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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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OSU retoma tradicional Concerto de Boas-vindas na próxima sexta, 3 de março

Campinas, por Kleber Patricio

Na próxima sexta-feira, dia 3, a Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) realizará seu tradicional Concerto de Boas-vindas, recepcionando calouros e veteranos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Sob regência de Cinthia Alireti, maestrina da Sinfônica, a apresentação ocorre a partir das 12h30 no Teatro de Arena, dentro da própria Universidade. No repertório, uma seleção que vai de Carlos Gomes a Beethoven, uma peça da maestrina (‘Sustainable disco beat’) e arranjos da violinista da OSU Ivenise Nitchepurenco, com trabalhos em canções de Jorge Ben Jor e Martinho da Vila.

O concerto é gratuito e visa dar boas-vindas aos alunos da Unicamp; porém, é aberto a toda a comunidade.

Serviço:

Concerto de Boas-vindas

3 de março, às 12h30

Teatro de Arena, Unicamp

R. Elis Regina – Cidade Universitária, Campinas – SP.

(Fonte: Ton Torres/Ciddic/Unicamp)

IMS Paulista inaugura exposição do fotógrafo Evandro Teixeira, com imagens tiradas durante as ditaduras militares no Chile e no Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Manifestantes presos no Estádio Nacional, Santiago, Chile, 22/09/1973. Evandro Teixeira/Acervo IMS.

Um dos principais nomes do fotojornalismo brasileiro, Evandro Teixeira (1935) atuou na imprensa por quase seis décadas, sendo 47 anos no Jornal do Brasil. Com suas lentes, registrou os bastidores do poder no país, em especial as manifestações contrárias ao regime militar, além de temas associados ao esporte, à moda e à cultura. Em sua carreira, participou ainda de uma importante cobertura internacional: a do golpe militar no Chile em 1973. No país andino, produziu imagens impactantes do Palácio De La Moneda bombardeado pelos militares, dos prisioneiros políticos no Estádio Nacional em Santiago e do enterro do poeta Pablo Neruda.

As fotografias tiradas durante esse capítulo traumático da história chilena são o destaque da exposição “Evandro Teixeira, Chile, 1973”, em cartaz a partir de 21 de março (terça), na sede de São Paulo do Instituto Moreira Salles (Av. Paulista, 2424). No dia da abertura (21/3), às 18h, haverá um bate-papo com o fotógrafo, a jornalista Dorrit Harazim, que também esteve no Chile no mesmo período, e o curador da mostra, Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS. A entrada para a conversa é gratuita, com retirada de senhas uma hora antes (confira no serviço).

A mostra reúne cerca de 160 fotografias em preto e branco, livros, fac-símiles e outros objetos, como máquinas fotográficas e crachás de imprensa. Além dos registros feitos no Chile, a exposição traz imagens produzidas por Evandro durante a ditadura civil-militar brasileira, em um diálogo entre os contextos históricos dos dois países. Em monitores dispostos pelo espaço expositivo, também são apresentados trechos de filmes que documentam o período, como “Setembro chileno”, de Bruno Moet, e “Brasil, relato de uma tortura”, de Haskell Wexler e Saul Landau.

Evandro, cujo acervo está sob a guarda do IMS, viajou para o Chile em setembro de 1973, no dia seguinte ao golpe militar de 11/9 que levou à morte do presidente eleito Salvador Allende. O fotógrafo foi como correspondente do Jornal do Brasil e acompanhado pelo repórter Paulo Cesar de Araújo. Retido com dezenas de outros correspondentes internacionais na fronteira da Argentina com o Chile, fechada deliberadamente pela junta militar chilena, chegou a Santiago em 21/9. Sob a vigilância dos militares, a imprensa internacional circulava por uma cidade sitiada e ocupada pelas forças militares, com rígido toque de recolher. Além de contornar a censura local, Evandro precisava revelar as imagens rapidamente em um pequeno laboratório improvisado, que instalou no banheiro do seu hotel, e transmiti-las em seguida usando um aparelho de telefoto.

Entre as imagens produzidas nesse período, o registro mais importante feito pelo fotógrafo, que ele mesmo considera um dos marcos de sua carreira, foi a da morte e enterro do poeta Pablo Neruda. Um dia depois de chegar a Santiago, Evandro soube pela esposa de um diplomata que Neruda estava hospitalizado em uma clínica da cidade. O fotógrafo foi até o local, mas não conseguiu registrar o escritor, que morreu na noite daquele mesmo dia. Na manhã seguinte, retornou à clínica, já ciente da morte, e conseguiu acesso ao interior do edifício por uma entrada lateral, chegando ao local onde Neruda estava, em uma maca no corredor, sendo velado por sua viúva, Matilde Urrutia. Em entrevista para o site do IMS, o fotógrafo relembra o episódio: “Estou lá, rondando o hospital, e de repente abre uma porta lateral, olho, tiro a Leica, sempre deixo preparada para dois metros, o que der, deu. Entro, Neruda está na maca, dona Matilde, sua mulher, sentada com o irmão dela”.

Evandro fez a foto e, em seguida, pediu permissão para a viúva, lembrando que havia fotografado Neruda anteriormente em um encontro com o escritor Jorge Amado no Brasil. Matilde não só permitiu que ele fizesse os registros, como pediu para acompanhá-la até a residência do casal, La Chascona, onde o corpo seria velado. “Dentro da clínica fiz a maca, fiz várias fotos, apavorado. Eu olhava em volta, pensava naquele mundo de fotógrafos em Santiago e dizia pra mim mesmo: não, não é possível, só eu aqui, só eu?”, relembra. Evandro registrou naquele dia e no seguinte detalhadamente todas as etapas do velório e enterro do poeta, que contou com grande participação popular e se tornou o primeiro grande ato contra o governo de Pinochet.

Evandro foi, assim, o único fotojornalista a registrar Neruda ainda na clínica, logo após seu falecimento, que hoje, de acordo com estudos recém-publicados, parece ter sido causado por envenenamento. O curador Sergio Burgi comenta a importância dessa série de imagens, principal destaque da exposição: “Esta é uma documentação excepcional e em grande parte ainda inédita, oriunda da obstinação e audácia de um fotojornalista brasileiro que conseguiu penetrar incógnito no hospital onde se encontrava o corpo do poeta que admirava e conhecera no Brasil”.

A exposição também traz imagens que Evandro realizou no Estádio Nacional do Chile, local onde o governo encarcerou e torturou inúmeros presos políticos. Os correspondentes foram levados pelos próprios militares para fotografar o local, em uma iniciativa oficial que visava a encobrir as violações de direitos humanos que aconteciam ali. Ainda assim, Evandro e outros colegas conseguiram driblar o cerco e registrar tanto a chegada não planejada pelos militares de novos presos políticos ao estádio como também penetrar no subsolo do local, onde jovens estudantes foram fotografados sendo conduzidos para áreas internas. Junto aos registros do Estádio Nacional, há também imagens que mostram a violência militar em Santiago, como a foto do Palácio De La Moneda bombardeado.

Em outro núcleo, a mostra apresenta fotos feitas por Evandro durante a ditadura brasileira e que hoje fazem parte do imaginário sobre o período. Entre elas, estão a da Tomada do Forte de Copacabana, feita exatamente no dia 1 de abril de 1964, as imagens das manifestações contrárias ao governo, em 1968, como a da Passeata dos Cem Mil, vetada pelos censores da época por registrar a faixa “Abaixo a ditadura, povo no poder” ou ainda a foto na qual Evandro registra a queda de um motociclista da FAB, em 1965. Junto aos registros, há uma cronologia da carreira do fotógrafo, além de depoimentos em vídeo em que relembra momentos marcantes de sua trajetória.

Para Sergio Burgi, o conjunto de imagens reforça a importância da prática diária do fotojornalismo como ferramenta de fiscalização do poder e preservação da memória: “A obra de Evandro Teixeira é expressão plena deste compromisso do fotojornalismo com o testemunho direto da realidade e com a liberdade de expressão e criação, essenciais tanto em nosso passado recente como ainda hoje. Passadas cinco décadas, suas imagens sobre as ditaduras militares no Chile e no Brasil reafirmam claramente a importância da democracia e do respeito absoluto ao estado de direito e à cidadania. São imagens que claramente desnudam o autoritarismo e permanecem denunciando, ainda nos dias de hoje, de forma clara e cristalina, os riscos das aventuras golpistas”.

Em cartaz até julho, a mostra também contribui para a reflexão sobre a extensa obra de Evandro Teixeira, profissional comprometido sobretudo com seu ofício, como revelam suas palavras: “Minha aventura pessoal identifica-se com a aventura vivida pelo mundo. Não tenho méritos para isso, sou um homem manejando uma câmera. Quando bem operada, é um fósforo aceso na escuridão. Ilumina fatos nem sempre muito compreensíveis. Oferece lampejos, revela dores do impasse do mundo. E desperta nos homens o desejo de destruir esse impasse”.

Exposição simultânea na Biblioteca de Fotografia

Entre 21 de março e 11 de junho, a Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista, em diálogo com as fotos de Evandro Teixeira, apresenta a mostra “Papel, tinta e chumbo: fotolivros e ditaduras sul-americanas”, composta de publicações que abordam as ditaduras militares ocorridas na América do Sul entre os anos 1960 e 1980. Os títulos apresentados mostram como fotógrafos e artistas documentaram os acontecimentos no momento em que aconteceram ou como os rememoraram depois, muitas vezes se valendo de álbuns familiares e arquivos públicos. Nas páginas dos livros, encontram-se a iminência dos golpes de Estado, a atuação da repressão, o cotidiano possível, os dramas familiares, as greves e as lutas de resistência, os lugares indizíveis, o exílio, as dissidências ocultas e os efeitos da ausência dos desaparecidos. Entre os livros apresentados na mostra, estão “A greve do ABC”, de Nair Benedito, Juca Martins e Eduardo Simões et al (Brasil); “La manzana de Adán”, de Paz Errázuriz (Chile), e “Una sombra oscilante”, de Celeste Rojas Mugica (Argentina), entre muitos outros.

Sobre o catálogo | O IMS lançará um catálogo da exposição. A publicação trará, além das fotografias presentes na mostra, textos da cientista política, socióloga e professora Maria Hermínia Tavares de Almeida, do escritor Alejandro Chacoff e do curador da exposição, Sergio Burgi, e uma cronologia organizada pela pesquisadora Andrea Wanderley. O catálogo tem previsão de lançamento para o dia da abertura da exposição.

Serviço:

Exposição “Evandro Teixeira, Chile 1973”

Abertura: 21 de março

Visitação: até 30 de julho

6º andar

IMS Paulista

Entrada gratuita

Curadoria: Sergio Burgi

Assistência de curadoria: Alessandra Coutinho

Pesquisa biográfica e documental: Andrea Wanderley

Pesquisa no acervo: Alexandre Delarue

Conversa sobre a exposição “Evandro Teixeira, Chile, 1973”, com Evandro Teixeira e a jornalista Dorrit Harazim. Mediação de Sergio Burgi.

21 de março, terça-feira, 18h, no cineteatro do IMS Paulista

Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes do evento

Limite de uma senha por pessoa.

Capacidade do cineteatro: 145 lugares

Evento com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Exposição “Papel, tinta e chumbo: fotolivros e ditaduras sul-americanas”

Abertura: 21 de março

Visitação: até 11 de junho

1º andar

IMS Paulista

Entrada gratuita.

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424 – São Paulo, SP

Entrada gratuita

Horário de funcionamento: terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h.

(Fonte: Instituto Moreira Salles)

Pianista Anna Dmytrenko toca Mahler e Prokofiev junto à Orquestra Sinfônica Municipal

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Os fãs de piano e das sinfonias trágicas de Mahler e Prokofiev têm um motivo especial para vir ao Theatro Municipal de São Paulo no próximo final de semana: a premiada pianista ucraniano-americana Anna Dmytrenko irá apresentar, junto à Orquestra Sinfônica Municipal, obras desafiadoras e comoventes: o Concerto para piano nº2 do russo Sergei Prokofiev e a Sinfonia nº 6 em Lá Menor, a Trágica, do austríaco Mahler, nos dias 3 e 4 de março, além de um concerto didático gratuito dedicado a Prokofiev no dia 2/3 (sexta).

Já no dia 2 de março, em um programa de 50 minutos de duração, o Concerto para piano nº 2 (31’), escrito por Prokofiev em 1913, será apresentado em seus quatro movimentos ao longo de todo o concerto. A obra, que levou um ano para ser feita e ficou conhecida também pelo fato de seu manuscrito original ter se perdido em um incêndio e ter sido, então, reescrita em 1923. Tecnicamente desafiador, o trabalho foi dedicado à memória de um amigo de Prokofiev que se suicidou no ano em que iniciou a composição e trouxe reações calorosas do público pelo olhar futurista que o russo lançava à música de sua época. A apresentação terá comentários que aproximam o público do universo da música erudita e é gratuita, com ingressos podendo ser reservados com dois dias de antecedência.

No programa dos dias 3 e 4, com 135 minutos e 20 de intervalo, a pianista e a orquestra, sob a regência de Roberto Minczuk, irão percorrer os quatro movimentos da obra de Prokofiev, seguida pela composição que Mahler fez a partir de sua angústia frente à iminência de sua própria morte, uma obra de orquestração densa e forte. Os ingressos vão de R$12 a R$64.

Dmytrenko é um grande nome do piano internacional, tendo se apresentado por diversos lugares ao redor do mundo; entre eles, Carnegie Hall, Lincoln Center, Paris Philharmonie e Hammer Theatre, entre tantos outros.

Premiada em inúmeras competições internacionais, a pianista levou o segundo lugar no Prêmio de Escolha da Audiência e Prêmio de Melhor Peça Contemporânea na competição internacional de Piano Olga Kern, além de ter sido o terceiro lugar na Ricard Viñes International Piano Competition, primeiro lugar na Manhattan International Music e terceiro lugar no New York International Piano Competition.

Entre suas colaborações orquestrais, estão projetos como a Orquestra Sinfônica del Valles,a KwaZulu-Natal Philharmonic, a New Mexico Philharmonic, a Bacau Philharmonic e a Orchestre de Chambre de Paris. Seu primeiro álbum foi lançado em 2018 e se chama “Anna Dmytrenko: Live in Recital”, no qual apresenta obras de Medtner, Rachmaninoff e Barber.

Anna estudou na Juilliard School, nos Estados Unidos, com Oxana Yablonskaya, na Royal Academy of Music, em Londres com Christopher Elton e na University of the Arts em Berlin com Pascal Devoyon e, atualmente, trabalha em seu doutorado em música na Manhattan School of Music com Olga Kern.

Serviço:

Orquestra Sinfônica Municipal apresenta Concerto Didático – Prokofiev

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

2/3/2023 • 20h

Roberto Minczuk, regência

Anna Dmytrenko, piano

Programa

SERGEI PROKOFIEV

Concerto para piano nº 2 (31’)

I. Andantino

II. Scherzo: Vivace

III. Moderato

IV. Finale: Allegro tempestoso

Duração 50 minutos

Capacidade 1523 lugares

Classificação livre para todos os públicos — Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Ingressos gratuitos – Reserva no site 2 dias antes do concerto.

Em caso de desistência da reserva, solicite o cancelamento, até 2 horas antes do evento, através do e-mail bilheteria@theatromunicipal.org.br.

Orquestra Sinfônica Municipal apresenta Trágicas: 6ª de Mahler e 2ª de Prokofiev

Theatro Municipal – Sala de Espetáculos

3/3/2023 • 20h

4/3/2023 • 17h

Roberto Minczuk, regência

Anna Dmytrenko, piano

Programa

SERGEI PROKOFIEV

Concerto para piano nº 2 (31’)

I. Andantino

II. Scherzo: Vivace

III. Moderato

IV. Finale: Allegro tempestoso

Intervalo (20’)

GUSTAV MAHLER

Sinfonia nº 6 em Lá menor, “Trágica” (80’)

I. Allegro energico, ma non troppo

II. Andante moderato

III. Scherzo

IV. Finale

Duração total aproximadamente 135 minutos (com intervalo)

Classificação livre para todos os públicos — Sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária.

Ingresso de R$12,00 a R$64,00 (inteira).

(Fonte: Theatro Municipal de São Paulo)

Reunindo arte e tecnologia, Festival Amazônia Mapping convida o público para vivenciar uma experiência imersiva em metaverso amazônico

Belém e São Paulo, por Kleber Patricio

Alma de Selva por Microdosys e Ilumina Chebel. Foto: divulgação.

O Festival Amazônia Mapping, pioneiro e um dos maiores eventos de arte e tecnologia do Brasil, convida o público para vivenciar uma experiência imersiva no metaverso amazônico, em uma ilha de realidade virtual com cenários realistas integrando obras audiovisuais, performances artísticas, música, videomapping e vivência formativa nos dias 6 e 8 de março. O tema desta edição será ‘Floresta Viva’ e os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente no canal do Youtube e site do festival .

Com apresentações inéditas em uma Amazônia imaginária, o evento promove uma programação multilinguagem com encontros entre artistas amazônicos e paulistas em ambiente virtual que apresenta a floresta e cidades da região como personagens do cenário criado para o festival.

Associando música e imagem em shows inéditos, entre os participantes está o artista indígena de Manaus Nelson D. que, em dupla com a artista visual Bianca Turner, proporcionarão uma viagem audiovisual “Cyber amazonense”.

Já a cantora Aíla, expoente da música pop da Amazônia, apresentará de forma inédita as músicas do seu disco ‘Sentimental’ em parceria com o artista Jean Petra, convidado a fazer intervenções com elementos e objetos 3D sobre vídeo captado com uma câmera 360º, criando uma narrativa junto ao filme.

A DJ Meury, DJ e produtora e importante nome da cena de tecnobrega do Pará, tocará pela primeira vez as suas produções na Ilha VR do Amazônia Mapping, com projeções de diversas obras do artista PV DIAS, incluindo o Altar Sonoro.

Aíla. Foto: divulgação.

A experiência também trará a performance nomeada ‘Crisálida’, da artista visual e performer Rafael Bqueer, em que se abarca o conceito de um ser em metamorfose, uma identidade em transição, assumindo subjetivas formas, alternando gestos entre a delicadeza e visceralidade de sua mutação.

Uma experiência de projeção sobre a floresta virtual fica por conta da artista multimídia e diretora artística Roberta Carvalho com a obra imersiva ‘Resiste!’, que percorre videoarte, realidades mistas e intervenção urbana criando uma poesia visual realizada para pensar sobre temas urgentes como a preservação e as reconexões com a natureza.

O Amazônia Mapping ainda promove uma colaboração inédita entre os artistas Microdosys e Ilumina Chebel nos visuais e Irû Waves na trilha sonora para a criação ‘Alma de Selva’, um video mapping com imagens sintetizadas a partir das redes neurais de inteligência artificial. Por meio da técnica text-to-image, a obra introduz as forças invisíveis da natureza que se mostram em sons e nas máscaras dos espíritos dos animais. Elas surgem marcando sua presença como um aviso pedindo respeito e proteção para a floresta.

“O festival dá protagonismo a um dos assuntos mais importantes no momento para o mundo: a Amazônia, que é floresta e é cidade. São muitas Amazônias, e a gente está aqui para mostrar toda essa pluralidade e romper estereótipos. A arte sensibiliza as pessoas pela emoção, transmite novas perspectivas por meio de suas linguagens. Essa edição traz também encontros inéditos entre artistas amazônidas e de São Paulo, com o intuito de fazer circular ainda mais a arte brasileira produzida na região Norte para além das margens”, pontua Aíla que, além de se apresentar no Festival, é codiretora artística do projeto.

Tecnologia e arte

Como referência da intersecção entre arte e tecnologia, desde sua primeira edição em 2013, o FAM tem a Amazônia em seu DNA. A fim de submergir o público para que possa aproveitar ao máximo essa experiência, serão utilizados conteúdos inéditos, gravados em formato 360º e elementos originais da floresta, como rios e cidade para as projeções, integrando artistas reais em ambientes virtuais e presenciais. A experiência poderá ser aprimorada com o uso de óculos de realidade virtual.

A ilha foi desenvolvida durante a pandemia, por meio da plataforma Unreal Engine, usada para a criação de gráficos de jogos eletrônicos. O projeto foi premiado na categoria “Inovação: Música e Tecnologia”, da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM SP) e, desde então, foi palco das duas últimas edições do festival.

A direção artística do projeto é assinada pelas artistas Roberta Carvalho e Aíla, destaques do Pará contemporâneo, que trazem esse encontro de sucesso entre imagem e música. Recentemente, estiveram juntas também na NAVE do Rock in Rio, onde Roberta assinou a direção artística geral, e Aíla, a direção musical. “Proporcionar este tipo de experiência é mostrar que tecnologia e arte podem andar juntas, levando o público a vivenciar momentos de curiosidade e encantamento. Nosso festival propõe esse mergulho para todos, reafirmando a força da cultura produzida na Amazônia e a importância da floresta para o mundo”, afirma Roberta Carvalho, artista e também realizadora do Festival Amazônia Mapping.

Oficina online

Focada no compartilhamento do processo de construção da experiência em Realidade Virtual do Festival Amazônia Mapping, a etapa de vivência será realizada online e gratuitamente no dia 8 de março, a partir das 19 horas. Ministrada por Roberta Carvalho e Caio Fazolin, do estúdio ADA, é responsável pelo desenvolvimento tecnológico do ambiente virtual. As inscrições serão divulgadas em breve nas redes sociais oficiais e limitadas a 100 vagas.

A proposta é convidar os participantes a conhecerem a história e as tecnologias que embasam a construção da ilha virtual do Festival Amazônia Mapping, evento pioneiro no mercado de artes visuais e tecnologia no Brasil.

Durante a conversa, serão discutidos tópicos relacionados à criação do ambiente virtual, à escolha dos artistas e à produção das apresentações artísticas. Além disso, serão compartilhados exemplos de como a tecnologia advinda do mundo dos games pode ser utilizada para amplificar a expressão artística e a conexão entre o público e as obras.

Durante duas horas, estarão reunidos profissionais da área de tecnologia e arte, que irão compartilhar suas perspectivas sobre o uso da tecnologia no contexto da produção cultural. Este será um momento único de aprendizado e troca de experiências para todos aqueles que se interessam pelo tema. Será uma oportunidade para o público aprender sobre o mundo da arte e da tecnologia e como elas se juntam para criar experiências imersivas.

Sobre o Festival Amazônia Mapping

Um projeto inovador na Região Amazônica, o Festival Amazônia Mapping busca, por meio de oficinas e apresentações artísticas, o desenvolvimento e difusão de uma linguagem visual contemporânea intitulada vídeo mapping ou projeção mapeada e seu desdobramento nas artes visuais, com a proposta de reconfigurar olhares sobre nossa paisagem urbana e o mundo digital, levando a arte para espaços inimagináveis, de forma lúdica e com conteúdos relevantes.

O festival se propõe a valorizar artistas do norte promovendo o intercâmbio com profissionais de outros estados brasileiros, possibilitando assim trocas de conhecimento e o desenvolvimento, na Amazônia, de uma das técnicas visuais mais inovadoras nos dias de hoje.

Confira abaixo a programação completa:

6/mar/2023 – segunda-feira

Música e Imagem: Nelson D + Bianca Turner

Música e Imagem: Aíla + Jean Petra

Música e Imagem: DJ Meury + PV Dias

Performance: Rafael Bqueer

Vídeo Mapping: Resiste! / Roberta Carvalho

Vídeo Mapping: microdosys + ilumina chebel / Trilha: Irû Waves

Horário: A partir das 11 horas

Local: No site e canal oficial do youtube do Festival Amazônia Mapping

8/mar/2023 – quarta-feira

Vivência

Facilitadores: Roberta Carvalho e Caio Fazolin

Data: 8 de março

Horário: 19 horas

Duração: Duas horas

Vagas: 100

Específico para profissionais e interessados da área de tecnologia.

(Fonte: Agência Lema)

Retrospectiva da artista carioca Marília Kranz abre o ano na Galatea

São Paulo, por Kleber Patricio

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Ozma – estereoforma’, 1969. Poliuretano rígido, fibra de vidro, tinta automotiva. 77 x 97 x 12 cm. Créditos: Ding Musa.

A partir do dia 09 de março, quinta-feira, às 18h, a Galatea expõe um panorama retrospectivo da obra de Marília Kranz (1937-2017). Nascida no Rio de Janeiro, Marília foi pintora, desenhista e escultora e passou a ter seu espólio oficialmente representado pela galeria paulista a partir do ano passado. A mostra “Marília Kranz: relevos e pinturas” apresentará cerca de 30 obras, entre esculturas e pinturas, que cobrem a trajetória percorrida pela artista desde os anos 60, fase inicial de sua produção, até os anos 2000. Quem assina o projeto expográfico da mostra é Marieta Ferber, designer e diretora de arte.

A escolha do nome de Marília Kranz surgiu por meio de uma pesquisa de Conrado Mesquita, um dos sócios da galeria, que estabeleceu contato com as filhas da artista. Então responsáveis pelo espólio da artista, ficaram muito entusiasmadas com esse projeto de resgate de sua obra no contexto atual da arte no Brasil e com a expansão do seu alcance para além do mercado do Rio de Janeiro, onde a artista sempre foi apreciada.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Lembranças’, 2002, Óleo sobre linho [Oil on linen], 80 x 120 cm. Créditos: Rafael Salim.

Pioneira na luta pelo feminismo, Marília Kranz dedicou-se, nos primeiros anos de sua carreira, ao desenho e ao estudo da pintura. Em dado momento, começou a explorar o campo da abstração geométrica, produzindo em relevos como gesso, papelão e madeira, que integraram a sua primeira exposição individual, em 1968, na Galeria Oca, no Rio de Janeiro. Em 1969, ao retornar de viagens que fez à Europa e aos Estados Unidos, passou a produzir os relevos a partir da técnica de moldagem a vácuo (vacuum forming), usando plástico, fibra de vidro, resina e esmaltes industriais, além de esculturas em acrílico cortado e polido chamadas de Contraformas.

A técnica foi inovadora, já que, à época, era pouco difundida no Brasil até mesmo no setor industrial. Além disso, o conteúdo dos trabalhos era carregado de forte caráter experimental. Segundo o crítico de arte Frederico Morais, as formas abstratas e geométricas exploradas nestas obras – e na produção de Marília Kranz como um todo – se aproximariam mais de artistas internacionais como Ben Nicholson (Inglaterra), Auguste Herbin (França) e Alberto Magnelli (Itália) do que das vertentes construtivistas de destaque no Brasil, como o Concretismo e o Neoconcretismo.

A partir de 1974, a artista retomou o trabalho com pinturas sobre tela, mas desta vez o foco era outro: imagens de paisagem carregadas de certa volúpia. A artista passou a trazer para o centro da tela elementos constituintes das suas paisagens preferidas no Rio de Janeiro. Comparada a artistas como Giorgio de Chirico e Tarsila do Amaral, os seus cenários e figuras geometrizadas e oníricas, beirando a abstração, evocam solenidade e erotismo. Os tons pastéis, por sua vez, tornaram-se a sua marca. “A cor cede diante da intensidade luminosa”, diz Frederico Morais. Ao observarmos as flores e as frutas que protagonizam com grande sensualidade várias de suas pinturas, pensamos também em Georgia O’Keeffe, considerada por Marilia Kranz sua “irmã de alma”.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘A montanha e a fruta’, 1989, Óleo sobre tela [Oil on canvas], 80 x 100 cm. Créditos: Rafael Salim.

Na exposição, será possível acompanhar a passagem, dentro do percurso da artista, de uma geometria abstrata e formalista dos relevos do fim da década de 1960 para a pintura de paisagem – figurativa, mas com intrusões da geometria – que começa a desenvolver em meados da década de 1970 e que explora até o fim de sua produção. Marilia passa de uma estética de certa forma “fria, formalista ou racional” para algo mais “quente, fluido, afetivo”, inspirada também por sua paixão pela paisagem do Rio de Janeiro e pela pauta da liberação sexual feminina. Nessa transição entra o erotismo das flores, por exemplo, que a conecta com a pintura de Georgia O’Keeffe, e as cores e paisagens que a aproximam tanto da Tarsila de Amaral Pau-Brasil/Antropofágica quanto das paisagens vazias e solenes dos metafísicos que influenciariam o surrealismo, como Di Chirico.

Marília Kranz foi selecionada pela Galatea como a primeira mulher de muitas que estão nos planos de representação da galeria. Tornou-se conhecida por sua ativa defesa em prol da libertação sexual e da liberdade política durante a ditadura militar no Brasil (1964 a 1985), além da luta pelas causas ambientais, atuando como uma das fundadoras do Partido Verde em 1986. Expôs em galerias e instituições nacionais e internacionais, recebendo prêmios em razão de suas pinturas e esculturas. Em 2007, foi homenageada na grande exposição retrospectiva “Marília Kranz: relevos e esculturas”, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).

Sobre a Galatea

A Galatea é uma galeria que surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin esteve à frente por quase uma década como sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita é marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis e Tomás Toledo é curador e contribuiu ativamente para a histórica renovação institucional do MASP, de onde saiu recentemente como curador-chefe.

Marilia Kranz 1937-2017, ‘Ozma – estereoforma’, 1969. Poliuretano rígido, fibra de vidro, tinta automotiva. 77 x 97 x 12 cm. Créditos: Ding Musa.

Tendo a arte brasileira moderna e contemporânea como foco principal, a Galatea trabalha e comercializa tanto nomes já consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Tal amplitude temporal reflete e articula os pilares conceituais do programa da galeria: ser um ponto de fomento e convergência entre culturas, temporalidades, estilos e gêneros distintos, gerando uma rica fricção entre o antigo e o novo, o canônico e o não canônico, o erudito e o informal.

Além dessas conexões propostas, a galeria também aposta na relação entre artistas, colecionadores, instituições e galeristas. De um lado, o cuidado no processo de pesquisa, o respeito ao tempo criativo e o incentivo do desenvolvimento profissional do artista com acompanhamento curatorial. Do outro, a escuta e a transparência constante nas relações comerciais. Ao estreitar laços, com um olhar sensível ao que é importante para cada um, Galatea enaltece as relações que se criam em torno da arte — porque acredita que fazer isso também é enaltecer a arte em si.

Nesse sentido, partindo da ideia de relação é que surge o nome da galeria, tomado emprestado do mito grego de Pigmaleão e Galatea. Este mito narra a história do artista Pigmaleão, que ao esculpir em marfim Galatea, uma figura feminina, apaixona-se por sua própria obra e passa a adorá-la. A deusa Afrodite, comovida por tal devoção, transforma a estátua em uma mulher de carne e osso para que criador e criatura possam, enfim, viver uma relação verdadeira.

Serviço:

Local: Galatea

Endereço: Rua Oscar Freire, 379, loja 1 – Jardins, São Paulo – SP

Abertura: 9 de março, quinta-feira, às 18h

Período expositivo: 9 de março a 29 de maio de 2023

Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11 às 15h

Mais informações: https://www.galatea.art/

Estacionamento no local.

(Fonte: A4&Holofote Comunicação)