
Aycoobo Wilson Rodríguez (La Chorrera, Colômbia [Colombia], 1967) – Calendário [Calendar], 2024 – Guache e tinta de caneta sobre papel algodão [Gouache and pen ink on cotton paper], 100 x 110 cm, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Doação Regina Pinho de Almeida no contexto da Biennale di Venezia [Gift Regina Pinho de Almeida in context of the Biennale di Venezia], 2024-25. Foto: Eduardo Ortega.
A escolha curatorial se afasta da concepção de uma natureza apartada da sociedade ou que compreende o ser humano como hierarquicamente superior. “É comum que meio ambiente e ecologia sejam tratados como sinônimos. No entanto, escolhemos ecologia para abranger um sistema de relações entre humanos e mais que humanos — animais, plantas, rios, florestas, montanhas, fungos e minerais. Não conseguimos pensar a natureza separada do humano”, diz André Mesquita, curador, MASP.
A curadoria de André Mesquita e Isabella Rjeille, curadores, MASP, revela perspectivas artísticas em comum a respeito da ecologia ou de enfrentamentos aos efeitos da crise climática global, propondo uma reflexão política sobre o tema ao evidenciar o fator humano e as implicações de marcadores sociais da diferença, como gênero, raça e classe. A exposição é dividida em cinco núcleos temáticos que seguem uma ordem linear: “Teia da vida”; “Geografias do tempo”; “Vir-a-ser”; “Territórios, migrações e fronteiras” e “Habitar o clima”.

Castiel Vitorino Brasileiro (Vitória, ES, 1996) – Sem título [Untitled], da série [from the series] Corpoflor [Bodyflower], 2016 [em processo] – Fotografia digital, 80 × 60 cm – Mendes Wood DM, São Paulo, Bruxelas [Brussels], Paris, Nova York [New York]. Foto [Photo]: Cortesia [Courtesy] Castiel Vitorino Brasileiro e [and] Mendes Wood DM.
Geografias do tempo reúne olhares indígenas, afrodiaspóricos, rurais e urbanos sobre a terra e o cosmos, a vida e a morte, a regeneração e o cuidado. A obra Calendário (2024), de Aycoobo (Wilson Rodríguez) (La Chorrera, Colômbia, 1967), artista nonuya-muinane, traz uma perspectiva indígena amazônica sobre a temporalidade cíclica da natureza. O desenho revela um sistema de marcação temporal que transcende a lógica linear ocidental, associando a passagem do tempo às transformações vividas pelas árvores, plantas, animais e rios da floresta amazônica. Já Ana Amorim (São Paulo, 1956) tem uma abordagem íntima e processual da temporalidade urbana. Em Passage of Time Study (2018), durante todas as noites, por um período de um mês, a artista brasileira registra o mapa do seu dia e um número localizador. O resultado é um conjunto de 31 desenhos feitos com caneta esferográfica sobre papel.
Vir-a-ser investiga as relações entre seres humanos e mais-que-humanos, além de modos simbólicos, espirituais e materiais que estruturam esses vínculos. A série de desenhos Tentativas de criar asas (década de 2000), de Rosana Paulino (São Paulo, 1967), evoca seres híbridos em constante transformação – trata-se de figuras femininas que tecem teias, rompem casulos ou ganham asas, libertando-se de estruturas que já não lhes servem mais, à semelhança de alguns insetos. A série fotográfica Corpoflor (2016-presente) propõe um hibridismo radical entre o corpo humano e o de outros seres da natureza. Em retratos e autorretratos, Castiel Vitorino Brasileiro (Vitória, ES, 1996) revela corporalidades imprevistas que transcendem as normas de gênero e sexualidade, criando formas de existir que resistem às categorizações binárias impostas pela sociedade.
Territórios, migrações e fronteiras se debruça sobre os deslocamentos forçados, fluxos migratórios e fronteiras físicas e sociais. A escultura Refugee Astronaut XI (2024), de Yinka Shonibare (Londres, 1962), representa migrantes, estrangeiros e refugiados contemporâneos. Desde 2015, o artista produz figuras em tamanho real de astronautas nômades, equipados com capacetes e vestidos com uma roupa espacial cujos tecidos se inspiram nos padrões africanos. Esses personagens parecem vagar sem rumo, à deriva, entre mundos devastados. Os astronautas de Shonibare carregam os traumas da crise climática e dos ecocídios que expulsam milhões de seus territórios de origem.

Carmézia Emiliano (Maloca do Japó, Roraima, 1960) – Moqueando peixe [Searing Fish], 2020 – Óleo sobre tela [Oil on canvas], 60 x 60 cm – Coleção [Collection] Claudia Warrak, São Paulo. Foto [Photo]: CABREL | Estúdio de imagem.
Histórias da ecologia é o tema do ciclo curatorial de 2025. A programação do ano também inclui as mostras de Claude Monet, Frans Krajcberg, Abel Rodríguez, Clarissa Tossin, Hulda Guzmán, Minerva Cuevas e Mulheres Atingidas por Barragens.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021-22), Histórias Indígenas (2023) e Histórias LGBTQIA+ (2024).
ACESSIBILIDADE
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.
Catálogo | Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa, André Mesquita e Isabella Rjeille.
Loja MASP | Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Histórias da ecologia, que incluem bolsas, postais magnéticos, cartazes, marca-páginas, garrafas, camisetas, cadernetas e blocos de notas.
Realização | Histórias da ecologia é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tem patrocínio master de Nubank, patrocínio da Vivo e apoio cultural de Icelandic Art Center, OCA – Office for Contemporary Art Norway e Saison France Brésil 2025.
SERVIÇO:
Histórias da ecologia
Curadoria: André Mesquita, curador, MASP, e Isabella Rjeille, curadora, MASP
Assistência curatorial: Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP
4/9 — 1/2/26
Edifício Pietro Maria Bardi
2º ao 6º andar
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada).
Site oficial | Facebook | Instagram.
(Fonte: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)