
Sandra Gamarra (Lima, Peru, 1972) – El que no tiene de inga tiene de mandinga I [Quem não tem inga tem mandinga I] [Those Who Don’t Have Inga Have Mandinga I], 2007 – Óleo sobre tela [Oil on canvas], 162 × 195 cm – MAR – Museu de Arte do Rio, Secretaria Municipal de Cultura da cidade do Rio de Janeiro, Fundo Galeria Leme. Foto [Photo] Thales Leite.
O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 6 de março a 7 de junho, a primeira exposição panorâmica de Sandra Gamarra Heshiki (Lima, Peru, 1972). A mostra “Sandra Gamarra Heshiki: réplica” reúne mais de 70 obras, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, propondo uma retrospectiva dos últimos 25 anos de uma produção que ressignifica obras de arte e objetos para contestar o sistema artístico e a herança colonial que permeia os museus. A curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora independente; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora artística do MALI — Museo de Arte de Lima, instituição parceira na organização e que exibirá a mostra, em versão adaptada, após sua apresentação no MASP. Em suas obras, a artista questiona o papel dos espaços culturais e como suas práticas impactam a produção artística. Essa crítica institucional motivou a criação, em 2002, do museu fictício LiMac — Museo de Arte Contemporáneo de Lima. Esse museu imaginário, que existe como arquivo em um website, respondia tanto à ausência de um museu de arte contemporânea em Lima na época quanto ao modo como muitas instituições ainda contam a história a partir de um ponto de vista de matriz europeia.

Sandra Gamarra (Lima, Peru, 1972) Producto: cholo [Produto: Cholo] [Product: cholo], da série Producción/Reproducción [Produção/Reprodução] [from the series Production/Reproduction], 2020-21 Óleo sobre tela [Oil on canvas], 96 × 100 cm Museo de Arte de Lima, doação [gift] LiMac – Museo de Arte Contemporáneo de Lima. Foto [Photo] Juan Pablo Murrugarra.
Para evidenciar como a história da arte é construída por meio de recortes, exclusões e hierarquias, a cronologia clássica é intencionalmente plagiada nessa exposição. “Em Réplica, Gamarra reflete, literalmente, o espaço, sobretudo a cronologia dos museus enciclopédicos, a matriz linear da história tão criticada por Lina Bo Bardi, mas que de algum modo é hegemônica no modelo de organização dos museus, tanto nas metrópoles como em suas ex-colônias. Assim, a artista produz aqui sua réplica de uma exposição de parte de seu acervo-obra, convertendo-o em um museu com seus fragmentos e aglutinando marcadores destrinchados por toda a sua carreira”, afirma Giufrida. Assim, em Réplica, as obras de Gamarra são apresentadas nos núcleos: “pré‑colonial”, “colonial”, “pós‑independência”, “moderno” e “contemporâneo”, além de uma sala dedicada ao LiMac.
A produção de réplicas para ressignificar cânones da arte, subverter discursos colonizadores e resistir a estruturas excludentes é central na obra de Gamarra. Em Recurso VII (2019), a artista parte das paisagens aparentemente pacíficas de Pernambuco pintadas por Frans Post (Haarlem, Países Baixos, 1612–1680) durante missões europeias no Brasil. Na versão da artista, esses cenários são recriados com óxido de ferro, matéria-prima usada por povos originários nas Américas em pinturas rupestres e cerâmicas. Além de reverenciar essas culturas ancestrais, o material vermelho escorre pela tela remetendo ao sangue e à violência da colonização. A pintura também tem uma faixa branca, elemento usado pela artista para diferenciar suas réplicas das obras originais.

Sandra Gamarra (Lima, Peru, 1972) – Imágenes sueltas en la Historia Occidental III (Retratos) [Imagens soltas na História Ocidental III] [Loose Images in Western History III (Portraits)], 2017 – Óleo sobre papel [Oil on paper], 140 × 161 cm – Coleção [Collection of] Luis Oganes, Lima. Foto [Photo] Oak Taylor-Smith.
Sandra Gamarra Heshiki: réplica integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón e Silät, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Santiago Yahuarcani e Sol Calero.
Sobre a artista

Sandra Gamarra (Lima, Peru, 1972) – Doble [Duplo] [Double], 2023 – Óleo sobre tela [Oil on canvas], 90 × 60 cm – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Doação da artista no contexto da exposição Histórias indígenas [Gift of the artist in the context of the exhibition Indigenous Histories], 2023 – MASP.11506. Foto [Photo] Eduardo Ortega.
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Guilherme Giufrida e conta com ensaios de Giufrida, além dos autores convidados Agustín Pérez Rubio, Florencia Portocarrero, Luis Eduardo Wuffarden, Sharon Lerner e Ximena Briceño.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Sandra Gamarra Heshiki: réplica, que incluem postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Sandra Gamarra Heshiki: réplica é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do PROAC-ICMS. Tem apoio cultural do Consulado Geral do Peru em São Paulo.
SERVIÇO:
Sandra Gamarra Heshiki: réplica
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora convidada, MALI; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora, MALI
6/3 — 7/6/2026
Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada).
Site oficial | Facebook | Instagram.
(Fonte: Assessoria de imprensa MASP)