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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Caroços de açaí viram bolsa térmica natural e ajudam a proteger a Mata Atlântica

Porto Alegre, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Buscando criar uma escolha de consumo mais responsável e com o menor impacto negativo humano, social e ambiental possível, a Mercur, indústria com atuação na área da saúde e educação, cocriou a Bolsa Térmica Natural. O produto, que utiliza caroços de açaí da Palmeira Juçara e uma macia camada de algodão orgânico, é um grande aliado da natureza, contribuindo com a proteção de uma espécie ameaçada de extinção e na preservação da Mata Atlântica.

Desde a concepção da Bolsa Térmica Natural, foi estabelecida a diretriz de privilegiar a geração de renda local para pequenos produtores e cooperativas e, por isso, o projeto elegeu matérias-primas de fornecedores que têm um alto senso de responsabilidade com o meio ambiente e com as pessoas, traduzido em impacto social: as Cooperativas Justa Trama e Econativa. Seu desenvolvimento se deu por meio da cocriação, metodologia que reúne técnicos da empresa, usuários, pesquisadores, estudantes e profissionais de saúde, entre outros públicos, para criar um item conectado com as necessidades das pessoas.

Caroços de açaí eram descartados após o despolpe | Sobra do processo de produção da polpa pelos agricultores agroecológicos da Cooperativa Econativa – Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina, os caroços de açaí são um dos principais insumos da  Bolsa Térmica Natural da Mercur. São esses caroços que retêm o calor no produto utilizado para termoterapia, auxiliando no tratamento de dores e lesões musculares e articulares, processos inflamatórios e no alívio de estresse muscular e cólicas.

Dessa forma, o insumo, que representa cerca de 70% do fruto e era descartado, hoje é mais uma fonte de renda para as famílias de produtores e incentiva o cuidado com a Palmeira Juçara – planta ameaçada de extinção e que tem papel importante na manutenção da biodiversidade da mata Atlântica.

Algodão orgânico e agroecológico | Já o algodão utilizado no tecido da Bolsa é produzido de forma orgânica pela maior cadeia produtiva no segmento de confecção da economia solidária, articulando 600 cooperados/associados em cinco estados, a Justa Trama. Ela foi escolhida após o grupo de trabalho envolvido no desenvolvimento do produto buscar estudos e contatos para compreender qual seria o tecido de menor impacto socioambiental.

“Escolher um tecido de reuso ou reciclado aumentaria o ciclo de vida dele, mas continuaria incentivando a produção de algodão convencional. E depois de conhecer a produção do algodão convencional, que contamina o solo, água, ar, além de causar alto índice de suicídio de produtores, tivemos a certeza de que precisávamos incentivar a cadeia do algodão orgânico como forma de preservação da vida, do ecossistema e da saúde humana”, explica Liciani Lindemayer, que atua na área de Inovação da Mercur.  Assim, os tecidos utilizados na bolsa provêm dessa rede distribuída nos estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará e Rondônia. Dessa forma, muito mais que um produto para promoção da saúde e bem-estar das pessoas, a Bolsa Térmica Natural promove o cuidado com o planeta e seus recursos naturais.

Amazon estreia série brasileira original “Dom”

Brasil, por Kleber Patricio

Frame de “Dom”. Imagem: divulgação.

A Amazon Prime Video divulgou um vídeo inédito de bastidores das filmagens da série brasileira Original Amazon Dom. O programete é parte dos conteúdos extra, disponíveis por meio do X-Ray, recurso do Prime Video que apresenta informações e imagens sobre a série e elenco. A produção, que estreou na última sexta-feira, 4 de junho, é um drama policial inspirado na história verídica de pai e filho que estão em lados opostos na guerra contra às drogas no Rio de Janeiro. Produzida pela Conspiração e com oito episódios de uma hora de duração cada, a série conta com Breno Silveira como diretor e showrunner e foi lançada em mais de 240 países e territórios exclusivamente no Prime Video.

Estrelada por Gabriel Leone, Flavio Tolezani, Raquel Villar e Isabella Santoni, Dom conta a história de um belo rapaz da classe média carioca que foi apresentado à cocaína na adolescência, colocando-o no caminho para se tornar o líder de uma gangue criminosa que dominou os tabloides cariocas no início dos anos 2000: Pedro Dom. Alternando entre ação, aventura e drama, a produção também acompanha o pai de Pedro, Victor Dantas, que, na adolescência, faz uma descoberta no fundo do mar, denuncia às autoridades e acaba ingressando no serviço de inteligência da polícia.

Poster do filme (divulgação).

A série também mostra a jornada de pai e filho vivendo vidas opostas, muitas vezes se espelhando e se complementando, enquanto ambos enfrentam situações que confundem os limites entre o certo e o errado.

O elenco de Dom também reúne nomes como Filipe Bragança, Ramon Francisco, Digão Ribeiro, Fábio Lago, Julia Konrad, André Mattos e Laila Garin, entre outros. Dom é dirigida por Vicente Kubrusly e Breno Silveira, que também é produtor e lidera a equipe de roteiristas formada por Fabio Mendes, Higia Ikeda, Carolina Neves e Marcelo Vindicatto. A série é produzida por Renata Brandão e Ramona Bakker, da Conspiração. Antonio Pinto e Gabriel Ferreira compuseram a trilha sonora original.

“O Efeito Frankenstein”: livro fala sobre amor e empoderamento numa viagem entre séculos

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa (divulgação).

Quem é o monstro? O criador ou a criatura? E se você pudesse decidir isso ‘in loco’, vivendo naquela época e conhecendo a ambos? Em O Efeito Frankenstein, o protagonismo não é nem do criador e nem da criatura, mas de um caso de amor que atravessa os séculos. Em seu premiado romance de ficção científica, a espanhola Elia Barceló nos convida a viajar no tempo com Nora e torcer por essa paixão.

A feminista estudante de medicina conhece alguém muito diferente e cheio de mistérios em pleno baile de carnaval, quando salvam uma criança de se afogar no Rio Danúbio. Como uma “Cinderela” às avessas, o misterioso Max desaparece e Nora vai atrás dele. É quando fica presa no passado. Barceló com maestria situa o leitor no tempo com mudanças no texto que vão da linguagem a hábitos da época e cultura.

Como alguém que luta pelo empoderamento feminino consegue sobreviver em pleno século XVIII? Como lida com o choque de costumes e o impacto da Revolução Francesa? Sem poder voltar a estudar na universidade de Medicina? Sem poder frequentar bares e restaurantes sozinha? Sem poder dormir com o homem que ama? Assim como Mary Shelley, Nora terá que se rebelar contra a sociedade conservadora e machista da época para viver plenamente sua história de amor e tentar ajudar Frankenstein a construir uma nova vida. Se ela vai voltar ao Século XXI, só o tempo dirá.

Ficha Técnica

Autor: Elia Barceló

Tradução: Ana Maria Doll Portas

Formato: A 21 cm / L 14 cm / P 1,4 cm / 200 g

Número de páginas: 295

ISBN: 978-65-5539-259-3

Editora Melhoramentos

Preço sugerido: R$39,00

Sobre a autora | Elia Barceló nasceu na cidade de Alicante, Espanha, em 1957. Professora e escritora, estudou Filologia Anglo-Germânica na cidade de Valência e Filologia Hispânica nas universidades de Alicante e Innsbruck, Áustria. Atualmente mora em Innsbruck, onde ministra aulas de literatura hispânica e escrita criativa na universidade local. Dentre muitos títulos publicados, seus romances El Caso del Artista Cruel, Cordeluna e O Efeito Frankenstein receberam o prêmio edebé de Literatura Juvenil em 1998, 2007 e 2019, respectivamente. Também publicou romances para jovens, inúmeros contos e um ensaio sobre Julio Cortázar.

Violência doméstica contra mulheres: a outra pandemia

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: MT Elgassier/Unsplash.

Desde o início da pandemia de Covid-19, a violência doméstica contra mulheres e meninas cresceu no mundo todo, revelando a amplitude deste fenômeno. Segundo a ONU Mulheres, os casos aumentaram 30% em diferentes países do mundo, da França ao Chipre, de Singapura à Argentina. No Brasil, as chamadas para o 190 aumentaram 3,8% em 2020, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O disque-denúncia de violência doméstica disponibilizado pelo Ministério dos Direitos Humanos recebeu 105 mil chamadas de mulheres neste mesmo período. O aumento de 1,9% dos feminicídios e de medidas protetivas em muitas delegacias e a diminuição de 9,9% de registros policiais de casos de violência contra a mulher, em relação a 2019, sugerem que a pandemia impactou o atendimento a essas mulheres de forma significativa. Esse cenário faz com que cresça a subnotificação desse tipo de violência.

Além da recomendação de isolamento social imposta pela doença, as causas do aumento da violência de gênero são várias e demandam estudos mais aprofundados. Entretanto, já se sabe que contextos de crise sanitária, econômica e social exacerbam a divisão sexual do trabalho, reforçando o papel de cuidado não remunerado que as mulheres historicamente exercem. O desemprego das mulheres e de seus familiares, somado à queda da renda, à volta da fome e ao fechamento das escolas, são fatores que agravam a situação.

A violência de gênero possui múltiplas dimensões e geralmente se apresenta sob mais de uma forma. Sua expressão no ambiente doméstico e familiar é uma das mais difíceis de enfrentar, por ser de autoria de familiar ou de pessoa com quem a mulher mantém relação afetiva. Violências física, psicológica, patrimonial, moral, sexual se misturam e, infelizmente, podem ser o prenúncio de feminicídio.

Com a igualdade de direitos conquistada na Constituição Federal e as medidas previstas na Lei Maria da Penha, houve muitos avanços na configuração do problema e na formação de uma rede de proteção social às mulheres que sofrem violência. No entanto, vale lembrar que apenas em 2021, na decisão da ADPF 779, o STF consolidou o entendimento de que a legítima defesa da honra não pode mais ser alegada em defesa do agressor.

Desde 2003, com a criação da Secretaria de Política para as Mulheres, as políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres são ampliadas e passam a incluir ações integradas de assistência social, saúde, segurança pública e acesso à justiça que proporcionam acolhimento, cuidados e defesa dos direitos. Para avançar no sentido de garantir esse direito a todas, essas políticas precisam ter financiamento e apoio de todas as esferas de governo e da justiça.

É importante, por exemplo, que haja um olhar específico para a violência contra mulheres mesmo em municípios de pequeno e médio porte, onde não há demanda ou equipamentos especializados no atendimento a mulheres. A partir desse olhar, se poderá diagnosticar o problema e construir estratégias de atendimento às mulheres e aos agressores.

Deve-se cuidar para que o atendimento à mulher, especialmente nas delegacias de polícia, não seja tão ou mais violento do que o ato de violência sofrido, reforçando a vitimização ao invés de garantir direitos. Outro ponto importante a ser observado é a articulação em rede dos serviços governamentais e da Justiça e o diálogo permanente com os movimentos de mulheres do território. É essencial, ainda, que a Justiça avance na concessão de medidas protetivas atreladas à resolução de conflitos em processos de divórcios e guarda de filhos.

No atual contexto, faz-se ainda mais urgente a caracterização da violência contra a mulher como grave violação de direitos humanos e a implementação de políticas públicas especializadas e articuladas. Se não fizermos isso, enquanto sociedade, estaremos permitindo o avanço de grandes retrocessos na agenda de direitos das mulheres, duramente conquistados nas últimas décadas.

Sobre as autoras:

Carolina Gabas Stuchi, Alessandra Teixeira e Regimeire Maciel são professoras da UFABC e pesquisadoras integrantes da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC).

Com florestas transformadas em pastagens, Belterra (PA) registra aumento histórico de temperatura

Belterra, por Kleber Patricio

Estudo analisou alterações na temperatura do ar entre 1961 e 2010 no município de Belterra, no Pará. Foto: l_5MJnbrmrs/Unsplash.

Estudo da Embrapa Amazônia Oriental, em colaboração com vários centros de pesquisa brasileiros, entre eles, a Universidade Estadual Paulista e a Universidade Federal de Viçosa, mostra que temperaturas mínimas do município de Belterra, no Pará, foram as mais altas dos últimos 30 anos. A mudança no clima da região pode estar relacionada à transformação de áreas florestais em pastagens, segundo explica o artigo publicado na Revista Brasileira de Meteorologia.

Os pesquisadores queriam avaliar o impacto do ecossistema da Floresta Nacional de Tapajós na temperatura do ar do município de Belterra, que fica próximo a essa unidade de conservação. Para isso, eles analisaram os dados meteorológicos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), focando-se na temperatura média de dois períodos: de 1961 a 1990, quando a Floresta Nacional de Tapajós já existia, e de 1981 a 2010, momento de instalação do polo de grãos no município. A análise permitiu aos pesquisadores estabelecer tendências meteorológicas desses 30 anos, além de apontar anomalias e possíveis relações com eventos climáticos extremos.

De 1981 a 2010, os valores da temperatura média subiram 0,8ºC durante os meses de agosto a dezembro, passando de 25,2ºC para 26ºC. As temperaturas mínimas, registradas nas primeiras horas da manhã, passaram de 20,4º, no começo deste período, para 21,2ºC. As manhãs dos meses de outubro e novembro de 1981 a 2010 foram as mais quentes dos últimos 30 anos, segundo as análises.

Ao registrar aumentos de temperatura na região, os pesquisadores chamam atenção para a diminuição de efeitos de serviços do ecossistema da Floresta Nacional de Tapajós. Os benefícios obtidos da natureza, como alimentos, água potável, formação de solo e regulação do clima, não estão conseguindo chegar a municípios próximos, como é o caso de Belterra.

Uma das explicações para essa mudança no microclima da região está na implantação do polo produtor de grãos no oeste do Pará, em 2000. “Os processos de preparo do solo, por exemplo, dispersam partículas para a atmosfera, contribuindo para a formação de nuvens e impedindo a condução do calor para a atmosfera. Isso possivelmente contribui para o aumento das temperaturas mínimas nas madrugadas em Belterra”, explica Lucas Eduardo de Oliveira Aparecido, coautor do estudo.

A perda de área florestal, com a sua transformação em pastagens, também favorece esse aumento de temperatura, já que as árvores são responsáveis por atuar no ciclo de resfriamento do ar. O desmatamento, que atingiu um de seus piores índices na região, segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), com perda de área equivalente a 58 mil campos de futebol somente em abril de 2021, provoca a liberação de carbono para a atmosfera, contribuindo também para o aumento das temperaturas.

A pesquisa chama atenção para o valor das unidades de conservação como a Floresta Nacional de Tapajós e da necessidade de se fazer políticas públicas para preservá-las. Para Lucieta Guerreiro Martorano, uma das autoras do estudo, essa atuação passa por conscientizar gestores para o uso adequado de recursos naturais, com base em indicadores de sustentabilidade, e incentivo a produtores que adotam práticas de manejo sustentáveis, como plantio direto na palha ou roça sem queima. “Se os produtores rurais na Amazônia não receberem apoio de políticas públicas que incentivem a mudança desse paradigma – de que áreas com floresta não prestam bens e serviços à sociedade –, os problemas relacionados à perda dessas áreas se perpetuarão”, conclui a pesquisadora.

(Fonte: Agência Bori)