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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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MASP apresenta seminário sobre a obra do artista britânico Francis Bacon

São Paulo, por Kleber Patricio

Helmar Lerski, Francis Bacon, 1929-30, © Estate Helmar Lerski, Museum Folkwang, Essen, 2017, cortesia de Francis Bacon MB Art Foundation MonacoMB Art Collection.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, apresenta, no dia 11 de maio de 2023, o seminário “Francis Bacon: a beleza da carne”, antecipando a exposição do MASP dedicada ao artista no ano de 2024 como parte de um programa anual inteiramente voltado às Histórias da Diversidade [Queer Histories]. Online e gratuito, o seminário visa refletir sobre a obra do artista britânico Francis Bacon (1909–1992) adotando uma abordagem inovadora ao destacar os elementos queer tanto em sua produção artística como em sua vida pessoal. Boa parte da crítica e da história da arte canônica não abordou esses aspectos que permeiam suas pinturas, evitando controvérsias sobre sua sexualidade.

Com uma perspectiva contemporânea da obra do artista, o grupo de curadores, historiadores, escritores e pesquisadores reunidos para este seminário abordará as diferentes formas por meio das quais Bacon abriu caminho para a presença queer na cultura visual ocidental. Fazem parte do programa palestrantes de distintas áreas de conhecimento: Dominic Janes, Gregory Salter, Michael Peppiatt, Paulo Herkenhoff, Richard Hornsey, Rina Arya e Simon Ofield-Kerr.

O encontro será transmitido por meio do perfil do MASP no YouTube, com tradução simultânea para Libras, português e inglês. Para receber o certificado de participação, é necessário realizar um cadastro por meio de um link que será fornecido durante o seminário. Os certificados serão enviados ao e-mail dos participantes que assinarem o formulário na segunda parte do encontro, a partir das 13h30.

A iniciativa tem organização de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Fernando Oliva, curador, MASP e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.

PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira, 11/5/2023 – 10h30  

Introdução – Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP

10h40—12h

Simon Ofield-Kerr – Enfrentando Francis Bacon mais uma vez!

Os interesses de pesquisa de Simon Ofield-Kerr concentram-se em relações entre práticas, prazeres e identidades sociais/sexuais nas culturas visuais e literárias. Nesta palestra, Ofield-Kerr continua a enfrentar a obra de Francis Bacon, em especial sua pintura “Two Figures” [Duas figuras] (1953), abordando-a por meio de um arquivo de textos escritos e visuais populares e banais relacionados à práticas e prazeres sociais/sexuais que, na década de 1950, eram cada vez mais identificados, na imprensa popular, como “queer”. Propõe-se que “Two Figures” seja vista dentro de uma história de encontros sociais e sexuais entre homens, orquestrados pelas diferenças de classe e influenciados por uma economia sexual e visual do modernismo alemão da década de 1930. A palestra discute como essa economia é popularizada e reapresentada nas páginas de revistas britânicas e estadunidenses de fisiculturismo, forma física e luta livre da década de 1950, e como os anúncios publicitários nessas publicações fornecem um contexto popular para compreender a pintura de Bacon.

Simon Ofield-Kerr é reitor da Norwich University of the Arts. Ofield-Kerr estudou Belas Artes no Exeter College of Art and Design, fez mestrado em História Social da Arte e doutorado na University of Leeds, no Reino Unido. Iniciou sua carreira acadêmica na Leeds e passou por diversos cargos de liderança na Middlesex University e na Kingston University, onde foi diretor executivo da Faculdade de Arte, Design e Arquitetura.

Gregory Salter – Francis Bacon e a experiência queer além da Grã-Bretanha na década de 1950

Na década de 1950, Francis Bacon fez várias viagens a Tanger, no Marrocos, em parte para acompanhar Peter Lacy, seu amante na época. As poucas pinturas produzidas no Marrocos (ou que, de alguma maneira, fazem referência ao país) que sobreviveram foram pouco exploradas nos estudos sobre Bacon. Ao mesmo tempo, o Marrocos, e principalmente Tânger, havia se tornado um espaço que atraía turistas e personalidades culturais queer nos anos pós-guerra. Esta palestra baseia-se em pesquisas realizadas sobre a relação entre a arte de Bacon e contextos queer na Grã-Bretanha e questiona como essas histórias podem ser ampliadas com a atenção voltada aos espaços fora do país visitados por homens homossexuais britânicos. A partir de pinturas do período no Marrocos, como “Man Carrying a Child” [Homem carregando uma criança] (1956), e “Landscape Near Malabata, Tangier” [Paisagem próxima a Malabata, Tanger] (1963), Salter argumenta que espaços internacionais como Tanger foram cruciais para a negociação e articulação de Bacon sobre a experiência queer nos anos pós-guerra.

Gregory Salter é professor de História da Arte na University of Birmingham. Publicou o livro “Art And Masculinity In Post-War Britain: Reconstructing Home” [Arte e masculinidade na Grã-Bretanha pós-guerra: reconstruindo o lar] (2019). Atualmente, desenvolve um projeto de pesquisa que trata de histórias transnacionais de arte queer britânica entre 1957 e 1988.

Mediação: Fernando Oliva, curador, MASP.

13h30—15h

Richard Hornsey – As cabeças de Bacon e a fragmentação do rosto masculino homossexual na Grã-Bretanha pós-guerra

A palestra trata a série “Heads”, obras de Bacon com cabeças “diluídas”, como uma resposta estética à posição sociopolítica queer na Grã-Bretanha pós-guerra. No início da década de 1950, a crescente vigilância policial tornou a ocupação de espaços públicos cada vez mais frágil para homens homossexuais. Enfrentando problemas de revelação e prova, as autoridades jurídicas desenvolveram um conjunto de clichês homossexuais visíveis (gestos, expressões faciais, uso de maquiagem) que era usado nos tribunais como prova do desejo na superfície do corpo de um suspeito. Ao mesmo tempo, ativistas pela descriminação alegavam que os homens homossexuais eram cidadãos legítimos precisamente porque a sexualidade deles era invisível, banindo, assim, aqueles que não conseguiam (ou se recusavam a) passar despercebidos no espaço público. As cabeças de Bacon no início do pós-guerra repercutem esse momento interagindo com as estruturas do retrato pictórico do estado cotidiano. Por fim, argumenta-se que as cabeças de Bacon, diluídas e fragmentadas, exploravam a contradição da tentativa de ocupar o espaço público pós-guerra tanto como um homem homossexual quanto um cidadão legítimo.

Richard Hornsey é professor associado em História Britânica Moderna na University of Nottingham, no Reino Unido. Publicou “The Spiv and the Architect: Unruly Life in Postwar London” [O vigarista e o arquiteto: a vida desregrada na Londres pós-guerra] (University of Minnesota Press, 2010). Seu trabalho mais recente investigou o impacto da produção em massa na cultura britânica entre guerras, tema de seu próximo livro.

Dominic Janes – Bacon, corpos musculosos e a cultura material erótica

Hoje em dia, reconhece-se amplamente que Francis Bacon não só era um homem homossexual interessado em BDSM, como também que sua sexualidade desempenhou um importante papel em sua arte. Esse reconhecimento, no entanto, ainda o posiciona em um conjunto de categorias identitárias familiares e deixa de lançar luz nas particularidades de sua imaginação erótica. Com isso em mente, a palestra explora as complexas formas em que o erotismo e a cultura material interagem na vida e nas pinturas de Bacon. Essa abordagem se baseia nas primeiras definições históricas que tratavam da sodomia como transgressões físicas de alcance muito mais amplo do que apenas sexo anal. Ela revisita as imagens homoeróticas da metade do século 20 de maneiras que perturbam os conceitos binários de humano e animal, carne humana e carne animal, sujeito e objeto, que serviam para demarcar a normatividade heterossexual e homossexual ao longo da vida do artista.

Dominic Janes é professor titular de História Moderna na Keele University e Professorial Fellow na University for the Creative Arts. Historiador cultural, estuda textos e imagens visuais relacionados à Grã-Bretanha nos contextos local e internacional a partir do século 18. Nessa esfera, ele se concentra nas histórias de gênero, sexualidade e religião.

Mediação: Leandro Muniz, assistente curatorial, MASP.

15h—16h30

Rina Arya – Queerizando a obra: um olhar contemporâneo sobre Bacon

Bacon era um pintor audacioso que retratava o esplendor cru do corpo masculino. Pintando numa época em que a homossexualidade era criminalizada, Bacon retratava o desejo homoafetivo de várias formas; fosse furtivamente, por meio de cópulas frenéticas, de alguma maneira veladas, ou pelo olhar homoerótico. Afastando-se dessa perspectiva e adotando-se uma lente contemporânea, pode-se entender que Bacon comentasse de forma mais ampla sobre o que agora entendemos como queer, um termo interpretado como uma ofuscação ou ambiguidade sobre categorias. De muitas maneiras, suas representações são sobre o corpo em desejo pulsante, voltando à vida, despedaçando-se e dissolvendo-se em névoa etérica. Esta palestra considera os corpos de Bacon como queer, no sentido de transitar entre gêneros e sexualidades, mais desejosos, vitais, porém profundamente vulneráveis.

Rina Arya é professora titular de Cultura e Teoria Visual na University of Huddersfield. Nos últimos quinze anos, tem produzido inúmeros textos sobre as pinturas de Francis Bacon, com particular interesse nas perspectivas teóricas da obra do artista. Escreveu sobre as expressões de homossexualidade de Bacon, os aspectos religiosos de suas pinturas e as formas como tempo e espaço são mapeados em sua obra.

Paulo Herkenhoff – Francis Bacon e a carne viva da pintura

Se recorrermos ao aforismo de Paul Éluard, retomado por Maurice Merleau-Ponty em “O olho e o espírito”, de que todo pintor empresta seu corpo à pintura, então cabe indagar qual corpo é emprestado por Francis Bacon a sua arte. É um corpo dilacerado pela voracidade do seu desejo homoafetivo, tragado por algum problema físico-anatômico do Outro. Assim, Bacon é um Merleau-Ponty desesperado com as vísceras expostas, como no quadro de Rembrandt “A lição de anatomia do doutor Nicolaes Tulp” (1632). Bacon pode ser considerado um “antropofágico” na dimensão da cultura brasileira do Manifesto Antropofágico (1928) do poeta Oswald de Andrade. “Só me interessa o que não é meu”. Só me interessa a carne do outro. Louise Bourgeois nutria uma paixão canibal por Bacon. No entanto, o Bacon que mais se aproxima do pathos antropofágico pode ser pensado por meio do transgressivo artista brasileiro Artur Barrio, porque ambos são artistas da carne selvagem e simultaneamente filosófica.

Paulo Herkenhoff foi curador da XXIV Bienal de São Paulo, dedicada à autonomia da arte brasileira com a problematização da antropofagia (1998), da qual fez parte a obra de Francis Bacon; professor catedrático no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) (2019) e agraciado com a Grã-Cruz do Mérito Cultural (2015).

Mediação: Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP.

16h30—17h30

Conversa com Michael Peppiatt – Francis Bacon: em seu sangue

Michael Peppiatt conheceu Francis Bacon em junho de 1963, na French House, no Soho, ao requisitar uma entrevista do artista à revista estudantil da qual era editor. Bacon o convidou para um almoço, eles iniciaram uma amizade e um diálogo sem limitações que perdurariam até a morte de Bacon, trinta anos depois. Fascinado pelo brilhantismo e pelo carisma do artista, Michael o acompanhava em seu giro noturno, regado a álcool entre hotéis, clubes decadentes e cassinos, observando todos os aspectos da “vida glamorosa e vulgar” de Bacon e conhecendo todos à volta dele. Ele também costumava discutir pintura com Bacon em seu estúdio, onde apenas os amigos mais próximos do artista tinham permissão de entrar. Apesar do caos que Bacon criou ao seu redor, Michael conseguiu registrar muitas de suas conversas, que tratavam de todos os aspectos da vida e da arte, do amor e da morte, do que era revelador e hilário, bem como do que era comoventemente trágico.

Michael Peppiatt é membro da Society of Authors e da Royal Society of Literature. Foi curador de inúmeras exposições, especialmente retrospectivas de Francis Bacon e Alberto Giacometti na Europa e nos Estados Unidos.

Mediação: Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.

Serviço:

Seminário Francis Bacon: a beleza da carne

Organização: MASP

Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Fernando Oliva, curador, MASP; e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.

11/5/23 – 10h30—17h30

Canal de YouTube do MASP

Gratuito

Site do MASP | Facebook | Instagram.

(Fonte: Assessoria de Imprensa MASP)

TMRJ apresenta novo Concerto da Série Celebrações: a Missa de Requiem, de Giuseppe Verdi

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Arte: Carla Marins.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro traz ao palco um novo Concerto da Série Celebrações: a “Missa de Requiem”, de Giuseppe Verdi, importante compositor italiano de óperas do período romântico, considerado um dos mais influentes do século XIX, assim como Richard Wagner, na Alemanha. Com o patrocínio Ouro Petrobras e realização AATM, a Missa de Requiem, composta em homenagem ao primeiro aniversário de morte do escritor Alessandro Manzoni (1785-1873), em comemoração aos 210 anos de nascimento de Verdi, contará com o Coro e Orquestra Sinfônica do TMRJ, além dos solistas Marly Montoni (soprano), Denise de Freitas (mezzo-soprano), Paulo Mandarino (tenor) e Christian Peregrino (baixo). As récitas acontecerão no dia 12 de maio, sexta, às 19h e no sábado (13), às 17h. A regência será do maestro Tobias Volkmann, diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Nacional de Cuyo – Mendoza, Argentina. Os ingressos já estão à venda pelo site theatromunicipal.rj.gov.br.

“Abrindo o mês de maio, recebemos a ‘Missa de Requiem’ de Verdi, obra de um dos compositores mais influentes do século XIX. As obras de Verdi eram de grande sucesso popular da época, atraindo críticas da elite italiana. Mas a qualidade do trabalho dele se provou atemporal, chegando até aos dias de hoje e ao público do Theatro. Não perca esse espetáculo”, ressaltou a presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino.

“O concerto que homenageia os 210 anos de Verdi será um dos pontos altos deste primeiro semestre no Theatro Municipal, com toda força e doçura do nosso Coro, acompanhado magistralmente pela OSTM. Um quarteto de solistas de primeira linha nos oferecerá também momentos memoráveis. A regência será de Tobias Volkmann, parceiro do Theatro de muito tempo que traz na bagagem e na memória o ‘Requiem de Verdi’ que acabara de reger na Argentina. É uma alegria poder oferecer ao público um obra tão emblemática em ano tão importante”, enaltece o diretor artístico do Theatro Municipal, Eric Herrero.

“O ‘Requiem de Verdi’, que apesar de ser uma obra sacra, é uma das obras mais dramáticas do compositor, parece ter sido escrito sob medida para o Coro do TMRJ e a OSTM. Fico muito feliz em voltar ao Theatro Municipal com esta magnífica obra e tenho certeza de que este será um dos pontos altos da temporada de concertos do Rio”, afirma o diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Nacional de Cuyo – Mendoza.

Ficha Técnica:

“Missa de Requiem”

Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Riod e Janeiro

Solistas: Marly Montoni, Denise de Freitas, Paulo Mandarino, Christian Peregrino

Regência: Tobias Volkmann

Direção Artística do TMRJ: Eric Herrero.

Serviço:

Concerto Coral Sinfônico – Série Celebrações

Giuseppe Verdi – 210 anos de nascimento

“Missa de Requiem”

Datas: 12 de maio (sexta),às 19h e 13 de maio, sábado, às 17h

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/nº – Centro

Classificação: Livre

Haverá uma palestra gratuita antes de cada espetáculo

Dia 12 de maio – 18h – “A Beleza do canto que Homenageia a Vida e a Morte”, com Tobias Volkmann e Marcos Menescal

Dia 13 de maio – 16h – “Uma Oração para Alessandro Manzoni” –Salão Assyrio com Félix Ferrà e Jayme Chaves

Preços dos ingressos:

Frisas e Camarotes – R$60,00 (ingresso individual) ou R$360,00 (6 lugares)

Plateia e Balcão Nobre – R$40,00

Balcão Superior – R$30,00

Balcão Superior Lateral – R$30,00

Galeria Central – R$15,00

Galeria Lateral – R$15,00

Ingressos à venda peldo site theatromunicipal.rj.gov.br https://theatromunicipalrj.eleventickets.com/#!/evento/425b777d1fc9fe47c28a8795c6a2255f7ee615f2 ou na Bilheteria do Theatro

Lei de incentivo à cultura

Patrocínio Ouro Petrobras

Apoio: Livraria da Travessa, Rádio MEC, Rádio SulAmérica Paradiso, Rádio Roquette Pinto – 94.1 FM

Realização Institucional: Fundação Teatro Municipal, Associação dos Amigos do Teatro Municipal

Realização: Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, Governo Federal.

(Fonte: Assessoria de Imprensa TMRJ)

OSU apresenta concerto gratuito no Teatro de Arena com regência de Fernando Barreto

Campinas, por Kleber Patricio

Arte: divulgação.

A Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU) se apresentará no dia 11 de maio, às 19h, no Teatro de Arena, na Unicamp. Com entrada gratuita, o concerto terá a participação especial de Jonathas Cordeiro no saxofone e será regido pelo regente convidado Fernando Barreto.

O repertório da apresentação incluirá a “Petite symphonie” de Charles Gounod, a suíte em três movimentos de “On the town” de Leonard Bernstein e a “Fantasia para saxofone alto, sopros e percussão” de George Gershwin/Ralph Martino.

Com mais de 40 anos de história, a OSU tem como objetivo promover a cultura musical na região e formar novos músicos e público. Aproveite esta chance imperdível de desfrutar de um concerto de altíssimo nível, com entrada franca.

A entrada é gratuita e aberta ao público em geral. Certifique-se de marcar em sua agenda o concerto da Orquestra Sinfônica da Unicamp no dia 11 de maio, às 19 horas, no Teatro de Arena da Unicamp.

Serviço:

Orquestra Sinfônica da Unicamp

11 de maio, às 19h

Teatro de Arena, Unicamp

Rua Elis Regina – Cidade Universitária, Campinas – SP

Concerto gratuito.

(Fonte: Ciddic/Unicamp)

Estudo mostra que afloramentos rochosos da Mata Atlântica Capixaba servem de refúgio para orquídeas e bromélias

Espírito Santo, por Kleber Patricio

Foto: Terence Nascentes/IEMA.

Estudo inédito publicado na terça-feira (2) na revista científica “Biodiversity and Conservation” mostra que os afloramentos rochosos da Mata Atlântica Capixaba atuam como área de refúgio para plantas epífitas – plantas que vivem sobre outras plantas sem parasitá-las, como orquídeas, bromélias e samambaias. Os afloramentos rochosos, constituídos de granito e gnaisse, são conhecidos entre os cientistas como inselbergs – a palavra tem origem alemã: insel, de ilha; berg, de montanha. Naturalmente, rodeados pela floresta, são como “ilhas de habitat terrestres” que escaparam da intervenção humana em grandes proporções, o que permitiu essa característica de refúgio para espécies botânicas, muitas delas ameaçadas de extinção.

Para entender o papel dos inselbergs como refúgio para a flora de epífita no estado do Espírito Santo, os pesquisadores do Instituto da Mata Atlântica (INMA) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro combinaram dois bancos de dados nacionais de flora online (Reflora e Jabot), dados de espécies coletadas pelos autores e estudos publicados anteriormente.

Nas paisagens do Espírito Santo, os inselbergs representam grandes maciços rochosos que se destacam em meio a plantações agrícolas, pastagens e áreas de vegetação nativa da Mata Atlântica. Sua flora é adaptada a viver em condições ambientais extremas (solos incipientes ou ausentes, altas temperaturas e escassez de água), distintas daquelas que ocorrem nas paisagens naturais do seu entorno. Entretanto, durante o trabalho, os pesquisadores foram surpreendidos: os inselbergs capixabas abrigam um número elevado de espécies epifíticas (266 espécies), sendo que mais de 75% das espécies registradas neste estudo são típicas da Mata Atlântica do entorno.

“Possivelmente, as árvores presentes nos inselbergs constituem as únicas chances de sobrevivência das epífitas nativas. Muitas delas são endêmicas e ameaçadas de extinção”, destaca Talitha Mayumi Francisco, pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Portanto, os inselbergs capixabas desempenham um papel importante na conservação da biodiversidade de epífitas e podem ser considerados um refúgio, pois abrigam elementos dessa flora abundante na matriz e que por vezes concebem as únicas chances de sobrevivência para epífitas nativas.

No estudo, os pesquisadores propuseram pela primeira vez o termo “epífita especialista em rocha” para aquelas espécies endêmicas de inselberg – ou seja, epífitas que ocorrem exclusivamente em ecossistemas rochosos, geralmetne sobre espécies de Vellozia – que somaram aproximadamente dois por cento das espécies listadas. Apesar de poucas espécies serem classificadas nessa categoria, esse grupo merece atenção especial do ponto de vista evolutivo, em que o processo de especiação levou a uma relação muito “estreita” com arbustos endêmicos desses ecossistemas.

Epífitas vasculares representam um grupo muito diversificado nas florestas tropicais úmidas do mundo, principalmente na América Tropical. “Além disso, as epífitas têm números alarmantes de espécies ameaçadas de extinção porque dependem diretamente do apoio estrutural oferecido pelas árvores para sua sobrevivência. Ao passo que grandes extensões de florestas primitivas foram derrubadas para diversos fins, junto com essas árvores perdeu-se um número imensurável de espécies epífitas, que morreram junto a suas árvores-mães”, explica Dayvid Rodrigues Couto, pesquisador do INMA e um dos pioneiros no estudo das epífitas de inselbergs no Brasil.

Os inselbergs escaparam da devastação direta por não atraírem interesse agrícola. “Com isso, esses ecossistemas foram preservados do impacto humano e mantiveram seu caráter de refúgio. Entretanto, inúmeros impactos ameaçam a diversidade da flora nos inselbergs capixabas, sendo o mais grave a mineração de rochas ornamentais, resultando na perda de habitats e na consequente ameaça a várias espécies botânicas”, alerta Talitha.

“Os inselbergs raramente foram considerados no contexto da degradação dos ecossistemas naturais terrestres. Infelizmente, não há estimativas confiáveis sobre as taxas globais de destruição desse ecossitema, o que é necessário, com urgência, para a definição de estratégias de conservação eficazes”, destaca Cláudio Fraga, pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e um dos autores deste estudo.

“Conhecer as espécies que ocorrem nos ecossistemas naturais tropicais é um grande desafio de biólogos conservacionistas. Com os resultados das pesquisas, é possível planejar ações para preservação de espécies, manejo e restauração ecológica e criação de reservas. Esperamos que nosso estudo contribua para o direcionamento de políticas de conservação e sirva de base para que os órgãos ambientais atuem com mais rigor na fiscalização e proteção desse ecossistema”, finaliza Talitha.

(Fonte: Agência Bori)

Brasil tem oito famílias prontas para adotar por cada criança disponível, mas fila de espera é longa

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Fotos: divulgação.

O resultado não bate. O Brasil soma hoje 33.325 pretendentes para adoção e 4.318 crianças disponíveis para serem adotadas, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção (SNA). Há quase oito famílias interessadas para cada criança e a procura é bem maior que a demanda. Mesmo assim, a fila de famílias que esperam pelo filho é longa, quase do mesmo tamanho da demanda. Isso acontece porque 26% dos candidatos à adoção desejam crianças brancas, 58% querem menores de 4 anos de idade, 61% não aceitam adotar irmãos e 57% buscam crianças sem nenhuma doença, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Das 4.318 crianças disponíveis para adoção no Brasil, apenas 654 têm menos de 4 anos de idade, o que representa 15% do total. A grande maioria, 63%, tem mais de 6 anos de idade e 34% já são adolescentes, com 14 anos ou mais, 1.467 jovens que cresceram sem uma família. De acordo com os dados do SNA, a maioria das crianças disponíveis para adoção – 54% – é parda, 28% são brancas e 17% pretas.

Ainda que seja um tema carregado de tabus, a adoção vem ganhando maior visibilidade no Brasil. A partir deste ano, foi incluída no calendário nacional, a partir de publicação no Diário Oficial da União, a Semana Nacional da Adoção, celebrada na semana anterior ao Dia Nacional da Adoção, em 25 de maio. Pela primeira vez, haverá um período específico para dar publicidade ao assunto, promover campanhas e divulgar informações para provocar reflexão, conscientizar e sensibilizar a população.

A falta de literatura sobre adoção inquietou a servidora pública federal especialista em neurociências do comportamento, pós-graduada em Educação Infantil e escritora, Lisandra Barbiero. Adotada aos 7 meses, ela se debruçou em pesquisas sobre o tema e escreveu três livros e um e-book. Lisandra também é mentora do primeiro curso de adoção de abordagem emocional, psicológica e educativa, sob a ótica de quem viveu na prática a experiência.

A autora.

A dedicação de Lisandra tem como proposta combater os preconceitos que ainda permeiam a adoção. “Ainda hoje existe uma falta de legitimidade das famílias que adotam. Todas as formas de constituição familiar são válidas e devem ser respeitadas. Toda criança tem direito de ter uma família e ser amada”, afirma. Ela cita o caso do massacre na creche em Blumenau (SC), em que quatro crianças morreram. “A mídia falou das quatro crianças e enfatizou o tempo todo que uma delas era adotada. Não é necessário frisar o tempo todo que o filho é adotivo. É filho. São mães que perderam uma criança, seu filho, assim como as outras”, comenta.

No seu primeiro livro, “Não Nascemos Filhos, Nos Tornamos: o amor na adoção sempre vencerá o medo do abandono e do desamor”, Lisandra defende que toda criança, consanguínea ou não, percorre o mesmo processo para se tornar filho, que passa pela convivência diária com a família, pela decisão dos pais de amar, acolher e cuidar dessa criança. “A partir desse processo, a criança se torna filho ou filha. É uma convergência, independentemente da questão genética e consanguínea”, alega.

A escritora aponta que o estigma do DNA, da carga genética, ainda é muito forte na adoção, à revelia dos progressos que já ocorreram. Segundo ela, as pessoas que atuam na Vara da Infância, psicólogos e assistentes sociais avaliam que há receio dos pretendentes à adoção em relação à história da criança, de como foi a gestação e dos pais biológicos. Lisandra afirma que o estigma começa antes da adoção e continua depois que ela é efetivada. Ela conta que trabalha esse tema nos outros dois livros que escreveu, “A Incrível Descoberta de Aninha”, volumes 1 e 2.

Lisandra comenta que a busca pelo “filho ideal”, preferencialmente bebês brancos sadios e sem irmãos, é uma forma de racismo. Ela defende a realização de cursos de treinamento relacionados à etnia para pessoas que atuam diretamente com pais interessados em adoção. “Precisamos que a sociedade fale sobre isso, que a adoção seja debatida nas escolas, que a educação tenha um olhar voltado para o assunto”, afirma. Segundo a escritora, ainda é comum que a sociedade considere a criança adotada como cidadã de segunda classe, inferiorizada até mesmo dentro da hierarquia familiar.

“Ainda há muita gente que diz aos pais adotivos que eles não sabem o que a criança adotada pode se tornar, que problemas essa criança pode dar depois. Há uma criminalização da genética, mesmo após o processo finalizado da adoção. Eu vivenciei isso e outros adotados também, que se sentiam inferiores dentro da hierarquia familiar, tinham vergonha de contar sua história. Aí vem o medo, a falta de pertencimento da família”, diz a escritora.

O preconceito também se manifesta no olhar da sociedade sobre a relação familiar do adotado. É comum as pessoas perguntarem a filhos e filhas adotivos adultos se eles conhecem os pais biológicos e se querem conhecer. “Isso é um tipo de preconceito com o qual temos que lidar. Sempre que falo que sou adotada, perguntam se conheço a minha família. Eu tenho uma família só, tenho mãe, irmãos, todos legítimos. Há uma necessidade da sociedade de não legitimar o filho adotivo”, comenta.

Gerada no coração

A escritora lembra da primeira vez que a adoção entrou na sua vida, quando tinha 7 anos. “Foi uma história que aconteceu há 30 anos e precisou de todo esse tempo para eu ressignificar. Passei por uma situação de constrangimento, perversidade, muito cruel”, conta. Ela recorda que chegou da escola e percebeu que era diferente dos pais e irmãos olhando os porta-retratos espalhados pela casa. Tomou coragem e foi ao quarto da mãe com um dos porta-retratos escondido nas costas.

A mãe achou que ela trazia algum trabalho escolar e não entendeu quando Lisandra perguntou por que era diferente. “Coloquei meu braço ao lado do da minha mãe e repeti a pergunta. Ela não estava preparada para a conversa. Percebi um receio e ela começou a chorar. Perguntei onde eu estava na barriga dela. Minha mãe disse que eu não estive na barriga porque eu tinha sido gerada no coração dela”, lembra a escritora. Lisandra diz que ficou encantada, achou sua história bonita, verdadeira e se sentiu especial.

“Abraçamo-nos e essa foi a maior confidência de amor entre nós. Ali abracei também minha história, do meu jeito. Eu me senti filha, amada”, lembra a escritora. No dia seguinte, perguntou aos colegas da escola se eles tinham sido gerados na barriga ou no coração e percebeu que a pergunta não fazia sentido para eles, que tinham sido gerados na barriga. “Eu me senti ainda muito mais especial, porque era a única na sala gerada no coração”, conta. A legitimidade, no entanto, durou apenas até o dia seguinte, quando percebeu desconfiança e reprovação dos alunos. No quadro verde da sala de aula estava escrito em letras grandes: Você foi adotada.

“Eles diziam que eu tinha sido encontrada no lixo, que ninguém me quis, que nunca havia sido amada, que era feia e pobre. Aí entendi o que era ser gerada no coração. Foi um preconceito devido à adoção, à história genética”, lembra Lisandra. Ela decidiu se tornar escritora para que outras crianças adotadas não sofram caladas o que ela sofreu. A escritora tem ascendência preta e foi adotada por uma família de classe média branca.

Além dos três livros sobre adoção que escreveu, Lisandra também é autora do e-book “15 Lições de Uma Adotada”. A primeira delas é justamente sobre o direito da criança de saber que é adotiva. “Minha mãe não sabia como lidar com esse tema, por isso o e-book busca ajudar os filhos e os pais. A história pertence à criança, por mais difícil que seja para os pais. Quando a criança percebe a beleza na sua história, tem meios para olhar para ela com mais amor e isso deixa de ser um peso”, afirma.

A escritora quer estimular a adoção sem estigmas, sem preconceitos. “Meu objetivo é fazer com que mais crianças tenham a oportunidade que tive, de ser amada, acolhida e ter o aconchego de viver em uma família, com mãe, pai, irmão, raiz, história”, defende. Segundo ela, por mais que as instituições de acolhimento ofereçam todas as condições para os abrigados, não são o local adequado para uma criança crescer e se colocar no mundo. “Toda criança precisa da convivência familiar, da proteção de uma casa. Quero que mais famílias sejam despertadas para esse encontro oportunizado pela vida, que é a adoção”, afirma.

Lançamento do livro | O primeiro livro de Lisandra, “Não Nascemos Filhos, Nos Tornamos”, será lançado no dia 20 de maio,  O lançamento vai acontecer no Espaço de Eventos do Quality Suítes Hotel, que fica na praia da Costa, em Vila Velha, no Espírito Santo, onde ela nasceu. O livro, da editora Autografia, também poderá ser comprado, a partir do dia 20 de maio, pela Amazon.

Serviço:

Lançamento do livro “Não Nascemos Filhos, Nos Tornamos: o amor na adoção sempre vencerá o medo do abandono e do desamor”

Dia 20 de maio – 18h

Espaço de Eventos do Quality Suítes Hotel – Avenida Gil Veloso, 856 – Praia da Costa, Vila Velha, Espírito Santo

Editora Autografia – 148 páginas

ISBN 978-85-518-4603-2

R$50,00

À venda na www.amazon.com.br a partir do dia 20 de maio.

Sobre Lisandra Barbiero

Servidora pública federal, jornalista e escritora. Especialista em neurociências do comportamento e pós-graduada em Educação Infantil.  Membro do Grupo de Trabalho de Afinidade e Raça do Senado Federal. Lisandra tornou-se filha pela adoção aos sete meses de vida. Escreveu quatro livros com o tema adoção no Brasil. A autora, no livro que será lançado em maio “Não Nascemos Filhos, Nos Tornamos!”, apresenta um novo conceito que envolve diferentes tipos de violência denominado Bullying Adotivo.  É pesquisadora do assunto no País e mentora do primeiro curso de adoção voltado para as questões emocionais, psicológicas e educativas sob a ótica de quem viveu na prática o sentimento de ser acolhida.  Acredita que a adoção é um caminho para a construção de laços afetivos e um meio sólido de amor capaz de proporcionar mudança de vida para milhares de crianças e adolescentes que esperam ansiosamente para desfrutar do aconchego de um lar e de ter o direito constitucional à convivência familiar e comunitária garantidos.

(Fonte: Betini Comunicação)