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Álbum em homenagem a João Donato traz grandes participações como Gilberto Gil, Djavan e Bebel Gilberto, além de duas canções inéditas

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

João Donato com Margareth Menezes. Foto: Arquivo/Divulgação.

A obra de João Donato, um dos maiores compositores da música brasileira, ganha em “Viva Donato”, álbum lançado pelo Selo Sesc, uma homenagem que celebra seu legado pelas vozes de outros grandes nomes da música brasileira. O álbum chegou às principais plataformas de áudio em 28/8, junto de dois shows de lançamento em setembro.

O tributo Viva Donato ganha vida por meio de importantes nomes da MPB: Antonio Adolfo, Bebel Gilberto, Djavan, Donatinho, Dora Morelenbaum, Dori Caymmi, Fafá de Belém, Fernanda Abreu, Gilberto Gil, Ivan Lins, Jaques Morelenbaum, João Bosco, Joyce Moreno, Marcos Valle, Margareth Menezes, Patrícia Alvi, Paula Morelenbaum e Roberta Sá e Silva. Como principais arranjadores, o projeto conta com Dori Caymmi, Marcos Valle, Kassin, Jaques Morelenbaum e Donatinho. Todos eles se relacionam de maneira profunda com o artista, seja por meio de parcerias em composições, ou pelo fato de terem sido diretamente influenciados pela sua obra no seu próprio trabalho. De uma forma ou de outra, uma coisa é certa: foram tocados pela poesia de Donato.

Abrindo com “A Paz”, parceria entre Gil e Donato em 1986, nesta nova versão são Gil e Mônica Salmaso que revivem a canção com arranjo de Dori Caymmi. “Esse modo facilitador que ele tinha, de promover o escorrimento do afeto. Com que o afeto escorresse de forma muito suave, como se fosse um riacho. Era a cara dele. Foi assim incrível o conjunto de canções que a gente acabou fazendo. Muitas das canções, das melodias, eram reminiscências que ele tinha dos lugares no Acre, das ruas, dos rios, das florestas, dos lugares onde ele ia passear quando ele era pequeno, das lavadeiras. Muita coisa vinha no ouvido dele”, compartilha Gilberto Gil.

Capa do álbum.

Em “Nua Ideia”, a composição de Donato surge em uma nova leitura que preserva a sensibilidade da letra. Lançada na voz de Gal Costa em 1980 no disco Plural, já ganhou diversas versões ao longo dos anos por nomes como Edu Lobo e Emílio Santiago. Agora, é Bebel Gilberto que com suavidade dá vida novamente à canção. “Eu fui criada ouvindo, aprendendo e tendo que lembrar de todos os detalhes de todas as músicas do Donato. Das letras, das melodias… Lugar Comum, A Bruxa de Mentira, Emoriô, A Rã… Quando veio a ideia de gravar o Donato, eu tive o prazer de poder escolher a música. Nua Ideia, sem dúvida nenhuma, é uma das músicas mais bonitas do Donato”, conta Bebel Gilberto.

Silva interpreta as bem pensadas aliterações presentes na inédita “Aquela delícia singela”, que dão toda a cadência e harmonia da canção. “Flor de Maracujá”, composta em 1974 em homenagem a Gal Costa – carinhosamente apelidada por Donato com o nome da flor –, ganha a voz de Roberta Sá acompanhada de Roberto Barreto na guitarra baiana.

A beleza melancólica e apaixonada de “Até quem sabe”, canção de 1973, é interpretada por Joyce Moreno, enquanto “Falta de ar”, que igualmente traz o amor triste e nostálgico nos seus versos é entoada por Djavan. Em “Cadê Jodel?”, que traz a saudade de Donato por sua filha, tem nas sobrepostas vozes da mãe e filha Paula Morelenbaum e Dora Morelenbaum o seu acalanto.

“Vamos Combinar”, também faixa inédita, é uma parceria entre João Donato e Marcos Valle na qual Valle e Patrícia Alvi concretizam essa primeira gravação em dueto. “O Donato sempre teve uma simplicidade aliada a uma certa coisa sofisticada. Poucas notas. Isso eu aprendi muito com o João”, conta Marcos Valle sobre a conversa entre os instrumentos na composição, maneira de observar e entender a música que aprendeu com Donato.

Dori Caymmi com Gilberto Gil.

O álbum segue com Ivan Lins cantando o leve samba sobre os planos da vida a dois “E vamos lá”, enquanto Antonio Adolfo e seu piano interpretam o bolero “Simples carinho”, lançado em 1982. A declaração de amor de “De um jeito diferente”, popularizada na voz de Emílio Santiago, chega em Viva Donato por meio da intensidade de Fafá de Belém. Já “A Rã”, uma das mais famosas de sua carreira, lançada em 1960, conta com João Bosco para honrar a cadência da letra. “As harmonias dele são muito delicadas, são muito precisas, inquietas. Essa música entrou na minha alma, mas ela é muito sutil e como muito sutil, ela precisa de isolamento e tranquilidade. E a letra, né? Esses dois irmãos fizeram coisas inacreditáveis, eu sou apaixonada por pelos dois. Fiquei muito feliz de ser uma música, uma letra dos irmãos Os Donados, The Boys (risos). Viva Donato!”, conta Fafá de Belém com descontração.

Seu filho Donatinho dá o tom leve e solar que pede “Lua Dourada”, bolero lançado em 1986, já “Emoriô”, outro grande sucesso de Donato em parceria com Gil, de 1975, traz Margareth Menezes no vocal. Fechando as homenagens de Viva Donato, Fernanda Abreu entoa “Nasci para bailar”.

Nascido no Acre e projetado nacionalmente a partir do Rio de Janeiro, João Donato foi um multiartista: pianista, compositor e arranjador fundamental para a consolidação da música popular brasileira. Além de um dos principais nomes da Bossa Nova, não se limitou a ela e incorporou influências do jazz e da música afro-latina de maneira autêntica em sua obra, o que ajudou a ampliar os horizontes da música brasileira e é tido como referência para diferentes gerações de músicos. Além de Viva Donato, o Selo Sesc também já lançou álbuns como Donato Elétrico (2016) e o Sessões Selo Sesc #7: João Donato + Projeto Coisa Fina (2020).

Fafá de Belém. Foto: Isabela Espindola.

“Espero que esse disco passe para as novas gerações e para as pessoas que não conhecem a música dele. O Donato é um cara que é o pai da música, pai do ritmo, pai da música latina brasileira… termo que não é usado aqui no Brasil porque o brasileiro é muito brasileiro, mas esquece que a gente está cercado pela América Latina. Então, se você nasce no Acre, como o Donato nasceu, você vai ter um quê de alguém especial”, completa Bebel.

FAIXAS

1 – A Paz | Gilberto e Mônica Salmaso

2 – Nua ideia (Leila XII) | Bebel Gilberto

3 – Aquela delícia singela | Silva 

4 – Flor de maracujá | Roberta Sá e Roberto Barreto

5 – Até quem sabe | Joyce Moreno

6 – Falta de ar | Djavan

7 – Cadê Jodel? | Dora Morelenbaum e Paula Morelenbaum 

8 – Vamos Combinar | Marcos Valle e Patrícia Alvi

9 – E vamos lá | Ivan Lins

10 – Simples Carinho | Antônio Adolfo

11 – De um jeito diferente | Fafá de Belém

12 – A rã | João Bosco

13 – Lua Dourada | Donatinho

14 – Emoriô | Margareth Menezes

15 – Nasci para bailar | Fernanda Abreu

FICHA TÉCNICA 

Músicos e intérpretes Antonio Adolfo – piano

Bebel Gilberto – voz

Bernardo Bosisio – guitarra, violão

Caio Oliveira – teclados, percussão eletrônica

Daniel Alcoforado – complementos

Danilo Sinna – flauta, clarinete

David Rangel – contrabaixo

Diogo Gomes – trompete, flugelhorn

Djavan – voz

Donatinho – voz, fender rhodes, complementos, sintetizadores, contrabaixo synth

Dora Morelenbaum – voz

Dori Caymmi – violão

Fafá de Belém – voz

Felipe Alves – bateria

Felipe Pinaud – flauta

Fernanda Abreu – voz

Gilberto Gil – voz

Guilherme Lirio – guitarra, contrabaixo, drum machine

Itamar Assieri – piano, teclados

Ivan Lins – voz

Jaques Morelenbaum – violoncelo

Jefferson Lescowich – contrabaixo, baixo

Jefferson Rodrigues – saxofone

Jessé Sadoc – trompete

Joao Bosco – voz, violão

Jorge Continentino – saxofone

Jorge Helder – contrabaixo

Jorge Neto – trombone

José Arimatéa – trompete, flugelhorn

Joyce Moreno – voz

Jurim Moreira – bateria

Kainã do Jejê – percussão

Karyne Rosselle – vocal

Kassin – baixo, complementos

Kiko Horta – acordeon

Lucca Noacco – guitarra

Luiz Alves – contrabaixo

Marcelo Martins – flauta, saxofone

Marcelus Leone – saxofone, flauta, trompete

Marcos Valle – piano, fender rhodes, voz

Margareth Menezes – voz

Marlon Sette – trombone

Monica Salmaso – voz

Moreno Veloso – pandeiro

Patrícia Alvi – voz

Paula Morelenbaum – voz

Paulo Guimaraes – flauta

Paulo Jordão – trompete

Pepe Cisneros – piano

Rafael Amarante – violão, guitarra, contrabaixo

Rafael Rocha – trombone

Renato Massa – bateria

Ricardo Pontes – saxofone

Ricardo Silveira – guitarra

Roberta Sá – voz

Robertinho Silva – percussão

Roberto Barreto – guitarra baiana

Rodrigo Pacato – percussão

Rodrigo Tavares – sintetizadores

Silva – voz

Tito Bahiense – vocal

Tito Oliveira – bateria, percussão

Tom Silva “Pacatinho” – percussão

Tuto Ferraz – bateria, percussão.

Gravado entre junho e julho de 2025 nos estúdios Visom Digital, Em Casa, Estúdio Marini, Estúdio do Tuto e Studio Oliveira.

Técnicos de Gravação: Guido Pera, Marcelo Saboia, Lucca Noacco, Tuto Ferraz e Caio Oliveira.

Mixagem: Marcelo Saboia

Masterização: André Dias

Idealização do projeto: Regina Oreiro

Direção artística: Regina Oreiro e Ivone Belem

Produção executiva: Acre Musical e Oreiro Produções

Assistente de produção: Dulce Lobo

Afinação de piano: Guthemberg Padilha

Fotos e vídeos: Isabela Espíndola

Comunicação Selo Sesc: Alexandre Amaral, Alexandre Calderero, Bárbara Carneiro, Renan Abreu e Sofia Calabria

Apoio: Instituto João Donato

Ouça Viva Donato!.

Sobre o Selo Sesc

Desde 2004 o Selo Sesc traz a público obras que revelam a diversidade e a amplitude da produção artística brasileira, tanto em obras contemporâneas quanto naquelas que repercutem a memória cultural, estabelecendo diálogos entre a inovação e o histórico. Em catálogo, constam álbuns em formatos físico e digital que vão de registros folclóricos às realizações atuais da música de concerto, passando pelas vertentes da música popular e projetos especiais. Entre as obras audiovisuais em DVD, destacam-se a convergência de linguagens e a abordagem de diferentes aspectos da música, da literatura, da dança e das artes visuais. Os títulos estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, Sesc Digital e Lojas Sesc. Saiba mais em: sescsp.org.br/selosesc.

Sobre o Sesc São Paulo

Com 79 anos de atuação, o Sesc – Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 42 unidades operacionais com atendimento presencial e 4 unidades operacionais com atendimento não presencial no estado de São Paulo e desenvolve ações com o objetivo de promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. As iniciativas da instituição partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Mais informações em sescsp.org.br. Selo Sesc nas redes: Instagram | YouTube.

(Com Sofia Calabria/Assessoria de imprensa Selo Sesc)