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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Prorrogadas inscrições para edital do FICC – Fundo de Investimentos Culturais de Campinas

Campinas, por Kleber Patricio

As inscrições para o edital de seleção para financiamento de projetos culturais pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) foram prorrogadas até dia 4 de dezembro de 2024 às 23h59. As demais condições do edital permanecem inalteradas. Os interessados devem se inscrever pela página da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, acessível em https://campinas.sp.gov.br/secretaria/cultura-e-turismo/pagina/editais.

Esta edição contemplará aproximadamente 80 projetos na área cultural com valores distribuídos entre as áreas, totalizando R$3.126.000,00 em recursos. O valor máximo por projeto varia de acordo com a área.

O edital abrange diversas áreas artístico-culturais, incluindo artes cênicas, dança, artes visuais, audiovisual, fotografia, artesanato, música e patrimônio histórico e cultural, entre outras. Podem participar pessoas físicas e jurídicas residentes ou sediadas no município há, no mínimo, dois anos, com atuação comprovada na área cultural.

Mediadores culturais
Os projetos aprovados pelo FICC devem ser finalizados até 31 de dezembro de 2025, com possibilidade de prorrogação. Cada proponente poderá inscrever até dois projetos, desde que sejam em áreas diferentes, mas apenas um será contemplado.

A documentação necessária para se inscrever ao FICC deverá ser enviada em formato PDF. O envio será confirmado por um e-mail com o número da inscrição. Em caso de problemas técnicos no portal, o prazo de inscrição pode ser prorrogado.

Mediadores culturais estarão disponíveis para auxiliar os proponentes com orientações a respeito do edital. As informações e as inscrições estão disponíveis no portal da cultura de Campinas. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail editais.cultura@campinas.sp.gov.br.

Serviço:

Edital de seleção para financiamento de projetos culturais

Inscrições prorrogadas até 23h59 do dia 4 de dezembro de 2024.

(Com Maria Finetto/Prefeitura de Campinas)

‘Onde Houver Céu’, criação de Marcus Moreno, estreia no Arquivo Histórico Municipal

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Ju Vinagre.

‘Onde houver céu’, trabalho concebido por Marcus Moreno, que também integra o elenco formado por Maria Basulto, Maria Fernanda Machado, Mariana Molinos, Rebeca Tadiello e Raony Iaconis, estreia nos dias 29 e 30 de novembro dentro da programação do Festival Arquivo Aberto, que acontece no Arquivo Histórico Municipal e segue em temporada no mesmo espaço de 3 a 6 de dezembro. A entrada é gratuita.

Instigado por escritos do aclamado pensador italiano Emanuele Coccia, com destaque para o texto ‘Astrologia do Futuro’, que aborda temas como a metamorfose, a relação entre a origem da vida e a discussão do tempo presente a partir da relação com passado e futuro, ‘Onde houver céu’ desperta memórias corporais individuais, encontros sensíveis e desejos de transformação para criar memórias coletivas inventadas e acionadas pela fisicalidade.

Rastros de corpos que se desprendem e se reconectam formam quadros tridimensionais que suspendem as temporalidades intensificados por estímulos sensoriais que, pouco a pouco, vão preenchendo o espaço. “Dançamos o agora para materializar imagens daquilo que em nós é passado, apontando para o futuro de um mundo que começa do meio e nunca para de começar”, expressa Marcus Moreno que, em 12 anos de trajetória artística, tem buscado na dança maneiras de investigar o estado presente das coisas, criando trabalhos em parceria com outros artistas da cena contemporânea.

Ao refletir, de forma cuidada, que a vida, por vezes, aparenta ter uma tendência ininterrupta de vir a ser – para os outros e para si mesma –, todo ser vivente, então, poderia ser encarado, ao mesmo tempo, como origem de seu mundo e como mundo de outros viventes. Em cada singularidade, parece haver um centro em expansão estruturante que está sempre se modificando, nunca fechado em si mesmo, mas em descontinuidade daquilo que é o outro. “Pela presença do outro, que, como defende Coccia, é também céu, podemos pensar em afetos que nos colocam em permanente estado de criação, impulsionando nossa percepção para o campo do sensível, algo que, pelo corpo, modela e esculpe o mundo circundante”, avalia Moreno.

Com provocação cênica de Key Sawao e aulas abertas para criar novos afetos com Igor Souza, Eduardo Fukushima e Babi Fontana durante o processo, ‘Onde houver céu’ tem luz e espaço cênico criados por Hernandes de Oliveira, trilha sonora de Joana Queiroz e Bruno Qual (Bru._Jo.) e composição de figurino de Thaís Franco.

‘Onde houver céu’ finaliza o projeto Nosso Chão é Céu, contemplado pela 35ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança Para a Cidade de São Paulo.

Serviço:

Estreia: Onde houver céu – direção: Marcus Moreno

Com Rebeca Tadiello, Raony Iaconis, Mariana Molinos, Maria Fernanda Machado, Maria Basulto e Marcus Moreno

Dias 29 e 30/11 (sexta, às 21h; e sábado, às 18h) – Festival Arquivo Aberto

Dias 3, 4, 5 e 6/12 (terça a sexta-feira, às 19h30

*Sessões com audiodescrição: dias 29/11 e 4/12

Onde: Arquivo Histórico Municipal

Praça Cel. Fernando Prestes, 152 – Bom Retiro (Metrô Tiradentes I Linha Azul)

Duração: 45 minutos | Classificação: Livre

Lotação: 60 Lugares | Acessibilidade: Sim

Ingressos: Distribuição gratuita pelo Sympla  https://bit.ly/3Ct2ov1

ou na bilheteria do espaço 1h antes de cada apresentação.

Ficha Técnica

Concepção, Dramaturgia e Direção: Marcus Moreno | Criação e dança: Rebeca Tadiello, Raony Iaconis, Mariana Molinos, Maria Fernanda Machado, Maria Basulto e Marcus Moreno | Luz e Espaço Cênico: Hernandes de Oliveira | Música: Bru._Jo. (Joana Queiroz e Bruno Qual) | Montagem e operação de som: Renan Luís | Composição de figurino: Thaís Franco | Artistas Residentes/Processo Formativo: Natan Baes e Breno Luan | Provocação Cênica: Key Sawao | Aulas abertas para criar novos afetos: Igor Souza, Eduardo Fukushima e Babi Fontana | Fotos: Silvia Machado e Juliana Vinagre | Registro Audiovisual: Nome Filmes | Audiodescrição: Ver com Palavras | Design Gráfico e Mídias Digitais: Juliana Vinagre |

Assessoria de Imprensa: Elaine Calux | Mediação de Público: Talita Bretas e Rubia Galera/Portal MUD | Produção: Júnior Cecon (Plural Produção) e Cristiane Klein (Dionísio Produção) | Gestão e Administração: Cooperativa Paulista de Dança | Apoio: Galeria Olido, Casa do Povo e Arquivo Histórico Municipal.

Um pouco de Marcus Moreno

Mestre em Artes da Cena pela Unicamp, tem formação em Comunicação das Artes do Corpo, especialização em Técnica Klauss Vianna (PUC-SP), e licenciatura pela Universidade Anhembi Morumbi. Desde 2012, realiza criações em colaboração com artistas convidados, como ‘A Imagem como Ausência’ (2013), ‘A Flor da Lua’ (Residência Casa das Caldeiras/2016), ‘Estudo para o Encontro’ (2017), ‘Instante-já’, indicado ao Prêmio APCA de Dança/2019 (Espetáculo/Estreia e Criação de Luz e Espaço Cênico de Hernandes de Oliveira), e ‘Entre Espaço Onde Tudo Existe’ (2021). Desde 2016, desenvolve os ‘Encontros Efêmeros’, criando trabalhos de improvisação com artistas da cena contemporânea. Tem trajetória também no campo da gestão cultural e curadoria de projetos, atualmente integrando a equipe de Articulação e Difusão das Fábricas de Cultura do estado de São Paulo.

Para saber mais:

https://marcusmoreno.wixsite.com/marcusmoreno 

Instagram: @marcusmoreno_danca.

(Com Elaine Calux)

4ª Semana da Escola Livre de Música da Unicamp celebra o ensino coletivo com concertos gratuitos

Campinas, por Kleber Patricio

De 2 a 5 de dezembro, sempre às 19h, o Teatro de Arena da Unicamp será palco da 4ª Semana da Escola Livre de Música (ELM). O evento, gratuito e aberto ao público, apresenta uma programação especial com os grupos musicais formados pelos mais de 200 alunos da ELM. Os concertos demonstram o trabalho pedagógico de ensino coletivo desenvolvido pela instituição, que atende músicos de diversas idades e níveis de experiência.

A abertura, no dia 2, fica por conta da Banda Sinfônica da Unicamp, coordenada por Fernando Hehl, coordenador da Escola. Composta por 60 músicos, o grupo reúne alunos de graduação em música, amadores de diferentes núcleos culturais da Região Metropolitana de Campinas e instrumentistas que já atuam profissionalmente. O programa da noite, intitulado ‘Do sinfônico ao cinema’, explora o repertório tradicional de bandas sinfônicas e trilhas sonoras de filmes internacionais.

Na terça-feira, dia 3, o público poderá conferir três apresentações em sequência: a Camerata de Violão, sob a coordenação de Laurie Oliveira; a Camerata de Violinos, dirigida por Eduardo Semencio; e os Grupos de Trompetes I e II, com a orientação de Israel Calixto.

Já na quarta-feira, dia 4, o destaque será a apresentação da Big Band da ELM, com regência de Israel Calixto. Conhecida por seu repertório vibrante e cheio de improvisação, a Big Band promete uma noite marcada pela energia musical.

Encerrando a semana, na quinta-feira, dia 5, Miguel Clemente assume a regência da Orquestra de Saxofones. A apresentação promete surpreender com a riqueza sonora característica do grupo, que fecha o evento em grande estilo.

A Semana da ELM reflete o compromisso da Escola Livre de Música com a integração da comunidade acadêmica e cultural. A diversidade dos grupos e a qualidade das apresentações reforçam a importância do ensino coletivo como ferramenta de aprendizado e expressão artística.

Serviço:

4ª Semana da Escola Livre de Música

Quando: 2 a 5 de dezembro de 2024, sempre às 19h

Onde: Teatro de Arena, Unicamp | R. Elis Regina – Cidade Universitária, Campinas – SP

Entrada gratuita.

(Fonte: Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp – CIDDIC)

Tapeçarias de Concessa Colaço ganham destaque em mostra na Arte132 Galeria

São Paulo, por Kleber Patricio

Concessa Colaço, Eterno Paraíso, s.d., tapeçaria bordada, 123 x 239 cm. Fotos: Everton Ballardin.

Ao desistir da carreira musical, a artista Concessa Colaço (1929–2005), que nasceu em Portugal e naturalizou-se brasileira, emergiu na arte têxtil influenciada por sua mãe, Madeleine Colaço. Agora, quase 20 anos após seu falecimento, a tapeceira-musicista é homenageada com a mostra ‘Concessa Colaço: concertos bordados’, na Arte132 Galeria, a partir de 23 de novembro, evidenciando sua trajetória na tapeçaria.

Com curadoria de Denise Mattar, a mostra reúne um conjunto de 14 peças. Cada tapete levava, em média, seis meses para ser confeccionado. Concessa empregava lãs e sedas naturais em seus tapetes, confeccionados com cerca de 140 mil pontos em cada metro quadrado. Além de usar o ponto arraiolo e o brasileiro — criado pela própria mãe — ela usava ainda uma variante do ponto corrido inspirado nas tapeçarias medievais.

Para obter as inúmeras tonalidades de uma mesma cor, que conferem profundidade à tecitura criando um efeito gradual, a artista usava lãs coloridas que ganhavam outros tingimentos por cima, resultando em tons únicos. No auge de sua produção, a artista chegou a trabalhar com dez artesãs.

Concessa Colaço, O enigma das cores, s.d., tapeçaria bordada, 146 x 285 cm.

Descendente de artistas que produziam poesia, literatura e artes plásticas em Portugal, Concessa deu continuidade à tradição familiar, dedicando-se às letras e às lãs. Desde cedo ela havia revelado talento para a música e era uma excelente pianista. O falecimento de seu pai e de seu marido, sequencialmente, fizeram Concessa interromper sua carreira musical, optando por se dedicar à tapeçaria.

Iniciou na produção têxtil por volta de 1968 e, muito rapidamente, conseguiu abrir espaço para seu trabalho, especialmente na sociedade carioca. Em um acordo com a mãe, Concessa criou um ateliê próprio, absorvendo parte das artesãs e alternando períodos entre Maricá e o Rio de Janeiro.

“Nenhum trabalho de Concessa é datado e as fontes para pesquisa de seu trabalho são muito restritas, mas é possível perceber, nas 14 tapeçarias apresentadas na exposição, o desenvolvimento de algumas vertentes temáticas e estilísticas. Rita Cáurio, no livro ‘Artêxtil’, referência essencial para a tapeçaria brasileira, define o trabalho de Concessa como ‘um autêntico neobarroco têxtil’. De fato, existe uma faceta de sua obra na qual a artista parece retomar suas raízes portuguesas”, explica a curadora Denise Mattar.

Tapeçarias de Concessa

Curvas e espirais evocam os padrões tradicionais do arraiolo, com o uso da barra decorativa, a centralidade dos elementos e a simetria espelhada. Outra vertente de sua produção, mais narrativa, detém-se sobre a fé e a simplicidade do povo brasileiro. Nessas obras, ela retrata igrejas e casarios, anjos, flores e fitas, representados delicadamente e de forma quase ingênua, numa atmosfera tropical. A própria confecção desses tapetes é particular, com maior utilização do ponto corrido e o recurso do delineamento das figuras em tom escuro, que não aparece em outros trabalhos.

Concessa Colaço, Momentos de infinito, s.d., tapeçaria bordada, 128 x 276 cm.

Na sua produção mais constante e consistente, Concessa se libera de padrões, propondo mundos encantados. Seus pássaros, flores, frutas e folhagens entrelaçadas, não têm compromisso algum com a realidade ou a brasilidade — são míticos e mágicos. A beleza das formas, o alto nível artesanal, a execução primorosa dos acabamentos, a multiplicidade e densidade das cores e uma temática permeada por um saudosismo romântico são marcas da artista. Nessas peças, ela trouxe, da sua vivência musical, a sonoridade de poéticos títulos, como ‘Poema de um dia azul’; ‘Ao cantar a poesia’; ‘Eterno paraíso’; ‘Poema de cores’; ‘Momentos de infinito’; e ‘Quando o passado é presente’.

A década de 1990, entretanto, marcaria o encerramento do período dourado para as artes têxteis, tanto no Brasil quanto no exterior. A proposta da síntese das artes caiu em desuso e a tapeçaria perdeu espaço. Concessa, assim como muitos outros tapeceiros, não resistiu a esse momento e parou sua produção com as bordadeiras. Deixou o apartamento no Rio e se mudou para cidade de Maricá, onde residiu até seu falecimento, em 2005.

A Arte132 Galeria recebe a exposição ‘Concessa Colaço: concertos bordados’ como o último projeto antes de seu fechamento.

Sobre a Arte132 Galeria

Fundada em 2021, por Telmo Porto, o propósito da Arte132 é expor e manter em acervo artistas brasileiros reconhecidos. Nascido em 1955, no Rio de Janeiro, Telmo viveu boa parte da vida na cidade de São Paulo. Formou-se engenheiro civil ferroviário, professor e doutor pela Escola Politécnica da USP, onde lecionou por mais de 30 anos. Exerceu a profissão de forma notável, tanto no âmbito público quanto privado, até o final de sua vida. Paralelamente à engenharia, foi amante e profundo conhecedor das artes, integrando conselhos de grandes instituições culturais, fomentando e participando ativamente da vida cultural de São Paulo.

Durante 30 anos, atuou como Patrono do Museu de Arte Moderna de São Paulo [MAM-SP]. Nessa mesma instituição, exerceu o cargo de diretor administrativo, entre 2019 e 2022, ajudando a consolidar uma nova fase do MAM-SP. Membro do Conselho Deliberativo do Museu de Arte de São Paulo [MASP], no período entre 2014 e 2022, participou ativamente das atividades do museu como integrante do Comitê Cultural e do Comitê de Infraestrutura. Foi também diretor no Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia [MuBE], nos anos 2000. Ao longo de sua vida, Telmo realizou incontáveis doações de obras de arte para esses importantes museus e, principalmente, à Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A Arte132 Galeria é fruto [e legado] dessa grande trajetória. Telmo apoiava diretamente artistas e músicos em suas produções e entendia que a arte de um país e de um período não é constituída apenas por alguns nomes definidos pelo mercado, mas por todos os artistas que desenvolveram um entendimento do mundo e do homem em determinado momento. Dessa forma, ele possuía particular interesse na produção menos conhecida dos mais reconhecidos, além da produção dos pouco consagrados pela História da Arte Brasileira, mas que demandam [e merecem] uma revisão.

Sua intenção inicial sempre foi privilegiar, mas sem exclusividade, as realizações mais autorais dos artistas, menos sujeitas às limitações materiais de execução ou de sobrevivência econômica dos autores. Nas suas palavras, “pretendemos reincluir nomes no cenário das galerias e instituições, sempre com orientação curatorial e escolhas motivadas.”

Até o momento, a casa serviu como um ponto de conexão entre vários tempos e as muitas manifestações artísticas. Das artes visuais à música, a Arte132 é um lugar de encontros, diálogos e descobertas onde todos são bem-vindos.

Serviço:

Concessa Colaço: concertos bordados

Local: Arte132 Galeria — Av. Juriti, 132 – Moema, São Paulo, SP
Abertura: 23 de novembro, das 11h às 17h
Período expositivo: 23 de novembro a 14 de dezembro de 2024
Horários de visitação: segunda a sexta, das 14h às 19h; sábados, das 11h às 17h
Entrada gratuita

https://arte132.com.br
https://www.instagram.com/arte132galeria/.

(Com Julio Sitto/A4&Holofote comunicação)

‘Ilhas de floresta’ permitem recuperar a biodiversidade em monoculturas, aponta estudo na Science

São Paulo, por Kleber Patricio

Quanto maior a diversidade de espécies plantadas no início do experimento, mais diverso se tornou o ecossistema restaurado. Foto: Gustavo Paterno/Acervo pesquisadores.

Ilhas de floresta são uma estratégia eficaz para recuperar parte da biodiversidade em regiões de monocultura. Quanto maiores e mais diversas as ilhas, maior o número de espécies nativas verificadas em meio a plantações de dendê. Publicada na revista ‘Science’ no último dia 14, a conclusão parte de experimento em larga escala conduzido por pesquisadores de instituições como a Universidade de Göttingen (Alemanha) e da Universidade de Jambi (Indonésia). Para se ter uma ideia, as áreas com mais de 400 metros quadrados hospedaram 94% das espécies nativas identificadas no estudo.

Quanto maior a diversidade de espécies plantadas no início do experimento, mais diverso se tornou o ecossistema restaurado. Em apenas seis anos, muitas dessas árvores já começaram a frutificar e algumas superaram 15 metros de altura. As ilhas de árvores com maior diversidade inicial promovem a regeneração de espécies com diferentes estratégias ecológicas para adaptação e sobrevivência às condições ambientais, fortalecendo o ecossistema e criando resiliência às mudanças climáticas.

Os cientistas plantaram 52 ilhas de árvores em uma plantação industrial de dendê na ilha de Sumatra, na Indonésia, utilizando um design experimental para testar os efeitos do tamanho das ilhas e da diversidade inicial nos resultados da restauração. As ilhas foram plantadas com diferentes quantidades de espécies nativas de árvores, variando de nenhuma até seis espécies, em áreas de 25 a 1600 metros quadrados. Após seis anos, o estudo identificou 2.788 novas plantas de 58 espécies e 28 famílias diferentes.

Apesar de os níveis de biodiversidade nas áreas restauradas ainda serem inferiores aos das florestas primárias, cujo valor de conservação é insubstituível, as ilhas de árvores podem catalisar a restauração florestal sem a necessidade de plantio extensivo. As conclusões, argumentam os cientistas, são relevantes ao contexto brasileiro — tanto em áreas onde o cultivo de dendezeiros tem avançado, como no Pará, quanto em diferentes tipos de plantações e culturas agrícolas.

Segundo o brasileiro Gustavo Paterno, pesquisador na Universidade de Göttingen e autor principal do estudo, o Brasil poderia adaptar esse método, utilizando espécies nativas e diferentes composições de ilhas de acordo com as especificidades dos biomas brasileiros. “Por exemplo, a abordagem poderia ser aplicada em plantações de eucalipto, que ocupam grandes áreas na Mata Atlântica, assim como em outras monoculturas importantes, como laranja, café, cana-de-açúcar e soja”, explica. Para o pesquisador, o principal benefício dessa estratégia é manter parte da biodiversidade nativa que não consegue sobreviver na matriz agrícola, ampliando a capacidade de conservar a biodiversidade nesses ecossistemas.

O método também poderia ser utilizado para acelerar a restauração ecológica de florestas nativas em áreas agrícolas abandonadas, aumentando a diversidade funcional do ecossistema, avalia Paterno. “Essas ilhas funcionam como atratores de biodiversidade; após seu crescimento, as árvores atraem aves e animais frugívoros, que trazem mais sementes e enriquecem a regeneração da vegetação. Com o tempo, essas ilhas podem se expandir e formar uma área florestal contígua, sem a necessidade de plantar árvores em toda a área”, conclui o autor.

(Fonte: Agência Bori)