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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Inscrições para edição 2022 do Prêmio Jabuti estão abertas

Brasil, por Kleber Patricio

(Divulgação)

Realizado desde 1958, o Prêmio Jabuti consolidou-se como a principal referência entre as premiações do mercado editorial brasileiro. Patrimônio cultural do país, o Prêmio é responsável por reconhecer e divulgar a potência da produção nacional, com a valorização de cada um dos elos que formam a cadeia do livro, dialogando com os diversos públicos leitores e, junto com eles, assimilando as mudanças da sociedade.

A partir dessa posição anualmente renovada, o Prêmio Jabuti anuncia a abertura de mais uma edição nesta terça-feira, 29. A data também marca o início das inscrições e da consulta pública para a indicação de jurados. Assim como na última edição, o editor e tradutor Marcos Marcionilo está à frente da curadoria da premiação. Marcionilo possui experiência de mais de 40 anos no mercado editorial. Juntam-se a ele no conselho curador especialistas e profissionais de múltiplas áreas do conhecimento: Bel Santos-Mayer, Camile Mendrot, Luiz Gonzaga Godoi Trigo e, pela primeira vez, Rodrigo Casarin. Clique aqui para conhecer o perfil de cada um deles.

“A partir de 2018, o Prêmio Jabuti tem se tornado a cada ano mais abrangente. O resultado das últimas edições, especialmente a de 2021, mostra a força do livro como instrumento de democratização do conhecimento e da arte. Com 20 categorias, a premiação se desenha em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, de onde vem todo o seu alcance”, ressalta Marcos Marcionilo, curador do 64º Prêmio Jabuti.

Segundo Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, a edição deste ano consolida ainda mais o processo de aperfeiçoamento da premiação. “O Jabuti de 2022 mostra sua relevância diante das necessidades do público leitor. As atuais mudanças realizadas evidenciam que o objetivo é difundir a abrangência do prêmio com a consolidação dessa nova formatação”, afirma.

O conceito visual do Jabuti 2022

Cem anos depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, quando o Theatro Municipal de São Paulo foi tomado pela elite pensante e artística da cidade com novas ideias sobre a arte e a estética nacionais, o Prêmio Jabuti se veste nesta edição do grafite urbano.

A Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Jabuti 2022, celebrando o centenário da Semana de 1922, reconhecem o grafite como expressão cultural e artística de valor transformador da contemporaneidade, capaz de evocar, mirando o futuro, a inclusão e a interação como parte de seu posicionamento de “prêmio de todas e todos para todos e todas”.

Para esta edição, foram convidados e aceitaram levar o Jabuti para passear em meio à arte e aos anseios populares Raiz [Raí Campos] (Amazonas), Tereza de Quinta (Acidum Project, Ceará), Rafael Jonnier (Cuiabá), Ciro Schumann (São Paulo) e Marcelo Pax (Rio Grande do Sul), representando cada região geográfica de nosso país. Eles imprimem ao Prêmio técnicas, traços e conceitos nos quais, ao mesmo tempo em que se detectam todos os vínculos com o urbano, em declaração de absoluta contemporaneidade, veem-se também o popular e o histórico entremeados, pulsando por baixo de cada pincelada.

O conceito da 64ª edição reconhece o lugar da arte do grafite na cultura brasileira como uma atitude antropofágica capaz de mover o pensamento e as artes. O objetivo é levar o grande público a ouvir, ver e ler outras centralidades, de extrema densidade criativa, estética e de conteúdo – negras, femininas, indígenas e de gêneros diversos. Assim como o grafite brasileiro, reconhecido em todo o mundo, o Jabuti quer ver o mesmo acontecer com nossas literaturas.

Esta edição contará também com o Banco Luso Brasileiro como apoiador oficial do Prêmio Jabuti.

Mudanças e instruções

As inscrições devem ser realizadas por meio do Portal de Serviços da CBL. Autores (as) e editores (as) que já possuem cadastro podem efetuar o login com o usuário preexistente, ou adicionar um novo, e selecionar “Prêmio Jabuti”. Já os novos usuários precisarão efetuar um cadastro, criar um login e uma senha antes de selecionar “Prêmio Jabuti” e dar sequência à inscrição. O prazo para participar será de 29 de março, a partir das 12h, até às 18h do dia 26 de maio de 2022 (horário de Brasília).

Pelo sexto ano consecutivo, os valores das inscrições não foram alterados. E, pelo segundo ano consecutivo, haverá um desconto de 10% para todas as inscrições realizadas nos primeiros 30 dias, das 12h do dia 29 de março até as 23h59 do dia 27 de abril de 2022 (horário de Brasília). A promoção é válida para todos os participantes: Associados CBL, Autores Independentes, Associados Entidades Congêneres e Não Associados da CBL e também para todos os tipos de inscrição, Obra individual ou Coleção. “Cada uma das mudanças promove o amplo acesso ao maior prêmio do livro brasileiro. Realizar as inscrições por meio da plataforma de serviços da Câmara Brasileira do Livro oferece o acesso fácil para todos os participantes. Manter o mesmo valor de inscrição e o desconto democratiza ainda mais o acesso”, destaca Vitor Tavares, presidente da CBL.

Categorias e vencedores (as)

Os (as) autores (as) vencedores (as) de cada categoria recebem a estatueta e o prêmio de R$5.000,00 (exceto Livro Brasileiro Publicado no Exterior). O (a) vencedor (a) da categoria Livro no Ano será premiado (a) com a estatueta e o valor de R$100.000,00. Caso a obra premiada seja uma coautoria, o prêmio em dinheiro é dividido após a dedução dos impostos legais. Os editores das publicações premiadas são contemplados com a estatueta do Prêmio Jabuti.

Na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior — uma parceria da CBL com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) —, será premiada a editora brasileira da obra vencedora. Além da estatueta, caso já seja filiada ao Projeto Brazilian Publishers, a editora será contemplada com uma Bolsa de Apoio à Tradução no valor de R$5.000,00. Este montante poderá ser utilizado para traduzir uma nova obra de seu catálogo do português para qualquer outro idioma. Caso ainda não faça parte do BP, a editora brasileira premiada será contemplada com um ano de participação integral no projeto que promove a literatura brasileira no mercado internacional. Conheça todas as iniciativas do Brazilian Publishers clicando aqui.

“As atualizações no regulamento e a consolidação de suas orientações a cada edição aperfeiçoam o objetivo da CBL e do próprio Prêmio: valorizar cada um dos agentes do setor editorial brasileiro, além de alcançar todos os públicos que almejam fazer parte do rol de obras consagradas pelo Prêmio Jabuti”, complementa Marcos Marcionilo.

Consulta pública de jurados | Mais uma vez, o público poderá autoindicar ou recomendar nomes para a composição do júri do Prêmio Jabuti, por meio da consulta pública, de 29 de março de 2022 a 27 de abril de 2022. Basta preencher o formulário disponível no site do Prêmio Jabuti. Os indicados são verificados e validados pelo Conselho Curador, que também é responsável por selecionar personalidades e profissionais de todo o País para complementar o júri.

Personalidade Literária

A cada ano, o Prêmio Jabuti celebra as figuras fundamentais da arte e do pensamento em um país ávido por inclusão e representatividade. Em 2022, a homenageada é Sueli Carneiro. Escritora e filósofa, ela é um dos principais nomes na luta contra a desigualdade étnico-racial e de gênero no país. Fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Sueli lutou pela implementação de cotas raciais nas universidades, por maior representatividade nas produções televisivas nacionais e pela dignidade da mulher negra.  “É um orgulho contar com a consagração de Sueli Carneiro como homenageada do Jabuti 2022. A filósofa e escritora é uma grande pensadora do feminismo negro brasileiro, além de ser ativista do movimento antirracista e defensora dos direitos humanos. Nada melhor do que poder destacar sua vida e obra em mais esta premiação”, destaca Vitor Tavares, presidente da CBL.

“Com muita esperança, homenageamos a trajetória e a obra de Sueli Carneiro. Ela é referência mundial não só de pesquisadora e intelectual orgânica, mas também nosso grande exemplo de escritora afeita ao debate aberto e franco, um modelo para quem busca criar um pensamento gerador de práxis agregadoras. Em torno dela, na cerimônia, veremos reunirem-se muitas das forças culturais que buscam construir o Brasil plural que desejamos”, finaliza Marcos Marcionilo.

Acesse o site do Prêmio Jabuti, confira todos os detalhes da 64ª edição e clique aqui para ler o regulamento completo.

(Fonte: Danthi Comunicações)

Felipe Góes apresenta mostra “Ciclo circadiano” na galeria Kogan Amaro

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Pintura 369, 2020 (díptico). Créditos: divulgação/Kogan Amaro.

Reunindo pinturas de paisagens, tema recorrente em seus trabalhos que não se baseiam em fotografias, nem em lugares reais, mesclando, assim, fantasia e memória, Felipe Góes abre a exposição individual “Ciclo Circadiano” na Galeria Kogan Amaro a partir de 2 de abril. A individual apresenta oito trabalhos inéditos do artista. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, a exposição é simultânea e também um desdobramento a “Zirkadianer Rhythmus”, individual que o artista acaba de abrir na Kogan Amaro de Zurique, na Suíça, e que integrou a programação da Zurich Art Weekend.

“Para mim, é uma honra realizar esse projeto junto com a galeria Kogan Amaro; ele marca minha estreia na Europa, participando também do Zurich Art Weekend, que ocorreu no início de março, e uma individual em São Paulo, na mesma semana da SP-Arte, onde também haverá obras minhas”, afirma o artista.

Com cores e traços marcantes, as obras reunidas na individual apresentam um desdobramento de “Ocaso” (2016) e “Bennu” (2018), trabalhos anteriores do artista. “Minhas intenções com imagens de paisagem e cosmos não são apenas visuais. Toda paisagem carrega informações biológicas e geológicas e também a possibilidade de interpretações históricas, filosóficas e espirituais. O cosmos pode ser interpretado apenas como uma perspectiva diferente; outro ponto de vista dos mesmos fenômenos”, continua Felipe.

Pintura 375, 2020.

“O ciclo circadiano é um dos ritmos naturais que governam a vida na Terra. Nesse caso específico, é o dia e a noite, o ciclo de 24 horas que rege as plantas, os fungos e os animais, inclusive a espécie humana. É algo que conecta nossa vida diária com a rotação da Terra em seu próprio eixo. Ou se pudermos pensar mais conceitualmente, ele conecta nossa existência com os movimentos dos planetas, galáxias e a infinitude do Universo. De forma sutil, o título da exposição ajuda na compreensão dos meus objetivos como artista, mas não explica demais – é aberto o suficiente para encorajar as pessoas a terem suas próprias ideias sobre as pinturas. Portanto, espero que esta exposição possa promover discussões sobre nossa existência no planeta Terra, bem como reflexões sobre arte, ciência, espiritualidade e o Universo”, conclui o artista.

“Nesta nova série de pinturas de Felipe Góes a matéria se adensou, as pinceladas se ouriçaram, as cores vibraram em confrontos violentos: as águas se incendiaram em variantes de magenta, laranja e vermelho; os verdes estridentes tomaram o horizonte, anunciando auroras misteriosas; a lava dos vulcões em erupção contaminou os céus a ponto de transformá-los em reflexos da terra e não o inverso. O cosmos parece aspirar a força da gravidade, encrespando a natureza ou o que dela resta”, avalia Regina Teixeira de Barros, no texto de apresentação da exposição.

Pintura 381, 2021.

Sobre o artista | Felipe Góes (1983) é formado em arquitetura. Trabalha com pintura e busca discutir a produção e a percepção de imagens na contemporaneidade. Realizou exposições individuais em espaços como Instituto Moreira Salles (Poços de Caldas, 2017), Phoenix Institute of Contemporary Art (Arizona, EUA, 2014), Museu de Arte de Goiânia (Goiânia, 2012) e Usina do Gasômetro (Porto Alegre, 2012). Sua obra já esteve em coletivas como “Utopia de colecionar o pluralismo da arte” (Fundação Marcos Amaro, Itu, 2019), “Mapping Spaces” (Kentler International Drawing Space, New York, EUA, 2016) e 2ª Bienal Internacional de Asunción (Assunção, Paraguai, 2017). O artista ainda participou de residências artísticas em SVA (School of Visual Arts) Online Artist Residency, (Nova York, EUA, 2021), Phoenix Institute of Contemporary Art (Arizona, EUA, 2014) e Instituto Sacatar (Itaparica, BA, 2012).

Sobre a Galeria Kogan Amaro | Localizada nas cidades mais populosas do Brasil e da Suíça, as unidades da galeria Kogan Amaro no bairro dos Jardins, em São Paulo, e na Rämistrasse, coração cultural de Zurique, têm como norte a diversidade de curadoria e público: com portfólio composto por artistas de carreira sólida, consagrados internacionalmente, e também emergentes que já se posicionam no mercado de arte como promessas do amanhã. Sob gestão da pianista clássica Ksenia Kogan Amaro e do empresário, mecenas e artista visual Marcos Amaro, a galeria joga luz à arte contemporânea com esmero ímpar e integra as principais feiras de arte do mundo.

Serviço:

Felipe Góes | “Ciclo Circadiano”

Curadoria: Regina Teixeira de Barros

Local: Galeria Kogan Amaro

Abertura: sábado, 2 de abril de 2022, com o horário especial de abertura, das 11h às 17h

Local: Galeria Kogan Amaro

Período expositivo: 2 de abril a 14 de maio

Horário: segunda à sexta, das 11h às 19h e aos sábados, das 11h às 15h

Endereço: Alameda Franca, 1054 – Jardim Paulista – São Paulo/SP

Informações para o público: (11) 3045-0755/0944 ou atendimento@galeriakoganamaro.com

InstagramFacebookSite.

(Fonte: a4&holofote comunicação)

“Torre das Guerreiras e outras memórias”: livro aborda consequências de 31 de março

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Imagem: divulgação.

A deposição do presidente João Goulart por meio do golpe militar que instaurou a ditadura no país do Carnaval foi o que determinou 21 anos de desespero à democracia. E, pela primeira vez, ouvimos a versão feminina dos acontecimentos dentro de um dos maiores presídios políticos do país, que torturou, matou e sumiu com muitas pessoas ao decorrer deste tempo.

‘Não estavam à espera de um príncipe em seu cavalo branco para salvá-las’, é o que Ana Maria Ramos Estevão alega quando ela e suas companheiras de cela renomearam a Torre das Donzelas, do Presídio Tiradentes, para Torre das Guerreiras.

Ana Maria, nos tempos mais obscuros do Brasil, era estudante de Serviço Social envolvida com o movimento estudantil e a organização Ação Libertadora Nacional (ALN). E para que as pessoas jamais esqueçam o que houve na ditadura, principalmente, com as mulheres, escreve a sua história que se entrelaça com tantas outras como a da ex-presidente Dilma Rousseff, prefaciadora de “Torre das Guerreiras e outras memórias”, livro publicado pela pelo selo 106 Memórias (Editora 106), em colaboração com a Fundação Rosa Luxemburgo.

Muitas pessoas devem perguntar: o que a Ditadura Militar queria? Em tese, evitar o avanço das organizações populares do governo de João Goulart, acusado de comunista, e a derrubada do trabalhismo. O que a ditadura conseguiu? A cessão da democracia e o fim da escolha da população pelos seus governantes, além de tortura e muita morte, como relata Ana Maria em sua obra.

Capturada pelos órgãos de repressão da ditadura brasileira, a autora foi torturada e interrogada por sua trajetória como militante.  Ela mistura na obra as suas memórias com histórias vistas e ouvidas, destaca e valoriza episódios de que só a grandeza humana é capaz, como quando todas as militantes ficavam em silêncio para Tânia, uma das prisioneiras, cantar perto de uma pequena janela para ser ouvida por seu companheiro, Gabriel, que, com câncer, estava preso no mesmo local, em uma cela distante. Além de todos os sentimentos embutidos, relata as torturas, pessoas com papéis importantes do lado da resiliência como também do lado dos carrascos, bem como os fascistas voluntários.

“Torre das Guerreiras e outras memórias” é uma obra para que aquele fatídico 31 de março de 1964 jamais seja esquecido.

“Torre das Guerreiras e outras memórias”

Ana Maria Ramos Estevão

Prefácio de Dilma Rousseff

Selo: 106 Memórias/Fundação Rosa Luxemburgo

Páginas: 192

Formato: brochura, 14 x 21 x 1,1cm

Peso: 275 g

Preços: R$52,90 (versão impressa); R$37,00 (ebook)

Gênero: Memórias, História, Política, Ditadura.

Sobre a autora | Ana Maria Ramos Estevão nasceu em Maceió (AL) em 1948. Mudou-se para a cidade de São Paulo em 1953. Quando iniciou o curso de Serviço Social, em 1969, aproximou-se da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que enfrentou a ditadura civil-militar brasileira. Durante o regime, Ramos foi presa três vezes e, em 1974, ficou exilada em Paris. É professora livre-docente aposentada da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professora adjunta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É membra do Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

(Fonte: Enxame Coletivo de Comunicação)

Sistema que concilia pecuária e lavoura captura carbono de forma eficiente no Cerrado

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: Steven Weeks/Unsplash.

Os sistemas integrados de produção agropecuária, que conciliam a pecuária bovina e a criação de grãos na mesma terra, possuem potencial de incrementar a matéria orgânica e isso é refletido em altos teores de carbono e nitrogênio no solo. É o que apontam pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Meio Norte) em estudo publicado na quarta (30) na revista “Ciência Rural”. Os resultados demonstram que o sistema de manejo lavoura-pecuária tem maiores teores de carbono e nitrogênio do que o sistema de plantio direto e, por isso, captura gases de efeito estufa da atmosfera, como o carbono, de forma eficiente.

Os pesquisadores avaliaram o acúmulo de estoques de carbono e nitrogênio total em solos sob os sistemas de plantio direto e integração lavoura-pecuária na Fazenda Barbosa, localizada no bioma Cerrado, no estado do Maranhão. Para análise, foram selecionadas cinco áreas: uma com sistema de plantio direto em sucessão há 14 anos e três áreas com diferentes históricos de sucessão com a adoção do sistema de integração lavoura-pecuária, além de uma área de Cerrado nativo. “Foram realizados inicialmente o estudo de histórico de manejo das áreas e posteriormente a identificação das áreas com manejos distintos para avaliação do estoque e conteúdo de carbono e nitrogênio atribuído pelo uso agrícola”, explica o cientista Leovânio Barbosa, um dos autores da pesquisa. As análises foram realizadas no laboratório de solos da Embrapa Meio Norte em parceira com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Os maiores índices de carbono e nitrogênio foram encontrados nos solos manejados com o sistema lavoura-pecuária, em que o produtor concilia pecuária bovina e produção de grãos na mesma terra. “Os índices podem ser relacionados com o uso de gramíneas e o tempo de adoção e manejo em sistema de integração lavoura-pecuária”, destaca Barbosa. O estudo, que foi motivado pelo desejo dos pesquisadores de estudar as áreas de fronteira agrícola que estão em expansão, preenche uma lacuna importante por analisar o Argissolo do Cerrado. “Os trabalhos nesta região do leste maranhense são escassos. A nossa pesquisa traz resultados importantes ao quantificar os teores e estoques de carbono e nitrogênio da região, além de avaliar a qualidade química e física destes compostos”, acrescenta o pesquisador.

A pesquisa também revela a tendência para o futuro: exploração agropecuária voltada para o ganho de produção, segurança alimentar, qualidade do solo e preservação do meio ambiente. “O mundo vem buscando o uso eficiente dos recursos naturais e diminuição das degradações do solo causadas pelo uso inadequado do mesmo. Por isso, estudos que avaliam a eficiência de novos modelos de exploração do solo com foco na sustentabilidade ambiental revelam o futuro da exploração agropecuária”, conclui.

(Fonte: Agência Bori)

Cine Kurumin – Festival Internacional de Cinema Indígena e série “Amazônia, Arqueologia da Floresta” são destaques no SescTV

São Paulo, por Kleber Patricio

Cine Kurumin – “Kaapora”. Crédito: Samuel Wanderley.

A programação do SescTV recebe Abril Indígena, com conteúdo especial de 2 a 30 de abril. Os destaques ficam por conta da exibição do documentário “Educação Escolar Indígena”, do Cine Kurumin – Festival Internacional de Cinema Indígena, e a série “Amazônia, Arqueologia da Floresta”.

Realizado desde 2019, o Abril Indígena foi idealizado pela área “Povos Indígenas”, do Programa Diversidade Cultural do SESC SP, que tem por objetivo valorizar e difundir a diversidade cultural desses povos no Brasil, especialmente por meio de atividades que suscitam espaços de protagonismo para indígenas – provenientes tanto de aldeias, comunidades e Terras Indígenas, quanto de contextos urbanos. “Essa ação em rede pretende colaborar para a desconstrução da ideia estereotipada do indígena selvagem e isolado, que vive em terras distantes incrustadas nas florestas, revelando a atualidade e a dimensão local de suas existências, resistências, demandas, saberes e fazeres”, explica Tatiana Amaral, assistente da Gerência de Estudos e Programas Sociais do SESC São Paulo.

Abrindo o Abril Indígena no dia 2 de abril, o SescTV exibe o filme “Educação Escolar Indígena”, dirigido por Camilo Tavares, sob consultoria da educadora Nieta Monte, especializada em educação indígena e consultora do MEC para a elaboração dos Parâmetros Curriculares da Educação Indígena. O documentário aborda os parâmetros e desafios para a educação escolar indígena no Brasil considerando tradições, história da etnia e confecção de artesanato na formação de crianças e jovens.

Já entre os dias 9 e 23 de abril serão exibidos os filmes que integram o Cine – Kurumin, que conta com 8 obras entre curtas e longas-metragens. Com curadoria da antropóloga Thais Britto, o festival tem como objetivo principal apoiar processos criativos dos povos nativos e promover a circulação das produções audiovisuais realizadas e produzidas por diretores e diretoras indígenas.

A animação “Mitos Indígenas em Travessia” abre a programação no dia 9, às 22h. O curta aborda seis histórias indígenas dos tempos antigos das etnias Kuikuro (Aldeia Afukuri, Terra Índígena Parque do Xingu, MG), Javaé (Aldeia São João, Terra Indígena Parque do Araguaia, Ilha do Bananal, TO) e Kadiwéu (Aldeia São João, Terra Indígena Kadiwéu, MG do Sul). Na sequência, será exibido o filme “As Hiper Mulheres”, que apresenta o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), em um momento de dor na comunidade.

Cacique Fernando. Foto: Rafael Veríssimo.

No dia 16, o primeiro curta é “Kaapora, o Chamado das Matas”, em que a própria Kaapora e outros personagens espirituais conduzem a narrativa sobre a ligação dos Povos Indígenas com a Terra e sua Espiritualidade. Em seguida, às 22h20, o documentário “A Gente Luta mas Come Fruta” expõe o manejo agroflorestal realizado pelos Ashaninka da aldeia APIWTXA no rio Amônia, localizado no estado do Acre. “Nguné Elü, O dia em Que a Lua Menstruou” finaliza a programação deste dia, mostrando os acontecimentos na Aldeia Kuikuro, no Alto Xingu, durante um eclipse.

O curta “Agahü: o Sal do Xingu”, que retrata a importância do sal como uma ligação com o sagrado para a cosmologia dos povos do Xingu, abre o terceiro e último dia do Cine-Kurumin, 23 de abril, às 22h. Na sequência, é exibido o documentário “Pi’õnhitsi – Mulheres Xavante sem Nome”, sobre as dificuldades da realização do ritual de iniciação feminino na comunidade Xavante. Encerrando o festival, às 23h, “Má É Dami-Xina – Já me Transformei em Imagem” narra história de perda e renovação do povo Hunikui por meio das experiências compartilhadas pelos membros da comunidade.

A série “Amazônia, Arquiteturas da Floresta” – última atração do Abril Indígena – estreia no canal no dia 30 de abril. Com direção de Tatiana Toffoli e condução do arqueólogo Eduardo Góes Neves, a série, dividida em 4 episódios, acompanha as pesquisas realizadas no sítio arqueológico Monte Castelo, em Rondônia. Em parceria com os moradores da aldeia Palhau, da etnia Tupari, as escavações encontraram vestígios preservados por milênios entre camadas de conchas e terra. São restos de fauna, sementes de plantas, cerâmicas e ossos humanos, indícios de como viviam os povos da Amazônia há 4.000 anos.

Episódio 1 – A Terra dos Povos | Monte Castelo é um sambaqui fluvial, uma ilha artificial que foi construída e ocupada há pelo menos 6 mil anos. Localizado na bacia do rio Guaporé, em Rondônia, esse sítio foi escavado pela primeira vez pelo arqueólogo Eurico Miller na década de 80. Trinta anos mais tarde, foi relocalizado por uma equipe de arqueólogos e as escavações foram retomadas, dando início a uma nova etapa de descobertas surpreendentes.

Episódio 2 – As Conchas e os Ossos | Há 4 mil anos o clima da região mudou e novas camadas de conchas e terra foram adicionadas ao sítio. A equipe encontra muitos vestígios de um cemitério datado dessa época. Adornos e uma galhada de veado são encontrados junto aos ossos humanos. Os arqueólogos acompanham os Tupari até a antiga aldeia do Laranjal, local em que viviam e do qual tiveram que sair por causa da criação da Reserva Biológica do Guaporé, em 1983.

Episódio 3 – O Tabaco e a Cerveja | O sudoeste da Amazônia é uma região de grande diversidade natural e, talvez por essa razão, foi também um importante centro de domesticação de plantas. Os vestígios desse processo de domesticação e cultivo de plantas são encontrados nos sítios arqueológicos da região. Quando os Tupari abriram a aldeia Palhau, que está localizada sobre um sítio arqueológico, a mandioca dos antigos, usada para fazer chicha, brotou no solo. Muitas espécies aparecem espontaneamente na roça. O milho, por exemplo, cultivado há 6 mil anos, até hoje é plantado pelos Tupari numa demonstração de que o passado e o presente estão profundamente conectados na região.

Episódio 4 – Cemitério Bacabal | Neste episódio, novos sepultamentos são encontrados. A composição química das conchas que formam o sambaqui Monte Castelo ajudou a preservação de ossos e sementes. Através desses vestígios, é possível saber o que os antigos comiam e bebiam. Os ossos e os dentes humanos, as amostras de solo, as cerâmicas e objetos de pedra nos ajudam a contar a história de ocupação dessa região.

Serviço:

ABRIL INDÍGENA

Sábados, 22h

“Educação Escolar Indígena”

Direção: Camilo Tavares

Brasil, 2003, 52 min.

Sábado, 2/4, 22h

Sob demanda: 2/4

Classificação Indicativa: Livre.

Cine Kurumin – Festival Internacional de Cinema Indígena

Sob demanda: 9/4

Filmes:

“Mitos Indígenas em Travessia”

Dir.: Julia Vellutini & Wesley Rodrigues

Brasil, 2019, 21 min., animação

Sábado, 9/4, 22h

Classificação Indicativa: 10 anos.

“As Hiper Mulheres”

Dir.: Arlos Fausto, Leonardo Setted

Brasil, 2011, 80 min., documentário

Sábado, 9/4, 22h20

Classificação Indicativa: 10 anos.

“Kaapora, o Chamado das Matas”

Dir.: Olinda Muniz Wanderley – Yawar

Brasil, 2020, 20 min, docuficção

Sábado, 16/4, 22h

Classificação Indicativa: 12 anos.

“A Gente Luta mas Come Fruta”

Dir.: Wewito Piyõko

Brasil, 2006, 40 min, Documentário

Sábado, 16/4, 22h20

Classificação Indicativa: Livre.

“Nguné Elü, O Dia em que a Lua Menstruou”

Dir.: Maricá Kuikuro, Takumá Kuikuro

Brasil, 27 min., 2004, Documentário

Sábado, 16/4, 23h

Classificação Indicativa: Livre.

“Agahü: o Sal do Xingu”

Dir.: Takumã Kuikuro

Brasil, 2 min, 2020

Sábado, 23/4, 22h

Classificação Indicativa: Livre.

“Pi’õnhitsi – Mulheres Xavante sem Nome”

Dir.: Divino Tserewahú e Tiago Campos Torres

Brasil, 2009, 53 min, Documentário

Sábado, 23/4, 22h

Classificação Indicativa: Livre.

“Má É Dami-Xina – Já me Transformei em Imagem”

Dir.: Zezinho Yube.

Brasil, 2008, 32 min. Documentário

Sábado, 23/4, 23h

Classificação Indicativa: Livre.

Série “Amazônia, Arquiteturas da Floresta”

Episódio 1 – “A Terra dos Povos”

Episódio 2 – “As conchas e os ossos”

Episódio 3 – “O tabaco e a cerveja”

Episódio 4 – “Cemitério Bacabal”

Direção: Tatiana Toffoli

Produção: Elástica Filmes

Realização: SescTV

Estreia: 30/4, às 20h

Classificação indicativa: Livre.

Reapresentações: domingo, 1/5, 14h30; segunda, 2/5, 10h; terça, 3/5, 16h; quinta, 5/5, 14h30 e sexta, 6/5, 19h30. Disponível sob demanda no site a partir de 30/4.

Para sintonizar o SescTV: também disponível online  

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Sobre o SescTV | O SescTV é um canal de difusão cultural do SESC em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do SESC para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação. Conheça o acervo no site.

(Fonte: Agência Lema)