visitantes em 2023, em apenas 5 dias, a exposição é especial porque é também uma feira para a comercialização das obras, onde os interessados podem adquiri-las diretamente com os artistas ali presentes. Além das obras confeccionadas com diferentes materiais e técnicas – de fios e fibras, madeiras e couro, barro e sementes, com saberes e fazeres da cerâmica, do entalhe, da costura e tecelagem – também serão exibidos documentários que registram a história, a cultura e os processos criativos dos autores, um registro da memória para potencializar trocas e experiências mais profundas entre os visitantes e os artistas, mestres e artesãos.

Obra de Jotacê (BA). Foto: Ricardo Carotta.

“Para este ano, a curadoria trouxe inovações, contemplando novas técnicas artesanais como os saberes e fazeres têxteis e ampliando as escolhas para outras manifestações artísticas da cultura popular brasileira. Como na primeira edição, além dos mestres e legados familiares que atravessam gerações, dessa vez teremos trabalhos oriundos de coletivos de mulheres guiados por suas mestras. Contaremos novamente com a presença indígena, representada pelo Povo Ashaninka, e traremos elementos dos modos de vida sertanejo, ribeirinho e quilombola apresentados em outras versões e combinados com referências intergeracionais e de gênero. Um ateliê aberto ao público será lugar para reverenciar a maestria do domínio técnico desses mestres artistas”, afirma Josiane Masson, curadora da Arte dos Mestres ao lado de Marco Aurélio Pulchério.

A programação, que segue até 1º de setembro, contempla rodas de conversa, com a participação dos convidados nessa edição mediadas por estudiosos e pesquisadores do universo da arte e cultura popular. A proposta desses bate-papos é promover reflexões sobre as fronteiras porosas entre arte e artesanato e os principais desafios de construir uma carreira no universo do artesanato cultural, além de discutir os aspectos sociais e econômicos que permeiam essa produção nos quatro cantos do país. Haverá também um dia específico reservado para as atividades educativas voltadas para jovens estudantes e educadores, com o intuito de reforçar o caráter formativo do projeto.

Obra de José Lourenço (CE). Foto: Ricardo Carotta.

Segundo Marco Aurélio, “a curadoria é pensada de forma holística, com espaços, recursos e programação voltados a conscientizar sobre a importância da proteção desses bens culturais imateriais e materiais, incentivando a continuidade e renovação dos trabalhos artesanais como vetores de inclusão social e econômica nacionais”, uma vez que muitos desses artesãos são os responsáveis por perpetuar conhecimentos tradicionais que movem a economia de suas comunidades.

Sobre os artesãos

Diretamente da fronteira do Acre com o Peru, o povo indígena Ashaninka, conhecido por sua tradição ligada à música, traz para a segunda edição de Arte dos Mestres, artefatos musicais, vestimentas trabalhadas em tear e tecidos pintados à mão com pigmentos naturais, combinando adereços trabalhados com sementes dessa que é a região de maior biodiversidade da Amazônia. Ainda no segmento do artesanato têxtil, estarão as coloridas redes de Várzea Grande do coletivo feminino Tece Arte, do Mato Grosso, e os Ojás e Alakás tradicionalmente usados no candomblé ketu, nação do Ilé Axé Opó Afonjá de Salvador (BA), confeccionados pelas tecelãs da Casa do Alaká.

Mestre no manejo do couro, Espedito Seleiro, de Nova Olinda (CE), irá expor painéis de diferentes cores e formas, junto com outro artista e artesão cearense José Lourenço, coordenador da Lira Nordestina, reconhecido como o maior xilogravurista da escola cariri de xilogravura e seus álbuns que retratam a vida de Padre Cícero e Patativa do Assaré, entre outros.

Espedito Seleiro (CE). Foto: Theo Grahl.

Já os trabalhos em madeira demonstram as diferentes habilidades de nomes como Nen e suas criações com o reaproveitamento de madeiras de canoas de muitas décadas, às vezes mais de um século, que navegaram rios, lagunas e o mar de Alagoas; Maqueson retrata cenas, fauna e flora da exuberância floresta amazônica a partir de uma técnica de marchetaria única criada por ele, e Josielton, representante da nova geração de escultores do Piauí com sua arte santeira representando anjos sertanejos, santos e árvores nativas.

Além deles, o pernambucano André Menezes apresenta seus trabalhos com uma técnica de reaproveitamento de materiais que ele batizou como reclipachê.

Por fim, a arte em cerâmica está representada pela grande Mestra Irinéia e sua arte resistente quilombola. Também de Alagoas, o artista Claudio vai nos encantar com seu trabalho delicado de miniaturismo. Mestre Fernandes Rodrigues (PE), trará seu trabalho de esculturas de personagens da cultura nordestina, sempre “com os pés descalços para remeter à simplicidade desse povo”, de acordo com suas palavras. Ainda de Pernambuco teremos a honra de conferir as criações dos filhos do mestre Zé Caboclo e as expressões estéticas que cada um deles trilhou. Celebraremos também os nomes do mineiro Ulisses Pereira Chavez e do baiano Jotacê com a participação de seus filhos e a apreciação de suas obras, perpetuando e honrando os legados de seus pais.

Serviço:

Feira-Exposição Arte dos Mestres 2024

Curadoria: Josiane Masson e Marco Aurélio Pulchério

Realização: Artesol | Patrocínio Master: Nubank

Período: 27 de agosto de 2024 – reservado para Educativo; 28 de agosto – visitação aberta ao público a partir das 13h e, 29 de agosto a 1º de setembro, visitação das 11h às 19h

Local: Espaço State – Avenida Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina, São Paulo/SP

Entrada gratuita. Mais informações em www.artesol.org.br.

Sobre a Artesol 

A Artesol é uma organização sem fins lucrativos fundada pela antropóloga Ruth Cardoso em 1998. Atua na salvaguarda de saberes e fazeres artesanais tradicionais e na valorização do artesanato brasileiro junto a centenas de grupos, artesãs, artesãos e artistas populares de todo o país. O foco de seus projetos visa também gerar oportunidades de trabalho e renda para comunidades artesãs por meio de ações de qualificação profissional e o estímulo ao comércio justo como forma de criar um futuro mais próspero para esses criativos, fazedores de cultura. A Artesol também investe em projetos de pesquisa, produção de conhecimento e difusão de conteúdo para fortalecer o setor e fomentar políticas públicas. Promove a inovação da produção artesanal nacional com programas de laboratório e mentorias em negócios que estimulam a autonomia dos artesãos na comercialização com o uso de ferramentas digitais. Presta serviços para programas governamentais e iniciativa privada e realiza eventos culturais de abrangência nacional. É a idealizadora da Rede Artesol – Artesanato do Brasil, que é a maior plataforma digital de mapeamento e articulação do ecossistema do segmento no país.

(Fonte: Com Bruna Janz/Suporte Comunicação)