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Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Pianista Anna Dmytrenko toca Mahler e Prokofiev junto à Orquestra Sinfônica Municipal

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Os fãs de piano e das sinfonias trágicas de Mahler e Prokofiev têm um motivo especial para vir ao Theatro Municipal de São Paulo no próximo final de semana: a premiada pianista ucraniano-americana Anna Dmytrenko irá apresentar, junto à Orquestra Sinfônica Municipal, obras desafiadoras e comoventes: o Concerto para piano nº2 do russo Sergei Prokofiev e a Sinfonia nº 6 em Lá Menor, a Trágica, do austríaco Mahler, nos dias 3 e 4 de março, além de um concerto didático gratuito dedicado a Prokofiev no dia 2/3 (sexta).

Já no dia 2 de março, em um programa de 50 minutos de duração, o Concerto para piano nº 2 (31’), escrito por Prokofiev em 1913, será apresentado em seus quatro movimentos ao longo de todo o concerto. A obra, que levou um ano para ser feita e ficou conhecida também pelo fato de seu manuscrito original ter se perdido em um incêndio e ter sido, então, reescrita em 1923. Tecnicamente desafiador, o trabalho foi dedicado à memória de um amigo de Prokofiev que se suicidou no ano em que iniciou a composição e trouxe reações calorosas do público pelo olhar futurista que o russo lançava à música de sua época. A apresentação terá comentários que aproximam o público do universo da música erudita e é gratuita, com ingressos podendo ser reservados com dois dias de antecedência.

No programa dos dias 3 e 4, com 135 minutos e 20 de intervalo, a pianista e a orquestra, sob a regência de Roberto Minczuk, irão percorrer os quatro movimentos da obra de Prokofiev, seguida pela composição que Mahler fez a partir de sua angústia frente à iminência de sua própria morte, uma obra de orquestração densa e forte. Os ingressos vão de R$12 a R$64.

Dmytrenko é um grande nome do piano internacional, tendo se apresentado por diversos lugares ao redor do mundo; entre eles, Carnegie Hall, Lincoln Center, Paris Philharmonie e Hammer Theatre, entre tantos outros.

Premiada em inúmeras competições internacionais, a pianista levou o segundo lugar no Prêmio de Escolha da Audiência e Prêmio de Melhor Peça Contemporânea na competição internacional de Piano Olga Kern, além de ter sido o terceiro lugar na Ricard Viñes International Piano Competition, primeiro lugar na Manhattan International Music e terceiro lugar no New York International Piano Competition.

Entre suas colaborações orquestrais, estão projetos como a Orquestra Sinfônica del Valles,a KwaZulu-Natal Philharmonic, a New Mexico Philharmonic, a Bacau Philharmonic e a Orchestre de Chambre de Paris. Seu primeiro álbum foi lançado em 2018 e se chama “Anna Dmytrenko: Live in Recital”, no qual apresenta obras de Medtner, Rachmaninoff e Barber.

Anna estudou na Juilliard School, nos Estados Unidos, com Oxana Yablonskaya, na Royal Academy of Music, em Londres com Christopher Elton e na University of the Arts em Berlin com Pascal Devoyon e, atualmente, trabalha em seu doutorado em música na Manhattan School of Music com Olga Kern.

Serviço:

Orquestra Sinfônica Municipal apresenta Concerto Didático – Prokofiev

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

2/3/2023 • 20h

Roberto Minczuk, regência

Anna Dmytrenko, piano

Programa

SERGEI PROKOFIEV

Concerto para piano nº 2 (31’)

I. Andantino

II. Scherzo: Vivace

III. Moderato

IV. Finale: Allegro tempestoso

Duração 50 minutos

Capacidade 1523 lugares

Classificação livre para todos os públicos — Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Ingressos gratuitos – Reserva no site 2 dias antes do concerto.

Em caso de desistência da reserva, solicite o cancelamento, até 2 horas antes do evento, através do e-mail bilheteria@theatromunicipal.org.br.

Orquestra Sinfônica Municipal apresenta Trágicas: 6ª de Mahler e 2ª de Prokofiev

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

3/3/2023 • 20h

4/3/2023 • 17h

Roberto Minczuk, regência

Anna Dmytrenko, piano

Programa

SERGEI PROKOFIEV

Concerto para piano nº 2 (31’)

I. Andantino

II. Scherzo: Vivace

III. Moderato

IV. Finale: Allegro tempestoso

Intervalo (20’)

GUSTAV MAHLER

Sinfonia nº 6 em Lá menor, “Trágica” (80’)

I. Allegro energico, ma non troppo

II. Andante moderato

III. Scherzo

IV. Finale

Duração total aproximadamente 135 minutos (com intervalo)

Classificação livre para todos os públicos — Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Ingresso de R$12,00 a R$64,00 (inteira).

(Fonte: Theatro Municipal de São Paulo)

Reunindo arte e tecnologia, Festival Amazônia Mapping convida o público para vivenciar uma experiência imersiva em metaverso amazônico

Belém e São Paulo, por Kleber Patricio

Alma de Selva por Microdosys e Ilumina Chebel. Foto: divulgação.

O Festival Amazônia Mapping, pioneiro e um dos maiores eventos de arte e tecnologia do Brasil, convida o público para vivenciar uma experiência imersiva no metaverso amazônico, em uma ilha de realidade virtual com cenários realistas integrando obras audiovisuais, performances artísticas, música, videomapping e vivência formativa nos dias 6 e 8 de março. O tema desta edição será ‘Floresta Viva’ e os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente no canal do Youtube e site do festival .

Com apresentações inéditas em uma Amazônia imaginária, o evento promove uma programação multilinguagem com encontros entre artistas amazônicos e paulistas em ambiente virtual que apresenta a floresta e cidades da região como personagens do cenário criado para o festival.

Associando música e imagem em shows inéditos, entre os participantes está o artista indígena de Manaus Nelson D. que, em dupla com a artista visual Bianca Turner, proporcionarão uma viagem audiovisual “Cyber amazonense”.

Já a cantora Aíla, expoente da música pop da Amazônia, apresentará de forma inédita as músicas do seu disco ‘Sentimental’ em parceria com o artista Jean Petra, convidado a fazer intervenções com elementos e objetos 3D sobre vídeo captado com uma câmera 360º, criando uma narrativa junto ao filme.

A DJ Meury, DJ e produtora e importante nome da cena de tecnobrega do Pará, tocará pela primeira vez as suas produções na Ilha VR do Amazônia Mapping, com projeções de diversas obras do artista PV DIAS, incluindo o Altar Sonoro.

Aíla. Foto: divulgação.

A experiência também trará a performance nomeada ‘Crisálida’, da artista visual e performer Rafael Bqueer, em que se abarca o conceito de um ser em metamorfose, uma identidade em transição, assumindo subjetivas formas, alternando gestos entre a delicadeza e visceralidade de sua mutação.

Uma experiência de projeção sobre a floresta virtual fica por conta da artista multimídia e diretora artística Roberta Carvalho com a obra imersiva ‘Resiste!’, que percorre videoarte, realidades mistas e intervenção urbana criando uma poesia visual realizada para pensar sobre temas urgentes como a preservação e as reconexões com a natureza.

O Amazônia Mapping ainda promove uma colaboração inédita entre os artistas Microdosys e Ilumina Chebel nos visuais e Irû Waves na trilha sonora para a criação ‘Alma de Selva’, um video mapping com imagens sintetizadas a partir das redes neurais de inteligência artificial. Por meio da técnica text-to-image, a obra introduz as forças invisíveis da natureza que se mostram em sons e nas máscaras dos espíritos dos animais. Elas surgem marcando sua presença como um aviso pedindo respeito e proteção para a floresta.

“O festival dá protagonismo a um dos assuntos mais importantes no momento para o mundo: a Amazônia, que é floresta e é cidade. São muitas Amazônias, e a gente está aqui para mostrar toda essa pluralidade e romper estereótipos. A arte sensibiliza as pessoas pela emoção, transmite novas perspectivas por meio de suas linguagens. Essa edição traz também encontros inéditos entre artistas amazônidas e de São Paulo, com o intuito de fazer circular ainda mais a arte brasileira produzida na região Norte para além das margens”, pontua Aíla que, além de se apresentar no Festival, é codiretora artística do projeto.

Tecnologia e arte

Como referência da intersecção entre arte e tecnologia, desde sua primeira edição em 2013, o FAM tem a Amazônia em seu DNA. A fim de submergir o público para que possa aproveitar ao máximo essa experiência, serão utilizados conteúdos inéditos, gravados em formato 360º e elementos originais da floresta, como rios e cidade para as projeções, integrando artistas reais em ambientes virtuais e presenciais. A experiência poderá ser aprimorada com o uso de óculos de realidade virtual.

A ilha foi desenvolvida durante a pandemia, por meio da plataforma Unreal Engine, usada para a criação de gráficos de jogos eletrônicos. O projeto foi premiado na categoria “Inovação: Música e Tecnologia”, da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM SP) e, desde então, foi palco das duas últimas edições do festival.

A direção artística do projeto é assinada pelas artistas Roberta Carvalho e Aíla, destaques do Pará contemporâneo, que trazem esse encontro de sucesso entre imagem e música. Recentemente, estiveram juntas também na NAVE do Rock in Rio, onde Roberta assinou a direção artística geral, e Aíla, a direção musical. “Proporcionar este tipo de experiência é mostrar que tecnologia e arte podem andar juntas, levando o público a vivenciar momentos de curiosidade e encantamento. Nosso festival propõe esse mergulho para todos, reafirmando a força da cultura produzida na Amazônia e a importância da floresta para o mundo”, afirma Roberta Carvalho, artista e também realizadora do Festival Amazônia Mapping.

Oficina online

Focada no compartilhamento do processo de construção da experiência em Realidade Virtual do Festival Amazônia Mapping, a etapa de vivência será realizada online e gratuitamente no dia 8 de março, a partir das 19 horas. Ministrada por Roberta Carvalho e Caio Fazolin, do estúdio ADA, é responsável pelo desenvolvimento tecnológico do ambiente virtual. As inscrições serão divulgadas em breve nas redes sociais oficiais e limitadas a 100 vagas.

A proposta é convidar os participantes a conhecerem a história e as tecnologias que embasam a construção da ilha virtual do Festival Amazônia Mapping, evento pioneiro no mercado de artes visuais e tecnologia no Brasil.

Durante a conversa, serão discutidos tópicos relacionados à criação do ambiente virtual, à escolha dos artistas e à produção das apresentações artísticas. Além disso, serão compartilhados exemplos de como a tecnologia advinda do mundo dos games pode ser utilizada para amplificar a expressão artística e a conexão entre o público e as obras.

Durante duas horas, estarão reunidos profissionais da área de tecnologia e arte, que irão compartilhar suas perspectivas sobre o uso da tecnologia no contexto da produção cultural. Este será um momento único de aprendizado e troca de experiências para todos aqueles que se interessam pelo tema. Será uma oportunidade para o público aprender sobre o mundo da arte e da tecnologia e como elas se juntam para criar experiências imersivas.

Sobre o Festival Amazônia Mapping

Um projeto inovador na Região Amazônica, o Festival Amazônia Mapping busca, por meio de oficinas e apresentações artísticas, o desenvolvimento e difusão de uma linguagem visual contemporânea intitulada vídeo mapping ou projeção mapeada e seu desdobramento nas artes visuais, com a proposta de reconfigurar olhares sobre nossa paisagem urbana e o mundo digital, levando a arte para espaços inimagináveis, de forma lúdica e com conteúdos relevantes.

O festival se propõe a valorizar artistas do norte promovendo o intercâmbio com profissionais de outros estados brasileiros, possibilitando assim trocas de conhecimento e o desenvolvimento, na Amazônia, de uma das técnicas visuais mais inovadoras nos dias de hoje.

Confira abaixo a programação completa:

6/mar/2023 – segunda-feira

Música e Imagem: Nelson D + Bianca Turner

Música e Imagem: Aíla + Jean Petra

Música e Imagem: DJ Meury + PV Dias

Performance: Rafael Bqueer

Vídeo Mapping: Resiste! / Roberta Carvalho

Vídeo Mapping: microdosys + ilumina chebel / Trilha: Irû Waves

Horário: A partir das 11 horas

Local: No site e canal oficial do youtube do Festival Amazônia Mapping

8/mar/2023 – quarta-feira

Vivência

Facilitadores: Roberta Carvalho e Caio Fazolin

Data: 8 de março

Horário: 19 horas

Duração: Duas horas

Vagas: 100

Específico para profissionais e interessados da área de tecnologia.

(Fonte: Agência Lema)

Retrospectiva da artista carioca Marília Kranz abre o ano na Galatea

São Paulo, por Kleber Patricio

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Ozma – estereoforma’, 1969. Poliuretano rígido, fibra de vidro, tinta automotiva. 77 x 97 x 12 cm. Créditos: Ding Musa.

A partir do dia 09 de março, quinta-feira, às 18h, a Galatea expõe um panorama retrospectivo da obra de Marília Kranz (1937-2017). Nascida no Rio de Janeiro, Marília foi pintora, desenhista e escultora e passou a ter seu espólio oficialmente representado pela galeria paulista a partir do ano passado. A mostra “Marília Kranz: relevos e pinturas” apresentará cerca de 30 obras, entre esculturas e pinturas, que cobrem a trajetória percorrida pela artista desde os anos 60, fase inicial de sua produção, até os anos 2000. Quem assina o projeto expográfico da mostra é Marieta Ferber, designer e diretora de arte.

A escolha do nome de Marília Kranz surgiu por meio de uma pesquisa de Conrado Mesquita, um dos sócios da galeria, que estabeleceu contato com as filhas da artista. Então responsáveis pelo espólio da artista, ficaram muito entusiasmadas com esse projeto de resgate de sua obra no contexto atual da arte no Brasil e com a expansão do seu alcance para além do mercado do Rio de Janeiro, onde a artista sempre foi apreciada.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Lembranças’, 2002, Óleo sobre linho [Oil on linen], 80 x 120 cm. Créditos: Rafael Salim.

Pioneira na luta pelo feminismo, Marília Kranz dedicou-se, nos primeiros anos de sua carreira, ao desenho e ao estudo da pintura. Em dado momento, começou a explorar o campo da abstração geométrica, produzindo em relevos como gesso, papelão e madeira, que integraram a sua primeira exposição individual, em 1968, na Galeria Oca, no Rio de Janeiro. Em 1969, ao retornar de viagens que fez à Europa e aos Estados Unidos, passou a produzir os relevos a partir da técnica de moldagem a vácuo (vacuum forming), usando plástico, fibra de vidro, resina e esmaltes industriais, além de esculturas em acrílico cortado e polido chamadas de Contraformas.

A técnica foi inovadora, já que, à época, era pouco difundida no Brasil até mesmo no setor industrial. Além disso, o conteúdo dos trabalhos era carregado de forte caráter experimental. Segundo o crítico de arte Frederico Morais, as formas abstratas e geométricas exploradas nestas obras – e na produção de Marília Kranz como um todo – se aproximariam mais de artistas internacionais como Ben Nicholson (Inglaterra), Auguste Herbin (França) e Alberto Magnelli (Itália) do que das vertentes construtivistas de destaque no Brasil, como o Concretismo e o Neoconcretismo.

A partir de 1974, a artista retomou o trabalho com pinturas sobre tela, mas desta vez o foco era outro: imagens de paisagem carregadas de certa volúpia. A artista passou a trazer para o centro da tela elementos constituintes das suas paisagens preferidas no Rio de Janeiro. Comparada a artistas como Giorgio de Chirico e Tarsila do Amaral, os seus cenários e figuras geometrizadas e oníricas, beirando a abstração, evocam solenidade e erotismo. Os tons pastéis, por sua vez, tornaram-se a sua marca. “A cor cede diante da intensidade luminosa”, diz Frederico Morais. Ao observarmos as flores e as frutas que protagonizam com grande sensualidade várias de suas pinturas, pensamos também em Georgia O’Keeffe, considerada por Marilia Kranz sua “irmã de alma”.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘A montanha e a fruta’, 1989, Óleo sobre tela [Oil on canvas], 80 x 100 cm. Créditos: Rafael Salim.

Na exposição, será possível acompanhar a passagem, dentro do percurso da artista, de uma geometria abstrata e formalista dos relevos do fim da década de 1960 para a pintura de paisagem – figurativa, mas com intrusões da geometria – que começa a desenvolver em meados da década de 1970 e que explora até o fim de sua produção. Marilia passa de uma estética de certa forma “fria, formalista ou racional” para algo mais “quente, fluido, afetivo”, inspirada também por sua paixão pela paisagem do Rio de Janeiro e pela pauta da liberação sexual feminina. Nessa transição entra o erotismo das flores, por exemplo, que a conecta com a pintura de Georgia O’Keeffe, e as cores e paisagens que a aproximam tanto da Tarsila de Amaral Pau-Brasil/Antropofágica quanto das paisagens vazias e solenes dos metafísicos que influenciariam o surrealismo, como Di Chirico.

Marília Kranz foi selecionada pela Galatea como a primeira mulher de muitas que estão nos planos de representação da galeria. Tornou-se conhecida por sua ativa defesa em prol da libertação sexual e da liberdade política durante a ditadura militar no Brasil (1964 a 1985), além da luta pelas causas ambientais, atuando como uma das fundadoras do Partido Verde em 1986. Expôs em galerias e instituições nacionais e internacionais, recebendo prêmios em razão de suas pinturas e esculturas. Em 2007, foi homenageada na grande exposição retrospectiva “Marília Kranz: relevos e esculturas”, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).

Sobre a Galatea

A Galatea é uma galeria que surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin esteve à frente por quase uma década como sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita é marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis e Tomás Toledo é curador e contribuiu ativamente para a histórica renovação institucional do MASP, de onde saiu recentemente como curador-chefe.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Ozma – estereoforma’, 1969. Poliuretano rígido, fibra de vidro, tinta automotiva. 77 x 97 x 12 cm. Créditos: Ding Musa.

Tendo a arte brasileira moderna e contemporânea como foco principal, a Galatea trabalha e comercializa tanto nomes já consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Tal amplitude temporal reflete e articula os pilares conceituais do programa da galeria: ser um ponto de fomento e convergência entre culturas, temporalidades, estilos e gêneros distintos, gerando uma rica fricção entre o antigo e o novo, o canônico e o não canônico, o erudito e o informal.

Além dessas conexões propostas, a galeria também aposta na relação entre artistas, colecionadores, instituições e galeristas. De um lado, o cuidado no processo de pesquisa, o respeito ao tempo criativo e o incentivo do desenvolvimento profissional do artista com acompanhamento curatorial. Do outro, a escuta e a transparência constante nas relações comerciais. Ao estreitar laços, com um olhar sensível ao que é importante para cada um, Galatea enaltece as relações que se criam em torno da arte — porque acredita que fazer isso também é enaltecer a arte em si.

Nesse sentido, partindo da ideia de relação é que surge o nome da galeria, tomado emprestado do mito grego de Pigmaleão e Galatea. Este mito narra a história do artista Pigmaleão, que ao esculpir em marfim Galatea, uma figura feminina, apaixona-se por sua própria obra e passa a adorá-la. A deusa Afrodite, comovida por tal devoção, transforma a estátua em uma mulher de carne e osso para que criador e criatura possam, enfim, viver uma relação verdadeira.

Serviço:

Local: Galatea

Endereço: Rua Oscar Freire, 379, loja 1 – Jardins, São Paulo – SP

Abertura: 9 de março, quinta-feira, às 18h

Período expositivo: 9 de março a 29 de maio de 2023

Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11 às 15h

Mais informações: https://www.galatea.art/

Estacionamento no local.

(Fonte: A4&Holofote Comunicação)

Mostra de Haegue Yang abre novo edifício da Pinacoteca de São Paulo

São Paulo, por Kleber Patricio

Haegue Yang, “Alien Colloquial” [Estrangeiro Coloquial], 2022 (detalhe do estudo).

A Pinacoteca de São Paulo inaugura seu novo edifício, a Pinacoteca Contemporânea, com a primeira grande mostra da artista sul-coreana Haegue Yang (1971) na América Latina. Destaque no cenário internacional de arte contemporânea, Yang estará na Galeria Praça com a exposição ‘Quase Coloquial’ a partir de 4 de março. Com curadoria de Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca de São Paulo, a mostra consiste em cinco grupos de trabalhos distintos, em suportes diversos, com base em larga pesquisa conceitual da artista reconhecida pela prática que passa por esculturas, instalações, obras em papel, fotografia, vídeo e escrita.

Haegue Yang combina e faz referência a elementos diversos, especialmente objetos fabricados industrialmente com itens cotidianos. De varais de roupas a sinos, venezianas a luzes, colagens a textos, a artista, em uma linguagem própria, busca libertar os objetos de sua rigidez e limitação. Desde o início da sua carreira, em meados dos anos 90, trabalha trazendo peças do espaço privado e doméstico para a esfera pública, não motivada pelo ato de deslocamento, mas interessada sobretudo no efeito estético.

O termo “quase”, no título da exposição, ‘Quase Coloquial’, poderia ser interpretado como algo que é parecido com o original, ainda que não seja igual. Inserido no título de diversos trabalhos da artista, o termo “quase” tem o poder de se opor a uma confiança absoluta ou dependência em categorizações como original, central, importante ou dominante. Ainda que o termo “coloquial” tenha uma definição aparentemente conhecida, ele pode adquirir um significado diferente dependendo do contexto. A artista se entende como alguém operando como parte de uma diáspora, em um processo contínuo. Para ela, a mostra é uma oportunidade para aprender mais sobre o espaço expositivo e para reconhecer de forma sincera e potente o seu lugar de fora. Ela pode nunca falar um idioma de uma maneira coloquial, mas a noção de coloquial adquiriu um novo sentido em sua vida artística, em sua incansável investigação sobre um entendimento coletivo sobre forma, funcionalidade e racionalidade.

A exposição reúne peças de destaque, como as cinco esculturas geométricas feitas de venezianas, um material recorrente na produção de Yang desde 2006. As obras na Pinacoteca são intituladas “Stacked Corners” [Cantos Empilhados] e fazem referência à obra “Espaços Virtuais: Cantos”, do artista brasileiro Cildo Meireles (1948). As esculturas expostas na Galeria Praça são suspensas, sendo três motorizadas, que giram em cima do espectador, e duas estáticas. A noção de movimento tem sido um dos interesses centrais no trabalho de Yang, seja um movimento real ou potencial; seja sugerindo uma dimensão política ou social. Todas as esculturas de ‘Stacked Corners’ apresentam cores como o violeta, verde, azul e o laranja, prestando homenagem à arquitetura modernista popular do Brasil. As obras complementam a parede pintada com pó xadrez vermelho que remete à construção vernacular brasileira.

Cada vez mais, seu trabalho assume uma dimensão performativa, com objetos móveis dispostos em certas coreografias. Yang é conhecida por incorporar características esculturais antropomórficas em suas obras, como nas peças de “Sonic Clotheshorses” [Varais sónicos]. Esculturas sobre rodas, compostas por varais de roupa cobertos por sinos, são imbuídas de energia potencial que é ativada quando são colocadas em movimento por performers. As peças escultóricas traduzem a fronteira entre a natureza inanimada do objeto e o vigor do corpo humano, com uma potencialidade de performatividade em inúmeras variações de formas visuais.

A artista Haegue Yang.

O processo artístico de Yang passa por uma pesquisa meticulosa, como fica evidente no papel de parede imersivo de “Alien Colloquial” [Estrangeiro Coloquial], obra desenvolvida especialmente para esta exposição, composta por grandes colagens abstratas. Cada colagem se debruça sobre um tema diferente, porém, seguindo uma estratégia recorrente na obra da artista de se preservar um certo hibridismo, há uma fragmentação dos motivos incorporados. Expandindo para temas como a arte e arquitetura, a natureza, a imigração, o crime, a música e a dança, a artista faz uso do conceito de “Estrangeiro Coloquial” como uma oportunidade para mergulhar em um estudo eclético e subjetivo sobre o Brasil, a partir da perspectiva de uma estrangeira.

Pensando sobre o que a artista chamou de “um território indomesticável”, ela convida o espectador a pensar sobre como os artistas viajam pelo tempo e pela geografia sem conquistar nada, em um ato de travessia muito distinto. Nas peças, Yang faz colagens em que reúne imagens de olhos, orelhas e mãos de personalidades como Tomie Ohtake, Mira Schendel, Lygia Clark, Cildo Meireles, Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Caetano Veloso e Maria Bethânia, formando um mosaico em que também observamos a Hello Kitty, paisagens, animais e frutas tropicais, instrumentos e máquinas, entre outros.

“Existem potentes diálogos entre a produção de Haegue Yang e a história da arte brasileira, que por sua vez conta com uma longa tradição de explorar a relação do objeto de arte com o cotidiano. A prática de Yang, porém, utiliza outras estratégias de transformação. Sua arte consegue apontar para estruturas sociais, culturais e econômicas, propondo linguísticas alternativas, bem como novas possibilidades de transposição, tradução e apropriação”, explica Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca.

A mostra conta também com a obra “Mesmerizing Mesh” [Malha hipnotizante] (2021), que tem sua ideia central construída a partir de orientações espirituais contra autoritárias, como o xamanismo. Embora sua pesquisa seja extensa, a produção de Yang gira em torno da materialidade do papel. O hanji, papel feito artesanalmente a partir da casca da amoreira, pode ser encontrado em diversas tradições artísticas ou ritualísticas em lugares como Japão e China. Para a produção inicial de ‘Mesmerizing Mesh’, a artista se concentrou em motivos e objetos do xamanismo, xintoísmo e rituais folclóricos usados para criar objetos reservados para ritos de purificação, cura ou exorcização. Ultimamente, as colagens foram exibidas em cenários multicoloridos tingidos à mão e gradualmente combinadas com motivos vegetais ou animais extraídos da tradição Eslava de wycinanki. Ao dobrar, cortar e perfurar hanji, Yang examina uma metodologia compartilhada entre artistas e xamãs de dar “saltos místicos” da matéria terrena para algo além.

Duas obras textuais de Yang completam a mostra: Uma cronologia de dispersão fundida – “Duras e Yun” (2018) e Uma cronologia de dispersão fundida – “Duras e Orwell” (2021). Os textos reúnem três personalidades históricas: a autora francesa Marguerite Duras (1914-1996), o compositor Isang Yun (1917-1995) e o autor inglês George Orwell (1903-1950). Yang faz um exame cronológico de incidentes na vida de três pessoas envolvidas/entrelaçadas com a colonização de países asiáticos e a Guerra Fria, entre outros eventos históricos. As duas obras oferecem uma oportunidade de conexão com as vidas complexas e atraentes dessas personalidades históricas que, ao mesmo tempo, refletem sobre a artista e seus complexos laços com a Ásia e a Europa. Os textos estão disponíveis via QR code e servem de material secundário para a exposição.

A exposição “Quase Coloquial” tem patrocínio de B3 – A bolsa do Brasil, na cota Platinum, e da Verde Asset Management, na cota Prata.

Sobre a artista

Haegue Yang é uma das artistas mais celebrados do nosso tempo, com uma larga pesquisa conceitual e trabalhos que incluem instalações, fotografia, esculturas, vídeo e texto. Respondendo ao espaço de exibição, a artista cria site-specifics que incorporam tanto a arquitetura do espaço expositivo como o material coletado no contexto. Seu refinado e particular tratamento da materialidade, combinado com o elegante senso de espaço e atmosfera, contribuem para suas instalações envolventes e ressonantes.

A artista participou da Bienal de São Paulo em 2006, apresentando peças como “Series of Vulnerable Arrangements – Blind Room” (2006), “Video Trilogy” (2004-2006) e “Storage Piece” (2004), agora consideradas entre seus trabalhos formativos mais significativos.

Yang foi a vencedora do prêmio Wolfgang Hahn Prize da Gesellschaft für Moderne Kunst, Museu Ludwig, Colônia em 2018 e o 13º Prêmio Benesse na Bienal de Singapura, em 2022. Seu trabalho foi apresentado em exposições solo nas seguintes instituições: MoMA, Nova York (2019); The Bass, Miami Beach (2019); South London Gallery (2019); Museum Ludwig, Colônia (2018); KINDL – Centro de Arte Contemporânea, Berlim (2017); Museu Nacional de Arte Moderna, Centro Georges Pompidou, Paris (2016); Leeum Museum of Art, Seul (2015); Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York (2015); Tate Modern, Londres (2012) e Pavilhão Coreia do Sul, 53ª Bienal de Veneza (2009), entre outros.

Serviço:

Quase Coloquial

4.3.2023 a 28.5.2023

Pinacoteca Contemporânea – Galeria Praça

Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 18h

Ingresso: inteira, R$20,00 – meia: R$10,00

Nos primeiros 30 dias, a entrada para visitação das exposições não será cobrada.

(Fonte: Pinacoteca de São Paulo)

FIEC unifica unidades e anuncia ampliação

Indaiatuba, por Kleber Patricio

O prefeito Nilson Gaspar, o secretário municipal de Educação, Heleno Luiz Jr. (à esquerda), e o superintendente da FIEC, Geraldo Garcia, anunciaram as novidades em coletiva à imprensa. Foto: Eliandro Figueira.

A FIEC (Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura) será unificada no prédio da unidade I, localizado no Jardim Regina. A nova FIEC também passará por uma obra de ampliação. O prédio da unidade II, localizado no bairro Cidade Nova, será incorporado à Rede Municipal de Ensino e abrigará uma EMEB (Escola Municipal de Ensino Básico) de período integral, com capacidade para 512 alunos. O prefeito Nilson Gaspar, o secretário de Educação, Heleno da Silva Luiz Jr., e o superintendente da Fundação, Geraldo Garcia, reuniram a imprensa na manhã de 7 de fevereiro para anunciar as novidades. A entrevista coletiva foi realizada no Gabinete do Prefeito.

De acordo com o prefeito, a FIEC está passando por um momento de evolução. “Hoje, a FIEC está presente em várias cidades de nossa região e tem uma parceria forte com os governos estadual e federal, mas já estamos pensando para os próximos 10 anos, colocando em prática o projeto FIEC 4.0”, ressaltou. “Só no ano passado, entre comércios, empresas e prestadores de serviços, chegamos a quase 3.000 novas empresas em Indaiatuba e a FIEC é um fator determinante para a formação de mão de obra qualificada para atender a demanda. Sabemos da importância da FIEC para o município e estamos sempre buscando formas de melhorá-la ainda mais. Vamos fundir a FIEC I e II e evoluir para uma única e nova FIEC, que possibilitará a otimização do quadro de custeio e melhorar a proximidade dos funcionários, professores e alunos”, explicou o prefeito.

Gaspar explicou que, além da redução de custos de manutenção, a proposta de reunir os cursos em um único prédio também foi motivada pelas restrições do imóvel com suas estruturas antigas e características históricas, o que dificulta a implantação de inovações e laboratórios necessários aos cursos sem recorrer a grandes reformas. Com sede única, a direção da FIEC reduzirá os cursos com a duplicidade de serviços contratados para atender a portaria, serviços gerais, manutenção e cantina. A unificação das unidades ainda facilitará a gestão administrativa da fundação.

Imagem renderizada da nova FIEC.

A mudança dos cursos para o jardim Regina já foi iniciada neste semestre e o prédio ganhará um anexo com um projeto moderno e funcional para atender a demanda dos cursos. Já foi aberto o edital para a licitação da obra do novo prédio, que ocupará a área do atual estacionamento.  O anexo terá 2.432m² e construção receberá um investimento no valor de R$11,6 milhões. A previsão é de que a ampliação esteja concluída em maio de 2024.

Com o novo prédio, a FIEC terá capacidade para atender simultaneamente até 1.640 alunos por período, com 19 cursos em diversas áreas de formações técnica, tecnóloga, pré-vestibular, especializações e cursos rápidos.

Fundada em outubro de 1985, a FIEC iniciou as atividades no Ginásio Municipal de Esportes, onde permaneceu até 1988, quando mudou-se para o prédio da Cidade Nova. Em 2021, inaugurou a sede atual no Jardim Regina e manteve as duas unidades até 2022.

Para o superintende da FIEC, há uma revolução acontecendo rumo aos 40 anos da FIEC. “Além do desafio de atender mais 15 cidades através do Novotec e o interesse das empresas nos treinamentos sob medida, a unidade já está com cara nova, com laboratórios mais modernos do que os que existiam na antiga unidade. Um novo acesso será criado, inclusive valorizando o novo prédio, que quando entregue, também vai apresentar o memorial nesse novo momento. Isso é só o começo”, avisou.

O prédio da unidade I, no Jardim Regina, conta atualmente com 5.163,77m², com auditório; biblioteca; 26 salas de aula, sendo 16 laboratórios; sala Coworking; sala Google for Education e polo de inclusão digital. São disponibilizados os cursos técnicos em Administração, Análises clínicas, Design de interiores, Edificações, Enfermagem, Farmácia, Gastronomia, Informática,  Informática para web, Logística, Mecatrônica e Química e tecnólogo em processos químicos, além de cursinho pré-vestibular e cursos de Informática básica e extracurriculares.

Incluindo o Programa Novotec, a FIEC tem previsão de atender mais 3.354 estudantes. O Polo Novotec conta com 2.566 alunos distribuídos em Indaiatuba, Americana, Cabreúva, Campinas,  Cosmópolis, Hortolândia, Itatiba, Itu, Itupeva, Jundiaí, Mogi-Guaçu, Monte Mor, Sorocaba, Sumaré e Votorantim.

(Fonte: Prefeitura de Indaiatuba)