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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Livro investiga morte, tortura e outros crimes históricos que marcam ação do Estado brasileiro há 200 anos

São Paulo, por Kleber Patricio

Reconhecer a brutalidade que vem constituindo a história do Brasil como nação não faz parte da trajetória do dito “povo cordial”, mito que caiu por terra com a eleição de um governo que institucionalizou o discurso de ódio e a impunidade dos agentes de Segurança Pública. A partir de uma farta documentação histórica, a pesquisadora Viviane Gouvêa publica, em lançamento pela Editora Planeta, “Extermínio: duzentos anos de um estado genocida”, livro que analisa o caráter historicamente arbitrário das nossas leis e a limitação das nossas democracias.

Desde a Independência do Brasil, há duzentos anos, o povo brasileiro vive as barbaridades perpetradas por um Estado que deveria garantir seu bem-estar. No livro, Viviane apresenta trechos de documentação oficial e registros de testemunhas contemporâneas aos levantamentos históricos analisados, para que se possa recuperar o que foi registrado, descrito e carimbado por aqueles que infringiram tais violências, os que as testemunharam e os que as sofreram.

Morte, crueldades e diversas outras formas de ilegalidades fazem parte da construção da história do país, que teve a tortura como prática comum, aceita e mesmo prevista pela sociedade e pela ambiguidade das leis em diferentes contextos. Do dispositivo legal no período imperial que liberava chicotadas e fazia vista grossa para outras atrocidades, passando pelo massacre dos cabanos, dos povos indígenas, sindicalistas, até subir os morros do Rio de Janeiro e mostrar que as diversas chacinas – Vigário Geral (1993), Complexo do Alemão (2007), Jacarezinho (2021) – não são exceção, a autora denuncia como forças públicas e privadas de segurança sempre obedeceram às tarefas que grupos no topo da hierarquia política e econômica consideravam necessárias para que o povo voltasse a ser um povo ordeiro.

A partir de uma investigação minuciosa, Viviane ilustra como as ações de violências exacerbadas são perpetradas tanto por parte das elites, que defendem seus privilégios ancestrais, como dos agentes públicos, mesmo quando as instituições democráticas estão funcionando. A ilusão de que o nascimento do Brasil se deu de forma pacífica é parte de uma falácia que acompanha a banalização da violência, que sempre se deu às claras. “Ao chegar ao final deste livro, talvez os leitores tenham menos estranhamento diante do descalabro de um país em que linchamentos de negros e macumbeiros são vistos quase com tolerância pelo cidadão comum, que consegue (com a consciência tranquila) eleger políticos que defendem tortura, estupro e assassinato se a pessoa merecer”, pontua a autora.

Trecho: “Quando o Estado não pune um dos seus agentes por práticas ilegais e, nesse caso, que violam direitos humanos, a mensagem é clara: não tem problema arrancar unha de detento ou esfregar a cara do pivete no asfalto a uma temperatura de 55 °C. Faz parte do jogo e nossas leis não precisam ser aplicadas para todo mundo.

Um sem-número de cidadãos do bem partilha dessa visão de mundo e essa mensagem recebe apoio incondicional daqueles que se acham a salvo. Mas a verdade é que, se os agentes do Estado agem contra a ordem estabelecida pelo próprio, sem medo de represálias, torna-se difícil controlar o grau de violência utilizado e mesmo seus alvos. Apesar de a violência policial ter alvo certo (a população preta e pobre), o descalabro da nossa impunidade atualmente permite que fiscais do Ministério do Trabalho que denunciam trabalho escravo, juízas e vereadoras que investigam milícias, jornalistas estrangeiros e servidores públicos que denunciam desmandos e assassinatos na floresta sejam assassinados por pessoas direta ou indiretamente ligadas às forças de segurança (públicas ou privadas) e a serviço de sabe-se-lá-o-quê. Tais soldados algumas vezes pagam a conta dos seus mandantes, demasiado no topo da hierarquia para sofrerem sequer arranhões. Mas o estrago já está feito.”

Ficha técnica:

Título: Extermínio: duzentos anos de um estado genocida

Autora: Viviane Gouvêa

256 páginas

Livro físico: R$61,90 | E-book: R$42,90

Editora Planeta

Sobre a autora | Viviane Gouvêa é formada em Ciências Sociais e mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É pesquisadora do Arquivo Nacional desde 2006.

Sobre a editora | Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

(Fonte: Editora Planeta)

Theatro Municipal do RJ celebra os 100 anos do rádio no Brasil

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Fotos: Daniel A. Rodrigues.

No dia em que se comemora a independência do Brasil, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro serve de palco para uma grande festa: os 100 anos do Rádio. E foi neste templo da música erudita que aconteceu, há um século, a primeira transmissão de rádio com “O Guarany”, de Carlos Gomes. Em 2022, no dia 7 de setembro, duas Orquestras se apresentam no Municipal do Rio: a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal e a Orquestra Sinfônica Nacional.

“É um marco histórico para essa casa secular celebrar o centenário do Rádio em nosso palco, nessa linda parceria com a EBC e em uma data tão emblemática como o 7 de setembro. Será uma noite muito especial, com um programa primoroso apresentando obras de Carlos Gomes e Heitor Villa-Lobos”, celebra a presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino.

O presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Glen Valente, destaca a importância desta comemoração: “A primeira transmissão de rádio, feita em 1922 a partir das estações instaladas no Rio de Janeiro, então capital federal, revolucionou a comunicação e a cultura brasileira. Hoje, o veículo mantém sua relevância e permanece em constante transformação. Ao integrarem o território nacional pela informação, boa música e veiculação de utilidade pública, as emissoras de rádio geridas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) escrevem sua história junto com a própria história das transmissões radiofônicas no país”.

O diretor artístico do Theatro Municipal, o tenor Eric Herrero que também vai se apresentar na data, enaltece esta parceria: “A celebração do centenário do rádio não poderia acontecer em outro palco que não fosse o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dele foi feita a primeira transmissão, em 7 de setembro de 1922. Toda a Cinelândia pôde ouvir a ópera ‘O Guarani’, de Carlos Gomes, naquela data histórica. Agora, 100 anos depois, em parceria com a EBC, nossa OSTM volta a executar trechos desta ópera brasileira para todo o país e para o mundo, graças à internet. É uma alegria enorme para todos nós poder contribuir para a viabilização e execução de tão importante festa desse veículo de comunicação que nos acompanha e ajuda no desenvolvimento da sociedade” .

Na primeira parte do concerto, a OSTM vai executar trechos da Ópera “II Guarany”, com a abertura Balada de Cecilia: “C’era una volta un príncipe”, Aria de “Pery – Vanto io pur superba cuna” e o famoso dueto “Sento una forza indômita”. Como solistas, Maria Gerk (Cecilia) e Eric Herrero (Pery). A regência será do maestro titular da OSTM, Felipe Prazeres. Após o intervalo, será lançado o Selo Comemorativo dos Correios “100 anos de Rádio no Brasil”, feito em parceria com a EBC.

“É uma honra para a Rádio MEC ter esta oportunidade de celebrar o centenário no rádio no Brasil com um espetáculo que apresenta o mesmo Guarani da transmissão inaugural do veículo, no mesmo Theatro Municipal que em 1922 mostrava aos brasileiros o poder que esta então nova tecnologia teria de compartilhar cultura e educação pelas ondas sonoras. Além de todo este espetáculo, teremos a oportunidade de lançar nesta noite um selo postal comemorativo com os Correios, que traz a figura de Edgar Roquette-Pinto na sua ilustração, um brasileiro à frente do seu tempo, e que nos orgulha muito de ser o patrono do rádio no nosso país”, enaltece Thiago Regotto, gerente da Rádio MEC.

Na segunda parte da noite, a Orquestra Sinfônica Nacional, grupo formado por músicos oriundos da Rádio Nacional e que nos seus primeiros 20 anos de existência foi a Orquestra da Rádio MEC, apresentará o magistral “Choro número 6”, de Heitor Villa-Lobos.

O Concerto será transmitido ao vivo na Rádio MEC e na Rádio Nacional, emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública, e ainda nas Redes Sociais da EBC (Youtube, Facebook e Twitter). O concerto será gravado ainda pela TV Brasil, para exibição no fim de semana. A apresentação será dos locutores da Rádio MEC (Sidney Ferreira) e da Rádio Nacional (Luciana Valle).

Programação do Concerto “100 Anos do Rádio” – OSTM & OSN

Primeira parte – OSTM (Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal)

Trechos da ópera “II Guarany”, de Carlos Gomes

Abertura

Balada de Cecilia: “C’era una volta un príncipe”

Aria de Pery – “Vanto io pur superba cuna”

Dueto: “Sento una forza indômita”

Solistas: Maria Gerk (Cecilia) e Eric Herrero (Pery)

Regência: Felipe Prazeres

Segunda parte – OSN (Orquestra Sinfônica Nacional)

Heitor Villa-Lobos

“Choros N. 6”

Regência: Javier Logioia Obe.

Serviço:

100 Anos do Rádio – OSTM & OSN

Data: 7 de setembro – quarta-feira

Horário: às 19h

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/nº – Centro

Realização Institucional: EBC, Rádio MEC, Fundação Teatro Municipal, Associação dos Amigos do Teatro Municipal

Ingressos: gratuitos pelo site da Imply

Classificação: Livre.

(Fonte: Assessoria de Imprensa TMRJ)

Gincana Cultural realizada pelo Funssol reúne mais de 400 idosos em Indaiatuba

Indaiatuba, por Kleber Patricio

8ª edição da Gincana Cultural, que aconteceu na última quinta-feira (25). Foto: divulgação.

Na última quinta-feira (26/8) o Fundo Social de Solidariedade de Indaiatuba (Funssol) realizou a 8ª edição da Gincana Cultural. Durante o evento, realizado no auditório da Unimax, aconteceram 15 apresentações com tema livre. Mais de 150 idosos, inscritos em grupos da terceira idade, assistidos pela Secretaria de Assistência Social por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou que participam da oficina de teatro do Funssol  escolheram exibir uma atração das categorias: peça de teatro, dança, coral e também poesia de cordel, para o público presente . Ao todo, mais de 400 idosos prestigiaram o evento, que obteve três horas de duração.

O objetivo deste evento é mostrar que o talento não tem idade, bem como o poder de transformação do ser humano a partir da cultura. É um meio de incentivar a criatividade em todas as etapas da vida.

“Para nós é uma imensa alegria e satisfação ver o resultado que eles apresentaram nesta tarde. Eles se superam a cada ano, ultrapassando seus limites. Hoje, transmitiram a todos muita emoção. Esta edição foi incrível e mostrou que a idade não os limita se tiverem força de vontade. Cada evento é único, mas esse pude sentir latentes a gratidão e entrega deles no palco”, relata a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Maria das Graças Araújo Mássimo.

(Fonte: Prefeitura de Indaiatuba)

SESC Pompeia apresenta exposição “Flávio de Carvalho Experimental”

São Paulo, por Kleber Patricio

New Look (Experiência n.3), um traje de duas peças idealizado para o homem tropical que consistia de um blusão e uma saia plissada. Foto: divulgação.

Como parte do programa “Diversos 22 – Projetos, Memórias, Conexões”, realizado pelo SESC São Paulo ao longo do ano em celebração ao Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 e ao Bicentenário da Independência do Brasil (1822), será inaugurada no SESC Pompeia a exposição “Flávio de Carvalho Experimental”, com curadoria de Kiki Mazzuchelli e curadoria adjunta de Pollyana Quintella.

“Com a licença que as manobras de Flávio de Carvalho permitem arriscar, é possível conjeturar que parte importante da ação cultural realizada pelo SESC, hoje, já se encontrava, em alguma medida, encarnada no corpo-fazer-obra desse polímata das artes. Como também o comprovam os artistas contemporâneos presentes nessa exposição, seu legado experimental encontra-se vivo e, mais que isso, transubstanciado em produções e instituições artísticas atuais”, destaca Danilo Santos de Miranda, diretor do SESC São Paulo.

“Bailado”. Foto: Jennifer Glass.

Realizada em razão das reflexões acerca de ambas as efemérides de 22, a mostra revisita a produção de Flávio de Carvalho e traz um panorama das suas importantes contribuições no período de transição entre as vanguardas do início do século XX e sua relação com o experimentalismo radical da década de 1960, tais como a Tropicália, Cinema Novo e o Concretismo. “Com sua obra, somos levados a considerar como as manifestações modernas no Brasil foram fundamentalmente atravessadas por contradições entre modernidade sociocultural e a modernização econômica, bem como por elementos antagônicos, como o profano e o religioso, o artesanal e o tecnológico, o rural e o urbano, elite e ‘povo’, instituições liberais e hábitos autoritários, democracia e ditadura”, afirmam as curadoras.

Dividida em quatro núcleos – Arquitetura, Teatro, Experiências (que exploraram aspectos relativos à performance, moda e religiosidade) e Retratos –, a mostra traz documentações e 52 obras históricas de Flávio de Carvalho, concebidas de 1930 a 1973, além de contar com 18 trabalhos de dez artistas e dois coletivos cuja produção emergiu já no século XXI. Para construir esse diálogo entre o passado e o presente estão: arquivo mangue | camila mota y cafira zoé, Ana Mazzei; Antônio Tarsis; Cibelle Cavalli Bastos; Cristiano Lenhardt; Crochê de Vilão; Engel Leonardo; Guerreiro do Divino Amor; Maxwell Alexandre; Panmela Castro; Pedro França; e Teatro Oficina.

Retrato de José Geraldo Vieira com barra de cor. Foto: divulgação.

“Tais artistas não apenas apontam desdobramentos contemporâneos de aspectos importantes da obra de Flávio, como também, em alguns casos, manifestam contradições e fragilidades expressas na obra deste artista, à luz das discussões do presente e da necessidade de compreender as falhas e limites que compõem a narrativa hegemônica em torno do modernismo brasileiro”, ponderam as curadoras.

Segundo Mazzuchelli e Quintella ainda, a exposição, ao tomar como ponto de partida o caráter experimental de Flávio de Carvalho e suas reverberações no presente, propõe uma abordagem inovadora de sua obra que se pauta pelas ideias (e não pelas categorias de atuação) que o artista desenvolveu em sua trajetória e que cumpriram um papel fundamental na expansão dos limites daquilo que é considerado arte. “A mostra busca oferecer uma visão mais aprofundada da contribuição fundamental de Flávio de Carvalho no período de transição entre as vanguardas do início do século e o experimentalismo radical da década de 1960, bem como mostrar a atualidade de questões levantadas por sua obra nos dias de hoje”, completam.

Flavio de Carvalho (Amparo da Barra Mansa RJ 1899 – Valinhos SP 1973)

Pintor, cenógrafo, escritor, teatrólogo e um dos um dos pioneiros da arquitetura moderna no país, já em 1931 realizou sua primeira intervenção no espaço público, o que hoje se convencionou a chamar de performance, na qual caminhou contra o fluxo de uma procissão de Corpus Christi nas ruas do centro de São Paulo (Experiência n.2,). Dois anos mais tarde, escreveu e dirigiu a peça “O Bailado do Deus Morto”, assegurando seu lugar como um dos precursores do teatro moderno brasileiro. Sua primeira exposição aconteceu em 1934 e incluiu uma vasta seleção de pinturas, desenhos e esculturas influenciados por tendências expressionistas e surrealistas. Flávio cumpriu, ainda, um papel importante como animador cultural na década de 1930 por meio dos inúmeros artigos e entrevistas que publicou em jornais e revistas, bem como pela organização de uma série de exposições e conferências que contaram com a participação de convidados locais e internacionais num momento em que o circuito artístico da cidade de São Paulo ainda era bastante provinciano. Pensador ávido e interessado nos campos da etnologia e da psicanálise, apresentou suas teorias pouco ortodoxas em congressos acadêmicos na Europa, América do Sul e Estados Unidos. Em 1956, quase aos 60 anos de idade, lançou publicamente seu “New Look” (Experiência n.3), um traje de duas peças idealizado para o homem tropical que consistia de um blusão e uma saia plissada.  Embora Flávio de Carvalho tenha conquistado reconhecimento por setores da crítica ao longo de sua carreira – sobretudo pela produção em meios mais tradicionais –, suas proposições de caráter mais radical e experimental continuam sendo apresentadas como episódios isolados dentro da historiografia da arte brasileira.

Sobre as curadoras

Kiki Mazzucchelli (São Paulo, 1972) atua desde o início da década de 2000 como curadora. Nos últimos cinco anos, sua pesquisa tem se voltado à ampliação e ao aprofundamento das narrativas historiográficas da arte. É autora e editora de inúmeras publicações com foco em artistas da América Latina. Recentemente organizou as monografias de Tonico Lemos Auad (Koenig, 2018) e Marcelo Cidade (Cobogó, 2016). É co-fundadora do espaço independente Kupfer (Londres, 2017) e da residência para artistas brasileiros na Gasworks (Londres, 2017). Desde o início de 2022, é diretora artística da Galeria Luisa Strina.

Pollyana Quintella (Rio de Janeiro, 1992) é pesquisadora, crítica cultural e curadora da Pinacoteca de São Paulo. Graduada em História da Arte pela EBA-UFRJ (2015), é mestre pelo PPGAV-UERJ (2018) com pesquisa sobre o crítico Mário Pedrosa e doutoranda pelo PPGHA-UERJ. Foi colaboradora do Museu de Arte do Rio (MAR) na área de pesquisa e curadoria entre 2018 e 2020. Escreve para diversos periódicos culturais e leciona História da Arte Brasileira.

Serviço:

Flávio de Carvalho Experimental

De 31 de agosto de 2022, às 10h, a 29 de janeiro de 2023

Terça a sexta, das 10h às 21h

Sábado, domingo e feriados, das 10h às 18h

Local: Galpão

Grátis

Livre

SESC Pompeia – Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo/SP

Local não dispõe de estacionamento próprio.

Protocolos de segurança | O uso da máscara, cobrindo boca e nariz, é recomendado. Se você apresentar os sintomas relacionados à Covid-19, procure o serviço de saúde e permaneça em isolamento social.

Para informações sobre outras programações, acesse o portal: SESCsp.org.br/pompeia

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(Fonte: Pool de Comunicação)

Taxação de bebidas açucaradas e regulação da publicidade podem diminuir os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: James Yarema/Unsplash.

A última edição da revista científica The British Medical Journal, uma das mais influentes na área da saúde, acrescenta importantes contribuições sobre o impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde pública de vários países. Carlos A. Monteiro, pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), e Geoffrey Cannon, pesquisador sênior da mesma instituição, escreveram o editorial que abre a nova edição do periódico, que será publicada no dia 31 de agosto.

Os pesquisadores começam o editorial definindo que os alimentos ultraprocessados, pertencentes ao grupo quatro da classificação NOVA, são formulações industriais obtidas a partir da desconstrução de alimentos integrais que os transformam em componentes químicos, alterando e recombinando-os com aditivos. O resultado desse processo é o surgimento de produtos que aparecem como alternativas para alimentos frescos minimamente processados e refeições preparadas na hora.

“Não raro, esses alimentos têm como ingredientes aditivos cosméticos, que dão cor, sabor, aroma e textura, mimetizando alimentos in natura. Um exemplo é o biscoito recheado de morango, com cor, sabor e aroma próximos aos do morango, mas sem a presença da fruta na composição”, explica o pesquisador Monteiro.

Inclusive, as mudanças de rótulos dos produtos nas prateleiras dos supermercados já são percebidos pela população. Segundo a reportagem da BBC, existem diversos relatos de alimentos que empobreceram a fórmula e a qualidade nutricional em razão da crise econômica, situação confirmada por Monteiro. “O leite condensado é um exemplo. O leite subiu quase 80% apenas neste ano, o que tornou seus derivados muito mais caros. Quando a indústria passa a oferecer a “mistura láctea”, o leite é, em parte, substituído por ingredientes como soro de leite e amido, e pode ganhar aroma artificial de leite condensado – ou seja, temos um alimento ultraprocessado”, informa o pesquisador.

Dessa forma, os estudos na área de epidemiologia nutricional têm aumentado nas últimas décadas. A nova edição da revista The British Medical Journal traz uma descoberta importante: os pesquisadores concluíram a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a ocorrência do câncer colorretal. “Hoje, temos um conjunto robusto de evidências científicas que mostram a associação do consumo de alimentos ultraprocessados com maiores riscos de desenvolvimento de quadros de obesidade, sobrepeso, diabetes, hipertensão e dislipidemias”, explica o autor do editorial.

Diante desse cenário, Monteiro afirma que existem alternativas que podem ser feitas para atenuar os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde dos brasileiros, como a iniciativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, em outubro, aprovará uma nova rotulagem de alimentos a fim de auxiliar a população a reconhecer alimentos com excesso de açúcares, sódio e gordura saturada. “Outras ideias seriam a taxação de bebidas açucaradas (como sucos de caixinha e refrigerantes) e a regulação da publicidade de ultraprocessados (principalmente aquela destinada ao público infantil)”, conclui Monteiro.

Um projeto de lei (PL 239/22) dispõe sobre a regulamentação da publicidade de alimentos com altos teores de açúcar e ultraprocessados. Segundo a Câmara dos Deputados, “o texto proíbe que a propaganda sugira o consumo imoderado de alimentos ultraprocessados com grande quantidade de açúcar ou atribua a eles benefícios à saúde, ao crescimento ou ao desenvolvimento de crianças e adolescentes”. O projeto aguarda parecer da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

(Fonte: Agência Bori)