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Lazer & Gastronomia

Inglaterra

British Pullman, A Belmond Train, Inglaterra, apresenta “Celia”, vagão exclusivo assinado por Baz Luhrmann e Catherine Martin

por Kleber Patrício

Novo vagão é dedicado a eventos e jantares privados; espaço foi idealizado e desenhado pelo cineasta Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge!, The Great Gatsby e Elvis, e pela figurinista e designer de produção Catherine Martin, quatro vezes vencedora do Oscar por seu trabalho em Moulin Rouge! e The Great Gatsby

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Pescadores do NE descrevem tubarões capturados nos últimos 60 anos

Brasil, por Kleber Patricio

Foto: Nariman Mesharrafa/Unsplash.

No Brasil, existem cerca de 80 espécies de tubarões. Pouco se sabe, no entanto, sobre o estado de conservação destas espécies. Com o objetivo de melhorar o entendimento sobre a situação atual de ameaça dos tubarões no nordeste brasileiro, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a Universidade de Windsor e a Universidade Federal do Pará (UFPA), entrevistaram 186 pescadores sobre as memórias de pesca de tubarões que capturaram ao longo dos últimos 60 anos. Os resultados estão descritos em artigo publicado na revista Biodiversity and Conservation.

Motivados pela falta de monitoramento da pesca brasileira desde 2011, os pesquisadores colheram informações com pescadores de 26 municípios pertencentes aos estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O chamado Local Ecological Knowledge (LEK) ou conhecimento ecológico local, na tradução para o português, é uma alternativa para obter dados confiáveis sobre as espécies. “Fomos aos lugares onde os pescadores trabalham – praias ou comunidades pesqueiras – e seguimos um modelo padrão de entrevista, com pergunta sobre o tamanho máximo dos tubarões pescados, local de pescaria e também dados sobre os próprios pescadores, como idade e anos de experiência”, explica o cientista Antoine Leduc, que participou do estudo.

De acordo com Leduc, os dados obtidos são frutos de acontecimentos excepcionais, de fácil lembrança e, por conta disso, podem ter confiabilidade e ser utilizados para obter resultados quantitativos e qualitativos. “Se você perguntar para alguém o que comeu em um determinado dia do mês, dificilmente a pessoa se lembrará com detalhes; porém, se questionada sobre a melhor comida que comeu na vida, certamente terá a resposta”, explica o pesquisador, que é especialista em ecologia comportamental e conservação.

Nos relatos, foram mencionados 19 espécies de tubarões, mas com apenas oito foi possível reunir dados suficientes para uma análise criteriosa. Segundo a pesquisa, quatro das oito espécies diminuíram de tamanho ao longo dos anos. “Nos peixes, o tamanho pode ser considerado como um indicador sobre a capacidade reprodutiva. A diminuição de tamanho dos tubarões ao longo dos anos é um indicativo que chama atenção”, destaca Leduc. Para duas espécies, os dados não demonstraram um padrão claro: apesar de parecer estar em diminuição nos últimos anos, uma espécie teve aumento de tamanho e uma não apresentou alterações.

Os cientistas podem comparar esses resultados a duas Listas Vermelhas de espécies ameaçadas de extinção. Criada em 1964, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) tem como objetivo informar o estado de conservação das espécies ao redor do planeta. Além da Lista Vermelha Global, vários países produzem suas próprias listas. No Brasil, a Lista Vermelha nacional é organizada pelo Instituto Chico Mendes para a conservação da biodiversidade Brasileira (ICMBio). “Entre essas listas, foram encontradas discrepâncias no estado de conservação para várias dessas espécies de tubarões. O que é mais interessante é como o conhecimento desses pescadores pode ser usado para determinar se é necessário corrigir as discrepâncias nas Listas Vermelhas, tendo em vista o nível de ameaça mais preciso que estes tubarões enfrentam”, explica Leduc.

(Fonte: Agência Bori)

Série ‘Bastidores’ aborda restauro do Magic Square no Inhotim

Brumadinho, por Kleber Patricio

Foto: Breno da Matta.

Um episódio especial da série Bastidores, do Inhotim, entra no ar neste sábado (20), às 11h. Você vai saber tudo sobre o restauro de uma das obras mais icônicas do Instituto: Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe (1977), de Hélio Oiticica, mais conhecida apenas como Magic Square. O vídeo acompanha todas as etapas de restauro do site-specific e traz depoimentos da equipe técnica do museu. O Instituto Inhotim tem o patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Foi a segunda vez que a obra foi restaurada. Houve processo semelhante em 2013 e um novo restauro foi necessário, porque ela fica muito exposta às condições climáticas. As instruções que Oiticica deixou ainda em vida para a construção/restauro de suas obras são extremamente específicas e peculiares, incluindo materiais como vassouras de pelos em vez de pincéis e rolos de pintura. Todo o procedimento levou quatro meses (agosto a novembro de 2020) e aconteceu no período em que o Inhotim estava fechado à visitação devido à pandemia de Covid-19. Agora, os visitantes já podem ver e, literalmente, entrar no Magic Square novamente.

Instruções que Oiticica deixou ainda em vida para a construção/restauro de suas obras são extremamente específicas e peculiares, incluindo materiais como vassouras de pelos em vez de pincéis e rolos de pintura. Foto: Brendon Campos.

A série Bastidores e outras produções do Inhotim estão disponíveis no YouTube, Facebook e Instagram. Pessoalmente, você pode ver o Magic Square no Inhotim às sextas (9h30 às 16h30), sábados, domingos e feriados (9h30 às 17h30), lembrando que é preciso retirar ingressos antecipadamente on-line via Sympla.

Ingressos Inhotim

Inteira: R$44

Meia: R$22

Na última sexta-feira de cada mês (exceto em feriados) a entrada é gratuita. Para quem puder visitar o instituto em mais de um dia, os passaportes estão com preços atrativos, confira no site do Inhotim. Moradores de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim não pagam entrada no Instituto.

Têm direito a meia-entrada:

– Crianças de 6 a 12 anos;

– Idosos acima de 60 anos;

– Pessoas com deficiência e um acompanhante;

– Estudantes (devem apresentar carteirinha ou declaração de matrícula);

– Professores das redes formais pública e privada de ensino;

– Funcionários da Vale e até 3 dependentes (mediante a apresentação da carteirinha da AMS);

– Participante do Clube de Assinantes Estado de Minas mais um acompanhante (mediante a apresentação da carteirinha do titular);

– ID Jovem (devem apresentar carteirinha).

Endereço: Rua B, nº 20, Inhotim, Brumadinho/MG.

Nova ‘balança cósmica’ pesa aglomerados de galáxias a partir de sua própria luz difusa

Rio de Janeiro, por Kleber Patricio

Foto: Guilhermo Ferla/Unsplash.

Uma nova “balança cósmica” que usa a tênue luz de estrelas desgarradas viajando no espaço entre galáxias de aglomerados poderá ser usada para medir a massa desses aglomerados. O trabalho, liderado por pesquisadores do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, e do laboratório Fermilab, nos Estados Unidos, usou dados do Dark Energy Survey e foi publicado em janeiro na revista científica internacional Monthly Notices.

Aglomerados de galáxias são as maiores estruturas gravitacionalmente ligadas do universo e medir sua massa é essencial para compreender melhor a matéria e a energia escuras, ambas componentes misteriosas do universo. Para localizar essa luz fantasmagórica em aglomerados de galáxias – elemento quase invisível e conhecido por cientistas como luz intra-aglomerado –, é necessário observar imagens detalhadas, que revelam sinais extremamente fracos. O estudo Dark Energy Survey (DES) ou Levantamento da Energia Escura, em português, teve esse foco. Pesquisadores fizeram um mapeamento digital do céu com um telescópio de 4 metros no Chile e uma câmera de 570 Megapixels supersensível.

Graças a esse instrumento e sofisticados programas de computador, cientistas conseguiram identificar milhões de galáxias que se agrupam em milhares de aglomerados de galáxias. Cerca de 500 aglomerados mais próximos da Terra foram selecionados, permitindo medir essa luz superfraca e estabelecer sua relação com a massa do aglomerado. Essa massa foi medida usando lentes gravitacionais fracas, método tradicional que deforma a luz de galáxias distantes, ao passar pela grande massa do aglomerado, como previsto pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein. O Observatório Nacional é um dos participantes do DES, uma colaboração internacional que, no Brasil, conta com financiamento da Finep, Faperj, CNPq e MCTI.

Depois que a energia escura foi descoberta, há cerca de 20 anos, cientistas começaram uma corrida para entender essa componente misteriosa do universo, que, junto com a matéria escura, representam quase 95% do que conhecemos – ou melhor, desconhecemos – do universo. Os 5% restantes são a matéria comum, da qual eu e você somos feitos.

A energia escura é responsável pela expansão acelerada do universo e a matéria escura é invisível e intocável, como um fantasma, que só sabemos que está lá por causa dos efeitos gravitacionais de sua massa. Dentre as maneiras de estudar esses mistérios, usar aglomerados de galáxias é um dos mais promissores, mas medir a massa dessas grandes estruturas é bastante complicado. Por isso, buscar novas maneiras de fazer essa medição nos ajuda a diminuir as incertezas dessas medidas.

Esta é a primeira vez que cientistas fazem medidas tão boas da luz intra-aglomerado — e de tantos aglomerados de galáxias. As medidas de massa total e da distribuição dessa luz nos aglomerados, conseguidas pelo experimento, foram comparadas a uma simulação sofisticada do universo. Neste teste, resultados diferentes dos observacionais surgiram — o que pode apontar que processos físicos da simulação ainda precisam ser calibrados para reproduzir essa componente do universo.

(Fonte: Agência Bori)

Artigo: “Reciclar é preciso, inclusive durante a pandemia”, por Isabela De Marchi

Brasil, por Kleber Patricio

Imagem de kalhh por Pixabay.

2020 foi um ano de desafios para diversos setores. Com a chegada do novo Coronavírus, as pessoas têm ficado mais em casa, recorrendo a aplicativos de entrega de comida ou mesmo compras feitas pela internet para suprirem suas necessidades diárias. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a venda de recipientes descartáveis para comida aumentou 30% durante a pandemia do novo Coronavírus, e com isso, consequentemente o consumo de resíduos aumentou.  É nesse momento que vemos, com mais clareza, a importância dos trabalhadores da reciclagem, que mesmo com a pandemia tentam dar continuidade às suas funções, seja por meio de cooperativas ou na informalidade.

Segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil possui em torno de 600 mil catadores. Deste total, apenas 5% ou cerca de 30,3 mil estão vinculados a cooperativas e associações. Já para o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis (MNCR), estima-se que a categoria já alcança o número de 1 milhão de trabalhadores, muitos deles recebendo apenas meio salário mínimo. E, apesar desse alto número, infelizmente nosso país recicla apenas 3% de tudo que produz.

O papel das indústrias também é muito importante nesse cenário. Com a paralisação da coleta seletiva na pandemia, como forma de evitar a proliferação da Covid-19, a solução encontrada foi guardar os materiais até que a coleta fosse reestabelecida, o que aconteceu recentemente. No retorno, vários protocolos de segurança para evitar o contágio foram estabelecidos. Nosso parceiro, a ONG Instituto Recicleiros, desenvolveu um vídeo explicando o passo a passo com o objetivo de ajudar as cooperativas ao retorno aos trabalhos de forma segura.

Isabela De Marchi é formada em Direito com especialização em responsabilidade social e em gestão estratégica para a sustentabilidade. Foto: divulgação.

Mas não basta fazer nosso papel apenas direcionando o lixo de forma correta. São necessárias metas mais ambiciosas, que olhem para todo o ecossistema. Parcerias são muito bem-vindas para aumentar o impacto. Afinal, é somando as forças que se conseguem multiplicar resultados. Na SIG, empresa especializada em tecnologia de envase e embalagens cartonadas, temos parceiros para colocar em prática boas e grandes ideias, como o Programa so+ma Vantagens, que visa incentivar a mudança de comportamento dos indivíduos em relação aos resíduos, tornando a reciclagem uma rotina.

O programa, que, em parceria com a SIG, acontece em Curitiba (PR), oferece recompensas pela reciclagem de embalagens, ajudando a transformar o resíduo em benefícios para as comunidades. Ele funciona por meio da coleta desses materiais, que precisam ser levados ao ponto de entrega na casa so+ma, onde o consumidor ganha pontos que são creditados em um cartão de vantagens e podem ser trocados por recompensas, como produtos alimentícios, cursos e descontos no comércio local, entre outros.

A primeira casa em Curitiba foi aberta no bairro CIC, em uma parceria entre so+ma Vantagens, SIG e governos estadual e municipal. Até o momento, já são mais de 530 famílias inscritas no programa, que, em 2020, mesmo com as paralizações do programa por conta da pandemia, recebeu mais de 88 toneladas de materiais recicláveis e a expectativa é que sejam abertos mais dois novos pontos de entrega esse ano com o apoio da SIG.

Outro projeto fruto de parceria entre a SIG e a ONG Instituto Recicleiros é o programa Cidade+ Recicleiros. Nele, diferentes empresas podem investir para o cumprimento de exigências regulatórias de logística reversa. O programa implanta a coleta seletiva, assessorando prefeituras desde a regulamentação municipal, roteiros logísticos de coleta, processos produtivos e campanhas de comunicação para sensibilizar e orientar os munícipes quanto ao descarte correto de resíduos.

A SIG é o investidor semente do programa Cidade+ Recicleiros, que hoje está presente em 16 municípios de todas as regiões do Brasil em diferentes fases de execução, gerando mais de 760 postos de trabalho. Até o fim de 2021, pretendem chegar a 20 municípios em operação e, até 2025, alcançar a marca de 250 mil toneladas de resíduos coletados nestes municípios.

Como parte da indústria, acreditamos que seja necessário olhar para todo o ecossistema, desde a conscientização do consumidor à existência de infraestrutura, desafios de logística, processos de reciclagem e também para a demanda de material reciclado. Cerca de 22% dos municípios brasileiros hoje têm algum tipo de coleta seletiva, mas normalmente a coleta não abrange todos os bairros e os índices de reciclagem pouco evoluem. Além disso, mesmo que a maioria das empresas recicladoras esteja localizada nas regiões Sul e Sudeste, os catadores de materiais recicláveis ainda são os principais agentes ambientais espalhados por todo o Brasil.

Isabela De Marchi é gerente de Sustentabilidade da SIG Combibloc para América do Sul. Trabalha há 15 anos na área de sustentabilidade, com passagens por organizações do terceiro setor e empresas como Monsanto e TV Globo. Formada em direito com especialização em responsabilidade social pela FIA/USP e em gestão estratégica para a sustentabilidade na Fundação Dom Cabral. Há 2 anos e meio lidera a área de sustentabilidade para América do Sul da SIG Combibloc. Membro do conselho consultivo da Fundação Way Beyond Good.

Positividade Tóxica: especialistas falam sobre os efeitos colaterais da felicidade exposta nas redes sociais

Brasil, por Kleber Patricio

Nessa realidade mascarada pelas redes sociais, não é permitido se sentir triste ou ter dias ruins. Fotos: divulgação.

Em meio a um bilhão de usuários ativos por mês, é difícil encontrar uma pessoa que não tenha perfil no Instagram. A plataforma possui 500 milhões de acessos diários e se tornou, além de uma rede social, uma rede comercial. Com a popularização dos influencers, basicamente tudo passa a ser monetizado, inclusive a felicidade. Através da tela do celular, a vida do outro aparenta ser perfeita: o corpo dos sonhos, bens materiais, viagens e felicidade em tempo integral. Mas não é bem assim.

Há materiais que circulam em blogs e portais que alegam que não é possível ser feliz sempre. Isso pode ser verdade ou não – depende do que está sendo chamado de felicidade. No âmbito da Psicologia Positiva, é usual se adotar o conceito construído pela professora Sonja Lyubormisrky: “Felicidade é a experiência de contentamento e bem-estar combinada à sensação de que a própria vida possui sentido e vale a pena”. Em outras palavras, felicidade é um estado no qual se vivencia um pouco mais de emoções positivas que negativas em uma vida que, apesar das circunstâncias, vale a pena ser vivida. E sim, pode ser uma experiência de longa duração.

Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

A problemática surge com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome diariamente essa “vida “perfeita” do outro. Nesse cenário, se populariza o conceito de positividade tóxica. A expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo aliada a uma vida editada para as redes sociais. “É aqui que mora um elemento pouco mencionado acerca da felicidade legítima: ela é uma experiência intrínseca, dispensa o reconhecimento de terceiros. Sorrisos pasteurizados em fotos sob filtros, vozes cuidadosamente moduladas e falas que se assemelham a pregações são apenas artifícios – esses sim, tóxicos, daquilo que surgiu bem antes da internet: a vida de fachada e a venda de receitas mágicas”, alerta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

Bloqueio de emoções negativas | Como consequência dessa busca pela felicidade, as emoções negativas são bloqueadas. Nessa realidade mascarada pelas redes sociais, não é permitido se sentir triste ou ter dias ruins. “É importante observar que a psicologia positiva não orienta que se bloqueiem ou evitem emoções negativas. Do ponto de vista humano, isso sequer é possível e não seria recomendável”, aponta Carla. “Emoções são comportamentos autônomos em resposta a estímulos. Tome-se o medo, por exemplo: diante de um risco real, essa emoção é primordial para a preservação da vida e, embora seja de valência negativa, seu desfecho pode ser bastante positivo. É sempre importante ressaltar que felicidade não é uma emoção, mas costuma ser confundida com a alegria”, complementa a especialista.

É justamente assim que surgem problemas como ansiedade, depressão, transtorno de imagem, anorexia e bulimia, entre outros. “No Instagram, as pessoas conseguem praticar atividade física, ser a mãe perfeita, o pai perfeito, trabalhar, ser bem-sucedido, ter hora para tudo; então as pessoas acham que são obrigadas a fazer isso o tempo inteiro e acabam frustradas porque não conseguem ou se sentem cansadas”, explica a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, a APBr.

Renata Nayara Figueiredo, médica psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).

Ela explica que, com a sensação de não ter todo esse tempo, a pessoa fica frustrada, acha que a produtividade está baixa, que alguma coisa está errada. “É aquilo do eu não consigo ser a mãe perfeita, não consigo ser uma profissional maravilhosa, enquanto o outro consegue tudo isso. Então começa o sentimento de ansiedade, de menos valia, de baixa autoestima e isso pode gerar depressão e outros transtornos psiquiátricos”, acrescenta.

Para a especialista, é importante que o usuário entenda que o conteúdo das redes sociais é um recorte e não expressa a realidade ou como é a vida da pessoa por completo. “Um exemplo é a foto de comida – as pessoas não postam a refeição do dia a dia. E é preciso compreender que aquilo ali é um cenário, é um palco; as pessoas fazem aquela foto, aquilo ali não é uma foto espontânea. Ela está naquela rede social para chamar a atenção”, pontua.

Outro lado | Segundo a psiquiatra, os influenciadores também sofrem. “Eles buscam mais seguidores, mais curtidas e os que seguem querem ter uma vida daquelas, sendo que às vezes a pessoa só vive disso, de postar coisas, enquanto as outras vão postar coisas, vão seguir, vão trabalhar e vão fazer outras coisas também”, afirma. “Então isso tudo é um cenário. Cada um vai postando o que acha mais interessante e as pessoas têm que entender que aquilo ali não é a vida real”, complementa.

Outro ponto abordado por ela são pessoas que já têm algum distúrbio ou tendência a transtornos psiquiátricos. “Uma pessoa com esse tipo de problema, principalmente em relação ao corpo, vê essas fotos e se sente mal. Elas vomitam, param de comer ou deixam de sair de casa para não furar a dieta”, explica. “Então, esse tipo de ‘influência’ pode ser um gatilho para pacientes com transtornos alimentares, pela questão de estar sempre postando o corpo perfeito, a dieta perfeita e a refeição dos sonhos, entre outros pontos”, conclui.