
Inez Viana dirige e assina a primeira adaptação do romance homônimo de Andréa Del Fuego; estreia no Auditório do Sesc Pinheiros será em 12 de março de 2026. Fotos: Rodrigo Menezes.
“A pediatra” é a primeira adaptação para os palcos do romance homônimo que consagrou Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago, idealizada por Inez Viana e Luis Antonio Fortes. Sucesso entre leitores, traduzido para sete idiomas, o romance foi considerado uma das melhores leituras de 2022 pelos críticos literários. A montagem teatral conta com adaptação e direção de Inez Viana e elenco formado por Debora Lamm e Luis Antônio Fortes. Debora Lamm interpreta uma pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães. Descrita como uma “vilã de humor vil”, ela é uma mulher privilegiada, classista e amoral cuja má conduta profissional e falta de empatia a levam a conflitos éticos e humanitários. A temporada de estreia nacional tem início em 12 de março de 2026, no Auditório do Sesc Pinheiros, onde fica em cartaz de quinta à sábado, às 20h30, até 18 de abril.
“Uma personagem como a Cecília encontrar uma atriz como Debora Lamm, é como um astronauta que finalmente encontra o planeta do seu destino. É raro. A personagem foi escrita para uma atriz como Debora Lamm, que pilota os polos humanos na mesma intensidade. Para uma diretora como Inez Viana, que tão bem desenha a crueldade do desejo humano. Não é sempre que a literatura encontra o corpo que ela invoca”, comenta Andréa Del Fuego.
Publicado em 2021, A pediatra consolida Andréa Del Fuego como uma das vozes mais inquietantes da literatura brasileira contemporânea. O romance acompanha Cecília, uma médica pediatra que, a partir de uma prática clínica aparentemente ética e racional, passa a se envolver em uma série de decisões que tensionam de forma radical os limites entre cuidado, controle e violência. Narrada em primeira pessoa, a obra constrói um relato perturbador, no qual a frieza do discurso científico contrasta com a brutalidade dos atos descritos. A protagonista é uma mulher instruída, bem-sucedida e socialmente integrada, mas cuja relação com crianças, mães e corpos infantis revela um desejo profundo de poder e manipulação. Ao se apropriar do vocabulário médico e da autoridade institucional da medicina, Cecília legitima ações que desafiam qualquer noção humanista de cuidado. O corpo – especialmente o corpo infantil – aparece como território de disputa, silenciamento e intervenção, articulando temas como maternidade compulsória, biopolítica, misoginia e abuso de poder. Andrea del Fuego constrói essa personagem sem recorrer a explicações psicológicas fáceis ou a julgamentos morais explícitos, o que intensifica o desconforto do leitor, constantemente colocado diante de um dilema ético sem mediações.
A encenação de Inez Viana toca em questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, a escolha de uma profissão sem paixão, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Pensando nesses temas, o espetáculo pretende envolver o público de maneira cúmplice, onde Cecília contará sua história, o que a ajudará a entender seus conflitos e anseios. A montagem busca ainda promover debates sobre papéis sociais e temas urgentes como aborto e ética profissional.
“Mulher privilegiada, classista, cheia de preconceitos, Cecília não percebe que sua má conduta se volta contra si e, obviamente, contra todas as pessoas à sua volta, perdendo uma oportunidade de praticar a medicina de forma mais humanizada. E aí há uma identificação geral quando pacientes de todas as classes já sofreram e sofrem por negligência médica. No Brasil, médicas e médicos, sobretudo em hospitais públicos onde a sobrecarga e o estresse estão sempre presentes, têm seus trabalhos afetados por atendimentos apressados e impessoais, sentido por seus pacientes. Mas as vezes não é uma escolha, como é para Cecília, que vai na contramão do que seria humanizado, como propõe a figura do outro pediatra Jaime, que se torna seu rival”, pontua Inez Viana.
A respeito de suas personagens, Debora Lamm comenta que “Cecília é uma pessoa amoral, que estudou medicina pela facilidade de seu pai ser um médico benquisto por colegas e pacientes, mas ela mesmo não tem o exercício do afeto e o tempo inteiro testa os limites da ética, vivendo à margem do humano.” Já Luis Antonio Fortes diz que “Celso é um cara de caráter duvidoso e amante de Cecília, a pediatra que fez o parto de seu filho Bruninho, uma criança por quem ela se vê encantada. Mas Celso também está encantado por Cecília.”
Minibios
Andréa Del Fuego – Pseudônimo literário de Andréa Fátima dos Santos, nasceu na cidade de São Paulo, em 1975. Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é autora de romances, contos e livros juvenis. Entre suas obras, é autora do romance “Os Malaquias” (vencedor do Prêmio José Saramago) publicado na Alemanha, Itália, França, Israel, Romênia, Suécia, Portugal e Argentina. Ganhou o prêmio “Literatura Para Todos” do Ministério da Educação com a novela “Sofia, o cobrador” e “O motorista”. Ao lado de outras autoras brasileiras contemporâneas, como Índigo, Cecília Giannetti e Carol Bensimon, teve um conto publicado na coletânea Histórias femininas.
Inez Viana – Atriz, encenadora, professora e dramaturga, iniciou sua carreira em 1984. Tem bacharelado em Artes Cênicas e Pós-graduação em direção artística pelo Instituto CAL, RJ. Dirigiu 20 peças e atuou em mais de 30, além de novelas e filmes. Como diretora, recebeu duas indicações dos prêmios Shell, APTR, Questão de Crítica e APCA; ganhou dois Prêmios Contigo (júri oficial e popular) e o Prêmio FITA. Como atriz, recebeu o Prêmio Qualidade Brasil, Millênium e Questão de Crítica, tendo sido indicada aos prêmios Shell e APTR. Junto com 9 atrizes e atores, fundou, em 2009, a Cia OmondÉ, com 9 peças montadas, muitas indicações e prêmios. Realizou o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino”, que dirigiu e co-roteirizou com Felipe Gali, e que traz o escritor Ariano Suassuna como principal narrador. Em janeiro de 2026, dirigiu Malu Galli e Tiago Martelli em “Mulher em fuga”, no Sesc 14 Bis (SP), que em março de 2026 será apresentado no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro.
Debora Lamm – Com mais de 40 espetáculos como atriz e diretora, é integrante e fundadora da Cia OmondÉ. No cinema, destaque para as protagonistas de “Muita Calma Nessa Hora”, do premiado “Seja o Que Deus Quiser” de Murilo Sales, sua parceria com a diretora Júlia Rezende em “Como é Cruel Viver Assim”, lhe rendeu a indicação de melhor atriz no festival internacional de cinema da África do Sul. É uma das protagonistas do sucesso da Netflix “Todo Dia a Mesma Noite”, série ficcional baseada na tragédia da Boate Kiss e do próximo lançamento da Conspiração Filmes e do Globoplay “Juntas e Separadas”. Na TV Globo, atuou entre séries e novelas com Mauricio Farias, Walter Carvalho, Dennis Carvalho, Antônio Calmon, Denise Saraceni, Zé Luís Villamarim, Flávia Lacerda, Gilberto Braga, Amora Mautner, Guel Arraes. Nos últimos anos participou da novela de Manuela Dias “Amor de Mãe”, “Quanto mais Vida Melhor” com direção de Alan Fiterman, da minissérie “Histórias Impossíveis” com direção de Luisa Lima, da novela “Mania de Você” de João Emanuel Carneiro e mais recentemente fez parte da equipe de direção do último projeto de humor de Jorge Furtado e Regina Casé.
Luis Antonio Fortes – Ator, professor, diretor, mestrando em Artes Cênicas pela Unirio, é integrante e fundador da Cia OmondÉ, na qual recentemente atuou e produziu o “Último Ensaio”. Foi idealizador, produtor e atuou no espetáculo “Dançando no Escuro”, direção de Dani Barros, indicado a todos os prêmios de teatro em 2018. Produziu “A produtora e a Gaivota” de Jefferson Schoroeder. É professor de teatro no Instituto Meta Educação e no projeto Memoridades para +60 do Museu de Arte do Rio. Em “Luas de Júpiter”, texto de Jô Bilac e Geandra Nobre, pela primeira vez assina a direção artística de um projeto cultural. Foi indicado na categoria melhor ator coadjuvante por “Os Mamutes”, no FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra, em 2012.
Bem Medeiros – Produtor, diretor e pesquisador, com atuação no audiovisual, teatro e em projetos interdisciplinares. Cientista social com pós-graduação em Cinema Documentário (CPDOC/FGV) e especialização em Gênero e Sexualidade (IMS/UERJ), tem ampla experiência em gestão cultural, coordenação de projetos e captação de recursos públicos e privados, por meio de editais, leis de incentivo, coproduções institucionais e estratégias alternativas de financiamento e sustentabilidade de projetos culturais. Como produtor executivo, realizou obras exibidas em festivais como Cannes, Rotterdam e Brasília, com premiações e reconhecimentos em Sundance, Tiradentes e Gramado. No teatro, assinou a direção de produção de “VINTE!” (indicado ao Shell 2026), “Último Ensaio” (indicado ao Shell 2025), “Noite das Estrelas” (indicado ao Shell 2024), “Mariposas Amarillas” (indicado ao APTR 2025), “Mata Teu Pai, ópera balada” (indicado ao Shell 2023) e “Pactos para Reflorestar a Terra”. Atua como coordenador de projetos no movimento cultural Entidade Maré e é diretor de produção da Cia OmondÉ. Criador da marca DRAG-SE, ministrou aulas de produção na Academia Internacional de Cinema e em cursos livres, além de atuar como mentor na formação BROTA (SESC-RJ).
Ficha técnica
Texto: Andréa Del Fuego
Direção artística e adaptação dramatúrgica: Inez Viana
Elenco: Debora Lamm e Luis Antonio Fortes
Direção de produção: Bem Medeiros e Luis Antonio Fortes
Produção executiva: Matheus Ribeiro
Assistência de direção: Lux Nègre
Colaboração artística: Denise Stutz
Cenário: Aurora dos Campos
Figurino: Carla Costa
Direção musical: Navalha Carrera
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: Rodrigo Menezes
Design: Laryssa Ramos
Idealização: Inez Viana e Luis Antonio Fortes
Realização: Sesc SP
Produção: Eu + Ela e Suma Produções.
Serviço:
A Pediatra
Temporada: 12 de março a 18 de abril, quintas, sextas e sábados, exceto na Sexta-feira Santa (3 de abril).
Horários: Às 20h30. Dias 27 de março, 10 e 17 de abril haverá sessões também às 16h
Sessão com LIBRAS dias 17 e 18 de abril – 3 sessões
Local: Sesc Pinheiros – Auditório – R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia entrada) e R$ 15 (credencial plena). Vendas em sescsp.org.br ou na bilheteria de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 min | Classificação: 12 anos
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo (SP)
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.
(Com Gleice Nascimento/Assessoria de Imprensa Sesc Pinheiros)