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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Inhotim recebe doação da coleção de Bernardo Paz

Brumadinho, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação/Inhotim.

A partir de junho, o Instituto Inhotim inaugura um novo momento de sua história. O empresário, colecionador, mecenas e fundador do Inhotim Bernardo Paz transfere de forma definitiva para a instituição uma inestimável coleção composta de aproximadamente 330 obras de sua coleção de arte contemporânea nacional e internacional, incluindo todas as 23 galerias e obras permanentes do museu e a área de 140 hectares, que compreende todo o jardim botânico com mais de 4,3 mil espécies de diversos continentes.

A doação de Bernardo Paz encabeça o projeto O Inhotim de Todos e Para Todos, que tem como objetivo fortalecer a vocação pública da instituição, seu caráter de museu vivo e seu colecionismo ativo. Seu escopo também compreende a constituição de uma nova e moderna governança, com ampla representatividade da sociedade civil, e liderada pela nova diretoria do Instituto Inhotim – Lucas Pessôa, Paula Azevedo e Julieta González – que assumiu em janeiro de 2022. A reformulação também tem como premissa institucionalizar, cada vez mais, as ações do museu, de forma a garantir sua perenidade, sustentabilidade financeira, democratização do acesso e ampliação da programação artística e socioeducativa.

“A doação e a abertura do Inhotim à sociedade é um processo que começou há muito mais tempo, quando o Bernardo decidiu generosamente abrir sua coleção privada à visitação pública, em 2006. De lá pra cá, foram quase 4 milhões de visitantes em seus 15 anos, além de mais de 800 mil crianças, adolescentes e adultos atendidos em programas socioeducativos. Portanto, apesar de ser uma instituição privada, sua atividade fim é pública”, afirma Lucas Pessôa, diretor-presidente do Inhotim. “A doação e a nova governança consolidam esse processo e reafirmam essa vocação pública do Inhotim, preparando a instituição para o futuro a partir de uma relação mais aberta e permeável com a sociedade e do fortalecimento das bases para sua sustentabilidade”, completa.

De Bernardo Paz para Todos – a doação

A coleção de arte contemporânea de Bernardo Paz é uma das maiores e mais importantes do Hemisfério Sul, com esculturas, instalações, fotografias, vídeos, pinturas e desenhos de expoentes da cena nacional e internacional, como Anri Sala, Arthur Jafa, Babette Mangolte, Chris Burden, Dan Graham, David Lamelas, Do-Ho Suh, Ernesto Neto, Mathew Barney, Nelson Leirner, Rosana Paulino, Olafur Eliasson e Yayoi Kusama. A lista reúne trabalhos inéditos da coleção de Paz, nunca expostos no Inhotim.

A doação, de caráter definitivo e irrevogável, contempla também as galerias emblemáticas de artistas como Adriana Varejão, Carlos Garaicoa, Cildo Meireles, Doug Aitken, Lygia Pape, Matthew Barney, Miguel Rio Branco, Valeska Soares, Rivane Neuenschwander e Tunga, entre outros. A transferência dessas obras e galerias, algumas com projetos arquitetônicos premiados, representam um marco para a cultura brasileira: Inhotim passa a ser a única instituição do Brasil onde a arte contemporânea internacional está em exibição permanente para o público.

“O Inhotim nasceu de um projeto de vida e foi se ampliando ao longo dos anos. A doação é um processo natural desse percurso. O Inhotim não é meu, Inhotim é de todo mundo”, afirma Bernardo Paz, fundador do Instituto.

Para Julieta González, diretora artística do museu, “a doação contribui para tornar o Inhotim um museu mais ativo, com uma programação pública mais intensa, mudanças mais dinâmicas nas galerias, colaborações com outras instituições, uma integração ainda maior entre arte e natureza e com as comunidades do entorno”, pontua.

Atrelada à configuração do Inhotim, que integra arte e natureza no mesmo diapasão, a coleção de Botânica de Bernardo Paz será integralmente doada e incorporada ao Instituto. Ela compreende mais de 4,3 mil espécies de diversos continentes espalhadas pelos 140 hectares do Inhotim – algumas raras e ameaçadas de extinção – e uma das maiores coleções de palmeiras do mundo, além de três viveiros, laboratório de botânica e oito jardins temáticos.

Nova e moderna governança – Um Museu Vivo e Perene para Todos

Com a chegada da nova diretoria em janeiro de 2022, o Inhotim deu início a um processo de ampliação da participação da sociedade civil. Para isso, uma das primeiras medidas foi a constituição de uma nova e moderna governança por meio da formação de um novo Conselho Deliberativo. Trata-se de um grupo amplo e representativo, que passa a integrar a instância máxima de gestão da instituição atuando como guardião da nova governança do museu e contribuindo para sua perenidade.

Segundo Paula Azevedo, diretora vice-presidente do Inhotim, “o novo processo de institucionalização e de doação do Bernardo resultou em uma grande aproximação da sociedade civil, com a formação de um novo Conselho Deliberativo, o fortalecimento dos programas de captação de pessoas físicas como o patronato, o programa de Amigos do Inhotim e de captação pessoa jurídica que, juntos, refletem a potência do Instituto na sociedade”.

A nova governança, que contou com a participação do escritório BMA Advogados para a sua estruturação jurídica, também vem se dedicando a buscar modelos que garantam a sustentabilidade financeira do Inhotim. Atualmente, dos recursos mantenedores da instituição, que promove um significativo e positivo impacto socioeconômico na população local, entre 60 e 70% são oriundos de doações diretas, sem incentivo fiscal, realizados por Bernardo Paz.

O novo Conselho terá Bernardo Paz como presidente e o empresário mineiro Eugênio Mattar como vice-presidente. Junto a eles estarão 18 pessoas, entre executivos de diversos setores e agentes culturais como Jandaraci Araújo, cofundadora do Conselheiras 101 – programa que visa a inclusão de mulheres negras em conselhos de administração – e CFO da 99jobs; Susana Steinbruch, colecionadora e conselheira fundadora da Fundacción Museo Reina Sofia e Guilherme Teixeira, diretor da Barbosa Mello Construtora.

O Conselho passa a ser a instância máxima da instituição, com mandatos alternados e estabelecidos, assegurando sua constante renovação. O grupo, neste momento constituído por 20 pessoas – que deverá ser ampliado até o fim do ano com mais 10 integrantes –, terá mandatos temporários, renovados de três a quatro anos. O novo Conselho será responsável pelas deliberações administrativas e financeiras do Instituto, mas não terá papel decisório na programação cultural, que se mantêm independente e organizada pela diretoria artística. Além do grupo Deliberativo, o Inhotim também terá um Conselho Fiscal, com a função de acompanhar e fiscalizar as prestações de contas e a organização financeira da instituição.

A contribuição financeira do Conselho – que tem caráter simbólico ao fortalecer o engajamento dos conselheiros e reforçar o sentimento de que eles estão a serviço da instituição – vai muito além dos recursos financeiros. Composto por pessoas da área ambiental, cultural e social, cerca de 30% desses conselheiros serão isentos de contribuição para que a instituição possa ter a presença de outros perfis que colaborem com seu notório saber, além de tornar essa instância da governança mais plural e representativa.

A chegada dos novos membros do Conselho tem como uma de suas principais missões o aumento da superfície de contato com a sociedade civil, por meio da participação ativa de seus representantes e de medidas que tragam a sociedade como um todo como parte do Inhotim.

O Instituto Inhotim conta com apoio do Instituto Cultural Vale, Itaú, Cemig e CBMM.

(Fonte: Instituto Inhotim)

MACC recebe exposições ‘Sobre Sub Solo’ e ‘Diário 366’

Campinas, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

O Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) estreia nesta quarta-feira, 8 de junho, duas exposições: “Sobre Sub Solo”, de Andrea Mendes, e “Diário 366”, de Bruno Novaes. A estreia será às 19h para convidados. O público poderá ver as mostras a partir de quinta-feira, 9 de junho, das 9h às 17h. A entrada é gratuita. O evento tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas.

A exposição “Sobre Sub Solo”, de Andrea Mendes, é a conclusão de um processo de pesquisa pautado por evocações de memórias que revisitam sua cartografia de deslocamentos e enraizamentos, a partir do próprio corpo e do território. Neste trabalho, Andrea Mendes apresenta uma cartografia de resistências ao apagamento de uma gama de sensibilidades, que transitam de seu Nascedouro (Itaberaba -BA) para o seu Acolhedouro (Campinas); que se recriam em seu Renascedouro (Araras) e que se redescobrem conectadas com múltiplas culturas, na vivência em um Hospedadouro como artista convidada nas ocupações na comunidade de Bermudez, interior da Argentina.

Para simbolizar esse percurso cartográfico,a artista escolheu a Pipa como símbolo de seus deslocamentos por territórios e fez dela o suporte das imagens que registram suas vivências e atuações. Com produção de PretAção e Tomada Cultural, a exposição foi contemplada pelo edital do ProAC Direto – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo.

“A pipa, símbolo tão marcado em meu trabalho, faz menção direta ao território acolhedor. A pipa é tradicional na comunidade: acolhida por crianças e adultos, tornou-se uma de suas referências culturais”, diz a artista.

De acordo com a curadora da exposição, Sônia Fardin, o traço comum das imagens que registram as vivências e as atuações criativas de Andrea Mendes é a face altiva da classe trabalhadora latino-americana, com suas formas de enfrentar o colonialismo, o neoliberalismo e a violência que tem colapsado comunidades centenárias, rurais e urbanas; gente que luta contra a desumanização dos movimentos do capital, que expulsa trabalhadores de suas terras para expandir contingentes de braços excedentes nos arrabaldes das metrópoles.

Nas construções artísticas – pinturas, instalações, desenhos e vídeos que documentam suas performances –, realizadas entre outubro de 2019 e dezembro de 2021, a artista fez uso de fios e traços, tintas e linhas, rasgos e costuras, gestos e olhares, para, dialeticamente, frisar e esgarçar as barreiras e limites impostos pelas forças do capital.

Mais de 360 histórias de vida  

A mostra “Diário 366” exibe as páginas do diário do artista Bruno Novaes e objetos que compõem seu novo trabalho, um projeto colaborativo onde a documentação de sua história pessoal se mistura com a de voluntários, em um processo que se estendeu por um período de quatro anos.

O projeto teve início com registros diários feitos pelo artista no ano bissexto de 2016, usando diferentes linguagens, como texto, desenho, colagem e fotografia. Em seguida, os participantes escolheram datas e receberam as páginas correspondentes do caderno, digitalizadas em forma de cartão-postal. Estes colaboradores responderam com o envio de itens que comentavam o motivo da escolha por aquele dia, criando uma relação de troca de confidências com o artista.

Todo esse processo foi documentado em um grande calendário, onde Novaes fez o controle das devolutivas por meio de aquarelas dos itens recebidos. A mostra, além de apresentar as pinturas dessa catalogação anual, as páginas do diário do artista e todo o acervo recebido, também abrigará o lançamento do livro homônimo, premiado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura Aldir Blanc.

Entre as motivações para as participações, as escolhas das datas misturaram aspectos individuais e íntimos com acontecimentos culturais e coletivos, resultando em um arquivo que coloca objetos ordinários, trabalhos de arte, documentos pessoais e lembranças afetivas em um mesmo plano. Assim, criou-se um diário que, além de servir como instrumento para o conhecimento de si, se tornou uma narrativa coletiva das memórias, afetos e histórias de vida de mais de trezentas pessoas.

Longas cartas contando sobre experiências pessoais, fotografias, documentos e outros objetos estão entre os itens recebidos, que muitas vezes chegaram sem explicações. Entre eles uma certidão de óbito, que levanta perguntas sobre como aconteceu tal perda. De modo geral, os itens que chegaram acabam por exigir o uso da imaginação para que se tente deduzir ou mesmo ampliar seus significados, o que confere ao livro um caráter simultâneo de documentação e narrativa de ficção.

Serviço:

Exposição “Sobre Sub Solo”

Artista: Andrea Mendes

Curadora: Sônia Fardin

Quando: de 9/jun a 29/jul

Visitação: de terça a sexta-feira

Horário: das 9h às 17h

Instagram: @sobresubsolo

* Há ainda o agendamento guiado para educadores, que pode ser feito pelo e-mail

sobresubsolo@gmail.com ou pelo telefone/WhatsApp (11) 95055-8779 (Paula Pimenta)

Exposição “Diário 366”

Artista: Bruno Novaes

Quando: 9/jun a 29/jul

Visitação: de terça à sexta-feira

Horários: das 9h às 17h

Onde: MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas

Endereço: Av. Benjamin Constant, 1633 – Centro, Campinas (SP).

(Fonte: Prefeitura de Campinas)

“Monalisas Brasileiras” homenageia grandes mulheres nas janelas da fachada do Centro Cultural dos Correios

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Uma mostra virada para a rua e montada em janelas de um prédio histórico – assim é a exposição “Todo dia também é dia da mulher” do projeto “Monalisas Brasileiras” do artista plástico Dilson Cavalcanti, que abre no dia 16/06,, na fachada do Centro Cultural dos Correios. São 18 telas gigantes (1m70 X 1m40) de Monalisas estilizadas, representando importantes mulheres brasileiras, como Princesa Isabel, Elza Soares, Maria da Penha, Hebe Camargo, Dandara, Helô Pinheiro, Tarsila do Amaral, Dra. Zilda Arns, Anitta Garibaldi, Santa Dulce dos Pobres, Chica da Silva, Maria Quitéria e Ana Neri, entre outras que irão chamar atenção do público passante da Rua Visconde de Inhaúma, no Centro. “A ideia é reverenciar diversas mulheres brasileiras que vêm protagonizando transformações em suas vidas e na sociedade, nos últimos cinco séculos, e que, muitas vezes, foram ignoradas. Ao exibir as telas em áreas de grande circulação de pessoas e com acesso gratuito, esses ícones passam a despertar curiosidade de pessoas de todas as idades”, explica o artista Dilson Cavalcanti.

Sobre as Monalisas Brasileiras:

“Foi em 2019, quando fez 500 anos da morte de Leonardo da Vinci, que este projeto nasceu. A imagem da Monalisa é conhecida, mas o legado de Catarina Paraguaçu, uma índia que era dotada de uma inteligência e protagonismo raros em sua época, quando o Brasil ainda era colônia portuguesa, pouca gente conhece”, relata. “Irmã Dulce, hoje Santa Dulce dos Pobres, nascida na Bahia, no início do século 20, trabalhou incansavelmente pelos pobres da região, deixando um legado ativo e forte, mesmo após sua morte, em 1992. A cantora Elza Soares, que acaba de nos deixar, é especialmente homenageada. A ex-deputada Maria da Penha dispensa apresentações, mas também é um dos ícones contemporâneos da exposição”.

“No trabalho híbrido que venho desenvolvendo uso tinta acrílica, água, esponjas, pincéis, espátulas e até rodo de estamparia. Os recursos gráficos digitais, usados na impressão digital das Monalisas Brasileiras deram outra expressão para o meu trabalho abstrato de pintura”, diz Dilson Cavalcanti.

Essa mostra “Monalisas Brasileiras” já passou por São Bernardo do Campo, na pinacoteca da cidade do ABC Paulista (exposição em curso) e na estação do Metrô Trianon-Masp, em São Paulo.

O artista Dilson Cavalcanti nasceu em outubro de 1955, no pequeno município pernambucano de Tupanatinga, mas mudou-se com a família para São Paulo antes de completar dois anos. Com formação em marketing e administração, trabalhou com moda e varejo de produtos. Há 15 anos passou a trabalhar com arte.

Serviço:

Exposição “Todo dia também é Dia Da Mulher”, de Dilson Cavalcanti – Curadoria de Rubens Pontes

Quando: 16/6/2022 a 22/7/2022

Onde: Centro Cultural dos Correios RJ na área externa

Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro – RJ

Acesso gratuito que pode ser visitado dia e noite.

(Fonte: Angela Falcão Assessoria de Imprensa)

Laura Vinci apresenta obras inéditas em “Maquinamata” na Nara Roesler Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Flavio Freire. 

Nara Roesler Rio de Janeiro tem o prazer de anunciar “Maquinamata”, individual de Laura Vinci que abre ao público no dia 9 de junho e segue em exibição até 6 de agosto de 2022. Na exposição, um singular conjunto de esculturas cinéticas, criado especialmente para a mostra, explora relações sutilmente inusitadas entre o universo mecânico e o natural.

Desde muito tempo a natureza se faz presente na poética das obras de Laura Vinci, seja pela utilização de seus elementos, seja pela apropriação de suas formas. Em “No ar”, por exemplo, ela utiliza bicos de aspersão em alta pressão, fazendo com que a água lançada fique entre o estado gasoso e o estado líquido, criando assim uma espécie de neblina que se espalha pelo espaço expositivo, seja ele fechado ou ao ar livre. Em “Estados”, Vinci emprega estruturas de refrigeração para condensar partículas de água suspensas no ar, fazendo-as visíveis em letreiros de metal, enquanto em “Máquina do mundo”, obra que integra o acervo permanente de Inhotim, uma esteira transporta pó de mármore de um lugar a outro, em um esforço repetitivo, lento e ostensivamente não produtivo.

Foto: Erika Mayumi.

Nesses trabalhos, o emprego da tecnologia põe em evidência elementos invisíveis como o ar, a umidade e, principalmente, o próprio tempo, alterando a dinâmica entre a percepção do ambiente e o nosso corpo. Em anos recentes, Vinci deu continuidade a essa aproximação à natureza criando esculturas de latão banhadas a ouro que parecem tornar permanentes estruturas vivas como galhos e folhas. Penduradas no teto ou nas paredes, essas estruturas transformam o espaço em que se inserem em enigmáticas florestas sem lugar, como ocorreu na exposição “Folhas avulsas e galhos”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2019.

O título da exposição possui significados múltiplos, pois tanto fala da força destruidora da máquina, levando-nos a pensar nos efeitos da industrialização desenfreada no mundo, como propõe pensarmos a mata como uma espécie de máquina, tendo em vista a delicada engenharia interna que envolve os mecanismos desenvolvidos para sua sobrevivência e sua extraordinária capacidade expansiva e multiplicadora. “Maquinamata” define bem, ao mesmo tempo, o caráter dúbio e instigante dos trabalhos apresentados por Vinci, que aliam pequenos motores com estruturas de folhas e galhos naturais feitos em latão. Acionando fragmentos evocativos da natureza – uma folha que rodopia no ar, galhos sacudidos como se fosse pelo vento, inesperados sopros de pólen – , tais dispositivos despertam uma aura que ressoa poeticamente em nossa memória afetiva, mostrando-se ao mesmo tempo, de maneira perturbadora e quase sinistra, fantasmáticos e robóticos.

Foto: Erika Mayumi.

Laura Vinci aponta para a urgência de criarmos novos paradigmas para os modos como percebemos e nos relacionamos com aquilo que chamamos ainda, talvez tarde demais, de mundo natural. A máquina, criação humana por excelência, representativa do desenvolvimento industrial que nos distanciou da natureza, é abordada pela artista numa direção incomum – a de uma aproximação sensível que é ao mesmo tempo humorada e corrosiva, lírica e pungente.

A exposição é acompanhada de um texto produzido por Felipe Scovino.

Serviço:

Galeria Nara Roesler

Rua Redentor, 241 – Rio de Janeiro (RJ)

Abertura 9 de junho – das 17h às 20h

Período expositivo – 9 de junho a 6 de agosto.

(Fonte: Ju Vilela Press)

Livro traz imagens que ajudam a entender marginalização dos povos da Amazônia

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Fotos: divulgação.

A Amazônia do fim do século XIX era lugar de todas as gentes, de todas as cores, de todas as caras a falar um mundo de línguas. Mas nem tudo é verde esperança na floresta amazônica. “A Ideia de Civilização nas Imagens da Amazônia 1865-1908”, conduz, quem ler o livro, a se enveredar pela experiência de vida de quem produziu e de quem foi o foco das imagens. Lançado pela Editora Telha, a obra desperta a curiosidade de quem está na Amazônia ou longe dela. Daqueles que desejam entender a exploração humana dissimulada na bem-aventurança do progresso.

Grandes palacetes, modernos bondes elétricos, tratamento de água, óperas famosas – assim era a Amazônia nos tempos da borracha. A “Paris dos trópicos”, título disputado entre Manaus do Amazonas e Belém do Pará. Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais…  tiveram a chance. Como afirma o autor, nas imagens fotográficas da Amazônia brasileira era mostrada “a pobreza na condição de ser civilizado e o exótico na condição de ser explorado”. Será que ainda somos assim? Reféns dos nossos preconceitos?

Esta obra, repleta de iconografias da época, tem por objetivo a compreensão das relações sociais, políticas, econômicas e culturais, transformadas em expressões visuais, que nos mostrem a luta local pela preservação do tradicional e do “progresso a qualquer custo”. A magia que impera no coração da maior floresta do planeta vem sucumbindo, pouco a pouco, às ações de degradação do homem, seja através das mãos dos escravos do passado, seja através da mineração ilegal do presente.

Fotos: divulgação.

(…) para nos lembrar de nosso dever de historiadores que é justamente o dever de contar muito bem essa História para que as crianças indígenas tenham condições de continuar a resistir à falácia do progresso e da civilização que durante tantos séculos tentaram propalar como sendo a única possibilidade da humanidade e do Brasil. Quantas vidas mais irão embora, quanta violência mais será usada e justificada na primazia do lucro? Até quando a Amazônia irá aguentar os ataques do famigerado capitalismo destrói o planeta e toda a beleza dessa natureza e dos guerreiros povos indígenas registrados nesses álbuns? – Do Prefácio.

Em “A Ideia de Civilização nas Imagens da Amazônia 1865-1908”, somos capazes de refletir juntos sobre esses conceitos de arqueologia e genealogia, em que escavamos o passado com o olhar do presente. Por meio da tríade “Comunicação, Territorialidades e Saberes Amazônicos”, é possível contemplar investigações que deem conta do intenso trânsito étnico e cultural da região. A partir deste ponto, o que temos é uma reflexão do autor sobre a seguinte pergunta: Como se constitui historicamente a ideia de civilização nas imagens fotográficas da Amazônia brasileira?

Sobre o autor | Maurício Zouein nasceu na cidade de São Paulo e está em Roraima desde 1974. Trabalhou na Comissão de Criação do Parque Yanomami (CCPY) e conviveu com a fotografa Claudia Andújar realizando trabalhos com as comunidades Yanomami, Yekuana e Sanumá. Colaborou na pesquisa referente a semiótica americana conjuntamente com o professor Floyd Merrell da Purdue University. Desenvolve pesquisa no Laboratório de Imagem, Metrópole, Arte e Memória (IMAM-UFRJ) e na linha de pesquisa Visualidades Amazônicas (PPGCOM-UFRR/CNPq). Após concluir os cursos Understanding Research Methods – University of London (UK) e Seeing Through Photographs – Museum of Modern Art – MoMA NYC – (USA), seu interesse voltou-se para as visualidades amazônicas que incorporam a pintura, gravura e fotografia.

Sobre a Editora Telha | Desenvolvida no Rio de Janeiro, a Editora Telha nasce no fim de 2019 e já alcança, em sua primeira publicação “Motel Brasil: uma antropologia contemporânea”, de Jérôme Souty, a marca de obra finalista do Prêmio Jabuti 2020. Interdependente (porque independente ninguém é realmente), a Telha surgiu pelo desejo de editar com maior autonomia e criar mais espaço para textos produzidos por autores fora dos grandes centros.

Serviço:

Livro “A Ideia de Civilização nas Imagens da Amazônia (1865–1908)”

Autor: Maurício Zouein

Editora: Telha

Páginas: 270

Preço: R$69,00

Adquira em: https://editoratelha.com.br/product/a-ideia-de-civilizacao-nas-imagens-da-amazonia-1865-1908/.

(Fonte: Aspas & Vírgulas)