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Avião Solidário da LATAM transporta gratuitamente arara-azul-de-lear ameaçada de extinção para reprodução e conservação da espécie

São Paulo, por Kleber Patricio

Maria Eugênia estava sob os cuidados do Zoológico de São Paulo e foi enviada à Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte para o Programa de Conservação coordenado pelo Cemave/ICMBio. Foto: Paulo Gil/Zoo SP.

Com o intuito de parear e conservar a espécie ameaçada de extinção, Maria Eugênia, fêmea de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) recebeu um novo lar no dia 28 de setembro, após ser transportada gratuitamente de São Paulo/Congonhas para Belo Horizonte/Confins pelo Avião Solidário. Há mais de 10 anos, o programa da LATAM coloca à disposição da América do Sul toda sua experiência logística e conectividade para o transporte gratuito de pessoas, animais e cargas em emergências de saúde, meio ambiente e catástrofes.

A ave chegou ao Zoológico de São Paulo ainda jovem em 2006 por uma apreensão da Polícia Federal e agora foi encaminhada ao Jardim Zoológico de Belo Horizonte para o pareamento com um macho adulto, uma vez que a espécie, endêmica da caatinga baiana, está classificada como Em Perigo (EN) de Extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com uma população de aproximadamente 2200 aves em vida livre.

A arara-azul-de-lear faz parte do programa de conservação coordenado pelo Cemave/ICMBio com o objetivo de estabelecer uma população de segurança para reserva genética e com casais reprodutores para subsidiar o programa de revigoramento populacional na Região do Boqueirão da Onça, na Bahia.

Maria Eugênia foi embarcada pela LATAM Cargo em um voo direto que partiu de São Paulo/Congonhas às 12h45 e pousou em Belo Horizonte/Confins às 14h05. O transporte aéreo, resultante do acordo de cooperação entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil-AZAB e a LATAM, foi realizado de forma gratuita pelo Avião Solidário da LATAM e evitou um deslocamento terrestre de mais de 600 quilômetros entre as duas instituições, reduzindo para 1h20 um percurso que levaria mais de nove horas via terrestre, gerando estresse e cansaço desnecessários ao animal.

Com o transporte da arara-azul-de-lear, chega a 57 o número de animais transportados gratuitamente no Brasil em 2023 pelo Avião Solidário da LATAM para preservar suas espécies e contribuir com os ecossistemas brasileiros.

Em 10 anos de existência, o programa já beneficiou mais de 140 milhões de pessoas no Brasil com o transporte gratuito de mais de 921 toneladas de cargas, 4,6 mil animais e 282 milhões de vacinas contra a Covid-19 para todos os estados brasileiros e o Distrito Federal. O volume de vacinas, aliás, equivale a mais de 70% do total de doses embarcadas pelo setor aéreo dentro do País desde 2020.

Na prática, o Avião Solidário está conectado com a frente de Valor Compartilhado do grupo LATAM para colocar à disposição da América do Sul toda a experiência logística e a conectividade da companhia. Em 2022, vale lembrar, o programa Avião Solidário consolidou parcerias com diferentes ONGs no Brasil, como Amigos do Bem, Gastromotiva, Associação Caatinga, Instituto Rodrigo Mendes, Amazone-se, Make a Wish e SOS Mata Atlântica.

(Fonte: LATAM)

Saiba como evitar a “Síndrome do Pescoço de Texto”

São Paulo, por Kleber Patricio

O ortopedista Bruno Fabrizio. Foto: divulgação.

O uso excessivo de eletrônicos, como computadores, smartphones e tablets, pode afetar a coluna de várias formas devido à postura inadequada e ao tempo prolongado gasto em frente a esses dispositivos. De acordo com o ortopedista Bruno Fabrizio, especializado em cirurgia endoscópica, revela que a má postura ao usar as telas pode gerar problemas a longo prazo.  “Ao usar esses dispositivos, é comum curvar-se para a frente, inclinar a cabeça para baixo ou arredondar as costas, o que pode causar tensão excessiva na coluna vertebral e nos músculos que a suportam”, alerta.

O ato de inclinar a cabeça para olhar a tela de um smartphone ou tablet pode aumentar significativamente a pressão sobre a coluna cervical. “Isso pode levar a problemas como a ‘síndrome do pescoço de texto’, que pode causar dor no pescoço, ombros e cabeça”, conta.

Digitar em teclados ou tocar em telas sensíveis ao toque por longos períodos de tempo pode levar a lesões por esforço repetitivo, de acordo com o especialista. “Diante deste quadro, pode ocorrer a síndrome do túnel do carpo, que também  afeta os pulsos e pode se espalhar para os ombros e pescoço”, afirma.

O uso excessivo de eletrônicos muitas vezes leva a um estilo de vida sedentário, em que as pessoas passam longos períodos de tempo sentadas. “Isso pode enfraquecer os músculos das costas e contribuir para a má postura, o que pode levar a dores nas costas”, explica.

Fabrizio também alerta que o uso demasiado de telas, principalmente em ambientes mal iluminados, pode levar à fadiga ocular e à necessidade de inclinar-se para frente ou curvar-se sobre a tela, o que pode afetar negativamente a postura. Doutor Bruno dá dicas de como manter uma boa postura. “Sentar-se e posicionar-se de forma ergonômica ao usar dispositivos eletrônicos pode ajudar a reduzir a tensão na coluna. Use suportes para laptops, cadeiras ergonômicas e mantenha a tela na altura dos olhos”, orienta.

Utilizar as telas fazendo pausas também é uma saída para dar um descanso para a coluna. “Levante-se e estique-se a cada 30 minutos ao usar eletrônicos por longos períodos. Isso ajuda a aliviar a pressão sobre a coluna e os músculos”, garante.

O especialista também recomenda exercícios de fortalecimento muscular e alongamento para ajudar a manter a saúde da coluna vertebral e dos músculos circundantes. Fabrizio também orienta para que as pessoas mantenha uma distância apropriada das telas. “Ajuste o brilho e o contraste para reduzir a fadiga ocular”, conclui.

*Bruno Fabrizio é Formado pela Faculdade de Medicina de Petrópolis e possui residência em Ortopedia e Traumatologia. É especializado em cirurgia endoscópica da coluna vertebral e procedimentos minimamente invasivos para o tratamento da dor. Foi chefe do serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Municipal Lourenço Jorge 2019-2023 e diretor médico do Hospital do Amparo Feminino entre 2020 e 2022. Atualmente, é diretor médico da Clínica Dr. Bruno Fabrizio desde 2007. Para mais informações, acesse @brunofabrizio.

(Fonte: Carolina Lara Comunicação)

Museu do Ipiranga recebe recital de lançamento do livro “Já raiou a liberdade – D. Pedro I compositor e a música de seu tempo”, dia 14

São Paulo, por Kleber Patricio

Imagens: divulgação.

Na semana do aniversário de D. Pedro I e dos 201 anos de sua aclamação, o Museu do Ipiranga receberá o recital de lançamento do livro “Já raiou a liberdade – D. Pedro I compositor e a música de seu tempo”. A obra, disponível em formato impresso e em e-book, foi escrita por Rosana Lanzelotte, pesquisadora e musicista, que também irá conduzir o recital ao piano, com o repertório do Imperador.

A obra destaca a faceta musical de D. Pedro I, que tocava oito instrumentos e também compunha. Além do Hino da Independência do Brasil, o imperador compôs diversas obras. O livro também discute o viés liberal e as ações de D. Pedro I, que outorgou a primeira constituição brasileira, em 1824.

Na data do recital, a autora estará autografando os livros, que serão vendidos a preços promocionais somente no evento. O evento será no sábado, dia 14, às 16h. A entrada é gratuita e os ingressos já estão esgotados.

Sobre a autora do livro | A autora, a pesquisadora e musicista Rosana Lanzelotte, dedicou-se durante quatro anos a pesquisas sobre D. Pedro e suas obras musicais. A busca em bibliotecas do Brasil, Portugal, França e Áustria resultou em 18 edições, todas gratuitamente disponíveis por meio do portal Musica Brasilis, liderado pela autora do livro. Entre as 18 obras, duas foram descobertas durante as pesquisas: a Valsa e a Missa et Adjuva Nos Domine. Todas as partituras foram preparadas no âmbito do projeto Acervo Digital de Partituras Brasileiras, a tempo de serem utilizadas e gravadas por orquestras e músicos do Brasil e do mundo em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil.

Museu do Ipiranga – USP | O Museu do Ipiranga é sede do Museu Paulista da Universidade de São Paulo. As obras de restauro, ampliação e modernização do Museu foram financiadas via Lei Federal de Incentivo à Cultura. O edifício, tombado pelo patrimônio histórico municipal, estadual e federal, foi construído entre 1885 e 1890 e está situado dentro do complexo do Parque Independência. Concebido originalmente como um monumento à Independência, tornou-se em 1895 a sede do Museu do Estado, criado dois anos antes, sendo o museu público mais antigo de São Paulo e um dos mais antigos do país. Está, desde 1963, sob a administração da USP, atendendo às funções de ensino, pesquisa e extensão, pilares de atuação da Universidade. Rua dos Patriotas, 100 – Ipiranga – São Paulo (SP).

PROGRAMA

Obras de Sigismund Neukomm e Dom Pedro I, apresentadas por Rosana Lanzelotte (pianoforte)

Valse, manuscrito de S. Neukomm (Rio, 1819)

Dom Pedro I

Hino constitucional (Rio, 1821)

Dom Pedro I

Hino da Independência (Rio, 1824?)

Dom Pedro I

O Amor Brasileiro, capricho para pianoforte sobre um lundu brasileiro

(dedicada a Mlle. Dona Maria Joanna d’Almeida – Rio, 1819)

Sigismund Neukomm

Sonata para pianoforte (dedicada à Princesa D. Maria Teresa – Rio, 10/9/1819)

Sigismund Neukomm

Allegro ma non tropo – Andante con moto – Allegro alla turca

Sigismund Neukomm

Andantino com variações (dedicado ao Príncipe Real D. Pedro – Rio, 12/6/1820)

Sigismund Neukomm.

(Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada)

Histórica e contemporânea: Usina Henry Borden completa 97 anos

Cubatão, por Kleber Patricio

Vista aérea do Complexo Henry Borden. Fotos: divulgação/EMAE.

A Usina Hidrelétrica Henry Borden, localizada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão, e operada pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) – oriunda da antiga Light – completou 97 anos no último dia dia 10 de outubro. Se engana quem pensa que a hidrelétrica está ultrapassada – pelo contrário, há alguns anos a EMAE vem modernizando suas usinas e estruturas e, dentro dos seus objetivos, está manter a originalidade e confiabilidade que é marca da empresa desde os tempos da antiga Light. Entre as suas prioridades, está o complexo Henry Borden. Formado por duas usinas, uma externa e outra subterrânea, ambas de alta queda (720 metros de desnível), possui 14 grupos de geradores que totalizam uma capacidade de geração de 889 MW, o que é equivalente ao consumo de energia de aproximadamente três milhões de pessoas. A usina é antiga, mas seus sistemas estão sendo atualizados com tecnologias de última geração.

É o caso do mecanismo de controle do complexo que passou pelo retrofit e ganhou novas telas de operação. Os novos equipamentos aumentaram a consciência situacional dos operadores, proporcionando maior precisão e agilidade nas tomadas de decisão.

O sistema de automação da casa de válvulas da seção externa, responsável pela supervisão, comando e controle das válvulas borboletas das adutoras das oito unidades geradoras, também passou por atualização tecnológica. Duas das seis válvulas esféricas existentes na usina subterrânea foram desmontadas, modernizadas e aprovadas para voltarem em operação, após os diversos testes de confiabilidade. Três de seus transformadores de 65 MW, que estavam em operação desde a década de 1940, também estão na lista dessas melhorias que foram feitas, assim como outras.

A Usina Henry Borden marcou história e teve um papel essencial no desenvolvimento do estado de São Paulo. Por meio da eletricidade gerada, contribuiu para o crescimento do parque industrial paulista e a expansão da urbanização da cidade de São Paulo na primeira metade do século 20.

Para saber mais

A história da Usina Hidrelétrica Henry Borden é repleta de curiosidades memoráveis e, para comemorar seus 97 anos, contamos algumas delas:

Quem passa pela estrada sentido capital, vindo do litoral sul paulista, certamente já viu aqueles tubos gigantes encravados na Serra do Mar, no meio da Mata Atlântica. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, eles não são dutos de petróleo. Por eles, passa a água necessária para a geração de energia em uma das mais antigas usinas hidrelétricas do Brasil.

Casa de Válvulas da usina externa do Complexo Henry Borden.

Inaugurada em 1926 como Usina de Cubatão, a partir de fevereiro de 1964, passa a se chamar Henry Borden, em homenagem ao advogado canadense que foi o mais alto executivo da Light, entre 1946 e 1965.

A sua fama chegou ao exterior e, no ano seguinte à inauguração, o local foi visitado pelo autor e poeta britânico, Prêmio Nobel de Literatura de 1907 Rudyard Kipling.

Para que as suas turbinas gerem energia elétrica, a usina é abastecida pelas águas da represa Billings, que, por sua vez, foi projetada para receber as águas do rio Pinheiros. O fornecimento dessa água só foi possível por meio da reversão do curso da Bacia do Tietê, que naturalmente corre para o interior de São Paulo, fazendo com que águas desçam a Serra do Mar. Tudo isso fez parte do “Projeto da Serra”, investimento da antiga Light, concebido entre as décadas de 1920 e 1960. Quem esteve à frente do projeto foi o engenheiro americano Asa White Kenney Billings, que deu nome à represa.

Obra inédita na engenharia do país, além do alto custo financeiro, havia ainda a malária como impedimento à permanência de trabalhadores na serra. O local era conhecido pelos engenheiros como “Mar Morto”, de tão inviável julgavam ser para qualquer empreendimento. Apesar disso, a Light conseguiu convencer os acionistas a investir no projeto e contratou o sanitarista Arthur Leiva, que havia tratado de endemias durante a construção do Canal Panamá, e as obras foram adiante.

O complexo tem duas usinas – uma externa, inaugurada em 1926, e uma subterrânea, que começou a operar 30 anos depois. Somadas, as duas unidades possuem capacidade instalada de 889 MW. Para movimentar os geradores, as águas descem pelos tubos até chegar às turbinas, uma queda d’água de 720 metros, gerando energia elétrica.

Entrada da usina subterrânea do Complexo Henry Borden.

A história que envolve a subterrânea, aliás, é bastante peculiar. Existe uma lenda que diz que ela foi construída para garantir a geração de energia caso a usina externa fosse destruída por um bombardeio. Mas a verdade é que o projeto construtivo de uma usina subterrânea era bem mais adequado ao local, pois a instalação de adutoras na encosta da Serra do Mar, como as da usina externa, era tecnicamente mais complicado, o que elevaria os custos da obra.

A área de máquinas da usina subterrânea fica encravada sob a montanha, a cerca de um quilometro da parte central do complexo. As águas chegam às turbinas por um túnel adutor que percorre as entranhas do solo rochoso do alto da serra até a casa de máquinas.

Durante a Revolução de 1932, a Usina Henry Borden chegou a sofrer um bombardeio aéreo do Governo Vargas que atingiu a casa de máquinas do complexo. A ideia era interromper o fornecimento de energia e parar o Polo Industrial da cidade de São Paulo. O plano não deu certo e o local sofreu apenas algumas avarias e a sua atividade não chegou a ser paralisada.

Uma resolução ambiental de 1992 que só permite o bombeamento das águas do rio Pinheiros para o reservatório Billings para controle de cheias reduziu em 75% aproximadamente a energia produzida em Henry Borden. Mesmo assim, ela é essencial para o setor elétrico nacional. Sempre que necessário, a usina é demandada para atender às necessidades do SIN (Sistema Interligado Nacional).

A vasta trajetória da usina pode ser pesquisada também no portal da Fundação Energia e Saneamento.

(Fonte: EMAE)

MASP apresenta mostra coletiva “Histórias Indígenas”

São Paulo, por Kleber Patricio

Duhigó, Nepu Arquepu [Rede Macaco], 2019, acervo MASP, doação Fábio Ulhoa Coelho e Mônica Andrigo Moreira de Ulhoa Coelho, 2021.

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta de 20 de outubro de 2023 a 25 de fevereiro de 2024, em colaboração com o Kode Bergen Art Museum, a mostra coletiva Histórias indígenas, que ocupa as galerias do 1º andar e 2º subsolo do museu. Em seguida, a mostra viaja para o Kode, em Bergen, Noruega, e fica em cartaz na instituição de 26 de abril a 25 de agosto de 2024.

A exposição coletiva apresenta, por meio da arte e das culturas visuais, diferentes perspectivas das histórias indígenas da América do Sul, América do Norte, Oceania e Escandinávia e tem curadoria de Edson Kayapó, Kássia Borges Karajá e Renata Tupinambá, curadores-adjuntos de arte indígena, MASP, e dos curadores internacionais convidados Abraham Cruzvillegas (Cidade do México); Alexandra Kahsenni:io Nahwegahbow, Jocelyn Piirainen, Michelle LaVallee e Wahsontiio Cross (National Gallery of Canada, Ottawa); Bruce Johnson-McLean (National Gallery of Australia, Camberra); Irene Snarby (Kode /Tromsø, Noruega); Nigel Borell (Auckland, Nova Zelândia) e Sandra Gamarra (Lima, Peru), além da coordenação curatorial de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP. Histórias indígenas tem patrocínio master do Nubank, apoio da Sotheby’s e do Norwegian Consulate, apoio cultural da National Gallery of Australia; National Gallery of Canada, Musée des beaux-arts du Canada; Canada Council for the Arts; Creative New Zealand – Arts Council of New Zealand Toi Aotearoa e INBAL e coorganização do Kode.

Dando continuidade às exposições dedicadas às Histórias no MASP, que acontecem desde 2016 – com Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018), Histórias das mulheres, histórias feministas (2019), Histórias da dança (2020), e Histórias brasileiras (2021-2022) – a mostra Histórias indígenas oferece novas narrativas visuais, mais inclusivas, diversas e plurais, refletindo a própria abordagem da série, que traz uma diversidade de vozes não somente no corpo de artistas e de obras, como também em sua estrutura curatorial.

A mostra traz diferentes perspectivas sobre as histórias indígenas de regiões da América do Sul, América do Norte, Oceania e Escandinávia, com a curadoria de artistas e pesquisadores indígenas ou de ascendência indígena, reunindo cerca de 285 obras de várias mídias e tipologias, origens e épocas – que vão desde o período anterior à colonização europeia até o presente – de aproximadamente 170 artistas.

A coletiva compreende oito núcleos: sete dedicados a diferentes regiões do mundo, sendo eles, Relações que nutrem: família, comunidade e terra (Canadá); A construção do “eu” (México); Histórias de pintura no deserto (Austrália); Pachakuti: o mundo de cabeça para baixo (Peru); Rompendo a representação (Maori, Nova Zelândia); Tempo não tempo (Brasil); Várveš: escondidos do dia (Sami, Noruega); e um núcleo temático organizado por todos os curadores da mostra intitulado Ativismos.

Para compreender a exposição, é importante levar em conta o significado particular do termo “história”, que abrange tanto a ficção quanto a não ficção, relatos históricos e pessoais, de natureza pública e privada, em nível micro ou macro, possuindo, assim, um caráter mais polifônico, especulativo, aberto, incompleto, processual e fragmentado do que a noção tradicional de História. Em norueguês, o termo partilha um duplo significado semelhante, significando tanto uma interpretação do passado como uma narrativa pessoal. Apesar de seu alcance internacional e de sua amplitude temporal, o projeto não assume uma abordagem totalizante nem enciclopédica – pelo contrário, o objetivo da mostra é fornecer um corte transversal dessas histórias em uma seleção concisa e relevante para que esse recorte possa ser justaposto com outros de diferentes partes do mundo.

A grande coletiva inicia-se no 1° andar com o núcleo Ativismos, que tem curadoria do conjunto de curadores envolvidos na mostra e reúne trabalhos de diferentes movimentos sociais indígenas em formatos variados, como bandeiras, fotografias, vídeos, pinturas e pôsteres. “O núcleo pretende mostrar várias formas de luta e nos faz um convite para sairmos do estado de dormência em que, por vezes, nos encontramos. Se o corpo é território de colonizações, também pode ser território de descolonizações, principalmente na medida em que é acionado artisticamente como potência política subversiva”, afirmam Edson Kayapó, Kássia Borges Karajá e Renata Tupinambá. A exemplo dessa ressignificação, está a fotografia Retomando o poder|Movimento Nacional dos Povos Indígenas, de Edgar Corrêa Kanaykõ, que retrata a mobilização geral dos povos indígenas brasileiros no evento anual Acampamento Terra Livre (ATL), demonstrando as atuais conquistas de grupos indígenas em espaços de poder e de tomada de decisão.

Os laços familiares e comunitários são ressaltados no núcleo Relações que nutrem: família, comunidade e terra, com curadoria de Alexandra Kahsenni:io Nahwegahbow, Jocelyn Piirainen, Michelle LaVallee e Wahsontiio Cross. As cosmovisões indígenas são construídas em torno de uma constelação de relações entre gerações, culturas e territórios. O senso de comunidade dos espaços compartilhados no cotidiano é observado na obra The Visit [A visita] (1987), de Jim Logan, em que uma experiência costumeira no local onde a comunidade passa o tempo reunida de forma simples e amorosa se transforma em um evento extraordinário. Já o cuidado com a terra, constantemente nutrido e sentido de forma profunda, está presente no trabalho de Melissa General. Na obra Nitewaké:non [O lugar de onde vim] (2015), a artista apresenta uma paisagem verde que contrasta com o vermelho profundo da roupa de uma mulher, que deixa rastros de seus movimentos pelo chão da floresta. Por se tratar de um autorretrato, o trabalho afirma, de maneira poderosa, a presença indígena e a reconexão da artista com seu território das Seis Nações do Grande Rio.

A questão da identidade como um conceito plural, instável e contraditório do “eu” é o tema do núcleo A construção do “eu”. Com curadoria do artista visual Abraham Cruzvillegas, os trabalhos reunidos nessa seção questionam a construção de representações mexicanas sem uma organização linear ou cronológica. Para ilustrar as diferentes formas de representação, contrapõem-se as obras Casamiento de indios [Casamento de índios] (circa 1931), de Alfredo Ramos Martínez (1871–1946), que sintetiza a representação padrão dos povos indígenas, e Autorretrato 61 (2007), de Francisco Toledo, com uma série de polaroids de si fazendo gestos e criando um “eu” múltiplo e instável. Para Cruzvillegas, “um ‘eu’ coletivo, que inclui todos os mundos possíveis, é essencial para uma mudança na compreensão e na construção da comunidade, da arte, da natureza e, finalmente, do universo, em paralelo ao mundo ocidental hegemônico. Por outro lado, um único corpo também pode representar uma infinidade de diversidade e identidades e valores simultâneos contraditórios”.

No núcleo Histórias de pintura no deserto, o curador Bruce Johnson-McLean coloca em debate a grande diversidade de tradições culturais, experiências e expressões artísticas resultantes da arte aborígene na Austrália atualmente. Artistas como Yala Yala Gibbs Tjungurrayi (circa 1928–1998) e Clifford Possum Tjapaltjarri (1932–2002) começaram a produzir obras de importância nacional e internacional, atraindo cada vez mais atenção e reconhecimento para o movimento da pintura nas décadas de 1980 e 1990. Quando essas obras passaram a circular pelo circuito de arte mais amplo, a popularidade da pintura de “pontos” cresceu rapidamente. Em poucos anos, esse estilo artístico tornou-se sinônimo do povo e da cultura aborígenes e uma parte icônica do vernáculo cultural australiano.

A coletiva continua no 2° subsolo do MASP com Pachakuti: o mundo de cabeça para baixo, núcleo com curadoria da artista peruana Sandra Gamarra. A curadora se inspira na crônica Nueva Crónica y Buen Gobierno [Nova crônica e bom governo], de Guamán Poma de Ayala (1534–1615), para a seleção das obras. Na crônica, um indígena escreve uma carta direcionada ao governo espanhol com o objetivo de questionar o sistema colonial, que havia virado o mundo dos habitantes dos Andes de cabeça para baixo. “Esse mundo virado do avesso, essa insubordinação geral das ordens, é o que os povos originários destas terras chamam de pachakuti: uma subversão da ordem das coisas, do binômio espaço-tempo. Desde então, o indígena tem vivido equilibrando-se permanentemente entre esses dois mundos: o seu — que sobrevive graças aos seus conhecimentos ancestrais — e o outro, do qual o seu depende e que sempre lhe dá as costas”, pontua Sandra Gamarra. Destaca-se a obra Homenaje a los mártires de la batalla de Azapampa 1820 [Homenagem aos mártires da batalha de Azapampa 1820] (2021), de Antonio Paucar, que reconhece a participação na guerra e confere às trezentas figuras que a compõem traços que as caracterizam como retratos individuais.

Rompendo a representação reúne obras de artistas maori, nativos da Nova Zelândia, que abordam a importância da arte, das pessoas, da terra e da autoridade. De acordo com o curador e artista maori Nigel Borell, “os artistas estão conectados pelo senso de arte maori (whakapapa) — que perdurou apesar da ruptura causada pelo domínio colonialista — e se referem coletiva e estrategicamente ao impacto da colonização, enquanto recuperam as formas maoris de centralizar a prática artística para fortalecer sua visão de mundo, reformulando ideias de representação no processo”. O artista Sandy Adsett exemplifica esta visão com a Série Koiri (1981), que trouxe novas interpretações à pintura maori (Kōwhaiwhai), introduzindo diferentes cores e designs a uma arte que estava padronizada desde a colonização britânica.

Para os povos originários, o mundo é composto da atemporalidade que atravessa toda a criação da humanidade. O núcleo Tempo não tempo convida o espectador a uma jornada de descobertas de outros olhares culturais sobre a temporalidade, revelando expressões e relações diversas com o espaço, na preservação da existência pautada em ciclos da natureza, que dialogam com o visível e o invisível. Com curadoria de Edson Kayapó, Kássia Borges Karajá e Renata Tupinambá, curadores-adjuntos de arte indígena, MASP, o núcleo é dividido nas subseções Mitos e ancestralidade, Grafismos, Autorrepresentações e Vida cotidiana. “O intuito é refletir sobre as histórias da criação, das mulheres, dos homens, dos velhos, das crianças, das encantarias, dos ritos, da espiritualidade, do cotidiano, da educação e da contemporaneidade do agora, que não abandona as raízes da tradição e é correnteza de passado e presente”, refletem os curadores. Cabe destacar a obra Nepu Arquepu [Rede macaco] (2021), de Duhigó, que retrata um ritual de nascimento de um bebê do povo Tukano enfocando o universo feminino do parto e o descanso da mãe na rede macaco, eternizando, assim, uma marca cultural.

Já o núcleo Várveš: escondidos do dia, composto por trabalhos de artistas indígenas sami, localizados na Escandinávia, traz o conceito da palavra várveš, que significa um estado de espírito ou a capacidade de perceber algo antes que os outros percebam, conferindo às obras uma característica de prenúncio. Com curadoria de Irene Snarby, Kode, as obras representam o relacionamento forte e íntimo dos sami com a natureza e a terra, muitas vezes manifestado através do duodji – um termo que engloba a cosmovisão, a espiritualidade, o conhecimento, as concepções de natureza, a criatividade e a criação de objetos que refletem a vida dos sami. A instalação de franjas de Čiske-Jovsset Biret Hánsa Outi [Outi Pieski], Crossing Paths [Caminhos cruzados] (2014), traz a visão do artista sobre a tradição duodji, que se baseia em um estilo de vida nômade e na herança espiritual encontrada na natureza, que se revela especialmente no caminhar, uma maneira prática de entrar no mesmo ritmo que outras criaturas da natureza.

Para celebrar a abertura dessa grande exposição internacional, no dia 21 de outubro, a partir das 10h, o MASP organiza um grande seminário internacional com a participação de curadores e artistas que integram Histórias indígenas. As mesas de debate, que marcam o quinto seminário sobre o tema organizado pelo MASP (2017, 2019, 2020, 2021), ocorrerão durante todo o dia no grande auditório do Museu e serão gratuitas e abertas ao público.

Durante a mostra, a programação inclui ainda os encontros on-line e presencial com os temas Direitos e cosmopolíticas e Aldear o mundo, voltados para a formação de educadores e interessados.

Confira a programação completa que acompanha a mostra:

ENCONTROS DO MASP PROFESSORES

16.9 | Direitos e cosmopolíticas (on-line)

25.11 | Aldear o mundo (presencial)

ACESSIBILIDADE

Em diálogo com a missão do MASP de ser um museu diverso, inclusivo e plural, a mostra é acompanhada de recursos de acessibilidade. São eles: um caderno de textos e legendas com fonte ampliada e dez faixas de conteúdo audiovisual acessível, em desenho universal – audiodescrição, interpretação em libras e legendagem. O conteúdo pode ser acessado através de QR Code, incluindo duas faixas introdutórias também disponíveis na exposição, em tela e fone de ouvido fixados ao lado dos textos de parede.

PUBLICAÇÕES

Por ocasião da mostra, duas publicações serão editadas pelo MASP: um catálogo publicado em edições separadas em português e inglês, reproduzindo as obras da mostra, e ensaios escritos por Abraham Cruzvillegas, Adriano Pedrosa, Alexandra Kahsenni:io Nahwegahbow, Bruce Johnson-McLean, Edson Kayapó, Kássia Borges e Renata Tupinambá, Irene Snarby e Susanne Hætta, Jocelyn Piirainen, Sandra Gamarra e Wahsontiio Cross.

Também será lançada uma antologia, em edições separadas em português e inglês, com textos de diferentes autores, não se restringindo a textos acadêmicos ou a fontes centradas nos grandes acontecimentos da História, a fim de construir um panorama mais diverso, inclusivo e plural. As publicações da série dedicada às Histórias propõem despertar discussões e dúvidas que poderão, elas mesmas, ser reconsideradas, revistas e reescritas futuramente.

Serviço:

Histórias Indígenas

Curadores: Abraham Cruzvillegas (Cidade do México); Alexandra Kahsenni:io Nahwegahbow, Jocelyn Piirainen, Michelle LaVallee e Wahsontiio Cross (National Gallery of Canada, Ottawa); Bruce Johnson-McLean (National Gallery of Australia, Camberra), Edson Kayapó, Kássia Borges Karajá e Renata Tupinambá, curadores-adjuntos de arte indígena, MASP; Irene Snarby (Kode Bergen Art Museum/ Tromsø, Norway); Nigel Borell (Auckland, Nova Zelândia) e Sandra Gamarra (Lima, Peru)

Coordenação curatorial: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP

20/10/2023 — 25/2/2024

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo, SP

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terça grátis – terça, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br

Ingressos: R$60 (entrada); R$30 (meia-entrada)

Site | Facebook | Instagram.

(Fonte: MASP)