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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Pinacoteca de São Paulo debate figura do caipira em nova exposição

São Paulo, por Kleber Patricio

Detalhe ‘Saudade’ (1899).

A Pinacoteca de São Paulo apresenta Caipiras: das derrubadas à saudade’ no 2º andar do edifício Pinacoteca Luz. Com curadoria de Yuri Quevedo, a exposição reúne cerca de 70 obras de 35 artistas e faz uma análise histórica da construção da figura do caipira na arte. Em 2025, serão celebrados os 120 anos de fundação do museu, que foi criado em 1905 com a transferência de um conjunto de vinte obras vindas do Museu Paulista. Duas delas, Caipira picando fumo (1893) e Amolação interrompida (1894) – que completa 130 anos em 2024 – ambas de um dos artistas brasileiros mais importantes do século XIX, Almeida Júnior, podem ser vistas na exposição.

A figura do caipira se consolidou como um dos principais temas do acervo da Pinacoteca e os quadros de Almeida Júnior, realizados entre as décadas de 1880 e 1890, são os mais procurados pelo público do museu. “A comoção diante dessas obras – realizadas há mais de 100 anos – é a medida do quão abertas elas estão ao nosso tempo, ou seja, de como seus significados ainda tocam as pessoas e são negociados no presente. Mas se um futuro consciente é fruto da análise da história, precisamos reconhecer as origens dessas pinturas para poder considerar sua relevância na atualidade”, conta o curador.

Sobre a exposição   

A figura do caipira surge do projeto político de uma elite cultural empenhada na modernização de São Paulo e na construção de um lugar destacado para o estado frente as outras unidades da federação. O alinhamento com tendências modernas internacionais de arte no século XIX, o realismo e o naturalismo, faz do caipira a versão paulista dos trabalhadores do campo, à época colocado como tipo social fundador das culturas nacionais em diversos países. A primeira sala expositiva perpassa a construção desse personagem, a representação do ambiente rural e os fazeres que os caracterizam. Podem ser vistas obras como as duas versões de Caipira picando fumo (1893) e Amolação interrompida (1894), bem como obras dos italianos Carlo de Servi e Antonio Ferrigno e do catalão Lluis Graner – que foi companheiro de trabalho do famoso arquiteto Antoni Gaudí.

Detalhe ‘Amolação interrompida’ (1894).

Essa sala aborda a famosa transferência das telas dos caipiras do Museu Paulista para Pinacoteca em 1905, que acarretou a fundação do museu, hoje prestes a completar 120 anos. Com apoio do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, pela primeira vez em um século essas obras passaram por exames físicos e químicos. A equipe, liderada pela Profa. Marcia Rizzutto, conseguiu identificar como o artista trabalhava a relação entre a estrutura do desenho e a cor, além de levantar hipóteses sobre como as cores dos trabalhos podem ter mudado com o tempo. Segundo o curador da exposição: “As obras de Almeida Júnior são alvo de pesquisa há mais de um século; uma das funções da Pinacoteca e de uma exposição como essa é compreender o debate até agora e contribuir para que ele se mantenha”.

Na segunda galeria, estão reunidas obras que buscam apresentar os antecedentes do caipira, que pode ser entendido como a síntese de outras imagens produzidas ao longo do século XIX, seja a representação dos Bandeirantes, Tropeiros ou Degredados. Paralelas a essas figuras, algumas paisagens retratam as derrubadas das florestas num período de 70 anos, mostrando a longevidade desse modo de pintar a paisagem, mas também a atividade dos artistas para denunciar a destruição do ambiente natural brasileiro. Essa sala é uma oportunidade para ver reunidas obras importantes de outras coleções, como O derrubador brasileiro (1879), do Museu Nacional de Belas Artes, e Os descobridores (1899), do Museu Diplomático do Itamaraty.

A última sala se volta para a representação do sistema cultural em que a figura do caipira se insere, uma preocupação realista dos pintores modernos, como Almeida Júnior. Representando cenários que nos remetam ao universo caipira, as obras buscam refletir sobre suas relações com a natureza, com a vida doméstica, seus hábitos, trazendo ainda o elemento dramático para a narrativa. É nessa sala que está Saudade (1899), uma das obras mais emblemáticas de Almeida Júnior. Na pintura, uma caipira nos comove ao chorar sobre uma fotografia que lhe traz uma recordação. Aqui podemos ver mais fortemente como os caipiras brasileiros dialogam com a produção realista internacional. Há ainda pintores portugueses, espanhóis, franceses e italianos representando camponeses e trabalhadores, como no caso de: José Malhôa, Souza Pinto, L’Heremitte, Pinello Llul e Lluis Graner.

Caipiras: das derrubadas à saudade tem patrocínios de Bradesco, na cota Platinum, Nescafé, na cota Prata e Comolatti, na cota Bronze.

Sobre a Pinacoteca de São Paulo | A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até́ a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. 

Serviço: 

Caipiras: das derrubadas à saudade

Período: 23/11/2024 a 13/4/2025

Curadoria: Yuri Quevedo

Pinacoteca Luz (2º andar)

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

Quintas-feiras com horário estendido B3 na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h).

(Com Mariana Martins/Assessoria de imprensa Pinacoteca)

Quatro motivos pelos quais o G20 tem que se mexer quanto ao ambiente e quem paga essa conta

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Países mais pobres enfrentam barreiras para obter recursos financeiros, limitando sua capacidade de investir em energia limpa. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

Quando o assunto é mudança climática e ambiente, a inércia nas respostas do G20 pode custar caro – cerca de 18% do PIB global em 2050. Representantes dos países que compõem o grupo se reúnem no Rio para o encontro de cúpula do G20. O prejuízo envolve áreas como saúde, reconstruções, adaptações, perdas de lavoura e de rebanhos e déficit no turismo. Além de prejuízos econômicos, as consequências já são visíveis e afetam diretamente a vida das pessoas.

Ondas de calor desidratam e matam os mais vulneráveis, enquanto enchentes e outras catástrofes destroem lares e forçam milhares a deixar tudo para trás, como vimos no Rio Grande do Sul e em Valência, na Espanha. Queimadas devastam grandes áreas de mata nativa, poluem o ar e agravam problemas respiratórios, como testemunhamos recentemente nas queimadas pelo Brasil.

Para sugerir soluções concretas para a crise do clima, uma equipe de 12 especialistas de áreas como mudanças climáticas, economia, governança pública, sustentabilidade, política energética e finanças foi convidada a produzir um relatório independente para o G20.

Selecionamos quatro pontos para mostrar a urgência da ação climática e, segundo os especialistas, o que é possível fazer a respeito.

1 – Subsídios a combustíveis fósseis: Em 2022 os subsídios aos combustíveis fósseis no G20 chegaram a US$1,4 trilhão. Esses incentivos financeiros facilitam a utilização de petróleo, carvão e gás, promovendo a continuidade de fontes de energia poluentes e responsáveis pelo aquecimento global. O ambicioso plano do relatório é eliminar incentivos e redirecionar esses recursos para projetos que reduzam o impacto ambiental e melhorem a qualidade de vida, como a expansão da energia solar e eólica.

2 – Emissões de gases estufa na produção industrial: O G20 é responsável por cerca de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa, com muitos setores ainda dependentes de processos que emitem altos níveis desses gases contribuindo para o aquecimento global. Segundo o relatório, para buscarmos a descarbonização, é necessário redesenhar estratégias industriais especificamente com esse foco e investir em tecnologias limpas, em criação de empregos em setores sustentáveis, ampliando oportunidades para que mais segmentos da economia possam participar dessa transição.

3 – Dificuldade de acesso a financiamentos para projetos: Países mais pobres enfrentam barreiras para obter recursos financeiros, limitando sua capacidade de investir em energia limpa e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. Entre 2020 e 2021, menos de 3% do financiamento climático global foi direcionado para países de baixa e média renda e os recursos necessários à adaptação nesses países é mais do que 10 vezes o montante destinado a esse fim. Para os especialistas, é preciso fortalecer o financiamento verde e disponibilizar recursos para projetos de forma facilitada.

4 – Desigualdade na governança climática: A falta de uma governança global justa impede que os países mais pobres se beneficiem igualmente dos progressos alcançados, perpetuando desigualdades na transição para uma economia verde. Esses países são forçados a alocar uma parcela crescente de seus limitados recursos para lidar com os impactos das mudanças climáticas, enfrentando crescentes restrições fiscais que limitam sua capacidade de crescer de forma sustentável. A proposta é promover uma governança global que facilite a troca de tecnologias e conhecimentos.

E quem paga por isso tudo? O primeiro passo, segundo o relatório, é eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, estimados em US$7 trilhões. Bancos de desenvolvimento, como o Bndes, poderiam oferecer financiamentos vantajosos para projetos sinérgicos a um futuro mais verde e justo, ampliando sua atratividade ao capital privado.

Além disso, é crucial que haja concessão de empréstimos, redução ou conversão de dívidas e alívio de juros para tornar viáveis os investimentos dos países de baixa e média renda. Em prol da estabilidade global e considerando a interdependência econômica entre as nações, considera-se que os países mais ricos devem contribuir mais com o financiamento climático. Essa agenda pode ainda estimular negócios, criando condições para investimentos e inovação. “A disparidade na alocação global de finanças verdes é gritante. Desde 2021, os países de alta renda e a China atraíram mais de 90% dos novos investimentos em energia limpa, enquanto os custos de empréstimos para países de baixa e média renda continuam a subir, apesar de serem os menos responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa”, afirmam em artigo na Project Syndicate Mariana Mazzucato, diretora do Instituto de Inovação e Propósito Público da University College London, e por Vera Songwe, fundadora e presidente do Liquidity and Sustainability Facility e conselheira sênior do Banco de Compensações Internacionais. Elas lideraram a produção do relatório independente encomendado pela presidência brasileira do G20. Segundo elas, “implementar estratégias industriais verdes não deve ser uma tarefa apenas para os ministérios da indústria ou do clima. É necessário o engajamento de todo o governo e a reformulação de instituições e ferramentas-chave – especialmente em licitações e financiamentos públicos – para apoiar as metas das NDCs (contribuições nacionalmente determinadas).”

Para Arilson Favareto, diretor científico do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e professor titular da Cátedra Josué de Castro da USP e da UFABC, a mudança climática é um desafio que exige ação coordenada, especialmente dos países mais influentes do mundo. “O custo da inação é alto demais para ser ignorado e as soluções, embora complexas, estão ao nosso alcance. Cabe ao G20, com o apoio de especialistas e instituições financeiras, liderar esse esforço e evitar que a crise se agrave ainda mais. Só assim poderemos transformar a ameaça em uma oportunidade de inovação, crescimento e justiça para todos”, afirma.

(Fonte: Agência Bori)

Estudo do Instituto Ethos mostra que pessoas negras ainda são minorias em cargos de alto escalão das empresas e têm salários menores

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Getty Images/Unsplash.

O Brasil é constituído atualmente, em sua maioria demográfica, por pessoas negras (pretas e pardas), que totalizam 55,5% da população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2022). Porém, essa mesma representatividade da população negra ainda não é uma realidade no mercado de trabalho, em especial nos cargos de liderança, de acordo com o Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas, lançado em setembro deste ano pelo Instituto Ethos.

Com a proximidade do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o instituto destaca a necessidade de as companhias brasileiras ampliarem a presença de pessoas negras nos diferentes níveis hierárquicos, além de reforçar a necessidade de equiparação salarial de brancos e negros. “A realidade encontrada nas empresas ainda não reflete a diversidade da sociedade brasileira. Ainda que o estudo mostre que os profissionais negros estão mais presentes nos quadros funcionais em comparação com as pesquisas anteriores, essa representatividade não se dá nos níveis hierárquicos de maior influência, maior responsabilidade e melhor remuneração. É nesses pontos que as empresas precisam avançar”, diz Caio Magri, presidente do Instituto Ethos.

Segundo o estudo revelou, 64,2% das ações das empresas são voltadas a programas de inclusão e de contratação de pessoas pretas e pardas. Apesar disso, ainda há uma escassez de ações para promover a ascensão profissional desse grupo de pessoas para que possam alcançar os espaços de tomada de decisão nas empresas.

Os dados exemplificam isso. Atualmente, os cargos mais altos, como Conselho de Administração e Diretoria, têm apenas 5,9% e 13,8% de pessoas negras, respectivamente. Já nos cargos de entrada, como trainees e estagiários, esse percentual sobe drasticamente, para 70,8% e 60,8%, respectivamente.

Salários menores

As desigualdades também são encontradas quando analisados os salários médios das populações brancas e negras. As mulheres que não são negras com ensino superior ganham, em média, R$5.303 mensais, enquanto as negras com ensino superior ganham R$ 3.271 por mês, em média. A disparidade se torna ainda mais evidente quando se verifica a remuneração média mensal dos homens: os não negros ganham R$8.173, enquanto os negros recebem R$5.755.

Apesar da diferença considerável nas posições hierárquicas ocupadas por pessoas negras e das questões salariais, há uma boa notícia verificada pelo Perfil: houve um ganho de consciência das principais lideranças empresariais sobre o cenário social no país, indicando que consideram a presença da população negra abaixo do que deveria nos quadros da empresa que dirigem. A ausência de pessoas negras é uma das mais observadas pelos principais executivos e executivas das empresas participantes em diferentes níveis hierárquicos.

Esse ‘ganho de consciência’ de que falta representatividade negra nas empresas aumenta quanto mais alto for o nível hierárquico. Destaca-se a percepção dessas lideranças sobre a proporção de pessoas negras ‘abaixo do que deveria’ no Conselho de Administração (86,9%), no Quadro Executivo (86%) e no Quadro de Gerência (79,8%).

Empresas precisam avançar

Apesar da conscientização das empresas, na prática, ainda há muito a ser feito. Como exemplo, apenas 21,1% das empresas que participaram do estudo desenvolvem alguma política ou ação afirmativa para garantir a representatividade de pessoas negras no nível executivo ou de diretoria, o que contribui para entender o cenário de afunilamento hierárquico predominante.

Um agravante desse cenário é identificado quando há alguma interseccionalidade, ou seja, quando a pessoa pertence a mais de um grupo de diversidade, como mulheres, juventudes, pessoas LGBTI+, indígenas ou pessoas com deficiência negras. Neste caso, as diferenças são ainda maiores, assim como as dificuldades de ascender na carreira. “Infelizmente, anda existe um ‘teto’ para a população negra nas empresas. Um dos principais motivos para isso é que as práticas empresariais desenvolvidas para a promoção da equidade racial são, em sua maioria, ações pontuais, principalmente quando se trata de posições de liderança. Ou seja, a pauta racial ainda precisa ser entendida como um compromisso empresarial a ser adotado de forma estratégica, com ações estabelecidas com intencionalidade e com metas e métricas de acompanhamento”, conclui Magri.

O Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas está disponível aqui.

Sobre o Instituto Ethos | O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é a organização da sociedade civil brasileira pioneira na mobilização de empresas por uma atuação justa e responsável. O Ethos nasceu ASG (ESG), pois desde 1998, as pautas da responsabilidade social, da ética e da sustentabilidade guiam todas as suas atividades. O Instituto desenvolve indicadores para auxiliar as empresas a compreenderem a sua situação e os caminhos para se tornarem mais diversas, inclusivas e éticas. Com mais de 460 associadas, o Ethos realiza diversas atividades de advocacy colaborativo e organiza a Conferência Ethos, maior evento anual realizado no país com foco em sustentabilidade.

(Com Carlos Moura/Analítica Comunicação)

Le Cordon Bleu São Paulo oferece várias opções de cursos entre dezembro e janeiro

São Paulo, por Kleber Patricio

Risoto de Alho Poró e Camarão. Fotos: Divulgação/Le Cordon Bleu.

O final de ano se aproxima e, junto com ele, a busca pelo presente perfeito para amigos e familiares. Pensando nisso, o Le Cordon Bleu São Paulo oferece uma seleção de cursos rápidos que vão além do comum, proporcionando experiências de aprendizado em gastronomia. Esses cursos rápidos são uma excelente opção para quem deseja mergulhar em técnicas consagradas e adquirir habilidades que irão impressionar nas próximas celebrações.

Desde o refinamento de uma ceia de Natal à francesa até os segredos do risoto perfeito, os cursos trazem opções que agradam a diferentes perfis e gostos. Cada participante vivenciará momentos únicos ao lado dos chefs Le Cordon Bleu em um ambiente inspirador. A seguir, confira os detalhes dos cursos disponíveis no final deste ano e no início do próximo.

Ceia de Natal à Francesa – 4/12 – 5/12
Em uma aula festiva e envolvente, os participantes aprenderão a preparar um jantar de Natal clássico francês. Sob a orientação cuidadosa dos chefs do Le Cordon Bleu, o curso traz receitas tradicionais que fazem da ceia uma verdadeira experiência gastronômica. Com duração de nove horas divididas em dois dias, a aula é ideal para quem deseja surpreender na noite de Natal com um toque francês.

Oficina de Tortas e Quiches – 5/12
Neste curso, os participantes terão a oportunidade de explorar a arte de fazer tortas e quiches, preparando receitas doces e salgadas. O curso oferece um ambiente descontraído e educativo, onde cada aluno aprende desde os fundamentos até técnicas de finalização, praticando cada etapa sob a supervisão de um chef Le Cordon Bleu. Ao final, cada participante leva sua criação para casa, pronta para ser compartilhada com familiares e amigos.

Cordon Vert – 7/12

Cordon Vert. Foto: Divulgação.

A oficina Cordon Vert® é uma jornada pelo universo da cozinha vegetariana. Os participantes vão aprender a preparar receitas vegetarianas criadas pelos chefs do Le Cordon Bleu, explorando sabores e técnicas que respeitam os princípios da culinária saudável e criativa. Ideal para aqueles que buscam ampliar suas opções culinárias, este curso é um mergulho na versatilidade dos ingredientes vegetais.

O Segredo dos Éclairs – 7/12
Para os apaixonados por confeitaria, o curso de Éclairs traz a oportunidade de dominar a técnica dessa sobremesa clássica francesa. Em uma experiência de quatro horas, os participantes aprenderão a preparar éclairs nos sabores pistache, framboesa e limão. Sob a orientação de um chef de pâtisserie, cada aluno vai para casa com suas criações, perfeitas para compartilhar ou saborear.

Fundamentos de Pâtisserie – 9/12 – 13/12

Pâtisserie.

Nas cinco aulas do Short Course de Fundamentos de Pâtisserie, os participantes têm a oportunidade de aprender as técnicas tradicionais da confeitaria francesa. Desde massas clássicas como Brisée e Sablée até a execução de sobremesas icônicas como Mil-folhas e Éclair, o curso é uma imersão profunda e prática, ideal para quem deseja aprimorar suas habilidades na pâtisserie.

Risoto – 10/12

Neste curso, os participantes aprenderão a dominar a técnica do risoto, uma preparação que exige precisão e cuidado. Em cinco horas, os alunos vão conhecer todos os segredos para preparar um risoto cremoso e aromático, desde a escolha do arroz até o ponto de finalização, garantindo um prato com sabor autêntico e textura perfeita.

Fundamentos de Cozinha Brasileira – 11/12 – 13/12
Com uma abordagem prática e detalhada em três dias de aula, o curso de Fundamentos de Cozinha Brasileira explora ingredientes e preparos típicos do país. Sob a orientação de chefs especializados, os participantes aprenderão a criar pratos tradicionais brasileiros, elevando sua compreensão e valorização da culinária nacional.

L’Art des Sauces et des Jus – A Arte dos Molhos e Caldos | 08/01 – 09/01
Para aqueles que desejam aprimorar suas habilidades e entender a essência da culinária francesa, o curso de Molhos e Caldos oferece uma experiência única. Durante dois dias, os alunos aprenderão a preparar a base de diversos pratos, conferindo profundidade de sabor e refinamento às criações.
Com diversas opções de Short Courses e experiências, o Le Cordon Bleu São Paulo oferece o presente ideal para quem deseja celebrar o final de ano de forma especial, compartilhando aprendizado e paixão pela alta gastronomia. Acesse o site do Le Cordon Bleu e saiba mais.

Sobre Le Cordon Bleu

Le Cordon Bleu é a principal rede global de institutos de artes culinárias e gestão de hospitalidade, com uma herança que abrange 129 anos. A rede mantém presença global com 35 escolas em mais de 20 países, formando cerca de 20 mil alunos de mais de 100 nacionalidades diferentes todos os anos. As técnicas culinárias tradicionais francesas permanecem no coração do Le Cordon Bleu, mas seus programas acadêmicos são constantemente adaptados para incluir novas tecnologias e as inovações necessárias para atender às necessidades crescentes da indústria. Presente no Brasil desde 2018, possui unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde oferece programas de alta qualidade, como o Grand Diplôme, o Diploma de Cozinha Brasileira, o Diplôme de Wine & Spirits e Diplôme de Plant Based, entre outros.

(Com Guilherme Messina/Assessoria de Imprensa Cordon Bleu)

Instituto Moreira Salles cataloga e disponibiliza para o público a obra iconográfica do artista e inventor Hercule Florence (1804–1879)

São Paulo, por Kleber Patricio

Volney meditando nas Ruínas de Palmira, 1830. Autor: Hercule Florence. Coleção: Cyrillo Hercules Florence.

O Instituto Moreira Salles acaba de catalogar e disponibilizar para o público 526 desenhos, aquarelas e pinturas do artista e inventor franco-monegasco Hercule Florence (Nice, 1804–Campinas, 1879). As obras, que já podem ser acessadas no site do IMS, fazem parte da coleção Cyrillo Hercules Florence, um acervo privado que pertencia à sua família e era pouco conhecido até agora. Entre os aproximadamente 1.200 itens da coleção, há ainda objetos fotográficos, documentos pessoais e numerosos escritos de Florence, que passarão por catalogação.

O acervo sob a guarda do Instituto Moreira Salles se destaca pelo ineditismo e pelo detalhamento na documentação de comunidades e localidades do interior do Brasil até então pouco exploradas. Desde que a coleção chegou ao IMS, em 2023, os itens vêm sendo catalogados, em um trabalho minucioso que inclui a fixação de informações como o título original da obra e sua tradução, confirmação da data e do local em que cada desenho, aquarela e pintura foram produzidos, anotações de pesquisa, histórico de utilização de cada obra e, ainda, a revisão das menções a povos indígenas.

Este último tópico contou com a assessoria da antropóloga Maria Luísa Lucas, professora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, e busca atualizar informações, como o termo mais adequado, hoje, para se referir a determinados povos indígenas a partir da autodenominação desses grupos. A equipe do IMS também incluiu outras informações, como cidades que mudaram de nome. Vila de São Carlos, onde Florence se estabeleceu e formou família após o fim da expedição, é atualizado para Campinas. Por trás de todo esse trabalho, há a preocupação de se esclarecer as modificações realizadas e de manter também o original, para que os pesquisadores possam ter acesso a absolutamente todas as informações.

“Esse esforço de transparência é importante, para que as pessoas possam entender quais foram os critérios adotados”, diz Julia Kovensky, coordenadora de Iconografia do IMS. Ela observa que essa é uma catalogação inicial, realizada de forma a abranger todas as informações possíveis, mas não definitiva. “Futuramente, caso alguns desses critérios precisem ser revistos à luz de novas pesquisas, isso poderá ser feito. Inclusive, para questões mais diretas, como as dos povos indígenas retratados, contamos com as atualizações que virão a partir dos olhares de seus descendentes”, ressalta.

Florence pôde produzir essa obra extensa e importante porque se juntou a uma notória incursão científica: a Expedição Langsdorff, conduzida pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff (1774–1852), médico e naturalista alemão naturalizado russo, e patrocinada pelo czar Alexandre I com apoio de d. Pedro I. Em sua primeira etapa, que percorreu o Rio de Janeiro e Minas Gerais (1824-1825), ela contava com Johann Moritz Rugendas como desenhista, mas este decidiu seguir viagem sozinho. Florence, um jovem de espírito aventureiro e explorador que havia chegado ao Brasil em 1824 aos 20 anos, respondeu então ao anúncio publicado em 7 de julho de 1825 no Diário do Rio de Janeiro para substituir Rugendas e, mesmo com pouca formação na área, compôs com o francês Aimé-Adrien Taunay o time de desenhistas da viagem.

A expedição partiu em junho de 1826 de Porto Feliz, em São Paulo, para percorrer, por via fluvial, mais de 13 mil quilômetros pelas regiões dos atuais estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará – a maior parte navegando pelos rios Tietê, Paraná, Paraguai, Tapajós e seus afluentes.

O material produzido nessa viagem é um dos grandes conjuntos que formam a coleção de desenhos e aquarelas de Florence e traz uma riquíssima descrição de povos indígenas que ele encontrou ao longo do percurso – ele reproduz com detalhes diferentes pinturas corporais e adornos, conseguindo uma representação bastante fiel de povos como os Guató, Bororo, Apiaká, Terena e Kaingang. E fez o mesmo com pessoas negras, como em desenhos realizados em 1828, quando a expedição se encontrava nos arredores de Diamantino, no Mato Grosso.

“Chamam muita atenção quatro desenhos de pessoas negras, nos quais Florence descreve a suposta etnia – ou proveniência territorial – dessas pessoas”, observa Gustavo Aquino dos Reis, um dos responsáveis no IMS pelo minucioso trabalho de catalogação. “São negros Congo, Cabinda e Rebolo. É interessante perceber que, através de um traço sutil, o artista logrou evidenciar características específicas dessas nações africanas, como, por exemplo, a presença de escarificações corporais.”

Também da equipe de Iconografia responsável pela catalogação, Jovita Santos de Mendonça ressalta a relevância dos escritos de Florence para o projeto do IMS de oferecer a maior quantidade de informações possível sobre a coleção: “O conjunto da expedição é muito emocionante, porque se consegue cotejar com o texto dele. Florence escreveu muito sobre a sua vida, sobre as suas experiências no Brasil, as viagens. Tudo que ele foi experimentando quando se fixou aqui é exaustivamente contado e recontado.”

2º estudo. S. Carlos, 1832. Céu de Sudeste. Autor: Hercule Florence. Coleção: Cyrillo Hercules Florence.

O mesmo acontece com outros dois conjuntos: a série Céus e a série que retrata as fazendas de Campinas. Céus é composta por 34 imagens do céu do Brasil, um registro pioneiro de diferentes formas e cores de nuvens e condições climáticas que reflete o olhar curioso e observador de Florence em relação à natureza. Ao buscar entender a formação das nuvens e outros fenômenos, ele produziu uma espécie de catálogo para servir a artistas como modelo para suas composições. Já os registros de fazendas tratam da expansão agrícola, principalmente do plantio de café e cana-de-açúcar na então Vila de São Carlos, onde Florence se casou com a filha de um influente médico e político da região. O dia a dia de uma fazenda de café naquele período, com o trabalho escravizado, está muito bem documentado não só em imagens como também em seus escritos. Florence escreveu tanto e sobre tudo que viveu aqui no Brasil, que seus textos funcionam como um guia para identificar muitas de suas obras.

A coleção sob a guarda do IMS teve as obras reunidas por um dos netos do artista, Cyrillo Hercules Florence (1901–1995), professor do Laboratório de Física da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e por isso leva seu nome. Os desenhos e aquarelas se relacionam com outro grande conjunto de obras de Florence que se encontra no Arquivo da Academia de Ciências de São Petersburgo, na Rússia.

Em apenas duas ocasiões esse conjunto de obras de Florence foi exibido ao público. A primeira, na exposição Hercule Florence e o Brasil, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2010, com um recorte de desenhos e aquarelas e de suas invenções fotográficas. A segunda, na exposição Hercule Florence: le nouveau Robinson, realizada em 2017 no Nouveau Musée National de Monaco. O título ‘o novo Robinson’ faz referência ao livro Robinson Crusoé (1719), do inglês Daniel Defoe (1660–1731), que Florence leu quando estudava em Mônaco (sua mãe nascera lá) e que lhe despertou o desejo de viajar cruzando oceanos para além da Europa. A exposição em Mônaco contribuiu para a celeridade com que a obra iconográfica de Florence chega agora a domínio público, já que uma parte expressiva das imagens foi digitalizada por Jorge Bastos, da Motivo, por ocasião da mostra, com padrão semelhante ao do IMS.

Reconhecido pela excelência de sua documentação visual, Hercule Florence se distinguiu em vários campos, notadamente a fotografia – é considerado um inventor na área, tendo realizado no Brasil experimentos ao mesmo tempo que seus pares desenvolviam a técnica fotográfica na Europa. O Instituto Moreira Salles possui em seu acervo algumas raridades, como um conjunto de rótulos para frascos farmacêuticos impressos fotograficamente por Florence em 1833. Seus desenhos e suas pinturas vêm se juntar com peso a esses itens, oferecendo ao público uma visão ampla do trabalho do artista.

“Temos total consciência da importância de facilitar o acesso do público à obra desse autor já tão estudado e ainda tão pouco conhecido. Em nome desse compromisso, foi feito um esforço singular para acelerar a etapa de catalogação dos desenhos, reunindo e atualizando informações, e disponibilizar esse primeiro conjunto no menor prazo possível”, diz Julia Kovensky.

(Com Mariana Tessitore/Instituto Moreira Salles)