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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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[Turismo] As sagradas e místicas cavernas de Belize

Belize, por Kleber Patricio

Foto: Divulgação/Belize Tourism Board.

Belize, na América Central, tem entre seus atrativos turísticos milhares de cavernas, que variam de caminhadas fáceis a desafiadoras – mas, em ambos os casos, será uma aventura e tanto que não pode ficar de fora do roteiro. Para além do astral misterioso e às vezes até um pouco assustador que as cavernas transmitem, ao aproveitar a experiência é importante lembrar que elas são solo sagrado.

Entrar nessas passagens do submundo maia é intrigante, emocionante e uma misteriosa volta no tempo à medida em que você absorve centenas de anos de história. Também é uma ótima experiência para contar sobre suas férias em Belize. Desde tubing, caminhadas, canoagem ou até mesmo natação no reino subterrâneo, há uma experiência de espeleologia adequada para cada tipo de viajante.

Na maioria das cavernas, você encontrará extensas formações de estalactites e estalagmites, bem como fragmentos de cerâmica. Outros têm cerâmica antiga intacta (Che Chem Ha) e restos humanos (às vezes esqueletos incólumes, como em Actun Tunichil Muknal) e outras formações naturais, como cachoeiras subterrâneas (Blue Creek, Caves Branch). A única coisa que não encontrará por lá é tédio.

Herança maia e conexão com o submundo

Uma caverna é mais do que uma mera aventura – é uma conexão com o passado, em um local onde os maias se purificavam e entravam em contato com o plano espiritual. Eles bebiam substâncias alucinógenas para induzir-se a um estado alterado de consciência ao realizar rituais ou cerimônias sagradas. As bebidas eram preparadas com cacau fermentado, plantas, cogumelos e até pele de sapo. O ato era uma forma de preparação antes de se envolverem com seus deuses e ancestrais dentro do submundo.

Uma vez dentro da caverna, carregando apenas uma tocha, as estalagmites e estalactites brilhantes lançam sombras representando imagens de deuses. Quer se tratasse de um ritual para ritos de fertilidade, chuva, água ou outra questão, os maias pediam ajuda as divindades com base em uma necessidade ou propósito. E, embora algumas cavernas sejam bem amplas, elas nunca foram espaços habitáveis para os maias. Em vez disso, eram usadas como cemitério, local sagrado ou para proteção. Os enterros encontrados em cavernas nem sempre envolvem sacrifícios. As cavernas também serviam para deixar oferendas como símbolo de agradecimento. Por isso há ainda artefatos, fragmentos e cerâmicas intactas ao visitar cavernas como Che Chem Ha ou Actun Chapat.

Explorando uma caverna

Sempre que você entrar em qualquer espaço sagrado, peça permissão ou faça uma oração de agradecimento aos deuses ou aos ancestrais pela proteção e orientação enquanto você viaja pela caverna. Não toque e nem remova nada. A retirada de itens ou artefatos impede que um arqueólogo possa conduzir pesquisas e estudar adequadamente o local. A remoção desses itens impacta a história do local e cria uma lacuna entre as pessoas e sua herança.

Entre os grandes destaques em matéria de caverna, quando em Belize, está a Actun Tunichil Muknal (ATM), no oeste do país. Que inclusive ganhou notoriedade nos anos 1990 graças à National Geographic. Contendo 14 esqueletos maias, ATM é apenas uma das muitas possibilidades. Confira dicas para ajudar no planejamento do roteiro:

Actun Tunichil Muknal – A ATM fica em Cayo, na Reserva Natural Tapir Mountain. A visita guiada ao local e depois através de um riacho até a gruta é bastante intensa, mas é recompensada com a visão de um grande número de artefatos, incluindo potes completos e esqueletos – evidência da sua antiga utilização ritualística.

Barton Creek – Um riacho atravessa esta caverna em Mountain Pine Ridge, também em Cayo, e deve ser visitado de canoa. Embora muitos dos restos humanos e artefatos tenham sido removidos, ainda há muitos visíveis enquanto você flutua silenciosamente entre as estalactites.

Nohoch Che’en Caves Branch – Acessado a partir de Jaguar Paw, o transporte através de parte deste sistema é feito por um tubo interno que às vezes tem que ser transportado à medida que o rio entra e sai das cavernas. Evidências da ocupação maia, como cacos de cerâmica e pegadas humanas incrustadas, podem ser contempladas ao longo do caminho.

Rio Frio Cave – Outra caverna localizada na reserva florestal Mountain Pine Ridge. De frente para o arco de cerca de 20 metros de altura em sua entrada, os visitantes podem ver toda a extensão de 800 metros da caverna e o riacho que passa por ela.

St. Herman’s Cave – Situada dentro do Parque Nacional Blue Hole, a St. Herman foi usada pelos antigos maias por volta de 300-800 d.C. Esta é talvez a caverna mais fácil de chegar, com aproximadamente 10 minutos de caminhada.

Che Chem Há – Descoberta por um fazendeiro local, é notável por sua coleção única de obras de arte e artefatos maias. Os visitantes apreciarão a decorada entrada e a extensa variedade de grandes potes de armazenamento que revestem as paredes das câmaras. A caverna está localizada a 11 km da cidade de Benque Viejo.

Actun Chapat & Actun Halal – Estas duas cavernas perto de Benque Viejo abrigam características humanas, como plataformas elevadas e em socalcos. Podem ser vistos restos humanos, artefatos de cerâmica e madeira.

Hokeb Ha – Artefatos encontrados nessa caverna perto da vila de Blue Creek, em Toledo, mostram evidências de como ela era usada pelos maias até cerca de 800 d.C.

Tiger Cave – É uma caminhada de 1h30 desde a vila de San Miguel, também em Toledo, para chegar a esta caverna. A trilha passa por áreas de floresta tropical e por fazendas e maias e milpas.

Deixe o seu lado Indiana Jones ou Lara Croft aflorar. Visitar uma caverna certamente irá despertar o arqueólogo dentro de você. Faça com que sua experiência valha a pena sabendo o que esses locais significaram para aqueles que vieram antes de nós. Mergulhe em sua rica cultura e paisagens ao visitar qualquer uma dessas cavernas. À medida em que se deixar levar pela atmosfera mística, será o local perfeito para refletir e sair com uma sensação de iluminação.

Sobre o Conselho de Turismo de Belize

Órgão estatutário do Ministério do Turismo e Relações da Diáspora de Belize, o Belize Tourism Board trabalha em conjunto com membros do setor privado – incluindo a Associação de Hotéis de Belize, a Associação da Indústria de Turismo de Belize e a Associação Nacional de Operadores Turísticos de Belize. Dedica-se a construir o turismo da forma mais económica e ambientalmente sustentável. Como parte das suas responsabilidades, o BTB promove Belize como um destino turístico de primeira linha para consumidores nacionais e internacionais. Entre o seu alcance ao mercado de viagens internacional comercializa as atrações únicas do país para viajantes, membros da indústria de viagens e meios de comunicação nos principais mercados. Também se dedica a desenvolver e implementar programas de turismo que ajudarão a fortalecer e fazer crescer a indústria turística de Belize, promover uma boa administração do destino e incutir padrões de alta qualidade para acomodações e experiências de viagem. Para obter mais informações sobre o BTB e seus serviços, visite o site.

Sobre a TM Americas | Empresa líder em marketing de turismo internacional especializada em destinos e atrações de classe mundial. Conta com uma equipe de profissionais trilíngues especializados em diferentes áreas: marketing, vendas, comunicação, marketing digital e posicionamento de marca. Sediada na Flórida, está presente no Brasil, Colômbia, México, Argentina e Canadá, abrangendo 18 países.

(Fonte: Visit Belize)

Livro revela passado de touradas no Rio de Janeiro

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa.

A prática das touradas no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, é um capítulo pouco explorado da história do país. Sol e sombra: as touradas no Rio de Janeiro, obra que acaba de ser lançada pela Editora Unesp, revela essa tradição inusitada e seus desdobramentos no contexto social e cultural da cidade que foi a capital do Brasil por quase dois séculos.

Os pesquisadores Victor Andrade de Melo e Paulo Donadio conduzem uma análise minuciosa das touradas cariocas, preenchendo uma lacuna historiográfica e desmistificando a ideia de que a prática não despertou interesse na sociedade fluminense. O livro aponta ainda os gostos, sensibilidades e inclinações culturais da população da época, destacando um aspecto pouco conhecido de sua vida cotidiana. “A notícia de que no passado se promoveram touradas em terras brasileiras ainda provoca espanto. Mesmo que não tenhamos recorrido aos institutos de pesquisa de opinião, não receamos afirmar, com base na reação de pessoas próximas, que boa parte de nossos contemporâneos ignora a ocorrência de corridas de touros em várias cidades do país. Muitos de nossos colegas historiadores, inclusive, demonstraram surpresa ao tomar conhecimento deste projeto”, anotam os autores.

O livro se concentra na prática das touradas no Rio de Janeiro, destacando como esse espetáculo, que atingiu seu auge no final do século XIX e início do XX, foi objeto de diversas disputas e tensões. Desde o século XVIII, a cidade assistiu à realização de mais de 450 espetáculos tauromáquicos e a popularidade da prática alcançou seu auge na República, antes de ser proibida em 1908. “As corridas de touros, como outros divertimentos, longe de representarem um aspecto marginal na história das sociedades, se transformaram em objeto de disputa, de tensão social e de afirmação de diferenças em torno das noções de civilização, progresso e identidade nacional, entre governantes e governados, entre brasileiros e portugueses, entre tauromáquicos e defensores dos animais, entre sol e sombra”, destacam os autores. Esse trecho mostra como as touradas se converteram em tema central de debates sociais e políticos no Rio de Janeiro.

Entre os principais debates apresentados no livro, está a polêmica sobre a natureza da prática: entretenimento ou barbárie? As discussões sobre o futuro das touradas no Rio de Janeiro também são destacadas, especialmente no contexto da extinção da prática, que enfrentou forte resistência, mas acabou sendo efetivada no início do século XX. Dessa forma, além de fornecer uma visão sobre as inclinações culturais do Rio de Janeiro, a obra traz uma análise rica das interações entre brasileiros e portugueses, destacando como a prática tauromáquica foi utilizada como símbolo de identidades em disputa.

Sobre os autores:

Victor Andrade de Melo é doutor em Educação Física e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, atuando na Faculdade de Educação e no Programa de Pós-Graduação em História Comparada. É também docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais.

Paulo Donadio é doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, se dedica a pesquisas em história social, tendo como focos principais a cidade do Rio de Janeiro e seus costumes.
Título: Sol e sombra: as touradas no Rio de Janeiro
Autores: Victor Andrade de Melo, Paulo Donadio
Número de páginas: 288
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço: R$62
ISBN: 978-65-5711-246-5
Mais informações sobre a Editora Unesp estão disponíveis no site oficial.

(Fonte: Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)

Paço das Artes inaugura segunda parte da Temporada de Projetos 2024

São Paulo, por Kleber Patricio

Série Maafa – Vitoria Macedo.

O Paço das Artes inaugura, em 25 de outubro, a segunda parte da 28ª edição da Temporada de Projetos – iniciativa de mais de duas décadas reconhecida por abrir espaço no circuito cultural para jovens artistas brasileiros. Com entrada gratuita, o público poderá conferir um projeto de curadoria e dois projetos artísticos.

Para a edição deste ano, as exposições foram organizadas em duas etapas, proporcionando, assim, uma melhor adequação do espaço arquitetônico para os artistas e projetos contemplados. Nesta segunda parte, que ficará em cartaz até o dia 12 de janeiro de 2025, o Paço das Artes recebe o projeto curatorial de Henrique Menezes e os trabalhos individuais dos artistas Luciano Maia e Raquel Gandra, selecionados pelo júri formado por Renata Felinto, artista, pesquisadora, curadora e professora na URCA/CE; Renato Araújo da Silva, pesquisador, curador e professor na FAU-USP/SP, e Mariano Klautau Filho, artista, pesquisador, curador e professor na Unama/PA.

Casa, (2023), de Luciano Maia.

Mais de quinze obras compõem o projeto Desejos guardados sob o rio, de Luciano Maia. Natural de Santarém (PA), o artista atua em várias frentes de criação. Nos trabalhos selecionados, as memórias e a mitologia de sua região criam narrativas queer entre a realidade e a ficção, em suportes variados, como a tela, o papel, o azulejo e a madeira. Sua entrevista e seu acompanhamento crítico foram realizados por Marcelo Amorim.

Objeto não identificado (2022), de Raquel Gandra.

A artista carioca Raquel Gandra apresenta a série Entre tramas e labirintos, com acompanhamento crítico e entrevista de Renata Felinto. Suas obras fotográficas retratam imagens oníricas de Canoa Quebrada, no Ceará, onde os processos ditos civilizatórios vão se sobrepondo aos costumes regionais. Em camadas intercaladas de verdade e imaginação, temos uma cosmovisão própria que reforça os saberes e lendas da região.

Sem título (2022), de Érica Magalhães.

Já projeto curatorial de Henrique Menezes, natural de Porto Alegre (RS), põe em diálogo três jovens artistas: Dora Smék (Campinas, SP), Érica Magalhães (Muriaé, MG) e Vitória Macedo (Porto Alegre, RS). Da flor da pele ao pó do osso apresenta fotografias e esculturas que têm como cerne o conceito de cicatriz. Ideias de fissuras e entranhas simbolicamente evocando imaginários do trauma e da regeneração, dos estigmas às superações.

Trois (2023), de Dora Smék.

“Se vivemos em um tempo de urgências sociais, atropelamentos culturais e intoxicações midiáticas generalizadas, os projetos selecionados são convenientemente propícios para pensarmos o fim de uma era”, afirma Renato De Cara, curador do Paço das Artes. “Estórias para provocar e conectar nossos anseios nos reposicionamentos históricos que estão acontecendo.”

Sobre os artistas:

Luciano Maia (Santarém, PA, 1987) é um artista visual, designer de moda e artesão que atualmente reside e trabalha na região central de São Paulo. Formado em design de moda pela Universidade Candido Mendes (RJ), destaca-se na produção de estampas voltadas à indústria têxtil nacional. Nos últimos cinco anos, explorou suas habilidades artísticas criando pinturas, colagens e desenhos, por meio dos quais investiga suas raízes nortistas explorando memórias, mitologias e folclore, entrelaçando realidade e ficção em narrativas queer regionais. Em 2024, participou da exposição Se o futuro trouxer o passado de volta (SP) e do Salão de Artes Visuais de Vinhedo (SP), além de ter sido finalista no 14º Prêmio Garimpo Dasartes.

Marcelo Amorim (Goiânia, GO, 1977) é artista e curador independente radicado em São Paulo. Entre 2009 e 2016, dirigiu o Ateliê397 e, desde 2013, é diretor do Fonte, onde organiza residências artísticas, exposições e debates sobre arte contemporânea. Atua também como orientador no grupo Hermes Artes Visuais. Entre suas curadorias, destacam-se Ambidestria: Sergio Romagnolo e Luah Souza (Fonte, 2024), Cama de gato (Edifício Vera, 2024), Hospital de bonecas (Fonte, 2023), Mar, rio, fonte (Galeria Karlla Osório, 2023), Últimos dias (Fonte, 2020), 29ª Mostra de Arte da Juventude (Sesc Ribeirão Preto, SP, 2019), Pintar a China agora – Brody & Paetau (Ateliê 397, 2015) e Contraprova (Paço das Artes, 2015).

Raquel Gandra (Rio de Janeiro, RJ, 1986) é artista visual, fotógrafa e andarilha. Formada em comunicação e mestre em belas-artes pela UFRJ, cursou o máster em fotografia artística e documental no Instituto de Produção Cultural e Imagem (IPCI), em Portugal. Participou de exposições coletivas no Brasil e na Europa, com destaque para a Limburg Biennale (Holanda, 2024), Galeria Mundo (Rio de Janeiro, RJ, 2023), Semana da Fotografia (Caxias do Sul, RS, 2022), Foto Em Pauta 2022 (Tiradentes, MG) e Suburbs, Galeria Millepiani (Roma, Itália, 2019). Em 2021, recebeu o XIV Prêmio de Fotografia Marc Ferrez e, em 2023, foi uma das 36 finalistas da bolsa internacional PH Museum Photography Grant. Em sua trajetória, que perpassa diferentes linguagens, compreende o dispositivo de criação de imagens como meio fortuito para dar a ver/imaginar o outro e nós mesmos e questionar a maneira como enxergamos a própria realidade. Ao explorar várias técnicas analógicas, busca criar imagens porosas que acontecem entre a materialidade e a imaginação e que, de outra forma, não seriam vistas.

Renata Felinto (São Paulo, SP, 1978) é artista visual, pesquisadora e professora. Doutora em artes visuais pelo Instituto de Artes da Unesp (IA-Unesp), especialista em curadoria e educação em museus de arte pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e fellowship post-doctoral pelo Center for Africana Studies da University of Pennsylvania. É professora adjunta em licenciatura em artes visuais no Centro de Artes da Universidade Regional do Cariri (Urca), no Ceará, colaboradora na Especialização em Gestão Cultural Contemporânea Escola Itaú Cultural e associada da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Já participou de exposições no Brasil e no exterior e recebeu o 3º Prêmio Select de Arte e Educação e o Prêmio PIPA 2020. Vive no Crato, Ceará.

Henrique Menezes (Porto Alegre, RS, 1987) é pesquisador e curador, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Atuou na Fundação Iberê Camargo no cargo de curador assistente (2018 e 2019), integrou o Comitê de Curadoria e Acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS, 2020-2022) e compôs o Conselho Curatorial da Fundação Ecarta (2019). Graduado pela UFRGS, tem pós-graduação em estudos curatoriais e arte contemporânea pela Universidade de Lisboa. Na Fundação Iberê, curou a mostra Continuum (2018), além de assinar projetos curatoriais e textos para instituições como AC Institute (Nova York), Espacio de Arte Contemporáneo (Uruguai), MACRS, SP-Arte, Museu do Trabalho, FGV Cultural, Instituto Estadual de Artes Visuais, entre outras. Foi coordenador editorial e assinou a publicação do livro 40 anos Galeria Bolsa de Arte, resgatando a história da galeria por meio de pesquisas históricas e depoimentos. Vive e trabalha entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.

Dora Smék (Campinas, SP, 1987) desenvolve pesquisa que trata de um corpo em crise, estímulos inconscientes e sexualidade. Sua produção se desenvolve em esculturas, instalações, performances, fotografias e vídeos. É mestre em artes visuais pela Unicamp e graduada em artes do corpo pela PUC-SP. Em 2021, apresentou a exposição individual A dança do corpo sem cabeça na Central Galeria, em São Paulo e, em 2022, Opositores (com Paul Setúbal), na mesma galeria. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, como a 13ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2022 e La Iberoamericana, em Alcalá de Henares, na Espanha, em 2023. Suas obras integram os acervos públicos do Museu Nacional de Belas Artes e do Museu de Arte do Rio (MAR), ambos no Rio de Janeiro; Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em São Paulo e Casa da Cultura da América Latina, em Brasília. Vive e trabalha entre São Paulo, Brasil, e Málaga, Espanha.

Vitória Macedo (Porto Alegre, RS, 1994) é artista visual, graduada em fotografia pela Unisinos. Sua trajetória vem recebendo atenção por obras que exploram a construção identitária da mulher negra e os traumas históricos das jovens afro-brasileiras. Foi finalista do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea (Porto Alegre, RS, 2020) e do Salão Anapolino (Anápolis, GO, 2020). As obras da série Maafa foram expostas na Fundação Iberê Camargo, compondo a mostra coletiva Da diáspora, 2019. A artista expôs ainda na Pinacoteca Ruben Berta, da Prefeitura de Porto Alegre (Paço Municipal, 2019) e na Bienal Black Brazil (Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre, 2019).

Érica Magalhães (Muriaé, MG, 1984) é mestre e graduada em artes visuais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em sua obra escultórica, a artista parte de ideias e materiais antagônicos para estruturar modelos de desorganização formal e semiológica da realidade explorando jogos de tensão e equilíbrio. Participou de exposições como Oposto complementar (Aura Galeria) e Vozes agudas (Galeria Jaqueline Martins), ambas em São Paulo; Casa carioca (Museu de Arte do Rio), Minúsculas (Centro de Artes Calouste Gulbenkian), À construção (Solar dos Abacaxis), Esqueleto (Paço Imperial) e Formação (Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica), todas no Rio de Janeiro, entre outras. Vive e trabalha em Ribeirão Preto, SP.

Serviço:

Temporada de Projetos 2024 #2

Abertura: 25/10, das 17h às 21h

Visitação: 25/10/2024 a 12/1/2025 | terça a sábado, das 11h às 19h; domingos e feriados, das 12h às 18h

Local: Paço das Artes

Rua Albuquerque Lins, 1345 – Higienópolis – São Paulo/SP

Ingresso: gratuito

O Paço das Artes tem patrocínio institucional da Livelo, B3, John Deere, NTT Data, Vivo, TozziniFreire Advogados, Grupo Comolatti e Sabesp e apoio institucional das empresas Grupo Travelex Confidence, PWC, Colégio Albert Sabin, Unipar e Telium. O apoio operacional é da Kaspersky, Pestana Hotel Group, Quality Faria Lima, Hilton Garden Inn São Paulo Rebouças, Renaissance São Paulo Hotel, illycaffè, Sorvetes Los Los, Água Mineral São Lourenço e Busca Vida.

(Fonte: Com Diego Andrade/Assessoria de Comunicação MIS | MIS Experience | Paço das Artes)

Instituto Moreira Salles lança ebook gratuito ‘Música e modernismos negros’

São Paulo, por Kleber Patricio

O Instituto Moreira Salles acaba de lançar o e-book Música e modernismos negros, já disponível para acesso e download gratuitos. Tendo como ponto de partida a Semana de Arte Moderna de 1922, cujo centenário foi comemorado em 2022, a publicação reúne dez ensaios que propõem perspectivas alternativas e contemporâneas acerca da experiência negra no país, bem como sobre a história da cultura brasileira. Dividido em quatro capítulos, o material aborda temáticas como memória, racismo, religiosidade e silenciamentos.

O e-book é um desdobramento da série de encontros Música e modernismos negros: formação a partir do acervo IMS, realizados virtualmente em 2022. Organizada pelo historiador e etnomusicólogo Rafael Galante e pela diretora de educação do IMS, Renata Bittencourt, a publicação é fruto de projetos de pesquisa comissionados pelo IMS, a partir de temas representados em seu acervo.

O projeto evidencia a importância dos modernismos negros como expressões artísticas e culturais de resistência. O conteúdo reflete sobre a centralidade da diáspora africana na formação da identidade brasileira e suas repercussões na sociedade atual. De acordo com Rafael Galante, “os leitores serão convidados a conhecer não apenas o impacto artístico de indivíduos notáveis, mas também a compreender as complexas questões enfrentadas pelos artistas negros em um país que em grande medida ignorou (ou silenciou) suas vozes e suas contribuições”.

O e-book, assim como as lives que lhe deram origem, podem ser adotados como fonte de referência para pesquisadores e professores, contribuindo para reforçar o cumprimento da lei 10.639/03, que determina a abordagem da história e da cultura afro-brasileira no ensino escolar.

Sobre os textos do e-book

O primeiro capítulo da publicação, Vozes pretas e formas musicais africanas, reúne dois ensaios que destacam o papel da música como um veículo de memória e saberes coletivos. Em 78 RPM: revoluções pretas macumbistas, a cantora, intérprete e professora Fabiana Cozza traz a importância da música e da oralidade na expressão cultural negra no Brasil. No texto, a autora destaca artistas como Zé Espinguela, João da Baiana e Getúlio Marinho, que, por meio de suas canções e práticas, refletem uma experiência comunitária e ancestral.

Em Os sambas e a modernidade negra no Brasil de Mário de Andrade, o músico e historiador Salloma Salomão Jovino da Silva apresenta a modernidade negra no Brasil como um fenômeno cultural que, apesar da repressão e da invisibilidade promovidas por elites brancas, continua a se manifestar por meio de práticas musicais como o samba e revela a resistência e a riqueza da cultura afro-brasileira em meio a um contexto de exclusão e estigmatização.

O segundo núcleo do e-book aborda aspectos da produção cultural negra no Rio de Janeiro entre o final do século XIX e o início do XX, dentro do recorte de temáticas como Racismo, gênero e visualidades. Em Modernismos, modernidades negras e racismo na história da música brasileira, Martha Abreu, professora do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, aponta o silenciamento do protagonismo dos músicos negros no campo musical expresso em capas de partitura. A autora explora dois episódios ocorridos no Rio de Janeiro: o primeiro, um encontro entre intelectuais e músicos negros, em 1926, narrado por Hermano Vianna; o segundo, a gravação do samba Pelo telefone, no início de 1917.

Ainda neste capítulo, Juliana da Conceição Pereira, doutora e mestra em história, reflete sobre os modernismos e a modernidade negra a partir das experiências de jovens artistas, investigando a trajetória de mulheres negras atuantes no teatro e na indústria fonográfica entre o final do século XIX e o início do XX. A autora pontua que, apesar do silenciamento, “as mulheres negras atuantes no teatro de revista dialogavam e disputavam os sentidos da modernidade, valorizavam a cultura popular e construíam novas formas de se verem representadas a partir de seus próprios termos”. Já o pesquisador Vinícius Natal analisa a construção histórica que resultou no privilégio de pessoas brancas no ofício de carnavalesco na cidade do Rio de Janeiro.

Política e religiosidade são temas da terceira parte do e-book, que reúne as trajetórias de três dos mais importantes cantautores negros no Brasil do século XX. A curadora Glaucea Helena de Britto assina Poéticas afro-brasileiras na obra de Heitor dos Prazeres, ensaio que aborda a potência criativa e a produção artística multifacetada de Heitor dos Prazeres, sambista, compositor e artista plástico. A partir da análise da composição Pai Benedito e da capa do álbum Macumbas & candomblés, o texto apresenta a dimensão crítica, estética e simbólica do artista, que registrou com maestria as urgências de seu tempo.

As gravações de macumbas por Mano Eloy e o modernismo negro da década de 1930, escrito pela historiadora Alessandra Tavares, expõe como experiências culturais negras estiveram presentes na indústria fonográfica desde seus primórdios, mas tiveram o seu caráter moderno desvalorizado. O texto parte de uma gravação dos pontos de Iansã e de Ogum feita por Eloy Anthero Dias e discorre como a produção de músicos negros foi amplamente secundarizada em nome do exotismo. Ainda neste núcleo, a historiadora Fernanda Epaminondas Soares discorre sobre o pioneirismo e as escolhas políticas de Getúlio Marinho da Silva frente à abertura propiciada pela indústria fonográfica para a gravação de discos do gênero musical ‘macumba’.

No último capítulo do e-book, Lideranças e invisibilidades, os textos trazem a centralidade das comunidades de terreiro e de suas respectivas lideranças na construção das culturas negras urbanas e de suas redes no Rio de Janeiro e em São Paulo na passagem da sociedade escravocrata para o mundo do pós-abolição. Em Religiosidades e (in)visibilidades de mulheres negras no processo histórico dos sambas: de Tia Ciata de Oxum a Madrinha Eunice da Lavapés, a jornalista Claudia Regina Alexandre destaca a participação criativa, os papéis de liderança e o protagonismo de mulheres negras na construção do universo do samba. O texto evidencia valores culturais negro-africanos como musicalidade, religiosidade e sociabilidade para acessar algumas memórias ocultas na literatura da música popular brasileira.

Em Nosso Sagrado, o acervo afro-carioca em diálogo com instituições: as casas de umbanda e candomblé como espaços de ensinamentos, Eduardo Possidonio, doutor em história social, aponta como não apenas os objetos de religiosidade afro-carioca presentes em acervos de instituições museológicas, mas também a produção de artistas negros dos séculos XIX e XX, servem como base para a pesquisa de compreensão para ritos e escolhas dentro dos espaços sagrados da cidade do Rio de Janeiro.

Serviço:

E-book Música e modernismos negros

Disponível para leitura e download gratuitos no site do IMS e no Issuu.

(Fonte: Com Robson Figueiredo da Silva/IMS)

Balé da Cidade de São Paulo apresenta a remontagem ‘Variação’, de David Pontes e inédita ‘o que é o coro. coro’, de Marcela Levi e Lucía Russo

São Paulo, por Kleber Patricio

Coreografia Variação. Fotos: Larissa Paz.

O Balé da Cidade de São Paulo estreia sua terceira temporada na sala de espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. O grupo, marcado pela sua relevância na dança contemporânea e inovação artística, apresenta a remontagem ‘Variação’, de Davi Pontes e coreografia inédita ‘o que é o coro. coro’, de Marcela Levi e Lucía Russo. As apresentações acontecem de 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30 e 31 de outubro e os ingressos variam de R$10 a R$87.

o que é o coro. coro: uma metáfora para o corpo

A coreografia o que é o coro. coro parte do conceito de coro já explorada nas peças Natureza Monstruosa (2011), Mordedores (2015) e Deixa Arder (2017) da dupla Marcela Levi e Lucía Russo. Antes da palavra ‘coreografia’ surgir no século XVII, a dança era vista como uma arte coral, registrada no tratado francês Orchesographie, de 1589. Levi e Russo resgatam esse princípio, mostrando como o ‘coro’ é uma metáfora para o corpo, visto como suporte de múltiplas existências e influências. Para elas, o coro é turbilhão e cacofonia, e sua ‘des-orquesografia’ propõe poesia e vida.

A carioca Marcela Levi e a argentina radicada no Rio de Janeiro Lucía Russo fundaram, em 2010, a Improvável Produções. Marcela e Lucía apostam em um projeto de autoria compartilhada, em uma direção artística que aponta para um regime de sentido aberto em que diferentes posições inventivas se entrecruzam em um processo que acolhe linhas desviantes, dissenso e diferenças internas como força crítica construtiva.

Marcela Levi foi artista residente e convidada em instituições ao redor do mundo e seus projetos têm sido apresentados em vários festivais e centros de arte no Brasil, na Europa e na América Latina. Já Lucía Russo estudou psicologia na Universidade de Buenos Aires e dança contemporânea no EDDC (Holanda) e no Centro Cultural Rojas (Argentina). Se move entre a criação artística, os processos de transmissão e intercâmbio e a gestão cultural. Desde os anos 2000 mergulha na prática continuada da direção.

Variação: 31 bailarinos em cena e inúmeras releituras

Variação explora a relação entre movimento e emoção, convidando o espectador a uma jornada sensorial por meio de uma linguagem coreográfica contemporânea. Com uma trilha sonora envolvente e um elenco talentoso, a obra busca dialogar com a pluralidade das vivências humanas, traduzindo-as em dança de forma única e cativante.

Com 31 bailarinos em cena se revezando em uma plataforma, eles executam imagens de seus arquivos pessoais que se repetem e se recombinam, desafiando formas de viajar no tempo e a linearidade. Um jogo que brinca e questiona, aponta e esgarça os limites e perigos de uma história única.

Davi Pontes graduou-se em Artes pela Universidade Federal Fluminense e é Mestre em Artes pela mesma instituição. Foi premiado no ImPulsTanz – Young Choreographers’ Award 2022 e no Artlink Award – 100 artists from around the world, em 2022. Foi destaque como artista da 35ª Bienal de São Paulo de 2023.

David Pontes, conhecido por sua habilidade em unir técnica e criatividade, afirma: “Essa coreografia é um convite à reflexão sobre as diferentes camadas da experiência humana. Cada movimento é uma variação de sentimentos e espero que o público se sinta tocado e inspirado.”

Serviço:

Balé da Cidade de São Paulo

23 OUT, quarta-feira, 20h

24 OUT, quinta-feira, 20h

25 OUT, sexta-feira, 20h

26 OUT, sábado, 17h

27 OUT, domingo, 17h

29 OUT, terça-feira, 20h

30 OUT, quarta-feira, 20h

31 OUT, quinta-feira, 20h

Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo

Ingressos de R$12,00 a R$87,00 (inteira)

Classificação indicativa – 18 anos

Duração total: Aproximadamente 18 minutos (com intervalo)

Variação

Davi Pontes, coreografia e concepção

Iara Izidoro, assistência

Podeserdesligado, trilha sonora

Julliana Araújo, designer de moda

Alanis Machado, assistente de moda

Mirella Brandi, desenho de luz

Elenco: Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Grecia Catarina, Harry Gavlar, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Leonardo Silveira, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Márcio Filho, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Odu Ofá, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam e Yasser Díaz.

o que é o coro. coro (estreia)

Marcela Levi e Lucía Russo, concepção, direção e desenho de som

Martim Gueller, cocriação do desenho de som e pianista convidado

Lucas Fonseca, assistente de coreografia

Laura Salerno, desenho de luz

Camila Schmidt, cenografia

Levi e Russo em colaboração com João Victor Cavalcante, figurino

André Omote, sonorização

Performance e cocriação: Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Grecia Catarina, Harry Gavlar, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Leonardo Silveira, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Márcio Filho, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Odu Ofá, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam e Yasser Díaz.

Mais informações disponíveis no site.

(Fonte: Com Leticia Santos/Theatro Municipal)