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Galatea aproxima cinco artistas em exposição que reinventa as formas de olhar para a natureza

Rio de Janeiro, RJ, por Kleber Patricio

Chico da Silva – Sem título, década de 1950 [1950s]. Foto: Ding Musa.

Há muitas maneiras de imaginar a natureza. Ela pode surgir como paisagem, como fauna e flora reinventadas, como matéria ou como elemento de construção de uma obra. É a partir dessas diferentes possibilidades que o Tropigalpão, espaço cultural independente voltado para a arte contemporânea e projetos multidisciplinares no Rio de Janeiro, recebe “Atravessamentos Naturais”, exposição realizada em colaboração com a Galatea. Com curadoria de Tomás Toledo, a mostra reúne trabalhos de Anísio O. Couto, Chico da Silva, Grauben do Monte Lima, Silia Moan e Ygor Landarin e aproxima artistas de contextos culturais, sociais, geográficos e temporais distintos, criando relações entre suas formas de elaborar o mundo a partir de referenciais da natureza brasileira. A abertura aconteceu em 17 de setembro como parte da programação paralela da ArtRio.

O ponto de partida está nas obras de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, dois artistas históricos que construíram maneiras singulares de representar a natureza brasileira. Em suas pinturas, animais, plantas e outros elementos da fauna e da flora deixam o registro naturalista para ganhar novas formas, criaturas e paisagens. A natureza, em vez de ser reproduzida, é transformada: torna-se fantástica, imaginada e própria de cada universo artístico.

Silia Moan 1987 Flor de mandacaru cósmica [Cosmic Mandacaru Flower], 2025. Foto: Rafael Salim.

O conceito curatorial de Tomás Toledo explora a operação formal e conceitual da justaposição, colocando em diálogo e fricção a produção de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima em relação aos trabalhos de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin.

A relação entre os cinco artistas se estabelece pela natureza como tema comum de suas produções, bem como por seu diálogo intergeracional, revelando modos particulares de pensar as artes e seus processos de criação. Ao mesmo tempo, os procedimentos e interesses existentes nas práticas de Chico da Silva e Grauben do Monte Lima, como a fabulação, a reinvenção, a experimentação cromática e a transformação do mundo natural em linguagem artística, compartilham afinidades com a produção de Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin. Materialidades como madeira, barro, tecido e conchas, entre outras, participam da construção das obras e ampliam as possibilidades de relação com o mundo natural dentro das investigações artísticas.

O que se forma no Tropigalpão, portanto, é uma leitura da representação da natureza articulada entre maneiras singulares de olhar, imaginar e construir artisticamente. De um lado, Chico da Silva e Grauben do Monte Lima transformam fauna, flora e paisagem em universos fantásticos; de outro, Anísio O. Couto, Silia Moan e Ygor Landarin exploram outros materiais e procedimentos para elaborar suas próprias relações com esse mesmo campo. É nesse intervalo entre imagens, matérias e tempos que a exposição encontra seus atravessamentos naturais dentro das artes visuais brasileiras.

Programação especial no Tropigalpão 

Na mesma quinta-feira, dia 17, o Tropigalpão inaugurou Meteorium III, de Dominique Gonzalez-Foerster. Apresentado originalmente na Pinacoteca de São Paulo, em 2025, o trabalho era uma estrutura octogonal formada por seções em forma de cunha, cada uma pintada em uma cor e estilo distintos, evocando condições climáticas específicas e diferentes associações emocionais. Agora, a obra ganha a forma de um filme experimental e se inscreve na linhagem de trabalhos da artista que tomam exposições como cenário, como Marquise (2007), No Return (2009) e Otello 1887 (2015).

Grauben do Monte Lima 1889-1972 Sem título [Untitled], 1966 – 64 x 89 cm [25 1/4 x 35 in]. Foto: Rafael Salim.

A programação inclui ainda ONDE, mostra de Umberto Costa Barros concebida pela galeria Marli Matsumoto Arte Contemporânea. Com curadoria de Catherine Bompuis, a exposição reúne documentos fotográficos produzidos pelo próprio artista a partir de intervenções site-specific realizadas desde o final da década de 1960, evidenciando o caráter precursor de sua pesquisa e sua contribuição para ampliar as relações entre arte e arquitetura. O conjunto inclui ainda BUFFER, trabalho de 2023.

O Tropigalpão recebe um recorte da mostra original, que retoma trabalhos criados por Costa Barros durante um dos períodos mais duros da ditadura militar brasileira. Integrante da geração que começou a atuar após a promulgação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, o artista está inserido em um contexto de intensa experimentação, ao lado de nomes como Cildo Meireles, Antonio Manuel, Luiz Alphonsus, Thereza Simões e Raimundo Colares.

Sobre a Galatea

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a Galatea conta com dois espaços vizinhos na cidade de São Paulo: a unidade localizada na Rua Oscar Freire, 379 e a nova unidade localizada na Rua Padre João Manuel, 808. A galeria também tem uma sede em Salvador, na Rua Chile, 22, no centro histórico da capital baiana.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe.

Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores.

SERVIÇO:

Atravessamentos Naturais

Local: Tropigalpão

Endereço: Rua Benjamin Constant, 118 – Glória, Rio de Janeiro

Abertura oficial: 17 de setembro, das 18h às 21h

Período expositivo: 17 a 27 de setembro de 2026

Horários: Segunda a quinta: 10h às 19h | Sexta: 10h às 18h | Sábado: 11h às 17h

Ingresso: Gratuito

Mais informações: https://www.galatea.art/

Instagram: @galatea.art_ | @tropigalpao_118.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)