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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Cores, formas e ritmos conduzem exposição inédita do artista Rodrigo de Castro na DAN Galeria

São Paulo, por Kleber Patricio

Rodrigo de Castro – sem título, 2021 – serigrafia sobre papel – edição de 60 – 65 x 55 cm.

A construção de obras através de cores, estabelecendo entre si um diálogo harmonioso que remete aos acordes musicais é característica marcante dos trabalhos do artista Rodrigo de Castro. Um conjunto inédito de pinturas e gravuras do artista, editadas em parceria com a Papel Assinado, estão em cartaz até dia 5 de outubro na DAN Galeria na exposição Impressões Cromáticas.

Há quase 20 anos longe do processo da serigrafia, Rodrigo de Castro foi convidado pela Papel Assinado, editora de gravuras dos principais artistas brasileiros, a desenvolver dois álbuns com as suas obras impressas. “A proposta inicial era o lançamento de um álbum de gravuras ao término da exposição em homenagem ao meu pai, em 2020. Depois se tornou algo maior; agora são dois álbuns e uma exposição com muito mais conteúdo, mais obras, ocupando toda a galeria”, explica o artista.

Ao todo, são exibidas 31 gravuras, dez delas, com 40 x 30cm de medida, compõem um dos álbuns, com texto crítico de Enock Sacramento. O outro traz 13 gravuras de 65 x 55cm e texto de Fabio Magalhães. As demais gravuras são avulsas e possuem tamanho de 140 x 40cm. “Rodrigo de Castro evidencia uma inegável poética da precisão ao realizar um trabalho profundamente elaborado, que valoriza a pesquisa, o projeto e a medida sem, contudo, negligenciar a intuição, a espontaneidade e a invenção”, pontua Enock Sacramento.

Nascido em Belo Horizonte e estimulado desde cedo pelo pai, o escultor Amilcar de Castro, os primeiros desenhos e pinturas de Rodrigo já sinalizavam seu interesse pela linha, pelas figuras geométricas e áreas de cor. Na DAN, novas cores, formas e ritmos elaborados pelo artista também estão representadas em dez pinturas sobre tela e papel de tamanhos distintos que compõem a mostra. “Ao passar dos anos, você vai encontrando, descobrindo e querendo novas relações de cores, então essa mudança vai se refletir no trabalho mais recente. Eu sempre faço um paralelo com a música, porque o que busco com meu trabalho são acordes de cores, notas diferentes para compor determinada obra”, explica Rodrigo de Castro.

Rodrigo de Castro – sem título, 2021 – serigrafia sobre papel – edição de 60 – 40 x 30 cm.

Como parte da programação da mostra, a DAN promove um bate papo entre os artistas Rodrigo de Castro e Fabio Magalhães para analisar e discorrer sobre as pinturas e gravuras que compõem Impressões Cromáticas. A conversa acontece dia 2 de outubro, às 11h, na Galeria. Para participar, é necessário se inscrever pelo WhatsApp da Galeria.

Rodrigo de Castro | A formação de engenheiro certamente contribuiu, pelo menos em escala centesimal, para a arte que o mineiro Rodrigo de Castro realiza hoje. Tendo trabalhando anos em São Paulo na área da tecnologia antes de dedicar-se inteiramente à criação artística, familiarizou-se com a pesquisa, o projeto, a medida e a precisão.

Nascido em Belo Horizonte em 1953 e estimulado desde cedo pelo pai Amilcar de Castro a fazer arte, seus primeiros desenhos e pinturas já sinalizavam seu interesse pela linha, pelas figuras geométricas e áreas de cor. A prática do desenho e da pintura por Rodrigo continua quando seu pai se muda com a família para os Estados Unidos, em 1968, em função da conquista do Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Arte Moderna e da obtenção de uma bolsa de estudos da Guggenheim Memorial Foundation. E tem sequência na sua volta ao Brasil, três anos depois. O ponto de inflexão de carreira de Rodrigo de Castro ocorreria sete anos depois, quando ele participa do 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto, SP, no qual é distinguido com o prêmio máximo da mostra. A partir de então, sua carreira deslancha e as exposições coletivas e individuais se multiplicam, no Brasil e no exterior.

Paralelamente, Rodrigo estuda na Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo e, sem abandonar sua arte, trabalha na área de tecnologia até 2000, quando monta ateliê no mesmo prédio em que mora com a família em São Paulo e passa a dedicar-se exclusivamente à sua arte.

Serviço:

Impressões Cromáticas de Rodrigo de Castro

Período expositivo: até 5 de outubro de 2021

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 19h e aos sábados, das 10h às 13h

Local: DAN Galeria

Endereço: Rua Estados Unidos, 1638, Jardins, São Paulo/SP

(11) 3083-4600

https://www.dangaleria.com.br

Instagram: @dangaleria.

(Fonte: a4&holofote comunicação)

Turismo: 8 museus subaquáticos para conhecer pelo mundo

Mundo, por Kleber Patricio

Mergulho na Nascente Azul (Bonito/MS). Foto: divulgação.

Museus subaquáticos estão presentes em cada vez mais destinos em todo o mundo. A ideia de criar instalações artísticas submersas vai além do turismo e passa pela preservação do meio ambiente. Esse tipo de atração não só estimula a conscientização ambiental, com obras que propõem aos visitantes momentos de reflexão e tratam de questões atuais, como também possibilita uma integração única da arte humana com a natureza. Conheça alguns museus subaquáticos que são destaque pelo mundo:

Museu Subaquático de Bonito – Bonito (MS), Brasil | Na Nascente Azul, famoso complexo de ecoturismo, o Museu Subaquático de Bonito deve ser inaugurado até o final de outubro e será o único do mundo em um ambiente de água doce. Na primeira exposição, as estátuas submersas, criadas por artistas locais, vão tratar de temas como a sustentabilidade e a preservação ambiental. O museu será instalado em um lago com cerca de 4 metros de profundidade, com águas correntes vindas direto da nascente e uma rica biodiversidade. Com alta concentração de calcário, essas águas vão aos poucos transformar as obras de arte do museu, que serão por fim resultado de um trabalho feito em conjunto pelo ser humano e pela natureza. As peças em exposição vão se integrar ao próprio habitat dos peixes.

Museu Subaquático de Arte – Cancún, México | Entre a costa de Cancún e a Isla Mujeres, o Museu Subaquático de Arte (MUSA) é uma das atrações mais populares do destino desde sua inauguração em 2009. São mais de 500 esculturas submersas criadas em sua maioria por Jason deCaires Taylor, artista britânico que foi o precursor dessas grandes instalações artísticas no fundo do mar. As estátuas são de cimento com pH neutro, oferecendo uma plataforma segura para o crescimento de corais. É possível admirar as obras durante o mergulho, o snorkeling ou ainda em passeios de barco com fundo transparente. O museu é dividido em dois salões: Manchones (8 metros de profundidade) e Punta Nizuc (4 metros).

Parque de Esculturas Subaquáticas de Granada. Foto: iStock/Anfisa Tukane.

Parque de Esculturas Subaquáticas de Granada – Granada | Criado em 2006 também por Jason deCaires Taylor, o parque é considerado o primeiro museu de arte subaquática do mundo. Localizado na costa oeste de Granada, pequeno país do Caribe, conta com 75 obras espalhadas em 800 m², em profundidades que variam entre 5 e 8 metros. Depois de ser muito danificada com a passagem do furacão Ivan em 2004, essa área foi transformada com a instalação do Parque de Esculturas, que ajudou a proliferar novos corais e a afastar os turistas dos frágeis recifes que conseguiram sobreviver.

Museu Atlântico – Ilha de Lanzarote, Espanha | Localizado no arquipélago das Ilhas Canárias, este é o primeiro museu subaquático da Europa, instalado em 2016. São 300 esculturas criadas por Jason deCaires Taylor, a uma profundidade média de 14 metros na Baía de Las Coloradas. Além de abrigar corais, o museu costuma atrair também tubarões, arraias, polvos, cardumes de barracudas e outras espécies. As obras trazem mensagens atuais impactantes, como a que representa os refugiados que cruzam o Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor na Europa.

Museu Subaquático de Cannes – Cannes, França | Inaugurado em fevereiro de 2021, o museu é a primeira instalação de arte de Jason deCaires Taylor no Mediterrâneo. Fica junto à ilha de Sainte-Marguerite, a uma curta distância da costa de Cannes. Ali há seis enormes retratos tridimensionais, cada um com 2 metros de altura, esculpidos a partir de rostos reais de moradores da região. Por estar em águas mais rasas e cristalinas, o museu é ideal para ser visitado com equipamento de snorkel.

Museu de Escultura Subaquática Ayia Napa – Ayia Napa, Chipre | Também no Mediterrâneo, o Museu de Escultura Subaquática Ayia Napa (MUSAN) é ainda mais recente – foi inaugurado em agosto deste ano. Com 93 obras, muitas delas em formato de grandes árvores, o local mais parece uma densa floresta submersa. Entre as árvores, há estátuas de crianças, que representam a necessidade de criar um futuro em que a humanidade viva em harmonia com a natureza. O museu pode ser visitado por mergulhadores ou praticantes de snorkeling.

Museu de Arte Subaquática – Townsville, Austrália | Primeiro museu subaquático do hemisfério sul, o MOUA fica em um local particularmente especial: a Grande Barreira de Corais. A primeira instalação submersa do museu está no recife John Brewer, a cerca de 80 km da costa de Queensland, e é chamada de The Coral Greenhouse (“A Estufa de Coral”). Criada por Jason deCaires Taylor, é uma enorme estrutura de cimento com pH neutro e aço inoxidável resistente à corrosão, na forma de uma estufa de plantas, que aos poucos será ocupada pela biodiversidade marinha. O objetivo do MOUA é conscientizar sobre a importância da conservação dos recifes.

Museu de Arte Subaquática – Walton County (Flórida), Estados Unidos | Os Estados Unidos têm seu próprio museu subaquático desde 2018, o UMA, localizado nas águas esmeraldas do Golfo do México. Fica a pouco mais de 1 km do Grayton Beach State Park, e agências levam os mergulhadores até o local em passeios de barco. Assinadas por artistas de todo o mundo, novas obras são adicionadas à coleção a cada ano e instaladas a uma profundidade de quase 18 metros. Os materiais utilizados não contêm toxinas ou poluentes e ajudam no desenvolvimento de um novo recife.

(Fonte: Assimptur)

Trupe Baião de 2 estreia temporada “Caminho da Saracura” com lives e lançamento de vídeo arte

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Nirely Araújo.

No dia 1º de outubro de 2021, o bairro do Bixiga completa 143 anos. Em comemoração a essa data e também ao Dia Mundial dos Rios, celebrado em 26 de setembro, a Trupe Baião de 2 – grupo circense de pernaltas formado por Rachel Monteiro e Guilherme Awazu no Bairro do Bixiga –, realiza o lançamento do vídeo arte Caminho da Saracura.

As apresentações serão realizadas no Facebook do CAQLC – Centro de Apoio à Qualificação da Linguagem Circense e da Trupe Baião de 2 nos dias 2 e 3 de Outubro, às 12h e 20h.

O projeto audiovisual foi gravado na estreia de Caminhos da Saracura, espetáculo de rua com elenco formado por Aipim, Alex Bingó, Guilherme Awazu, Karen Nashiro, Lemon Yce e Rachel Monteiro que passa por espaços emblemáticos do Bixiga convidando a população para conhecer ou relembrar a história do bairro e do Vale do Saracura, um dos rios mais importantes da cidade que foi escondido abaixo da Avenida 9 de Julho, quando a cidade se transformou com o processo de urbanização. “Assim como o apagamento da memória dos povos originários, a violenta arquitetura aqui consolidada levou também ao apagamento dos rios. Buscamos desenterrar o Rio Saracura, sua memória e a memória dos povos que foram invisibilizados com ele, entendendo que tornar invisível um rio torna também invisível a contação da história de um povo”, explica a Trupe.

Foto: Nirely Araújo.

Preparando o público para o lançamento, uma série de lives será realizada no Instagram e Youtube com a equipe de criação de Caminho da Saracura.

No dia 27 de setembro (segunda-feira), às 15h00, acontece uma live de bate-papo com o tema Direção e Processo de Criação, com participação de Mafalda Pequenino, que assina a direção do espetáculo. Mafalda é atriz e assistente de direção da Grande Cia Brasileira de Mystérios e Novidades” coordenadora, coreógrafa e diretora artística dos Pernaltas do Orun, do grupo afro Ilú Obá de Min, diretora do Núcleo Catappum de Palhaçaria Preta e apresentadora do programa infantil Quintal da Cultura, dirigido por Bete Rodrigues e exibido na TV Cultura.

No dia 28 de setembro (terça-feira), às 12h00, o tema é Acrobacia em grupo e acrobacia em grupo nas pernas de pau, com a convidada Rubia Neiva, artista e professora circense, produtora e diretora artística com trinta anos de atuação, incluindo passagens internacionais e fundadora da Troupe Guezá. A artista realizou a preparação acrobática deste projeto.

Na quarta-feira, dia 29 de setembro, às 10h00, a conversa é sobre Música e o Movimento, com o músico, compositor e multi instrumentista Ivan Alves, que assina a direção musical e trilha sonora do projeto e de outros espetáculos de circo, teatro e audiovisual, entre eles Masha e o Urso.

No dia 30 de setembro, às 13h30, a conversa é com Juliana Bertolini, que é designer, Professora e Pesquisadora na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, integrante do Sisterhood Project e responsável pelo figurino de Caminho da Saracura.

Caminho da Saracura é um projeto iniciado em janeiro de 2021 com uma intensa pesquisa sobre as origens do bairro do Bixiga que, apesar de reconhecido pela predominância de imigrantes italianos, possui uma identidade própria relevante e pouco conhecida. Além de ter sido uma grande trilha indígena, no entorno do Vale do Saracura, rio que foi obstruído com tampão se tornando invisível para a cidade, foi construído o primeiro quilombo urbano da cidade.

A intervenção começa em frente à antiga sede da Escola de Samba Vai-Vai, segue em cortejo pelas ruas Dr. Lourenço Granato, Alameda Marques de Leão, Conselheiro Carrão e Santo Antônio e finaliza na escadaria da Rua Almirante Marques de Leão, transitando simbolicamente como um rio.

Com elementos acrobáticos, teatro físico, música e comicidade, as cenas constroem uma narrativa de lembranças destes territórios e faz referência também ao pássaro Saracura, ave de pernas longas e finas, tão abundante naquela região por volta de 1920, que tornou-se o nome do rio.

As ações fazem parte do projeto Caminho da Saracura, contemplado no edital ProAC  Expresso Lei Aldir Blanc nº 49/2020, Premiação Circo No Estado de São Paulo.

FICHA TÉCNICA: Intérprete Criadores – Aipim, Alex Bingó, Guilherme Awazu, Karen Nashiro, Lemon Yce e Rachel Monteiro | Direção Geral e Roteiro – Mafalda Pequenino | Preparação Acrobática – Troupe Gueza com Rubia Neiva | Figurinos – Juliana Bertolini | Costureiras: Francisca Lima e Alecrim Marques | Direção Musical e Trilha Sonora – Ivan Alves | Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini | Assistente de Produção: Jeronimo Ali | Produção Executiva: Linha 3 Produções com Gisele Tressi |  Equipe de filmagem: Daniela Gonçalves, Michel Igielka e Gabriel Azevedo | Fotografias: Nirely Araujo | Arte gráfica: Lohann Kundro | Equipe de Apoio: Antonio Carneiro e Jéssica Amorim | Segurança: Rodrigo Bandeira | Realização: Trupe Baião de 2.

Serviço:

Temporada Caminho da Saracura com Trupe Baião de 2 e artistas convidados

Grátis – Classificação Livre

Temporada de lives Processo de Criação Caminho da Saracura

Onde assistir: Instagram Caminho da Saracura (www.instagram.com/caminhodasaracura) e Youtube da Trupe Baião de 2 (YouTube.com/trupebaiaode2)

Quando: 27 de setembro (segunda-feira) – Horário: 15h00 – Tema: Direção e Processo de Criação – Com: Mafalda Pequenino

Quando: 28 de setembro (terça-feira) – Horário: 12h00 – Tema: Acrobacia em grupo e Acrobacia em grupo nas pernas de pau – Com: Rubia Neiva

Quando: 29 de setembro (quarta-feira) – Horário: 10h00 – Tema: Música e o Movimento – Com: Ivan Alves

Quando: 30 de setembro (quinta-feira) – Horário: 13h30 – Tema: Acrobacia em grupo e Acrobacia em grupo nas pernas de pau – Com: Rubia Neiva

Lançamento do vídeo arte Caminho da Saracura

Quando: 2 de outubro de 2021 (sábado) – Horários: 12h00 e 20h00 (duas sessões)

Onde assistir: Facebook do CAQLC – Centro de Apoio à Qualificação da Linguagem Circense – Link: www.facebook.com/caqlcsp

Quando: 3 de outubro de 2021 (domingo) – Horário: 12h00 e 20h00 (duas sessões)

Onde assistir: Facebook da Trupe Baião de 2 -Link: www.facebook.com/TrupeBaiaoDe2.

(Fonte: Luciana Gandelini/Assessoria de Imprensa)

Lideranças plurais conseguem transformar realidades nas favelas

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Jorge Maruta/Jornal da USP.

Construídas de forma colaborativa e coletiva, as lideranças das favelas lembram muito pouco a imagem de liderança de um único indivíduo que se coloca como um representante de determinado grupo. Em capítulo de livro publicado na quarta (29) pela Emerald, pesquisadores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP), discutem as peculiaridades das lideranças de comunidades e mostram que essa forma de organização é eficiente em gerar impacto local, transformando a realidade de vulnerabilidade social e econômica de suas comunidades.

O capítulo, resultado de um estudo qualitativo, traz depoimentos de líderes e residentes de três favelas pesquisadas em São Paulo. Essa publicação mostra as formas como as comunidades se esforçam em reduzir as vulnerabilidades sociais e econômicas locais por meio de práticas de liderança. Segundo os pesquisadores, ficou evidente que as lideranças se formam como uma resposta para necessidades bastante locais e geralmente estão associadas a um propósito compartilhado por aquela comunidade. “O que mais nos impactou foi perceber a transformação gerada pelas lideranças e residentes diante de um estado ausente e da falta de políticas públicas”, relata Renato Souza, da FGV EAESP, um dos autores do capítulo. “A ação coletiva tem sido a solução prática que consegue reduzir a vulnerabilidade dessas localidades”, ressalta o pesquisador.

Apesar da capacidade de coordenar a realização de atividades e ações de maneira eficiente e com impacto local, as lideranças que emergem podem não se reconhecer ou se chamar de líderes, principalmente por entenderem que estão “ecoando” uma necessidade local. Dessa forma, é como se os líderes comunitários nas favelas fossem tanto líderes de um grupo quanto “liderados” pelos desejos e necessidades daquele coletivo, e as dinâmicas das relações que se estabelecem torna complexo determinar, em muitos casos, quem lidera e quem é liderado.

A ausência de hierarquia ou de posições formais de autoridade não impede que cada coletivo trabalhe para criar as condições de transformação social necessárias. Muitas vezes, a pluralidade é inclusive benéfica, porque nenhum indivíduo da favela consegue, de maneira solitária, “fazer a ponte” com influenciadores ou legitimadores que possam ajudar a avançar questões sociais de difícil solução. “A multiplicidade e a pluralidade de residentes que são reconhecidos como lideranças e que surgem para endereçar diversos problemas locais (como educação, habitação e violência) ampliam o impacto e o potencial de transformação dessas ações e a sua abrangência nas comunidades”, explica Souza.

No correr do capítulo, uma das principais provocações dos pesquisadores é que, quando se fala sobre o desenvolvimento de lideranças, muitas vezes o significado é muito voltado a uma questão individualista, pensando em desenvolver líderes. O que a favela traz é uma nova dinâmica, que exige pensar a perspectiva da liderança coletiva, na qual líderes e liderados constroem juntos a liderança e os seus resultados. “É preciso repensar o desenvolvimento da liderança para que as ações não fiquem restritas aos indivíduos em posição formal de autoridade, mas que coloque mais ênfase nos aspectos relacionais e coletivos de um grupo, equipe ou organização”, sugere o pesquisador.

(Fonte: Agência Bori)

Redução de sódio em alimentos industrializados pode evitar cerca de 200 mil casos de hipertensão

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens.

A redução de sódio — nutriente muito relacionado ao sal — em alimentos industrializados em um período de 20 anos pode evitar mais de 180 mil novos casos de hipertensão arterial e mais de 2 mil mortes por doenças cardiovasculares. A previsão é de um estudo da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Liverpool, no Reino Unido, publicado na revista “BMC Medicine” na terça (28).

A análise partiu do acordo de redução voluntária de sódio firmado entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, que incentivou, entre 2011 e 2017, a redução de 8 a 34% da quantidade média do nutriente em alimentos processados e ultraprocessados. O trabalho incluiu o desenvolvimento de um modelo de simulação do impacto da redução de sódio até 2032, comparando-o com um cenário no qual não há esforços para a redução. A previsão foi baseada nas reduções voluntárias em alimentos industrializados registradas em pesquisas nacionais de rotulagem de 2013 e 2017, em inquéritos nacionais de saúde e consumo alimentar e em dados de sistemas de informação em saúde do SUS.

O estudo é relevante principalmente para um país como o Brasil, onde o consumo diário de sódio é aproximadamente o dobro dos dois gramas recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “O consumo excessivo de sódio deve ser tratado como prioridade na agenda de saúde e a redução desse consumo tem impacto em todas as idades, independentemente de serem pessoas hipertensas ou não”, diz Eduardo Nilson, cientista responsável pela pesquisa.

Para além dos impactos positivos na saúde da população, a análise aponta que a redução de sódio é benéfica para a economia: pode poupar cerca de 220 milhões de dólares em custos em tratamento médico no Sistema Único de Saúde e mais de 70 milhões de dólares em custos informais com as doenças pela população. “Mais casos de hipertensão e mortes podem ser evitados se o Brasil adotar políticas obrigatórias, e não apenas voluntárias, de redução de sódio em alimentos industrializados, envolvendo mais categorias e limites ainda menores. Além disso, considerando as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de sal de mesa também são medidas importantes para atingir as recomendações da OMS”, comenta o cientista.

(Fonte: Agência Bori)