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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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3º Festival de Música Instrumental de Indaiatuba tem inscrições abertas até 24 de outubro

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Thomas de Oliveira Caballero foi eleito o Destaque do Festival de Música Instrumental na edição 2020. Foto: divulgação.

Estão abertas as inscrições para o 3º Festival de Música Instrumental de Indaiatuba (Femusin), promovido pela Secretaria de Cultura de Indaiatuba. Os objetivos são incentivar a produção instrumental regional, fomentar este gênero musical e revelar novos talentos. Os interessados têm até 24 de outubro para envio de documentos e obras. O Edital para Participação está disponível no site da Prefeitura.

“O Festival de Música Instrumental vem crescendo a cada ano e em 2021 será realizado novamente de forma virtual”, destaca a secretária de Cultura Tânia Castanho. “Teremos quatro diferentes etapas: Inscrição, Eliminatória, Final e Premiação. Pedimos aos músicos que leiam atentamente o edital e que todos participem para que possamos, cada vez mais, fomentar a música instrumental e revelar novos talentos”.

Podem participar do Femusin coletivos eruditos e populares e solistas eruditos e populares, compostos por participantes residentes em Indaiatuba ou com atuação musical comprovada na cidade. Para participar, é necessário que os integrantes participantes em todas as categorias tenham, no máximo, 29 anos de idade até a data de início das inscrições. Cada participante poderá concorrer em até duas categorias diferentes com uma música por categoria inscrita.

Além dos documentos, os inscritos deverão enviar um vídeo, que será analisado pela Comissão Julgadora. Os critérios de avaliação serão idade dos participantes; interpretação, que engloba expressão musical, afinação e contextualização estilística da obra; composição executada, que envolve nível de dificuldade técnica e qualidade de execução e, por último, desempenho musical, em que serão avaliados criatividade, técnica e entrosamento.

Os quatro melhores avaliados pela comissão em cada categoria passam para a etapa final e o resultado será divulgado às 10h do dia 4 de novembro, no portal Cultura Online (www.indaiatuba.sp.gov.br/cultura-online/) e demais canais de comunicação oficiais da Prefeitura de Indaiatuba.

Voto popular | As performances dos finalistas serão registradas no formato “ao vivo” e disponibilizadas à população no portal Cultura Online a partir das 20h do dia 15 de novembro. Até o dia 21, os internautas poderão deixar o seu voto. Os três participantes mais votados receberão três, dois e um ponto, respectivamente, que serão acrescidos à média da pontuação oferecida pela Comissão Julgadora.

A Comissão Julgadora será formada por três profissionais ligados à música, que darão seus votos de zero a dez. O resultado oficial com os vencedores será divulgado a partir das 10h do dia 23 de novembro no portal Cultura Online e nos canais de comunicação oficiais da Prefeitura de Indaiatuba.

Melhor Coletivo Erudito e Melhor Coletivo Popular levam R$4 mil cada, Melhor Solo Erudito e Melhor Solo Popular garantem R$2 mil cada e o Melhor Destaque Geral será premiado com R$1 mil. Mais informações pelos telefones (19) 3825-2057 ou 3894-1867.

Serviço:

3º Festival de Música Instrumental de Indaiatuba

Inscrições: até 24 de outubro

Onde: www.indaiatuba.sp.gov.br/cultura/concursos/festival-de-musica-instrumental-de-indaiatuba/

Informações: (19) 3825-2057 ou 3894-1867.

(Fonte: Fabio Alexandre/Assessoria de Comunicação-PMI)

Fogo já impactou 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama.

Em quase duas décadas, 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia já foram impactadas por incêndios. É o que mostra estudo publicado na revista “Nature” no dia 1º de pesquisadores da Universidade do Arizona, com participação de pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com apoio do Instituto Serrapilheira.

O estudo buscou identificar quanto da distribuição das espécies da Amazônia brasileira foi atingida pelos incêndios florestais entre os anos de 2001 e 2019. Por meio de imagens de satélites, os pesquisadores mapearam o fogo e sobrepuseram essas imagens com mapas que mostram as áreas de ocorrência de 11.514 espécies de plantas e 3.079 espécies de animais a fim de quantificar a extensão da área impactada para cada espécie. Para algumas espécies, mais de 60% da área original sofreu impacto dos incêndios nesse período de quase 20 anos.

Nas análises, Mathias Pires, pesquisador da Unicamp e um dos autores, identificou a ocorrência do fogo em áreas bem mais centrais da Amazônia nos últimos anos e não só naquelas que estão nos limites do bioma, que são áreas mais propensas a incêndios devido ao clima mais seco. No primeiro caso, as queimadas são causadas pela ação humana para transformar a floresta em pasto para gado.

Além de causar a morte de animais, o fogo também transforma o habitat das espécies, comenta Pires. “As plantas amazônicas não têm adaptações ao fogo como as plantas do Cerrado, por exemplo, e geralmente morrem após a passagem do fogo, transformando a floresta fechada em ambientes abertos”. O pesquisador afirma que as mudanças climáticas tornarão essa região mais seca, favorecendo ainda mais o aparecimento de incêndios.

Os ciclos do fogo na Amazônia | O estudo identificou, também, três grandes ciclos de incêndio na Amazônia, que se relacionam com os momentos políticos do país: até 2008, os incêndios eram mais frequentes e impactavam uma área bem maior; já entre 2009 e 2018, com as políticas de controle de desmatamento, mesmo com o tempo seco, conseguiu-se evitar os incêndios. Em 2019 houve um impacto do fogo maior do que esperado, o que coincide com o relaxamento de aplicação dessas políticas pelo governo. “Nosso estudo destaca uma conexão muito estreita entre a política brasileira, o desmatamento e as queimadas na Amazônia”, comenta o pesquisador da UFMG Danilo Neves, coautor da pesquisa. Para reverter essa situação, seria preciso investir na fiscalização e monitoramento das queimadas na região. “Caso contrário, mais espécies serão impactadas e ecossistemas inteiros entrarão em colapso”, alerta.

(Fonte: Agência Bori)

VII Mostra Jazz Campinas acontece de 2 a 5/9

Campinas, por Kleber Patricio

O Anelo Sexteto, que se apresentará na mostra. Foto: Eduardo Silva.

A Mostra Jazz Campinas, que este ano acontece de 2 a 5/9, traz pelo sétimo ano consecutivo uma programação repleta de shows, workshops e mesas de debates, tudo em formato online para o público devido à pandemia. Serão 12 apresentações musicais ao vivo, envolvendo 41 músicos e 12 DJs com performances jazzy ao vivo, além de 5 workshops e 2 mesas de debates. Nesta edição, a Mostra Jazz acontece em duas partes: a Mostra em Casa, na quinta e sexta-feira (2 e 3/9), com atividades e shows online direto da casa ou estúdio de cada artista, localizados em diversas partes do país e do mundo, e o Palco Mostra, no sábado e domingo (4 e 5/9), com transmissão ao vivo de shows direto dos palcos montados no Centro Cultural Casarão, em Campinas/SP, seguindo todas as medidas de segurança.

Entre os destaques este ano, estão o ex-integrante do Sambalanço Trio Aluízio Pontes (foi substituto do grande César Camargo Mariano no trio) e, também, a apresentação do 678 Trio, formado por três grandes músicos que têm reconhecimento internacional: os pianistas Aluízio Pontes e Marcos Pontes Caixote e o percussionista/baterista João Parahyba. Outro destaque será o show D’Elia, Matsuda & Saggiorato convidam Rubinho Antunes, no domingo 5/9, com nomes importantes da música instrumental, como Pepa D’Elia, Ricardo Matsuda, Ronaldo Saggiorato e Daniel D’Alcantara, entre outros shows (confira no site a programação completa) .

Este ano a Mostra Jazz traz também em sua programação onze DJs tocando live sets jazzy, incluindo atrações internacionais como Sam Tweaks, da Inglaterra, DJ Center, dos EUA e Babeefunk, do Japão. A Mostra traz também workshops de instrumentos (veja no site informações sobre inscrições) e as mesas de debates Cultura em tempos pandêmicos: políticas e ações culturais durante a pandemia e Resistências no Jazz: formas de protesto na música afro-americana e seus desdobramentos.

Sobre a Mostra Jazz Campinas | Desde 2015 acontece anualmente a Mostra Jazz Campinas, um grande encontro de artistas do cenário instrumental da cidade de Campinas/SP e região aberto ao público e produzido pela Zumbido Cultural, realizado com muita paixão pela arte, cultura, produção e vontade de ver os cantos da cidade recheados de música fora do circuito comercial em busca da ampliação dos horizontes, da difusão da arte e de possibilitar diferentes camadas da sociedade o acesso ao jazz e suas vertentes, mostrando na prática que este estilo não é elitista ou exclusivo de apenas uma parte da sociedade, mas que sim, arte é de todos e para todos.

A cada ano, a Mostra acontece graças aos recursos que consegue alcançar com parceiros e apoiadores. Este ano, pela primeira vez, será realizada com patrocínio de lei de incentivo, premiada pelo ProAC – Lei Aldir Blanc. E a Mostra acontece a cada ano, se adaptando aos seus recursos e às condições atuais; de 2015 a 2019, realizada presencialmente, tomando cantos, praças, ruas, bares da cidade e, em 2020, sendo realizada toda de maneira remota, com transmissões online com todos em suas casas, respeitando as orientações da OMS e SUS.

Serviço:

VII Mostra Jazz Campinas

De 2 a 5 de setembro de 2021

Programação gratuita o dia todo

Mostra em Casa

2 e 3/9 com DJs, Workshops e Mesas

Palco Mostra

4 e 5/9

Apresentações musicais ao vivo (transmitidas pelo YouTube, sem público presencial)

Transmissão online ao vivo em: www.youtube.com/mostrajazzcampinas

Programação e outras informações em: www.mostrajazzcampinas.art.br

Mostra em Casa (2 e 3/9) com DJs, workshops e mesas.

(Fonte: Marina Franco Assessoria de Imprensa) 

Castro Mendes recebe espetáculo ‘Devaneio’ na sexta (3)

Campinas, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

O Teatro Castro Mendes, em Campinas, recebe na sexta-feira, 3 de setembro, o espetáculo Devaneio – Sinfonia a Três – Piano. O evento será transmitido, a partir das 16h, pelo Youtube da companhia (https://www.youtube.com/user/cesarossiterra). No mesmo dia, às 17h30, haverá oficina de palhaçaria e comicidade física, também virtual. É preciso fazer inscrição por meio do link https://forms.gle/6wjsogjq4ieZp42W6. A realização é da Companhia Cia. Tempo Cyr Wheel, por meio do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e ProACLab, Lei Aldir Blanc com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas.

O espetáculo faz parte de uma trilogia de espetáculos abordando a sonoridade e ritmos musicais provenientes dos instrumentos de corda. O primeiro espetáculo da trilogia, que teve sua estreia no ano de 2018, se chama Devaneio – Sinfonia a Três – Violino.

No espetáculo Devaneio sinfonia a três: um soneto para piano e circo, o público verá um espetáculo de circo, com imagens do imaginário de um homem que escuta os ruídos de pássaros. Um homem anda pelo espaço com sua máquina de escrever. Ele escuta o som dos pássaros, olha no espaço procurando para ver se os encontra em algum lugar, mas ele não os vê. Aquele som de pássaros o inspira a escrever; sentado em uma cadeira, ele vai datilografando um poema, poema que se transforma em imagens. Seu devaneio se materializa com sua escrita, que vai se transformando em música.

O piano começa a tocar suavemente criando uma música com a máquina de escrever, um homem com uma máscara de pássaro surge no espaço, ele é a imagem do escritor. Ele começa a andar e andar pelo palco, até que a caminha vira uma corrida e esse corpo que corre começa a dançar, a preencher o espaço com sua coreografia. A partir desse momento, as imagens que estavam dentro da cabeça do escritor tomam conta do espaço; seus devaneios, desejos se manteriam através dos números circenses.

Oficina | Na Oficina de Palhaçaria e Comicidade Física serão abordados os pontos que compõem o universo da palhaçaria, com temas como técnicas corporais, a comicidade física e entradas clássicas de palhaço e com exercícios de percepção espacial, temporal e coordenação, além de exercícios em duplas para ampliar o repertório de práticas acrobáticas e reprises clássicas de palhaço.

No elenco, Ronaldo Aguiar, Cesar Rossi e Rodrigo Zanettini. A direção é de Ronaldo Aguiar. Mais informações nos canais da Cia Tempo:

Site: http://www.ciatempo.com/

Instagram: https://www.instagram.com/ciatempo/?hl=pt-br

Facebook: https://www.facebook.com/ciatempo.

(Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas)

Paço Imperial inaugura exposição “O Som do Tempo ou tudo que se dá a ouvir”, de Ursula Tautz

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Detalhe da exposição “O som do tempo”. Fotos: divulgação.

No dia 9 de setembro, o Paço Imperial inaugura a exposição O Som do Tempo ou tudo que se dá a ouvir, com uma grande instalação inédita da artista carioca Ursula Tautz com curadoria de Ivair Reinaldim.

Resultado de cinco anos de pesquisa, a instalação aborda o tempo e a memória. Composta por nove toneladas de terra negra em formato de pirâmide, que soterram uma cadeira com braços e alto espaldar, além de areia dourada e badalos de sinos, a instalação de dois metros de altura é envolta por três filmes que são projetados pelo ambiente. Por meio de uma obra imersiva integrada ao espaço e ao entorno, cada visitante terá uma experiência única na mostra, que irá se transformar ao longo do tempo, com o germinar da terra que integra a instalação. Um desdobramento do trabalho será apresentado na ArtRio, de 8 a 12 de setembro. “A exposição nos trará a oportunidade de presenciar não apenas um trabalho instalativo de arte contemporânea, mas a apreensão de uma experiência singular de montagem de imagens, sons e tempos, num jogo entre memórias pessoais e coletivas, realidade e ficção. Para além do visual ou do sonoro, a mostra é uma experiência para o corpo – um convite para a vivência não virtualizada do mundo”, afirma o curador Ivair Reinaldim.

A exposição tem uma forte carga histórica e foi pensada especialmente para o Paço Imperial, palco de importantes acontecimentos da história do Brasil, como o Dia do Fico, a Abolição da Escravidão e a Proclamação da Independência do Brasil. “A obra tem relação com o nosso País. O trono soterrado pela terra faz alusão à colonização. E, após a pandemia da Covid-19, não foi mais possível desvincular o monte de terra das cenas que vimos todos os dias em consequência das inúmeras mortes causadas pelo vírus. Mas a terra é forte, preta e fértil, enquanto a areia dourada é uma referência às nossas riquezas, revelando a dicotomia do nosso país”, conta a artista Ursula Tautz.

Frame do filme “No Paiz das Amazonas”.

Sobre a montanha de terra, estarão diversos badalos de sinos quebrados – “badalos mudos, parados, que trazem memórias de um tempo congelado, uma tentativa de unir passado e presente”, diz a artista. No entanto, é possível ouvir, de dentro do Paço Imperial, o badalar dos sinos das diversas igrejas ao seu redor, que marcam as horas. O som destes sinos estará sincronizado com os filmes, comandando sua projeção. Quando as badaladas que marcam a meia hora tocarem, os filmes serão paralisados. Quando as badaladas das horas inteiras tocarem, os filmes apagarão e retornarão após o término das badaladas, repetindo o processo ao longo de todo o dia. “São vários tempos conversando ao mesmo tempo: o tempo do agora, marcado pelas badaladas dos sinos, o tempo passado dos filmes, o tempo histórico do Paço Imperial e das igrejas. São diversas maneiras de ver e sentir e cada um terá uma experiência única, particular”, diz a artista, cuja intenção foi criar um ambiente imersivo para os visitantes. “Estamos tão saturados de imagens que a arte tem que te capturar, te transportar para outro lugar”, ressalta.

Os filmes têm a exata duração do tempo que o Paço Imperial fica aberto diariamente – seis horas. Desta forma, cada visitante terá uma experiência distinta. “Ou ele verá um trecho diferente do filme ou não verá imagem nenhuma; ficará apenas diante do grande soterramento com seus cheiros e texturas”, diz a artista. Além disso, a instalação irá se transformar durante o período da exposição. Da terra negra, que é fértil, com certeza germinarão plantas.

“Trata-se de uma instalação impossível de ser narrada e/ou fotografada na sua totalidade, uma vez que nem relatos nem registros são capazes de dar conta das sequências e simultaneidades promovidas pela vivência da matéria, sons e visualidades no ambiente expositivo – fragmentos que, em conjunto, extrapolam aquilo que separadamente evocam”, diz o curador.

Filmes sobre memória | Projetados na parede ao redor da instalação, estarão três vídeos produzidos pela artista, que falam sobre memória, sobre diferentes memórias. No primeiro, estão imagens da viagem da artista para a Polônia, onde foi à cidade da avó materna, Uldersdorf an der Biele, aldeia alemã localizada na baixa Silésia, que hoje não existe mais, pois o território foi devolvido à Polônia após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Neste filme estão diversos tipos de memória: a que ela ouviu e testemunhou da avó alemã, a memória do local e dos moradores, além de imagens da viagem que a mãe dela fez 20 anos antes para o mesmo lugar.

Detalhe da mostra.

No segundo filme, também na Polônia, está a imagem de um estábulo onde passarinhos fizeram seus ninhos e que se relaciona arquitetonicamente com o Terreirinho (espaço no Paço Imperial onde a exposição será apresentada). “São imagens de um transe – os pássaros voando, os sinos tocando, pois quando visitei a cidade era feriado de Corpus Christi e os sinos estavam por todos os lados, nos conventos, nas igrejas, nas procissões e nas ruas”, conta Ursula Tautz.

O terceiro tem como base o filme No Paiz das Amazonas, de Silvino Santos, com imagens da cidade de Manaus no início do século XX. Ele foi o primeiro cinegrafista brasileiro e fez o filme para os seringueiros com o objetivo de livrá-los de acusações de extermínio étnico. Mesmo filmando uma realidade “maquiada”, é uma documentação fundamental, que, aos olhos de hoje, causa indignação. Para a exposição, este filme foi mesclado a vídeos enviados por 18 artistas com imagens oníricas, a fim de se construir uma memória coletiva. “É como se fosse um sonho, com diversas imagens que não necessariamente têm relação umas com as outras, mas que me ajudam a construir uma memória de minha avó manauara, sobre a qual eu nada sei”, afirma a artista. Os artistas que participam do filme são Analu Cunha, Ariana Schrank, Bel Lobo, Bianca Madruga, Carlos Vergara, Claudia Lundgren, Denise Adams, Jozias Benedicto, Juliane Peixoto, Laura Gorski, Letícia Tandeta, Marcos Bonisson, Patrícia Gouvea, Pedro Gandra, Rafael Adorján, Raphael Couto, Renata Solci Cruz e Vitor Mizael.

Cinco anos de pesquisa | Para realizar o projeto, a artista fez uma longa pesquisa, que incluiu a viagem para a Polônia, além de estudos sobre os sinos, sua história, visitação às artesanais fábricas e entrevistas, como, por exemplo, com Manoel dos Sinos, o último sineiro do Rio de Janeiro. “Os sinos são símbolos universais; objetos solenes, marcam as horas, os ofícios e o cotidiano – eles são sinais sonoros de nossa humanidade comum. Os sinos nos acompanham há tempos; eles fazem parte da história humana e de nossos rituais desde o Egito Antigo. Na Idade Média, a Igreja o fixou em suas torres e em nosso cotidiano; os sinos eram marca de poder, controle territorial e celestial; eram vistos como a manifestação concreta da voz de Deus”, escreveu a historiadora Luciana Muniz Sousa no texto que acompanha a exposição.

Detalhe da exposição.

O Paço Imperial está adaptado às regras sanitárias, com medição de temperatura, uso obrigatório de máscara e monitoramento do fluxo de visitantes em todos os ambientes para garantir o distanciamento social recomendado de dois metros.

ArtRio | Como desdobramento da exposição, a artista apresentará na ArtRio deste ano, de 8 a 12 de setembro, um projeto solo no stand da galeria Fasam, onde apresentará o vídeo Tudo que se dá a ouvir e trabalhos que sintetizam o conceito da exposição no Paço Imperial.

O vídeo traz o registro de uma performance inédita, na qual, vestindo calça e camisa de algodão cru e luvas brancas – em referencia ao  filme-propaganda No Paíz das Amazonas, de Silvino Santos – a artista lançará doze badalos de sinos antigos e quebrados (que posteriormente serão expostos no Paço Imperial) contra as paredes do espaço, fazendo toda a caixa metálica ressoar, libertando o som do tempo.

Logo à frente do vídeo estará a memória da performance: a roupa utilizada, um badalo e as luvas. Estarão expostas, ainda, fotografias do filme No Paíz das Amazonas e dois trabalhos compostos por redomas e badalos em diferentes dimensões, areia, cordas e arames dourados, que resumem o conceito desenvolvido.

Sobre a artista | Por proposições multimídia, Ursula Tautz desenvolve experiências artísticas que buscam perverter o tempo cronológico por meio de sua contínua transformação, gerando novas memórias e narrativas. Identidades culturais e históricas são muitas vezes evocadas através do tempo percebido pelo movimento pendular;, seja um som, um balanço ou pelos badalos.

Pesquisando as relações que envolvem o habitar, o pertencer, a artista utiliza a (re) significação do espaço para o desenvolvimento de suas questões. As ocupações tendem ao uso da instalação. Destes trabalhos de grandes dimensões derivam estudos, desenhos, fotografias, objetos, vídeos.

Nos últimos anos, o som vem se apresentando como uma nova forma de experimentação. A artista foi finalista do Prêmio Mercosul das Artes Visuais Fundação Nacional de Arte – Funarte e participou da Siart Bienal 2018 – Bienal Internacional de Arte da Bolívia em La Paz, e da residência artística  Echangeur22, que resultou na exposição Mobilité, Immobilité, La Chartreusse, Villeneuve-lez-Avignon, França, além de ter sido selecionada para a Bienal de Bahia Blanca. Suas obras integram o acervo do Museu de Arte do Rio (MAR).

Serviço:

Exposição O Som do Tempo ou tudo que se dá a ouvir, de Ursula Tautz

Abertura: 9 de setembro de 2021, das 12h às 18h

Exposição: até 21 de novembro de 2021

Paço Imperial – Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro/RJ

Telefone: (21) 2215-2093

De terça a sábado e feriados, das 12h às 18h

Entrada franca

http://amigosdopacoimperial.org.br.

(Fonte: Beatriz Caillaux/Midiarte Comunicação)