Após o polêmico e devastador “Pasolini no deserto da alma”, o diretor Francis Mayer prossegue na sua cartografia de “malditos” levando à cena o texto “Marginal Genet” sobre a vida do transgressor escritor francês Jean Genet, livremente inspirado nas obras “Diário de um ladrão”, de Jean Genet, e “Saint Genet”, de Jean-Paul Sartre.
O autor Jean Genet esteve no Brasil, em 1970, a convite da atriz e produtora Ruth Escobar para a estreia de “O balcão” no Teatro Ruth Escobar.
Não por acaso, o espetáculo “Marginal Genet” – após cinco meses de sucesso no Rio de Janeiro – estreia dia 4 de julho de 2025 no Teatro Ruth Escobar, na Sala Gil Vicente – o mesmo porão onde “O balcão” foi prestigiado por seu autor em sua única visita ao Brasil.
O texto destaca o relacionamento de Jean Genet com quatro personagens, dentre todos citados na sua obra autobiográfica “Diário de um ladrão”, que continua a gerar polêmica até hoje. Temos, então, Renê (garoto de programa), Bernardini (comissário de polícia secreta), Lucien (morador de rua) e Charlotte Renaux (cantora).
Marginal Genet é um convite ao submundo dos marginalizados. Ele sobreviveu pelas ruas de Paris, sendo preso diversas vezes na juventude por roubo, vivendo como mendigo, sustentando-se como ladrão.
No espetáculo, o espectador terá acesso a intimidade de um personagem transgressor com recorte focado nos seus momentos mais intensos, regados a momentos de lirismo. Com linguagem poética e visceral, o texto propõe uma conversa com o seu público, a quem o protagonista autoriza uma imersão em seu universo particular abrindo o seu diário, compartilhando histórias de seus encontros e amores com seres que costumavam viver à margem da sociedade, elevando-os à categoria de heróis.
De Jean Genet, Francis Mayer já produziu Querelle, em 1989, no Teatro Dulcina, lançando Gerson Brenner como ator, tendo Rogéria no elenco; e dirigiu “Alta Vigilância”, em 1997, no Teatro Candido Mendes, com Carlos Machado, Jonathan Nogueira e Luka Ribeiro.
Considerado dono de uma imaginação febril e alegórica, Jean Genet cultuava a valorização do prazer, da beleza e do humano. E recriou em peças e romances a mesma marginalidade radical que caracterizou a sua vida, como “As criadas”, “Querelle”, “O balcão”, “Nossa Senhora das Flores”, “Alta Vigilância” e “Os negros”, entre outros. Sendo um escritor de combate, despertou admiração em um grupo de intelectuais como Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Jean Cocteau, que com sua intervenção, salvou-o de uma prisão perpétua que o levaria à morte.
Francis Mayer tem em seu currículo de diretor os espetáculos (entre outros) “Pasolini no deserto da alma”; “Detentos”; “Querelle”, de Jean Genet; “Angela Maria – Lady Crooner” (musical); “Alta Vigilância”, de Jean Genet; “Cazuza – Jogado a teus pés” (musical); “Os meninos da Rua Paulo”, com Bruno Gagliasso; “Se você me ama…”, com Danielle Winits; “As meninas”, de Lygia Fagundes Telles; “Namoro”, com Natália Lage, “Betty Blue”, de Philippe Djian; “Teen-Lover”, com Mouhamed Harfouch; “Nó de gravata”, com Luana Piovani; “Zero de conduta”, de Zeno Wilde; “Os campeões”, com Rainer Cadete; “Herdeiros”, com Guilherme Leicam; “Folia Tropical”, com Rogéria; “A noite do meu bem”, de Paulo César Coutinho e “O Hóspede”, baseado no filme “Teorema”, de Pasolini, entre outros.
Serviço:
Marginal Genet
Texto/Direção: Francis Mayer
Elenco/Personagens:
Thiago Brugger (Jean Genet)
Fernando Braga (René)
Vinícius Moizés (Bernardini)
Yago Monteiro (Lucien)
Samuel Godois (Charlotte Renaux)
Duração: 70 minutos
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 110,00 (inteira) R$ 55,00 (meia)
Apenas oito apresentações – de 4 a 26 de julho de 2025
Sextas às 20h30; sábados, às 20 horas
Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente
Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista – São Paulo
(11) 3284-3382.
(Com Francis Mayer)
