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Resgate da memória vira ato de resistência em testemunho sobre a ditadura

São Paulo, por Kleber Patricio

Capa do livro. Foto: Divulgação/Editora Unesp.

Como uma mãe enfrenta a máquina repressiva de um Estado autoritário? Em Esquecer? Nunca mais!: a saga de meu filho Marcos Arruda, lançamento em edição revista e ampliada pela Editora Unesp, Lina Penna Sattamini descreve com intensidade dramática o sequestro, prisão e tortura do filho Marcos em maio de 1970, durante o período mais violento da ditadura civil-militar. Mais que um relato íntimo, a obra se transforma em documento histórico fundamental sobre os anos de chumbo no Brasil.

“São cada vez mais numerosos e conhecidos os relatos de tantas vítimas da ditadura militar brasileira, que praticou inúmeras atrocidades ao longo de seus 21 anos (1964-1985). Relatos de ex-presos políticos, como os que escrevi, ou narrativas redigidas por filhos e filhas de quem sofreu, na carne e no espírito, o desaparecimento ou o assassinato de seus entes queridos, como em Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva, levado às telas de cinema, em 2024, pela maestria do diretor Walter Salles”, escreve, no prefácio, Frei Betto. “Raros são, porém, os relatos como o deste livro de Lina Penna Sattamini e de outras mães, sobre seus filhos que padeceram nas mãos da repressão civil-militar. A autora descreve, sobretudo, mediante cartas trocadas entre familiares, o implacável terror de Estado que se abateu sobre seu filho Marcos Arruda.” 

Radicada nos EUA como intérprete do Departamento de Estado, Lina mobilizou redes diplomáticas e sua força materna para resgatar o filho, preso por organizar a resistência operária. O livro reúne correspondências familiares, bilhetes clandestinos de Marcos da prisão e relatos cruéis da tortura, oferecendo um retrato vívido dos métodos de repressão. A narrativa combina dor pessoal com precisão histórica, elevando-se a documento político de primeira grandeza.

Esta edição ampliada chega em momento crucial, quando o Brasil reassume o debate sobre memória e democracia. Com textos inéditos – incluindo prefácio do historiador James N. Green e posfácio de Marcos Arruda, que viveu oito anos no exílio –, a obra transcende o memorial familiar para se tornar farol contra o esquecimento. Nas palavras de Frei Betto, “Lina não nos dá apenas um depoimento, mas um legado de coragem para as novas gerações”. 

Sobre a autora | Lina Penna Sattamini, intérprete brasileira radicada nos EUA nos anos 1960, transformou sua jornada pessoal em ato político ao enfrentar o regime militar para salvar o filho. Seu relato permanece como testemunho indelével da resistência civil.

Sobre os organizadores

James Naylor Green é professor de História Moderna da América Latina e foi diretor da Iniciativa Brasil na Brown University, EUA. Especialista em estudos latino-americanos, Green é brasilianista, tendo vivido no Brasil entre 1976 e 1982, e sua trajetória esteve sempre ligada ao ativismo pelos direitos LGBTQIA+ e na defesa da democracia no Brasil. Pela Editora Unesp, publicou “Além do Carnaval” (2000, com 3ª edição revista e ampliada em 2022) e “Escritos de um viado vermelho” (2024).

Marcos Arruda é geólogo e economista, educador do Instituto Pacs (Políticas Alternativas para o Cone Sul) e protagonista do livro.

Título: Esquecer? Nunca mais!: a saga de meu filho Marcos Arruda

Autora: Lina Penna Sattamini

Organização: James N. Green, Marcos P. S. de Arruda

Número de páginas: 316

Formato: 13,7 x 21 cm

Preço: R$ 84

ISBN: 978-65-5711-274-8.

(Com Diego Moura/Pluricom Comunicação Integrada®)