Notícias sobre arte, cultura, turismo, gastronomia, lazer e sustentabilidade

Por elas, com elas: do moderno ao contemporâneo DAN Galeria aproxima gerações de mulheres que transformaram a arte brasileira

São Paulo, SP, por Kleber Patricio

Maria Martins – Cheia de graça (Sombra), Edição 1/6,1953/1998.

Artistas de diferentes gerações e momentos da arte brasileira entram em diálogo em “Por elas, com elas: do moderno ao contemporâneo”, exposição que a DAN Galeria apresenta a partir de 9 de setembro com curadoria de Maria Alice Milliet. Realizada simultaneamente nas duas unidades da galeria em São Paulo, a mostra reúne, de um lado, obras históricas, na unidade da Rua Estados Unidos e, de outro, trabalhos de artistas contemporâneas, na Amauri.

Do modernismo à produção atual, o percurso evidencia diferentes perspectivas, linguagens e trajetórias de mulheres que colaboraram na ampliação dos caminhos da arte brasileira.

Anke Eliergerhard – Lovenly, 2016 – Poliorganossiloxano (silicone) altamente pigmentado, aço inoxidável – inclui pedestal, 170X75X cm.

No recorte histórico, a pesquisa no acervo da galeria revela obras raras e pouco vistas, em sua maioria de pequenas dimensões. São desenhos, estudos, pinturas e esculturas de Lygia Clark, Mary Vieira, Amélia Toledo, Eleonore Koch, Judith Lauand, Mira Schendel, Maria Leontina, Ione Saldanha, Tomie Ohtake e Yolanda Mohalyi que enfatizam o caráter experimental e/ou preparatório dessas produções. A seleção inclui uma maquete arquitetônica de Lygia Clark feita com caixinhas de fósforos, uma pequena coluna de lâminas móveis de Mary Vieira, um conjunto de placas componíveis de Amélia Toledo e um caderno de estudos de Eleonore Koch.

O conjunto acompanha um período de transformação da arte brasileira, marcado pela atuação de instituições como o MASP, os museus de arte moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro e a Bienal de São Paulo que ampliaram o contato do país com as vanguardas internacionais. Desse processo, as mulheres participaram ativamente promovendo a renovação da linguagem artística em nosso país. Judith Lauand e Lygia Clark estiveram na linha de frente da arte concreta; Tomie Ohtake e Yolanda Mohalyi desenvolveram pesquisas ligadas ao abstracionismo gestual; e Mira Schendel e Eleonore Koch construíram trajetórias altamente individualizadas. Sem ignorar referências internacionais, a produção brasileira não se limitou a reproduzir modelos estrangeiros, mas concentrou-se no desenvolvimento de pesquisas próprias e originais.

É a partir dessa trajetória que a exposição aproxima diferentes gerações. As experiências dessas artistas ampliaram os caminhos da arte brasileira e contribuíram para a abertura de novas formas de investigação.

Natureza, intimidade e o feminino

Obra de Ana Holck.

Na DAN Contemporânea, o segundo núcleo reúne artistas do programa da galeria e convidadas. Maria Martins faz a ligação entre os dois momentos da mostra: depois de viver longos períodos no exterior e conviver com nomes da vanguarda internacional, como Marcel Duchamp e André Breton, a artista é representada por meio de uma escultura monumental de raiz surrealista, formada por duas figuras fundidas em bronze a partir de originais em gesso. Ao lado dela, pintura, desenho, fotografia, instalação, vídeo e trabalhos manuais aparecem em obras atravessadas por duas questões centrais: a relação com a natureza e tudo o que ela representa; e o feminino, a intimidade e a posição social da mulher.

Água, terra, fogo e ar aparecem como referências que atravessam esse conjunto, em diferentes materiais e linguagens. Uma instalação de Laura Miranda reúne quimonos de diferentes séries, alguns incorporando galhos e suspensos por fios de nylon. Em Denise Milan, pedras, caramujos fundidos a partir de fósseis integram sua investigação Oxigênio da Terra, enquanto a água ganha presença nas obras de Elizabeth Dorazio.

No campo das questões ligadas ao feminino, Laura Mattos parte do universo doméstico e de seus códigos para abordar experiências femininas, enquanto Lucia Castanho trabalha questões de silêncio e intimidade. Já Raquel Kogan apresenta trabalhos que recorrem à tecnologia para explorar os limites da linguagem.

Roberta Goldfarb – Hope is mandatory, 2024.

Ao relacionar diferentes momentos da produção realizada por mulheres, Por elas, com elas: do moderno ao contemporâneo percorre mais de sete décadas da arte brasileira e evidencia a importância da contribuição feminina no campo da experimentação artística em um mundo globalizado.

Artistas Presentes

Históricas: Amélia Toledo, Eleonore Koch, Ione Saldanha, Judith Lauand, Lygia Clark, Maria Martins, Maria Leontina, Mary Vieira, Mira Schendel, Tomie Ohtake e Yolanda Mohalyi.

Contemporâneas: Adriana Rocha, Anke Eliergerhard, Denise Milan, Elizabeth Dorazio, Greicy Khafif, Laura M. Mattos, Laura Miranda, Lucia Castanho, Patricia Furlong, Raquel Kogan e Roberta Goldfarb.

SERVIÇO:

Por elas, com elas: do moderno ao contemporâneo

Curadoria: Maria Alice Milliet

Endereços:

DAN Galeria –  Rua Estados Unidos, 1638 – Jardim América, São Paulo – SP

DAN Galeria Contemporânea – Rua Amauri, 73 – Jardim Europa, São Paulo – SP

Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos sábados.

Abertura: 9 de setembro das 15 às 21h

Período expositivo: 9 de setembro a  7 de novembro

Classificação: livre

Mais informações: dangaleria.com.br

Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

Gratuito.

(Com Edgard França/Cor Comunicação)