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MACS apresenta exposição do artista visual Marcelino Melo

Sorocaba, SP, por Kleber Patricio

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) abre ao público, em 15 de agosto, “Etnogênese – O que é, e o que pode ser”, exposição individual de Marcelino Melo com curadoria de Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges. A mostra apresenta a nova série do artista, concebida como continuidade de Quebradinha, conjunto de esculturas pelo qual se tornou conhecido ao reproduzir construções das periferias brasileiras. Agora, Marcelino desloca o foco da arquitetura para as pessoas que constroem e habitam esses espaços. A visitação segue até 15 de novembro de 2026.

Conhecido pelas esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das quebradas, o que lhe rendeu o apelido, Marcelino expande nesta série a pesquisa da construção para a figura humana que a habita. O barro e o tijolo, materiais que sustentam toda a obra do artista, permanecem como base: o tijolo funciona como elemento visual e conceitual, tecnologia derivada do barro que, segundo o artista, atravessa desde mitologias sobre a criação humana até o cotidiano das quebradas.

Entre as obras da série estão “Èmí, o sopro da vida”, baseada no mito iorubá da criação humana, e a instalação “O que é, e o que pode ser”, composta por 64 peças. O título parte do conceito antropológico de etnogênese, usado para designar o aparecimento de uma identidade étnica ou o modo como um grupo passa a se reconhecer e a ser reconhecido como distinto. Melo aproxima o termo da experiência periférica e toma o ser favelado e sua relação com o lugar como ponto de partida. A mudança não abandona a Quebradinha: observa quem existe dentro dela e as formas pelas quais essas identidades são construídas.

Obra Raimundo Jacó, 2026, da série Etnogênese, de Marcelino Melo, Performance + fotografia em papel Hahnemühle, 100 x 100 cm.

Luiza Testa situa a série menos no nascimento de uma população do que no reconhecimento político de quem já estava ali. Para a curadora, a exposição “trata mais do reconhecimento, e não necessariamente do surgimento, de um ser-político periférico que já existe há muito tempo”. A leitura acompanha a mudança de escala no trabalho de Melo: das miniaturas de casas, vielas e estruturas urbanas para figuras que deixam de aparecer apenas como habitantes implícitos dessas construções.

“É impossível ser moderno sem transformar a realidade”, afirma Emicida ao analisar o trabalho de Marcelino Melo. Ao aproximar a pesquisa do artista com a arquitetura brasileira, identifica na escala um recurso para tornar visível o que a cidade costuma ignorar. Em sua leitura, as construções de Oscar Niemeyer e os barracos das periferias respondem, por caminhos distintos, às condições concretas da vida no país.

Marcelino Melo, também chamado de Nenê ou Quebradinha, nasceu em 1994 em Carneiros, no sertão de Alagoas, e vive na zona sul de São Paulo. É artista visual, fotógrafo aéreo e arte-educador. Ficou conhecido pela série Quebradinha (2019), esculturas em miniatura que reproduzem a arquitetura das periferias brasileiras, hoje presente em acervos como Instituto Moreira Salles, Museu das Favelas e Fazenda Vista Verde. Em 2024 apresentou Etnogênese – O que é, e o que pode ser, sua primeira individual, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2025.

SERVIÇO:

Etnogênese – O que é, e o que pode ser 

Marcelino Melo

Curadoria: Emicida, Luiza Testa e Patrícia Borges

Pré-abertura para convidados: 14 de agosto, das 18h às 22h

Abertura: 15 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de novembro de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba

Horário: terça a sexta, das 10h às 17h | sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS e Ministério da Cultura

Apoio: Dan Galeria, Fazenda Vista Verde e Secretaria de Cultura de Sorocaba

Patrocínio: Lei Rouanet, Laranjinha Itaú, Itaú e White Martins.

(Com Uiara Costa de Andrade/Agência Catu)