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Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba abre as comemorações do centenário de Marina Caram com mostra retrospectiva

Sorocaba, por Kleber Patricio

Marina Caram – Esquisse Mendigo – Paris, 1952. Guache sobre papel.

No último dia 28 de junho, o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) inaugurou a exposição Centenário Marina Caram, com curadoria de Tereza Cristina Ferreira Batista. A mostra marca o início das comemorações oficiais pelos cem anos de nascimento da artista reunindo recortes fundamentais de sua trajetória para reposicionar seu legado no contexto da arte brasileira do século XX. Pintora, escultora, desenhista e gravadora, Marina Caram (1925–2008) foi um dos nomes do expressionismo no país, com passagem por instituições como o MASP e seis edições da Bienal de São Paulo.

A exposição percorre mais de cinco décadas de produção, apresentando fases e séries que revelam a amplitude formal e temática da artista: Fase Inicial (1940–1951), Paris (1952–1953), Os Humilhados (1954), Salvador (1955–1956), Bolívia (1957), Orixás (1959–1960), Desenhos Casa do Artista Plástico (1963), O Homem e as Profissões (1967), O Homem e a Máquina (1969), Barroco Brasileiro (década de 1970), Carnaval (1970–1980), O Circo (1983) e Pinturas Independentes (1990). O conjunto oferece ao público um mergulho na construção de uma artista que tensionou, ao longo da vida, o lugar da arte na experiência humana.

Nascida em Sorocaba, Marina iniciou ainda adolescente sua produção artística, pintando caixas de bombons e aventais. Aos 14 anos, mudou-se para São Paulo, onde consolidaria sua formação e trajetória. Em 1951, foi apresentada a Oswald de Andrade, que, impressionado com a força crítica de sua obra, a indicou a Pietro Maria Bardi. No mesmo ano, Caram realizou sua primeira exposição individual no MASP, que lhe rendeu uma bolsa de estudos do governo francês para a Escola Superior de Belas Artes de Paris.

Marina Caram, São Paulo, 1948 – Desenho a carvão.

Após dois anos na França, retornou ao Brasil e apresentou as obras produzidas durante o período em nova mostra no MASP. Sua atuação se estendeu por diversos países da América do Sul — como Argentina, Bolívia e Uruguai — e da Europa — incluindo Inglaterra, Suíça, Bélgica, Alemanha e Iugoslávia.

Seu trabalho articula crítica social, espiritualidade, memória e imaginação, em imagens marcadas por expressividade e intensidade. “Eu pinto a essência. Recrio a realidade da maneira como ela bate em mim”, declarou a artista em 2005. O reconhecimento institucional veio por meio de prêmios como o da APCA, em 1985, categoria de Retrospectiva: 40 Anos de Pintura (1945 a 1985), pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Ao trazer à luz sua obra neste momento, o MACS reafirma o compromisso de revisitar trajetórias de artistas mulheres fundamentais para a história da arte brasileira. Mais do que uma celebração, o centenário de Marina Caram representa uma reparação simbólica — uma oportunidade de inscrever sua produção no debate contemporâneo.

Serviço:

Exposições Centenário Marina Caram

Curadoria: Tereza Cristina Ferreira Batista

Abertura: 28 de junho de 2025, às 10h

Período expositivo: de 28 de junho a 18 de setembro

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro (ao lado da antiga Estação Ferroviária)

Visitação: terça a sexta-feira das 10h às 17h | sábados, domingos e feriados das

10h às 15h

Acessibilidade | Gratuito

Contato: WhatsApp (15) 99157-4522 | www.macs.org.br | @macsmuseu.

(Fonte: Agência Catu)