Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

Continuar lendo...

Inscreva seu e-mail e participe de nossa Newsletter para receber todas as novidades

Recital com Cecília Moita marca lançamento dos ‘Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin’

São Paulo, por Kleber Patricio

Cecília Moita interpreta um repertório dedicado ao tema Identidades Paulistanas. Foto divulgação.

No próximo dia 5 de dezembro (sábado), às 19h30, acontece o lançamento do 2º volume dos Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin: Identidades Paulistanas, publicação que registra e divulga a programação desenvolvida na Fundação Ema Klabin ao longo de cada ano. Para marcar o evento, haverá um recital transmitido ao vivo, direto da casa-museu, com a pianista Cecília Moita, que interpretará um repertório dedicado ao tema Identidades Paulistanas, trabalhado na programação de 2019 da Fundação. Obras de Edmundo Villani-Côrtes, Adoniran Barbosa, Eduardo Gudin e Paulo Vanzolini, entre outros, serão interpretadas no raro piano Érard de 1912 que compõe a coleção de Ema Klabin. A live terá a presença de Emmanuele Baldini comentando o piano e o repertório. Para assistir é só acessar o youtube.com/emaklabin.

Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin

O segundo volume da publicação digital traz, em cerca de 200 páginas, artigos e relatos de experiências da programação cultural oferecida pela Fundação Ema Klabin ao público ao longo de 2019 em torno da temática Identidades Paulistanas. Essa temática central, que guia a programação cultural do museu, trouxe grandes especialistas para falar sobre o tema nas artes plásticas, dança, música, fotografia, literatura e culinária, entre outros. “Cada edição da revista contém três seções: o Dossiê, uma seção composta por textos produzidos por pesquisadores/professores que realizaram palestras ou cursos relacionados ao tema anual do museu; a seção Rizomas, que abre espaço para outras realizações dos diversos núcleos de trabalho de nossa equipe ou curadores convidados, e uma seção destinada a promover uma reflexão sobre livros da biblioteca”, explica Paulo de Freitas Costa, curador da Casa-Museu Ema Klabin.

Piano Érard de 1912 compõe a coleção de Ema Klabin. Foto divulgação.

Entre os temas abordados nos textos da segunda edição da revista, estão, por exemplo, São Paulo na literatura (Ana Beatriz Demarchi Barel), Sons da Paulicéia (Marco Prado), Literatura de cordel contemporânea (Ronaldo Vitor da Silva), Adoniran em partitura (Tomas Bastian) e Indígenas identidades paulistanas (Carlos José F. Santos), entre outros.

Homenagem a Gilda de Mello e Souza

A revista também contém um registro da homenagem ao centenário de nascimento de Gilda de Mello e Souza, paulistana ilustre que teve um papel importante na definição do projeto cultural da Casa-Museu. Nessa homenagem, sua inteligência, sensibilidade e ampla produção intelectual foram relatadas por seus amigos, colegas e alunos.

A seção Rizomas traz ainda artigos não relacionados diretamente à temática anual, que abordam a identidade na Grécia Antiga, as paixões botânicas de Burle Marx e sua relação com o jardim que projetou para a Casa-Museu, além de uma sensível mensagem do fotógrafo que registra as atividades da Fundação há vários anos.

O caderno se encerra com um poema de Hendrik Franco dedicado ao livro Poemas Negros, de Jorge de Lima, obra de forte cunho social que integra a biblioteca de Ema Klabin em edição de luxo de 1947, ilustrada por Lasar Segall.

O segundo volume dos Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin foi organizado por Paulo de Freitas Costa e Ana Cristina Moutela Costa. Com projeto gráfico e diagramação de Lívia Silva, a publicação estará disponível gratuitamente para download no site www.emaklabin.org.br.

Repertório

Essas lágrimas sentidas, atribuído a José Nunes Garcia

Lundum, anônimo, séc.XIX

O coração partido, F. L. G. de Varnhagen

5ª Valsa de Esquina, Francisco Mignone

Congada, Francisco Mignone

Lenda sertaneja nº 2, Francisco Mignone

Valsa nº 9, Camargo Guarnieri

Feitio de oração, Noel Rosa/Vadico

Teu orgulho acabou, Adoniran Barbosa/Viriato dos Santos

É cedo, Adoniran Barbosa/Totó

Mamaô, Adoniran Barbosa/Paulo Noronha/Raymundo Chaves

Gente Humilde, ‘Garoto’ Aníbal Augusto Sardinha

Paulistana nº 1, Claudio Santoro

Rapaziada do Brás, Alberto Marino

Ronda, Paulo Vanzolini

Toada nº 6, Osvaldo Lacerda

Balada para as flores, E. Villani-Côrtes

Paulista, Eduardo Gudin.

Sobre Cecilia Moita 

Natural de São Paulo, iniciou seus estudos de piano aos 4 anos. Em 1985, bacharelou-se pela Unesp no curso de Educação Artística com habilitação em Música. Simultaneamente, seguiu seus estudos de órgão, piano popular e erudito. Em 1995, frequentou o Curso de Arranjo e Improvisação com Nelson Ayres e, em 1997, curso de Jazz – JVC, na Manhattan School of Music (Festival de Jazz de Nova York). Em 2017, concluiu o curso de pós-graduação na Faculdade Santa Marcelina em pedagogia do piano. Desenvolve amplo trabalho de camerista, tendo acompanhado em recitais e Master Classes músicos como Philip Smith, Alexandre Baty (trompete) e Emmanuel Pahud (flauta), Pierre Volders (trombone), Jason Bergman (trompete) e Julian Rachlin (violino), Jorgen van Rijen (trombone), Pacho Flores (trompete) e Adrian Welleman (trombone). Em maio de 2015, realizou recital com Daniel Auner (violino) no Brasil e em Viena (Áustria). Em julho de 2016, acompanhou o trombonista Gyorgy Gyivicsán em concerto no Festival de Inverno Campos do Jordão e, em agosto, em concertos no Encontro Internacional de Trompetes com Renato Longo (Brasil), David Krauss (EUA) e Russell (Montreal). Em 2017, tocou em recitais com os trombonistas Peter Steiner e Alain Trudel no encontro Internacional de Trombonistas, realizado em São Paulo. Atuou como solista nas seguintes orquestras: Orquestra Jovem Estadual Maestro Eleazar de Carvalho, Orquestra Filarmônica de São Bernardo do Campo, Orquestra de Campinas, Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra Sinfônica Municipal e com a Orquestra Petrobras Sinfônica. Em 2011 e 2012 atuou como pianista acompanhadora do programa Pré-estreia, gravado pela TV Cultura. De 2006 a 2014, foi pianista acompanhadora dos alunos do curso de metais da Emesp. Atualmente é pianista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e pianista correpetidora no Instituto Baccarelli.

Sobre Emmanuele Baldini

Conceituado maestro italiano Emmanuele Baldini apresentará a live de lançamento do novo volume dos Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin. Foto: Fernando Ruz.

Italiano, Baldini iniciou seus estudos musicais em Trieste com Bruno Polli, aperfeiçoando-se em Genebra com Corrado Romano e, em Salisburgo (Áustria) e Berlim (Alemanha), com Ruggiero Ricci. Mais recentemente, especializou-se em regência com Isaac Karabtchevsky e Frank Shipway. Desde sua adolescência, ganhou inúmeros concursos internacionais, entre os quais se destacam o Premier Prix de Virtuosité avec Distinction e o Forum Junger Künstler. Baldini tocou como violinista ou em duo pelo mundo inteiro, com cinco turnês no Japão, quatro nos EUA e uma na Austrália e já se apresentou em todas as principais salas de concerto das capitais europeias, além da América Latina. Sua incansável curiosidade e paixão pela música fez Baldini ampliar seus horizontes e, depois de uma carreira notável como violinista, começou a se aperfeiçoar como regente. Nessa nova fase, ele fundou também o Quarteto Osesp , intensificou sua atividade didática e, com o violino, começou a explorar o precioso repertório brasileiro, que resultou em inúmeros CDs gravados para vários selos e recebendo críticas muito elogiosas. Como regente, se destacam concertos no Teatro Colón, de Buenos Aires, no Teatro del Sodre, de Montevidéu, da própria Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp e apresentações com as principais orquestras da América Latina. De 2017 a 2020, foi diretor musical da Orquestra de Câmara de Valdivia, Chile. É o atual diretor artístico da Orquestra de Câmara -Sphaera Mundi, de Porto Alegre.

Serviço: 

Lançamento dos Cadernos da Casa-Museu Ema Klabin: Identidades Paulistanas

Recital com a pianista Cecília Moita

Apresentação e comentários de Emmanuele Baldini

Transmissão ao vivo via YouTube: youtube.com/emaklabin

Sábado, 5 de dezembro de 2020, das 19h30 às 20h30

Gratuito

Fundação Ema Klabin

www.emaklabin.org.br.

Dr. Ivan Capelatto é o convidado para última ‘Live D’Ajuda’ da ACESA Capuava

Valinhos, por Kleber Patricio

O psicanalista Ivan Capelatto. Fotos: divulgação/FEAC.

Os desafios das relações familiares (na pandemia e fora dela) é o tema que estará em pauta na Live D’Ajuda, que acontece no dia 8 de dezembro, às 19h. O psicólogo Ivan Capelatto, uma das maiores sumidades brasileiras, é quem vai conduzir a noite de reflexões, que deve trazer à tona questões sensíveis e delicadas da busca por uma relação saudável entre os membros de uma família que, com o isolamento social, teve o convívio intensificado e muitas incertezas decorrentes da pandemia.

Atenta a corretas orientações e reflexões sobre a base mais importante da vida, a família, a ACESA Capuava, entidade sem fins lucrativos de Valinhos que tem como público alvo crianças, jovens e adultos com Transtorno do Espectro Autista, deficiência intelectual, deficiência múltipla e surdez, fará a última Live D’Ajuda da temporada de 2020 em homenagem ao Dia Nacional da Família.

O Projeto Live D’Ajuda, que, desde o início de agosto, esteve semanalmente ativo em encontros on-line, tem como objetivo inspirar, orientar, ampliar conteúdo e manter a conexão da entidade com o público, além de trazer um suporte adicional para as famílias assistidas.

O profissional explicará para o público como as origens dos desentendimentos não estão ligadas ao desprezo e a indiferença, mas sim ao afeto. A partir disso, Ivan compartilhará também os segredos para manter uma boa relação familiar, direcionando os espectadores ao caminho certo durante conflitos e como evitá-los.

Ivan Capelatto é psicólogo e psicanalista, Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Campinas, supervisor e professor do GEIC de Londrina – PR e Professor convidado do curso de Terapia Breve Familiar do The Milton H. Erickson Foundation Inc.(Phoenix, Arizona, e New York, NY, USA). Também já foi palestrante convidado do Café Filosófico (Instituto CPFL) e Professor-convidado dos Cursos de Medicina da Família e da Comunidade da Faculdade de Medicina da Unicamp e de pós-graduação em Pediatria do Curso de Medicina da PUC-Paraná (Curitiba).

Para acessar a live, basta ingressar nas páginas do Youtube ou Facebook da instituição.

Serviço:

Live O segredo das relações familiares (na pandemia e fora dela)

Data: 8/12 (terça-feira)

Horário: 19h

Via Youtube e Facebook.

Sobre a ACESA Capuava

A ACESA Capuava é uma entidade filantrópica de Valinhos-SP que atende pessoas com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, deficiência múltipla e surdez. Fundada em 2002, atua junto à comunidade carente de toda Região Metropolitana de Campinas e é formada por um grupo de profissionais que se uniu com a missão de prestar um serviço de amor incondicional e de cidadania. Todos os seus colaboradores acreditam no ser humano, em suas infinitas possibilidades e em sua capacidade de transformar e transcender toda e qualquer condição de vida. Para mais informações, visite www.acesacapuava.com.br, a loja virtual www.acesacapuavastore.org.br e página no Facebook www.facebook.com/ACESACapuava.

Shopping recebe bazar e feirinha de adoção da Focinho Amigo

Indaiatuba, por Kleber Patricio

Evento especial será realizado no dia 5 de dezembro no Parque Mall e 100% da renda serão revertidos para a atuação da ONG em prol dos animais de Indaiatuba. Foto: divulgação.

A edição de dezembro da Feirinha de Adoção de Animais, realizada no Parque Mall, contará com um bazar especial realizado pelo grupo de proteção Focinho Amigo. O evento – que ocorre todo primeiro sábado de cada mês – será no dia 5 de dezembro, das 10h às 16h. Serão vendidos itens como roupas, sapatos, livros, acessórios (bolsas, relógios e bijuterias), itens de cozinha e decoração, eletrônicos (escova de cabelo, chapinha, babyliss, sanduicheira), além de produtos da ONG como camisetas, calendários, canecas e máscaras.

O Bazar ocorrerá na loja 41, no piso térreo e 100% da renda será revertida para a focinho amigo. Também será realizada a feirinha de adoção, com gatos e cachorros, adultos e filhotes. Para adotar, é preciso levar o RG e preencher um termo de responsabilidade. Durante a feirinha será realizada a troca de animais (não permanecerão no local o tempo todo) para que eles não fiquem cansados.

“Através da feirinha, o Parque Mall já pode contribuir com a adoção de muitos animais, que encontraram um lar”, comenta a coordenadora de Marketing do Parque Mall, Cinthia Oliveira. “O bazar contribuirá ainda mais com o excelente trabalho realizado pela Focinho Amigo”.

Serviço:

Bazar e Feirinha de Adoção

Doação: dia 5/12 – das 10h às 16h

Endereço: Rua das Primaveras, 1.050 – Indaiatuba/SP

Estacionamento: R$5 – período de três horas iniciais/R$2 – a cada hora

adicional.

100 anos de Clarice Lispector: livro mostra o impacto que a leitura da maior escritora brasileira pode ter sobre a vida das pessoas

Brasil, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação.

Clarice Lispector, uma das maiores e mais cultuadas escritoras do Brasil, completaria 100 anos em 10 de dezembro de 2020. Para celebrar seu centenário, no mundo inteiro acontecem eventos, encontros, leituras, shows, colóquios, congressos e até reunião de bruxas. Considerada por alguns como hermética, incompreensível, enigmática, introspectiva, Clarice Lispector desmente dia após dia esses estereótipos e arrebata legiões cada vez maiores de fãs de todas as gerações e em todos os países, incluindo a Grécia, onde se tornou best-seller, superando Elena Ferrante. Tal arrebatamento se tornou ainda mais forte em 2020 e deve chegar ao ápice na primeira quinzena de dezembro, quando se comemoram as datas de nascimento e morte da autora. Ela nasceu em 10 de dezembro de 1920 e morreu em 9 de dezembro de 1977.

Durante as celebrações do centenário da autora, Simone Paulino, autora do best-seller Como Clarice Lispector pode mudar sua vida (Buzz Editora), fará parte de um número incontável de encontros e liderará, na The School of Life Brasil, um dia inteiro dedicado à autora de A Hora da Estrela. As atividades terão como ponto alto um encontro virtual no dia 10 de dezembro, das 19h às 21h, pela plataforma Zoom. Confira o evento aqui.

Capa do livro.

Em seu livro, Simone escreve sobre os aspectos existenciais presentes nas narrativas de Clarice, como amor, felicidade, deus, medo, compaixão, morte e transcendência, e mostra como a leitura da autora pode ajudar a viver. “Quando passei a ler apenas com a emoção, Clarice entrou e se instalou de forma definitiva na minha vida. Até se tornar quase tão indispensável para mim quanto meu pão de cada dia”, declarou Simone. “Aos poucos, ela se transformou num apoio indispensável para os meus momentos de dor. Uma espécie de oráculo para as minhas dúvidas existenciais. Sempre a palavra justa a conferir sentido ao que me acontecia. Mesmo que a palavra justa estivesse às vezes encoberta no meio de uma escrita muito mais vertiginosa do que meu pensamento era capaz de alcançar”, conta.

Será em clima de festejo epifânico que Simone coordenará um percurso pelas principais obras de Clarice Lispector. Convidados especiais como Maria Fernanda Cândido, Leona Cavali e Valter Hugo Mãe se juntarão no evento para declamar textos da escritora, que continua sendo objeto de adoração e mistério no Brasil e no mundo. Haverá música ao vivo e envio de flores às clariceanas que se juntarem ao grupo, além de um bolo individual entregue na casa das participantes para cantar parabéns à Clarice – que adorava bolo de chocolate. “Queremos encerrar a noite com uma vontade profunda de refletir mais sobre a nossa própria história de vida. Afinal, para quem se arrisca a se entregar, a literatura de Clarice Lispector é terapêutica, transformadora e infinita”, define Jackie de Botton, uma das donas da The School of Life Brasil.

Conheça as principais obras de Clarice Lispector:

Perto do coração selvagem, 1943 (Romance)

A paixão segundo G.H., 1964 (Romance)

Água viva, 1973 (Romance)

A hora da estrela, 1977 (Novela)

Laços de Família, 1960 (Conto)

Sobre a autora de Como Clarice Lispector Pode Mudar a Sua Vida

Simone Paulino é jornalista, escritora, editora e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Escreveu vários livros; entre eles, o infantil O sonho secreto de Alice, o livro de contos Abraços Negados e o gift book Minha Mãe, Meu Mundo, com mais de 400 mil exemplares vendidos. Participou das antologias Grafias Urbanas, Histórias Femininas, Olhar Paris e Escrever Berlim. Desde 2015, colabora na realização da Primavera Literária Brasileira, promovida pelo Departamento de Estudos Lusófonos da Université Paris-Sorbonne.

Título: Como Clarice Lispector pode mudar sua vida

Autora: Simone Paulino

Preço: R$39,90

Selo: Buzz Editora

ISBN: 978-85-93156-08-3.

Oito em dez imigrantes ficaram sem renda nas oficinas de costura de SP na pandemia

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: Fran Hogan/Unsplash.

A pandemia de Covid-19 afetou a renda de oito em cada dez trabalhadores de confecções da cidade de São Paulo ouvidos em pesquisa da organização não governamental britânica Business and Human Rights Resource Centre. A grande maioria destes trabalhadores são mulheres, imigrantes, bolivianas, que viram sua renda cair drasticamente após queda nos pedidos de clientes e redução do valor pago por seu trabalho. O relatório do estudo foi divulgado nesta quinta (3) pela Bori, em conversa com jornalistas.

A pesquisa aplicou um survey online entre 21 de julho e 16 de setembro de 2020 com 146 entrevistados entre 17 e 65 anos, com média de idade de 34 anos, moradores de São Paulo ou região metropolitana. Como a amostragem é limitada, é difícil atestar que os dados da pesquisa sejam representativos dessa população na capital. As mulheres são 73% das entrevistadas. Segundo Marina Novaes, pesquisadora e representante do Human Rights Resource Center no Brasil, “o perfil é o de imigrantes, bolivianas, que trabalham e vivem no mesmo espaço, sem a segurança de um emprego formal. Elas são um perfil mais vulnerável aos efeitos negativos da pandemia”.

A grande maioria dos entrevistados (89%) vive no mesmo local onde trabalha, em casas geralmente alugadas por donos das oficinas. 56% dos respondentes possuem filhos em idade escolar e, destes, 30% não tinham acesso à internet para acompanhar as atividades de educação à distância. “São espaços pequenos, precários, onde o trabalho é o mais importante. O espaço para a família é o de menos. O principal é produzir mais e ganhar mais. Por isso também chamou atenção o fato de que muitos viram na pandemia uma oportunidade para ficar mais tempo com a família”, diz a pesquisadora.

Entre os ouvidos pela pesquisa, 91% ainda relataram queda nos pedidos no início da pandemia e 42% disseram que os negócios não retomaram à normalidade. Três em cada quatro relataram que os preços pagos pelas encomendas caíram, impactando negativamente sua renda.

Como a maioria é informal (87%), 42% dos entrevistados relataram ter ficado totalmente sem renda e 45% viram a renda diminuir consideravelmente. Já 64% recebem ou receberam auxílio emergencial e 61% relataram dificuldades de acesso a alimentos. “A pandemia agravou uma situação que já é de vulnerabilidade entre esses trabalhadores. E que também acaba sendo sentida na Bolívia, já que 93% não conseguiu enviar dinheiro aos familiares no período”, diz Novaes.

Como são quase todos informais com salário medido por peça produzida, a queda nas encomendas teve grande impacto na renda destes trabalhadores, como captou a pesquisa. “Como a maioria ficou sem trabalho no início da pandemia, 84% acabou costurando máscaras. Alguns disseram que produziram por cinco centavos máscaras que seriam vendidas depois por cinco ou dez reais”, diz Novaes.

O Brasil tem a quarta maior indústria de moda do mundo, com mais de 70 mil empresas, a maioria pequenas confecções. Trata-se da segunda indústria que mais emprega no país, oferecendo 1,3 milhão de vagas no mercado de trabalho formal, segundo dados Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Vestuário (ABIT). Mas nem tudo é glamour. Na cidade de São Paulo, trabalhadores imigrantes, a maioria bolivianos, fazem parte da cadeia de suprimentos. Oficialmente, são 75 mil bolivianos vivendo em São Paulo, segundo a Polícia Federal, número que pode chegar a 300 mil, segundo organizações não governamentais.

Saúde mental e recomendações

A pandemia também afetou a saúde mental dos entrevistados. O sentimento mais prevalente foi o medo, relatado por 82%; já 36% se disseram desesperados e 34% ansiosos, mas também há esperançosos – 17,8%. Entre os que responderam a pesquisa, 83% não conhecem ninguém que morreu de Covid-19 e 46% não conhecem ninguém que haja se infectado. Apenas 10% fizeram o teste.

O relatório faz recomendações ao poder público como mapear populações migrantes e incluí-los na rede pública de proteção social. Também pede a definição políticas de combate à exploração do trabalho e intensificação da fiscalização. Para as empresas, a recomendação é mapear cadeia de suprimentos, realizar devida diligência para identificar, prevenir e mitigar riscos e impactos negativos em suas cadeias produtivas, assim como garantir aos trabalhadores a liberdade de se organizar e se fazer representar em acordos de negociação.

(Fonte: Agência Bori)