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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Mudanças climáticas afetam crescimento e qualidade da madeira de plantios florestais na Amazônia

Amazônia, por Kleber Patricio

Foto: Sarangib/Unsplash.

As mudanças climáticas têm impacto direto no crescimento das árvores e na qualidade da madeira de plantios florestais. Em estudo publicado na segunda (28) na revista “Acta Botânica Brasilica”, pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em parceria com a Teak Resources Company (TRC), apontam uma mudança na dinâmica de crescimento, no período de manutenção de folhas e, consequentemente, na largura dos anéis de crescimento de árvores da espécie Tectona grandis em plantios na Amazônia durante o efeito El Niño.

O estudo foi realizado na região sudeste do estado do Pará, em 12 plantações de Tectona grandi, ao longo de 12 anos (2007-2018). Cada plantação ocupa, em média, 30 hectares. Para alcançar os resultados, os pesquisadores associaram o índice de vegetação (NDVI – Normalized Difference Vegetation Index), obtido através de imagem de satélite, com a dendocronologia, que estuda a datação dos anéis de crescimento das árvores.

Os pesquisadores estabeleceram correlação entre as variáveis climáticas e sua duração com a largura do anel de crescimento das árvores antes e após o El Niño. As árvores naturalmente possuem períodos de maior crescimento, quando o índice de vegetação varia. Isto ocorre nas diferentes estações do ano, durante os períodos de chuva e de seca. Porém, o estudo mostra que na ocorrência de El Niño esse período de crescimento é reduzido.

“O estudo demonstrou que essas alterações do clima afetam diretamente o crescimento das árvores”, aponta João Vicente Latorraca, co-autor do estudo. O cientista também destaca que as alterações na madeira impactam diretamente o comércio. “A lógica é menos madeira, menos capital. A espécie Tectona grandis possui um viés comercial, então precisamos levar em conta o impacto nesse setor”, comenta.

A pesquisa, que propõe pela primeira vez a relação entre dados dendocronológicos com índices de vegetação para o estudo dessa espécie plantada na região amazônica, chama a atenção para os efeitos das mudanças climáticas em longo prazo. “Diante das pressões que as florestas nativas vêm sofrendo, os plantios florestais ocuparam espaço na cadeia produtiva de produtos florestais. Assim, a relevância do nosso estudo é alertar para sociedade os impactos que as mudanças climáticas têm na produtividade de plantios florestais na Amazônia”, explica o cientista Fábio Henrique Della Justina do Carmo, também autor do estudo. “Além disso, a pesquisa apresenta a possibilidade de uso de ferramentas do sensoriamento remoto, com aquisição de dados de forma rápida e menos onerosa, para predição do crescimento da espécie estudada”, complementa.

(Fonte: Agência Bori)

Metade dos pacientes internados por Covid têm pior qualidade de vida meses após alta hospitalar

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Foto: Paula Fróes/GovBA.

Ao revisar trabalhos que consideraram os aspectos físicos, mentais e sociais de pacientes que foram internados por Covid-19, pesquisadores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais, observaram que impacto negativo da internação persiste meses após a alta hospitalar em até 51% dos pacientes — afetando mais mulheres e idosos com comorbidades. O estudo está publicado na edição de segunda (28) da “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical”.

A revisão de literatura foi feita a partir da busca de informações nas seis principais bases de dados científicos da área (MEDLINE, EMBASE, CINAHL, Web of Science, LILACS e Scopus), considerando estudos sobre qualidade de vida e o bem-estar social de pacientes afetados após a internação por Covid-19 publicados de 2020 a 2022. Dos mais de três mil artigos encontrados, 24 foram selecionados para análise, já que consideraram os aspectos físicos, mentais e sociais dos pacientes. Um dos dados observados é que os sintomas da Covid-19 geralmente costumam persistir por mais de 30 dias após a alta médica.

“A literatura nos mostra que a qualidade de vida no paciente pós-Covid-19 está comprometida tanto nos aspectos físicos como mentais, principalmente pela presença de dor, desconforto, ansiedade e depressão. Cerca de 15% a 51% dos pacientes hospitalizados apresentaram pior qualidade de vida após meses da alta hospitalar, independentemente da gravidade da doença no momento da admissão”, destaca um dos autores do estudo, Henrique Silveira Costa.

Os estudos mostram que, apesar de os homens apresentarem taxas mais altas de gravidade e letalidade da doença, são as mulheres e os idosos que apresentam pior qualidade de vida pós-alta. Os efeitos da chamada Covid longa também são mais presentes entre os que mais necessitaram de ventilação mecânica invasiva e cuidados intensivos. Outros fatores para pior qualidade de vida incluíram a presença e o número de comorbidades, índice de massa corporal elevado, histórico de tabagismo e desemprego.

“Essa pesquisa é relevante para o momento em que a gente está vivendo, pois revela que os fatores clínicos, atrelados ao demográfico e ao de estilo de vida podem estar associados à qualidade de vida do paciente após a hospitalização. Dessa forma é possível desenvolver estratégias individualizadas no manejo clínico do paciente acometido pela Covid-19 com o intuito de melhorar a sua qualidade de vida”, finaliza o professor Costa.

(Fonte: Agência Bori)

Filmes “Holocausto Brasileiro” e “Crianças Autistas” estreiam no SescTV

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagem do filme “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex e Armando Mendz.

Estreiam no SescTV os documentários “Holocausto Brasileiro” e “Crianças Autistas”. Os filmes vão ao ar a partir das 23h do dia 1 de abril, e também estarão disponíveis sob demanda no site do canal a partir desta data.

Dirigido por Armando Mendz e Daniela Arbex, autora de livro homônimo laureado com Prêmios Jabuti e APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) na categoria de melhor livro-reportagem, “Holocausto Brasileiro” retrata a trajetória de pacientes maltratados e torturados no Hospital Colônia de Barbacena – história conhecida como genocídio brasileiro. Fundado em 1903 para tratar de pessoas com tuberculose e problemas psiquiátricos, o hospital passou a receber as pessoas que não eram benquistas pela sociedade: prostitutas, alcoólatras, pobres e homossexuais. Foi fechado no fim da década de 80, após mais de 60 mil mortes decorrentes de tortura, violações de direitos, fome e esquecimento.

Na sequência de Holocausto Brasileiro, o canal exibe “Crianças Autistas”, de Lucila Meirelles. Trata-se de um documentário sobre crianças com autismo, em que a cineasta utiliza o silêncio, olhares e o movimento que integram a linguagem vivenciada por elas para apresentar uma cidade sob esta perspectiva.

SOBRE O SESCTV | O SescTV é um canal de difusão cultural do SESC em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do SESC para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação. Conheça o acervo no site.

“Holocausto Brasileiro”

Direção: Daniela Arbex e Armando Mendz

Documentário. Brasil, 2016, 90 min.

14 anos

Sob demanda: 1/4

TV Linear: Sexta, 1/4, 23h; Terça, 5/4, 1h

“Crianças Autistas”

Direção: Lucila Meirelles

Brasil, 1989, 11 min.

Livre

Sob demanda: 1/4

TV Linear: Sábado, 2/4, 0h30; Terça, 5/4, 2h30

Para sintonizar o SescTV:

Canal 128, da Oi TV ou consulte a operadora

Também disponível online  

Redes do SescTV:

Twitter: @sesctv

Facebook: facebook.com/sesctv

Instagram: @sesctv.

(Fonte: Agência Lema)

CCSP recebe “Galpão de Espera”, peça teatral de Allan da Rosa com direção de Ivy Souza

São Paulo, por Kleber Patricio

Em uma revista feita a uma trabalhadora negra, o cachorro do patrão arranca seu braço – a partir deste mote foi criado “Galpão de Espera”, trabalho vencedor do Edital 6ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo. O dramaturgo Allan da Rosa se baseou em estruturas históricas de miséria, aniquilamento, desespero e ausência do país em relação aos povos pretos para mostrar como chegamos, muitas vezes, a um ambiente contemporâneo que parece indicar apenas saídas individuais ou a oferta incessante de si mesmos como produtos na vitrine, deixando de lado, em suas palavras, “uma das maiores forças ancestrais que temos que é a solidariedade, além da coragem de lidar com nossa própria complexidade”. A estreia acontece na terça-feira, dia 29 de março, e segue em cartaz em temporada curtíssima até o domingo, 3 de abril, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, Vergueiro, São Paulo, SP).

Cinco personagens negras circulam em torno desse galpão misterioso: é uma agência de empregos, um lugar de trabalho ilegal ou uma senzala?  “O personagem principal dessa história é o galpão”, frisa a diretora. A partir de onde e de quem faz a pergunta, o público é convidado a redirecionar o olhar em relação à peça e à estrutura do espaço.

O incidente inicial trágico perpassa os três atos da peça em que os diálogos apresentam as fomes, os segredos e os labirintos de cada um na cena. Donilton (William Simplicio), o patrão, dono do cachorro, que dominou as regras capitalistas; Dona Caruncha (Mawusi Tuani), a anciã que é cuidadora de todos, terna e vingativa; Ascendina (Isamara Castilho), a jovem que lida com o novo corpo mutilado e quer ascender socialmente; Fu (Jojo Brow-nie Souza), com suas perguntas cristalinas e cortantes, que foi educada para o luxo mas vive atolada na precariedade; Expedito (Filipe Roseno), ex-peão que desafia qualquer moral para aprender as regras e golpes do jogo do dinheiro.

“As artes negras hoje passam por um momento especial diante de tanto assédio e da hipocrisia da sociedade brasileira. São solicitadas e produzidas pencas de obras previsíveis e maniqueístas em nome de uma suposta representatividade, guiada por pura mercadologia ou por ‘likes e seguidores’. Isso passa longe da profundidade de muitas questões ferventes cotidianas e de nossas habilidades ancestrais em lidar com contradições”, diz Allan da Rosa.

A diretora Ivy Souza fez a si mesma algumas perguntas para conduzir os atores e as atrizes em seus papéis. “As personagens querem falar sobre como e em qual tempo eles se movimentam, tentando descobrir suas possibilidades reais de ação dentro de suas trajetórias: eles têm possibilidades de escolha? A partir de qual ética? Essas personagens estão no mesmo lugar de competição quando comparados com toda a sociedade? Então as perguntas não podem ser as mesmas”, reflete a diretora.

Para ela, a peça traz o desafio de ter como tema principal a violência. “A ameaça se apresenta diferentemente para cada tipo de corpo. Essa peça fala sobre rastros de barbaridade colonial, espiral e contínua, na manutenção das estruturas de poder”, diz Ivy.

Direção e elenco estiveram unidos na criação – que tem a fisicalidade como forte elemento cênico – em uma colaboração que também contou com Lucas Brandão e sua pesquisa sobre Body Mind Center, o corpo e a mente integrados a partir do deslocamento. E também Clayton Nascimento com seu olhar de interpretação e jogo dramático a partir da própria natureza e identidade dos atores. “Isso tem a ver com o meu pensamento de perceber o movimento como rastro de trajetórias dessas personagens que estão presas nesse galpão e dessa estrutura que os oprime cotidianamente”, completa a diretora.

Sinopse curta | O cão de um patrão arranca o braço de uma entregadora de marmitas. Isso desata contradições, fomes e dilemas de cinco personagens negras por prestígio, renda, sobrevivência e integração no mercado de trabalho.

Ivy Souza

Atriz, performer e diretora. Formada pela Escola de Arte Dramática é integrante do E quem é gosta?, grupo que circula com o espetáculo “Isto é um negro?”. Dirigiu o espetáculo “Mato Cheio da Carcaça de Poéticas Negras”. No cinema, participou de “A felicidade delas”, de Carol Rodrigues, “A passagem do Cometa”, direção de Juliana Rojas; “Helen”, de André Meirelles Collazzo, “Mar de Dentro”, de Dainara Toffoli, “A Sombra do Pai”, de Gabriela Amaral, e “Boas Maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas. Na TV, interpretou Nina Simone, no especial “Falas Negras”, dirigido por Lázaro Ramos.

Allan da Rosa

Escritor de Ficção e Teatro. Compôs peças teatrais com companhias de diversos estados brasileiros. É angoleiro, historiador, mestre e doutor em Cultura e Educação. Pesquisa estéticas e políticas negras. Já coordenou cursos, seminários e publicações referentes às obras e trajetórias de Jorge Ben, James Baldwin, Muniz Sodré e Itamar Assumpção, entre outros artistas. Produziu e apresentou os programas “À Beira da Palavra” e “Nas Ruas da Literatura”, pela Rádio USP FM, entrevistando e apresentando autorias da diáspora afro-atlântica. É autor de obras teóricas e ensaios como “Águas de Homens Pretos: Imaginário, Cisma e Cotidiano Ancestral em São Paulo” e “Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem”. Como editor, criou o clássico selo Edições Toró no princípio do Movimento de Literatura Periférica de SP, publicando vári@s autor@s. Apresentou oficinas, conferências, recitais e cursos em todas as regiões do Brasil e em universidades, bibliotecas e centros comunitários de Moçambique, Cuba, México, EUA, Colômbia, Argentina e Bolívia.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Allan da Rosa

Direção: Ivy Souza

Assistência de Direção: Clayton Nascimento

Preparação de Elenco: Lucas Brandão

Elenco: William Simplício | Mawusi Tulani | Filipe Roseno | Isamara Castilho | Jojo Brow-nie Souza | Rodrigo de Odé

Direção de Produção: Corpo Rastreado

Produção Executiva: Gabs Ambròzia

Produção: Ivy Souza

Foto e Vídeo: Noelia Nájera

Criação de luz: Lucas Brandão

Trilha Sonora: Cibele Appes

Assistência Trilha Sonora: Paula Matta

Figurino: Renan Soares

Cenógrafo: Julio Dojcsar

Operação de Som: Alírio Assunção

Montagem de Luz: Dida Genofre

Operação de luz: Dida Genofre e Lucas Brandão

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto

Agradecimentos: Mirella Façanha

FICHA TÉCNICA Redes Sociais

Dramaturgia: @darosaallan

Direção: @ivysouz

Ass de Direção: @clay.nascimento

Prep. Elenco e Criação de luz: @luca_s_brandao

Elenco: @will_simplis | @mawusi_tulani | @firoseno | @castilhosisa | @soudajojo | @supermente_black

Direção de Produção: @corporastreado

Produção Executiva: @gabsambrozia

Produção: @ivysouz

Foto e Vídeo: @noenajera_

Trilha Sonora: @cibeleappes

Ass Trilha Sonora: Paula Matta

Figurino: @renansoares.br

Cenógrafo: @julio.dojcsar

Op Som: @alirioassuncao

Montagem de luz: @didagenofre

Op Luz: @didagenofre @luca_s_brandao

Assessoria Imprensa: @canal_aberto.

Serviço:

Galpão de Espera

De 29/3 a 3/4

Terça a sábado, às 21h; domingo, às 20h

Duração: 120min | Classificação: 16 anos

Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

Rua Vergueiro, 1000, Vergueiro, São Paulo, SP

Telefone: 3397-4000

Lotação: 224 lugares

R$30,00 | R$15,00 (meia)

Vendas na bilheteria com duas horas de antecedência

Será necessário apresentar o comprovante de vacinação da Covid-19 com no mínimo duas doses.

(Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa)

Exposição reúne o Antropoceno, Patriarcado e Masculinidade, a Invisibilidade e suas relações

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

O impacto da humanidade sobre a Terra, a Masculinidade, o Patriarcado, a Invisibilidade das pessoas e a relação entre eles se encontram na exposição “Em se pisando tudo dá”, individual do artista Milton Blaser que será aberta no dia 26 de março, às 13h, na galeria Casagaleria Oficina de Arte, em São Paulo. Além disso, a mostra também se encontra em formato on-line. O título “Em se pisando tudo dá” remete a Pero Vaz de Caminha, que foi de uma época com total prevalência do Patriarcado, época que se origina uma visão de mundo que resultou no modernismo e antropoceno. E a expografia terá três pilares: as instalações “Prensa” e “Tiranias”, as colagens digitais da série Antropogenia, uma intervenção na parede lateral de tijolos entre as duas salas reforçando a invisibilidade das pessoas e uma intervenção radical e ousada no teto da galeria repercutindo na estrutura da galeria.

“A mostra foca na inter-relação das questões do Antropoceno, o Patriarcado e a Masculinidade e na Invisibilidade das pessoas, que atuam degradando tanto a natureza e o meio ambiente, como também e simultaneamente, as relações entre homens e mulheres de todas as etnias, idades e nacionalidades. São os invisíveis”, define o artista.

A mostra tem curadoria e texto crítico de Loly Demercian com participação especial e texto do consultor em diversidade e inclusão Humberto Baltar relatando a sua experiência pessoal como vítima das consequências da ação combinada do antropoceno e da masculinidade apontadas pelo artista. Baltar estará presente para uma conversa sobre o tema e as obras junto ao artista e à curadora no dia 26 às 14h. Lives estão programadas para acontecer durante o período da exposição.

Na intervenção no teto da galeria, Blaser encena uma reconexão ousada com os elementos e ciclos da natureza, quebrando-o e expondo as obras aos elementos naturais. Esta quebra do teto da galeria exatamente sobre a obra propondo a entrada de um foco de luz natural e permanente, iluminando naturalmente a obra, representa um rasgo de revolta do ser humano urbano em direção ao cosmos, remetendo às questões das mudanças climáticas que atravessam o planeta e que permeiam o Antropoceno, assim como as relações da construção e destruição do entulho do teto presente na expografia, que se relaciona com os pisos usados na obra.

A proposta da obra “Prensa” é trabalhar as vertentes Antropoceno, o Patriarcado, a Masculinidade e a Invisibilidade das pessoas. O Antropoceno está nos pisos usados e mostrados nos seus versos, representação simbólica da destruição do ecossistema, mapas de áreas devastadas, territórios invadidos, queimadas, mudanças climáticas, rios poluídos, barragens que se rompem. Essas questões remetem aos materiais utilizados nos pisos, como barro, vidro, areia, que também foram coletados na natureza, trabalhados pelo homem e trazem a memória histórica do seu uso e a própria devastação do meio ambiente para produzi-los.

O Patriarcado é exercido historicamente e dominantemente por homens brancos, cis, héteros que determinaram e determinam em escala mundial as ações que provocaram a predação voraz do meio ambiente há décadas e que causou essa nova nomenclatura Antropoceno. Não há preocupação com os bilhões de pessoas no planeta consideradas invisíveis aos seus olhos. É a dominância masculina patriarcal em sua amplitude, agindo inconsequentemente, devastando o planeta.

As pessoas invisíveis e anônimas estão representadas na instalação com imagens em preto e branco, sombrias e sem sorrisos, sinalizando o sofrimento advindo do Antropoceno. As três questões, Antropoceno, Patriarcado e a Masculinidade e Invisibilidade, permeiam a obra “Prensa”, trazendo à reflexão do espectador sua posição no complexo sistema em que vive, se alimenta, habita e consome.

Já a proposta da obra “Tiranias” é reforçar a temática do Patriarcado e da dominância da masculinidade, aprofundando a representação simbólica da potência masculina presentes no cotidiano das decisões que afetam de forma danosa e nociva as mulheres, os próprios homens, a população e o planeta, tendo como resultado o Antropoceno.

A simulação com colagens digitais da série Antropogenia transmuta em imagens como o capitalismo global levou o mundo à beira de uma crise ambiental irreversível, inaugurando a era do Antropoceno, época geológica marcada por profundas alterações na Terra devido à atividade humana, com predominância histórica do Patriarcado, que impõe uma heteronormatividade, que por sua vez é um comportamento catalisador da era do Antropoceno.

“As consequências do capitalismo global, cuja força motriz foi o Patriarcado, levou o mundo à beira de uma crise ambiental irreversível, inaugurando a era do Antropoceno, época geológica marcada por profundas alterações na terra devido à atividade humana, repercutindo vigorosamente sobre todos nós: os invisíveis, os desimportantes, os anônimos”, enfatiza o artista. O projeto expositivo como um todo, busca envolver e alertar o espectador sobre a relação entre esses dois conceitos para que juntos possam ser combatidos.

“A possibilidade de se ver em obras de arte ainda é raridade na vivência de homens pretos. Embora no Brasil o Patriarcado seja a força motriz que impulsiona todas as esferas de poder, as masculinidades e paternidades pretas permanecem à margem dessa realidade. O apagamento e a invisibilização dos homens pretos os colocam num lugar de constante busca por ressignificação e reconhecimento, passando muitas vezes até mesmo pela reprodução de padrões nocivos, tóxicos e agressivos na busca por um lugar social que os atribua o papel de dominantes, potentes ou poderosos”, afirma Baltar.

Segundo o consultor, essa experiência de invisibilização é também comum às mulheres, aos povos originários, ao meio ambiente, às colônias e a tudo e todos que não são o marco zero do Patriarcado. “O trabalho do Milton aponta o que acontece com essa visão de mundo em que há um ideal e todo resto é vítima”, garante.

Baltar aponta que as obras da exposição “Em se pisando tudo dá” abordam essa inquietude e anseio de sujeitos marginalizados e invisibilizados de forma sutil e ainda assim contundente. “Senti-me convidado pelo artista a me envolver ainda mais na luta pelo mundo inclusivo, plural e diverso que eu quero deixar para o meu filho e todos os que vierem depois”, afirmou.

Mostra individual “Em se pisando tudo dá”

Abertura: dia 26 de março, das 13h às 18h

Local: Casagaleria Oficina de Arte – Rua Fradique Coutinho, 1216, Vila Madalena, São Paulo/SP. Telefone (11) 3841-9620

Horário de visitação: de 26/3/22 até o dia 23/4/22, das 13h às 19h de terça a sexta e, aos sábados, das 13h às 17h

Entrada gratuita.

Sobre Milton Blaser

Milton Blaser.

É artista visual graduado pelo Centro Universitário Belas Artes em licenciatura Desenho e Plástica. Participou por mais de dois anos do grupo de acompanhamento de projetos com os artistas Carla Chaim, Nino Cais e Marcelo Amorim no Hermes Artes Visuais e do grupo de estudos de produção de arte contemporânea com o curador Paulo Miyada e o artista Pedro França no Instituto Tomie Ohtake. Participou também da Clínica de Projetos do Ateliê 397.

Já expos individualmente na Casagaleria em 2019 e no Senac Jabaquara em 2018. Participou de vários salões e coletivas na Oficina Cultural Oswald de Andrade, Galeria LAMB Arts/Hermes Artes Visuais, Salão de Artes Plásticas Praia Grande, Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, Clínica Geral Gran Finale Ateliê 397.

Foi premiado com medalha de ouro em Pintura com o trabalho Monge no VI Salão Internacional SINAP/AIAP. Fez cursos de Antropoceno e Natureza no Paço da Artes, na Fundação Bienal durante a 34ª Bienal, Laboratório de Aplicabilidades e palestras de Arte e Psicanálise no Adelina Instituto. Participou do grupo de estudos Filosofia na Arte Contemporânea com professores da PUC-SP e do curso “O Desenho e outros crimes do desejo” na Escola Entrópica do Instituto Tomie Ohtake, com Cadu.

Sobre a Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian | Desde 2004 estabeleceu-se como uma alternativa comercial. Dedicada à arte contemporânea, vem se consolidando como um espaço de exibição e produção de conteúdo, articulando exposições, projetos culturais, workshops, revista digital e programas públicos gratuitos, envolvendo artistas em diversos estágios da carreira. Incentivando e orientando novas ideias e projetos desenvolvidos por artistas emergentes ou já estabelecidos.

Sobre Loly Demercian | Graduada em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1987), graduada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2003), especializada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) em 2004 e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2010).

Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Criação nas Mídias (CCM) da PUC/SP, coordenado pela Prof. Dra. Lúcia Leão. É curadora independente e proprietária do Centro cultural Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian. Tem experiência na área de arte/educação, história da arte e curadoria, atuando principalmente nos temas: curadoria de arte, processos artísticos, arte contemporânea, novas mídias e filosofia contemporânea.

Realizou mais de 32 exposições em artes visuais e projetos culturais. Autora dos livros: “Arte/Educação no Ensino Médio: Um estudo sobre a utilização das novas mídias”, 2014; “Diálogos Possíveis: o tempo e a duração na videoinstalação” (Coord. Regina Giora), 2010.

(Fonte: Betini Comunicação)