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MASP apresenta coletiva internacional “Histórias latino-americanas”

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Daniel Lind-Ramos – El Viejo Griot [O Velho Griô] [[The Old Griot], 2018-22
Proa de barco, sacos de estopa, tampa de plástico, chapéu, madeira, corneta, remos de madeira, papelão, fibra de vidro pintada, plástico e tecidos sintéticos, cocos secos e envernizados, balde de PVC, pandeiro, conga, luvas, arame, fechos de metal, espelho, alfinetes de costura, corda náutica, material de embalagem plástica e corda [Boat bow, burlap sacks, plastic lid, hat, wood, bugle, wood oars, cardboard, painted fiberglass, plastic and synthetic textiles, dried and lacquered coconuts, PVC bucket, tambourine, conga drum, gloves, wire, metal fasteners, mirror, sewing pins, marine rope, plastic wrapping material and rope], 269 × 526 × 282 cm. Coleção do artista, cortesia Max Levai Gallery, Nova York.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugurou no dia 4 de setembro a coletiva internacional “Histórias latino-americanas”. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.

Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.

“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.

Manuel Chavajay (Lima, Peru, 1983) – Ch’umil kaj / estrellas en la Via Láctea [Ch’umil kaj / estrelas na Via Láctea], 2024 – Cerâmica, acrílica e tinta spray [Ceramic, acrylic and spray], 49 × 400 × 40 cm. Coleção do artista, cortesia Galeria Pedro Cera, Lisboa, Madri [Collection of the artist, courtesy Galeria Pedro Cera, Lisbon, Madrid].

A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revésRetórica do progressoSociedades americanasEstamos em salsa e A queda do céu.

O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.

Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.

Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.

Pepón Osorio – La Cama [The Bed], 1987 – Técnica mista [Mixed media], 190.5 × 146 × 207 cm – El Museo del Barrio, compra através do The Ford Foundation, Nova York. Cortesia do artista e P·P·O·W, NovaYork [El Museo del Barrio, purchase through The Ford Foundation, New York, Courtesy of the artist and P·P·O·W, New York]. Foto [Photo] Matthew Sherman, cortesia [courtesy] El Museo del Barrio, Nova York [New York].

Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.

O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.

Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.

Seba Calfuqueo (Santiago, Chile, 1991) – Cementerio indígena bajo el agua hasta hoy en la Central hidroeléctrica Ralco [Cemitério indígena embaixo d’água até hoje na hidrelétrica Central Ralco] [Indigenous Cemetery Remains Submerged at the Ralco Hydroelectric Power Plant], 2023 – Acrílica e pigmentos sobre papel Arches Aquarelle [Acrylic and pigments on Arches Aquarelle paper], 88,5 × 69,5 cm. Coleção [collection of] Daniel Alvarez, São Paulo. Foto [Photo] Filipe Berndt.

A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).

Acessibilidade

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

Catálogo

Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.

Loja MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.

Realização

Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.

SERVIÇO:

Histórias latino-americanas

Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, com assistência de Teo Teotonio, assistente curatorial, MASP

4/9/2026 — 31/1/2027

Edifício Pietro Maria Bardi, 2º ao 6º andar

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da Loja MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

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(Fonte: Assessoria de imprensam MASP)