Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Lazer & Gastronomia

São Paulo, SP

Quatro viagens no tempo, um só lugar: o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual

por Kleber Patrício

Devido ao sucesso das três expedições em realidade virtual iniciadas em setembro de 2025, o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual anuncia a prorrogação de suas atividades. Além da extensão do prazo, o centro cultural traz uma novidade de peso: a exibição simultânea de quatro roteiros distintos que transportam os visitantes por bilhões de anos de […]

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Edifício Vera, no centro histórico de São Paulo, recebe exposição “Dança dos Encontros”

São Paulo, por Kleber Patricio

A exposição de artes “Dança de Encontros”, primeira ação coletiva dos artistas do Edifício Vera, acontece no primeiro andar do prédio, no centro histórico de São Paulo. Até o dia 5 de novembro, quem prestigiar a mostra terá a oportunidade de observar obras de diferentes linguagens como pintura, gravura, desenho, escultura, assemblage, instalação, fotografia, arte digital, serigrafia e vídeo, entre outros.

Com a curadoria de Renato De Cara, a primeira exposição coletiva terá participação de 33 artistas independentes que atuam no Vera, além de artistas dos dois espaços culturais que também funcionam ali: o Vórtice Cultural e o Lux Espaço de Arte, sendo o segundo responsável pela produção cultural das atividades do Edifício. Sempre com entrada gratuita, a exposição tem como peculiaridade juntar desde jovens que estão começando agora a carreira, como artistas que já estão no circuito das artes há um bom tempo. “Teremos de tudo, dos mais variados artistas com esse recorte contemporâneo, com muita diversidade, com um pouco de herança e relações, com diferentes obras, de vídeo até escultura, fotografia, juntando toda essa turma, em um ano é a primeira exposição coletiva dos artistas participantes do edifício do Edifício Vera”, explicou o curador.

O curador Renato De Cara. Foto: divulgação.

A coletiva “Dança dos Encontros” traz obras de Amanda Elosa, Carol Ambrósio, Cristiana Bei, Cristina Canepa, Cynthia Loeb, Daniel Mello, Deolinda Aguiar, Élcio Miazaki, Flávia Ventura, Gabriel Pessoto, Gina Dinucci, Glaucco, Helena Marc, Júlia Hallal, Karen Dolorez, Leandro Gutum, Leonardo Maciel, Luiz Ardezzoni, Maria Luiza Mazzetto, Marcio Marianno, Miriam Bratfisch Santiago, Neiliane Araujo, Paulo Agi, Paulo Cibella, Rafaela Jemmene, Renata Barros, Renata Basile, Roberta Segura, Ro Ferrarezi, Soraia Dias, Thales Pomb, Thatiana Cardoso e Thiago Toes.

Além de curtir uma exposição inédita com diferentes expressões artísticas, quem for terá também a oportunidade de conhecer o próprio Edifício Vera, um imóvel construído na década de 1950 no coração da cidade, que abriga diversos ateliês e projetos na área das artes visuais, sendo 39 artistas habitantes do prédio. Além dos ateliês fixos, o Edifício Vera também oferece a Residência Edifício Vera, no intuito de fomentar a produção artística contemporânea em diálogo com o centro da capital paulista, uma experiência imersiva através de espaço e acompanhamento.

Serviço:

Exposição “Dança dos Encontros”

Curadoria: Renato de Cara

Coordenação: Cynthia Loeb

Produção: Lux Espaço de Arte

Local: Edifício Vera – 1º andar – Rua Álvares Penteado, 87 – Centro, São Paulo/SP

Data: de 8 de outubro até 5 de novembro de 2022

Horário: presencial – de segunda a sábado das 11h às 18h

Entrada gratuita.

Sobre o curador Renato De Cara

Nascido em Lins, SP, em 1963. Vive e trabalha em São Paulo. Jornalista formado pela PUC/SP em 1985. Interessado em arte, cultura e moda, especializou-se em estética contemporânea, produzindo, escrevendo, editando e fotografando para marcas e veículos de comunicação. Colaborou para jornais como Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde e O Estado de São Paulo; revistas como Vogue, World Fashion, Select e Bravo e estúdios de criação. Foi coordenador do estúdio fotográfico da agência DPZ em 1993; do estúdio de criação Giovanni Bianco, em 2001, e do marketing da marca Cavalera, em 2008. De 2006 a 2017, dirigiu a Galeria Mezanino, produzindo e curando exposições individuais e coletivas, apresentando novos nomes e resgatando artistas em meio de carreira, cruzando linguagens e propondo novas abordagens no mercado de arte contemporânea. Em 2018 foi diretor do Departamento de Museus Municipais de São Paulo, coordenando uma equipe de trinta profissionais em quinze espaços museológicos históricos, construídos entre os séculos XVII e XX. Com acervos fotográfico, de bens móveis, de história oral, etnológico, de design e folclórico, além do arquitetônico, a gestão procurou acessar todos esses conteúdos confrontando-os em diálogos com a arte contemporânea. Faz acompanhamento de artistas e dá consultoria curatorial para coleções públicas e privadas, espaços culturais, residências artísticas e galerias de arte.

Sobre o Edifício Vera | Construído em meados de 1950, o Edifício Vera está localizado no centro de São Paulo, em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e próximo a locais como Teatro Municipal, Museu da Cidade, Farol Santander, Praça das Artes e Estúdio Lâmina. Tradicionalmente, a região sempre concentrou escritórios e instituições financeiras, mas com a reconfiguração da cidade, as construções passaram a receber outras atividades. Após ter alguns ambientes restaurados, além de abrigar escritórios, o Edifício Vera passa a ser um espaço artístico e cultural, que conta com biblioteca, ateliês e uma sala de exposições. Com foco em diferentes linguagens, o Vera abre espaço para a arte contemporânea produzida em programas de residência e por artistas que se interessam em pensar sobre a cidade e a região, que vem ganhando reconhecimento por ser um polo nacional dedicado às artes (Instagram).

(Fonte: Betini Comunicação)

Biografia de Nikola Tesla é base de “O Universo Está Vivo Como um Animal”, que tem temporada gratuita em SP

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: Lidia Ueta.

Muito do que vivemos hoje em termos de comunicação, conexão e eletricidade foi previsto ou teve como embrião uma das mais de 300 patentes de Nikola Tesla, nascido no finado Império Austro-Húngaro, onde hoje seria a Croácia, em 1856, durante uma tempestade de raios e, segundo a lenda, teve seu primeiro contato com a eletricidade na Universidade de Praga. “O universo está vivo como um animal”, nova montagem dos curitibanos da Rumo de Cultura, estreia dia 5 de outubro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com ingressos gratuitos se inspira na vida desse ícone da ciência.

A peça, criada por Diego Marchioro, Fernando de Proença e Nadja Naira, é iluminada a partir da biografia do inventor que revolucionou o século XX: Nikola Tesla. Articulando arte e ciência, o trabalho prolifera – entre passado, presente e futuro – ideias sobre energia, magnetismo, eletricidade e democratização da luz, desde as criações do inventor e suas relações com o mundo contemporâneo. A peça também faz parte de uma programação maior, que inclui exibição de documentário, podcast e oficinas com os profissionais envolvidos no projeto.

“Se você quiser descobrir os segredos do Universo, pense em termos de energia, frequência e vibração”, disse Tesla, um dos maiores inventores de todos os tempos, com contribuições nos campos da engenharia mecânica e eletrotécnica. As patentes de Tesla e o seu trabalho teórico formam as bases dos atuais sistemas de potência elétrica em corrente alternada. O inventor é um dos maiores gênios da humanidade e um dos mais importantes visionários do século XX.

“O universo está vivo como um animal” é uma peça estruturada por quadros imagéticos guiados pela dramaturgia da luz. A partir dos estudos da vida de Nikola Tesla – cartas, palestras, entrevistas e de sua autobiografia “Minhas Invenções” –, o grupo de artistas investiga na cena questões temporais sobre suas invenções a partir da materialidade das lâmpadas tubulares fluorescentes – que foram desenvolvidas pelo inventor e são agentes da cena e as articulam.

A operação usada pelos atores em cena é propriamente a montagem da cena. Entre um quadro e outro, constroem diante do público ambientes para contar histórias sobre a descoberta da eletricidade, imaginação e futuridade a fim de pensar o presente através da materialização de ideias no teatro.

Este trabalho é a terceira peça do projeto “Te(a)tralogia”, idealizado pelos artistas Diego Marchioro, Fernando de Proença e Isabel Teixeira. Faz parte também do projeto, a áudio série “PEOPLE vs. TESLA”, lançada em 2020 – com texto de Isabel Teixeira, direção de Nadja Naira e interpretação de Diego Marchioro e Fernando de Proença. O podcast estará disponível para que o público possa ouvir no dia 12 de outubro, às 16h30, na Oswald de Andrade.

Todo o processo de criação e investigação do “Te(a)tralogia” é retratado em “Te(a)tralogia.doc”. O longa, criado pela dupla Diego Marchioro e Fernando de Proença, abre os arquivos pessoais dos artistas, de memória e especificidades do fazer teatral. Partindo de uma esfera íntima, se espraia em questões universais de modos e meios do viver teatral a partir do processo de criação e montagem da cena. O documentário passa pelo processo de construção de quatro peças, adentre no mundo teatral, suas lógicas, línguas e pulsos. Ele também será exibido na temporada paulista no dia 15 de outubro, às 16h30.

Combinada com a estreia da peça, a Rumo de Cultura lança nas plataformas de áudio uma canção inédita homônima – tema da peça – com os cantores Ná Ozzetti e Ney Matogrosso.

Além das apresentações do espetáculo e do podcast, a programação na Oficina Cultural Oswald de Andrade também traz a palestra “Iluminação Cênica”, com Beto Bruel no dia 8 de outubro. Também haverá uma oficina de dramaturgia nos dias 13 e 14 de outubro, ministrada por Diego Marchioro e Fernando de Proença. É necessário inscrição prévia para as oficinas por esse link para a atividade de iluminação e esse link para a de dramaturgia.

“O universo está vivo como um animal” foi viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério do Turismo e conta com patrocínio de Eletrobras, Peróxidos do Brasil, BRDE e Neovia Engenharia.

Ficha técnica

roteiro – Diego Marchioro, Fernando de Proença e Nadja Naira | direção – Nadja Naira | elenco – Diego Marchioro, Fernando de Proença, Edith de Camargo e Augusto Ribeiro | iluminação – Beto Bruel | preparação corporal – Carmen Jorge |  trilha sonora – Edith de Camargo | canção original O UNIVERSO ESTÁ VIVO COMO UM ANIMAL – letra Fernando de Proença (a partir do livro Minhas Invenções, de Nikola Tesla) – melodia Ná Ozzetti – arranjo e músico – Mário Manga – intérpretes – Ney Matogrosso e Ná Ozzetti |  cenário – Érica Storer e Angelo Osinski | figurino – Luan Valloto | assistência de figurino – Isabella Mello |  coordenação de projeto Diego Marchioro | direção de produção Cindy Napoli | assistência de produção – Augusto Ribeiro e Rebeca Forbeck | agendamentos –  Marcos Trindade | técnico de som – Chico Santarosa | técnico de luz – Lucas Amado e Augusto Ribeiro | foto – Elenize Dezgeniski e Lidia Ueta | vídeo e teaser – Alan Raffo | designer gráfica – Adriana Alegria | assessoria de comunicação e imprensa- Fernando de Proença  | mídias sociais – Plateia Comunicação; Luísa Bonin e Tays Cristine | produção local (São Paulo) – Nosso Cultural | site – Julia Brasil | captação de incentivo – Caroline Hoerig | idealização – Rumo de Cultura, Diego Marchioro, Fernando de Proença e Isabel Teixeira | realização –  Rumo de Cultura.

Ouça a áudio série:

PEOPLE vs. TESLA – peça elétrica para ondas de rádio: PEOPLE vs. TESLA | Podcast on Spotify

Temporada de 5 de outubro a 22 de outubro: quarta a sexta – 20h | sábado – 18h | * 12/10 quarta – 18h.

Entrada franca – retirada de ingresso a partir de 1 hora antes na bilheteria

Capacidade da sala – 40 lugares

Duração – 50 minutos

Ações formativas e acessibilidade:

Exibição áudio série PEOPLE vs. TESLA – peça elétrica para ondas de rádio

12/10 – quarta às 16:30

Laboratório de Dramaturgia com Diego Marchioro e Fernando Proença

13 e 14/10 – quinta e sexta das 14h às 17h

Exibição Documentário Te(a)tralogia

15/10 – sábado às 16:30.

Oficina Cultural Oswald de Andrade

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro

Telefone: (11) 3222-2662

Entrada franca (retire seu ingresso com 1h de antecedência na bilheteria do teatro)

Saiba mais em: www.rumodecultura.com | Instagram e Facebook: @rumodecultura.

(Fonte: Vanessa Fontes Assessoria de Imprensa)

Orquestra FMU FIAM-FAAM se apresenta em outubro no Museu da Casa Brasileira

São Paulo, por Kleber Patricio

Foto: divulgação.

Composições de Mozart e de F. Mignone fazem parte do repertório da apresentação da Orquestra FMU FIAM-FAAM, que acontece no dia 9 de outubro, domingo, às 11h, no Museu da Casa Brasileira – instituição administrada pela Fundação Padre Anchieta.

Coordenada pelo regente e professor Rodrigo Vitta, a Orquestra já realizou concertos no Teatro São Pedro, no Centro Cultural São Paulo, Sala São Paulo e inúmeras vezes no MCB. Agora, retorna ao palco do Museu com o solista Leonardo Aniceto.

A Orquestra FMU FIAM-FAAM é um projeto interdisciplinar do Curso de Música que tem como objetivo proporcionar aos estudantes do curso uma experiência prática em um ambiente real de trabalho com um repertório de formação ampla, com ênfase nas composições dos grandes mestres da música.

Confira o repertório:

F. Mignone, “A Morte de Anhanguera”

Mozart, “Concerto para Violino e Orquestra nº 5”

Debussy, “Clair de Lune”

Orquestração Rodrigo Vitta

Haydn, “Sinfonia nº 96 – ‘Milagre’”.

Sobre o MCB | O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, administrada pela Fundação Padre Anchieta, dedica-se, há 52 anos, à preservação e difusão da cultura material da casa brasileira, sendo o único museu do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda que possui também atividades do serviço educativo, debates, palestras e publicações contextualizando a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país realizada desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.

Sobre Rodrigo Vitta

Nasceu em São Paulo e é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e Bacharel em Composição pela FMU/FIAMFAAM. Atualmente é professor de pós-graduação e graduação em Música pela Universidade FMU/FIAMFAAM, professor de pós-graduação pelo IBFE e fundador da Escola online Internacional de Arte e Música STUDIO VITTA. Vitta é maestro do Festival Eleazar de Carvalho, da Orquestra FMU FIAMFAAM e pianista do Quarteto Novas Tendências. Como regente, realizou trabalhos importantes, como os espetáculos Série Movimento Violão Sinfônico com solistas internacionais e nacionais pela TV SESC/SP, dirigiu o musical Do Hip Hop ao Erudito da Samba pelo SESC Pompéia. Regeu o III Festival Lírico em Montevideo no Teatro Solís com a Orquestra Filarmônica de Montevideo e o concerto de Gala Lírica – LyricSur (BRA/URU). Trabalhou como Regente Titular da Banda Sinfônica de Cubatão e Regente Assistente da Orquestra Sinfônica de Santos. Há 20 anos é Professor Acadêmico na área de Regência e Composição pela Universidade FMU/FIAMFAAM, onde dirige os concertos para Semana Eleazar de Carvalho na Sala SP desde 2015.

Serviço:

Música no MCB | Orquestra FMU FIAMFAAM

Data: 9 de outubro, domingo

Horário: 11h

Entrada: R$20,00 | R$10,00 (meia-entrada)

Local: terraço do Museu da Casa Brasileira

Av. Brig. Faria Lima, 2.705 – Jardim Paulistano, São Paulo, SP

Próximo à estação Faria Lima da Linha Amarela do Metrô.

(Fonte: Museu da Casa Brasileira)

Camões declama casos de corrupção na ditadura em campanha da Transparência Brasil

São Paulo, por Kleber Patricio

Fotos: divulgação/Transparência Brasil.

Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, 68% dos brasileiros acreditam que há mais corrupção na atual democracia do que houve durante a ditadura militar. O número alarmante se deve ao fato de que o regime controlava o que era investigado, fiscalizado e, claro, informado à população. E, mesmo assim, ao menos uma dúzia de casos de corrupção foram registrados.

Na última quarta-feira (28), Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, a ONG Transparência Brasil lançou uma campanha protagonizada por Luís Vaz de Camões. Com o mote “Ditaduras não acabam com a corrupção. Acabam com a liberdade de informar você”, uma série de curtas-metragens acabam com a ilusão de que a ditadura militar teria sido um regime menos corrupto porque havia menos notícias de ilicitudes no período.

Jornalistas que ousaram reportar irregularidades do governo militar foram perseguidos, torturados e assassinados, por agirem “contra o interesse do país”. Para evidenciar a censura, jornais publicavam trechos de “Os Lusíadas”, a grande poesia épica de Camões, em lugar de reportagens vetadas pelo regime.

Em alusão ao ato de resistência do jornalismo da época, a série “Os Ilusíadas” revela a corrupção da ditadura militar escondida pela poesia.

O lançamento aconteceu com a veiculação de um trecho de “Os Lusíadas” dentro do impresso da Folha de S. Paulo, como era feito no caso de censura. Disfarçado na letra capitular do poema, um QR Code levava para o primeiro vídeo de uma série de 12. Em cada um, o próprio Luís de Camões declama um caso épico de irregularidade no regime militar como se estivesse apresentando um jornal.

A milionária construção da Usina de Itaipu, a Rodovia Transamazônica, a Ponte Rio-Niterói e os Governadores Biônicos são alguns dos casos mostrados.

Com criação da AlmapBBDO, o projeto conta ainda com o hotsite ilusiadas.transparencia.org.br, com toda a série de poemas reunida e mais informações sobre os escândalos.

(Fonte: Giusticom)

Economia da sociobiodiversidade: caminhos para a Amazônia

Amazônia, por Kleber Patricio

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa Amazônia Oriental.

Por Ricardo Abramovay, Ana Euler e Francisco de Assis Costa — A destruição das florestas tropicais resultará na perda de todos os esforços que o mundo vem fazendo para descarbonizar a economia. Só a Panamazônia armazena de 550 a 730 de gigatoneladas de gás carbônico equivalente (GTCO2e)*, uma quantidade correspondente a algo entre 12 e 15 anos das emissões globais de gases de efeito estufa. A vitória de Gustavo Petro e Francia Marques na eleição presidencial da Colômbia e a provável derrota da extrema-direita no Brasil, em outubro próximo, abrem caminho para a formação de um forte bloco geopolítico, composto por duas das maiores potências ambientais do mundo, que certamente vai atrair recursos globais para manter a floresta em pé e seus rios fluindo.

Mas é fundamental que a conservação, a regeneração e a restauração da floresta Amazônica sejam parte de um ambicioso programa que enfrente o paradoxo de uma região com enorme riqueza mas com indicadores sociais entre os mais baixos no país. Saúde, educação, saneamento, violência, destruição e ilegalidades no uso dos recursos, acesso à eletricidade e à internet, para onde quer que se olhe, os indicadores sociais da Amazônia brasileira são hoje os piores do Brasil. Interromper imediatamente o desmatamento (que é ilegal em mais de 95% dos casos), e o crime organizado a ele vinculado é condição básica para que o Brasil retorne aos fóruns internacionais como um ator respeitado.

Em adição à contribuição crucial para a luta contra a crise climática, a floresta e sua biodiversidade oferecem um vasto conjunto de produtos e serviços que hoje são sistematicamente depreciados e que vão além da provisão de produtos madeireiros. O capítulo sobre bioeconomia do Painel Científico para a Amazônia faz um apanhado desta contribuição, que pode ser resumida a quatro dimensões básicas.

A primeira está na provisão de produtos da sociobiodiversidade florestal, que incluem plantas medicinais, materiais de construção e produtos alimentícios, tanto para o mercado interno da Amazônia, como para as exportações. Pesquisadores do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA demonstram que 50,4% do PIB dessa economia vão para os mercados locais da região, 40,7% para o resto do Brasil e apenas 2,6% se orientam para o resto do mundo. Daí que, como demonstra Salo Cosloski, do projeto Amazônia 2030, a Amazônia brasileira participa com apenas 0,17% das exportações mundiais de produtos florestais tropicais. Para qualquer desses segmentos, a economia da sociobiodiversidade lida com infraestruturas ineficientes e políticas públicas que lhes são indiferentes e voltam-se a commodities como carne, soja e óleo de palma que repousam na destruição da floresta e em paisagens agrícolas de baixíssima diversificação e inclusão social. Os atores sociais ligados a estas commodities são, em geral, originários de outras regiões brasileiras e enxergam na vegetação nativa um obstáculo a ser removido para a implantação de soja e pecuária. No entanto, a pecuária que se implantou na Amazônia é de baixíssima produtividade e as áreas ocupadas com soja são cada vez mais sujeitas às consequências dos eventos climáticos extremos.

Além disso, a economia da sociobiodiversidade florestal, que já tem um papel essencial no abastecimento das cidades da Amazônia com alimentos como açaí e inúmeras outras frutas, óleos e fitoterápicos diversos, poderá vir a ser ainda mais demandada. A alimentação das populações urbanas, que representam 72% dos 28 milhões de habitantes da Amazônia brasileira, é cada vez mais dependente de produtos vindos de outras regiões do País. E não se pode deixar de mencionar os serviços tanto de gastronomia, como de turismo e espetáculos a que a valorização da sociobiodiversidade e da cultura material e espiritual dos povos da floresta pode dar lugar.

A segunda dimensão da bioeconomia, estudada igualmente no capítulo sobre bioeconomia do Painel Científico sobre a Amazônia, é a regeneração e restauração florestal. A área destruída e hoje abandonada ou ocupada por pecuária de baixíssima produtividade é gigantesca. A regeneração e restauração destes territórios têm efeitos multiplicadores sobre a renda e o emprego muito maiores que os das atividades agropecuárias. E há um imenso apetite internacional por projetos construtivos nesta área.

Mas há outras duas dimensões fundamentais em que a economia da sociobiodiversidade pode contribuir para mudar o padrão de crescimento econômico e, portanto, contribuir com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. É necessário fazer emergir, na Amazônia, cidades capazes de enfrentar seus principais problemas de infraestrutura com base na ideia de soluções baseadas na natureza. Além da agricultura urbana e periurbana, é fundamental gerar oportunidades para uma nova geração de startups e hubs de inovação envolvendo jovens. As infraestruturas das cidades na Amazônia não podem simplesmente mimetizar os projetos vindos de regiões que lhes são ecologicamente tão distantes. Isso envolve os padrões de construção civil, a pavimentação urbana e os equipamentos para a comunicação fluvial entre municípios. A gestão conjunta das bacias hidrográficas e a mobilização social contra os projetos hidrelétricos que, se realizados, destruirão a vida dos rios, é parte decisiva destas soluções baseadas na natureza que incluem descentralização da geração de energia, ampliação da geração solar, eólica, hidrogênio verde e a biomassa.

É necessário mudar os modelos agropecuários hoje predominantes na Amazônia, aproveitando os resíduos da produção agropecuária, introduzindo diversificação produtiva onde há hoje monocultura e utilizando recursos locais pouco valorizados. A Amazônia tem uma rica tradição de policultura integrada à floresta por parte de agricultores familiares cujo potencial no aumento da produção e na resiliência do setor é imenso e subaproveitado.

Esta nova bioeconomia tem, por fim, um papel estratégico para o Brasil como um todo. Hoje a Amazônia e as demais florestas tropicais estão ausentes da fronteira científica e tecnológica da bioeconomia. Reduzir esta distância é uma oportunidade para que a ciência e a tecnologia levadas adiante por pesquisadores da Amazônia, em diálogo com os saberes dos ancestralmente lidam com o bioma e em cooperação com os do restante do País e do mundo, contribuam para mudar a qualidade do crescimento do Brasil, que, até aqui, tem se apoiado na monótona reprimarização de nossa economia e na permanente depreciação do trabalho e do conhecimento na formação da riqueza, inclusive os conhecimentos dos Povos Indígenas e comunidades locais.

* Considerando o estoque de carbono acima e abaixo do solo de ~150 a 200 Pg C (Malhi et al. 2021).

Sobre os autores

Ricardo Abramovay é professor titular da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública e do Programa de Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. É autor de “Por uma economia do conhecimento da natureza” (Ed. Elefante, 2019) e de “Infraestrutura para o desenvolvimento sustentável da Amazônia” (Ed.Elefante, 2022). É coautor líder do capítulo 30 sobre bioeconomia do Painel Científico sobre a Amazônia.

Francisco de Assis Costa é professor titular do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA. Sua pesquisa versa sobre história econômica e desenvolvimento contemporâneo da Amazônia. É autor líder do capítulo sobre a dinâmica agrária contemporânea e coautor do capítulo 30 sobre bioeconomia do Painel Científico sobre a Amazônia.

Ana Margarida Castro Euler é engenheira florestal, pesquisadora da Embrapa Amapá, atualmente pós doutoranda do Institut de Recherche pour le Développment (IRD) e do Centre International de Recherche Agronomique pour le Développement (Cirad). Sua pesquisa busca valorizar as cadeias produtivas da sociobiodiversidade associadas aos territórios de povos e comunidades tradicionais na Amazônia. É coautora do capítulo 30 sobre bioeconomia do Painel Científico sobre a Amazônia.

Este artigo faz parte de série de artigos publicados, conjuntamente, por Agência Bori e Nexo Políticas Públicas por meio de parceria com o Painel Científico para a Amazônia. Para reproduzi-lo em veículos de comunicação, é preciso informar que o texto foi originalmente publicado na Agência Bori e no Nexo Políticas Públicas.

(Fonte: Agência Bori)