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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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“[ím]pares”: joias contemporâneas japonesas ganham destaque em exposição na Japan House São Paulo

São paulo, por Kleber Patricio

Peça de Naho Okamoto na Japan House São Paulo. Foto: Wagner Romano.

Metal, tecido, vidro, bambu, ratã, madrepérola, concha e até papel e casca de ovo são matérias-primas para as designers de joias japonesas Miki Asai, Naho Okamoto, Mariko Kusumoto, Emiko Suo e Nahoko Fujimoto criarem suas intrigantes peças, que estarão reunidas na exposição inédita “[ím]pares”, na Japan House São Paulo. A mostra apresentará a estética japonesa por meio de 75 criações inovadoras, entre colares, pingentes, brincos, anéis, pulseiras e broches a ocupar o térreo da instituição na Avenida Paulista entre 5 de abril e 12 de junho. A visitação é gratuita.

“Realizar uma exposição sobre a produção de joias e adornos japoneses era um desejo que vinha desde 2018. Depois de alguns anos de amadurecimento, pesquisas e descobertas, [ím]pares reúne uma amostra dessa produção atual, destacando mulheres designers que são pares em suas profissões, mas completamente únicas e distintas em suas criações, que incluem elementos e materiais tradicionais com estéticas extremamente atuais e fascinantes”, comenta a curadora e diretora cultural da Japan House São Paulo, Natasha Barzaghi Geenen.

O conceito de adorno e o costume de se enfeitar assumiram diferentes significados ao redor do mundo com o passar dos anos. No Japão, foi após a Era Meiji (1868-1912) que a produção e a indústria de joias começaram a se desenvolver seguindo os padrões ocidentais, evolução que resultou na estética atual.

Peça de Emiko Suo na Japan House São Paulo. Foto: Wagner Romano.

Para além das associações mais imediatas sobre design japonês no Brasil – predominância de linhas retas de estilo minimalista –, as obras selecionadas pela curadoria, 15 de cada artista, exuberância das formas, escala, texturas, cores, de peças articuladas ou ainda de uma estética lúdica. “Cada uma das designers de joias traduz, à sua maneira, a sutileza e força de um adorno. Acessórios são, por definição, não essenciais; porém, podem atuar de maneira extremamente decisiva e pessoal na construção da representação identitária para transmitir diferentes mensagens de acordo com o uso e combinação feita por cada pessoa”, comenta Natasha.

O nome da exposição, “[ím]pares”, reflete a dualidade entre os estilos únicos das cinco designers e o fato de todas serem pares na profissão, área onde muitas mulheres são atuantes junto com designers homens que criaram marcas de joalherias de luxo internacionalmente reconhecidas. A expografia é do escritório Metro Arquitetos.

Na exposição, estão Mariko Kusumoto (cujo trabalho com tecido moldado para lembrar flores e corais já chamou a atenção de Jean Paul Gaultier) e Naho Okamoto, dona da SIRI SIRI (uma das grandes marcas de joalheria japonesa, que desenvolve um trabalho de economia sustentável junto a artesãos locais), dois nomes cujos talentos e projeções já ganharam o mercado internacional. A seleção também destaca artistas como Miki Asai (reconhecida por seu trabalho delicado inspirado no conceito do wabi sabi – busca do belo na imperfeição), Emiko Suo (com duas séries de trabalhos em metal expostas na exposição, uma dedicada às linhas e outra às malhas de metais, que ganham aparência de tecido por serem revestidas com cerâmica) e Nahoko Fujimoto (seu trabalho com estruturas metálicas móveis e ímãs dá origem a peças inspiradas na natureza que se abrem e ganham volume).

Sobre as designers:

Miki Asai | As peças de Miki Asai buscam a beleza por meio da imperfeição, explorando e exemplificando o conceito do wabi sabi. Para isso, ela usa materiais como casca de ovo, pequenos metais, laca japonesa e até pequenos pedaços de conchas e papéis, na criação de superfícies feitas de pedras minerais em pó, cujos efeitos contrastam com sua solidez e permanência. Sua produção já foi premiada pela Japan Jewellery Designers Association (JJDA), em Tóquio, e pelo The Goldsmith’s Center (Londres), uma das instituições mais importantes no campo da produção artística em nível global.

Naho Okamoto (SIRI SIRI) | Idealizadora e proprietária da SIRI SIRI, marca considerada uma das mais importantes da atualidade no setor de moda e design no Japão, Okamoto trabalha em colaboração com artesãos e produz peças com o máximo cuidado e atenção às técnicas tradicionais japonesas, como o estilo de faceta Kiriko e os trabalhos em vime que serão exibidos na exposição na Japan House São Paulo. Além da relevância comercial, qualidade e designs diferenciados, a empresa sediada em Tóquio possui políticas de sustentabilidade ligadas ao uso de materiais naturais e preservação do artesanato local, além de um programa de desenvolvimento e capacitação para jovens artesãos.

Mariko Kusumoto | Trabalhando principalmente com tecidos, fibras, resina e metal, Kusumoto produz peças etéreas, mesclando referências japonesas com outras ocidentais para criar joias e obras de arte leves, delicadas e inspiradas pela natureza. Sua produção é inteiramente artesanal e se destaca por seu aspecto lúdico vindo das cores, texturas e formas exuberantes. Usando técnicas de termofixação, ela dá ao tecido uma nova identidade, remodelando-o em formas tridimensionais de uma delicadeza lúdica. Durante esse processo, a designer fica atenta ao acaso e possíveis imperfeições que possam aparecer, incorporando-as em suas criações, uma postura muito semelhante ao conceito wabi-sabi. Dentre os destaques de seu trabalho está uma colaboração com Jean Paul Gaultier para a Paris Fashion Week, em 2019, além de exposições nos Estados Unidos, Portugal e Alemanha.

Emiko Suo | Emiko Suo se destaca no trabalho com metal, utilizando fios metálicos extrafinos, materiais de malha, entre outros, para explorar suas propriedades de tensão e leveza. O domínio de técnicas sofisticadas e complexas de metalurgia, aprendidas com seu pai durante a infância e posteriormente aperfeiçoadas na Tokyo University of the Arts, fizeram seu trabalho ser reconhecido tanto no Japão quanto internacionalmente desde a década de 1990.

Nahoko Fujimoto | Suas peças mostram um interesse pela tridimensionalidade, explorada utilizando papéis delicados e ímãs, que permitem que as peças, geralmente orgânicas e com referências diretas a elementos da natureza, como pássaros, conchas ou folhas, ganhem movimento.

Serviço:

Exposição “[ím]pares”

Apoio: Japan Jewellery Designers Association (JJDA)

Período: de 5 de abril a 12 de junho de 2022

Local: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 (térreo)

Horário: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Reserva online antecipada (opcional): https://agendamento.japanhousesp.com.br/.

A exposição conta com recursos de acessibilidade.

Confira as mídias sociais da Japan House São Paulo:

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Instagram: https://www.instagram.com/japanhousesp

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Sobre a Japan House São Paulo (JHSP)

A Japan House é uma iniciativa internacional com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre a cultura japonesa da atualidade e divulgar políticas governamentais. Inaugurada em 30 de abril de 2017, a Japan House São Paulo foi a primeira a abrir suas portas, seguida pelas unidades de Londres e Los Angeles. Estabelecida como um dos principais pontos de interesse da celebrada Avenida Paulista, a JHSP destaca em sua fachada proposta pelo arquiteto Kengo Kuma, a arte japonesa do encaixe usando a madeira Hinoki. Desde 2017, a instituição promoveu mais de trinta exposições e cerca de mil eventos em áreas como arquitetura, tecnologia, gastronomia, moda e arte, para os quais recebeu mais de dois milhões de visitantes. A oferta digital da instituição foi impulsionada e diversificada durante a Pandemia de Covid-19, atingindo mais de sete milhões de pessoas em 2020. No mesmo ano, expandiu geograficamente suas atividades para outros estados brasileiros e países da América Latina. A JHSP é certificada pelo LEED na categoria Platinum, o mais alto nível de sustentabilidade de edificações; e pelo Bureau Veritas com o selo SafeGuard – certificação de excelência nas medidas de segurança sanitária contra a Pandemia de Covid-19.

(Fonte: Suporte Comunicação)

Coro Contemporâneo de Campinas e Sinfônica da Unicamp realizam concerto de Páscoa

Campinas, por Kleber Patricio

O Coro Contemporâneo de Campinas (CCC) e a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) realizam entre os dias 6 e 8 de abril o Concerto de Páscoa “Stabat Mater”, com apresentações em diferentes igrejas de Campinas e Mogi Mirim, com regência do maestro Angelo José Fernandes. O concerto traz um repertório composto por dois Stabat Mater com texto adequado à Semana Santa, tradicional celebração da Igreja Católica que aborda as dores de Maria, Mãe de Jesus, durante a crucificação e morte de seu Filho. Stabat Mater compõe parte de um canto litúrgico católico que remonta ao século XIII.

O primeiro Stabat Mater é de G. B. Pergolesi para Soprano e Alto solo, coro feminino, orquestra de cordas e órgão. Já o segundo Stabat Mater traz J. J. E. Lobo de Mesquita para quarteto solista, coro misto, orquestra de cordas e órgão.

As apresentações serão gratuitas. Dias 6 e 8 em Campinas, às 19h30, nas Igrejas Santa Isabel e do Carmo, respectivamente, e dia 7 de abril, às 20h, na Matriz de Mogi Mirim.

PROGRAMA

Coro Contemporâneo de Campinas e Orquestra Sinfônica da Unicamp

Stabat Mater

Regência: Angelo J. Fernandes

Primeira parte

G. B. Pergolesi (1710-1736) – Stabat Mater

I. Coro: Stabat Mater dolorosa

II. Aria (Soprano): Cujus animam gementem

III. Coro: O quam tristia et afflicta

IV. Aria (Alto): Quae moerebat et dolebat

V. Dueto e coro: Quis est homo, qui non fleret

VI. Aria (Soprano): Vidit suum dulce natum

VII. Aria (Alto): Eja mater fons amoris

VIII. Coro: Fac, ut ardeat cor meum in amando Christum Deum

IX. Dueto e Coro: Sancta Mater istud agas

X. Aria (Alto): Fac, ut portem Christi mortem

XI. Dueto: Inflammatus et accensus per te

XII. Coro: Quando corpus morietur

Solistas: Marília Carvalho, soprano (dias 6 e 8)

Sarah Migliori, mezzo-soprano (dias 6 e 8)

Rebeca Oliveira, soprano (dia 7)

Rafaela Duria, soprano (dia 7)

Segunda parte

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805) – Stabat Mater

(Sequência de Nossa Senhora das Dores)

I. Stabat Mater (Moderato)

II. Eia Mater (Andante)

III. Amen (Allegro)

Solistas: Rebeca Oliveira, soprano (dias 6 e 8)

Marília Carvalho, soprano (dia 7)

Rafaela Duria, soprano (dias 6 e 8)

Sarah Migliori, mezzo-soprano (dia 7)

Clóvis Português, tenor

Daniel Luiz, barítono.

Serviço:

Stabat Mater | Coro Contemporâneo de Campinas e Orquestra Sinfônica da Unicamp

6 de abril, às 19h30 – Igreja Santa Isabel (Barão Geraldo, Campinas)

7 de abril, às 20h00 – Igreja Matriz São José (Mogi Mirim)

8 de abril, às 19h30 – Basílica Nossa Senhora do Carmo (Campinas)

Evento gratuito.

 (Fonte: Unicamp)

O potencial dos sistemas agroflorestais para conciliar bem-estar humano e conservação ambiental na Amazônia

Amazônia, por Kleber Patricio

Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real.

Percorrer algumas áreas agrícolas da Amazônia pode causar uma certa surpresa ao visitante. No mosaico de pastos e roças, que são mais comuns na região, a paisagem pode se tornar mais verde, densa e variada. Neste caso, visualizam-se árvores frondosas, como a castanheira, compartilhando espaço com cultivos, tais quais os do açaí, andiroba, copaíba, cupuaçu, cacau e banana, e ainda culturas anuais, como o milho e a mandioca. Essas paisagens compõem as chamadas Agroflorestas, Sistemas Agroflorestais (SAFs) ou simplesmente Consórcios, como as comunidades locais as denominam.

Elas não representam algo novo, pelo contrário. As comunidades locais da Amazônia vêm praticando sistemas integrados e diversificados ao longo dos séculos, desde o período pré-colombiano, mesmo antes da domesticação de espécies nativas para agricultura. Entretanto, a novidade das últimas décadas é o esforço empreendido por instituições de pesquisa, como Embrapa, Universidades, Organizações Não-Governamentais, junto a segmentos da produção familiar e comunidades tradicionais para expandir a implantação destes sistemas em substituição aos monocultivos de baixa produtividade. Basicamente, busca-se ampliar o potencial destes espaços de produção por meio da diversificação das espécies cultivadas em substituição aos sistemas de baixa produtividade e alta degradação ambiental que predominam na região.

A urgência é grande frente às múltiplas crises enfrentadas na Amazônia – climática, hídrica, alimentar e de direitos de Povos Indígenas e Comunidades Locais (PICL) – e que transbordam para outras regiões do Brasil. A transição para formas mais sustentáveis de produção agropecuária – i.e., que conservem o meio natural, minimizem as mudanças climáticas, reduzam impactos sobre a biodiversidade e beneficiem os PICLs – deve estar no centro das preocupações brasileiras. As agroflorestas, se bem planejadas e manejadas, pontuam em todos estes aspectos: aumentam biodiversidade, estoques de carbono e têm grande potencial para restaurar áreas agrícolas degradadas. Portanto, motivos não faltam para realizar o máximo desse potencial.

São ainda relativamente poucos os estudos sobre o potencial socioeconômico das agroflorestas. Ainda assim, as avaliações existentes vêm mostrando, de forma muito consistente, que os SAFs são altamente viáveis e que seus indicadores socioeconômicos são muito positivos. Abordamos alguns deles a seguir, a título de exemplo.

No município de Tomé-Açu, Pará, agricultores ligados à Cooperativa CAMTA (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu) desenvolvem SAFs nos quais áreas de 10 a 20 hectares (ha) produzem rendimentos comparáveis à pecuária bovina em pastagens de 400 a 1.200 ha. Esses SAFs geram mais empregos por unidade de área do que a pecuária extensiva à pasto. Além disso, tem se mostrado muito mais rentáveis do que a agricultura de corte-e-queima para comunidades de produtores familiares em áreas no médio Tapajós, no Pará.

Em Rondônia, um sistema agroflorestal do Projeto RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), os pesquisadores também mostraram resultados igualmente promissores. O RECA, juntamente com a CAMTA, constituem exemplos bem-sucedidos de agroflorestas na Amazônia. Em um dos SAFs estabelecidos no RECA – composto por copaíba, andiroba, cupuaçu, pupunha e bananeira – os empreendedores tiveram retorno financeiro desde o 2º ano de implantação, a partir da renda da comercialização da banana. Esse resultado foi uma novidade, uma vez que SAFs com espécies perenes geralmente demandam de 8 a 12 anos para obtenção de retorno econômico positivo aos investimentos. Neste caso, o valor presente líquido, calculado para 20 anos, representou cerca de R$41.300,00, com a renda anual de cerca de R$4.200 por hectare.

Mas como esses benefícios dos SAFs se comparam a outros sistemas agropecuários em curso na região? Usamos aqui um estudo da Rede Amazônia Sustentável (RAS), que comparou a variação da renda entre propriedades que adotam diferentes atividades agrícolas, em 2011, em Santarém e Paragominas, no Pará. A renda anual média por hectare em propriedades com cultivos perenes mais especializados, como frutas e pimenta-do-reino, foi cerca de quatro vezes superior à produção de soja e cerca de nove vezes – isso mesmo, NOVE vezes – superior à renda das propriedades com pecuária na região do estudo.

Apesar das vantagens dos sistemas agroflorestais, existem diversos obstáculos a sua adoção em larga escala pelos produtores familiares, que respondem por 83% dos 919.057 estabelecimentos na Amazônia Legal. Entre esses, se destacam os elevados custos de implementação inicial dos SAFs, as dificuldades de acesso e inadequação das linhas de crédito rural, dos serviços de assistência técnica e extensão rural e de acesso aos mercados para a comercialização desses produtos.

Por outro lado, há um momentum crescente em direção a uma nova bioeconomia da floresta e seus ecossistemas na Amazônia que preconiza todo um ambiente de inovação e integração da ciência com os conhecimentos tradicionais. Na visão dos amazônidas, esta inovadora Bioeconomia envolve, por exemplo, novos bioprodutos com maior valor agregado, novas formas de produção ou de cooperação social, ao mesmo tempo em que conserva os ecossistemas e o conhecimento tradicional. É certo que tal produção inovadora amplia extraordinariamente as oportunidades e o potencial das agroflorestas de contribuir para um processo de desenvolvimento inclusivo, com maior equidade e que concilia bem-estar humano com a conservação da biodiversidade.

Entretanto, não sejamos ingênuos: a realização desse potencial só será possível com mudanças profundas da realidade do interior amazônico. São essenciais as políticas públicas e grandes investimentos estruturais em pilares fundamentais: educação, saúde, pesquisa científica aplicada, assistência técnica contínua e de qualidade, ampliação do acesso ao crédito, prioridade para a implementação de uma infraestrutura sustentável dos modais de transporte, além da ampliação do acesso à comunicação rural.

Esses avanços fundamentais serão facilitados pela cooperação entre países amazônicos e não-amazônicos, bem como entre instituições de diversas origens e setores. A interrupção dos atuais incentivos para atividades predatórias é um ponto de partida fundamental para a emergência deste ambiente de inovação. As mudanças são urgentes e precisamos implementá-las em tempo recorde.

Sobre os Autores

Joice Ferreira é Ecóloga, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, co-fundadora da Rede Amazônia Sustentável (RAS). Na Embrapa, é membro do comitê gestor do Portfólio em Serviços Ambientais. É professora da pós-graduação na Universidade Federal do Pará. Sua pesquisa foca na interface entre os usos da terra e a conservação de Serviços Ambientais e Biodiversidade na região Amazônica. Joice é autora dos capítulos 27, 28, 29 e 30 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Judson F. Valentim é agrônomo, pesquisador da Embrapa Acre, presidente do Comitê Gestor do Portfólio Amazônia. Sua pesquisa tem foco em inovações e no suporte à formulação de políticas públicas para intensificação sustentável dos sistemas de produção agropecuários na Amazônia. Judson é autor dos capítulos 11, 27, 28, e 29 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Carlos Eduardo Young é Economista, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua na área de instrumentos econômicos para a política ambiental, valoração de serviços ecossistêmicos, macroeconomia do meio ambiente e contabilidade verde. Carlos é autor do capítulo 30 do Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia.

Sobre o Painel Científico para a Amazônia (PCA) | O Painel Científico para a Amazônia é uma iniciativa inédita convocada pela Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDSN), lançado em 2019 e inspirado no Pacto Leticia pela Amazônia. O PCA é composto por mais de 200 cientistas e pesquisadores proeminentes dos oito países amazônicos e Guiana Francesa, além de parceiros globais que apresentaram em 2021 um relatório inédito com uma abordagem abrangente, objetiva, transparente, sistemática e rigorosa do estado dos diversos ecossistemas da Amazônia e papel crítico dos Povos Indígenas e Comunidades Locais (IPLCs), pressões atuais e suas implicações para o bem-estar das populações e conservação dos ecossistemas da região e de outras partes do mundo, bem como oportunidades e opções de políticas relevantes para a conservação e desenvolvimento sustentável.

(Fonte: Agência Bori)

Como o fluxo da vida, mostra criada por Bia Lessa no SESC Avenida Paulista se modifica a cada movimento

São Paulo, por Kleber Patricio

“Mercadoria” – Cartas ao Mundo – frame de filme. Créditos: Bia Lessa.

“Acorda humanidade!” – Trecho de “A Idade da Terra”

Um manifesto. Um grito. Uma necessidade urgente de (re) pensar o mundo atual com os olhos – cabeça e coração – de Glauber Rocha. Três universos em caos controlado, suportes para olhares apurados e críticos dirigidos para a realidade em que estamos inseridos, para um contexto de pouco caso e desinteresse pelo outro, de declínio da capacidade de convivência, do que é público, coletivo, e de tudo aquilo que isso representa. “’Quis/mudar/tudo’: como no poema de Augusto de Campos, esse foi o mote desse projeto. Essa é a meta desse trabalho — o desejo de tomada de consciência e de mudança”, diz Bia Lessa, criadora e curadora da exposição “Cartas ao Mundo”, em cartaz no SESC Avenida Paulista, em São Paulo, de 2 de abril a 29 de maio de 2022.

Ao visitar a mostra, o espectador assume outros papeis quando se depara com os três capítulos de uma narrativa cinematográfica que estimula, com realidades e ambientes que ganham vida em uma expografia que se transforma incessantemente com cenários que se modificam durante a visitação. A exposição quebra as barreiras do que se costuma esperar de uma mostra e se encaminha para uma antiexposição, como diria Tadeusz Kantor.

“Mercadoria” – Cartas ao Mundo – frame de filme.

Formas, cores, atos e reflexos conduzem o visitante e são conduzidos por ele. Performances sequenciais, realizadas por uma dezena de artistas, vão preenchendo, assim, os universos dos filmes “Asfixia”, “Mercadoria” e “O Comum”. Assim como a experiência de uma miríade de obras de 80 artistas, reunidas com a contribuição especial de Vitor Garcez, Flora Süssekind, Ailton Krenak e Guilherme Wisnik.

Uma exposição-instalação, como define a curadora, com um tríptico fílmico cravado no coração de São Paulo e uma obra no Largo do Paissandu “que foi, realmente, o ponto inicial desse projeto e de seu esforço de reimaginar um trecho abandonado da cidade – e, nesse microcosmo, visualizar e pensar o país.” Essa série, cujos capítulos, ou seja, três universos, são vistos em contraste e diálogo mútuo e convidados a um trânsito entre espaço expositivo e visualização em celulares, sites e tevês. “Cartas ao Mundo” é um projeto intencionalmente expansivo e será apresentado em diferentes plataformas, ampliando o diálogo com o público e criando diferentes formas de apreciação.

No dia 2 de abril, o tríptico será lançado ao mesmo tempo no Canal Curta (onde os três capítulos serão apresentados em sequência) e no Curta!On, Globoplay, nos sites da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Instituto Inhotim. Também a partir desse dia o público poderá assistir aos filmes gratuitamente na Plataforma SESC Digital. Contando, ainda, com a obra “Black Sun”, do artista francês Cyril Lancelin, que marcará presença no Largo do Paissandu, sinalizando que é naquela área da cidade, naquele território, que acontece virtualmente o projeto “Cartas ao Mundo”. A divulgação do tríptico fílmico nessas plataformas e a abertura da exposição no SESC Avenida Paulista vão acontecer simultaneamente. A mostra conta com os apoios do Canal Curta, Consulado-Geral da França em São Paulo, Globoplay, Goethe-Institut São Paulo, Instituto Inhotim, LBM e Pinacoteca do Estado de São Paulo e com realização SESC.

“Asfixia” – Cartas ao Mundo – frame de filme.

A mostra acontece no SESC Avenida Paulista, na avenida que é símbolo da cidade, de “cidade” e de “urbanidade”, um espaço expositivo aberto, escancarado, para a vida urbana e pronto para ser invadido por tudo aquilo que vem dela: seus olhares, seus sons, seus lamentos, suas opiniões, seus medos, seus desejos, seus sonhos, sua revolta, sua vida que pulsa. E a exposição também sai literalmente do espaço expositivo, em cortejos, e se apresenta no espaço público da Avenida Paulista.

“A intenção é participar de um movimento que diz em alto e bom som ‘Assim não’. Não a uma cidade e a um país excludentes, que não consegue mais se ver”, anuncia Bia Lessa. E continua: “esse trabalho sai do fundo do estômago, passa pela garganta e cheira mal. Porque ele procura olhar de frente para o que nos sufoca. Porque ele existe com minhas tripas”. Aos 63 anos, ela dá voz a ações importantes para que este “não!” ganhe corpo, passo inicial para transformação. Assim como na obra de Glauber, em “Cartas ao Mundo” são evidentes a (r)evolução da linguagem, o diálogo com a atualidade, a quebra de barreiras e a ampliação dos limites, a ligação definitiva entre teoria e prática e o indispensável diálogo entre linguagens artísticas.

Expografia | A expografia, baseada numa ideia de doença e cura, transforma-se a cada hora, criando diferentes ambientes a cada um dos capítulos. A trilha sonora das performances é composta por Dany Roland. O Grivo, responsável pela trilha sonora das exposições, e Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, responsáveis pela música tema que ganhará a Avenida Paulista nos cortejos.

“Asfixia” – Cartas ao Mundo – frame de filme.

O design de luz é de Paulo Pederneiras e a preparação dos atores é de Amalia Lima. Compõem a exposição três filmes de 60 minutos de duração cada, imagens das obras de 80 artistas, textos e colagens criadas por Arnaldo Antunes.

Capítulo 1: Asfixia | Esse capítulo, intitulado “Asfixia”, mostra a degradação da cidade diante dos problemas oriundos das grandes metrópoles – problemas geográficos, sociais e econômicos. As questões são tratadas a partir de depoimentos, citações, poemas, imagens reais e imagens virtuais. A obra e a personalidade de Glauber Rocha foram utilizadas como elemento condutor da narrativa. Móveis hospitalares, duas grandes telas e 300 sacos de lixo compõem a expografia.

Capítulo 2: Mercadoria | O capítulo intitulado “Mercadoria” mostra a transformação dos cidadãos em consumidores, questionando os valores humanos. A partir da revolução industrial, o desenvolvimento tecnológico viabilizou a fabricação de produtos em larga escala e consequentemente fez surgir o homem/consumidor. O mundo fica de ponta cabeça, os móveis hospitalares ocupam o espaço aéreo e as obras de arte são transformadas em mercadorias.

Capítulo 3: O Comum | O capítulo três tem como ponto de partida o conceito de Comum de Antônio Negri e Michael Hardt. Uma nova forma de ocupação do Largo do Paissandu é proposta diante da reflexão visceral de Glauber Rocha. Um coro de narradores é constituído, dando ênfase à ideia de que a cidade é construída a partir da necessidade e do desejo plural. O mobiliário hospitalar é substituído por um labirinto de tecido transparente, uma expografia fluida, e caixas de papelão se transformam em suportes de obras.

Sobre Bia Lessa

Bia Lessa, paulista, artista responsável por trabalhos nas áreas de teatro, ópera, artes plásticas e cinema. Recentemente dirigiu os espetáculos: “Macunaíma”, de Mario de Andrade, “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, e “Pi Panorâmica Insana”, a partir de autores contemporâneos. Foi responsável pelo Pavilhão Humanidade 2012, no Forte de Copacabana durante a Rio + 20, pelo Pavilhão do Brasil na Expo 2000 na Alemanha, pela Reinauguração dos Painéis Guerra e Paz na ONU em NY, pela Exposição Grande Sertão Veredas na inauguração do Museu da Língua Portuguesa, pelo Módulo Barroco na Bienal do Redescobrimento, pela exposição Claro e Explícito, e Itaú Contemporâneo: arte no Brasil 1981-2006, no Instituto Cultural Itaú. Em cinema, dirigiu os longa-metragens “Crede-Mi” e “Então Morri” e finaliza “Travessia”, com estreia prevista para 2023. Dirigiu, ainda, as óperas “Suor Angélica”, de Puccini, “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni, “Pagliacci”, de Ruggero Leoncavallo, “Don Giovanni”, de Mozart e “Il Trovatore”, de Giuseppe Verdi, para a reinauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Trabalha atualmente na montagem de “Aida” no Theatro Municipal de São Paulo, com estreia prevista para 2 de junho desse ano. Seus espetáculos e filmes foram apresentados em diferentes países; entre eles, no Centre Georges Pompidou, em Paris, no Festival de Outono de Madri, no Festival Theater der Welt, na Alemanha, na Berlinale, em Berlin, em São Francisco, e Biarritz, em NY, entre outras cidades.

PROGRAMAÇÃO DE ATIVIDADES E ATIVIDADES PARALELAS 

Curso | “Desvendando o Cinema de Glauber Rocha”, com Maurício Cardoso

O curso aborda as concepções estéticas e políticas de Glauber Rocha a partir da análise fílmica de suas obras, destacando os eixos fundamentais e as transformações do seu trabalho. Cardoso apresenta como as concepções de História e revolução social de Rocha organizam a estrutura narrativa e sedimentam o princípio formal dos seus filmes. A cada encontro, objetiva-se compreender o modo pelo qual o filme selecionado problematiza e soluciona os dramas do mundo social, conduzindo a reflexão do cineasta em direção a uma perspectiva mística das forças históricas. Maurício Cardoso é Doutor em História Social pela USP e Université Paris Ouest Nanterre, professor doutor no Departamento de História da USP e autor de “O Cinema Tricontinental de Glauber Rocha: política, estética e revolução”.

Quando: 5 a 26 de abril de 2022, terças, das 19h às 22h

Local: Estúdio – 4º andar

Classificação etária: 18 anos

Inscrições: 23 de março, a partir das 14h, para Credencial Plena; 1º de abril, a partir das 14h, para público em geral, no Portal SESC São Paulo, pelo site (clique aqui) até esgotarem as vagas.

Grátis.

Serviço:

Exposição | “Cartas ao Mundo”

Quando: 2 de abril a 29 de maio de 2022, terça a sexta, das 12h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 18h30

Exibição dos filmes: terça a sexta, às 19h30. Sábados, domingos e feriados, às 11h30, 14h30 e 17h30. Terça e sexta: “Asfixia”, quarta: “Mercadoria”, quinta: “O Comum”, sábados, domingos e feriados: 11h30 – “Asfixia”, 14h30 – “Mercadoria” e 17h30 – “O Comum”.

Performances: terça a sexta, às 19h e 20h30, sábados, domingos e feriados, às 10h, 11h15, 12h30, 14h, 15h30 e 17h15.

Local: Praça (Térreo)

Classificação etária: Livre

Grátis

Agendamento de grupos: agendamento.avenidapaulista@sescsp.org.br.

Horário de funcionamento da unidade: terça a sexta, das 10h às 21h30 | sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

É necessário apresentar comprovante de vacinação contra Covid-19. Crianças de 5 a 11 anos devem apresentar o comprovante evidenciando uma dose, pessoas a partir de 12 anos, das duas doses (ou dose única), além de documento com foto para ingressar nas unidades do SESC no estado de São Paulo.

(Fonte: A4&Holofote)

“Saia Justa” estreia temporada inédita com novas apresentadoras

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Larissa Luz, Luana Xavier e Sabrina Sato se juntam a Astrid Fontenelle no sofá. Foto: Kelly Fuzaro.

O GNT estreou nesta quarta, 30 de março, a nova temporada de “Saia Justa”: o programa apresentou novidades no elenco, cenário repaginado e quadros especiais em homenagem ao seu aniversário de 20 anos. A atriz e apresentadora carioca Luana Xavier, a apresentadora e empresária paulistana Sabrina Sato e a cantora, atriz e apresentadora baiana Larissa Luz se juntam a Astrid Fontenelle no sofá, que dessa vez conta com cenário, assinado por Daniela Thomas e Felipe Tassara, inspirado no traço das figuras femininas de Henri Matisse. E para celebrar o marco de 20 anos, ao longo dos próximos meses o programa vai contar com quadros comemorativos, revistar seu acervo para resgatar momentos memoráveis e atualizar conceitos.

O programa conta ainda com uma passagem de bastão, na qual Mônica Martelli, Pitty e Gaby Amarantos fazem seus depoimentos sobre o que a atração representa para elas, os principais aprendizados e o legado pessoal e profissional de fazer parte da história do “Saia Justa”.

No programa desta quarta, as Saias falaram sobre a forma com que encaram estreias na vida, como o primeiro trabalho, a primeira decepção amorosa, o primeiro filho e até mesmo a estreia das novas apresentadoras do programa. Na sequência, comentaram sobre os riscos de rotular uma pessoa por características físicas ou de personalidade. E, para encerrar, aproveitando a véspera do Dia da Mentira, a atração discutiu como o ato de mentir mudou com as vidas privadas conectadas nas redes sociais.

Programa comemora 20 anos ao longo de 2022

Durante toda essa temporada, o Saia Justa vai celebrar sua própria história resgatando o acervo do programa e lembrando de grandes momentos de sua trajetória, abordando temáticas já debatidas antes com um olhar atual e refletindo sobre as mudanças e transformações da sociedade. “Nesses 20 anos do ‘Saia justa’ eu sou pura emoção por ter o privilégio de estar com novas integrantes revisitando e comemorando nosso passado e seguindo aprendendo muito, tendo minha curiosidade sendo aguçada e, claro, me divertindo toda quarta-feira à noite”, comenta Astrid.

Novos quadros e reportagens | Para brincar com o conceito de “pensar fora da caixa”, as apresentadoras são convidadas a participar de uma dinâmica onde questionam frases clichês que todas nós falamos de vez em quando. Em “O que você faria?”, a partir de um filme, novela ou cena do Big Brother Brasil, as Saias desenvolvem o bloco com a seguinte premissa: a partir dessa cena, o que você faria? Jout Jout segue como colunista do programa. Astrid Fontenelle mostra histórias de vidas inspiradoras e surpreendentes das mulheres que já passaram dos 50 anos.

Sobre o GNT | O GNT é uma marca multiplataforma, que busca inspirar e é inspirada pelas histórias das pessoas. Histórias de gente que ama comer, cuidar da casa, da autoestima. Histórias de gente que trabalha e viaja para valer, gosta de um bom papo e, principalmente, descontrair. A partir do diálogo, queremos promover discussões relevantes para a sociedade. Você pode acessar esse e todos os outros produtos do GNT por meio das diversas plataformas da marca:

Para assistir a qualquer hora do dia: Canais Globo

Para conferir trechos com os melhores momentos: YouTube

Para saber tudo o que acontece nos bastidores: Instagram e Facebook.

(Fonte: In Press Porter Novelli Assessoria de Comunicação)